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Rio, 30 de março de 2012: a enogastronomia-espetáculo

No mundo do vinho e da gastronomia há, agora, uma tendência para o marketing total. Em artigo recente para o New York Times, a editora Anita Patil, comenta: a comida não é mais o insumo natural do sustento. Ela é, hoje, uma arte, um estilo de vida, uma experiência.
Os chefs estão capitalizando a teatralidade da inovação gastronômica como numa guerra nas (das)estrelas.

A abertura do restaurante Next, em Chicago, por exemplo, foi preparada como uma pré-estréia teatral. Houve venda de ingressos antecipados para a inauguraçã e os fregueses pagaram adiantado algo em torno de US$ 45 e US$ 75 por uma refeição de cinco ou seis pratos, harmonizados com vinhos adequados. Tudo registrado em blackberries, iPods, câmeras e ... "aplicativos amigáveis".



É a gastronomia pós-moderna.

Já o The Cube, por exemplo, é um restaurante itinerante.


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Criado pela empresa de arquitetura Park Associati por iniciativa da Electrolux, o projeto lembra um estande daqueles utilizados em feiras comerciais, totalmente transparente feito de vidro e rodeado por uma camada branca de alumínio recortado a laser. No chão tudo é branco e a estrutura é completamente desmontável.
Sua localização? Depende de quando você for visitá-lo. Ele pode estar no topo de uma montanha, na beira de um precipício, em Tóquio, NY ou "wherever".

E René Redzepi, chef do NOMA, restaurante dinamarquês que mereceu o primeiro lugar no ranking das 50 melhores cozinhas do planeta – outorgado pelo St. Pellegrino’s World Best Restaurants (awards 2010) -- é uma celebridade que dá autógrafos na calçada das ruas geladas de Copenhague.

Ainda na Europa, o bagunceiro chef-celebridade inglês, Jamie Oliver null que virou quase um herói nacional na Inglaterra ao desenvolver uma cruzada no GNT contra a obesidade infantil nas escolas, dá sua receita de sucesso a aspirantes da/na cozinha. "Trabalhe duro, aprenda tudo o que puder com quem já fez a receita antes de você e, depois, tente fazer melhor". O marketing não exclui -- ao contrário -- supõe extremo profissionalismo.

E performance.

A mais-valia, afinal, tem de ficar com o dono do negócio, não com o fabricante de batatas fritas.

Vamios à Lisboa. Segundo o post do Oscar Daudt em seu enoventos, a experiência mais extraordinária vivida em Lisboa recentemente é a proposta do restaurante Assinatura.

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Começa com o impacto de uma mesa toda posta, pendurada no teto, de cabeça para baixo. E ela não está ali à toa; ela simboliza a vontade do chef Henrique Mouro de demonstrar que a sua cozinha-de-autor pretende virar de ponta-cabeça a tradicional culinária portuguesa.

É a cozinha-do-autor.

Finalmente, em Londres há, agora, um extraordinário restaurante totalmente digital: o INAMO

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Voce escolhe a refeição apontando e tocando no tampo da mesa (interativas), nas quais são projetadas imagens dos pratos à sua disposição, a partir de um menu virtual. Menu de comida, dividido em "pequenas porções" ou "pratos principais" e sobremesas. E menu de bebidas. Por exemplo: aparece o desenho de uma garrafa de vinho, outra de cerveja, drinques sem álcool, etc. Voce clica e abre-se o leque de opções, com o tipo de uva (no caso do vinho) a safra, a origem, fabricante, etc. E o preço. Aí voce digita a sua escolha e aparece o "retrato" da garrafa, rótulo, cor, tamanho, e tal. Voce então "confima" e surge um informe com o tempo que vai demorar para ser servido. E o preço até ali.

E enquanto espera, você pode mudar a cor ou o tom da iluminação da sua mesa, a partir de uma verdadeira escala de matizes, subtons e sombras. Depois, e uma vez feito o(s) pedidos, pode-se jogar vídeo games, descobrir os pontos turisticos interessantes do bairro e/ou chamar um táxi.
Ou abrir o mapa do metrô. Ou clicar em "cozinha" e ver os cozinheros, lá dentro, preparando os seus pratos, como no vídeo acima.

Poucos garçons, uns quatro para umas vinte mesas. E mais: a cada momento voce pode "checar" a sua conta para decidir se pede mais bebida/comida, ou não. Quanto, enfim, solicita a adição final e informa qual vai ser a forma de pagamento, surge um atendente para cobrar e um aviso na tela da mesa: por que não uma esticada no bar? Outro detalhe: precos possibilíssimos ... para Londres, eh claro!

O seculo 21 na gastronomia é isso: carta de vinhos no iPad null cardápio pré-escolhido pela internet, botãozinho na mesa que pressionado aciona um clique no relógio do garçom... até que um outro Gordom Ramsa faça um giro de 180º e relance um restaurante como a confeitaria Colombo, por exemplo.

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E aí a gente vai tentar entender tudo outra vez...

Bon appétit!





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Rio, 26 de março de 2012: Shakspeare era pinguço?

Tanto que o outro título desse post poderia ser: to beer or not to beer!

Mas vamos lá: que Shakspeare foi o maior poeta e dramaturgo da Inglaterra e um desses homens-oceano que surgem de mil em mil anos para botar no papel e no palco “a dor de viver”, todo mundo sabe. Mas que era chegado a uma cervejota, nem todos sabem.

Mas era.

Willian Shakespeare faz 14 menções à palavra "Ale" e cita cinco vezes a palavra "beer" ao longo de sua obra (cerca de 40 peças). Isso nos leva a duas conclusões: uma é que no tempo de Shakespeare - ele viveu de 1564 a 1616 - a cerveja já era uma bebida muito popular; e, a outra, é que além de gênio, o bardo de Avon gostava de uma “loura”, ainda que vagamente morna.

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Aliás, basta focar no rosto vermelhão do poeta.

Brevíssimo histórico: a adição do lúpulo à fórmula da cerveja -- produzida até então apenas pela mistura da água, malte e aromatizantes, como a camomila, o gengibre, o zimbro e o açafrão – introduzida pelos monges, nos anos 700, serviu não apenas para “puxar” o sabor para o amargo mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse rapidamente.

Graças a essa longevidade, a bebida se disseminou pela Europa nos séculos seguintes, sobretudo pela Inglaterra, pela Irlanda, pela Alemanha, pela Holanda e pela Bélgica – até hoje matrizes de algumas cervejas de excelente qualidade.

Mas é a Inglaterra que nos importa neste texto.

E, na sequência, a pergunta: vocês podem imaginar como era chata a vida na remota Stratford Upon Avon no século 16?

Como se divertir além de assistir a peças no teatro e ao ar livre? O vilarejo era um burgo remoto no noroeste da Inglaterra (170km de Londres), imerso em cerração, chuva e frio, que desde o seculo 11 foi transformado oficialmente em cidade-mercado. Tanto que ainda hoje as ruas se chamam “Rua das ovelhas”, “Rua da madeira”, “Rua da Lã”, “Rua dos vegetais”, por aí.

O que fazer? Beber cerveja. De preferência “ales”.

Parênteses: o pai do poeta – John Shakspeare – que fabricava tintas, bolsas e luvas de couro, e as vendia num balcãozinho colado à parte da frente de sua casa, ganhou bom dinheiro e acabou elegendo-se vereador. Depois, em 1556, assumiu uma posição importante no município: tornou-se o provador de cerveja da cidade!

Sua função era assegurar que os pesos, medidas e preços fossem cumpridos corretamente. Ou seja: o DNA cervejeiro transitou de pai pra filho!

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Mas mesmo bom de copo, foi graças a ele, John, que William Shakespeare se tornou um extraordinário poeta e o maior dramaturgo inglês, provávelmente do ocidente. Isso porque foi ele que “obrigou” o menino a frequentar a escola e ter aulas de gramatica, – coisa rara para crianças nao-nobres, naquele tempo.

Corre o tempo. Aos 18 anos, o jovem William se casou com Anne Hathway, filha de um rico comerciante amigo de seu pai. Quando se casaram, ele tinha 18 anos e ela...25. Estava grávida de três mêses: c’est la vie!

Logo depois do casamento, Shakspeare partiu pra luta. Aprendeu latim, e foi para Londres, onde em pouco tempo tornou-se razoávelmente conhecido. Lá, segundo registros de propriedades, compras de terras e investimentos, tornou-se um homem rico. Tanto que tornou-se sócio do Globe Theatre, um empreendimento teatral que reunia grandes autores e atores e tinha por sede um edifício de forma octogonal, com abertura no centro. Detalhe: todos os papéis eram representados pelos homens, sendo os mais jovens os encarregados de fazerem os “roles” femininos.

Próspero, fazia a “ponte aérea” Londres-Stratford e em 1597, comprou a segunda maior casa de Stratford, a New Place, atrás da primeira, onde nasceu.

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E lá, de 1601 a 1608, se dedicou a escrever Hamlet, Otelo e Macbeth sua trilogia de ouro.

Mas em 1613, O Globe Theatre foi destruído pelo fogo e Shakespeare teria sofrido um baque e resolvido se desligar do Globe para voltar definitivamente a Stratford, onde a família o esperava.

Morreu três anos depois, aos 52, no mesmo dia em que nasceu – 23 de abril.

Causa-mortis: porre. Morreu de tanto beber.

Mas nenhum outro homem de teatro – antes ou depois – desceu tão fundo pelos corredores da alma humana, para depois perguntar: ser ou não ser?

Ou, como em King Lear, lamentar que o Rei tornou-se velho -- antes de tornar-se sábio.

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Rio, 22 de março de 2012: três drinques antológicos

Primeiro, drinque é o outro nome de cocktail. Traduzindo: rabo-de-galo. Ou seja, as cores, o mise-en-scène, tudo lembra, enfim, uma bebida-espetáculo.

Há várias histórias sobre a sua origem.

A mais provável, no entanto, é a da “lógica dos povos”. Ou seja: foram os americanos que realmente popularizaram e consagraram o cocktail, principalmente à partir da década de 20 do século 20, ironicamente durante a vigência da Lei Seca.

Era um meio de (se) amenizar o terrível gosto das bebidas fabricadas ilegalmente, nos fundos das casas e, também, uma forma disfarçada de se beber sem chamar a atenção das autoridades.

Regras de Ouro

Um cocktail correto não adiciona mais do que quatro elementos: um álcool como base, um licor (no máximo dois) para aromatizar e um suco de fruta. Também se utilizam xaropes para colorir e adoçar ligeiramente.

Os sucos de fruta a utilizar devem ser naturais.

Os equipamentos devem ser mantidos em condições de higiene abosluta: um copo sujo destrói qualquer mistura.

ALGUMAS RECEITAS:

Primeira:

Horse' Neck. É um clássico dos anos 50 e em diante, com a cara de Nova Iorque (Village Vanguard, Blue Notes, por aí). Ai vai a receita em movimento...



Detalhe: tem esse nome, porque a casca inteira de uma laranja (ou de um limão) cortada em espiral, lembra o pescoço de um belo cavalo esticando o nariz para ganhar o páreo.

Ingredientes:
- 2/10 de brandy
- 8/10 de ginger ale
- 1 lance de Angustura bitter (opcional)
- casca de limão ou laranja
- cereja.

Modo de preparar:
Descasque um limão ou laranja em forma de espiral.
Coloque uma das extremidades da espiral sobre a borda de um copo long drink, de modo que o restante fique enrolado dentro do copo.
Monte colocando gelo no copo, servindo o brandy e o ginger ale.
Se for usar bitter, deixe para acrescentá-lo por último.
Decore com uma cereja. Sirva com um canudo.

Segunda:

Manhattan



Ingredientes
2 doses de rye whiskey (na sua falta use uísque americano ou canadense)
1 dose de vermute tinto
2 gotas de Angostura
1 cereja

Modo de fazer
Em um copo misturador, ponha de cinco a seis cubos de gelo e todos os ingredientes, exceto a cereja. Mexa rapidamente com uma colher longa e coe a mistura sobre uma taça de coquetel. Decore com a cereja, que deve ficar no fundo da taça. Não coma a cereja antes de terminar de beber, porque vai adoçar sua boca e alterar seu paladar.

Terceira:

Negroni (era e é o drinque dos embaixadores)



Ingredientes
1 dose de gim
1 dose de Campari
1 dose de vermute tinto
1 tira de casca de limão Modo de fazer
Em um copo baixo, conhecido como old-fashioned, coloque quatro pedras de gelo. Adicione as bebidas e mexa bem. Decore com a casca de limão.

Cheers!





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Rio de Janeiro, 19 de março de 2012: abaixo a faca para peixe

E o garfo, também.

Porque não sei se sabem que há dois garfos diferenciados dos normais: o de peixe e o de salada.

O garfo de peixe tem um dente mais grosso que os outros e isso serve para ajudar a separar as espinhas. Já o de salada é diferente, também: têm três dentes mais largos, para facilitar a dobra das folhas.

E a faca de peixe não corta, é cega: apenas separa a carne das espinhas. Ora, como quase sempre o peixe vem acompanhado de legumes ou batata, há a necessidade de uma faca que corte. Uma faca de peixe não “encara” uma batata noisette e, muito menos, uns aspargos, por exemplo.

Logo, inútil.

Garfo (colher) e faca são utensílios de mesa relativamente recentes (se considerarmos os dois últimos mil anos).

Quando Caterina de Médici se casou em 28 de Outubro de 1533 com Henrique, futuro Duque de Orleans e futuro rei da França, trouxe consigo um enxoval completo com garfo, faca e colher.

Vejam como era uma mesa ideal naqueles tempos -- e durante os 400 anos seguintes, sobretudo nos banquetes, jantares das cortes e das embaixadas.



Curiosidade: O garfo na mão esquerda e a faca na direita vêm dos tempos de Luís XIV, já que os canhotos eram discriminados.

De uns bons 30 anos para cá tudo evoluiu -- salvo a mesa de banquetes do Palácio de Buckingham
-- mas inglês é inglês e monarquia é monarquia.

E evoluiu, primeiro, em função do espaço físico tanto nos restaurantes quanto nas mesas domésticas; segundo, porque nos restaurantes estrelados o serviço é trocado depois de cada segmento (entrada, peixe, etc) e, em casa, ou é peixe, ou é massa ou é carna. Salvo as exceções, obviamente.

E,terceiro, porque num mundo prático cada utensílio tem que ser apropriado para o seu uso -- e não enfeite.

Ou então voltamos à cena genial do Chaplin "repensando" a funcionalidade do garfo e dos pãezinhos:



Moral da história: abaixo a faca e o garfo de peixe, as licoreiras, a galheteiras (aqueles vidrinhos com azeite e vinagre -- hoje todo mundo quer ver a garrafa com a marca do azeite, o nível de acidez, etc) -- os copinhos de licor e as taças de champagne "seios de Josefina"

)%      <br />
<br />
Ou seja, tudo o que a gastronomia moderna superou para atingir o seu grau de "o melhor do simples".<br />
<br />
A mesa contemporânea tem que continuar chique, agradável mas, e sobretudo, funcional. Prática -- mesmo com luxo. Ou muita criatividade, como a do restaurante Assinatura, em Lisboa (de perna pro ar, signifixcando uma revolução na tradicional culinária lusitana) ou digital, como a do restaurante Inamo, em londres.<br />
<br />
E não pode inspirar "ódio" como cada vez que eu dou de cara com uma uma faca para peixe na pontinha direita dos talheres ..

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Rio, 12 de março de 2012: por que o champagne Cristal é de cristal?

Sabem por que o champagne Cristal é engarrafado em cristal transparente e não tem aquela entrada côncava no fundo da garrafa?



Porque ele (champanhe em francês é masculino) foi criado em 1876 a pedido de um ilustre cliente, o czar Alexandre II da Rússia, bom de copo e bom gourmet.

Contudo, como o clima político nesse fim de século 19 (e só foi piorando...) era tumultuado e conspirador –- tanto que ele foi assassinado 5 anos depois pelo grupo revolucionário russo Narodnaya volya (A vontade do povo), que atirou uma bomba em sua carruagem no dia 13 de março de 1881, em São Peterburgo e embora ele tenha escapado incólume foi morto em seguida, enquanto procurava socorrer os feridos – os cuidados com a sua segurança eram extremos.

Vai daí que ele (duvido que tenha sido o cazar em pessoa: isso é coisa de assessor) pediu à Casa Roederer, em Reims, na França, que desenvolvesse um champagne cuja embalagem fosse de cristal transparente – e sem aquela cavidade côncava no fundo. O pedido de transparência “tá na cara”, mas o fundo reto evitaria que algum inimigo infiltrado como garçom escondesse ali alguma arma.

E assim foi feito e assim é feita essa embalagem que, para evitar os efeitos da claridade, vem embalada em papel celofane – dourado.



É um luxo: sinônimo de requinte e qualidade.

Bom, na sexta-feira passada, 10 de março, a Cristina Neves e o Grupo Franco-Suisso tiveram a generosa ideia de convidar uns 15 eleitos da gastronomia carioca para um almoço harmonizado com... champagne Cristal.

Rima pobre: que tal?

Menu elaborado pelo Roland Villard, no Le Pré-Catélan e... esse néctar, lindo de ser ver, excelente de beber, saindo dos copos em forma de borbulhas...



Ah!, como no filme, A Vida é Bela!

Durante o encontro, o atual diretor geral – o simpático e eficiente Frédéric Rouzaud – contou, em resumo, a história dessa tradicional família champenoise que é a única proprietária da Maison Roederer desde o primeiro dia.


Fundados em 1776, foram grandes produtores e exportadores de champagne no século 19 mas, em 1932, em consequência da crise que culminou com a quebra da bolsa de NY, três anos antes, e da recessão mundial que se seguiu, a “maison” enfrentou uma dificílima situação financeira e só não quebrou porque o tataravô do Frédéric – Camille Roederer – assumiu o comando da empresa e a redirecionou no bom caminho.

Trinta anos depois, em 1967, novo impasse e, desta vez é o pai do nosso anfitrião, Jean-Claude, quem se encarrega de cortar gastos, rever o plano comercial e, enfim, enxugar os custos fixos.

Frédéric ROUZAUD chegou “à la tête” da Roederer em 2006 e tem-se empenhado em divulgar mundo afora a diferença do seu produto master – o champagne Cristal – sem esquecer o champagne básico, Louis Roederer Brut Premier (muito bom, também), nem os vinhos tranquilos, o Château de Pez, um ótimo “cru Bourgeois” em que predomina a Cabernet Sauvignon e o Château Haut-Beauséjour, em que predomina a Merlot.

Mas em ambos está presente também a interessante casta Petit Verdot.

Que mais?

Além da divulgação da marca, todo produtor de artigos de luxo europeu está de olho no mercado brasileiro – a bola da vez em “consumo de carteira cheia” – que, segundo o competentíssimo Alfredo Srour, presidente do Grupo Franco-Suisso (que também representa no Brasil a Maison Lafite e os portos da Ramos Pinto) está com a sua curva de demanda apontada para o céu.

Curiosidade: as garrfas de champagne “normais” contêm 750ml ; a Magnum, 1,5 litro; a Geroboam, 3 litros; a Reoboam, 4,5 litros; a Matusalemme, 6 litros; a Salmanazar, 12 litros; a Nabuchodonosor, 20 litros.

Voilà!

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8 de março: a parreira e a uva: viva a mulher!



Todos os substantivos do vinho são femininos: a vinha, a uva, a colheita, a safra, a garrafa, a taça ... será que ninguém pensou que na outra ponta estava (a) Eva?

E estava. A partir dos anos 60, as mulheres "repartiram" o mundo do vinho como consumidoras, enólogas, sommelières, jornalistas especializadas, autoras de colunas, blogs, livros e... donas de vinícolas. Além de excelentes parceiras de degustações, "garimpos", enoviagens, por aí.



A explicação: a mulher veio ao mundo em missão -- não me ensine que eu aprendo.

E aprenderam. Por exemplo: já no finzinho do século 18, a jovem Nicole-Barbe Clicquot ficou viúva e assumiu o negócio do marido. Sem saber nada. Mas aprendeu.



E converteu o champagne na bebida da celebração, vale dizer do amor, do poder, do dinheiro, do sexo, mais emblemática do seu tempo.

E do business: comandou pessoalmente a primeira exportação de centenas de caixas do seu champagne para o Czar da Rússia! Que gostou e encomendou outras tantas, tantas...

Depois, inundou de "veuves" Paris. E até hoje este champagne é um dos mais agressivos em marketing e merchandising.



Menos de cem anos depois, outra viúva, Louise Pommery promoveu a primeira grande campanha de mídia dirigida às mulheres, focada no “brut”. Ou seja, nada de mulherzinha gostar de doce.

E mais: contratou artistas para desenhar os rótulos do seu vinho. E foi "entendida" por outros fabricantes e outros marketings, como a Taittinger nessa excelente campanha

Hoje, inovam ao se preocuparem com a correção ambiental da sua cadeia produtiva. Ou seja, além de só usarem uva orgânica, fazem com que todo o processo seja sustentável. A tinta do rótulo da embalagem não polui e estão usando 20% a menos de água pra fazer a bebida.

Adiante: Portugal.


A obstinada Dona Antónia (1811-1896) que naufragou num rabelo (aquelas barcaças que singram o Rio Douro) junto com o marido -- só que ele morreu e ela sobreviveu graças às sete saias, que lhe serviram de boia -- não se salvou sozinha: salvou o vinho do Porto!

Porque durante o ataque da phyloxera, "o fungo assassino" que devastou as vinhas do Douro, pagou do bolso durante anos a sobrevivência/manutenção dos seus empregados (vinhateiros), até que a ciência dominou a praga e a Casa Ferreirinha pode voltar a colher a uva sadia.

Mas o mundo avançou muito e a mulher é hoje uma consumidora exigente, conhecedora do que quer -- e do que não quer mas, e sobretudo, parceira na luta pela qualidade do circuito do vinho: o produto certo, o preço justo, o jogo limpo.

Mas, como no papo do Guevara, "sin perder la ternura"



Afinal, vinho não foi feito pra humilhar ninguém!

Um brinde "as filhas de Baco!
































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Rio, 4 de março de 2012: dicas de Lima, Peru

Lima é uma cidade amável, com praças e mais praças. E o amor (e o erotismo) parecem fazer parte da história desse povo. Há um monumento dedicado ao amor, na praça do mesmo nome em Miraflores.
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Mas o impressionante, no impressionante Museu Larco Herrera é a seção dedicada ao erotismo ... pré-incaico! Dezenas de esculturas e estatutetas representando as mais diversas formas de contato sexual entre homem e mulher -- desde o mais remoto registro da arte pré-incaica.



Aliás se você tiver que visitar apenas um museu em Lima, vá ao Larco Herrera. A entrada, toda florida já é um charme

Visite, a seguir, a parte dedicada ao ouro, depois à prata e, por fim, o "depósito" -- riquíssimo: aberto à visitação.

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Lima foi fundada em 18 Janeiro de 1535. É uma cidade moderna, batida pela Pacífico, em constante construção, mas com especial cuidado pelo seu Centro Histórico, declarado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. Nele se destaca o conjunto da Praça Maior, com o palácio do govêrno,
a Catedral e o belíssimo convento de São Francisco -- com a sua clausura e as catacumbas -- símbolos do esplendor da época colonial espanhola.

E, sobretudo, uma imagem do Cristo de perna cruzada -- relaxado!

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Lima é até no nome uma herança viva da presença indígena: lima, na língua quíchua (aymara lima-limac) é o nome de uma flor amarela. Quase nunca chove, há uma neblina permanente e o céu é sempre cinza.

Mas há um visível respeito pelo meio-ambiente. Dois exemplos:

a) as lixeiras, usam máscaras
e em época de "cria" não se serve camarões.

Observações genéricas:
- o Peru produz mais de 400 tipos de batata: depois vem o milho;
- os melhores restaurantes de Lima são ... peruanos! contudo, falta salada na comida;
- o azeite, os pães e as entradas são corretas (mas o azeite vem na cumbuquinha, não
vi uma única garrafa de azeite nas mesas),embora todo o bairro de San Isidro esteja
cheio de oliveiras.
- o serviço é atenciosissimo e eficaz: no Las Brujas tem um aparelho nas mesas que
vc aperta um botão e vibra no relógio de pulso do respectivo garçom!
- os preços são 30 por cento abaixo dos do Rio; e os dos taxis 50 por cento; mas por
isso mesmo tem muito amador e o trânsito é um caos... os táxis não têm taxímetro: cada
um combina o preço antes, pela janelinha... e buzinam loucamente.
- o povo é simpático e cortêz-- parecem japoneses da América do Sul: mas o peruano fala
muito rápido...
- a música - no táxis, restaurantes, etc -- é dos anos 50. Uma mistura de salsa, mambo e
Altemar Dutra!



Os museus – Larco e o Museu do Ouro - são longíssimos do centro e dos bairros chiques: Miraflores, San Isidro... Sabem por que? Porque o metro quadrado no subúrbio é mais
barato!
- a prefeita de Lima é mulher: Susana Villearan -- la Alcaldesa -- fraquinha, dizem
- anuncios funebres (Defuncion) começam com o nome do morto e, abaixo, o da família que
convida ... " con profundo pesar comunican su SENSIBLE falecimiento...
- a expressao chilena "al tiro" (imediamente) no Peru eh "al toque"
- para as civilizações indígenas classicas - incas, maias e astecas - a serpente era
um animal emblemático, porque representava o subsolo, um dos três "terroir" da
existência humana. Ou seja: o céu, de onde vêm as chuvas era representado pelas aves;
a terra, onde se vive e que precisa ser lavrada, pelos felinos. E o subsolo, de onde
brotam os frutos e as raízes -- e onde se enterram os mortos -- pelas serpentes.
(Por isso, ela está presente até na bandeira do México!)

A fabulosa herança indígena está presente até na representação dos ícones sagrados. O presépio, por exemplo, é ... índio.

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Observação final: É um país em franco progresso econômico, com inflação controlada,
terrorismo em franca perda de espaço, analfabetismo reduzido, investimentos
esstrangeiros crescentes e a construção civil à toda. A economia se apoia na mineração, no turismo e na agriultura.

O Peru ainda esta barato para se investir – e curtir!


Restaurantes

a) para almoco

1) La Mar - terceiro melhor
Av. La Mar, 770 Miraflores tel: 511- 421-3365

2) Pe(s)cados Capitales - quinto
Av. la Mar, 1337 Miraflores tel: 511- 421-8808

3) Las Brujas de Cachiche - quarto (mas para almoço de domingo,
com um representativo bufê de comidas típicas: inlusive sashimis.
Calle Bolognesi, 472 Miraflores tel: 511- 447-1883
Obs: Cachiche é um povoado primitivo, perto de Lima (casas de terracota, com tetos de
sapê sem telhado) mas aonde as bruxas ... são boas!




b) para jantar:


1) Astrid y Gaston - primeiro
Cantuarias, 175 Miraflores tel: 511- 242-4422 – caro mas excelente: uma casa do tempo dos espanhóis...

2) Rafael - segundo melhor
San Martin, 300


3) Amoramar - sexto


c) BAR (premiado

Ayahuascas (gente jovem, grandes piscos)
Av. Prolongacion San Martin, 130 - Barranco (bairro boemio)

- se diz ceviche ou cebiche (O povo chama de " leche de tigre" a esse caldo de peixe cru, limão e coentro -- jura que é afrodisíaco: a conferir.
- o pisco sour é feito com pisco (varietal ou almochado, isto é um blend), suco de limao, um
aguado de água com açúcar, gema de ovo e uma pitada de
angostura.

Prático: para evitar os problemas de locomoção, chame o motorista JORGE LAMAS – um nipo-peruano simpaticíssimo, que foi casado com uma brasileira e fala portunhol – nos tels: 98087-2380 ou pelo e-mail: tokyovelfarre@hotmail.com

De resto, há um lado baiano no peruano: pouca pressa.
Y que lo desfrute Lima, como eles dizem.














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