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04/10/2011 - 17:41 | Enviado por: marceloambrosio
Mais de dez anos depois de cometer um crime bárbaro, o ex-comissário de bordo da Kuwait Airlines, Youssef Wahid, de 42 anos, foi condenado à 24 anos de prisão pelo assassinato da ex-colega comissária e cantora Fatima Kama. Canadense de origem marroquina, Kama havia trocado a vida nos aviões pelo investimento na carreira artística: mudara-se para Londres para cantar em festas da colônia árabe. Quando foi assassinada a facadas por Wahid, Fatima havia sacado do banco US$ 80 mil e acabara de ganhar de presente do então namorado, um saudita, um relógio de US$ 40 mil.
A polícia britânica acredita que o motivo do crime foi mesmo o dinheiro. Mas Wahid - irmão do dono do apartamento alugado pela cantora, e que dividia o espaço com ela por imposição do senhorio - antes de mata-la a estuprou. O assassino, após cometer o crime, colocou o corpo em uma mala de viagem, jogou no porta-malas do carro e levou para o aeroporto de Heatrow. Teria conseguido enganar a polícia se um passageiro não o tivesse visto e, estranhando o comportamento, o denunciasse. O assassino, no entanto, escapou de ser detido e conseguiu voar para o Líbano, onde sua família e amigos viviam. Embora identificado claramente nas imagens, acabou se beneficiando da ausência de um tratado de extradição e mesmo do interesse libanês em envia-lo a Londres.
Como todos os criminosos cedo ou tarde cometem um deslize, Wahid decidiu passar uns tempos no Bahrein e lá foi rastreado pela Interpol. Embora também não tivesse acordo de extradição, o emirado não fez qualquer objeção a entregar o assassino à custódia da polícia britânica. No tribunal, os promotores se impressionaram com a frieza de Wahid, que não revelou qualquer traço de emoção. Sua veia criminosa havia sido revelada quando trabalhava como comissário de bordo: ele fora preso por ter roubado seguidamente dinheiro de passageiros que viajavam na primeira classe da companhia aérea.
26/09/2011 - 23:24 | Enviado por: marceloambrosio
Leisha Halley, atriz do seriado L-Word - em cartaz na tevê a cabo americana, foi convidada a desembarcar do voo no qual seguia de Baltimore para Saint Louis, no sábado. Halley, que é assumidamente lésbica e interpreta uma cantora lésbica nesse seriado sobre lésbicas, foi desembarcada porque, de acordo com os outros passageiros, estava se comportando de forma 'inconveniente". Isso porque, lá pelas tantas, ela e a namorada - integrante da banda de rock Uh Huh Her - resolveram curtir uma à outra e o clima esquentou. A companhia aérea Southwest confirmou o incidente e disse que a tripulação agiu corretamente, pedindo o desembarque não pela escolha sexual, mas pelo comportamento. Halley se disse indignada e criticou a empresa por condenar alguém por ter demonstrado sua afeição por outra pessoa. Comportamento inconveniente é uma definição na qual cabem dois Jumbos, vai da tolerância de cada um. quem sabe qual é o limite em ambos os lados? A companhia aérea pode ter sido preconceituosa, e Halley escandalosa demais, vai saber...
14/09/2011 - 11:49 | Enviado por: marceloambrosio
Cheguei a comentar aqui anteriormente que uma das heranças malditas do 11 de Setembro na aviação foi o gene da arrogância, despertado pelo famigerado Patriot Act nas tripulações de cabine. Ao associarem qualquer comportamento estranho ou distúrbio a bordo a uma questão de segurança nacional, as autoridades abriram a Caixa de Pandora, liberando comissários e comissárias despreparados ou donos de distúrbios sérios de personalidade, a estabelecerem, por eles mesmos, julgamentos a respeito de potenciais suspeitos de atos terroristas. Vale lembrar que essa paranoia, citada aqui antes também pelos escritos da comissária e blogueira Heather Pole, é uma doença crônica: ou seja, pode ser combatida, mas não será mais eliminada.
Fiquei acompanhando o décimo aniversário dos atentados vendo um documentário no History Channel que continha cenas inéditas das tragédias em NY e Washington, e esperando para ver o que acontecia nos aeroportos. Sabia que a qualquer momento, algum tripulante - também pressionado pela responsabilidade de ser o primeiro fator de impedimento de um atentado - criasse um fato lamentável. Hoje recebi de um leitor fiel (tks Ariel) uma informação a respeito da americana Shoshana Hebshi, de 35 anos, moradora de Toledo, Ohio, de ascendência "meio árabe, meio judia", mãe de gêmeos de seis anos.
Passageira de um voo da Frontier Airlines - uma companhia citada em vários casos similares - Shoshana foi retirada do voo onde viajava de Denver para Detroit, algemada, isolada em uma sala, teve de se despir para ser revistada, passou por quatro horas de um intenso interrogatório por parte do FBI. Seu crime, se é que se pode dizer isso, foi o de parecer alguém oriunda do Oriente Médio. As autoridades de segurança de Detroit disseram que o procedimento foi acionado depois que a tripulação reportou o comportamento suspeito de dois homens que viajavam na mesma fileira que Soshana, a 12ª, - a quem ela sequer conhecia. Ambos teriam ido repetidas vezes ao banheiro e lá demorado bastante. O avião foi escoltado por caças até pousar.
A passageira "perigosa" só percebeu que havia algo errado quando notou que o jato estacionou cercado por viaturas policiais. Dentro da cabine, agentes do FBI fortemente armados se dirigiram a ela e aos dois homens, ambos possívelmente da Índia, e deram voz de prisão. Passado o episódio, o FBI reconheceu que os três não se conheciam, que mesmo os dois homens não eram conhecidos. Os agentes apuraram que um deles sentiu-se mal e foi ao banheiro. O companheiro de fileira de Shoshana, sentado provavelmente no meio, resolveu aproveitar a oportunidade e também foi ao lavatório. O FBI apurou que eles não estiveram no compartimento ao mesmo tempo. A agência argumenta que não toma a decisão da operação, apenas age quando acionada pelas autoridades locais, no caso a polícia do condado de Wayne, onde fica o aeroporto de Detroit.
À humilhação descrita por Soshana, a polícia local respondeu dizendo que todos foram tratados com "dignidade e respeito". Esse, aliás, é o problema do Patriot Act: um conceito de dignidade e respeito com fronteiras tão elásticas quanto a necessidade de purgar a humilhação imposta pelos comandos da Al Qaeda liderados por Mohammed Atta. A subjetividade tornou-se a mãe de todas as ignomínias cometidas contra inocentes prejulgados por profissionais perturbados. Como a própria Shoshana define, com absoluta exatidão: "as leis são hipersensíveis. Mesmo sendo um inocente, você não tem direitos".
E como fica a tripulação, ou melhor, o comissário (a) que provocou esse rebuliço todo? Não fica. A Frontier preferiu acobertar o comportamento indevido e paranoico, negando-se a prestar qualquer esclarecimento em torno dos padrões de treinamento de suas equipes. Pior é que, por conta da legislação antiterror, Shoshana sequer pode processa-la. Fica a lição então: se for voar em uma empresa dos EUA no 11 de Setembro ou dias que antecederam à data, pinte o cabelo de louro, bote uma camisa de um time de basquete, masque chicletes e, principalmente, não vá ao banheiro a bordo.
Apenas como reflexão: o maior atentado terrorista em território americano, antes do 11 de Setembro, foi cometido por um supremacista branco, louro, de olhos azuis, nascido e criado em Oklahoma.
26/08/2011 - 17:01 | Enviado por: marceloambrosio
Desembarquei hoje cedo de um cansativo voo Miami-Rio. Não seria assim - fiz uma perna muito mais longa para Londres em junho e não cansei a metade dessa - se não tivesse feito os dois trajetos, pela TAM, em Boeings 767 caindo de velhos. Tudo bem que as tripulações de cockpit adoram esse jato pela sua confiabilidade e maleabilidade, e que provavelmente a empresa mantém esses dois calhambeques na rota Rio-Miami por conta de possíveis custos baixos de operações (além de ser Boeing, cuja manutenção nos EUA é mais barata, são 767 e muito antigos, ou seja o leasing deve ser pequeno em relação ao custo total, aumentando a margem de lucro). Mas nós não viajamos no cockpit e sim em uma cabine antiquada, desconfortável e extremamente pobre. Mas pagamos o mesmo que o pessoal que voa a partir de SP para o mesmo destino.
Estava no portão J7 do confortável terminal no aeroporto de Miami - depois comentarei o que achei interessante em outro artigo - observando o embarque para São Paulo e notei que na rota para Guarulhos o equipamento é um novíssimo Boieng 777 - provavelmente um dos que fui com o pessoal da companhia acompanhar a construção em Seattle, há alguns anos. E justamente por conta de conhecer as enormes diferenças entre ambos é que me dou o direito de fazer essa crítica. E de sugerir à TAM, por uma questão de justiça com o próprio cliente, que cobre bem menos pelo trecho até Miami quando se embarca a partir do Galeão. Precisamos estar a par do que vamos enfrentar quando entramos no finger.
Para vocês terem uma ideia do que falo, o jato que usei na ida tinha folgas grandes naqueles painéis que sustentam as janelas. Não é algo que afete a segurança, mas passa a impressão de desgaste e desinteresse com o passageiro. O pior de tudo, em ambos os aviões, é o sistema de entretenimento: não há monitores individuais, mas na econômica um telão central, e duas televisões com tela oval penduradas no teto. Para quem está no fundo da cabine, nem adianta tentar ver o telão, pq só metade da tela, quando muito, é visível - isso se não houver ninguém em pé no corredor.
Como a tripulação começa a servir o jantar logo após a decolagem, em ambos os trajetos não se podia enxergar nada do filme por conta do reflexo da luz de bordo acesa no vidro curvo. A qualidade da imagem é sempre péssima, cheia de interferências. Perguntado sobre o problema por outro passageiro tão irritado com a pobreza como eu, o comissário disse baixinho: "não adianta fazer nada, o sistema de vídeo ainda é em VHS" (!). Não se usa mais vídeos assim em aviões há uns dez anos pelo menos. Só naqueles, como parece ser o caso, em que a intenção é muito mais ganhar pelo assento vendido e ocupado do que, como o marketing da empresa propõe, proporcionar uma experiência agradável de voo. Não consegui ver nenhum dos filmes exibidos, aliás eu e todos os outros passageiros.
Outro ponto irritante e que expôe a defasagem desses jatos é o overhead compartment, o bagageiro acima dos assentos. O projeto é de uma época em que as pessoas não levavam as chamadas carry on, as malas de viagem executivas que não precisam ser despachadas. Aliás, não levavam quase nada a bordo. Em ambos os 767 que viajei os bagageiros eram pequenos em termos de profundidade - os atuais seguem até a linha do corredor, menores ainda em altura e, o que piora mais, possuem uma antiquada tampa com moldura. A não ser mochilas pequenas e casacos, quase nada pode ser colocado ali. O problema não é menor nos bagageiros situados no centro do avião: mesmo sendo um pouco maiores, são menos profundos. As malas entram, mas a porta não fecha. A tripulação - tive a sorte de ser atendido pelo mesmo grupo na ida e na volta, e vi com compensam a deficiência de conforto com um atendimento simpático e prestativo - perde tempo e paciência tentando acomodar volumes até pequenos antes das decolagens.
Ah, esqueci das poltronas, mas sei que isso é um ponto mais da companhia que do próprio jato, uma vez que sei,pelo vídeo de bordo, que a TAM tem uma área de recuperação delas. O que notei é que, embora a forração do piso estivesse em ótimas condições e os tecidos dos bancos não parecessem velhos e desgastados, o mesmo não pude dizer da espuma dos assentos. Com o tempo de voo e o peso do corpo, tanto na ida quanto na volta essa parte do assento desapareceu, e tive de evitar uma dor na coluna maior usando o cobertor de bordo como reforço.
Por tudo isso acho que a TAM faria mais justiça aos seus clientes se cobrasse para voos nos 767 uma tarifa entre o que é cobrado aos passageiros privilegiados de Guarulhos e a que é aplicada aos viajantes que seguem para Miami pela Copa Airlines. Essa sim, é confusa no check in, perde reservas, obriga o pessoal a ficar cinco horas esperando a conexão no Panamá e mesmo assim não garante o embarque. E voa com os Boeings 737, que não são adequados para percursos longos. Mas nesse caso, você sabe o que está levando quando aceita pagar um preço muito menor que o cobrado pelas outras companhias todas.
Para quem vive apostando na aproximação com o público carioca, o 767 funciona bem é para detonar o esforço do marketing.
16/08/2011 - 10:42 | Enviado por: marceloambrosio
Dois serviços úteis que eram oferecidos aos leitores desse blog desde as primeiras publicações, em março de 2007, encontram-se indisponíveis no momento por razões alheias à vontade do colunista. São eles a janela através da qual se podia entrar no site de todas as companhias aéreas que voam para o Brasil - para compra de passagens e a página com todas as fichas de imigração, para ajudar no preenchimento dos formulários oficiais. Esta última, embora conste da apresentação e contenha os links apropriados para que seja feito o download da versão em pdf, está inoperante há algum tempo. A área técnica do provedor já foi acionada, mas ainda não conseguiu solucionar o problema - que pode ser tanto a ausência do link para o banco de dados onde os formulários se encontram, ou a perda desses mesmos dados durante o processo de reformulação do blog, um dos primeiros do próprio Jornal do Brasil e pioneiro nesse assunto dentro da imprensa tradicional não segmentada. Estou empenhado em recuperar tais informações e peço desculpas aos leitores pela falha.
11/08/2011 - 19:33 | Enviado por: marceloambrosio
A tripulação do voo 166 da Jetblue, que seguia ontem de Portland, no Oregon, para o aeroporto JFK, em New York, dificilmente esquecerá as horas a bordo. Primeiro, um passageiro de 18 anos, que reconheceu ter bebido oito doses de vodka antes do embarque - as comissárias não lembram se serviram outras bebidas a ele durante o voo - decidiu ir ao banheiro porém, antes de entrar no lavatório, imaginou já estar dentro dele.
Resultado: ainda no corredor da galley, abriu a calça e fez o serviço em cima de uma passageira,uma menina de 11 anos, que dormia no assento junto à porta. Diante do horror da tripulação, o jovem não interrompeu a "atividade" até que o pai da menina, que estava dentro do banheiro, abriu a porta e se deparou com a cena. Resultado: os comissários, que lutavam para impedir que o bêbado continuasse fazendo xixi, tiveram de redobrar os esforços para apartar o pai da garota, que começou a socar o bêbado.
O tumulto a 30 mil pés durou pelo menos cinco minutos. Acalmados os ânimos, o bêbado foi detido pela tripulação - felizmente não se aplica mais o Patriot Act para esses atos, senão ele pegaria 3 meses de cadeia. O pai da menina, até onde se sabe, não foi preso, por não representar ameaça á segurança do voo. Quanto tudo parecia calmo, outro passageiro deu alarme de que estava tendo um ataque cardíaco. Quando um tripulante se aproximou para socorrê-lo, o passageiro vomitou em cima dele.
O voo pousou sem problemas. Mas o pessoal da limpeza teve foi trabalho...