Rio, 20 de maio de 2013. Vinho do Porto: no museu ou com gelo.
Ontem, domingo, terminei a noite sorvendo um vinho do Porto, tinto, da Casa Ferreirinha, fundada pela legendária Dona Antónia,

emblemática vinhateira do Douro que naufragou com o marido num rabelo -- aqueles barcos que carregam as pipas através do rio -- (ele morreu afogado) e ela salvou-se, segundo a lenda, boiando em cima das sete saias. Mas foi uma guerreira. Quando a praga phyloxera atacou as vinhas, ela bancou o sustento dos plantadores até que a praga fosse debelada.
E viveu a vida do seu tempo 85 anos (1811-1896).
Agora, recebo um vídeo do museu do Vinho do Porto, naquela cidade, obviamente. Divido-o com vocês, aqui abaixo.
Deveria ter uma filial em Londres, no mínimo. Porque como dizia o Eça de Queiroz numa das suas "boutades" , todo vinho tinto português -- se pudesse -- seria do Porto. E todo inglês, se pudesse, degustaria um cálice por dia.
E o próprio nome do país (Portucale) deriva da região: "portus" (porto) e "cale", antigo nome de Vila Nova de Gaia.
Mas vamos a ele.
Qual a diferença entre um vinho do Porto e um outro vinho de mesa português?
Primeira: por decreto de 1756, do poderoso Marques de Pombal, só é vinho do Porto aquele feito com uvas proveninentes da região demarcada do Douro;
Segunda: essas uvas, são a Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinto-Cão, Tinta Francisca e mais umas dez, colhidas em fins de setembro, quando começa, então, a vindima;
Terceira, o processo: homens e mulheres vindos de Trás-os-Montes, da Beira e da região vizinha, começam a colher os cachos e levá-los aos tanques de granito -- os lagares -- aonde após um período de repouso os vindimadores vestem calções e mergulham literalmente na grande massa de uvas até a altura das coxas. Tem início, então, a chamada "pisa", o velho método de macerar as cascas com os pés (o pé do galego) sem esmagar os caroços, a fim de liberar as leveduras que vivem nessas cascas e que iniciam imediatamente a sua ação sobre o açúcar, convertendo-o em álcool e anidrido carbônico;
São duas a quatro horas de “dança”, com intervalos de quinze minutos para uma talagada. Esse trabalho é alegre e realizado ao som de canções populares.
Durante a fermentação e separado o vinho da “manta” (resto das cascas), o líquido é colocado em tonéis que seguirão por via férrea ou pelo rio Douro, em barcos chamados rabelos para o armazéns de Vila Nova de Gaia e, de lá, para o mundo.
O vinho do Porto se divide basicamente em dois tipos. O Rubi, um vinho jovem, escuro, que pode ser medianamente ou muito encorpado, e cujo blend varia segundo o estilo de cada Casa.
E o Tawni, que é o Port mais comum. É uma mistura de vinhos de vários anos que conservados em tonéis durante um certo tempo, perdem a cor escura e ganham aquela coloração alaranjada.
Curiosidade: ao contrário do que seria "lógico", o vinho novo é escuro e o envelhecido vai ficando mais claro, repito, alaranjado.
O Porto pode ser dessas cores ou branco, seco e que está na moda para ser apreciado como aperitivo em copos longos, com água tônica e gelo.
Vida que segue: Saúde!

emblemática vinhateira do Douro que naufragou com o marido num rabelo -- aqueles barcos que carregam as pipas através do rio -- (ele morreu afogado) e ela salvou-se, segundo a lenda, boiando em cima das sete saias. Mas foi uma guerreira. Quando a praga phyloxera atacou as vinhas, ela bancou o sustento dos plantadores até que a praga fosse debelada.
E viveu a vida do seu tempo 85 anos (1811-1896).
Agora, recebo um vídeo do museu do Vinho do Porto, naquela cidade, obviamente. Divido-o com vocês, aqui abaixo.
Deveria ter uma filial em Londres, no mínimo. Porque como dizia o Eça de Queiroz numa das suas "boutades" , todo vinho tinto português -- se pudesse -- seria do Porto. E todo inglês, se pudesse, degustaria um cálice por dia.
E o próprio nome do país (Portucale) deriva da região: "portus" (porto) e "cale", antigo nome de Vila Nova de Gaia.
Mas vamos a ele.
Qual a diferença entre um vinho do Porto e um outro vinho de mesa português?
Primeira: por decreto de 1756, do poderoso Marques de Pombal, só é vinho do Porto aquele feito com uvas proveninentes da região demarcada do Douro;
Segunda: essas uvas, são a Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinto-Cão, Tinta Francisca e mais umas dez, colhidas em fins de setembro, quando começa, então, a vindima;
Terceira, o processo: homens e mulheres vindos de Trás-os-Montes, da Beira e da região vizinha, começam a colher os cachos e levá-los aos tanques de granito -- os lagares -- aonde após um período de repouso os vindimadores vestem calções e mergulham literalmente na grande massa de uvas até a altura das coxas. Tem início, então, a chamada "pisa", o velho método de macerar as cascas com os pés (o pé do galego) sem esmagar os caroços, a fim de liberar as leveduras que vivem nessas cascas e que iniciam imediatamente a sua ação sobre o açúcar, convertendo-o em álcool e anidrido carbônico;
São duas a quatro horas de “dança”, com intervalos de quinze minutos para uma talagada. Esse trabalho é alegre e realizado ao som de canções populares.
Durante a fermentação e separado o vinho da “manta” (resto das cascas), o líquido é colocado em tonéis que seguirão por via férrea ou pelo rio Douro, em barcos chamados rabelos para o armazéns de Vila Nova de Gaia e, de lá, para o mundo.
O vinho do Porto se divide basicamente em dois tipos. O Rubi, um vinho jovem, escuro, que pode ser medianamente ou muito encorpado, e cujo blend varia segundo o estilo de cada Casa.
E o Tawni, que é o Port mais comum. É uma mistura de vinhos de vários anos que conservados em tonéis durante um certo tempo, perdem a cor escura e ganham aquela coloração alaranjada.
Curiosidade: ao contrário do que seria "lógico", o vinho novo é escuro e o envelhecido vai ficando mais claro, repito, alaranjado.
O Porto pode ser dessas cores ou branco, seco e que está na moda para ser apreciado como aperitivo em copos longos, com água tônica e gelo.

Vida que segue: Saúde!







