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Rio, 29 de dezembro de 2010: por que se comemora o 31 de dezembro?

O ritual de comemoração do Ano Novo remonta à Antiquidade e tem a sua origem intimamente ligada à natureza, aos ciclos planetários, às fases da lua e à agricultura - daí a idéia de recomeço, de re-acordar.
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Mas, no ocidente, a data de primeiro de janeiro foi fixada pelo imperador Júlio Cesar, muitos anos antes de Cristo.

Muitos anos depois, em 1885, os franceses cunharam a palavra Réveillon (que etimológicamente vem de "retour à l' état de veille", palavra que significa ao mesmo tempo véspera e vigília), ou seja, retornar ao "estado de acordado". Mas o sentido embutido nas expressões "Réveillon de Noël" (24 de dezembro) e "Réveillon de Jour de l'An" (31 de dezembro) é o de ceia tardia -- para manter acordados os convivas!

Esse "rito de passagem", no entanto e como não podia deixar de ser, mexe com a sensibilidade das pessoas. E sugere medo e esperança. Donde a multiplicidade de "liturgias" e supersticões que acompanham as comemorações de Ano-Novo, até os dias de hoje. Em algumas regiões da América do Sul, por exemplo, as pessoas saúdam "a virada" apoiadas apenas no pé direito. Outros tocam buzinas, cornetas, ou colocam dinheiro debaixo da toalha de mesa. Ou dentro do sapato, como os orientais que acreditam que a energia entra pelos pés. Para não falar na escolha das cores: o amarelo, dinheiro; o vermelho, paixão; o azul, tranquilidade e o branco (campeão), harmonia, paz. Esses rituais, cujo objetivo é espantar a má sorte e garantir a prosperidade, simplesmente perpetuam a antiga crença de que a passagem de cada ano é uma ocasião cósmica para melhorar o nosso destino. (E lá vai a marchinha: que tude se realize, no ano que vai nascer: muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender).



AS TRADIÇÕES E COMEMORAÇÕES DE ANO NOVO NO MUNDO

Itália. Na cultura italiana, dois pratos são considerados essenciais: o “cotechino” e as lentilhas. Além disso, os romanos se reúnem na Piazza Navona, na Fontana di Trevi, na Trinitá dei Monit e na Piazza del Popolo ou se atiram nas águas geladas do Rio Tigre. null null

Estados Unidos. A mais famosa passagem de Ano Novo nos EUA é a de Nova Iorque, na Times Square, onde o povo se concentra para beber, dançar, correr e gritar. Times Square é o nome da área formada pelo cruzamento da Broadway com a Sétima Avenida, entre as Ruas 42 e 47. O New York Times -- para celebrar a mudança para a região que agora levaria seu nome -- fez um grande festa marcada pelos muitos fogos de artifício. Assim, em 31 de dezembro de 1904, nascia a tradição de se comemorar o Réveillon na Times Square. Posteriormente o jornal se mudou para um edifício na Rua 43, mas o prédio original é facilmente localizado pelo mastro em seu topo, pelo qual a "big apple" vai descendo no compasso da contagem regressiva.null .
Exatamente à meia-noite, quando chega embaixo, explode, "lançando" balas e bombons pra todo lado. A multidão espera, geralmente abaixo de zero, esse momento mágico.

Austrália. Em Sidney, três horas antes da meia-noite há uma queima de fogos na frente da Opera House e da Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao espetáculo, os australianos se juntam no porto. Depois, recolhem-se em suas casas para passar a virada do ano com a família. E só retornam às ruas na madrugada, quando os principais destinos são os “pubs” e as praias. null

França. O ponto alto é a Avenida dos Champs-Elysées, em Paris. null Os parisienses assistem à queima de fogos, cada um com sua garrafa de champanhe (para as crianças sucos e refrigerantes). Outros vão ver a saída do Paris-Dacar, no Trocadéro, que é marcada para a meia-noite. Outros costumam ir festas em restaurantes e hotéis.

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E outros -- infelizmente -- como em toda parte, são o retrato da solidão a dois.


Brasil. No Rio de Janeiro,a praia de Copacabana é considerado o emblema da passagem do Ano Novo. Ali se reúnem milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. Mas, antes, no cair da tarde, celebra-se Iemanjá -- a raínha do mar. null

Observação: quando se trada de água doce, a mãe-d'água é Iara. null

Inglaterra. Grande parte dos londrinos passa a meia-noite em suas casas, com a família e amigos. Outros vão à Trafalgar Square, umas das praças mais belas da cidade, à frente do National Gallery. Lá, assistem à queima de fogos. Outros, assistem à contagem decrescente embaixo do Big Ben, que “explode” em luzes e cores brilhantes. Além de fogos de artifício ao longo do rio Tamisa. Em outras cidades, bebe-se nos pubs. (Imagino que melhor agasalhados!) null


Alemanha. As pessoas reúnem-se no Portal de Brandemburgo, no centro, perto de onde ficava o Muro de Berlim. Tradicionalmente não há fogos de artifícios. Ou, então, vão direto para as gigantescas cervejarias. null. Ou, como os romanos, se atiram em águas geladas.

Japão. Como as religiões que predominam são o xintoísmo e o budísmo -- pouco chegadas à comemorações -- os mais velhos não têm o costume de celebrar o nascimento de Cristo fora dos templos (cerimônia Joya e que monges batem 108 vêzes em um enorme prato de metal, chamado tímbalo). Já os jovens, se encontram nas lanchonetes e (os que podem) nas boates ou nas ruas null, para "derrubar" litros de saquê e tomarem um potinho de ozoni, comerem bolinhos de arroz e tomarem (faz frio) uma sopa de cereais feita com caldo de soja.

Observação: um dos primeiros territórios habitados a receber o sol do Ano Novo é a Ilha Pitt, na costa Oriental da Nova Zelândia. E o último lugar do mundo a festejar o início do Ano Novo é a Ilha de Samoa, no Pacífico.

OS FOGOS DE ARTIFICIO

Em quase toda as cidades que se orgulham de promover Réveillon, um cenário quase obrigatório é o espetáculo pirotécnico de luz e cor, no céu, desenhados pelos fogos de artifício.
Eles foram criados pelos chineses e, resumidamente, consistem no seguinte: um dispositivo que fica envolvido em um cartucho de papel (em geral, em forma de cilindro) contém a carga explosiva que dispara os fogos para cima e o propelente mais utilizado é a pólvora negra -- uma mistura de salitre (nitrato de potássio), enxofre e carvão. Outro propelente comum é o altamente explosivo perclorato de potássio (KCLO4), que é misturado com a pólvora. Na parte superior fica a 'bomba', com pequenos pacotinhos de sais de diferentes elementos químicos e de diferentes metais para que, quando detonados, produzam cores diferentes.

Finalmente e como podemos constatar, mesmo as mais diferentes culturas "durante o ano" comemoraram a "virada" de forma relativamente similar: multidões aglomeradas, fogos, bebidas, contagem regressiva e algo forte que represente a simbologia do renascimento. Não devemos esquecer, portanto, o que dizia o Picasso: há pessoas que fazem do Sol, uma mancha amarela; outras, fazem de uma mancha amarela -- um Sol. null

Sejamos essa segunda categoria! E disciplinadamente felizes.

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Rio, 27, 28 e 29 de dezembro de 2010: que tal um Réveillon brasileiro?

Ou seja: mesmo com o ar-condicionado a mil, vamos respeitar o “terroir climático” deste solo em que a canícula é mãe gentil e servir O MÍNIMO de nozes, pistaches, amêndoas, castanhas, lombinhos, fumegantes bacalhaus, etc, etc, na noite de 31 e/ou no “enterro” de dia primeiro. .

O que servir, então? A chef Ana Luisa Trajano, por exemplo, propõe uma mesa com beijus de tapioca, salada com verdes, frutas (nossas) e... cerveja! E se quiser turbinar com algo mais forte, por que não um par de cairpirinhas, Hoje, a caipirinha ganhou status de drinque e frequenta embaixadas tanto nossas, no exterior, quanto estrangeiras, em Brasília. E virou o must dos gringos que "sabem das coisas". A caipirinha, aliás, é regulamentada pelo Diário Oficial da União. null

A "chapa-branca" é de limão, mas sugiro fazê-la com quaisquer das outras deliciosas frutas brasileiras.

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Já Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, acrescenta goiabada cascão com queijo Minas, canjiquinha de milho verde, cocada, doce de leite, gelatininhas coloridas laranja “à francesa”, coalhada seca, talhadas de melancia, sorvetes, por aí.
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Ou, então, milho (não importa que seja dezembro e não junho -- São João -- época da colheita!). E pães, frescos e recheados!
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Bom, mas para ser brasileira mesmo, a passagem de ano tem que incorporar algumas superstições!

A primeira é o não-fazer: evite Aves. Passe longe de galinha, peru, faisão, ou qualquer tipo de ave que cisca para trás! É retrocesso e atraso de vida, na certa.

E, agora, é: fazer.

Arroz
O arroz é uma semente que simboliza a riqueza, a abundância e a fertilidade. Coréia, Japão, Líbano e Dinamarca acreditam que esse é um alimento que traz muita sorte. O Líbano ainda vai mais longe: é costume desse povo comer apenas alimentos brancos nessa noite.

Champanhe
Como o produto francês é caro, (champagne é masculino) muito caro no Brasil, você pode substituí-lo por espumantes nacionais ou importados, muito saborosos também. É a bebida "pra cima": da posse, da ereção, do triúnfo.
Mas, atenção: sirva-os a 6, 7 graus de temperatura. (Abaixo a relação de espumantes proposta pelo Marcelo Copello)

Lentilha
Em várias regiões do mundo é esse o alimento que “traz fortuna”. Como as suas primas ervilhas, as lentilhas também evocam morte e renascimento. É do grão enterrado na terraque renascem múltiplos grãos. Tudo a ver com a noite de 31 para 1º de janeiro.

Uva
Alimento nº 1 da ceia de ano-novo. Come-se 3 dando as costas para a lua, 12 dando pulinhos sobre um banquinho, não importa! O importante é não faltar uva verde na ceia do Ano Bom.

Porco e leitão
O porco está sempre andando e fuçando para frente e, por isso, é visto como um animal de prosperidade. Evite, apenas, as partes mais gordas.

Peixe
Além de ser saudável e muito mais leve, o peixe na ceia de ano novo está vinculado à boa sorte e fecundidade. Quando se fala em peixe automaticamente se faz associação com a água, símbolo da vida. Em chinês, U, peixe, foneticamente tem o mesmo som da palavra "abundância", o que provoca a boa analogia. Dica: nada mais perfeito para o nosso clima do que um bom peixe assado em folha de bananeira!

Finalmente, o VINHO, que traz “dentro de cada garrafa” 6.000 de História. A bebida dos faraós, dos persas, dos gregos e romanos, de toda a comunidade não-islâmica, enfim. Por isso, além dos seus pedidos específicos, erga a sua taça acima da cabeça e repita três vezes: que Baco nunca nos falte!

Evoé.

MELHORES ESPUMANTES BRASILEIROS DE 2010

Casa Valduga Gran Reserva Natura 2004
Cave Geisse Terroir 2006
Cave Geisse Nature 2008
Casa Valuga Espumante 130
Casa Valduga Espumante Rosé Blush Premium 2006
Salton espumante 100 anos
Miolo Millesime Brut 2009
Chandon Excellence
Bueno Cuvée Prestige, Miolo
Chandon Brut

Melhor compra até R$ 30
Aurora Brut Chardonnay (R$ 26, 40)

Melhor compra até R$ 40
Casa Valduga Espumante Rosé Blush Premium 2006 (R$ 37)

Melhor compra até R$ 50
Chandon Brut (R$ 44)

É isso aí: e os votos do blog -- um 2011 intenso: nunca tenso.

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Rio, 16 de dezembro de 2010: vinho e informações úteis

A Escolha do vinho.

Para comprar nas delis e supermercados da vida (porque se comprar nos Free Shops, ou diretamente na vinícola, etc, é diferente) a primeira decisão é quanto ao preço. No mais das vezes. Ora, salvo promoções confiáveis, vinho “possível” começa a partir de R$ 20,00. E exceção fica por conta das grandes compras; aí o volume derruba o preço unitário e, nesses casos, a partir de dez, onze reais, pode-se beber um vinho bastante agradável. Mais o tinto do que o branco, porque o branco é um vinho mais difícil de se fazer a baixo custo.

A segunda decisão é: mais leves ou mais “musculosos”.

Os brancos são, EM GERAL, mais leves (ausência de taninos), portanto mais recomendados para se tomar de aperitivo ou de estômago vazio. E bem mais refrigerados. Os tintos (sempre incorporam os taninos da casca da uva) devem acompanhar alimentos e precisam ser servidos à temperaturas mais altas: entre 17 e 20 graus. Mais quentes do que isso dão dor de cabeça e perturbações digestivas -- e é bem feito pra quem bebe quente!

Vinho e degustação com amigos.

Cenário -- estamos no verão. Você convida de sete a quinze amigos -- e amigas, obviamente -- para uma noite de vinhos e boa conversa. (Queijos gordos, como os camemberts da vida, vamos deixar para o inverno).

Sirva frutas secas, pastinhas feito em casa, gelatinas, fiambres, "tubos" de aipo e cenoura crua, folhas com bom azeite e nozes, por cima, salada fria de feijão fradinho, sopas geladas, etc).

Hipótese A: promova uma degustação horizontal, isto é, de vinhos produzidos com uvas variadas. Sempre gera comentários, comparações e uma maior curtição, enfim. Mas atenção: você vai consumir mais garrafas, porque os convidados vão querer provar as variedades! (Não estamos falando de vinhos de guarda, que esses "exigem" uma adega climatizada para preservá-los, como essa, abaixo.
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Outra possibilidade é comprar vinhos do mesmo tipo – degustação vertical – ou seja, só Merlot, ou só Malbec (nos tintos; ou só Chardonnay, só Sauvignon Blanc, etc, nos brancos.. A noite ficará, talvez, menos “rica” em termos enológicos, mas você menos pobre, em termos financeiros, porque a moçada “bate a cota” mais cedo e pede água para hidratar (as mulheres vão de Coca Diet, direto).
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Terceira opção: se na seleção prevista você tiver alguns simplezinhos e outros melhores, comece pelos primeiros (simplezinhos), pour "faire la bouche", como dizem os franceses quando pedem uma cerveja, para abrir os trabalhos, ou um branco antes de um tinto, e reserve os néctares para o fim.

Vinho e temperatura.

A relação entre a temperatura externa, a do vinho e a do corpo – se estiver com febre, por favor não beba! – forma uma equação praticamente resolvida.
A partir de anos de pesquisa, foi identificada a temperatura ideal para que o líquido sorvido proporcione ao organismo maior satisfação. E, chegou-se à seguinte tabela:

– Champagne e espumantes secos, de 6º C a 8º C
– Brancos (secos ou um pouco suaves), de 8º C a 10º C
– Rosados e tintos leves, de 10º C a 16º C
– Tintos médios e encorpados, 16º C a 20º C

Garrafa aberta.

Se você não beber uma garrafa até o fim ou, depois de uma festa, sobrarem algumas abertas, existem alguns procedimentos para assegurar à bebida uma razoável sobrevida. A melhor é utilizar um equipamento chamado Vaccum-Vin – uma rolha-válvula de borracha que possibilita a extração do ar da garrafa, por intermédio de uma espécie de pequena bomba de encher pneu de bicicleta, só que com a função inversa.
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A outra alternaticva, é recolocar a rolha e guardar a garrafa na geladeira, em pé, sabendo que os brancos, por terem menos musculatura (ausência de taninos), não devem esperar mais de dois dias para voltarem aos copos – a partir daí o próximo passo é virar vinagre – vin aigre, em francês.

Já os tintos podem aguardar no máximo de quatro a cinco dias, mesmo na geladeira. O resto, é milagre de sobrevida. Como cair de um décimo andar e sair andando....

Outras dúvidas, ou críticas, mande um e-mail para: rbarreto@jb.com.br ou faça seu comentário aqui!

E não se esqueça: vinho não foi feito para humilhar ninguém!

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Rio, 10 e dezembro de 2010: o novo vinho brsileiro - e o novo consumidor

No post de quarta passada, dia 8, falei do vinho grego.

Pois agora, que o Marcelo Copello listou os 10 melhores espumantes nacionais (cuja relação vai no final deste texto), vale uma consideração sobre o novo produtor brasileiro -- e o novo consumidor.

No âmbito da economia agrícola, o Brasil já conheceu a aristocracia do açúcar, a dos barões do café --- a dos reis da soja e está vendo agora nascer a era dos CEOs do vinho.

Merecidamente, diga-se em alto e bom tom. Dos ciclos produtivos que mudaram a agenda financeira do nosso país -- para melhor -- nesses últimos trinta e poucos anos, uma deles foi o negócio do vinho brasileiro. E, nem por acaso, negócio vem do latim: negar o ócio! Trabalho, muito trabalho, é o nome da rosa. Ou da uva.

A heróica legião de “oriundi” que deixou o Trentino, a Toscana, o Veneto e o Bergamo, por volta de 1870, null
para produzir o fermentado da uva na serra gaúcha, merece retrato no museu do vinho e um brinde comovido das novas gerações. Mas só isso. Porque -- coitados -- fabricavam um vinhozinho medíocre, extraído de minifundios desatendidos de qualquer legislação facilitadora e onde toda a cadeia comercial era decidida empiricamente: a marca, a garrafa, o rótulo, a estratégia de vendas, a colocação nas prateleiras, o “reclame” e, sobretudo, O PRODUTO, tudo era "votado" por amadores sem nenhum conhecimento técnico de comunicação, marketing, programação visual ou assemelhados.

Sem falar na plantação. O velho sistema de pergolado null dava a sensação de abundãncia, ajudava na economia de escala, mas era uma "tragédia" para se fazer um produto com qualidade controlada -- e homogênea. Quando chovia, por exemplo e, a seguir, soparava o vento, a parte de cima secava e a debaixo continuava molhada. Moral da história: era como se fossem uvas de parreiras diferentes. E, na hora de colocar nas cestas ou caixas de madeira para levá-las para o lagar, as de cima esmagavam as inferiores e se formava uma "paçoca" de mosto e suco -- impensável para a produção de um bom vinho.

Por isso, mesmo o esforço que, imagino, se iguala ao do “remador de Ben-Hur”, dos filhos e netos dessa geração de evangélicos da uva não logrou ir muito além dos Chateau Duvalier, Lacave, Lejon, Granja União, Forestier, e alguns outros que a minha geração tomou --- “faute de mieux” --- nas madrugadas da vida.

Ora, como sabemos todos, o último amador que deu certo foi o Aguiar, do Bradesco. hoje tudo mudou.


Hoje, felizmente, a produção de vinhos de qualidade, no Brasil, passou para uma quarta geração de vitivinicultores high-tech que foram buscar recursos próprios ou financiados para reciclar o chão de terra e da fábrica, e refazer as cabeças, o paladar e o bolso do consumidor final.

Para isso, investiu-se (investiram) muito dinheiro em tecnologias de ponta e na formação de novos quadros --- patrões e mão-de-obra qualificada --- de tal modo que o Brasil se alinha, hoje, entre os 50 maiores/melhores países produtores de vinho, em um mundo de cerca de 200 estados nacionais. As vinícolas brasileiras vitoriosas trocaram o sistema de pergolado pelo de espaldeira null e as parreiras são plantadas em forma de Y , o que faz o sol e o vento circularem por entre os cachos de forma abrangente e simultânea.

E a mídia do vinho está aí mesmo para conferir. Antes, não havia revistas especializadas do gabarito, nem sites, blogs, portais, facebooks, nada. Hoje, além da informação impressa ou digital, há palestras, degustações, vídeos, tudo.

E mais: já existe um curso de nível superior sobre viticultura e enologia, ministrado pelo CEFET em Bento Gonçalves e, em breve, serão inaugurados mais dois: um em Florianópolis e outro (pasmem!) em Petrolina.). Ou seja: houve muita vontade particular e política, o uso de novas tecnologias mas, e sobretudo, a consciência de que era urgente encarar com uma resposta de qualidade a acirrada competição dos nossos hermanos argentinos, chilenos e uruguaios.

Além dos europeus, neozelandeses, australianos, norte-americanos e, muito em breve, dos... chineses! null

Finalmente, e na outra ponta, o consumidor de vinho brasileiro aumentou o seu nível de exigência: ele hoje quer qualidade, preço e informação. E as nossas vinícolas vêm respondendo à contento à essas demandas, sendo que o preço ainda é a resposta menos satisfatória. Mas no que se refere à qualidade -- sobretudo dos espumantes e dos brancos e rosés -- e às informações, incusive as que constam dos rótulos, fizemos um avanço considerável. É so provar os produtos da Miolo, Marson, Dal Pizzol, Aurora (cujos tintos "Pequenas Partilhas" estão ótimos) e Rio Sol, por exemplo, para constatar. E conferir.

Resultado: melhorou o produto, o produtor, o serviço (sommeliers) e... o consumidor.

Prova dos nove: a relação do Marcelo Copello, publicada no www.enoeventos.com.br

MELHORES ESPUMANTES BRASILEIROS DE 2010

Casa Valduga Gran Reserva Natura 2004
Cave Geisse Terroir 2006
Cave Geisse Nature 2008
Casa Valuga Espumante 130
Casa Valduga Espumante Rosé Blush Premium 2006
Salton espumante 100 anos
Miolo Millesime Brut 2009
Chandon Excellence
Bueno Cuvée Prestige, Miolo
Chandon Brut

Melhor compra até R$ 30
Aurora Brut Chardonnay (R$ 26, 40)

Melhor compra até R$ 40
Casa Valduga Espumante Rosé Blush Premium 2006 (R$ 37)

Melhor compra até R$ 50
Chandon Brut (R$ 44)

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Rio, 7 de dezembro de 2010: o vinho grego

Embora do ponto de vista da macroeconomia a Grécia vá mal das pernas, do ponto de vista do turismo ela vai bem, obrigado. E como vocês podem (e devem) ser os próximos a visitarem esse curioso, luminoso e ruidoso país, não custa dar uma "provada" num de seus históricos produtos: o vinho. O vinho da alegria, do convívio, o vinho como commodity e o vinho como "remédio". O vinho, na Grécia, tem gosto de por-do-sol. null

Porque o uso medicinal do vinho era largamente empregado pelos gregos antigos e existem inúmeros registros, inclusive de autoria de Hipócrates (o pai da medicina), sobre as suas propriedades medicinais. Mas o vinho representava, também, para os gregos, um elemento místico, expresso no culto ao deus do vinho, Dionísio. Entre as várias lendas que cercam a sua existência, a mais conhecida é aquela contada na peça de Eurípides. Dionísio, seria filho de Zeus (Júpiter), o pai dos deuses, que vivia no Monte Olimpo e de Semele, filha do rei de Tebas. Semele, ainda no sexto mês de gravidez, morreu fulminada por um raio proveniente da intensa luminosidade de Zeus . Dionísio foi salvo pelo pai que o retirou do ventre da mãe e o costurou-o na própria coxa onde foi mantido até o final da gestação.

E as ilhas gregas foram provavelmente as principais exportadoras de vinho, na antiguidade, sendo a ilha de Chios, situada ao leste, próxima ao litoral da Lídia, a mais importante delas e a que possuía o melhor vinho. As suas ânforas características foram encontradas em quase todas as regiões por onde os gregos fizeram comércio, tais como: Egito, França, Bulgária, Itália e Russia. Também a ilha de Lesbos, ao norte de Chios possuía um vinho famoso, o vinho de Pramnian, o equivalente grego do fantástico vinho búlgaro Tokay Essenczia.

Seguiu-se um longo período de decadência para o vinho grego, "acusado" de ter sabor de resina.

Mas no início dos anos 90, a Grécia passou por uma espécie de Renascença Enológica. Cerca de 150 variedades de uvas, na sua maioria autóctones, crescem nas quatro mais importantes zonas produtoras do país: a Macedônia e a Trácia, ao norte; a Zona Central, que produz o excelente branco Karipidis; o Peloponeso, com suas altas montanhas geladas e seus vales quentes, de onde as vinhas de Mantinia, Nemea e Patras alcançam fama merecida no ambiente vinícola internacional e As Ilhas - basicamente Santorini e Creta, na bota da Grécia, que produzem vinhos (em geral brancos) vulcânicos, isto é, secos, minerais e frutados.

É lá, por exemplo, que brilha a casta Assyrtiko, comparada pela crítica inglesa Jancis Robinson com a Chenin Blanc, a uva cartão-postal do Vale do Loire, na França, cuja característíca é produzir vinhos com sabores que lembram maçã verde, pêra e ervas frescas.

Em relação aos brancos, sobressaem-se o Domaine Gerovassilíou Malagousia, o Gerovassilíou Chardonnay, o Antonopoulos Chardonnay, o Ktima Argiru e o Thalassitis Assyrtiko.

Há, ainda o Domaine Sigalas - no caminho do vilarejo de Oia (pronuncía-se Ia), onde cavalo desce escada, contrariando o Ibrahim Sued! - Monastri Zitsa e os vinhos da Boutari Winery, no caminho da praia de Perissa - uma das mais bonitas de Santorini, junto com a Praia Vermelha e a de Perívolos, ambas de areia cor de caviar preto. É lá, também, que se produz o Vin Santo, com uvas que secam ao sol: doce e sensual.

Na área dos tintos, um dos maiores destaques é a Aghiorghitiko - um produto da Neméia - a primeira a tirar os vinhos gregos do anonimato. Tem a riqueza e o buquê da Merlot. E a Xinomavro, cuja personalidade austera lembra a Baga e a Nebbiolo. São bons vinhos tintos, ainda, o Boutari Grande Reserva, o Creta Olympias Mediterra, o Gaia Estate Neméa, o Gerovassilíou, o Gerodoklima Rematias Merlot, o Avaton, o Chateau Julia e o Cabernet Néa Drys.


Mas para quem ainda não teve a chance de conhecer esse país branco-e-azul, null quase mais velho do que a História, aí vão as possibilidades de se adquirir vinho grego no Brasil, através da Importadora Mistral, que comercializa os produtos das vinícolas Gerovassilíou, Gaía Estate e Antonopoulos. As duas primeiras são consideradas os melhores produtores da Grécia pela revista Decanter. Também merecerem as três estrelas do crítico Hugh Johnson. A Gerovassilíou também foi eleita uma das 100 Melhores Vinícolas do Mundo, em 2006, pela Wine & Spirits, enquanto o Gaía Estate foi considerado o melhor vinho grego pela revista Decanter.

Se não bastasse a estonteante beleza de ilhas como Mikonos e Santorini --a pérola do Egeu null que em 1500 AC sofreu a violência de uma erupção vulcânica que em dois minutos fez fender a terra que a separava de Creta e cavou uma falésia até o mar, há todo um clima que se instala na alma e fica lá guardado -- como primeiro beijo. Lá se come, se dança, se fala (alto), se casa (como meu filho Rodrigo e a Elina) e se bebe como mandam os... Zeus!

steniyasas

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Rio, 02 de dezembro de 2010: cerveja e vinho, vizinhos de porta

A cerveja e o vinho são vizinhos de porta há milênios, já que ambos são provenientes do antigo Egito. Por isso vamos falar de um e do outro. Sobretudo nessa fase do ano, nas grandes cidades do Brasil, em que o calor e a umidade clamam por bebidas geladas - e contrariamente aos gaúchos, que tomam chimarrão fervendo, e dos ingleses, que preferem o chá pelando para evitar o choque térmico (prática discutível) - está na moda beber-se um e outro durante um mesmo evento. O Boni e o Ricardo Amaral, por exemplo, às vêzes tomam uma taça de cerveja antes das refeições (para hidratar) e, na hora da comida, aí selecionam o bom vinho. A nova rapaziada européia, idem. Bebe cerveja como drinque e o vinho para escoltar a refeição. Tanto que é comum ver-se, hoje, em boas lojas de venda de vinhos, como no Bergut Bistrô, no centro do Rio, um espaço para as cervejas e as suas taças. null . Algumas são taças de vinho.

Um pouco de história: segundo o sábio grego Ateneu de Náucratis (século III d.C.), a cerveja entrou no cardápio dos egípcios para ajudar a quem não tinha como pagar o vinho. Inscrições em hieróglifos e obras artísticas testemunham o gosto daquele povo pelo henket ou zythum, apreciada por todas as camadas sociais. Até um dos faraós, Ramsés III (1184-1153 a.C.), passou a ser conhecido como "faraó-cervejeiro" após doar aos sacerdotes do Templo de Amon 466.308 ânforas ou, aproximadamente, um milhão de litros de cerveja.

Os gauleses a chamavam de cerevisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.

A cerveja é o resultado da fermentação alcoólica preparada de mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular a cevada. Como é composta principalmente por água, a origem dessa água e as suas características têm um efeito importante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor. Muitos estilos de cerveja foram influenciados ou até mesmo determinados pelas características da água da região.

Dentre os maltes, o de cevada é o mais frequente e largamente usado devido ao seu alto conteúdo de enzimas, mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, incluindo trigo, arroz, milho, aveia e centeio.

A introdução do lúpulo foi relativamente recente na sua composição. Acredita-se que tenha sido introduzido apenas há umas poucas centenas de anos atrás. Usa-se a flor do lúpulo para acrescentar um gosto amargo que equilibra a doçura do malte e possui um efeito antibiótico moderado que favorece a atividade da levedura de cerveja. Dezenas de estirpes de fermentos naturais ou cultivados são usados pelos cervejeiros, o que resulta em duas famílias principais de cervejas: as lagers, de baixa fermentação, com aroma suave e teor alcoólico entre 3% e 5%, e as ales, de alta fermentação e sabor frutado, apresentando uma coloração que varia do dourado ao marrom escuro.

Todas devem ser tomadas a uma temperatura de 2 a 6 graus - estúpidamente gelado só chopp e mesmo assim há quem os prefira menos "anestésicos", como eu.



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