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O Cortiço

Dentre os inúmeros problemas e necessidades da vida nas grandes cidades, um dos mais sérios é sem dúvida aquele da moradia. De fácil acesso para os abastados, sempre foi uma das maiores dificuldades para os de pouca renda, que só contam com a força do trabalho para sobreviver.

A partir de meados do século XIX, o Rio de Janeiro conheceu um processo de expansão econômica, com o nascimento das primeiras indústrias e o desenvolvimento dos meios de transporte, o que provocou um aumento populacional e conseqüente demanda por habitações.

O cortiço
Cortiço, moradia precária e de baixo custo do século XIX

Para a crescente classe trabalhadora, sem condições econômicas, poucas opções existiam nesse sentido. Muitos proprietários, trocando suas moradas no Centro por outras em novos bairros, como Botafogo e Laranjeiras, passaram a alugar as antigas casas, sendo seus cômodos muitas vezes divididos internamente, criando espaço para mais um locatário. Nascia um novo tipo de residência de baixa renda que iria marcar época, imortalizada no livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo.

Vários trechos do Centro eram conhecidos pelos seus cortiços, como a rua do Senado, Senhor dos Passos, Senador Pompeu e Barão de São Félix, mas estes se espalharam por toda cidade. O estado combateu este tipo de moradia, mas desde cedo ignorou o problema da habitação popular.

O resultado de dessa omissão mais que secular por ser visto hoje, onde grande parte da população vive em residências improvisadas e construídas à margem da lei, pois nenhuma outra solução lhe foi oferecida.

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Comentários


Comentários

Ronaldo Rego enviou em 06/09/2010 as 16:08:

Foi durante o tempo em que o Barão do Lavradio era Superintendente da Saúde Pública (dr.José Pereira Rego) que se iniciou a demolição desses cortiços por serem (segundo ele) focos de doenças e epidemias. Infelizmente os governos que sucederam não empreenderam a construção de residências proletárias, razão pela qual os moradores fugiram para os morros dando início à favelização da cidade.

Sara Rodrigues enviou em 07/09/2010 as 13:10:

Ainda hoje existe essa precariedade de habitação no centro da cidade. Existe um imóvel na R. do Senado com Ubaldino do Amaral, casarão histórico que o proprietário aluga quartos nos 2º e 3º andares e loca também a loja térrea. Os inquilinos da loja térrea, com uma obra criminosa, comprometeram a estrutura do prédio, o que resultou na interdição do imóvel por parte da defesa civil enquanto que seus moradores estão deseperados para encontrar novas locações no centro, sem muito sucesso. Um absurdo!

Luiz de Carvalho Jr enviou em 08/09/2010 as 08:38:

A foto é espetacular! Um registro histórico do Rio de Janeiro e nos mostra como pouca coisa mudou desde então! Sem políticas públicas sérias de moradia, o cortiço virou a nosso favela e o centro de doenças continua lá, só que agora vem acompanhado da violência com a velha conhecida falta de esperança que torna os homens em seres irracioanais.

Herval Carrilho pereira enviou em 08/09/2010 as 08:43:

Na Rua Senador Pompeu até hoje existem , só na parte de baixo ( da Rua Camerino para a Rua da Conceição ) pelo menos, uns 8 cortiços, o nr. 51 ,onde até hoje vivem vários amigos meus,ainda do tempo da infância. Era uma construção para militares da cavalaria, onde seus cavalos tinham os estábulos na parte de baixo e os militares dormiam na parte de cima. Até hoje as mulheres lavam roupa nas calhas de pedras onde os cavalos bebiam água. Todos os morados são humildes mas ao mesmo tempo honestos. Tive o prazer de crescer ao lado deles, mesmo morando na parte de cima da rua onde os moradores eram funcionários do Ministério das Relações Exteriores e seus filhos frequentavam a escola República da Colombia na Rua do Camerino todos juntos.

Daniel enviou em 08/09/2010 as 18:57:

Vale lembrar,também,o livro "Casa de Pensão",do mesmo Aluízio Azevedo,que ficava na Rua do Resende,e que,segundo narra o livro,entrou em decadência e virando praticamente um cortiço.
>Bem lembrado, Daniel. As obras de Aluísio Azevedo são uma excelente fonte para se conhecer este aspecto da vida urbana do Rio Antigo. PPacini.

Fernando Rapozo enviou em 08/09/2010 as 22:15:

Olá Pacini. Leio periodicamente suas postagens e é a primeira vez que comento um de seus artigos. Sou professor de história e sou um apaixonado pelo Rio de Janeiro, mesmo que eu não more na cidade. Venho por este comentário dizer que citei alguns de seus artigos em minha monografia de história e fico me perguntando por que não existe um livro reunindo todas as suas pesquisas aqui no blog publicadas? Se for por falta de mão-de-obra ... Mas Deus o abençoe pelo blog e continue escrevendo.

>Olá, Fernando, tenho dois livros encaminhados com o material da coluna, mas hoje em dia as editoras não bancam a edição dos livros, e é necessário primeiro aprová-los em alguma lei de incentivo à cultura para depois achar uma empresa que patrocine o projeto, e isso infelizmente leva algum tempo. PPacini.

Siflarne Carvalho enviou em 26/10/2010 as 09:09:

Morei muitos anos no Centro da Cidade e pude presenciar como é a vida em Cortiço, morei na rua da Relaçao em frente a Policia Civil e na rua do Lavradio uma moça que lavava roupas pro pessoal do nosso predio morava num desses cortiços e de vez em quando eu ia visitar o pessoal só pra entrar no livro desse grande escrito Aluísio de Azevedo. Ele descreve perfeitamente a vida de quem lá vive.

ana carolina enviou em 18/11/2010 as 09:28:

legal


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