Picha: exposição sobre HQs africanas
Apesar da crise econômica mundial, a África desponta no meio dos quadrinhos com uma enorme quantidade de autores, festivais e álbuns publicados. Muito deles são usados de forma educativa, como os gibis que alertam os soldados sobre os perigos da AIDS na Etiópia. As HQs são muito populares no continente, seja de ficção ou não, como a biografia de Nelson Mandela quadrinizada na África do Sul. E se por um lado o baixo custo é um facilitador, o mercado ainda esbarra na falta de canais de distribuição das revistinhas.
Para expor um pouco da produção e das características do quadrinho africano, no próximo dia 14 será inaugurada a exposição “Picha” no Museu Afro Brasil de São Paulo. Picha na língua Swahili, ou suali, quer dizer “desenho” e é uma corruptela da palavra inglesa “picture”, imagem. Composta de desenhos originais, publicações e páginas da imprensa local com HQs, a mostra chega ao Brasil após uma turnê pela Holanda, Nigéria e Espanha, onde esteve entre maio a junho deste ano.
Apesar de ser um evento dedicado a África, há participação de outros artistas. Quem explica é a professora e curadora Sonia Bibe Luyten: “Acrescentei mais dois artistas: David Brown (dos Estados Unidos) e Maurício Pestana (do Brasil) para que possamos ter uma visão do que se produz lá e o que os afro-descendentes estão produzindo aqui. É única na História”. A exposição teve sua origem na Holanda com reunião de um banco de dados do que se fazia na África em HQs. A convite dos holandeses, Sonia foi lá conferir pessoalmente e manifestou o interesse em trazer para cá.
Acima, Sonia (em pé) com Marguerite Abouet, autora de Aya
Apesar dos leitores brasileiros terem pouco acesso a HQs africanas, até mesmo por que as editoras daqui não se interessam em lançar, ainda não será dessa vez que teremos esta oportunidade. “Com a vinda de David Brown dos Estados Unidos haverá o lançamento de livros de HQs e cartuns dele na Livraria HQMIX no dia 16 de outubro. Seus desenhos são na maioria sobre política, violência, racismo e drogas”.
Minha única lembrança de HQ vivenciada na África é de uma aventura de Keubla e Kebra, personagens do francês Jano, numa revista lançada aqui nos anos 90. E, claro, “Tintin no Congo”.
Para incentivar as pessoas a comparecer no dia da inauguração, Sonia anuncia uma mesa de debates com especialistas sobre HQ onde aparecem negros. “Há um pesquisador da USP em SP, o nissei Nobu Shinen que fez seu mestrado sobre isto”.
E mais: “haverá também workshops para professores e alunos, pois as HQs africanas têm seu lado didático. Como é um meio barato, usam para combater violência, corrupção, drogas, etc”.
Serviço:
Exposição “Picha” − Quadrinhos africanos
De14 de outubro a 8 de novembro, das 10h às 17h.
Na abertura, conferências às 20h no auditório com David Brown, Mauricio Pestana, Nobuyoshi Chinen e Sonia Luyten, entre outros.
Museu Afro Brasil − Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº Parque Ibirapuera, São Paulo. Tel (11) 5579-0593. Entrada franca.
