
A Copa das Confederações, terminada ontem, com vitória brasileira, serviu também para testar a infraestrutura da anfitriã África do Sul para a Copa do Mundo do ano que vem. Segundo o presidente da FIFA, Josef Blatter, a África do Sul está, hoje, com nota 7,5, faltando apenas 0,5 ponto para atingir a nota 8, que ele julga necessária para a aprovação definitiva. Blatter está muito preocupado com os quesitos hospedagem e transporte para a Copa do Mundo de 2010, apesar de ter achado satisfatório e positivo o teste da Copa das Confederações.
Há previsões de um fluxo de 450 mil visitantes à África do Sul, durante a Copa do Mundo, que, obviamente, precisarão de hospedagem de qualidade e de transporte público. Sabe-se que, até agora, as principais cidades-sedes ainda não possuem essa infraestrutura desejada e o problema da violência também existe, pois registrados vários assaltos nas cidades de Johanesburgo, Pretória, Bloemfontein e Rustenburg, especialmente durante os congestionamentos em seus caóticos trânsitos.
Diante do exposto acima, cabem as seguintes perguntas: as cidades-sedes brasileiras, já definidas para a Copa do Mundo de 2014, particularmente Rio de Janeiro e São Paulo, estão em melhores condições para um evento desse porte, nos quesitos hospedagem, transporte público e segurança pública? Qual as notas que poderíamos atribuir para as nossas cidades, no cenário que se encontram atualmente? Essas cidades estarão preparadas para a Copa do Mundo?

Vocês se lembram daquele velho anúncio dos biscoitos Tostines? Era mais ou menos assim: Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Acho que o excesso de automóveis nas cidades brasileiras é parecido com isso. Será que há carros demais nas cidades porque não existe transporte público de qualidade ou os governantes não investem em transporte público de qualidade porque há carros demais e as pessoas não precisam de transporte público?
Deixando a brincadeira de lado, sabemos que o excesso de automóveis nas grandes cidades e a falta de transporte público de qualidade são problemas gravíssimos e altamente complexos, que desafiam os governantes, prejudicam absurdamente a mobilidade urbana e atormentam diariamente as pessoas, causando imensuráveis malefícios sociais e ambientais, bem como grandes prejuízos financeiros à economia.
Sabemos que o Brasil sempre foi um país rodoviarista, que privilegia as industrias automobilísticas com incentivos fiscais, linhas de financiamento para as montadoras, revendedoras e consumidores, entre outras facilidades. Enquanto isso, os congestionamentos aumentam, a mobilidade urbana está cada vez pior e não há investimentos para o transporte público de massa nas grandes cidades, especialmente em metrôs e trens urbanos.
As grandes cidades brasileiras estão abarrotadas de carros, velhos e novos, que causam os irritantes e nocivos congestionamentos diários. As metrópoles do Rio de Janeiro e São Paulo estão prestes a parar, pois as velocidades médias registradas, em grande parte dos dias, estão entre 10 e 15 km/h, com previsão de chegar a 7,5 km/h, daqui a alguns anos.
São Paulo, por exemplo, possui uma frota registrada de 6,2 milhões de veículos, que é responsável por aqueles engarrafamentos recordes que chegam a 200 quilômetros, em determinados dias. Há muitos carros em péssimo estado de conservação que prejudicam ainda mais o trânsito. Cerca de 50% dos veículos de SP estão com mais de 10 anos de idade. Em média, a cada 5 minutos, um carro enguiça e causa 3,5 quilômetros de congestionamento. As principais razões são falhas mecânicas, pane elétrica e pneu furado. Em SP, são registrados 800 novos carros por dia, que ajuda a aumentar a média diária de 144 km de vias congestionadas, no pico da tarde, e os recordes batidos várias por ano. A velocidade nos horários críticos não ultrapassa os 20 km/h. O transporte individual predomina em SP, pois são registrados 1,9 habitantes por veículo, provando, assim, a predominância do automóvel e a carência de transporte público de qualidade.
Não sou contra o automóvel, pelo contrário, gosto muito de possuir um bom carro e acho que todos têm o mesmo direito. O problema é como conciliar e otimizar o binômio automóveis - transporte público. O grande desafio é a criação de um modelo para o uso racional do automóvel e o acesso democrático ao transporte público de qualidade.
O projeto de construção da rodovia estadual RJ-109, denominado de Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, promoverá a interligação das rodovias federais BR-116, BR-040, BR-101 e BR-493 e circundará a Cidade do Rio de Janeiro. A rodovia, com 145 km de extensão, começará em Itacuruçá, passará por Sepetiba e cruzará toda a Baixada Fluminense até Manilha. O arco promoverá a articulação entre importantes pólos econômicos do Rio, como a REDUC, o Porto de Sepetiba, a megasiderúrgica as CSA, em Santa Cruz, e o futuro Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, COMPERJ, em Itaboraí, além da integração com uma ferrovia e com pólos de produção de outros estados, sem contar com a retirada do tráfego pesado que circula atualmente na Av. Brasil, Ponte Rio-Niterói e Via Dutra, que tantos malefícios traz para a nossa população.
A área de influência do arco transcenderá as fronteiras fluminenses, uma vez que as cargas provenientes do Paraná, Mato Grosso e Goiás poderão ser escoadas também por Sepetiba. No caso das cargas geradas em Minas Gerais, São Paulo e Bahia, haverá uma redução de 60 km no trajeto até Sepetiba. Após sua conclusão, o arco poderá gerar cerca de 100 mil empregos diretos e 200 mil indiretos, além de movimentar R$3 bilhões por ano em produtos e serviços.
O arco será responsável pela plena utilização da capacidade do Porto de Sepetiba, desde que sejam feitas melhorias em sua infra-estrutura, e pela conseqüente transformação do Rio de Janeiro, em médio prazo, no maior pólo exportador do Brasil, no maior complexo portuário da América Latina e num dos maiores centros mundiais de distribuição de contêineres.
Para que tudo isso aconteça, não se pode admitir qualquer atraso no cronograma das obras, mas parece que as obras estão deixando a desejar e o Arco Metropolitano poderá não ficar pronto no prazo previsto.

As ciclovias do Rio de Janeiro são desrespeitadas e invadidas por veículos, o tempo todo, todos os dias, sem que haja qualquer punição aos infratores ou ação fiscalizadora e repressora da Guarda Municipal. Na verdade, a Guarda Municipal ignora solenemente as ciclovias da cidade. Posso citar os exemplos da ciclovia da Rua Francisco Otaviano, em Copacabana, e da General Polidoro, em Botafogo. A ciclovia da Rua Francisco Otaviano é mais respeitada um pouco, mas passo lá toda hora, de carro ou de bicicleta, e vejo carros atravessados ou com duas rodas dentro da pista, esperando alguém. Existe um estacionamento que deixa os carros em fila, esperando vaga, dentro da ciclovia, impedindo os ciclistas de passar. A Pizza Hut usa a ciclovia para embarque e desembarque de seus clientes. No caso da ciclovia de Botafogo, acho que não há mais jeito, pois a invasão já é total e a ciclovia praticamente inexiste nesse trecho, pois os carros fazem a ciclovia de estacionamento. A prefeitura vai implantar, ainda este mês, as ciclofaixas em Copacabana, para acesso ao Metrô. Se não houver fiscalização e educação dos motoristas, haverá muitos acidentes com ciclistas.
Para esclarecer, as ciclofaixas são faixas demarcadas nas vias urbanas, geralmente no mesmo sentido de direção do fluxo dos veículos, em mão única, podendo haver ou não separadores físicos, como tachões ou blocos de concreto. As ciclovias são faixas segregadas fisicamente do tráfego, uni ou bidireccionais, que funcionam como corredores independentes da rede viária.
Por que a Guarda Municipal não fiscaliza as ciclovias e não pune os infratores? Será que as ciclofaixas serão respeitadas?
Hoje, o Rio de Janeiro foi confirmado como o palco da final da Copa do Mundo de 2014, além de ser a única sede que receberá jogos durante todo evento, que tem duração de praticamente um mês inteiro. Desta forma, as soluções para os gravíssimos problemas atuais de segurança pública e de transporte público terão que ser implementadas já a partir de amanhã, sob pena de deixar a Cidade Maravilhosa com sua fama mais denegrida ainda, pelo mundo afora. Sem contar que essas soluções, cujos projetos serão praticamente os mesmos que pesarão bastante na decisão do COI para indicar o Rio para os Jogos Olímpicos de 2016, no próximo mês de novembro. Como todos estão cansados de saber, o Rio de Janeiro não conta com um sistema de transporte público de qualidade, mas tem condições de implementar vários projetos de melhoria e modernização de sua infraestrutura de transportes, tanto para a Copa de 2014, como para os Jogos Olímpicos de 2016. Volto a repetir que os principais projetos que darão tranquilidade a todos deverão atender os corredores Centro-Barra, Barra-Penha, Zona Sul-Barra. Para isso, há a necessidade da expansão do metrô, com a construção da Linha 4, Botafogo-Barra, a implantação do Corredor T5, Barra-Penha,a reorganização do sistema de ônibus urbano de toda a cidade, a expansão do transporte aquaviário na Baía de Guanabara etc.
24/05: CHOQUE DE ORDEM NO TRÂNSITO
As ações da prefeitura do Rio de Janeiro, denominadas de Choque de Ordem, são louváveis e esperadas por toda a população, mas essas ações estão deixando a desejar no que diz respeito ao trânsito da cidade. É facil constatar que a desordem no trânsito continua e parece estar sem controle, por parte da prefeitura, pois as principais vias continuam engarrafadas por caminhões que param para carga e descarga a qualquer hora, os táxis e vans fazem o que querem, pois avançam sinais, fecham os outros veículos e trafegam em alta velocidade, e os ônibus continuam abusados, incontroláveis impunes. Os caminhões da prefeitura, especialmente da Columrb, continuam desrespeitando as leis de trânsito e param onde querem para as coletas. Os flanelinhas continuam mandando nas ruas (vide Copacabana, nas ruas internas). A Guarda Municipal somente é vista na orla e em algumas avenidas principais, mesmo assim totalmente inoperantes. Onde estão as motos da Guarda, que deveriam fazer ronda o tempo todo. Acho que o choque de ordem está muito manso.

Estou cada dia mais preocupado com a situação do trânsito e com a baixa qualidade do transporte público de nossa cidade, pois enfrento engarrafamentos diariamente, a qualquer hora do dia e, muitas vezes, tarde da noite. Além de minha experiência pessoal, ouço as lamentações de meus colegas de trabalho e as reclamações de meus leitores. Fico indignado com as perdas de tempo que sou obrigado a contabilizar em minha vida profissional e pessoal, e, sempre que possível, procuro encontrar os "epicentros" dos engarrafamentos e as causas dos mesmos. Na maior parte das vezes, os engarrafamentos do Rio são causados por incompetência dos controladores oficiais do trânsito, pelas constantes faltas de agentes fiscalizadores, pela certeza da impunidade, pela falta de educação dos motoristas, pela irritante falta de sincronização dos semáforos, pelo excesso de ônibus, vans e automóveis particulares, pelo tráfego pesado de caminhões nas principais vias, por obras sem sinalização, por blitzen suspeitas e, no final das contas, pela falta de transporte de massa para atender ao forte crescimento populacional da cidade.
Caso o transporte público no Rio não sofra uma radical transformação nos próximos anos, com pesados investimentos em trens, metrôs e ônibus em faixas segregadas, entre outras soluções, teremos congestionamentos do porte de São Paulo, ou pior, com enormes prejuízos para a sociedade e brutal aumento da favelização da Zona Sul e Barra da Tijuca. A cidade vai parar, literalmente.
Grande parte da população chega a gastar, em média, duas horas pela manhã e outras duas horas na parte da tarde, somente para ir e voltar do trabalho. Quem paga essa conta? Os malefícios são cruéis para a população.
Não há outra solução para o Rio diferente de transporte sobre trilhos. A cidade precisa de uma espinha dorsal com cerca de 100 km de metrô, no mínimo, além da modernização dos 220 km de trens de subúrbio existentes. Além disso, precisamos reorganizar o sistema de ônibus urbanos e criar os corredores exclusivos e alimentadores, modernizar o controle semafórico da cidade, desenvolver o transporte aquaviário na Baía de Guanabara e concluir o Arco Metropolitano. Se os investimentos são absurdamente grandes, o lucro social é descomunal e é o que importa para a população.
Como todos sabem, o Rio de Janeiro é candidato para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 e está apresentando vários projetos ao Comitê Olímpico Internacional - COI. Os principais projetos a serem apresentados são os de segurança pública e transporte público, que pesarão bastante na decisão do COI. Antes dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro sediará os V Jogos Mundiais Militares de 2011, a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de Futebol de 2014, que são eventos desportivos internacional de grande porte. Certamente, para esses eventos, o Rio de Janeiro ainda não contará com um sistema de transporte público de qualidade, mas poderá estar vivendo um processo de implementação de vários projetos de melhoria e modernização de sua infraestrutura de transportes, para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Para isso, o Rio de Janeiro precisa apresentar ao COI um consistente projeto para a área de transporte público, que demonstre viabilidade econômico-financeira e exeqüibilidade até 2016. Existem várias opções que estão sendo estudadas, tais como o sistema de ônibus rápido, denominado de Bus Rapid Transit - BRT, para os corredores Centro-Barra, Barra-Penha, entre outros, a expansão do metrô, com a construção da Linha 4, Botafogo-Barra, a reorganização do sistema de ônibus urbano, a expansão do transporte aquaviário na Baía de Guanabara etc. As propostas existem, mas precisam ser apresentadas ao COI de forma consistente, exequivel e viável economicamente e com garantia governamental. Vamos torcer.

Quem não já ficou congestionado por causa de uma blitz policial? Lógico que as ações policiais são importantes, especialmente aquelas que fiscalizam a Lei Seca. Entretanto, há blitz que atrapalham mais do que ajudam, em locais de grande fluxo de veículos e em horários de rush, com passagem para um só veículo, causando congestionamentos quilométricos. Já presenciei blitz no acesso ao aeroporto internacional, cujo objetivo era a fiscalização de IPVA e documentos do veículo, que criava grandes transtornos para aqueles que tinham vôos marcados. Às vezes, passo por blitzes de um só veículo da PM, com apenas dois policiais armados. Será que isso é eficaz e seguro para os próprios policiais? Penso que as blitzes são importantíssimas, mas deveriam ser planejadas de forma inteligente, com discrição absoluta, para atuar como elemento surpresa e produzir resultados significativos. Não acho que as blitzes anunciadas e facilmente visíveis de longe possam ser eficazes, pois alertam os infratores e aos marginais e causam desnecessários problemas no trânsito da cidade.
No meu artigo mensal do JB impresso, ressalto que as cidades brasileiras precisam urgentemente oferecer melhor qualidade de transporte público em suas regiões metropolitanas, pois a insatisfação com a péssima mobilidade das pessoas é quase uma unanimidade e atinge toda a população, desde aqueles que usam o automóvel, passando pelos usuários dos ônibus, trens e metrôs, até os pedestres.
Comentei que os recentes episódios de revolta ocorridos com os usuários das barcas Rio-Niterói e a greve dos ferroviários dos trens da SuperVia comprovam que os nervos da população carioca estão à flor da pele, especialmente em relação ao precário, insuficiente e negligenciado transporte público oferecido no Rio de Janeiro. Esse descontentamento não é diferente nas demais grandes cidades brasileiras, que também apresentam gravíssimos problemas de mobilidade urbana, em virtude da falta de transporte público de qualidade.
Penso que a inversão desse quadro atual somente ocorrerá quando as cidades brasileiras investirem na modernização e expansão de seus sistemas de trens urbanos e metrôs, na construção de novas linhas de metrôs e VLTs e na implantação de corredores exclusivos de ônibus, além de transformação das atuais linhas de ônibus urbanos em sistemas alimentadores de terminais de integração modal. É imperativo que essas ações sejam apolíticas e tenham uma conotação social e humanística. As populações das grandes cidades brasileiras sofrem pela falta de um transporte público abrangente, integrado, econômico e competente, pois não suportam mais os congestionamentos diários e os seus malefícios conseqüentes, que trazem infelicidade, transtornos e baixa qualidade de vida para todos.
As grandes cidades brasileiras não podem fugir da opção ferroviária de passageiros para resolver seus problemas de mobilidade urbana. Estamos engatinhando no setor metroferroviário, cuja participação na matriz brasileira de transporte urbano é ridícula. Os investimentos nesse setor são irrisórios e levam anos para saírem do papel. Enquanto isso, os congestionamentos aumentam significativamente e as pessoas perdem saúde e tempo de vida.
Encerrei o artigo convocando as populações das grandes cidades brasileiras para mostrarem a seus governantes e políticos os lucros sociais, econômicos e ambientais de um transporte público de qualidade, que beneficia democraticamente a todos. Coloquei que outro apoio importante seria a grande mídia, que poderia apadrinhar o transporte público e passar a promover debates técnicos e políticos sobre o tema, exibir programas e documentários sobre os sistemas de transportes nacionais e internacionais e cobrar intensamente soluções definitivas e competentes.





