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A Igreja da Mãe dos Homens

Na rua da Alfândega, perto da Av. Rio Branco, encontra-se uma das igrejas menos conhecidas do centro do Rio, em que pese sua antiguidade e beleza. Dedicada a N.Sª Mãe dos Homens, este templo origina-se no século XVIII, e teve ligação com acontecimentos importantes da história carioca e brasileira.

Quando o trecho da rua da Alfândega (antigo caminho de Capurerussú) ainda era chamado de Quitanda do Marisco, nome devido à existência de um estabelecimento na esquina da atual rua da Quitanda, erigiu-se um oratório com a imagem da Mãe dos Homens, junto ao qual, à noite, e sob a luz baça das lâmpadas de azeite de baleia, fiéis se reuniam e invocavam as graças da santa. O crescente número de devotos levou à construção de uma pequena capela, e em 1758 é fundada uma agremiação em seu nome. Doações possibilitariam, anos depois, o início das obras do templo atual. As primeiras iniciativas datam de 1779, e os trabalhos continuariam até o século seguinte. Com estilo arquitetônico barroco, possui rico trabalho de talha, além de belas imagens e pinturas. Seu terreno originalmente estendia-se até a Av. General Câmara, atual Av.Presidente Vargas, e foi utilizado como cemitério durante um período.

Igreja Mãe dos Homens
Igreja da Mãe dos Homens, relíquia barroca
entre os prédios da Rua da Alfândega


Os fiéis formavam uma comunidade coesa, e, por isto mesmo, causou grande comoção os acontecimentos que atingiram um de seus membros, a viúva Inácia Gertrudes de Almeida, durante a época da Inconfidência Mineira. Há tempos sua filha sofria um problema de saúde aparentemente insolúvel: uma ferida no pé que nunca cicatrizava, não importando o medicamento empregado. Chegou a seus ouvidos que estava no Rio uma pessoa que poderia curá-la deste mal. O especialista não era ninguém menos que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, com conhecimentos em medicina bem mais amplos que a odontologia. Comprovando sua perícia, após dois meses de tratamento, a moça estava curada.

Por esta época, o vice-rei Luís de Vasconcellos havia começado sua caça aos inconfidentes, e Tiradentes organizou sua fuga. Necessitando ocultar-se por três dias antes de viajar, solicitou a Inácia que o acolhesse, mas esta, por ter filha solteira em casa, não podia recebê-lo, e pediu este favor a seu compadre Domingos Fernandes da Cruz, residente à rua dos Latoeiros (Gonçalves Dias). Foi neste endereço que o mártir da Inconfidência foi preso, e Inácia, sua filha, Domingos e o padre Inácio Nogueira, sobrinho de Inácia, que nada sabiam, foram presos como cúmplices, amargando vários meses na cadeia, até terem a inocência comprovada. A viúva atribuiu sua libertação à intercessão da santa de sua devoção — a Mãe dos Homens. E quem pode dizer que não?

Esta antiga igreja, tombada pelo IPHAN, realiza missas regularmente e merece ser conhecida pelo seu valor histórico e estético, sendo parte integrante do valioso e respeitável patrimônio histórico da cidade do Rio de Janeiro.

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Comentários


Comentários

ivonete enviou em 07/07/2011 as 18:37:

Sempre q passo lá ,entro e rezo.Obrigada por mais esta aula de Rio Antigo.Abs.

Daniel enviou em 08/07/2011 as 09:41:

Tive o privilégio de conhecer bem esta igreja,de valor histórico e artístico realmente inestimáveis. Pelo que sei,havia naqueles tempos os chamados "Práticos",pessoas que,embora não fossem diplomadas,entendiam de tudo um pouco,como parece ter sido o caso de Tiradentes.

MADALENA enviou em 23/07/2011 as 18:05:

E UM RECANTO DO RIO ONDE PODEMOS ENCONTRAR DEUS, A IGREJA É CUIDADA COM IMENSO CARINHO, E EMANA AMOR, EM MEIO A TANTO CONCRETO E COMPETIÇÃO, QUE IMPERA NESTA AREA COMERCIAL DA CIDADE. ENTRAR E REZAR E RECEBER UMA DADIVA DE DEUS, UM BELO LUGAR PARA CONTEMPLAÇÃO E LOUVOR. CELEBRAM-SE MISSAS DIARIAMENTE.

Nóris Regina enviou em 24/07/2011 as 20:13:

Conheci esta linda igrejinha não faz muito tempo e me encantei por ela. Sempre que posso procuro assistir as missas e também já participei de 02 procissões: 02/05/2010 e 01/05/2011. Foi uma grata surpresa encontrar este texto.


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