Conheci poucos gaúchos na vida. Mas de uns tempos pra cá apareceu um, depois mais um, outro e, sem muito me dar conta, eles se estabeleceram de maneira inabalável no meu rol de pessoas mais queridas.

Pois outro dia conheci mais duas: Lúcia e Ba. Duas moças elegantes, inteligentes, agradáveis e muito, muito delicadas. Falam cantado e começam frases com “bah”. Acho lindo!

Uma mora em POA, outra não. Mas esteve por lá esses dias e, junto com a amiga, me preparou uma surpresa. Não tenho palavras pra descrever o que senti, tamanha gentileza.




Acompanharam estas gostosuras uma bula, via e-mail, digna de uma moça daquelas terras.

"ma chère et belle Beta, bonjour !

Daqui umas horinhas, Barbarinha estará de volta.
Ela leva as delícias gaúchas, que compramos pra ti experimentar.

são,

1. dois tipos de erva de chimarrão;
uma cuia;
uma bomba;
e um filtro pra bomba.

A erva de cor escura é mais forte.
O sabor amargo das duas é igual.
A de cor clara é só menos encorpada.

Barbarinha esta levando, aussi, um papelzinho com instruções sobre como fazer o chimarrão, mas é simples,

Tu deve encher a cuia de erva, até um dedo depois da altura que ela começa ficar mais estreita;

Depois tu tampa a cuia, com uma tampa reta e deita a cuia na horizontal. Isto é pra fazer o espaço onde ficará a água.

Tu bota a bomba neste espaço.

Après, a água no espaço onde fica a bomba, cuidando pra erva, que ainda não esta molhada, não cair.

O primeiro mate tu joga fora. Tu toma e cospe (Aham, tosco assim. É coisa campeira).
Como a erva ainda esta seca, ele fica sem gosto.

A água deve ser quente, indeed.

Depois que tu toma o teu chimarrão, tu oferece pra pessoa que esta, imediatamente, ao teu lado.
Isto é importantissimo.
Questão de demonstração de amizade, gentileza e politesse.
É como maconha: segurar contigo é rude.

Tu até pode tomar chimarrão sozinha.
É até poético.
Mas faça com a intenção de ficar sozinha.
Que seja um momento de deixar o pensamento flanar até o mais íntimo de ti e da existência humana, como um momento de reflexão.

De novo, é igual maconha.
Se tu fuma sozinha, sem aquela intenção de 'momento de reflexão', é sintoma de alguma outra coisa que tu não sabe bem o que é.
Alors, quase ninguém se sente a vontade.


2. Chimia colonial de laranja

Sei lá se a chimia de laranja é mesmo a mais gostosa. Isto depende do gosto de cada pessoa.

Mas, sem dúvida, é a mais bonita.
E como é bonita.

E poucas coisas são mais sublimes, raras, importantes e graciosas que a beleza.

O amor é mais sublime (e mais raro, importante e gracioso) que a beleza; Da mesma forma, a amizade é mais importante; Vitalidade, could be; Talento aussi.

Mas é sobre chimia. E chimias não são sobre amor, amizade, vitalidade e nem talento.

3. Chimia colonial de batata doce, com base de melado.

É deliciosa.
Não é bonita. É até feia.
Mas gostosa como abraço de pai e mimo de vô.

4. Nata

Eu não tenho dúvida que aqui no RS as pessoas gostam mais de nata que manteiga ou margarina.
Sempre tem nos cafés da manhã ou jantar, pra comer com pão.

5. Bolachas de natal

Alors, toda avó e toda mãe fazem estas bolachas de Natal, no Natal.
Até as avós e mães judias fazem.

É da cultura européia.
Aliás, em algumas regiões da Europa, as pessoas decoram as árvores com estas bolachas enfeitadas.

6. Ambrosia

Eu sei que em Minas aussi se faz Ambrosia.
Mas no Sul é a sobremesa mais comum e querida, junto com o sagu de vinho.

E é tão bom.
.

Alors, prova e depois me diz !

Je t'embrasse, belle Beta.

à bientôt !

lúcia carola"


Se existir mesmo esse lance de reencarnação, já decidi: da próxima vez quero nascer em POA!