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02/08/2010 - 13:51 | Enviado por: Andre Balocco
Não chegou a completar um ano, mas foi bom, muito bom escrever para vocês. Não sei como manter este blog, talvez mudando de nome, mas o fato é que o Cidade Copacabana acabou. Não por conta do fim do JB impresso, por conta de cortes ou qualquer outra coisa. Eu tenho o livre arbítrio e escolhi ir embora, escolhi pedir demissão nesta hora em que vejo um sonho de adolescente se desmanchar com as mudanças que se aproximam. Vou para um novo desafio, volto ao jornalismo impresso e esportivo. Detalhe: em São Paulo!
KKKK. Desculpem-se, mas tenho de rir de mim mesmo. Verdade, sempre apostei nas polêmicas como modo de atrair a atenção de vocês para o debate. Falar das diferenças entre Rio e São Paulo me ajudava a reafirmar a necessidade de sobreviver numa cidade, num Estado, vítima da política de terra arrasada planejada pelos homens do governo militar, que teve continuidade em nossa ingenuidade oposicionista, quando elegemos Brizola na contramão do país. Éramos socialistas e não aceitávamos ingerências do capital, mas não fizemos nada para impedir a instalação do poder paralelo em nossos morros. Pelo contrário. A aproximação com o lumpesinato geraria votos aos socialistas morenos e...quem dira, à direita arcaica dona dos centros sociais.
Somos vítima de uma fusão feita à marra, que socializou a pobreza e permitiu que políticos de estirpe duvidosa, como os Piccianis da vida, erguessem seus castelos de poder.
Somos vítimas de nossa ignorância política, do imbecilismo dos representantes que insistem em nos impor, goela abaixo, a ideia de que políticos não prestam - e por isso vou votar naquele que, pelo menos, me dá um centro social.
Uma pena.
Vou para São Paulo.
Será que continuo no Brasil?
Muito obrigado por tudo o que vcs me proporcionaram neste quase ano.
Boa sorte nas eleições.
26/07/2010 - 11:36 | Enviado por: Andre Balocco
Já imaginava que os policiais militares que abordaram Rafael Bussamra pediram dinheiro para liberá-lo - só não imaginava que a extorsão estivesse na casa dos dez mil reais. Um absurdo pensar assim? Não, se levar em conta o histórico de corrupção dos representantes da instituição Polícia Militar que nos abordam nas ruas. Os policiais civis sabem bem disso: são inúmeras as operações em favelas que vazaram para os bandidos. Vazaram tanto que a secretaria de Segurança teve de passar a esconder os seus objetivos, reunindo os policiais sem anunciar para onde iriam.
Estou cansado de ouvir relatos de corrupção por parte de conhecidos - e não vem ao caso aqui queimar minha fontes. Relatarei algumas delas, agora que a PM descobriu do que seus soldados são capazes.
1 - A. voltava da Barra da Tijuca em seu carro, conversando ao celular, quando foi surpreendido por um policial em sua motocicleta. Ele o manda encostrar e anuncia que usar celular ao volante gera uma multa de X reais e pergunta o que o motorista pode fazer pelo policial. O motorista argumenta que está repleto de dívidas, com pouco dinheiro em carteira e o policial insiste em "uma ajuda ao PM". O motorista abre a carteira e, sem esperanças, mostra a ele que tem apenas R$ 10. O policial sorri, olha para o dinheiro e diz: "Se for de coração, o PM agradece". E foi-se embora com R$ 10
2 - Um jovem sai de uma boca de fumo na Zona Norte do Rio. Sabe que se bobear, será extorquido pelos policiais que ficam à espreita, sem se arriscarem a combater o tráfico. Ficam escondidos, sem intenção de policiamento ostensivo, como que à espreita dos dependentes que vão à favela comprar droga. Ele sai em seu carro e, mais adiante, é parado e levado a um local ermo. Lá, diante de fuzis e pressentindo uma ameaça velada, dá todo o dinheiro que tem no bolso e ainda vai a um caixa eletrônico sacar os R$ 100 que tem direito a faze-lo de madrugada.
3 - Um grupo de jovens se reúne na porta de um bar, em Copacabana, quando a patrulha de um policial conhecido de todos para ali adiante. O policial se aproxima e diz que tem em seu poder uma farta quantidade de droga e pergunta se alguém quer comprar. (Esta aconteceu nos anos 80)
Gostaria imensamente de lhes dizer que tais relatos são fantasiosos, mas não posso. Os fatos aconteceram. O que me pergunto é como poderemos suplantá-los.
Em tempo: sempre vale a pena lembrar que não ha corrupto se não houve corruptor.
Boa tarde
21/07/2010 - 13:53 | Enviado por: Andre Balocco
A tragédia envolvendo o jovem Rafael Mascarenhas é sintomática de um Rio que não respeita as leis. Não sou vidente,mas tenho quasde certeza de que a atitude dos jovens, que furaram o bloqueio do túnel, não foi a primeira - e nem será a última - irregularidade entre os túneis Acústico e Dois Irmãos. Ontem mesmo, ouvi de minhas fontes relatos de que o local é usado como área de lazer pelos moradores do Minhocão e que há também uma turma que o frequenta para outras coisitas... Absurdo é perceber que, mais uma vez, a tranca só será posta após o arrombamento da casa.
O atropelador que me perdoe o pré-julgamento, mas ao contornar o túnel por um acesso fechado, cometeu uma irregularidade. E tem de pagar por isto e por sua consequência - a morte por atropelamento do filho de Cissa Guimarães. Um pena que outros diversos atropelamentos que acontecem pela cidade não recebam a mesma atenção das autoridades. A morte do jovem comprova que as irregularidades continuam a acontecer a qualquer hora do dia - ou da noite. Ainda mais quando ficamos sabendo que a polícia os abordou e liberou, mesmo com o carro apresentando sinais evidentes do atropelamento na sua lataria.
É aquela coisa: a impunidade, a sensação de impunidade, gera mais e mais irregularidades. O Rio é cercado de delitos e há a imensa (e honesta) sensação de que sequer as autoridades se importam com isso. Vivemos tempos de 'farinha pouca, meu pirão primeiro'. Tenho listado as inúmeras irregularidades que as autoridades cometem aqui. Vou relembrar algumas, frisando que elas nos dão a sensação de que está 'liberado geral'.
1 - A votação e consequente aprovação da Taxa de Iluminação Pública, ao arrepio da lei, que se mantém de pé graças a uma liminar;
2- A propaganda e publicidade nos quiosques novos, que estão sendo escancaradamente utilizados pelas marcas, ávidas por se exporem na orla, ao arrepio da lei;
2 - A imensa quantidade de placas anunciando obras da prefeitura, ao arrepio da lei, com reclames maiores do que aqueles estabelecidos pela lei;
3 - O péssimo exemplo de carros de autoridades (principalmente polícia e GM), que apesar de terem esta prerrogativa, costumam abusar, conforme o JB já denunciou diversas e inúmeras vezes;
4 - A tolerância com aqueles que expõem seus 'bilaus' diante de senhoras, crianças e mulheres, e urinam nas ruas;
5- O uso de calçadas para se por caçambas com entulho;
6 - O despejo de esgoto no sistema de águas pluviais;
7 - O descaso das autoridades com o saneamento básico;
8 - A nítida impressão de que muitas obras são tocadas à espera do momento certo de serem inauguradas;
9 - A falta de coordenação da GM Rio, que permite, por exemplo, que seus agentes de trânsito ignorem outras irregularidades
E por aí vai.
A IMPUNIDADE É A MÃE DE TODAS AS BANDALHAS