A PRESSÃO SOBRE OS ÔNIBUS URBANOS

A Secretaria Municipal de Transportes, órgão da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, divulgou, recentemente, um relatório com a avaliação da qualidade dos serviços prestados à população pelas empresas de ônibus urbanos. Lamentavelmente, não houve surpresa, pois o resultado apenas confirmou a baixa qualidade das empresas de ônibus do Rio, visto que quase 40% dessas empresas, ou seja, 16 das 41 empresas avaliadas, tiveram notas muito baixas, para quesitos que variam do péssimo estado de conservação dos veículos, passando pela recusa em aceitar passageiros, até excesso de velocidade, com risco de acidentes.
A partir de agora, a cada trimestre, a prefeitura fiscalizará mais rigorosamente as cinco piores empresas ranqueadas, com base nos dados registrados na Ouvidoria da Secretaria Municipal de Transportes. A frota de ônibus da cidade supera a casa dos 8 mil coletivos, que atendem 1.600 itinerários. A avaliação da prefeitura atribuiu notas para as empresas de ônibus. Quanto maior a nota, pior o serviço. A prefeitura fixou em 13,69 o conceito aceitável. As empresas com notas acima deste limite foram reprovadas. A Rio Ônibus (Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro) e a Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) ainda não se pronunciaram oficialmente, pois alegam que desconhecem os critérios do ranking da Secretaria Municipal de Transportes.
Pesquisei na Internet e verifiquei que a idéia desse ranking partiu de um engenheiro da prefeitura, que desenvolveu um modelo matemático que toma como base a quantidade de reclamações dos usuários, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do bairro onde vivem os usuários, o tamanho da frota e os motivos das queixas. As piores empresas no primeiro ranking, que tiveram como base 789 reclamações, recebidas entre novembro e fevereiro, foram a Breda, Campo Grande, Zona Oeste, Amigos Unidos e Estrela Azul. Segundo a prefeitura, essa ação tem o único objetivo de melhorar a qualidade do serviço prestado e que esse ranking servirá para autuar as empresas que não melhorarem os serviços, bem como levar à cassação da concessão de operação.
Como também não conheço o modelo matemático utilizado, nem os critérios utilizados, não tenho como emitir uma opinião sobre a validade desse ranking, mas posso adiantar que é uma atitude corajosa e sem precedentes e mostra a preocupação da prefeitura com a qualidade e ordem do transporte coletivo de passageiros. Penso que toda a população, especialmente os usuários dos ônibus, aguardava ansiosamente por uma ação moralizadora desse importante serviço público, que, nos últimos tempos, vem de deteriorando e causando muitos acidentes e desconforto.


