Rio, 30 de março de 2012: a enogastronomia-espetáculo
No mundo do vinho e da gastronomia há, agora, uma tendência para o marketing total. Em artigo recente para o New York Times, a editora Anita Patil, comenta: a comida não é mais o insumo natural do sustento. Ela é, hoje, uma arte, um estilo de vida, uma experiência.
Os chefs estão capitalizando a teatralidade da inovação gastronômica como numa guerra nas (das)estrelas.
A abertura do restaurante Next, em Chicago, por exemplo, foi preparada como uma pré-estréia teatral. Houve venda de ingressos antecipados para a inauguraçã e os fregueses pagaram adiantado algo em torno de US$ 45 e US$ 75 por uma refeição de cinco ou seis pratos, harmonizados com vinhos adequados. Tudo registrado em blackberries, iPods, câmeras e ... "aplicativos amigáveis".
É a gastronomia pós-moderna.
Já o The Cube, por exemplo, é um restaurante itinerante.

Criado pela empresa de arquitetura Park Associati por iniciativa da Electrolux, o projeto lembra um estande daqueles utilizados em feiras comerciais, totalmente transparente feito de vidro e rodeado por uma camada branca de alumínio recortado a laser. No chão tudo é branco e a estrutura é completamente desmontável.
Sua localização? Depende de quando você for visitá-lo. Ele pode estar no topo de uma montanha, na beira de um precipício, em Tóquio, NY ou "wherever".
E René Redzepi, chef do NOMA, restaurante dinamarquês que mereceu o primeiro lugar no ranking das 50 melhores cozinhas do planeta – outorgado pelo St. Pellegrino’s World Best Restaurants (awards 2010) -- é uma celebridade que dá autógrafos na calçada das ruas geladas de Copenhague.
Ainda na Europa, o bagunceiro chef-celebridade inglês, Jamie Oliver
que virou quase um herói nacional na Inglaterra ao desenvolver uma cruzada no GNT contra a obesidade infantil nas escolas, dá sua receita de sucesso a aspirantes da/na cozinha. "Trabalhe duro, aprenda tudo o que puder com quem já fez a receita antes de você e, depois, tente fazer melhor". O marketing não exclui -- ao contrário -- supõe extremo profissionalismo.
E performance.
A mais-valia, afinal, tem de ficar com o dono do negócio, não com o fabricante de batatas fritas.
Vamios à Lisboa. Segundo o post do Oscar Daudt em seu enoventos, a experiência mais extraordinária vivida em Lisboa recentemente é a proposta do restaurante Assinatura.

Começa com o impacto de uma mesa toda posta, pendurada no teto, de cabeça para baixo. E ela não está ali à toa; ela simboliza a vontade do chef Henrique Mouro de demonstrar que a sua cozinha-de-autor pretende virar de ponta-cabeça a tradicional culinária portuguesa.
É a cozinha-do-autor.
Finalmente, em Londres há, agora, um extraordinário restaurante totalmente digital: o INAMO

Voce escolhe a refeição apontando e tocando no tampo da mesa (interativas), nas quais são projetadas imagens dos pratos à sua disposição, a partir de um menu virtual. Menu de comida, dividido em "pequenas porções" ou "pratos principais" e sobremesas. E menu de bebidas. Por exemplo: aparece o desenho de uma garrafa de vinho, outra de cerveja, drinques sem álcool, etc. Voce clica e abre-se o leque de opções, com o tipo de uva (no caso do vinho) a safra, a origem, fabricante, etc. E o preço. Aí voce digita a sua escolha e aparece o "retrato" da garrafa, rótulo, cor, tamanho, e tal. Voce então "confima" e surge um informe com o tempo que vai demorar para ser servido. E o preço até ali.
E enquanto espera, você pode mudar a cor ou o tom da iluminação da sua mesa, a partir de uma verdadeira escala de matizes, subtons e sombras. Depois, e uma vez feito o(s) pedidos, pode-se jogar vídeo games, descobrir os pontos turisticos interessantes do bairro e/ou chamar um táxi.
Ou abrir o mapa do metrô. Ou clicar em "cozinha" e ver os cozinheros, lá dentro, preparando os seus pratos, como no vídeo acima.
Poucos garçons, uns quatro para umas vinte mesas. E mais: a cada momento voce pode "checar" a sua conta para decidir se pede mais bebida/comida, ou não. Quanto, enfim, solicita a adição final e informa qual vai ser a forma de pagamento, surge um atendente para cobrar e um aviso na tela da mesa: por que não uma esticada no bar? Outro detalhe: precos possibilíssimos ... para Londres, eh claro!
O seculo 21 na gastronomia é isso: carta de vinhos no iPad
cardápio pré-escolhido pela internet, botãozinho na mesa que pressionado aciona um clique no relógio do garçom... até que um outro Gordom Ramsa faça um giro de 180º e relance um restaurante como a confeitaria Colombo, por exemplo.

E aí a gente vai tentar entender tudo outra vez...
Bon appétit!
Os chefs estão capitalizando a teatralidade da inovação gastronômica como numa guerra nas (das)estrelas.
A abertura do restaurante Next, em Chicago, por exemplo, foi preparada como uma pré-estréia teatral. Houve venda de ingressos antecipados para a inauguraçã e os fregueses pagaram adiantado algo em torno de US$ 45 e US$ 75 por uma refeição de cinco ou seis pratos, harmonizados com vinhos adequados. Tudo registrado em blackberries, iPods, câmeras e ... "aplicativos amigáveis".
É a gastronomia pós-moderna.
Já o The Cube, por exemplo, é um restaurante itinerante.
Criado pela empresa de arquitetura Park Associati por iniciativa da Electrolux, o projeto lembra um estande daqueles utilizados em feiras comerciais, totalmente transparente feito de vidro e rodeado por uma camada branca de alumínio recortado a laser. No chão tudo é branco e a estrutura é completamente desmontável.
Sua localização? Depende de quando você for visitá-lo. Ele pode estar no topo de uma montanha, na beira de um precipício, em Tóquio, NY ou "wherever".
E René Redzepi, chef do NOMA, restaurante dinamarquês que mereceu o primeiro lugar no ranking das 50 melhores cozinhas do planeta – outorgado pelo St. Pellegrino’s World Best Restaurants (awards 2010) -- é uma celebridade que dá autógrafos na calçada das ruas geladas de Copenhague.
Ainda na Europa, o bagunceiro chef-celebridade inglês, Jamie Oliver
que virou quase um herói nacional na Inglaterra ao desenvolver uma cruzada no GNT contra a obesidade infantil nas escolas, dá sua receita de sucesso a aspirantes da/na cozinha. "Trabalhe duro, aprenda tudo o que puder com quem já fez a receita antes de você e, depois, tente fazer melhor". O marketing não exclui -- ao contrário -- supõe extremo profissionalismo. E performance.
A mais-valia, afinal, tem de ficar com o dono do negócio, não com o fabricante de batatas fritas.
Vamios à Lisboa. Segundo o post do Oscar Daudt em seu enoventos, a experiência mais extraordinária vivida em Lisboa recentemente é a proposta do restaurante Assinatura.

Começa com o impacto de uma mesa toda posta, pendurada no teto, de cabeça para baixo. E ela não está ali à toa; ela simboliza a vontade do chef Henrique Mouro de demonstrar que a sua cozinha-de-autor pretende virar de ponta-cabeça a tradicional culinária portuguesa.
É a cozinha-do-autor.
Finalmente, em Londres há, agora, um extraordinário restaurante totalmente digital: o INAMO

Voce escolhe a refeição apontando e tocando no tampo da mesa (interativas), nas quais são projetadas imagens dos pratos à sua disposição, a partir de um menu virtual. Menu de comida, dividido em "pequenas porções" ou "pratos principais" e sobremesas. E menu de bebidas. Por exemplo: aparece o desenho de uma garrafa de vinho, outra de cerveja, drinques sem álcool, etc. Voce clica e abre-se o leque de opções, com o tipo de uva (no caso do vinho) a safra, a origem, fabricante, etc. E o preço. Aí voce digita a sua escolha e aparece o "retrato" da garrafa, rótulo, cor, tamanho, e tal. Voce então "confima" e surge um informe com o tempo que vai demorar para ser servido. E o preço até ali.
E enquanto espera, você pode mudar a cor ou o tom da iluminação da sua mesa, a partir de uma verdadeira escala de matizes, subtons e sombras. Depois, e uma vez feito o(s) pedidos, pode-se jogar vídeo games, descobrir os pontos turisticos interessantes do bairro e/ou chamar um táxi.
Ou abrir o mapa do metrô. Ou clicar em "cozinha" e ver os cozinheros, lá dentro, preparando os seus pratos, como no vídeo acima.
Poucos garçons, uns quatro para umas vinte mesas. E mais: a cada momento voce pode "checar" a sua conta para decidir se pede mais bebida/comida, ou não. Quanto, enfim, solicita a adição final e informa qual vai ser a forma de pagamento, surge um atendente para cobrar e um aviso na tela da mesa: por que não uma esticada no bar? Outro detalhe: precos possibilíssimos ... para Londres, eh claro!
O seculo 21 na gastronomia é isso: carta de vinhos no iPad
cardápio pré-escolhido pela internet, botãozinho na mesa que pressionado aciona um clique no relógio do garçom... até que um outro Gordom Ramsa faça um giro de 180º e relance um restaurante como a confeitaria Colombo, por exemplo.
E aí a gente vai tentar entender tudo outra vez...
Bon appétit!




se casou em 28 de Outubro de 1533 com Henrique, futuro Duque de Orleans e futuro rei da França, trouxe consigo um enxoval completo com garfo, faca e colher.
-- mas inglês é inglês e monarquia é monarquia.









mas, e sobretudo, parceira na luta pela qualidade do circuito do vinho: o produto certo, o preço justo, o jogo limpo.



