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08/02/2010 - 14:43 | Enviado por: Andre Balocco
Andar pelas ruas do Rio tem sido um deafio diário para um pai como eu, quando estou com meus filhos a meu lado. Não, as perguntas não são por que isso, por que aquilo. O mais difícil é explicar a eles as razões que levam as pessoas a burlar a lei escancaradamente, a qualquer hora do dia, sem o menor sinal de que se incomodam com isso. Quando o assunto é xixi na rua, chego a ficar constrangido. Nem é preciso estarmos próximos de algum bloco para ver, em algum lugar, um homem com o dito cujo para fora, encostado em alguma árvore ou canteiro, urinando em plena luz do dia. Por isso sou altamente favorável à repressão que a Operação Choque de Ordem vem realizando próximo aos foliões que seguem os blocos na cidade, mesmo ciente de que é mais uma ação pirotécnica. Lugar de xixi é no banheiro químico!
Lembro da Comlurb, em algum Carnaval que passou na Era Cesar Maia, anunciando que após a passagem dos blocos, lavaria as ruas com água perfumada, acreditando que desta maneira minimizaria os efeitos dos 'mijões'. Permito-me escrever esta palavra, que não julgo apropriada, já que a própria assessoria de imprensa da prefeitura a tem utilizado, inclusive nos titulos dos e-mails que nos envia, para anunciar a detenção dos que urinam, literalmente, fora do penico. Só neste fim de semana foram 46 pessoas! Um escárnio, ainda mais sabendo que a patrocinadora oficial do Carnaval de rua (sim, o Rio agora tem patrocinadora oficial para seu Carnaval de rua!) instala banheiros químicos nos arredores dos blocos.
Agora, gostaria de saber por qual razão os homens não se aguentam e justificam sua atitude pelo 'aperto' enquanto as mulheres sempre dão um jeito de encararem uma fila. Lembro-me bem de meu compadre contando de um dia em que seu filho pequeno, apertado, pediu para urinar e ele 'ofereceu' o canteiro. O menino, constrangido, urinou lá e ele, o pai, recebeu uma tremenda reprimenda de um senhor que passava no local. Obviamente, não gostou de ter sua atenção chamada. A verdade é que na maioria das vezes, o 'mijão' adulto de hoje recebeu o incentivo para fazê-lo quando criança. Existe algum pai que 'oferece' à filha um canteiro quando ela se diz apertada para urinar? Eu, elo menos, nunca vi. Por isso, palmas para a iniciativa da prefeitura do Rio.
Afinal, é de pequenino que se torce o pepino.
06/02/2010 - 15:43 | Enviado por: Andre Balocco
Assistir a um show de Roberto Carlos era uma das ultimas coisas que estava na minha lista de prioridades. Na verdade, nem na lista de prioridades estava - minha relação com RC sempre foi de comedido distanciamento, um distanciamente blasé até, dado que os filhos da elite ditos 'mudernos' não se envolvem com este tipo de cancioneiro popular. Mas o tempo passa, aliás tudo passa na vidade de um home, ainda mais quando ele completa 46 anos. E chegou o grande dia, o dia em que eu encararia, finalmente, um show do 'Rei'.
Impecável. Emocionante. Espetacular. Brlhante. Lindo. São muitas emoções para definir o que é asisistir a um show de Roberto Carlos. Hoje, no dia em que completo mais um aniversário, posso falar à cavaleiro que realizei um dos sonhos de minha vida, mesmo que eu não soubesse, ou não quisesse saber, que ver o 'Rei' no palco fosse uma das coisas mais importantes para um carioca que cresceu ouvindo as suas músicas, verão após verão. Meninos, eu vi um show de RC. E não me arrependi nem um pouco - pelo contrário, meus sentimentos afloraram. Só faltou chorar, pois até gritar que ele é o 'Rei dos Reis' eu gritei no teatro do navio Costa Concórdia.
Tudo começou na semana passada, na quinta-feira, ainda em janeiro, quando o Migliaccio me perguntou se eu gostaria de ir ao transatlântco onde o Rei daria mais um de seus shows no projeto Emoções em Alto Mar. Titubeei, disse não duas, três vezes até que me decidi, graças ao empurrãozinho da Rachel Ameida, sub da Domingo, e pedi autorização à chefia de redação. E lá fui eu, ao lado do intrépido Urbano Erbiste, fotógrafo de primeira categoria, rumo a Búzios, onde embarcamos no Costa Concórdia. Que maravilha: toboágua, piscina, sol, não faltou absolutamente nada durante a sexta-feira. Verdade que o Rei é evasivo nas respostas, não gosta muito de se comprometer. "O que sei fazer é música, bicho", disse ele, diante de uma pergunta um pouco mais profunda de minha parte, a qual ele acabou respondendo de modo satisfatório.
Impressionante o carisma e o charme que este homem tem com as mulheres. Seja qual for a idade delas, ele as cativa, pois canta o sentimento masculino - e vocês, mulheres que me lêem, adoram falar de sentimentos, adoram homens que falam de sentimentos. Até entabulei uma conversa com uma colega sobre as razões que levam as mulheres, de jovens a senhoras, a gritarem por ele. Um amiga minha, coleguinha jornalista a que me reservo o direito de não dizer o nome, confessou que ama tanto Roberto Carlos que é daquelas que se descabelam pelo Rei. E olha que ela está na casa dos 30 anos e é um 'jogadoraço', como a gente brinca na redação ao se referir a uma linda mulher. "Esta é camisa 10", diria eu para defini-la.
Me peguei ansioso pelo show. Aboletado na penúltima fileira, assisti, encantado, o desflar do rosário de músicas que todos conhecemos de cor e salteado - gostemos ou não dele - e, óbvio, me emocionei. Lembrei do casamento que se foi, das dores de amor, do quanto eu errei e gostaria de ser perdoado. Lembrei também que não posso fazer nada, ok, eu me amo, pois já me perdoei. Mas ter os sentimentos expostos pelas canções executadas por músicos de primeira que acompanham o Rei e ver seu miscenscéne (corrijam meu francês pobre, por favor) mexe com qualquer um, ainda mais com uma equipe de iluminação e som de qualidade indubitável.
Por isso, obrigado Roberto Carlos. Sim, obrigado. Você me proporcionou uma das maiores emções que tive nos últimos tempos, fez senti-se um homem na sua total plenitude. Foi um belo presente de aniversário.
Como você mesmo diria em um de suas canções, Obrigado Senhor.
Bom fim de semana.
04/02/2010 - 10:21 | Enviado por: Andre Balocco
Era uma noite comum, uma noite destas noites como outra qualquer que tem nos atromentado aqui no caldeirão carioca, debaixo d eum calor sufocante. Na verdade, foi ontem à noite, isso mesmo, ontem. Voltava de um encontro, era cedo ainda, por volta de 22h30, quando o homem de meia idade surgiu na calçada, como um relâmpado, uma bela mulher à garupa, urrando com sua motocicleta ao girar a manopla do acelerador. Levei um susto, claro, e fiquei indignado - claro também, pois ficar indignado já se transformou em rotina para mim quando o assunto é cidadania no Rio de Janeiro. Impaciente, conforme interpretei pelo ronco da motocicleta, o homem veio da Travessa Frederico Pamplona, subiu a calçada diante da padaria e foi até a Constante Ramos pegar a mão correta. Eu? Bem, eu era apenas um obstáculo diante de sua sanha para chegar em sua casa.
Ok, ele venceu. Calei-me diante da insanidade do imbecil motoqueiro - e não motociclista, pois motociclista não faz este tipo de coisa. Imbecil sim porque se fosse um homem de coragem, como supostamente alega ser ao invadir a calçada com seu 'pênis' motorizado, atacando pedestres indefesos em seu próprio território, teria ido pela rua, enfrentando 'seres' mais fortes do que ele - os carros. E poria em risco a SUA vida - e não a dos pedestres como eu. Imbecil! Se o chamasse de babaca, estava arriscado a vê-lo parar e me ameaçar. Conheço as mãnhas do Rio de Janeiro e seus cidadãos que se acham acima do bem e do mal. Mas sei também que este motoqueiro de meia-idade, se estivesse em meu lugar, com seus filhos ao lado, teria se indignado. É comum, na minha cidade, apontar o outro como culpado pelas mazelas e esquecer que, ao apontarmos o outro, temos quatro dedos dobrados, que apontam em nossa direção.
A mim, resta seguir minha caminhada, fazendo a minha parte. Nada como a maturidade para nos trazer capacidade de refletir sobre o que fazemos e o que fizemos. O passado, aprendemos com ele para evitar repetir os mesmos erros. Afinal, repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes é insanidade. E eu já não me permito mais este tipo de coisas.
Bom dia