Arquivo de June 2010
29/06/2010 - 07:41 | Enviado por: Andre Balocco
Pedir desculpas não é para qualquer um. Num mundo globalizado, em que o egocentrismo dita o rumo da prosa, literalmente, o ato de grandiosidade humana é visto com desconfiança, enxergado como um pedido de desespero, algo reservado exclusivamente aos fracos. Pelo menos é isso o que nos vende aindústria cultural...
Coitados dos que pensam assim. Há milênios, Jesus Cristo deu, literalmente, a cara a tapa. A metáfora da outra face é um ensinamento fantástico, que expõe a capacidade de amar Dele, que deixa explícita a verdadeira mensagem, o princípio básico do Cristianismo. "Amaivo-s uns aos outros", disse Jesus.
Por isso agradeço a Dunga por reconhecer o erro. Sim, o gaúcho teve uma atitude de homem e pediu desculpas ao torcedor brasileiro por conta de seus destemperos naquele domingo. Percebeu, na grandiosidade, que o homem comum, aquele que gosta de saber sobre sua seleção, que precisa saber quem vai jogar para continuar sorrindo no massacrante dia a dia, não merece desfocar sua alegria por conta de problemas pessoais do treinador. Não merece que o ódio seja acendido em seu coração.
Foi grandioso de sua parte, Dunga, porque traduziu o homem de origem simples que você é.
Foi grandioso de sua parte, Dunga, porque percebeu que a sua briga não era nem um pouco importante para aquele torcedor que só quer estar bem informado.
Foi grandioso porque com esta atitude, você, talvez o homem mais poderoso deste país durante a Copa do Mundo, reconheceu o erro de expor seus problemas.
Sim, porque a patada que você deu no Alex Escobar diante das câmeras de TV, independentemente de ter ou não razão, cheirou a arrogância. E com o pedido de desculpas, redimiu-se, mostrando a nós, pobres mortais, que é possível ser humilde em meio a à arrogância, inclusive, e principalmente, de amigos e inimigos.
Portanto, obrigado Dunga. Que Deus nos acompanhe até 11 de julho.
22/06/2010 - 14:13 | Enviado por: Andre Balocco
Muito ódio nas opiniões favoráveis a Dunga, muito rancor maniqueísta do tipo "vocês sifu", numa referência à imprensa. Não sou santo, pois ninguém me chama de 'Vossa Excelência', mas me orgulho de participar de uma mídia que ajudou a derrubar a última ditadura militar e que denuncia os desmandos dos nossos homens públicos - entre eles o presidente da CBF e o técnico da Seleção, se for o caso. Afinal, a Justiça no Brasil é reconhecidamente falha no cumprimento de suas funções. E a mídia acaba se arvorando a este papel, muitas vezes estimulada pela própria população, que liga para as redações pedindo, literalmente, socorro.
Obrigado pelas opiniões, obrigado pela compreensão, obrigado para os que disseram não e grato aos que me alertaram sobre a (sutil) tentativa de monopólio da Globo.
Mas o ódio à Globo não deve ser misturado com falta de educação. Dunga deve sair do varejo e não confundir o dono da empresa com seus empregados. Ele está numa imensa engrenagem e não pode querer se fazer de bonzinho. Espero mesmo que fique mais calmo e não continue se mostrando desequilibrado, como me pareceu neste episódio.
Agora, com a licença de meus companheiros do blog 'Clube dos 4', uma pequena demonstração de como Dunga sabe que está numa imensa engrenagem. Afinal, não é de hoje que ele é o 'Número 1'
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Abs
21/06/2010 - 07:53 | Enviado por: Andre Balocco
Que me desculpem os leitores, por conta do evidente exercício de corporativismo, mas o técnico Dunga desta vez foi longe demais. Longe demais ao deixar de lado a boa educação, o cavalheirismo e, antes de tudo, a compaixão, personificados nos insultos dirigidos a Alex Escobar durante a coletiva depois da vitória sobre Costa do Marfim. Chamar o cara de 'cagão' bem baixinho, sem que ele pudesse ouvir, foi de uma covardia imensa. Se continuar investindo na raiva e no rancor em sua relação com os jornalistas, sofrerá. Sofrerá porque não é possível a raiva e o rancor vencerem na vida. Sofrerá espiritualmente...
O técnico parece que ainda não percebeu que ele próprio é fruto de uma reportagem. Não percebeu ainda que depende dos jornalistas, de maneira figadal, para ser quem é - o Dunga, o velho e bom capitão do tetra, o homem que coomanda nossa seleção rumo ao hexacampeonato.
Sim, parece não perceber que a imprensa esportiva constrói e destrói mitos, faz parte desta engrenagem que enche seus bolsos (de Dunga, deixemos claro) de dinheiro. Dunga não seria o milionário que hoje é, o homem de sucesso que hoje é, se não houvesse imprensa. A imprensa infla o personagem, o vende em papel ou em plataformas digitais, e o público consome. É uma roda que não para de girar, que precisa de notícias e que faz as notícias.
A SELEÇÃO BRASILEIRA NÃO É SUA, DUNGA!
O técnico precisa entender que o tiime que ele dirige não é o time de Dunga. É o time do Brasil, que faz Severinos, Francisco, Friedenreiches e Hans da vida se unirem em torno do manto amarelo.
Se ser jornalista fosse apenas um exercício de dizer sim, estaríamos todos perdidos. Pois a imprensa, devido à ausência dos poderes públicos no Brasil, ganhou status de quarto poder, se transformou uma espécie de Justiça, que denuncia as irregularidades, que opina, que se expõe - verdade que em muitas situações, os donos da mídia, e não os seus representantes, nos impõem pautas favoráveis a este ou aquele personagem.
Portanto, Dunga, desconfie daqueles jornalistas que vivem adulando o amigo. Estes quase nunca são sinceros em suas críticas, quase nunca querem vê-lo evoluir - como treinador ou como ser humano. Geralmente, estes são os que irão apunhala-lo pelas costas - de preferência, em busca de outro objeto de adulação.
Bom dia!
17/06/2010 - 23:36 | Enviado por: Andre Balocco
Se nos gramados a Copa anda meio enjoada, exceção a um ou outro joguinho mixuruca, fora deles brilha a estrela de Diego Armando Maradona. Além de ter sido craque com a bola nos pés, está se mostrando um fenômeno ao abrir a boca. Gosto muito da sinceridade de Maradona, da sua forma de falar o que pensa sem se importar com o que vão falar dele. É inevitável a comparação com o jeito sisudo de Dunga. Maradona é a cara do futebol arte que sempre praticou em campo.
Maradona é um homem de quem se pode falar tudo, menos que ele é desonesto. Dom Diego veio das trevas da dependência química, do vício em cocaína, e nem assim se deixou calar. Sua sinceridade me comove. Diego mostra que todos os viciados do Mundo, seja em álcool, seja em outras drogas, podem entrar em recuperação, podem voltar a viver e, melhor, vencer. Na verdade, continuar vencendo não é a palavra correta. É renascer mesmo. Maradona renasceu das trevas. E logo ele, que esteve à beira da morte por conta de seu terrível vício em pó por diversas ocasiões! É um homem a quem admiro profundamente. É marrento, mas paga o preço por isso, assume isto. Ele sabe até onde pode ir. Não tem medo, não fala as coisas pelas costas, não diz uma coisa pela frente e sorri para depois desdizer o que disse - pelas costas.
Como se não bastasse sua sinceridade que incomoda, tão rascante que é diante de um mundo desonesto, Maradona ainda presenteia a nós, como técnico de futebol, com a ousadia dentro do campo. Hoje, a seleção argentina é exatamente uma seleção, ou seja, a escolha do que há de melhor para representar o seu país. Ao contrário de Dunga, Diego trouxe para a África do Sul o que tinha de melhor. Pode ter cometido um ou outro erro, mas a cada jogo que passa, vejo a beleza da evolução argentina em campo.
Ídolo de um país um tanto quanto decadente, Diego se mete na política, cochicha com Fidel Castro, recebe as mães (agora avós) da Praça de Maio, opina sobre o destino da bela Argentina e, por que não, do planeta, tatua Che Guevara no braço. A Fifa vai ter de aturar...
Por isso e por tudo o mais, obrigado Maradona. Continue sendo este homem sincero e honesto que você é - mesmo com todos os seus defeitos, que você não esconde. Sou mais seu jeito de ser, sou mais você do que os políticos de Brasília, que nos dão bom dia com uma mão e com a outra....bem, não vou escrever, pois tenho medo de ser processado. Afinal, ainda sei qual é o meu real tamanho e não estou disposto a pagar este preço.
Para concluir, pense rápido o que é melhor:
Don Diego falando o que pensa sobre tudo e todos, trabalhando honestamente, ou o ex-governador de Brasília jurando que não cometeu nenhum ilícito?
PS: Além de tudo isso, Maradona é um bom pai. Ele ama de verdade seus filhos!
Em quem você confiaria?
17/06/2010 - 09:53 | Enviado por: Andre Balocco
Esta campanha contra o Galvão Bueno na internet, o tal de ~Cala a Boca, Galvão", é uma grande, uma imensa bobagem. No fundo, é movida por inveja, já que Galvão é, disparado, o melhor narrador esportivo do país que trabalha em TV. E já não é de hoje que ele usa estes erres para marcar seu trabalho. Me lembro de Galvão na Band, quando ainda não era 'paulista' de coração como hoje, e percebia claramente que a emoção em suas palavras empolgava a quem assistia futebol - eu, então um garoto apaixonado pelo Flamengo de Zico e Cia, adorava vê-lo. Quem é contra Galvão Bueno deve dar argumentos que não o da necessidade de aparecer. Indiquem um único nome, na TV atual, que seja melhor do que ele. Um único nome, eu disse! Não há. Galvão é disparado o melhor. O RRRRRonaldinho, o ERRRRRgue o braço e outros bordões já entraram para a história da TV brasileira, para o imaginário nacional. Galvão é bom na Band, na Globo ou na Record.
Se você não gosta do Galvão Bueno, tenho uma solução a lhe oferecer. Pegue o controle remoto que está aí perto e digite o número de outra estação. Pronto, 'seus pobrema se acabaram-se'. Agora deixem o Galvão em paz. Ele veio de baixo, galgou seu espaço e merece estar onde está. O resto é inveja desmedida.
Parem de encher o saco do Galvão!
PS: Galvão, vê se me arruma um emprego aí depois desta, tá?
Abs
16/06/2010 - 08:13 | Enviado por: Andre Balocco
Amo o futebol. Não deixarei nunca de admirar este esporte, que aprendi a gostar de pequeno. Mas numa boa, há um exagero imenso na mídia televisiva em relação à Seleção Brasileira. Nosso time é um time como outro qualquer e só quem é bobo não percebe que a seleção brasileira é, hoje, uma máquina de fazer dinheiro. Nem tanto pelos amistosos caça-níqueis como os que fizemos contra Tanzânia e sei que outro país e muito mais pela máquina publicitáruia que roda em torno da marca. SAbsurdo a CBF mover centenas de ações por conta do uso da marca Brasil durante a Copa. Chega a soar ridículo a entidade, obscura sim senhior, processando a Caixa Econômica Fedeeral por utilizar a Copa do Mundo para atrair clientes.
Porém, o que mais me revolta é o sangramento do uniforme brasileiro. Um uniforme escuro apenas para destacar a marca de um banco privado é ridículo. Um verdadeiro estupro. Uniforme ecuro de uma seleção que sempre usou cores abertas, comio amarelo, verde e azul, é pífio. PÍFIO.
Na TV, é um tal de tomar cerveja pra cá, tomar cerveja pra lá, que meu saco está inchado. Se eu me deixasse levar pela propaganda, encheria a cara ontem, na vitória magra por 2 a 1 sobre os amadores da Coreia do Norte. Eu encheria, porque não enchi, ao contrário de milhares de cariocas que encontraram um motivo para chutar o pau da barraca, meterem o pé na jaca, etc, em plena terça-feira. Ridículo.
A Brahma vai ter de mudar urgentemente seu anúncio em que Luiz Fabiano aparece amarrado pelas raízes no gramado. Aquele mesmo em que a bola pesa, vira uma pedra.
Numa boa: guerreiro não bebe. Guerreiro aceita a vida como ela é.
Jogador de futebol que enche a cara e não treina acaba no Flamengo - ou no Roma - e longe da Copa do Mundo.
Bom dia
13/06/2010 - 12:53 | Enviado por: Andre Balocco
Vai chegar o dia, e ele não tarda, em que nós, heterossexuais assumidos, teremos de esconder de nossa opção sexual, temendo ser ridicularizado. Bem, a previsão acima é irônica, mas guarda um que de realidade. A se julgar pela fanfarronice na mídia, pela graça com que o tema gay é abordado, dentro em breve vamos ser a minoria. Afinal, nós, homens, estamos cada vez mais acuados pela graça de ser diferente. Na verdade, este manifesto (?) é pelo orgulho masculino.
Já imaginaram uma 'Parada do Orgulho Macho'? Será esta parada capaz de reunir um milhão de pessoas, como a 'deles'? E se os heterossexuais, homens que gostam de mulheres e mulheres que gostam de homens, decidirem subir num carro destes de trio elétrico usados nas paradas gays para exibirem reafirmarem sua sexualidade nas avenidas Atlântica e Paulista?
Acredito, sinceramente, que serão atacados, massacrados e chamados de reacionários. Provavelmente serão acusados de apologia da violência contra os homossexuais (estes, na verdade, são homossexuais enrustidos). Mas se os gays podem exibir seu orgulho em tangas minúsculas, seios (de silicone) para fora, mostrando a língua ao verem um homem no asfalto, mesmo que ele esteja acompanhado de crianças, como eu já testemunhei, por que nós não podemos?
Hoje em dia, ser homem de verdade não é fácil. As mulheres, depois de queimarem o sutiã na década de 60, estão cada vez mais autoritárias, controladoras, dominadoras. E não gostam muito de homens sensíveis. Estes, invariavelmente, não entram nas rodinhas da meninas, que falam da pegada' de fulano, do braço de Sicrano, do peito de Beltrano etc. E nós, eu neste caso, ficamos meio que perdidos. Minha sensibilidade já não é sucesso entre quatro paredes... Há que se equilibrar o sentimento com a tal da 'pegada'. Experimente deitar com uma mulher e ficar de papo cabeça...Será chamado de veado no dia seguinte, na rodinha de mulheres.
Nélson Rodrigues disse, há séculos, que toda mulher gosta de apanhar. Foi massacrado pela metáfora, mas quem é homem entende o que ele quis dizer...
Tenho pena das novas gerações de homens. Não sabem se dão vazão à sensibilidade exigida pelos tempos modernos ou se são machos na verdadeira concepção da palavra.
Então, façamos a Parada do Orgulho Macho. E eu fico aqui. Esperando as pedras...
PS: Mesmo que tardiamente, obrigado, Oldemário Touguinhó.
11/06/2010 - 11:34 | Enviado por: Andre Balocco
Começou a Copa do Mundo e, apesar de me manter distante durante estes dias, meu coração bateu mais forte hoje de manhã cedo. E continua batendo mais forte porque esta Copa é na África. No Continente abandonado pelo capitalismo, que explora suas jazidas e riquezas mineiras sem dó nem piedade, que é capaz de bancar regimes tirânicos por diamantes e metais, é a hora de o povo mostrar a humildade. A simplicidade dos africanos e sua evidente disposição para fazer uma festa linda me emocionam. Gostaria muito de estar lá. Como ex-repórter esportivo, minha frustração foi nunca ter participado de uma Copa - e uma Copa na África seria a glória.
VIVA O POVO AFRICANO!
Berço do homem, a África merece mais respeito de nós, homens brancos.
Música boa? É negra...
Esporte bem, feito? É negro...
Há relatos de mulheres sobre os homens negros, e há homens brancos que enlouquecem quando nos braços de uma negra...
Lembro bem de um cantor alucinado daqui do Rio, o Damião Experiênça, alternativo até a morte. Damião cantava 'Pik Botha', um dos mais terríveis ditadores do regime segregacionista aul-aefricano. Ironicamente, usava os versos "Eu amo o presidente da África do Sul..."
Era a maneira dele protestar contra o regime do Apharteid, que grassava naquele país. Sabem quem custeava Pik Botha? Adivinhem... A paranóia anticomunista...
Quem custeou a guerra civil de Angola? Sabem?
A paranóia anticomunista não admitia perder suas jazidas para a esquerda.
Quem custeava a morte em Moçambique?
Vocês sabem...
O regime da África do Sul, bem armado pelos EUA, bancava a miséria na África.
A guerra pelos diamantes...
A Copa é africana. Que toquem as vuvuzelas...
03/06/2010 - 11:17 | Enviado por: Andre Balocco
Não sou de fugir das polêmicas, mas guardo firme na memória o dia em que publiquei uma matéria, quando ainda era da editoria de Esportes do JB, sobre a decisão de um turno do Campeonato Carioca de Futebol de Salão (hoje Futsal), entre Flamengo e Botafogo, no Hebraica. Chamei de acanhado o ginásio do simpático clube de Laranjeiras. No dia seguinte, repórter esportivo que era, ao adentrar a Avenida Brasil 500, fui chamado à sala do editor. Paulinho sorria irônico - ele gostava de me provocar e, sem saber, me ajudava a crescer. Comentou sobre a carta que uma entidade judaica havia enviado à redação lamentando o termo acanhado e bla-bla-bla-bla. Coisas do lobby sionista. Entendi o recado e, daquele dia em diante, comecei a pensar duas vezes antes de falar de religião.
Hoje, uns 16 anos depois daquela lição, volto ao assunto para condenar Israel. Sim, uso estas palavras porque foi uma barbaridade o que fizeram estes homens que dirigem a nação israelense, matando inocentes que tentavam furar o bloqueio unilateral que eles impõem a Gaza, apesar de a ONU já ter exigido 500 vezes que ele cesse. Sei que o Hamas não é flor que se cheire e que, políticos, vão tirar proveito do desastre que foi esta missão. Mas o que fazem com o povo palestino me lembra, muito, o que fizeram com eles há uns 65 anos. Foram perseguidos, como hoje o são palestinos, enclausurados em guetos, como hoje o são os palestinos, reprimidos, como hoje o são palestinos.
Deveriam dar o exemplo, mas não dão.
Preferem a guerra à paz.
Como este espaço é democrático, gostaria de saber a opinião de vocês a respeito do assunto. Não há bandido e mocinhos na eterna luta entre árabes e judeus. Há mocinhos e bandidos momentâneos. Hoje, no papel de bandido, está Israel.
E então, a dúvida fica no ar: que tipo de pressão receberei por este texto.
Eu aposto que ela será sorrateira.
Bom dia
01/06/2010 - 10:56 | Enviado por: Andre Balocco
A ideia surgiu numa das caminhadas pela beira do mar de Copacabana. 'Rato' de praia que sou - não perco a oportunidade de usufruir deste presente de Deus nos finais de semana - estranhei ao perceber a curta faixa de areia do Posto Seis, algo que nunca havia visto nos meus 46 anos. Mais ainda: percebi que a areia do Posto Cinco estava desaparecendo no mesmo ritmo, estranhamente e constantemente. Fiquei matutando, ainda mais porque percebi o aparecimento de pedras imensas na beira do mar diante da Rua Djalma Ulrich. Primeiro fiz uma matéria sobre o perigo que aquelas pedras representavam, publicada dia 19 de março.
O problema persistia. Estava cada vez mais estranhando o novo perfil da praia de Copacabana, meu habitat natural, que me lembrava vagamente a praia pré-aterro. Largas faixas de areia, com água no calcanhar, e formação de piscinas. Mar estourando no fundo. Mais: 'muros' de areia surgiram, numa prova de que a areia abaixo dele estava sendo sugada pelo mar.
Liguei então para Mári Moscatelli. Respeito muito este biólogo pelo o que fez com a Lagoa Rodrigo de Freitas, replantando, sem a ajuda oficial, o manguezal que trouxe vida de volta à Rodrigo de Freitas. Morador da Barra, não sabia muito bem o que estava acontecendo. Pediu para ver as fotos, mas não tinha feito ainda nada relevante. Conversei com meu parceiro de trabalho, o fotógrafo Urbano Erbiste e comecei a insistir que fosse ao Posto Seis em busca destes flagrantes. Dia após dia ele insistiu e começou a trazer fragamentos. Primeiro, as rocas que surgiram abaixo do poste, ao lado da estátua de Drummond, no Posto Seis; depois as rachaduras no calçadão, depois a água chegando ao calçadão sem o menor sinal de ressaca. Um dia, pedi à Flávia Salme, outra colega de redação dona de uma agenda robusta, o telefone de David Zee, o oceanógrafo da Uerj. Liguei e ouvi o que eu queria para começar a matéria após narrrar o quadro: "Claro que tem a ver com mudanças climáticas. A passagem dos ciclones perto do litoral do Rio, coisa que não acontecia, mudou a direção de entrada das ressacas na praia de Copacabana. Elas agora batem de frente e sugam a areia. A Uerj acabou de apresentar um trabalho sobre isso no Congresso Brasileiro de Oceanografia". A partir daí, só clicando nos links abaixo para saber o que aconteceu, se é que vc ainda não sabe.
30/05/2010
1 - Estudo de Uerj revela que mudança climática afeta a orla do Rio (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/29/e290519081.asp)
4 - Pescadores observam que a época das espécies já sofrem alterações (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/29/e290519082.asp)
31/05/2010
1 - 2012 no Rio: estudo prevê corrosão do material de construção (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/31/e310519323.asp)
2 - 2012 no Rio: Oceanógrafo critica a prefeitura (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/31/e310519325.asp)
3 - 2012 no Rio: ressaca faz rocas ficarem expostas de novo no Posto 5 (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/31/e310519326.asp)
01/06/2010
1- Prefeitura também teme o mar (http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/31/e310519746.asp)
Fiquei com a sensação de dever cumprido, com a mesma sensação que todo profissional deve ter ao fazer um bom trabalho. Deste papo com Zee surgiu a série '2012 no Rio', que pretendo inscrever no Prêmio Esso de Jornalismo. O mais gratificante, porém, além de satisfazer o meu ego, claro, é saber que a matéria sacudiu a prefeitura. Graças a ela, as mudanças climáticas parecem ter entrado definitivamente na pauta do prefeito Eduardo Paes. Apesar das reservas que tenho à sua administração, sei que Paes é sensível à ecologia.
Lembrei de meu professor Cesar Romero Jacob, na PUC, com um sorriso irônico no canto dos lábios, em uma de suas aulas, comentando minha paixão pela natureza nos anos 80.
"Há quem se importe com temas sociais e há quem se importe com as árvores".
Obrigado Cesar Romero. Naquele dia, tive a certeza de que a ecologia ainda daria o que falar.