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Eu sei porque o Rio vive esta degradação cívica. E você?

Guardo na memória, com carinho, o tempo em que, na Avenida Atlântica, reinava majestoso o Cine Rian. Majestoso, saudoso porque, de beleza arquitetônica ímpar, de grande valor para a história da cidade e que há duas ou três décadas, cedeu vez ao Pestana Hotel. Em nome do crescimento do turismo, em que todos ganhariam (?), cometeram o supremo crime de assassinar aquele místico cinema a beira-mar. Uma pena.

Mas o que há de espantoso nisto?

Nada

É apenas a introdução para este artigo em que veremos os interesses individuais prevalecendo sobre os interesses coletivos. Porque aqui, se respeitássemos os interesses coletivos, teríamos freado a especulação imobiliária que favelizou Copacabana. Teríamos, no mínimo, exigido como contrapartida para a construção destes prédios horrendos, o alargamento da rede de águas pluviais, da rede de esgoto, a construção de edifícios garagens, de praças, a reforma de calçadas.

O que ainda me espanta?
A indiferença do cidadão com as ínúmeras barbaridades perpetradas por nossos gestores. É tanto desleixo, tanto descaso, tanta ignorância...

Realmente, é incrível como se passa por cima das instituições, do bom senso, como se faz pouco da lei, da ética, da moral.

Não nos espantamos mais quando um agente da lei pede R$ 10 para não te multar por estar falando ao celular e dirigindo - afinal, "precisava falar com meu pai sobre aquele carro,~mas eu estava atento"

Não nos espantamos mais quando a Câmara dos Vereadores atropela seu regimento interno e, numa manobra torpe, aprova a criação da Cosip, a Taxa de Iluminação Pública, mesmo indo contra determinação da Justiça, "pois a liminar só foi entregue após o fim da sessão".

Não nos espantamos mais quando alguém, bem diante de nós, amassa um pedaço de papel e o joga no chão, mesmo estando a um passo da lixeira, "porque tem gente pra limpar"

Ou quando o táxi em que estamos avança o sinal, "bem devagarinho que é para não atropelar ninguém ou atrapalhar quem vem no sentido certo"

Ou ainda quando uma criança puxa o galho da árvore e o arranca diante de todos nós, inclusive de seus pais, e ninguém tem coragem de lhe chamar a atenção "porque ele ainda é uma criança, não sabe o que faz"

Cansou?

Não nos espantamos mais quando alguém escreve sobre isso - pelo contrário, me sinto meio que de saco cheio.

São tantas tolerâncias, tantos pequenas burlas à lei, constantes, insistentes, que nos tornamos tolerantes ao erro, à baderna, à zona, e vivemos a sensação de que nada mais pode ser resolvido sem a mão forte da "Redentora", como disse outro dia um saudosista de plantão, ao citar o Golpe militar de 1964.

"Posso parar aqui só um instantinho? É só um instantinho, seu guarda!", apelamos

"Ah, eu sei que está errado mas vou estacionar na esquina. Com cuidado claro, para não fechar a passagem da rampa dos carrinhos de bebê"

"Ué, cadê a lixeira? Que saco, vou jogar no chão mesmo"

"Pai, quero fazer xixi!"
"Faz aqui mesmo meu filho, mas faz na árvore para não escorrer pela calçada, porque senão fica um nojo"

"Beleza, o cara me deu o troco errado. Também, todo dia sou roubado por estes caras do supermercado..."

"Vou riscar a pintura deste babaca porque ele estaciona todos os dias em cima da calçada"

"É proibido cão na praia, moço? Meu cão é vacinado e não transmite doença"

Se identificou com as situações? Em todas elas, há um fator fundamental para a desagregação/degradação que vivemos:

O nome deste fator é JUSTIFICATIVA

Com ela, eu posso fazer tudo e reclamar de todos - até dar uns 'tapinhas' sem perceber que ajudei a movimentar a roda sinistra do narcotráfico que arma os bondes dos subúrbios carioca.
Pensem nisso.






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Ele prometeu, não fez e quem pagou foi você

Como dizia uma adesivo da PM colado sobre carros mal-estacionados, desculpas não colam. Na entrevista abaixo, disponível no site do RJ TV o prefeito Eduardo Paes, em janeiro de 2009, avisa, após mais uma tempesteda que entupiu os bueiros da cidade, logo após assumir a prefeitura e culpar o antecessor Cesar Maia:

“Isso tinha que ser feito com antecedência. Não tem milagre. Não é trabalho que demore menos do que quatro, cinco ou seis meses para você ter as galerias de águas pluviais da cidade limpas e os canais dragados e drenados.”

Pois bem, eu pergunto: E aí, prefeito, qual é a desculpa da vez?

Passaram-se um ano e dois meses, mais ou menos, e infelizmente, para a tristeza de nós, eleitores, a situação se repete, ou seja: nada aconteceu. Eduardo Paes vem se mostrando bom de conversa e ruim de ação. Triste, muito triste.

O vilão da vez é a população. Claro, quando criou o lixômetro, Paes já sabia que o verão viria e, como ele, os prováveis problemas. Não deu outra. Ele tem razão, pois a população é extremamente mal-educada e joga mesmo lixo no chão mesmo estando a dois metros de uma lixeira. Porém isso não o exime da responsabilidade de manter a cidade estruturada. Pega mal para o Rio, sede da final da Copa de 2014 e dos Jogos de 2016, aparecer em imagens no exterior como um rio de verdade.

Este blog não é de oposição a ninguém. Este blog é um blog de amor ao Rio. Tive a oportunidade de almoçar com o então candidato a prefeito aqui no JB, em setembro de 2008, e ele me pareceu determinado a dar um jeito no Rio, com gás e cheio de vontade. É com tristeza que pego pesado ao falar de seu trabalho, que não me convence.
Confira a entrevista

Vou continuar de olho.
Bom dia

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Quatro flagrantes de um bairro abandonado. E a prefeitura?

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No último post em que critiquei a maneira como a prefeitura administra a cidade, que para mim está abandonada, recebi algumas críticas. Uma delas, específica, veio de uma leitora que dizia que tomasse cuidado, pois como eu mesmo afirmara, quem aponta o dedo a alguém tem quatro virados em sua direção. Sorry, mas não me candidatei a cargo público e não me submeto a esta queixa específica.

Amo minha cidade e vou continuar falando da forma como o prefeito tem administrado o Rio. Com Cesar Maia não era diferente. Uma vez, pedi ao Felipe Sáles, repórter de primeira, que fizesse um teste do 0800 com os serviços da prefeitura. Ele foi à Rio Luz e denunciou postes acesos na Paulo de Frontin, relatou oficialmente à secretaria de Obras sobre um buraco no Centro e ligou para a CET Rio apontando onde havia um sinal com lâmpada queimada. NENHUM dos órgãos cumpriu o prazo prometido para resolver o problema.

Ficou comprovado que a prefeitura e sua máquina administrativa não precisam de nossa ajuda para administrar o Rio.

Na atual gestão, o problema parece se repetir. Denunciei há um ano, como editor de Cidade, em matéria de Ana Paula Verly, os quiosques abandonados da Lagoa - são dois, na altura do Parque do Cantagalo e da Catacumba.
Hoje mesmo passei por lá e os vi.

Denunciei há três meses o abandono da estátua de Dorival Caimy, em que uma de suas luminárias está queimada e se transformou em criadouro de mosquitos.
Nada

Acredito que a principal função do jornalista, principalmente num país com poderes tão distorcidos, é denunciar os erros e desmandos dos homens públicos. Acredito sim nisso - e me formei em Jornalismo achando que poderia mudar o mundo. Esta é a minha contribuição.
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Então, vamos lá. As fotos que aqui publico são sobre um dos patrimônios da cidade do Rio de Janeiro e foram feitas pelo fotógrafo Vitór Silva, um dos expoentes da nova geração de fotógrafos do JB. Elas mostram o calçadão abandonado na altura da Rua Constante Ramos, mais precisamente entre a Constante e a Barão de Ipanema. Sabe a razão?
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Sobe e desce de caminhões para montar e desmontar palcos.

E aí, quem vai dar um jeito nisso?
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Bom fim de semana??????

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