Comentários
Estevam enviou em 27/09/2009 as 21:54:
Belo texto, André. Quem me dera todo mundo seguisse seu exemplo. Infelizmente isso só continua existindo porque as pessoas não páram pra pensar, elas mesmas que alimentam toda a bagunça dessa cidade.
Muitos que dão esmola pra esses "mendigos profisisonais" ganham menos que eles!!!
Minha sugestão: mande esse texto pro povo do Choque de Ordem: queroordem@rio.rj.gov.br !!!! Quem sabe eles começam a combater essa palhaçada inaceitável, que se alastra como fogo nos sinais de trânsito de todo o Rio, não só em Copacabana! EXPLORAÇÃO DE MENOR É CRIME!
Jorge Sampaio enviou em 27/09/2009 as 22:41:
Exploração de menor, pra mim, é um crime do nível da PEDOFILIA. O engraçado é que um é ferozmente combatido, o outro, solenemente ignorado...
Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 98 II:"AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO AOS MENORES SÃO APLICÁVEIS QUANDO OS DIREITOS DAS CRIANÇAS SÃO AMEAÇADOS OU VIOLADOS POR ABUSO DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS". As pessoas que fazem isso, por lei, podem ser presas e perder o pátrio poder.
Quero saber quando eu verei o Poder Público atuando e punindo os salafrários EXPLORADORES... a lei brasileira é solenemente ignorada no Brasil, é impressionante.
Esse povo não mendiga por necessidade: é MENDICÂNCIA PROFISSIONAL. Não querem trabalhar, pois ganham na rua algo entre R$ 3 mil e R$ 6 mil, provavelmente mais, vivendo melhor e ganhando mais do que muitos que dão a esmola a eles. Agora imaginem se todo mundo resolve seguir esse maravilhoso exemplo: a rua não seria suficiente pra tanta gente vagabundando. É isso que querem pra cidade do Rio? Esse é o modelo de sociedade ideal que queremos?
Infelizmente esse é só mais um dos inúmeros abusos que acontecem no Rio. Isso aqui é uma zona total.
Guará Matos enviou em 28/09/2009 as 02:09:
Está feia a coisa, amigo.
É o retrato de uma sociaedade que anda com vendas nos olhos.
Teresa Cristina Vilela enviou em 28/09/2009 as 03:21:
Pois vou lhe contar: há tempos fiz o mesmo. Tomei a mesma decisão, embora, às vezes, tenha uma recaída pensando que talvez a criança leve uma surra ao chegar em casa com pouco ou nenhum. De vez em quando recebia visita de alguém da associação de moradores pedindo dinheiro para Dia das Crianças, Natal, Páscoa e o famoso quilinho de qualquer coisa da despensa. Acabei com esse donativo também. Na região onde moro tem muito emprego: jardineiro, faxineira, piscineiro, pedreiro, oferta para toda sorte de pequenos serviços que não exigem grande especialização. Não creio ser necessário sustentar as crianças pobrinhas, os pais podem fazê-lo se trabalharem. A faxineira que trabalha prá minha mãe diz que ela é uma das poucas mulheres que saem prá trabalhar no local onde mora. Segundo ela, o povo recebe auxílio família e pasme, costumam se inscrever em mais de uma igreja para receber cesta básica. Empregada doméstica que receba um salário mínimo prá trabalhar de segunda a sexta entrou em extinção. Aqui o papo é de RS700 Reais prá cima e, é claro, INSS e passagens; menos que isso estão preferindo o ócio. Olha Balocco, pelo que tenho visto e ouvido tem pouca gente querendo pescar. Joguei pro alto minha educação judaico-cristã e adotei uma postura amorosa, porém procurando usar a sabedoria. Falta pouco prá me aposentar, dei um duro danado, trabalhei em feriados, de madrugada, fiz plantões nos fins de semana,prá dar o meu suado prá gaiato? Pois sim! Abraço.
Marcus Oliveira enviou em 28/09/2009 as 08:55:
Nad a acrescentar ao conteúdo da coluna. Não há nenhum mérito em colaborarmos para manutenção deste estado de coisas. Cabe a nós cidadãos pagarmos os impostos escorchantes que nos empurram goela abaixo e, aos governantes que se elegem com promessas e mais promessas, adotarem medidas que venham se não resolver, pelo menos dar um sentido nas ações de cunho social ou policial, se for o caso, para acabar com esta prática de exploração da miséria de forma profissional.
paulo pedrosa enviou em 28/09/2009 as 09:39:
Esta é uma posição dura mas racional!Atender aos pedintes, além de perpetuá-los na atividade e sustentar seus vícios, retira dos ombros do Estado, em todas as esferas inchado por órgãos de assistência social, a obrigação de trabalhar.É uma pena que as pessoas não entendam que por trás de um gesto de aparente solidariedade, pode estar ocorrendo de fato, a manutenção "ad eternum" das pessoas em condições precárias de vida, além do suporte para a execução de vários crimes.O Migliaccio e alguns leitores não concordam com tal postura e fazem apologia aos "flanelinhas gente boa", talvez tomados por um tipo de síndrome de Estocolmo!É uma pena!Nesse país de faz de conta, confunde-se desordem com solidariedade, legalidade com ditadura, e ideologia com permissividade!Acho que chegamos ao nosso limite como sociedade passiva e leniente, ao colocarmos no poder um despreparado e seus seguidores de mesma estirpe.Em algum momento vamos enxergar que trilhamos o caminho do sucesso fácil mas efêmero, ao invés de alguma coisa mais sólida e duradoura.Os formadores de opinião tem grande responsabilidade nesse processo.Mudar as cabeças retrógradas dessa esquerda de botequim, que raciocina como se estivesse em Sierra Maestra, e que o Brasil é parecido com Cuba, pode levar algum tempo, mas os resultados serão rapidamente sentidos.Mesmo que para eles, tal guinada signifique trabalhar e largar suas "boquinhas"em seus feudos públicos e sindicatos de faz de conta!
MADALENA enviou em 28/09/2009 as 11:41:
OLÁ ANDRE, HAVERÍAMOS DE SABER QUE NOSSA ESMOLA, AJUDOU NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS, AMPAROU VIUVAS DE MENDIGOS, COMPROU CASA PRÓPRIA, PORÉM SE ESSAS NOTICIAS FOREM VEICULADAS, VAI ACABAR A MAMATA. POREM AÍ VAI: FUI CAIXA DO UNIBANCO, TODOS OS DIAS, QUASE AO FECHAR DA AGENCIA, RECEBIAMOS ALGUNS CEGOS QUE ESMOLAVAM DENTRO DOS TRENS DA CENTRAL DO BRASIL NO RJ, PARA DEPOSITAR A FERIA DO DIA EM CADERNETA DE POUPANÇA, O DINHEIRO TODO SUJO AMASSADO, UMA INFINIDADE DE MOEDAS. MUDEI MEU OLHAR, ME SENTI ENGANADA, POREM REFLETI. NÃO É PARA ISSO QUE DAMOS AS ESMOLAS? PARA PROVER A SUBSISTENCIA? SE AS PESSOAS QUE OUVIAM A CANTILENA DESTES CEGOS SOUBESSEM O MONTANTE DEPOSITADO, TALVEZ PEDISSEM DINHEIRO AOS CEGOS, O TEMPO PASSOU, O GOVERNO ATUAL TEM PROGRAMAS DE ASSISTENCIA, TEM BOLSA PRA TUDO, BASTA SE INSCREVER. BASTA MATRICULAR AS CRIANÇAS NAS ESCOLAS. ALGUEM DÚVIDA QUE OS ESPERTINHOS JÁ NÃO SE BENEFICIEM DESTES PROGRAMAS. EM BOTAFOGO, TODOS SABEM QUE OS BEBES SÃO ALUGADOS, PARA FACILITAR O APELO À POPULAÇÃO. POR FAVOR, OLHEM O PÉ DAS MULHERES, GERALMENTE ESTÃO COM AS UNHAS FEITAS. "NÃO SAIBA A SUA MÃO ESQUERDA, OQUE FAZ A SUA MÃO DIREITA". A VERDADE É QUE É COMUM AO CARIOCA FAZER DOAÇÕES, É RECEPTIVO ÀS CAMPANHAS DE SOLIDARIEDADE, TODAS AS RELIGIÕES TEM PROJETOS SOCIAIS, QUE ATUAM NAS COMUNIDADES HA MUITOS ANOS. É PRECISO QUE AS MÃOS SAIBAM OQUE ANDAM FAZENDO COM A CABEÇA DAS PESSOAS. AS MÃOS FORAM FEITAS PARA EXECUTAR TAREFAS, NASCIDAS NA CABEÇA. QUEREMOS MUDAR, PENSEMOS. A PREFEITURA TEM EQUIPES DE ACOLHIMENTO, ELES VÃO E VOLTAM. É PORQUE O AÇUCAREIRO CONTINUA À DISPOSIÇÃO DAS FORMIGAS. VAMOS PARAR DE FORNECER SUPRIMENTOS? A CIDADE DE NOVA PETROPOLIS, NO RIO GRANDE DO SUL TEM NO MÁXIMO, 10 FAMÍLIAS ASSISTIDAS POR BOLSA FAMÍLIA. LÁ TODOS TRABALHAM. A CRIMINALIDADE É QUASE ZERO. FAÇAMOS FILA PARA VISITAR O MEMORIAL DE GETULIO VARGAS, O PALACIO DO CATETE, E DESCOBRIREMOS QUE A CLASSE TRABALHADORA TINHA COMO REPRESENTANTE ALGUEM DA ELITE. GETULIO DEU REPRESENTATIVIDADE AO POBRE BRASILEIRO, NESTE TEMPO ESMOLAR, ROUBAR, SE DROGAR, ERA UMA VERGONHA. O TRABALHO SIMPLES FOI VALORIZADO. NECESSÁRIO. INFERNIZARAM GETULIO ATÉ A MORTE. PARA A SOCIEDADE QUE O AMAVA, DE VINGANÇA, A ELITE FEZ A REFORMA DO ENSINO NA DÉCADA DE 70, ENXUGANDO O CURRICULO ESCOLAR, RETIRANDO O ENSINO DA MÚSICA, FILOSOFIA, TRABALHOS MANUAIS, PARA FORMAR BRASILEIROS SEM CAPACIADE DE ARTICULAÇÃO DE FRASES, QUANTO MAIS POLÍTICA. É FATO QUE O ATUAL PRESIDENTE. UM SER HUMANO, TEM SUAS FALHAS. AO CONTRÁRIO DE GETÚLIO É FILHO DAS CLASSES MAIS SIMPLES. O QUE TORNA COMPREENSIVEL A PERSIGUIÇÃO CONTRA ELE E GETULIO VARGAS. AMBOS PRIORIZARAM OS PROGRAMAS DE ENFRENTAMENTO DA POBREZA. A SOCIEDADE PRECISA ABRAÇAR ESTES PROGRAMAS, ASSIM COMO FAZEM OS VOLUNTARIOS QUE SUPERAM OS MEDOS E LUTAM POR TODA SOCIEDADE, JUSTAMENTE PARA VIVERMOS EM PAZ COM NOSSAS CRENÇAS. E DESFRUTARMOS OS BENS DE CONSUMO, SEM CULPA. SE OS PRODUZIMOS É PARA O NOSSO CONSUMO. HA MUITA COISA PARA SER REVISTA, UMA DELAS É A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NAS RELIGIÕES. ELAS SÃO SEM SOMBRA DE DÚVIDA, AS VÍTIMAS DE CUSTUMES MACHISTAS, SÃO SEGREGADAS, E MANTIDAS LONGE DAS FUNÇÕES DE COMANDO. REFEM DE IDEOLOGIAS QUE AS IDIOTIZAM, E AS IMPEDEM, ATRAVES DO PRECONCEITO, DE SE POSICIONAREM, ATUALIZAREM A LINGUAGEM DAS RELIGIÕES, AINDA BUSCAM NA FIGURA MASCULINA, E NÃO PELO APRIMORAMENTO INDIVIDUAL, A APROXIMAÇÃO COM DEUS. PRECISAMOS ACORDAR PARA ENGANOS HISTORICOS. VIVER E AGIR DE FORMA ADULTA E CONSCIENTE. GETULIO VARGAS PAGOU O PREÇO, POR ACREDITAR QUE SERÍAMOS CAPAZES DE VIVER UMA VIDA MAIS DIGNA E JUSTA. E VÍVIAMOS, APESAR DAS BORRACHADAS NAS COSTAS, MUITAS VEZES ORDENADAS POR ELE MESMO, PRECISAMOS RESGATAR VALORES FUNDAMENTAIS DO SER HUMANO. DAR E RECEBER ESMOLA PRECISA VOLTAR A SER HUMILHANTE.
andre enviou em 28/09/2009 as 12:06:
Obrigado, estevam, mas não vou mandar o texto pro povo do choque de ordem não. Esta ação é apenas midiática. Ela não resolve nada. Pior. Já esmoreceu. Abs
andre enviou em 28/09/2009 as 12:08:
Jorge, denunciando estes vagabundos, que tiram as crianças das escolas, já fazemos alguma coisa. Abs
andre enviou em 28/09/2009 as 12:09:
É isso aí, Teresa. Nadade dar mole para eles. Nós sabemos o quanto vale o dinheiro depois do suor. Abs
andre enviou em 28/09/2009 as 12:10:
Marcus, temos de votar certo, parar de nos deixarmos levar pro promesasmirabolanets que sabemos, não serão cumpridas. Abs
andre enviou em 28/09/2009 as 12:14:
Paulo, não é bem assim, pois sei que muitos flanelinhas estão realmente trabalhando, ao contrário daqueles que gostam de extorquir dinheiro. Estes são vagabundos. Conheço eu mesmo um flanelinha que se quiserem dar, recebe. E faz exatamente o que o Migliacico narra em sua coluna: fica feliz quando se sente útil. Abs
andre enviou em 28/09/2009 as 12:15:
Madá, o clientelismo é omaior inferno da política brasileira. Vamos dar um basta a isso. Abs
Eliane Dornelles enviou em 28/09/2009 as 12:51:
Amei o seu comentário, desabafo!
Compactuo da mesma opinião.
Também moro em Copacabana e sou jornalista.
O túnel Sá Freire (posto 6) é uma vergonha.
Basta descer e ver uma dúzia deles (crianças e adultos) defecando, dormindo, emporcalhando ruas e calçadas.
Já senti culpa por estar em uma situação melhor, com casa e cama quentinhos. Por religião, amor ao semelhante. Mas basta! Não sinto mais culpa. Não é para sentirmos! Não fugi da escola. Trabalho desde os meus dez anos. A diferença fica por conta de que tive pais decentes.
Mas não é por isso que vou dar esmolas e alimentar o ócio e a mendigaria. Não estaria ajudando em nada, pelo contrário, estaria prejudicando a eles, aos vizitantes e todos os moradores da região, que sofrem com isso.
Quando alguma criança me pedi, com aquela conhecida cara de "vou chorar", algum trocado.
Digo-lle:
Cadê a sua mãe e seu pai?
Porque você está aqui, em horário escolar pedindo comida?
Chama o seu pai ou sua mãe e diga para eles que você quer estudar. Chama lá e fale com eles.
Nós pagamos muito alto em impostos para que vocês estudem e tenham alimentação.
Se você tivesse na escola, que é onde deveria estar, teria alimentação correta, feita por nutricionista, estaria aprendendo, construindo um futuro.
Você tem direito a isso! Continuo dizendo, Vá peça a alguém de sua família para te colocar na escola, estará limpo, terá educação e comida e não pagará nada por isso!
Falo mesmo!
Sua carta eu gostaria de ter escrito.
Eliane Dornelles enviou em 28/09/2009 as 12:58:
Amei o seu comentário, desabafo!
Compactuo da mesma opinião.
Também moro em Copacabana e sou jornalista.
O túnel Sá Freire (posto 6) é uma vergonha.
Basta descer e ver uma dúzia deles (crianças e adultos) defecando, dormindo, emporcalhando ruas e calçadas.
Já senti culpa por estar em uma situação melhor, com casa e cama quentinhos. Por religião, amor ao semelhante. Mas basta! Não sinto mais culpa. Não é para sentirmos! Não fugi da escola. Trabalho desde os meus dez anos. A diferença fica por conta de que tive pais decentes.
Mas não é por isso que vou dar esmolas e alimentar o ócio e a mendigaria. Não estaria ajudando em nada, pelo contrário, estaria prejudicando a eles, aos vizitantes e todos os moradores da região, que sofrem com isso.
Quando alguma criança me pedi, com aquela conhecida cara de "vou chorar", algum trocado.
Digo-lle:
Cadê a sua mãe e seu pai?
Porque você está aqui, em horário escolar pedindo comida?
Chama o seu pai ou sua mãe e diga para eles que você quer estudar. Chama lá e fale com eles.
Nós pagamos muito alto em impostos para que vocês estudem e tenham alimentação.
Se você tivesse na escola, que é onde deveria estar, teria alimentação correta, feita por nutricionista, estaria aprendendo, construindo um futuro.
Você tem direito a isso! Continuo dizendo, Vá peça a alguém de sua família para te colocar na escola, estará limpo, terá educação e comida e não pagará nada por isso!
Falo mesmo!
Sua carta eu gostaria de ter escrito.
Ana Carneiro enviou em 28/09/2009 as 15:06:
Também concordo que não devemos dar o peixe, mas a vara de pescar e ainda ensina-la a usar. Raramente ainda dou esmolas, quando percebo a cara de fome da pessoa. Mas não dou a crianças. A elas ofereço uma refeição e tem que ser comida na minha frente. Já tentei presentear crianças pedintes com brinquedos no Natal e me arrependi amargamente, mesmo tendo sido prevenida por minha mãe tantas vezes de que as coisas não eram tão coloridas assim. O "me dá um dinheiro" era a resposta comum ao presente. O problema é antigo... minha mãe chegou ao Brasil em 1963 e levava consigo o hábito da caridade. Assim, conforme crescíamos guardava as roupas que ficavam apertadas (todas muito bem tratadas) para doar. Tentou algumas vezes ir doar no Convento de Santo Antônio. Em todas as tentativas, quase foi surrada pelos pedintes que exigiam para si o que ela tinha a dar. Lógico que ela desistiu e passou a doar apenas aos abrigos de deficientes que ela conhecia. Hoje em Portugal, penso que ela passaria por situação semelhante, infelizmente. Também aqui já se observam comportamentos semelhantes.
Mas há uma frase que me ouvi tempos atrás e que marcou muito, cujo autor(a) já não me recordo quem era: "mais difícil que tirar as crianças e os jovens da rua é tirar a rua de dentro delas". Nós fomos habituados a seguir regras, horários, costumes, procedimentos. Quem não foi acostumado desde cedo, terá dificuldade em se acostumar. Claro, não vamos achar aqui que o problema é irremediável. Não é. Mas não é tão simples de resolver quanto parar de dar esmolas ou tirar as pessoas da rua. Pior ainda, com a proximidade do tráfico de drogas, essa luta é ainda mais difícil, porque o dinheiro é o que move o mundo.
O povo precisa de educação de base, muito boa educação. Educação a sério. Se possível, com atividades-extra que ajudem a construir um ser humano saudável mental e emocionalmente, como esportes, música, dança, xadrez, meditação.
E a sociedade tem que revalorizar as profissões hoje consideradas menos nobres. Sim, costumamos dizer que fulano ou beltrano podia ser faxineiro, jardineiro, lixeiro etc. Mas que valor damos a quem é? Será que se ficássemos desempregados aceitaríamos tais profissões? Parece que hoje só vale quem tem "canudo", quando o que o país precisa é de mão-de-obra com nível primário e secundário para ajudar a mover a máquina. Não é o engenheiro quem assenta o tijolo, é o peão. E um peão bem preparado para a alvenaria, vale ouro.
Poucos são os exemplos contrários. Um deles, de sucesso, posso citar: o trabalho feito com os garis da Comlurb. Procurem saber, vale a pena. Trabalhadores de serviços considerados popularmente "sujos" ou "mal cheirosos" como os garis e os encanadores de esgotos são normalmente desprezados até pelos colegas de corporação. Justamente por trabalharem com coisas "sujas". O resultado é que muitos caem no alcoolismo e nas drogas, por baixíssima auto-estima. A Comlurb conseguiu reverter isso brilhantemente, e hoje temos figuras como o Gari Simpatia, figura representativa do melhor do nosso Rio. Temos até Miss Gari, aliás belíssimas.
Nobre é todo e qualquer trabalho honesto.
Aqui na Europa, infelizmente, vamos pelo mesmo caminho... o europeu médio também já não aceita "qualquer trabalho"... então resta aos imigrantes executar as tarefas "menos nobres"... e ganhar dinheiro. O galho é que eles continuam sendo visto como inferiores, e cada vez mais como um problema, porque "tomam" o emprego dos nativos. E foram os nativos que começaram a importar estrangeiros para ter uma mão-de-obra baratinha. Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
Cabe a cada um de nós saber o que os políticos que elegemos andam fazendo por aí... e cobrar, cobrar continuamente o que cada um faz. Enquanto não fizermos isso, pouco poderemos fazer para mudar a situação. Sou a favor de escrevermos continuamente aos eleitos que cumpram suas promessas... ou que façam coisas efetivamente importantes para mudar a situação.
Mauro Pires de Amorim enviou em 28/09/2009 as 18:39:
Concordo com você André, principalmente por ser mais um formiguinha nessa imensa sociedade, ou simplesmente um número a mais na multidão. É assim que me sinto enquanto cidadão. Mas estou cansado de tanta incompetência e descaso por parte das autoridades brasileiras. Quer um exemplo? Pois bem, a CTPS (carteira de trabalho e previdência social). Serve para registrar os contratos de trabalho e para a aposentadoria, previdência social e seguro desemprego, o ministério deveria ser único, a oferecer balcões de emprego, onde os profissionais pudessem se inscrever e oferecer seus serviços, fossem autônomos ou profissionais a fim de procurar emprego. Que o setor de RH (recursos humanos) das empresas consultassem e que houvesse uma ficha, tipo um “curriculum vitae”, que fosse preenchido pelo profissional que oferece seus serviços, de modo que estabelecesse contatos (seja por correios, e-mail e telefone) a fim de ser chamado para concorrer a vagas em empresas ou prestar serviço como autônomo. Tudo visando levar cidadania e oportunidade, respaldado pelo “Ministério do Trabalho e Previdência Social” e ainda com a garantia do banco de dados do ministério ter o RG (identidade), CPF, CTPS, endereço, telefone, e-mail do candidato/profissional. Sabe onde é assim? Nos EUA, Europa, Rússia, China, enfim, países que não chegaram a ser superpotências por acaso, simplesmente baseados nas crendices messiânicas, patriotadas e politicagens de seus líderes.
andre enviou em 28/09/2009 as 22:43:
Mauro, não dá para desistir. Sabe a parábola do elefante e do beija-flor? O elefante ria do beija flor em meio ao incendio na floresta, e não ajudava. Mas o beija ia lá com seu biqunho e fazia sua parte. Temos que continuar...
Arnaldo Pissiali enviou em 29/09/2009 as 09:31:
Você não endureceu não. Se todos deixassem de alimentar esses profisosinasi da miséria, comprar em camelô etc, a cidade melhoraria muito. Há ainda a má educação da população que joga papel no chão e lixo na rua. Mas há também a ineficiência do Estado como um todo: Prefeitura e Estado.
Eu também não dou nada e não compro em camelô.
abraço
Arnaldo
Guará Matos enviou em 29/09/2009 as 10:38:
Se é para protestar, vamos nessa! Concordo que os moradores de rua, ou mendigos, como queiram, emporcalham os "bairros chiques" do Rio. "Aquele monte de gente caida pelas calçadas, que absurdo com o visual desses bairros, nossa"! E o que vamos dizer para os turistas que nos visitam! Em Copacabana, Ipanema, Leblon, Gávea, São Conrado, Barra, Urca e afins, não pode! A indignação dos da ZONA Sul é de "sensibilizar" até a alma mais fria, meu Deus!!!!!
Mas e os traficantes que vivem dia e noite zanzando pelas ruas, portas de colégios, boates, barzinhos e muitos deles até se relacionam com muitos filhos dessas pessoas "bacanas e indgnadas", não se protesta? E aquelas passeatas a favor da maconha e etc, que contam com a participação de muita "gente boa", dizem até com a liderança de alguns políticos, não se protesta? E os pegas que as vezes rolam na madrugada, também não se fala nada! Ué, por quê? E o festival de violência promovida por viciados e moleques mal educados pelos papais e mamães, também não se diz nada!
Sabe eu acredito que a sociedade metida a eleite, ama se fazer de vilipendiada, de invadida e "otras cozitas mas". a Zonas Norte, Oeste (Barra, não. É chique) e Leopoldina, convivem com o descaso e o que elite não quer perto dela. Não estou aqui concordando com o "calvário" que passa os da sul, entretanto....vamos falar sério!
Mauro Pires de Amorim enviou em 29/09/2009 as 11:23:
Acredito que todo cidadão saudável quer participar e fazer sua parte, mas o que sinto são os políticos e partidos políticos afastados da cidadania, unicamente preocupados com seus egos e aspirações pessoais, embora não declarem isso abertamente, mas isso acaba sendo declarado ao longo do passar do tempo, pelos anos e décadas afora, na medida em que as providências não são tomadas ou quando são tomadas, ocorrem unicamente porque o político ou partido político vislumbra a possibilidade de reeleição ou de fazer o(a) sucessor(a). Quanto aqueles que estão na oposição, ficam enciumados, movidos por seus egos e procuram “azedar” os projetos que seriam considerados de relevância, principalmente social, caso estivessem no poder, principalmente depois que os partidos políticos passaram a dar relevância aos publicitários(as) em função de seu trânsito junto aos órgãos de mídia, as campanhas políticas ficaram mais afastadas do povo e da cidadania e ficaram técnicas e burocráticas para formatação nas mídias. Mas tudo se trata da questão de egos e egoísmos político-partidários, mesquinharia mesmo e não questão de ética no sentido de atender e realizar as prioridades e anseios da sociedade brasileira para encaminhar este país rumo à arrancada do desenvolvimento sócio-econômico.
roberto ferreira enviou em 29/09/2009 as 11:35:
André, Parabéns pela coragem em levantar essa lebre, sou morador do bairro de Realengo, pela proximidades estou sempre em bangu, onde faço minhas compras ,como também procuro de alguma forma um lazer, e ultimamente tenho obseervado o crescimento de meninos e meninas no calçadão da Rua Cônego de vasconcelos vendendo balas ou pedindo dinheiro as pessoas, uns dias desses fiquei intrigado com a grande quantidade de crianças e procurei prestar atenção, ví sentado algumas senhoras e jovens , em uma mesa naquele local e de vez em quando as crianças vinham reportá-las levando dinheiro e apanhando mercadorias para continuar a labuta e notei que quando algum reclamava que estava cansado,por ser naquele momento ao entardecer, eram repreendidos por aquelas senhoras , obrigandos a continuar o trabalho. Isso é uma tremenda covardia. Pergunto Cadê os conselhos tutelares da nossa cidade, que na maioria existem para da sustenção políticas a parlamentares, onde está o juizado de menores e a Delegacia da infancia e adolescencia, a guarda municipal e a PMERJ que faz o policiamento ostensivo, resumo: Ninguém faz nada para mudar.
Contribuinte enviou em 29/09/2009 as 12:42:
EXCELENTE O ARTIGO!!! Melhores ainda foram muitos dos comentários. Parabéns ao JB!
Concordo e não dou esmola de jeito nenhum, há muitos anos.
Sabe-se que a grande maioria dos mendigos nas ruas do Rio são profissionais. Muitos deles só chegam nos finais de semana, diretamente às ruas da Zona Sul, pra faturar o que a maioria dos trabalhadores não recebe por mês. Grande parte deles se posicionam estrategicamente junto às portas de Igrejas, já contando com a 'generosidade' dos fiéis; tornando nossas ruas albergues a céu aberto, onde poucos moradores são obrigados a bancar um IPTU altíssimo e ainda conviver com o caos, enquanto muitos (até de fora da cidade e do estado) chegam para fazer das ruas do Rio a bandalha que querem e bem entendem, sem nunca serem incomodados.
andre enviou em 29/09/2009 as 22:20:
Contribuinte, vc também já percebeu a realidade...Aqui em Curitiba, a prefeitura espalhou várias placas com os seguntes dizeres.
Criança não precisa de esmola. Precisa de futuro.
Muito legal, né?
andre enviou em 29/09/2009 as 22:21:
Poisé, Roberto. E dizem que estas coisas só ocorrem na Zona Sul. Estes VAGABUNDOS estão espalhados feito praga por toda a cidade e só existem porque nós damos dinheiro a eles. Cortem a esmola e veja o que vai acontecer.
PS: E o nosso Bangu, volta ou não volta a ser um bom time de futebol?
andre enviou em 29/09/2009 as 22:23:
Mauro, vou na mesma linha. A gente não ode ficar de braços cruzados por causa do mau caratismo dos políticos. Nós os elegemos! Abs
andre enviou em 29/09/2009 as 22:24:
Arnaldo, por falar em jogar lixo no chão e nas ruas, você precisa ver como Curitiba é super-limpa. E tem menos latas de lixo do que o Rio! É questão de educação. Precisamos de uma campanha educativa. Abs
Suely enviou em 29/09/2009 as 23:11:
Eu nunca fui adepta de alimentar pedintes.Isso não é falta de caridade ,pois doo sempre para instituições ,que fazem trabalho sério.Moro no Méier e quase fui agredida pela "Galera da passagem de onibus" São adultos,idosos, gravidas e dizem precisar de R$ para pagar ônibus pq vieram p o hospital municipal da região.existem mts mendigos a partir das 20 hs ,já arrumando suas tendas de papelão.Se há choque de ordem na zona sul o grupo cresce...Fica difícil andar na rua.Será que não existem prédios possíveis no Rj p/ abrigá-los à noite? E as instituições de caridade que ofertam sopas e outros benefícios não poderiam fazer isso nos abrigos?Ainda que seja dificil tirar a rua de dentro dessas pessoas, elas precisam de atenção ,triagem e encaminhamento p volta a origem, passagem em caso de trabalharem e não poderem retornar tds os dias , cuidados ´pois mt são egressos de asilamentos hospitalares que ficam pelas ruas,mts já envelhecem...São seres humanos e tem que ser ajudados ,porém não podemos pagar o preço das ruas ainda mais inseguras, das calçadas e muros sujos de fezes e urina...Onde estão os direitos humanos e politicos que não determinam uma politica eficaz para dar conta dessa enorme população.Não as Esmolas ....Unidos acabaremos com o hábito nocivo!!!!!!!
Ricardo Fernandes enviou em 30/09/2009 as 06:00:
O pior de tuto é ver na televisao o governador e o prefeito cantarolando pelas olimpiadas de 2016, enquanto a moça que levou uma pedrada na cabeça esta internada em um hospital em estado critico. Isto numa via em que somos extorquidos por mais um pedágio. Isto é uma coisa tão absurda que parece mentira. mas no Rio de Janeiro, cidade dita maravilhosa é rotina. A sujeira aqui é fichinha.
Contribuinte enviou em 30/09/2009 as 14:08:
André, pena que aqui no Rio os poderes públicos nunca fazem campanhas como essa aí, de Curitiba. Seria um dinheiro bem aplicado!
Suely, existem albergues da Prefeitura, mas os mendigos profissionais NÃO querem ser removidos pra elas de jeito nenhum! Senão deixam de ganhar o salário fácil que conseguem nas ruas da cidade. Isso é confirmado pelos próprios Assistentes Sociais, quando reclamamos do assunto 'População de Rua' pela Ouvidoria da Prefeitura. Mesmo assim, nunca desisto em enviar reclamação.
Fernando William enviou em 30/09/2009 as 16:36:
Prezado Andre,
Foi com muita felicidade que li o depoimento postado por você, no último dia 27, sob o título “A miséria profissional nas ruas do Rio”. A sua atitude, a de não dar esmolas às crianças e adolescentes que pedem nas ruas, é merecedora de elogios e deveria ser seguida por todos. A mudança dessa realidade não se realiza por intermédio de esmolas, mas sim na ajuda a órgãos e entidades que fazem um trabalho sério nesse campo.
Nesse sentido, citamos aqui o trabalho de acolhimento desenvolvido pelas equipes de abordagem da Secretaria Municipal de Assistência Social junto à população de rua. Nossos abrigos, que recebem diariamente crianças, adolescentes, adultos e idosos, necessitam, e muito, de toda ajuda possível. Neles existem a concreta possibilidade de uma mudança nessa realidade, com o resgate da cidadania; já esmola, por mais bem intencionada que seja, perpetua esse estado de coisa. E a miséria passa a ser um "modo de vida".
Mas os malefícios não param por aí. Dados reunidos recentemente pelas equipes de abordagem indicam que mais de 90% destes meninos e meninas são dependentes químicos. Em sua maioria, viciados nesta tragédia que é o crack. Por isso, podemos afirmar que a maior parte da solidariedade voltada aos mesmos, em forma de dinheiro, é transformada automaticamente em consumo de drogas.
Desde o início da atual gestão, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) não tem medido esforços para combater o crescimento do crack e reforçar o atendimento às crianças e adolescentes em situação de abandono nas ruas. Em março, o Prefeito Eduardo Paes criou o Comitê de Combate ao Crack e à Prostituição Infantil. A iniciativa vem reunindo representantes de todas as esferas governamentais, do judiciário e da sociedade civil para discussões a respeito de novas ações sobre o tema.
Nossa ação mais recente para o enfrentamento às drogas foi publicada hoje, dia 30, no Diário Oficial do município. Por meio de edital, estamos convocando ONGs interessadas em participarem da Execução do Programa de Atenção Especializada à Criança e ao Adolescente Usuário de Substâncias Psicoativas, em particular o “Crack”. Serão oferecidas 60 (sessenta) vagas para crianças e adolescentes, sendo 40 (quarenta) do sexo masculino e 20 (vinte) do sexo feminino. O programa prevê a implementação de uma rede de assistência integrada e intersetorial, pública e privada às crianças e adolescentes com transtornos decorrentes do consumo de substâncias psicoativas.
Enfim, acreditamos que todo esse movimento organizado pelo governo precisa do respaldo e auxílio da sociedade. Tenho convicção de que atitudes como a sua podem fazer toda a diferença na vida e no futuro destes jovens.
Fernando William
Secretário Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro
andre enviou em 30/09/2009 as 16:58:
Secretário Fernando Wilian, é uma honra ter o senhor como leitor deste blog. Conheço seu trabalho da época em que editava o Cidade do JB e sei de suas boas intenções. Estou à sua disposição para ajuda-lo. Um abraço
andre enviou em 30/09/2009 as 17:28:
Contribuinte, os moradores de rua não querem os albergues porque nas ruas eles podem beber e conseguem dinheiro dado or nós. Vamos fechar esta torneira!
andre enviou em 30/09/2009 as 17:29:
Ricardo, tenho certeza que vai ser bom termos os jogos olímicos aqui. Vai gerar grana e investimentos. Pode ser a grande virada, mesmo com os polpiticos...
andre enviou em 30/09/2009 as 17:30:
Sueli, o secretário fernando wilian tem um post aqui. Dá uma loida nele e veja se está satisfeita. Se não, vamos pedir mais.É nosso direito!
Vera Argyros enviou em 01/10/2009 as 14:12:
Não é só em Curitiba. Florianópolis e Vitória também são exemplos.
No estado do Rio - Petrópolis, por ex. - dá de 10 a zero no Rio. Lá o trânsito é muito tumultuado devido às ruas estreitas, mas a educação... nossa, todos tem paciência para a manobra do carro que está na frente, para o pedestre passar, para o sinal abrir, evitam parar nos cruzamentos, não jogam lixo na rua... buzina? Só para espantar algum bicho que resolve atravessar fora de hora, ou nem isso... Passei três dias seguidos lá e não ouvi nenhuma buzina!
Falta educação de qualidade, para se exigir e se ter cidadania de verdade.
Contribuinte enviou em 07/10/2009 as 10:18:
Achei ótimo o comentário postado aqui por Fernando William (Secretário Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro)!
É bom saber que ele se interessa em esclarecer a população a respeito do problema. Campanhas para isso (a exemplo das já citadas aqui, em cidades do Sul do país e até no nosso Estado) seriam muito bem-vindas aqui na cidade do Rio!