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Rio, 15 de maio de 2012: a uva é Shiraz ou Syrah?

Tanto faz, é a mesma uva soberba!
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Em 2002, pesquisadores franceses encontraram um jarro contendo uma crosta amarela-castanho claro, o que poderia (?) indicar a presença de ácido tartárico (na natureza só encontrado nas uvas, o qual passa para o vinho) e da resina de terebentina ( usado como conservante de vinhos na antigüidade).

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O que reforça a tese de que a uva Shiraz é uma das mais antigas cepas da história do vinho. Nasceu na antiga Pérsia, null

no sopé da Cordilheira de Zagros, há cerca de 6.000 anos atrás. E foi levada por cavaleiros-cruzados para o sul da França na época do império romano.

Há quem diga que o vinho tomado por Cristo na Última Ceia foi produzido com Syrah.

É uma uva tinta majestosa, repito, que envelhece até por meio século e reina absoluta na região mais setentrional do Rhône. Donde os crus mais famosos serem elaborados com ela. O Côte-Rotie, o Saint-Joseph Hermitage, o Crozes-Hermitage, o Cornas e o Saint-Péray.

Ela entra também na elaboração dos vinhos do sul do Rhône, como o Châteauneuf-du-Pape e o Gigondas; mas não entra sozinha. Ela se mistura com a Grenache (principal uva-tinta da região), com a Mourvèdre, com a Marsanne e com a Cinsault.

Muito bem adaptada aos climas quentes, como é caso do sul da França, teve uma excelente adaptação em terras australianas, para onde foi levada em 1832 por James Busby . Hoje, os mais notáveis tintos da Austrália, como o legendário Grange (ex Hermitage), da Penfolds, é produzido com 100% de Shiraz (o australiano nunca se refere a ela como syrah).

Mas outros países também têm produzido bons vinhos com a Shiraz, como a Itália, a África do Sul, a Argentina, os Estados Unidos e o Brasil (em menor escala).

Crescendo bem em inúmeras áreas, produz vinhos complexos e distintos, escuros, alcoólicos e com aromas e sabores de especiarias. Apesar da boa presença de taninos -- o que lhe dá boa capacidade de envelhecimento -- são vinhos que podem ser bebidos jovens, também.

Os seus aromas e sabores mais presentes, são: pimenta-do-reino preta, frutas escuras (framboesa negra, groselha negra, amora), alcaçuz e, lá "atrás", gengibre e chocolate.

Aluns Shiraz apresentam um toque discreto de hortelã.

Sugestão: vamos deixar de lado -- pelo menos de vez em quando -- o "monopólio" dos Cabernet-Sauvignon, Merlot, Malbec, Carmenère e degustar um bom Shiraz.

Ou Syrah!

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Rio, 10 de maio de 2012. Os vinhos de Fátima: milagre?

Domingo vamos homenagear uma santa doce, quase singela, mas extraordinária: Nossa Senhora de Fátima. E isso porque o mundo católico comemora neste 13 de maio os 95 anos de sua primeira aparição aos três pastorezinhos,
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na Cova da Iria, em Portugal. Depois, ELA "veio" mais 4 vêzes conversar com a Lúcia de Jesus, 10 anos, o Francisco e a Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos, cada um. Pediu que rezassem pela humanidade e que construíssem uma capela em sua intenção.

E e contou segredos dos quais alguns -- parece -- até hoje só o Vaticano os conhece.

Mas essa capelinha cresceu e, hoje, a romaria de peregrinos que vão à Fátima é enorme e reúne uma multidão de incalculável de devotos do mundo inteiro.

Mas "Fátima" não é só santidade.

Um "outro templo" português, o da boa mesa, também tem lá o seu santuário: é o restaurante Tia Alice.

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Vamos até lá:

Responsável: Maria Alice Rodrigues Marto
Horário de Funcionamento: Das 12:00 às 15:00 e das 19:30 às 22:00.
Acessos: Estrada que vai para Ourém.
Ambiente e decoração: rústica, destacando-se as paredes que são grandes rochas deixadas à vista. Muito acolhedor.

Especialidades: Entradas: Morcela de arroz e Presunto Serrano ou Pata Negra.
Peixe: Arroz de peixe com robalo e tamboril; Açorda de camarão; Açorda de bacalhau; Bacalhau à Tia Alice; Bacalhau gratinado.
Carne: Chanfana; Vitela assada; Arroz à Transmontana; Arroz de pato do campo.
Doces: Gelado Tia Alice; Bolo de noz com cobertura de chocolate; Bolo do Convento; Bolo de chocolate com gelado de natas e Pudim de ovos.

Mas, e os vinhos?


Bom, de acordo com a Portaria n.º167/2005, esta é a região Demarcada Encostas d' Aire , que contempla ainda as sub-regiões de Alcobaça e de Ourém. Que produz os seguintes vinhos:

CASTAS BRANCAS
Alicante - Branco
Arinto (*), cujo o sinónimo reconhecido é Pedernã
Bical
Boal - Branco
Cercial
Chardonnay
Diagalves
Fernão - Pires (*), cujo o sinónimo reconhecido é Maria - Gomes
Jampal
Malvasia - Fina
Rabo - de - Ovelha
Ratinho (*)
Seara - Nova (*)
Tamarez (*)
Trincadeira - Branca
Vital (*)

CASTAS TINTAS


Alfrocheiro
Alicante - Bouschet (**)
Amostrinha
Aragonez (*), cujo o sinónimo reconhecido é Tinta - Roriz
Baga (*)
Bastardo
Cabernet - Sauvignon
Caladoc (**)
Castelão (*), cujo o sinónimo reconhecido é Periquita
Grand - Noir (**)
Rufete
Syrah (**)
Tinta - Miúda (*)
Touriga - Franca
Touriga - Nacional (*)
Trincadeira (*), cujo o sinónimo reconhecido é Tinta - Amarela

Bom, mas diante de tanta tentação, só resta uma sugestão: antes de ir ao Santuário ou à Capelinha, vá primeiro à Tia Alice provar os "mandamentos da terra". Assim, quando for se ajoelhar, depois, diante da Santa, inclua nas orações um pedido para que o fígado aguente o rojão!
Bem haja.





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Rio, 25 de abril de 2012: há 38 anos Portugal derrubou a sua ditadura

É verdade: às 0h20 da madrugada de 25 de abril de 1974, Portugal encerrava uma ditadura de 48 longos anos. Num só dia, o regime político que vigorava desde 1926 caiu, sem grande resistência das forças leais ao governo, porque essas na sua maioria cederam perante o movimento popular que rapidamente tomou conta do país.

Este levante é conhecido, também, como a Revolução dos Cravos Vermelhos
Abril, afinal, é o mês das rosas e dos cravos. O levante foi conduzido pelos oficiais intermediários da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães, que tinham participado da Guerra Colonial.

Todo o mundo livre cantou com Portugal, naquele alvorecer Grandola, Vila Morena, do Zé Afonso.
Ouçam essa gravação da na interpretação da Joan Baez.

A seguir, Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, marcados pela luta entre a esquerda e a direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Passado um ano, no entanto, realizaram-se eleições constituintes e foi estabelecida uma democracia parlamentar. A guerra colonial acabou e as colônias africanas tornaram-se independentes antes do fim de 1975.

Seguiu-se o longo reinado socialista do Mário Soares, mas Portugal nunca deixou de criticar o govêrno, o sistema, o país... (ah, o Eça de Queirós deixou seguidores) e nesse sentido, o publicitário e pensador José Roberto Witaker Penteado tem curiosa opinião: "essa unanimidade opiniática contra o governo, o parlamento, o supremo, os empresários, etc, tem a ver com a herança que ainda nos
atormenta: o sebastianismo. "Na versão original, diz o Witaker, ela consistia em esperar a solução de todos os problemas pela aparição e ação de um salvador – que, durante séculos, foi o rei (D. Sebastião)".

O Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI, como conseqüência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Basicamente é um messianismo adaptado às condições lusas, como o Padre Cícero está ligado à cultura nordestina do Brasil.

Apesar do corpo do rei ter sido removido para Belém (?) o povo nunca aceitou o fato, divulgando a lenda de que o rei encontrava-se ainda vivo, apenas esperando o momento certo para volver ao trono e afastar o domínio estrangeiro.

Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre.

Hoje, infelizmente, Portugal atravessa outra crise de identitade (é europeu? quer continuar na zona do euro?), além de um tsunami econômico e social. E malgrado os esforços do primeiro-mintro Pedro Passos Coelho a economia vai mal, o desemprego anda em alta e quanto esse binômio se conjuga tudo o resto paga a conta: moradia, segurança...

Mas há um alento (pra nossa sardinha, no caso o vinho)



Segundo a enóloga e blogueira Maria João de Almeida, "longe vão os tempos em que o Barca Velha era o único grande vinho de mesa em Portugal. O mercado de vinhos (mesmo tendo caído 1.4% em 2011), encontra-se hoje repleto de bons vinhos, qualidade alcançada após a revolução vitivinícola iniciada em finais da década de 80. E embora o vinho do Porto continue a ser o vinho português mais conhecido no mundo, a pouco e pouco os vinhos de mesa foram conquistando o seu lugar ao sol.


A grande virada deu-se em 1986, com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia. Nessa altura a Junta Nacional dos Vinhos foi substituída pelo Instituto da Vinha e do Vinho, um organismo adaptado às estruturas impostas pela nova política do mercado decorrente da adesão de Portugal à Europa.

A par destas situações, ou por isso mesmo, os produtores começaram ter maiores preocupações com o nível da qualidade dos vinhos e uma nova geração de enólogos foi estudar lá fora, regressando com o know-whow (e know-who!) necessários para trabalhar essa nova realidade.

A comunicação também ajudou ... os meios de divulgação e promoção do vinho estão hoje muito mais desenvolvidos e facilitados. Atualmente já não há desculpa para quem queira dar a conhecer o seu vinho. Por outro lado, multiplicam-se as revistas nacionais e internacionais dedicadas a este setor, portais, sites e blogues que também contribuem para o conhecimento do vinho.

Hoje, é difícil não encontrar vinhos de qualidade em todas as regiões vitivinícolas de Portugal. Incluindo as regiões onde se pensa que jamais se conseguiria a façanha de encontrar vinhos de mesa de boa qualidade como, por exemplo, no Algarve ou na ilha do Pico, nos Açores.

Aliás, é no Algarve que se produz o Maria Seleção um excelente tinto orgânico. E a produtora -- Maria Leroux -- explica com lucidez: "para começar, uma distinção que se impõe. Linguisticamente falando, não é o vinho que é orgânico --- porque o que é orgânica, ou biológica (como designam os franceses) é a vinha. Não necessariamente o vinho dela resultante. Ou seja: o que a legislação exige para conceder a “certificação biológica” é que os vinhos sejam produzidos a partir de parreiras sobre as quais não se apliquem agrotóxicos, herbicidas, pesticidas e outras químicas, para combater as pragas ou corrigir o solo".

Ao menos isso!















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