Jet lag - Vôo 2221, sem previsão para a decolagem
O título da coluna remete ao calvário que enfrentei no sábado passado, quando comecei a rotina de passar parte da semana trabalhando em Brasília. Marquei um vôo de volta para o Rio pela manhã, 9h, um horário que acreditava não ser de grande movimento. No check in da Varig, nenhuma fila, atendentes para dar e vender. Nos da Gol, filas enormes. Saboreando a possibilidade de pegar um avião com poucos passageiros, apresentei-me ao balcão. Começava nesse momento uma odisséia de seis horas que ilustra bem o quanto a Anac ainda patina quando se trata do direito de quem voa.
“Senhor, o seu vôo tinha previsão de decolagem para as 9h?”. “Como assim, tinha?”, perguntei ao atendente. “É que a aeronave que fará esse vôo não é da Varig, é da Gol e a informação que temos é a de que se encontra retida em Boa Vista por causa das más condições do tempo”. Ok, então, como viajante freqüente, sei que essa época na Região Norte as chuvas criam dificuldades enormes. Os CBs (Cumulus Nimbus, nuvens de tempestade em forma de bigorna) passeiam livremente por aqueles céus. Acontece.
“Quanto tempo de atraso?”. Fiz a pergunta de forma inocente. “A previsão que temos é a de que o seu vôo decolará ao meio-dia”, respondeu o funcionário. Olhei o relógio, eram 8h. Pedi então que fosse transferido para um vôo da própria Gol, já que a aeronave já seria mesmo. “Não podemos fazer isso, as duas companhias ainda não operam com um único caixa. O senhor terá de aguardar. Estamos tentando conseguir outro avião”. Paciência.
Sem opção, fui passear pelo aeroporto. Mas em quinze minutos já tinha passado pela livraria duas vezes e resolvi sentar e cochilar. Às 10h30, curioso, fui consultar o painel da Infraero. Nas partidas, o espaço reservado ao vôo 2221 continuava com o status “Estimated”, mas o horário havia mudado enquanto dormia. Tinha passado para 12h50. O atraso aumentava. Voltei ao banco e ao Ipod. Acabei distraindo: nova olhada no painel e estava escrito lá: “Vôo 2221 – Decolando”. Hein?!! Não estava ouvindo música tão alto que deixasse de escutar o aviso de embarque. Susto.
Corri de volta ao check in da Varig. Perguntei lá que informação maluca era aquela. “Ih, o senhor deve ser o quinto que pergunta aqui. Esse pessoal da Infraero só bota coisa errada no painel”, respondeu o funcionário, rindo e apontando para o balcão circular de informações da estatal que ficava a dez metros de onde ele estava. Criticou, mas nada fez para remediar o problema. Pobres passageiros. Irritado, fui eu mesmo ao balcão. O atendente ligou para a responsável. “Ô fulana, tem uma pessoa aqui dizendo que esse vôo 2221 nem chegou aqui e consta como decolando”. Ela mudou, de Estimado para Sem Previsão. Pior.
Deu o horário e fui para o portão 5. O vôo Varig, que seria com aeronave da Gol, já tinha mudado para Flex. Um 737-300 cansado de guerra – até onde sei é o único da frota da companhia – foi rebocado para o gate. Nada de embarque. Por volta de 13h10, chegam os tripulantes, esbaforidos. Imaginei que poderiam estar no avião da Gol que não seria mais usado. “Problemas em Boa Vista?” O chefe de cabine, atencioso, explicou que todos tinham decolado às 4h, mas para Manaus, onde ficaram três horas e meia retidos porque o aeroporto fechou.
O embarque demorou mais 20 minutos. Portas fechadas, em automático, e o comandante pediu o push-back (o reboque que afasta a aeronave do finger). A operação começou sem problemas, mas foi interrompida a poucos metros do portão. Ficamos mais 20 minutos parados ali. “Tivemos um sinal de pane elétrica aqui, mas já foi resolvido e vamos decolar”, avisou o comandante pelo sistema de som, defeituoso e que cortava a voz. Por volta de 13h40, decolamos. A odisséia não tinha acabado. Na aproximação, mau tempo e mais 30 minutos aguardando autorização para o pouso. Eram 15h15 quando o vôo 2221, das 9h, chegou. Dureza.
“Senhor, o seu vôo tinha previsão de decolagem para as 9h?”. “Como assim, tinha?”, perguntei ao atendente. “É que a aeronave que fará esse vôo não é da Varig, é da Gol e a informação que temos é a de que se encontra retida em Boa Vista por causa das más condições do tempo”. Ok, então, como viajante freqüente, sei que essa época na Região Norte as chuvas criam dificuldades enormes. Os CBs (Cumulus Nimbus, nuvens de tempestade em forma de bigorna) passeiam livremente por aqueles céus. Acontece.
“Quanto tempo de atraso?”. Fiz a pergunta de forma inocente. “A previsão que temos é a de que o seu vôo decolará ao meio-dia”, respondeu o funcionário. Olhei o relógio, eram 8h. Pedi então que fosse transferido para um vôo da própria Gol, já que a aeronave já seria mesmo. “Não podemos fazer isso, as duas companhias ainda não operam com um único caixa. O senhor terá de aguardar. Estamos tentando conseguir outro avião”. Paciência.
Sem opção, fui passear pelo aeroporto. Mas em quinze minutos já tinha passado pela livraria duas vezes e resolvi sentar e cochilar. Às 10h30, curioso, fui consultar o painel da Infraero. Nas partidas, o espaço reservado ao vôo 2221 continuava com o status “Estimated”, mas o horário havia mudado enquanto dormia. Tinha passado para 12h50. O atraso aumentava. Voltei ao banco e ao Ipod. Acabei distraindo: nova olhada no painel e estava escrito lá: “Vôo 2221 – Decolando”. Hein?!! Não estava ouvindo música tão alto que deixasse de escutar o aviso de embarque. Susto.
Corri de volta ao check in da Varig. Perguntei lá que informação maluca era aquela. “Ih, o senhor deve ser o quinto que pergunta aqui. Esse pessoal da Infraero só bota coisa errada no painel”, respondeu o funcionário, rindo e apontando para o balcão circular de informações da estatal que ficava a dez metros de onde ele estava. Criticou, mas nada fez para remediar o problema. Pobres passageiros. Irritado, fui eu mesmo ao balcão. O atendente ligou para a responsável. “Ô fulana, tem uma pessoa aqui dizendo que esse vôo 2221 nem chegou aqui e consta como decolando”. Ela mudou, de Estimado para Sem Previsão. Pior.
Deu o horário e fui para o portão 5. O vôo Varig, que seria com aeronave da Gol, já tinha mudado para Flex. Um 737-300 cansado de guerra – até onde sei é o único da frota da companhia – foi rebocado para o gate. Nada de embarque. Por volta de 13h10, chegam os tripulantes, esbaforidos. Imaginei que poderiam estar no avião da Gol que não seria mais usado. “Problemas em Boa Vista?” O chefe de cabine, atencioso, explicou que todos tinham decolado às 4h, mas para Manaus, onde ficaram três horas e meia retidos porque o aeroporto fechou.
O embarque demorou mais 20 minutos. Portas fechadas, em automático, e o comandante pediu o push-back (o reboque que afasta a aeronave do finger). A operação começou sem problemas, mas foi interrompida a poucos metros do portão. Ficamos mais 20 minutos parados ali. “Tivemos um sinal de pane elétrica aqui, mas já foi resolvido e vamos decolar”, avisou o comandante pelo sistema de som, defeituoso e que cortava a voz. Por volta de 13h40, decolamos. A odisséia não tinha acabado. Na aproximação, mau tempo e mais 30 minutos aguardando autorização para o pouso. Eram 15h15 quando o vôo 2221, das 9h, chegou. Dureza.







