Últimos posts
26/07/2010 - 11:36 | Enviado por: Andre Balocco
Já imaginava que os policiais militares que abordaram Rafael Bussamra pediram dinheiro para liberá-lo - só não imaginava que a extorsão estivesse na casa dos dez mil reais. Um absurdo pensar assim? Não, se levar em conta o histórico de corrupção dos representantes da instituição Polícia Militar que nos abordam nas ruas. Os policiais civis sabem bem disso: são inúmeras as operações em favelas que vazaram para os bandidos. Vazaram tanto que a secretaria de Segurança teve de passar a esconder os seus objetivos, reunindo os policiais sem anunciar para onde iriam.
Estou cansado de ouvir relatos de corrupção por parte de conhecidos - e não vem ao caso aqui queimar minha fontes. Relatarei algumas delas, agora que a PM descobriu do que seus soldados são capazes.
1 - A. voltava da Barra da Tijuca em seu carro, conversando ao celular, quando foi surpreendido por um policial em sua motocicleta. Ele o manda encostrar e anuncia que usar celular ao volante gera uma multa de X reais e pergunta o que o motorista pode fazer pelo policial. O motorista argumenta que está repleto de dívidas, com pouco dinheiro em carteira e o policial insiste em "uma ajuda ao PM". O motorista abre a carteira e, sem esperanças, mostra a ele que tem apenas R$ 10. O policial sorri, olha para o dinheiro e diz: "Se for de coração, o PM agradece". E foi-se embora com R$ 10
2 - Um jovem sai de uma boca de fumo na Zona Norte do Rio. Sabe que se bobear, será extorquido pelos policiais que ficam à espreita, sem se arriscarem a combater o tráfico. Ficam escondidos, sem intenção de policiamento ostensivo, como que à espreita dos dependentes que vão à favela comprar droga. Ele sai em seu carro e, mais adiante, é parado e levado a um local ermo. Lá, diante de fuzis e pressentindo uma ameaça velada, dá todo o dinheiro que tem no bolso e ainda vai a um caixa eletrônico sacar os R$ 100 que tem direito a faze-lo de madrugada.
3 - Um grupo de jovens se reúne na porta de um bar, em Copacabana, quando a patrulha de um policial conhecido de todos para ali adiante. O policial se aproxima e diz que tem em seu poder uma farta quantidade de droga e pergunta se alguém quer comprar. (Esta aconteceu nos anos 80)
Gostaria imensamente de lhes dizer que tais relatos são fantasiosos, mas não posso. Os fatos aconteceram. O que me pergunto é como poderemos suplantá-los.
Em tempo: sempre vale a pena lembrar que não ha corrupto se não houve corruptor.
Boa tarde
21/07/2010 - 13:53 | Enviado por: Andre Balocco
A tragédia envolvendo o jovem Rafael Mascarenhas é sintomática de um Rio que não respeita as leis. Não sou vidente,mas tenho quasde certeza de que a atitude dos jovens, que furaram o bloqueio do túnel, não foi a primeira - e nem será a última - irregularidade entre os túneis Acústico e Dois Irmãos. Ontem mesmo, ouvi de minhas fontes relatos de que o local é usado como área de lazer pelos moradores do Minhocão e que há também uma turma que o frequenta para outras coisitas... Absurdo é perceber que, mais uma vez, a tranca só será posta após o arrombamento da casa.
O atropelador que me perdoe o pré-julgamento, mas ao contornar o túnel por um acesso fechado, cometeu uma irregularidade. E tem de pagar por isto e por sua consequência - a morte por atropelamento do filho de Cissa Guimarães. Um pena que outros diversos atropelamentos que acontecem pela cidade não recebam a mesma atenção das autoridades. A morte do jovem comprova que as irregularidades continuam a acontecer a qualquer hora do dia - ou da noite. Ainda mais quando ficamos sabendo que a polícia os abordou e liberou, mesmo com o carro apresentando sinais evidentes do atropelamento na sua lataria.
É aquela coisa: a impunidade, a sensação de impunidade, gera mais e mais irregularidades. O Rio é cercado de delitos e há a imensa (e honesta) sensação de que sequer as autoridades se importam com isso. Vivemos tempos de 'farinha pouca, meu pirão primeiro'. Tenho listado as inúmeras irregularidades que as autoridades cometem aqui. Vou relembrar algumas, frisando que elas nos dão a sensação de que está 'liberado geral'.
1 - A votação e consequente aprovação da Taxa de Iluminação Pública, ao arrepio da lei, que se mantém de pé graças a uma liminar;
2- A propaganda e publicidade nos quiosques novos, que estão sendo escancaradamente utilizados pelas marcas, ávidas por se exporem na orla, ao arrepio da lei;
2 - A imensa quantidade de placas anunciando obras da prefeitura, ao arrepio da lei, com reclames maiores do que aqueles estabelecidos pela lei;
3 - O péssimo exemplo de carros de autoridades (principalmente polícia e GM), que apesar de terem esta prerrogativa, costumam abusar, conforme o JB já denunciou diversas e inúmeras vezes;
4 - A tolerância com aqueles que expõem seus 'bilaus' diante de senhoras, crianças e mulheres, e urinam nas ruas;
5- O uso de calçadas para se por caçambas com entulho;
6 - O despejo de esgoto no sistema de águas pluviais;
7 - O descaso das autoridades com o saneamento básico;
8 - A nítida impressão de que muitas obras são tocadas à espera do momento certo de serem inauguradas;
9 - A falta de coordenação da GM Rio, que permite, por exemplo, que seus agentes de trânsito ignorem outras irregularidades
E por aí vai.
A IMPUNIDADE É A MÃE DE TODAS AS BANDALHAS
20/07/2010 - 15:13 | Enviado por: Andre Balocco
Depois de ler meu post sobre a volta dos políticos às ruas, o combativo vereador Paulo Pinheiro, do PPS, resolveu esclarecer sua posição. Como disse antes, ele tem o meu respeito, ao contrário de muitos outros que sequer vão às ruas. Como o blog é democrático, aqui segue a resposta do vereador. Atentem para o final do texto, quando ele diz que não tem 'centros sociais', estas pragas que os prefeitos deixaram proliferar enquanto se ausentavam da sáude pública. Ao texto, então:
Caro Balocco,
Primeiramente gostaria de agradecer os elogios dirigidos à minha pessoa em sua coluna de domingo. Realmente me considero um parlamentar bastante combativo, mas infelizmente não é só de agradecimentos que se trata minha mensagem.
Realmente, reclamo dos desvios milionários que ocorrem na saúde (e me mantenho atento aos que “estariam” ocorrendo). Sou um dos únicos a reclamar da utilização eleitoreira das UPAs. Elas podem ser conisderadas uma ótima ferramenta para gestão da saúde pública, mas infelizmente viraram moeda eleitoral, passando a monopolizar todos os investimentos da saúde com um falso discurso de eficiência. É verdade que as UPAs mudaram a cara das entradas dos hospitais públicos, mas as emergências dos mesmos pagam o preço e vem sofrendo com um problema crescente de superlotação. Verifiquei isso na rua, ao realizar inúmeras visitas a unidades de saúde situadas no município (federais, estaduais e municipais), onde sempre ouço reivindicações e reclamações dos pacientes e profissionais de saúde. A partir do entendimento do que acontece na ponta, procuro formular a melhor política para a saúde pública.
Também é verdade que luto pelo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para os profissionais da saúde, mas você não observou os seguintes aspectos:
- O PCCS é muito mais do que um pedido de aumento. É um projeto para criar uma carreira médica no estado, garantindo ascensão profissional e dignidade aos profissionais da saúde.
- Mesmo com aprovação do PCCS não mudaria uma virgula do meu discurso político. Ficaria muito satisfeito com a conquista e seguiria buscando outras.
Gostaria registrar que estou sempre na rua, visitando hospitais e outros segmentos do setor público e meu gabinete está sempre aberto ao cidadão. Se você tiver a oportunidade, visite meu site (www.pauloopinheiro.org) e veja que o conteúdo que lá está é feito por quem tem o costume de conferir os problemas pessoalmente. Lá, dentre outras coisas, você também poderá ver que votei contra a taxa de iluminação pública, ajudei a retirar emendas apresentadas ao plano diretor sem autoria, acionei o Ministério Público diversas vezes por conta dos desvios de verba - e não só na saúde como, por exemplo, no caso do PreviRio. Enfim, acompanhe meu trabalho.
Constumo também fazer meus exercícios na orla. Se nesse domingo você me viu fazendo campanha em Copacabana, foi porque essa é maneira que tenho de tentar conquistar votos, uma vez que não possuo centros sociais, nem ofereço serviços assistencialistas. Provavelmente você já passou por mim em Copacabana antes, mas como eu não estava distribuindo cartões, passei despercebido.
Por fim, lembro que políticos aparecem mais em época de eleição, pois a imprensa, de modo geral, não se aprofunda nas investigações políticas durante o resto do mandato. E se você não fica sabendo com mais freqüência das minhas reclamações contra os desmandos dos governos municipais e estaduais, é porque, infelizmente, esses governantes são blindados por grande parte da mídia. Sei que existem jornalistas de qualidade, mas assim como não quero generalizar sobre o trabalho de vocês, peço que não ajude a propagar a idéia de que “todo político é ladrão”. Esse discurso só ajuda os candidatos ficha suja.