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Seis razões para termos novas passeatas contra a covardia

Queria começar este falando de um sentimento de indignação, mas prefiro me conter. Sim, me contenho porque a hora é de esperar, de evitar uma eventual caça às bruxas às avessas. Por isso, parabenizo o governo do Estado por ter conseguido pôr 80 mil pessoas na passeata, mandando um recado claro aos demagogos de Brasília que pretendem dividir o butim do petróleo. Agora, que mostramos nossa força, quero sugerir à sociedade outras passeatas, pois precisamos delas para manter acesa a chamda da cidadania. Porém, não devemos contar com qualquer tipo de maanobra a favorecer a mobilização, tipo ônibus alugado, lanche e ponto facultativo. Então, vamos ás sugestões:

CONTRA A COVARDIA que fazem com os professores.
Estes ganham salários de miséria para, em muitos casos, substituir os pais na educação de seus filhos. Trabalham no limite e só o amor os mantém de pé nas salas. São ameaçados por bandidos e, muitas vezes, por alunos que não têm a menor educação em casa. Vivem a realidade das favelas pois são, no fundo, receptores de crianças para pais que não têm onde deixá-los enquanto perdem duas horas dentro de um meio de transporte para ir ou voltar de suas casas.

CONTRA A COVARDIA do metrô.
Vamos sair em passeata protestanto contra a lambança que fizeram ao unir as linhas 1 e 2, sem obedecer ao traçado original. Vamos protestar contra o metrô de linha reta, uma verdadeira obra da engenharia lusa (claro, senhores, é uma bricnadeira com os portugueses, que na verdade não fariam isso). Vamos protestar contra as escadas rolantes desligadas nos finais de semana, a falta de segurança nos acessos às estações, ao intervalo de cinco (!) minutos entre as composições, a ausência de ar-condicionado em vários carros etc etc etc.

CONTRA A COVARDIA na conservação do Rio.
Iremos às ruas, sim, e continuaremos indo para exigir que a prefeitura tape os inúmeros buracos que surjem a cada dia. Queremos também que a rede de esgoto e de água pluvial seja alargada; que a licença para empreendimentos imobiliários especulativos seja dada somente com uma contrapartida; que o calçamento dos passeios seja minimamente conservado, as árvores podadas com decência.

CONTRA A COVARDIA na saúde.
Que o Miguel Couto volte a ser referência no atendimeto de emergência; que os médicos não precisem passar pelo constrangimento de trabalhar 12, 14, 16 horas para complementar um salário digno no final do mês, que eles não sejam mais agredidos pelos pacientes, desesperados com a falta de recursos, com od escaso do poder público, e que só enxergam o agente deste mesmo poder público como tábua de salvação para seus problemas.

CONTRA A COVARDIA na política.
Que deixemos de eleger deputados estaduais, federais, vereadores pelo atual sistema, que seja feita uma reforma política que nos propicie métodos de fiscalização eficazes, como o voto distrital. Que os centros sociais dos vereadores, como aquele do Papai Noel de Quintino (hahahahahahaha) sejam fechados e não sirvam mais como moeda de troca para iludir incautos, que muitas vezes votam nestes maus políticos agradecidos pelo atendimento que é OBRIGAÇÃO do Estado.

CONTRA A COVARDIA com a natureza, o meio-ambiente.
Devemos ir às ruas EXIGIR a despoluição da Baía de Guanabara, o saneamento de TODA Baixada Fluminense, a ocupação social de TODAS as favelas, e não só a policial, com as UPPs. Que as lagoas sejam cuidadas como devem ser.

Esqueci alguma covardia? Então me lembre!
Bom dia

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Os royalties são nossos; a transparência dos recursos, não

Creio que a passeata que teremos nesta quarta-feira, no Centro do Rio, pode ser o ponto de partida para que a transparência se materialize quanto ao uso dos recursos oriundos dos royalties por parte do estado do Rio. Aliás, a palavra transparência deveria ser mais bem empregada pelos nossos políticos. Adoram falar nisso, mas na hora de por em prática suas benesses...

Gostaria de saber, e o tom aqui não é de cobrança, gostaria imensamente de saber onde este dinheiro, onde estes R$ 5 bilhões que perderemos estavam sendo aplicados. Ora, R$ 5 bilhões é muito dinheiro. Um bom administrador, com esta fortuna em caixa, pode ir longe - se quiser, será eleito presidente da República. Mas vejam bem: estou me referindo a obras, a realizações, ok?

O governador Ségio Cabral está diante de uma excelente oportunidade. Não deve imaginar que esta passeata será apenas a passeata dos ônibus alugados e dos lanches, dos servidores em ponto facultativo. Queremos este dinheiro no estado, queremos este dinheiro financiando o desenvolvimento do nosso interior, acabando com a exploração da mão de obra dos bóias frias no Norte fluminense, queremos ver, conforme nos prometeu o ex-governador Garotinho em seu primeiro mandato, aquela região se transformar em exportadora de frutas cítricas, como o árido Nordeste brasileiro.

Quero ver a Baía de Guanabara limpa, quero os companheiros da Baixada Fluminense vivendo em condições dignas, com rede coletora de esgoto nas portas de sua casa, sem necessidade de jogar fezes e urninas nos valões que desembocam nos rios que, por sua vez, desaguam na Baía. Com R$ 5 bilhões por ano, não há razão para continuarmos a ter sofás, pneus e outros resíduos depositados na Baía, a ter esgoto jorrando na porta das casas dos mais humildes. levando doença em, vez de bem-estar, a ter um transporte indigno.

Tirem destes R$ 5 bilhões o dinheiro para gerir as comportas da Lagoa Rodrigo de Freitas, para limpar a Lagoa de Piratininga, para salvar o complexo lagunar da Barra, para salvar as lagoas de Maricá, Araruama. Tirem deste dinheiro o asfaltamento da Rio-Campos, o fim da Rodovia da Morte, como ela é conhecida, quem sabe a sua duplicação. Melhorem a Rio-Santos. Usem este dinheiro para dar um salário digno aos policiais, para ocupar oscialmente os morros após a implantação das UPPs, já que não adianta apenas pôr policiais nas favelas.

Não, não construam mais hospitais não. Contratem médicos, com salários decentes, e os levem até as comunidades carentes. Relancem o PSF, o programa de Saúde da Família, que leva os médicos às casas. Deixem os nossos (bons) hospitais para cirurgias. Não é possível uma pessoa com dor de cabeça por causa de uma gripe disputar vaga com outra com meningite.

MAS POR FAVOR, NÃO ME DIGAM QUE, COM ESTE POST, ESTOU DANDO AO ADVERSÁRIOS ARGUMENTOS PARA QUE A EMENDA IBSEN SEJA APROVADA.

QUEM DEU ESTES ARGUMENTOS FORAM OS INCOMPETENTES QUE NÃO SOUBERAM APROVEITAR O RIO DE DINHEIRO QUE (AINDA) JORRA EM SEUS COFRES.

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Estacionamento provisório completa 10 anos na Lagoa

No Dicionário Aurélio, a definição de provisório é clara: feito por provisão, interino, passageiro, temporário. Mas no ABC da administração pública do Rio, a mesma palavra ganhou um novo significado: descaso. Exatos dez anos depois de criada e publicada no Diário Oficial do Município, a Resolução Provisória 1004, do dia 15 de março de 2000, da Secretaria Municipal de Transportes, continua valendo como autorização para se estacionar no canteiro central da Lagoa. O resultado? Buracos, buracos e a sensação de que a lei no Rio, de vez em quando, pode sim ser burlada. Afinal, ali vale tudo, inclusive estacionar lado a lado, mas em sentidos opostos.
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Os dez anos da medida, publicada no DO no final da administração de Luiz Paulo Conde, não passaram em branco pela presidente da Associação de Moradores do Leblon e do Alto Leblon, Evelyn Rosenzweig. A transformação informal de uma medida provisória em definitiva é, segundo ela, um incentivo à realização de outros pequenos delitos numa cidade que, ultimamente, tem sido marcada por diferentes formas de burlar a lei.
- É um absurdo, é a instituição da ilegalidade. Tudo aqui começa com um jeitinho e se transforma em fato consumado – critica.
Evelyn reconhece a demanda de estacionamento na Lagoa, sabe que o comércio da orla, assim como o lazer, precisa deste espaço para sobreviver , mas não entende como o poder público não se posiciona sobre o assunto, pendente há tanto tempo. Para ela, a criação de baias, com o necessário ordenamento das vagas, inclusive cobrando-se por elas, é mais do que uma necessidade, é uma imposição.
- Não se pode permitir que os carros estacionem na calçada em hipótese alguma, pois assim todos se acham no direito de estacionar sobre outras calçadas. É preciso um projeto imediatamente.
O subprefeito da IV Região Administrativa, Bernardo Carvalho, chega a ironizar o ‘aniversário’ da medida.
- É o estacionamento provisório mais antigo do Rio – brinca.
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Bernardo, que é favorável à reforma do local e criação de baias de estacionamento, admite que a sua região administrativa não tem como atender à demanda dos queixosos, que ligam reclamando do piso esburacado no canteiro das avenidas Epitácio Pessoa e Borges de Medeiros.
- A nossa gerência de conservação não tem fôlego para consertar as calçadas o tempo todo, pois eu conserto, ela quebra, eu conserto, ela quebra. E as pessoas não querem saber, pois vêem o buraco e reclamam - diz.
Bernardo diz que a administração do prefeito Eduardo paes vai dar um ponto final ao problema, pois tem um grande projeto para a área que inclui reforma do canteiro central com criação de baias, adequação do piso para estacionamento e uma nova iluminação. Só não sabe dizer quando isto acontecerá.
- Quando a secretaria de Urbanismo começou a elaborar o projeto, consultou a Região Administrativa. Na ocasião falei destes problemas.
Através de sua assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Transportes, que pediu a resolução provisória 1004, disse ter interesse em transformar o estacionamento em definitivo, mas que aguarda um projeto de urbanização da Lagoa.
Enquanto isso, estacionar na Lagoa continua não sendo crime – provisoriamente, a bem da verdade.
MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA DO JB DO DIA 14/03/2000

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