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Na estante - Marcelo Copello: 'Os vinhos portugueses ainda não têm o prestigio internacional que merecem'




Ontem comentei aqui o lançamento do novo livro do jornalista e crítico Marcelo Copello, que trata dos vinhos, da culinária e dos costumes da região do Douro e do Minho. Muito se sabe da importância do vinho para Portugal, desde os tempos do Império Romano e com particular destaque para o próprio da período da colonização lusa no Novo Mundo. O vinho português foi um dos primeiros itens da pauta de exportações de Portugal para o Brasil. Abaixo, a conversa que tive com Copello sobre Sabores do Douro e do Minho (Ed. Senac), a sua cria mais recente e cuja noite de autógrafos no Rio será no próximo dia 30 (veja o post acima):

No livro você destaca o pioneirismo português e, em particular do Marquês de Pombal, na política de demarcação de regiões vinícolas, que expandiu-se mais tarde por toda a Europa. Como foi esse processo?
Marcelo Copello: Pombal demarcou e regulamentou a região do Douro para evitar as falsificações que, desde que o vinho do Porto ficou valorizado, tornaram-se comuns. Demarcou para proteger e valorizar um produto de exportação estratégico para a economia de Portugal.

E a chamada invasão inglesa na região, quando floresceram inúmeras casas para elaborar vinho do Porto?
Marcelo Copello: Os ingleses eram os maiores consumidores/importadores de Porto e dominavam o comércio desde a origem, o que suscitava conflitos com os agricultores, com Pombal e a Coroa.

Embora tenha longa tradição vinícola, os rótulos portugueses passaram por uma fase de pouco prestígio internacional face outros países produtores na Europa. O país só se notabilizava por produtos de grande tipicidade como os vinhos verde, da Madeira e do Porto. Por que os tintos e brancos das incontáveis castas portuguesas não tiveram a mesma sorte?
Marcelo Copello: Na realidade, fora o Porto e Madeira (este último em menor escala), os vinhos portugueses nunca tiveram e ainda não têm o prestigio internacional que merecem. Historicamente, todas as leis sempre foram feitas em Portugal para proteger e beneficiar a exportação de Porto e até hoje os demais vinhos se ressentem disso. Os nomes das castas portuguesas também não ajudam a sua venda em paises de outros idiomas, por exemplo.

Mas hoje o que vemos é uma outra realidade. Os vinhos de Portugal vivem uma ótima fase e conquistam reconhecimento crescente.
Marcelo Copello: Sim, concordo e recomento comprar os grandes vinhos do Douro antes que o mundo lhes dê o valor que eles merecem!

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