AI-5 ganha versão em quadrinhos

Em março de 1964 o presidente ditador Artur da Costa e Silva decretou o quinto Ato Institucional (AI-5), fechando o Congresso Nacional por tempo indeterminado e proibindo qualquer reunião de caráter político, bem como efetuando prisões e estabelecendo censura prévia. Péssimas lembranças, hã?
Mas o roteirista André Diniz (aqui entrevistado pelo álbum Sete Vidas) e o desenhista José Aguiar resolveram se inspirar neste triste momento do Brasil e criar uma HQ em formato de revista. Conversamos com Aguiar, autor de Quadrinhofilia, direto de Curitiba, confira!
JBlog >> Por que a ideia de ilustrar o AI-5?
Na época em que nos conhecemos o André trabalhava numa série chamada Subversivos, ambientada no contexto da ditadura. Ele me ofereceu algumas sinopses de histórias e eu, por ser por casado com uma atriz, me interessei por retratar o universo dela nos quadrinhos.
Sem falar que era a HQ mias atípica do pacote que André me ofertou. Não era uma história de luta armada. Era uma história de amor ambientada naquele período louco. De outro tipo de resistência.
Terminamos em 2003 a primeira versão de Ato 5. Naquela época achávamos que poderíamos imprimir de maneira independente, mas isso não aconteceu. A realidade ainda era outra para esse mercado. Ofereci a HQ a algumas editoras, mas por ser curta não obtive perspectivas de publicação. Ano passado, por ocasião do FIQ, decidi publicar enfim essa HQ numa edição fechada. Corri atrás de patrocínios e a loja Itiban nos deu todo o apoio.
Mas passado tanto tempo, André e eu tínhamos mudado um bocado e sugeri a ele modificarmos um pouco a HQ. Refizemos textos, páginas, cenas, eu acrescentei tons de cinza e assim chegamos a uma "versão do diretor" revista e ampliada.
JBlog >> Então uma loja de quadrinhos foi a patrocinadora?
Ela entrou com boa parte dos recursos financeiros, o restante André e eu arcamos do nosso bolso. O Xico Utrabo há muito tempo queria editar algo e também fez o meio de campo com a gráfica, negociando e também me pressionado para cumprir os prazos. No dia em que ele me ligou a primeira vez para me cobrar eu disse a ele: "Você não sabe como é bom ser cobrado para fazer quadrinhos!"

JBlog >> Qual o maior desafio de vocês?
Tirar a HQ da gaveta. O processo com o André sempre foi tranquilo. Ele foi sempre muito aberto as minhas sugestões. Espero poder trabalhar novamente com ele em breve.
JBlog >> Foi inspirado em atores em uma companhia de teatro verdadeira?
Até onde o André me contou tudo é fictício. Lembro dele comentando sobre a personagem Lorena que, no presente, ela seria uma espécie de Fernanda Montenegro, consagradíssima. Isso foi o máximo de inspiração em uma pessoa real que me foi orientado.
Visualmente eu trouxe muito dos estudantes de artes cênicas que conviveram comigo e minha esposa na faculdade de artes. Para ilustrar a peça que eles encenam na HQ eu me inspirei numa montagem real daquela época. Coisa estudantil.

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