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O Dia do Professor

Ainda lembro do primeiro “não” que o mundo me disse. Foi no jardim da infância do Colégio Fontainha, que ficava ali na Praça General Osório, em Ipanema. Algumas crianças levavam brinquedos e eu perguntei ao Miguel (como esquecer o nome?) se me deixaria brincar com o que ele trouxera.

– Não.

Fiquei chocado, só ouvira negativas até então dos meus pais, sempre ditas com amor. Mas a indiferença daquele garoto me deixou sem ação. Tanto que gravei o rosto dele na memória irremediavelmente, colorindo uma folha de papel com a língua de fora – tem gente que colore mordendo a língua.

O Fontainha (isso é nome?) foi minha primeira escola. A criança que levasse um lenço ganhava uma bala do diretor no portão de entrada. Eles deviam estar fartos de limpar o nariz da garotada e instituíram a premiação. Fiquei pouco tempo, acho que peguei coqueluche e só voltei a estudar no ano seguinte, o ano em que o homem pisou na Lua, 1969.

Fui para o Souza Leão, no Jardim Botânico, uma escola inesquecível, aquele cheiro de Parque Lage permanentemente no ar. No primeiro dia, cheguei atrasado, e ainda por cima, sem meu uniforme, que não havia ficado pronto. Imagine! Me senti “o” estranho, todo mundo olhando, horrível. Sorte que a Raquel era uma ótima professora, linda. No pré-primário, tudo que queremos, e precisamos, é ter uma professora linda... e a Raquel era.

Fiquei no Souza Leão até o segundo ano primário, que hoje deve corresponder a algo como primeira fase do ciclo básico do ensino fundamental do ano dois. Terminologias à parte, no segundo primário eu ficava maravilhado quando via o Reginaldo, funcionário da cantina, batucar no balcão. Nunca tinha visto ninguém batucar, e ele ainda cantava ao mesmo tempo. Achei fantástico.

No Souza Leão, eu estudava em meio à nata da nata. Filhos de artistas consagrados como Fernanda Montenegro e Chico Anysio; de banqueiros; de grandes empresários. Quase todo mundo chegava de chofer, mas eu vinha no ônibus escolar, já que meus pais, felizmente, sempre souberam que uma boa escola para um filho vale qualquer sacrifício. Um dia, meu pai foi me levar na sua picape surrada, e eu entrei na sala dizendo que tinha vindo com o “meu chofer”. Ah, também mentia que tinha dois irmãos. Todos lá tinham e me incomodava ser filho único.

No final de 1971, mudamos de Ipanema para a Urca e meus pais me colocaram numa escola pública municipal, a Minas Gerais, que era praticamente do lado da minha casa. Você pode imaginar o choque. Do seio da elite aos braços do povo.
No Souza Leão, havia somente um aluno negro. Um não, dois, no meio de mais de 500 brancos. No Minas Gerais, muitos negros, entre eles os gêmeos Cosme e Damião, filhos de uma empregada doméstica que tinha também uma filha, mais velha, chamada Rosemary.

Aprendi na escola pública que a mistura é sempre benéfica. Na escola de elite, era o samba de uma nota só. Todas as crianças parecidas, com gostos, hábitos e educações parecidas. Na pública, não. Classe média, misturada com classe operária e com os filhos de militares que serviam nos quartéis da Praia Vermelha. Havia muito mais troca entre as crianças, muito mais aprendizado. Diversidade é fundamental.

Eu não sabia o que era pobreza até ver uma colega com a camisa furada e a saia remendada. Se tivesse ficado no ótimo e delicioso Souza Leão, talvez não soubesse até hoje.

Mas escrevi este texto porque na quinta-feira é Dia do Professor. Tive grandes mestres, tanto nas duas escolas citadas quanto no São Vicente de Paulo, onde fiquei da sexta série até o vestibular. Quem me ensinou a escrever direito foi Antonio Farias, um cearense que exigia redações sem o verbo "ser" e sem repetição de palavras; Palhares tornou a química interessante; Cesar ensinava geografia e humanismo; Zacarias dava uma aula de história melhor que um documentário; Claudio não precisava de régua e compasso para traçar retas e círculos; Antonio Cesar, no meio de uma aula de física, encontrava brechas para criticar os homens por darem mais valor a carros do que a pessoas; e tantos outros. Que injustiça cometo ao omiti-los aqui.

Não poderia mencionar todos eles, porque, graças a Deus, foram muitos, desde Maria de Lourdes Cunha e Carmem Ponsati, no primário. Mas, onde quer que estejam, vai aqui meu agradecimento sincero e emocionado por terem me ensinado, principalmente, a pensar.

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Comentários


Comentários

Eli Barroso enviou em 11/10/2009 as 06:27:

Ah se todo mundo tivesse a oportunidade de elogiar ou criticar os professores que tiveram, não ? Tem a internet pra nos encorajar, mas aonde exatamente ? Quando falamos bem, tá legal. Quando falamos mal, vem um processo. Seu privilégio é o que muitos queriam, mas... Eu, por exemplo, até já bati na porta de uma diretora de instituição de formação superior, para reclamar, e ela tão covarde preferiu me telefonar, porque cara-a-cara não podia....

Delei Duarte enviou em 11/10/2009 as 06:36:

Belissimo texto! E que memoria vc tem. Nao consigo lembrar o nome de todos meus professores (e olha que tive muitos bons professores), embora lembre a fisionomia de cada um. Parabens pelo texto e parabens aos seus mestres e tambem aos que nao foram seus mestres, mas o foram de outros, como por exemplo aos meus e aos mestres anonimos das pessoas anonimas. Todos deram sua contribuicao ao passado, presente e futuro do planeta e merecem os parabens!

Duilio Fedele enviou em 11/10/2009 as 09:07:

Ótimo texto! Vai aqui a minha homenagem: à Dona Norma (primário) de quem guardo um santinho até hoje; ao professores Celio (ciências) e Getúlio (matemática) do ginásio no Eurico Vilella; ao professor Barrada (biologia) do científico no CPS; ao mestre Russo (Mec. fluidos) na eng quimica da UFRJ e ao mestre Joaquim, do MBA da COPPEAD e a todos os demais que também contribuiram para minha formação.

Marcos enviou em 11/10/2009 as 09:16:

Tenho pregado nas salas de aula que nós professores devemos assumir as nossas escolas públicas, tirarmos das mãos da burocracia a educação de nossas crianças. No Rio de Janeiro (Estado e Município) a educação está sendo administrada por burocratas que nunca pisaram em uma sala de aula (só como alunos, é claro!). As duas administradoras executam a política educacional ditada pela OCDE e Banco Mundial. Muitos de nós professores nos acomodamos e ficamos repetindo a lenga-lenga de que o governo não faz nada pela educação. Façamos nós! Lecionei, no início da carreira, no Souza Leão. Fiquei chocado quando os alunos diziam que só iriam fazer o vestibular para a PUC. UERJ e UFRJ eram muito longe! Na década de 90 as escolas particulares adotaram a gestão "qualidade total". Excelentes professores, que tinham coragem de conversar sobre a "vida" com seus alunos, foram substituídos pelos "dadores de aula" (expressão utilizada pelo grande mestre Mauricio Silva Santos). Parabéns pelo artigo e pela defesa da escola pública.

Jozemar enviou em 11/10/2009 as 12:05:

Marcelo ! Voce menciona um prof. de historia chamado Zacarias, a título de curiosidade, seria Zacaria Jaeger da Gama ? Este foi um dos melhores professores que tive no ginásio do extinto Colégio Pio Americano em São Cristovão, mas de qualquer forma é valida a lembrança de seus mestres, entendo ser uma homenagem sua pelo Dia do Professor. Em tempo: fato ocorrido de l966 à 1968.

Mauro Pires de Amorim enviou em 11/10/2009 as 12:59:

A educação precisa ser valorizada, principalmente por políticos, partidos políticos e governantes e a partir da educação pública de qualidade, o Estado brasileiro pode dar o exemplo em termos de modelo e cobrança de padrões e conceitos para as instituições educacionais privadas, além de oferecer aos cidadãos e cidadãs opção pública e gratuita de ensino de qualidade e juntamente com uma saúde pública de qualidade, permitir que os mesmos cidadãos e cidadãs não dependam do sistema privado e economizem seus recursos financeiros, que podem ser usados para planejar melhor a vida ou para o consumo, mola-mestra de qualquer sistema econômico, impulsionando o país rumo à uma arrancada desenvolvimentista. Quanto aos professores e professoras que serviram de exemplo e nos educaram, lembro de quase todos eles e elas e agora que você mencionou, voltou à minha memória nesse momento os professores e professoras do Colégio São Vicente de Paulo, já que estudamos lá e tivemos alguns em comum. É bom relembrar esse tempo, é sinal de que a educação marca a vida da pessoa, criando cidadãos e cidadãs melhores, mais conscientes e generosos.

Andre Almeida enviou em 11/10/2009 as 13:18:

EDUCAÇÃO E CULTURA, A IDENTIDADE DE UM POVO. Uma nação se expressa através de seu povo, e é o povo quem traduz a verdadeira personalidade de um país. Uma nação soberana e progressiva deve, obrigatoriamente, possuir um povo inteligente e conhecedor da realidade dos fatos que os envolve, contrariamente, viverão manipulados pelos inescrupulosos e serão, demasiadamente, desafortunados social e politicamente pelos poderosos. Sem um mínimo de educação não poderemos plantar a semente do progresso em nosso país. O cidadão não é uma peça de manipulação, mas o dínamo principal que move uma nação. Portanto, este dínamo deve estar polido e preparado para desempenhar um papel importante na história de sua pátria, participando assiduamente dos interesses comum ao povo, defendendo seus direitos e cumprindo seus deveres. Para que o ser humano se integre à Sociedade, deve ser reservado a ele uma educação de qualidade que satisfaça seus anseios em relação a vida, a cultura, a sociedade em que vive, a política e mais um número especificidades que estão diretamente relacionadas com o seu país, o mundo e o universo. O direito à Educação é de todo um povo. A voz da verdade, o grito de justiça e a glória de um povo serão conquistados através do conhecimento social, cultural e científico de sua gente. Através da educação e cultura será assegurada a Justiça, pois sem elas o povo será presa fácil dos predadores e víboras que infelizmente ainda se encontram na sociedade. A educação de um povo é a identidade de uma nação. Feliz dia do Mestre. Alguns números (Fonte IBGE) Média nacional de estudo - 8,5 anos. 13,9% (Brasil-2008) cursam o nível superior. 52% Chile e países da Europa. Brasil - Mais da metade não possui o ensino médio completo e apenas 9,5% tem diploma superior. Levaremos ainda, pelo menos, 20 anos para erradicar o analfabetismo. 52% das famílias ganham apenas 1 salário mínimo. Rio de Janeiro - nos últimos 12 anos - acentuou-se os níveis de miserabilidade e desigualdades entre os habitantes da cidade do Rio de Janeiro. Precisamos ressuscitar a escola pública de qualidade e valorizar, irremediavelmente, o professor.

Mônica de Carvalho enviou em 11/10/2009 as 15:24:

Você perdeu uma excelente oportunidde de comparar a escola que você estudou com a atual e consequentemente o professor e sua situação de penuria. Atualmente alguns moram em favela por não terem condições de pagar um aluguel, mas também ganhando 500,00 do Governo do Estado do Rio, quem teria? Dia do professor: Dia dos miseráveis do século XXI.

Estevam enviou em 11/10/2009 as 15:29:

Pros professores temos que dedicar a seguinte música do grupo Os Abelhudos: "Quero aprender sua lição, que faz tão bem pra mim Agradecer de coração, por você ser assim Legal ter você aqui um amigo em que eu posso acreditar Queria tanto te abraçar Pra alcançar as estrelas não vai ser fácil, mas se eu te pedir você me ensina como descobrir qual é o melhor caminho Foi com você que eu aprendi a repartir tesouros Foi com você que eu aprendi a respeitar os outros Legal ter você aqui um amigo em que eu posso acreditar Queria tanto te abraçar Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição Amigo, eu ofereço essa canção Ao mestre com carinho Foi com você que eu aprendi a repartir tesouros Foi com você que eu aprendi a respeitar os outros Legal ter você aqui um amigo em que eu posso acreditar Queria tanto te abraçar Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição Amigo, eu ofereço essa canção Ao mestre com carinho"

Fernanda enviou em 11/10/2009 as 19:02:

Me lembro com carinho da tia Inês, da escolinha montessoriana, que me ensinou a ler num banco da pracinha em frente à escola, à sombra de uma árvore, numa pequena cidade de Minas Gerais: privilégio total ser alfabetizada assim! Mas a melhor professora que tive foi a Victoria, que me ensinou espanhol em Buenos Aires: mejor que ella, no es posible!

Migliaccio enviou em 11/10/2009 as 19:49:

Jozemar, é exatamente a esse Zacarias Gama que eu me referi, grande mestre!

Migliaccio enviou em 11/10/2009 as 19:49:

Jozemar, é exatamente a esse Zacarias Gama que eu me referi, grande mestre!

Roberto enviou em 11/10/2009 as 19:51:

A escola pública hoje é o lixo do lixo. As crianças são educadas primeiramente em casa para depois serem misturados aos outros alunos. Você é um saudosista! Samba de uma nota só é a escola publica, a mentalidade que predomina na escola publica é a mentalidade afiliada ao crime e às depravações difundidas pela Industria Cultural que tem como braço armado as mídias. Se considerarmos então a formação intelectual do magistério é aí que a coisa fica feia. Os professores que insistem em permanecer na rede publica, são aqueles que não tem para onde correr e aqueles que se afinam com os ideais revolucionários do esquerdismo que está destruindo a sociedade e seus valores de moralidade e civilidade. Quando eu era aluno na escola pública, todo santo dia tínhamos de cantar o Hino Nacional antes de entrar em aula. Hoje, a molecada canta o “funk do PCC”, não somente antes de entrar em aula, mas durante todo o período de aula.

Laércio Câmara enviou em 11/10/2009 as 20:29:

camarada! a diferença do estudante na pública e particular não é só na região sudeste.No Rio Grande do Norte também sofre essa discriminação.O professor que ensina no Colégio Marista,Salesiano,Das Neves e outras escolas Particulares,(fala que está ensinando aos filhos de Governadores,Juízes e outras autoridades. Enquanto os alunos das escolas públicas são contemplados com as bolsas esmolas do governo Federal.

Adriana Rodrigues enviou em 11/10/2009 as 20:34:

Como bolsista de escola particular, assim permaneci até o 6a série do antigo 1o grau. A escola ficava situada no ainda bucólico Bairro Peixoto. Nunca me senti discriminada por ser bolsista, mas as diferenças eram bastante acentuadas em determinadas situações. Como na volta as aulas, por exemplo, em que as crianças comparavam o que haviam feito. As viagens para Disney; os presentes de natal que tinham ganho; os muitos álbuns de figurinhas completados ... enfim, bens materiais os quais eu nem imaginava possuir e tão pouco ousaria pedir aos meus pais. Acho que eles também nunca se deram conta de que a filha fosse alvo de discriminação, pois sempre acreditaram que o maior legado que se pode deixar para os filhos é a educação. Sábios, apesar de sua simplicidade e humildade, e das dificuldades financeiras para proporcionar aos filhos uma condição de vida melhor do que tiveram, já que escola pra eles foi um sonho não concretizado. No 6o ano, a direção decidiu que não manteria mais turmas do 1o grau, e os mais abastados acabaram por se transferir para outro colégio particular em Botafogo. Eu, conheci finalmente a escola pública. Mas naquela época, lá pelos idos de 1982, o ensino ministrado na escola municipal ainda não estava completamente deteriorado e os professores, apesar de todas as adversidades, ainda traziam consigo o orgulho da profissão e tinham consciência da importância do papel que desempenhavam. Permaneci na escola pública até o vestibular. No 3 ano do 2o grau uma greve nos deixou praticamente 3 meses sem aulas. Foi nesse momento que tive a prova da grandeza dos professores que compunham o quadro de docentes do CEPAC, em Copacabana, pois eles furaram a greve, convocando os alunos do 3o ano, para ministrar aulas, para que não fossemos prejudicados e pudéssemos disputar o vestibular em pé de igualdade com os alunos da rede privada. Havia excelentes professores, que também ensinavam em escolas de ponta, como Souza Leão, Siom, Santo Agostinho, Princesa Isabel, entre outros. Mas eles defendiam um ensino público de qualidade e quando entravam na sala de aula, não importava o endereço, nem o patrão. O que estava em jogo era o futuro de uma garotada que eles tinham assumido a responsabilidade de forma-los e prepara-los para buscar um lugar ao sol. Lembro de todos eles com saudade e carinho, principalmente do Prof. Fernando, de Geografia, e da Prof. Ilma, de História. Essas matérias eram as que preferia, e talvez, influenciada por eles, tenha optado por prestar vestibular para História, e com a contribuição deles, posteriormente uma vaga na UFF, embora eu não tenha seguido a carreira. Tive alguns excelentes professores, pessoas que não foram meros multiplicadores de conteúdo programático, mas que me ensinaram a me posicionar diante dos fatos, a exercitar o senso crítico, a acreditar que somos capazes de mudar a nossa condição social, apesar dela nos parecer desfavorável inicialmente, que somos agentes da nossa própria história, responsáveis por nossos atos e do impacto deles na vida das pessoas que nos cercam. Muitos talvez não estejam mais neste plano, mas pra sempre marcados na minha vida e na minha memória, alvo de toda gratidão e apreço. Parabéns pela iniciativa de homenagear esses profissionais tão essenciais e atualmente desvalorizados e menosprezados, e ainda provocar em nós saudosas lembranças.

Fernando Lopes Wiedemann enviou em 11/10/2009 as 23:57:

Parabéns, Marcelo! O reconhecimento, mesmo que de uma pequena fração de ex-alunos, é o único ganho que, hoje em dia, reconforta os abnegados professores. Faz um ano, comemoramos nossos 50 anos de entrada no Colégio João Alfredo, com a presença de nossa (hoje) octogenária professora de Matemática, Dona Iolanda. Devagarzinho, pegou um giz e começou a escrever na lousa. Com a mesma letra grande de antigamente. E, enquanto escrevia, sorria e chorava ao mesmo tempo. Emocionante!

Cristina Monteiro enviou em 12/10/2009 as 03:09:

Que maravilha este texto! Muito oportuno não só pelo Dia do Professor, mas também pela proximidade do Dia das Crianças. Essa associação professor/ criança é indissolúvel. Nunca estudei em colégio público, mas nos colégios para classe média encontrei muitos amigos de classes sociais menos abastadas, a maior parte bolsista. Alguns precisaram ser ‘protegidos’ do choque cultural. Com outros, aprendi a ser resistente e nunca curvar a cabeça a ninguém que se julgasse superior a outro ser humano. Com professores aprendi coisas curiosas que extrapolavam o currículo escolar: no colégio de freiras aprendi a xingar em inglês. Sim, as freiras eram bravas e xingavam, precisava ver a cara do meu pai quando chegava em casa e perguntava o que significavam aquelas palavras. Aprendi logo que gente é sempre gente não importando o uniforme. Nunca esqueci minha primeira professora e diretora do Externato São Jorge, Dona Edith. Fazíamos aniversário no mesmo dia, sempre trocávamos presentes. Que boas lembranças você me trouxe, Migliaccio!

Lúcia Carvalho enviou em 12/10/2009 as 08:34:

+ Uma vez, Lula tira do trabalhar para financiar os criminosos do MST, para subornar a UNE e alimentar os miseráveis do Bolsa Esmola . O Programa do Bolsa esmola nada tem de social, na prática é a certeza do voto de cabresto. Lula KD Meu dinheiro!? Você descontou na fonte e não quer devolver . KD minha restituição!!! Seu governo gasta muito e nós é que temos que pagar a conta ?

MACNAMARA enviou em 12/10/2009 as 09:48:

Que lindo! Por tudo o governo tem que investir em educação, no salário do professor, da professorinha que ensina o be-a-bá, pra ela exercer seu trabalho com AMOR, e formar uma geração de homens de bem.

luiz antonio fernandes enviou em 12/10/2009 as 10:45:

fui inspetor de alunos nessa epoca de colegio no sao vicente de paulo. por sinal fomos ao passeio nas cidades hitoricas de mg e o marcelo era meio isolado do grupo e ficava coversando comigo durante o passeio. no intevalo na escola gostava de ficar sentado na mesa do corredor onde eu estava batendo papo comigo e eu ficava mt feliz com isso, ele era mt ligado a mim, foi um aluno de ouro q me marcou mt.trabalhei no csvp de 69 a 80.na revista chama do colegio tem uma foto nossa desta epoca. uma lembra ca maravilhosa.

Migliaccio enviou em 12/10/2009 as 11:00:

Querido Luiz, que bom reencontrá-lo aqui. Tenho saudades daqueles papos no intervalo. Você ainda torce pelo Flamengo, ou já virou tricolor? Há uns três anos estive com seu irmão Joao Paulo em Campanha (MG). Bons tempos foram aqueles no São Vicente. Um grande abraço

Juarez Soares enviou em 12/10/2009 as 11:20:

Banho de chuva: R$ 10,00! Olha que cena absurda, eu presenciei sexta-feira,09/10/2009, às 09:00h: Mais ou menos 200 crianças de uma escola municipal que fica na Marquês de São Vicente, na Gávea,RJ, (E. M. Artur Ramos), debaixo de uma chuva torrencial, alguns com guarda-chuva, outros com capa, e outros sem nem ao menos um agasalho, dirigindo-se ao Shopping da Gávea para assistir uma peça teatral. Brinquei com um aluno e disse: Aí, heim! Passear de graça, até com chuva é legal!Para minha surpresa, o aluno e outros amiguinhos disseram: - De graça nada, nós pagamos R$ 10,00! Gente!!! Isso é demais! Onde estão as autoridades municipais que não podem custear diversão e cultura para crianças carentes? Aquelas crianças andando na chuva, todos ensopados, e ainda pagando? Por favor, Sr. Prefeito, isso é demais!! Pra onde vão os impostos que nós pagamos? Será que aquelas crianças precisam passar por isso? Os pais deveriam acionar o município e fazê-lo pagar a conta da farmácia, que com certeza, algumas daquelas crianças poderão ficar resfriados, ou até mesmo pegar a gripe suína. Acorda RIO 2016!!

Aurora Miranda Leão enviou em 12/10/2009 as 11:20:

Belo texto, Marcelo ! Emocionante. Dá até "inveja" não ter estudado no Rio e ter sido aluna de um desses professores... Vou "colar" um trechinho do seu texto no meu Blog, ok ?! http://auroramiranda.blog.uol.com.br Um grande abç e PARABÉNS por revelar ser pessoa sensível e grata, qualidade tanto mais rara quanto mais meritória. Aurora Miranda Leão

martins mendes enviou em 12/10/2009 as 11:36:

Perfeito. Fiquei maravilhado com o seu texto: simples, direto.....contundente. Raramente leio um texto desta qualidade. Descobrir uma exceção.

luiz antonio fernandes enviou em 12/10/2009 as 11:43:

marcelo q memoria...pode acreditar foi mt emocionante pra mim ter esse contato contigo,vim pra sp me formei em quimica,dei aulas ate este ano e me aposentei.continuo doente pelo fla q flu.... o q esta fazendo agora? quero encontra contigo onde e quando?Ah e o Prof Adayl de matematica lambra?Macelo, o seu exemplo de aluno ficou macado em mim....pode crer.....por acaso vc nao vem a sp?, um gd abraco te considero mt , q tudo seja brilhante no seu caminho. luiz

luizgeraldosantos enviou em 12/10/2009 as 20:23:

muito bonito.ainda hoje tive momentos de felicidade ao lado do meu neto e sinto que remocei dez anos.pena que,a essa alrura,tenho muito tempo sobrando e ele uma agenda muito ativa

Bernadette de F reitas enviou em 12/10/2009 as 21:17:

Marcelo que belo texto este. Amei porque vc me fez recordar o meu tempo de menina e que ja vai um pouquinho longe. Infelizmente nos dias atuais o professor foi desvalorizado na parte financeira, com este salario que eles estão tendo. Dou os parabens a todos que ja estiveram em sala de aula e aos que ainda estão nesta jornada . Lembro-me muito bem de minha primeira professora e agradeço muito a ela o que ela me deu de atenção e sempre falo que sem elas hoje nos não estariamos onde se esta .Portanto valeu pra mim e pra todos nos termos tido um dia um grande mestre. porque o desafio e grande e eles nos dias atuais considero como guerreiros . Parabens Mestres do Brasil!

Roberto Feuro enviou em 13/10/2009 as 07:26:

Parabéns pelo texto. Exatamente por não entender que a diversidade é fundamental, o Brizola colocou CIEP's dentro das favelas. Acabou com a diversidade que o aluno morador em favelas era obrigado a exercitar quando tinha que estudar no asfalto e aprender ou morrer, caso não se misturasse com os demais. Essa diversidade foi arrancada pelo Brizola das crianças das favelas em troca de votos. Muita gente boa concordou com ele e ainda defende escolas dentro das favelas.

selma rita enviou em 13/10/2009 as 13:17:

Aqui, no RJ, todos os meus professores foram excelentes. Mas tive uma professor especial quando estudei no Colégio Estadual Souza Aguiar pq ele só admitia duas notas: zero ou dez. Seu nome: Maurício Houaiss. A ele devo muito.

Marcello Aranha enviou em 13/10/2009 as 15:31:

Vc esqueceu o Clovis Dottore, de geografia.

Marcello Aranha enviou em 13/10/2009 as 15:52:

VC ESTÁ SABENDO DO ENCONTRO DE EX-ALUNOS, DIA 07.11, NO PÁTIO DO CSVP? MINHA TURMA (1978) VAI EM PESO. VEJA NO SITE DO CSVP.

Marcelo Migliaccio enviou em 13/10/2009 as 16:35:

Ok, Aranha, obrigado, vou ver no site. Abraço

Waldecir de Oliveira (Ator e Jornalista) enviou em 14/10/2009 as 12:28:

Ah, que saudade dos meus queridos mestres! Saudades de todos, dos mestres do primeiro, segundo grau e também dos professores da faculdade. Mas foram os mestres do segundo grau que fizeram muita história na minha vida. Thereza, professora de história, sempre tirava excelentes notas na matéria dela. Sempre que eu precisava ela também me liberava mais cedo para ir aos meus ensaios, tinha a maior paciência e ia assistir aos espetáculos sempre que podia. Bezina, era a de inglês, her classes were really interesting for me. Sempre fui o melhor na matéria, pois também estudava em um excelente curso de inglês paralelamente, me acompanhava também; lembro do professor Carlos Magno, que ensinava a matemática de uma forma divertida (até música inventava em sala). Ah, tempo bom! Márcia de geometria era exigente, mas fantástica; Leonel de redação sempre me colocava para cima; dentre outros mestres... mestres inesquecíveis. Dos professores da faculdade sinto falta das aulas do professor Lécio (comunicação comparada), Sérgio (radiojornalismo), Irene (economia), e de todos os outros, que agora seus nomes fogem da mente. Saudades... Nossos mestres merecem muito mais respeito e atenção, muito mais carinho e compreensão. Estes profissionais deveriam ganhar muito mais, pois são eles que nos ensinam, nos preparam para o mundo e nos fazem os profissionais de hoje. Um abraço a todos os nossos metres, os de ontem, os de hoje e os que virão a ser um dia. Aqueles que não forem, também sintam-se abraçados. Waldecir de Oliveira


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