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Um jeito divertido de aprender

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Imagina se todos os livros escolares fossem em histórias de quadrinhos?
Para muitos estudantes, certamente que isso seria um sonho. Pois bem, com a crescente inclusão – ainda que singela – de HQs em currículos escolares, as editoras descobriram que este pode ser um filão de ouro. Soma-se a isso as adaptações de clássicos da literatura, que além da possibilidade comercial de adoção em colégios, por vezes usufruem de leis de incentivo, sobretudo quando são datas comemorativas. Tivemos recentemente uma avalanche de obras relacionadas aos 100 anos da morte de Machado de Assis e os 200 da chegada da Família Real ao Brasil, só para citar dois exemplos.

Eis então que recebo História do Brasil em Quadrinhos, da editora Europa, num formatinho agradável em papel couché 4 cores. Decidi então perguntar aos próprios autores se eles teriam aprendido melhor se as aulas de história, e de outras matérias, tivessem sido com livros em quadrinhos. O desenhista Laudo confirma na hora:

“Olha, eu sou louco por história. Do Brasil e geral. Quando era molecão, havia uma coleção em dois volumes sobre a história do Brasil ilustrada pelo Rodolfo Zalla e pelo Colonesse que muito me ajudou. Houve também uma outra da Ebal, o qual infelizmente não me recordo o ilustrador, mas eram artes maravilhosas que também foram excelentes para motivar um melhor estudo. Acredito sim que esse tipo de publicação motive a rapaziada a se interessar pelo assunto e procurar saber mais, o mesmo se aplica às adaptações literárias".

O artista telembra outro caso recente. "Fiz para Escala Educacional juntamente com o roteirista André Diniz a adaptação para quadrinhos de "O elogio da Loucura" do Erasmo de Rotterdan. Apesar de conhecer o livro nunca havia lido. Trabalhar nessa adaptação, muito me interessou em ler o original. O que aconteceu logo após terminar os desenhos”.

Sua opinião é partilhada com o roteirista Edson Rossatto. “Acredito sim, pois o ser humano tem sua percepção visual aguçada em relação aos outros sentidos. Vincular informação a imagens é uma forma eficaz de se entender e se armazenar conhecimento. É claro que todas as situações tinham enorme complexidade, mas, sintetizadas aos seus planos essenciais, funcionam melhor no ensino e na memorização. Além disso, é mais divertido. O aprendizado vira diversão”.

Por sua vez, o jornalista, escritor e roteirista Jota Silvestre pondera. “Não, não acredito que os quadrinhos possam ou devam substituir os livros. Eles podem, sim, ser usados como suporte aos livros didáticos, tanto como "porta de entrada" para vários assuntos - de modo que os alunos se interessem por buscar as fontes regulares -, quanto como reforço a um conteúdo já apresentado. Eu sempre gostei de História, então talvez este exemplo não se aplique a mim; mas tenho certeza de que poderia ter me interessado mais por outras disciplinas se tivesse começado pelos quadrinhos”.

hq independencia do brasil em quadrinhos

Provavelmente todo mundo que integrou a equipe – que inclui ainda o também ilustrador Celso Kodama e o arte finalista Omar Viñole – deve concordar numa coisa: que foi um grande prazer trabalhar nesta empreitada. Perguntei ainda qual foi a melhor e a pior parte de se fazer este livro?

“A melhor foi trabalhar com o Edson Rossato, autor do argumento e da pesquisa histórica”, derrete-se Laudo. “Ele é escritor e teve sua estréia nos quadrinhos nesse trabalho, e nos demos muitíssimo bem. O mesmo foi trabalhar com o Manoel, editor. Houve realmente um trabalho de produção de equipe e todos pensando no resultado final. A pior foi o pouco tempo para execução dos desenhos, arte-final e cor, pois houve alguns contratempos no início da produção desse trabalho, nesse período eu ainda não havia sido chamado para trabalhar nesse projeto, quando enfim entrei o tempo estava curto. Mas no final, a coisa sempre acaba acontecendo. No momento estamos trabalhando num segundo número com melhor tempo”.

Já na opinião de Edson... “não digo que seja a pior parte, mas a mais trabalhosa foi ler diversos livros e tirar deles o essencial para se escrever a trama com fidelidade histórica. Já a melhor parte foi ver a hq pronta nas mãos de crianças interessadas na história. E na História”. Jota Silvestre aponta a mais trabalhosa, que foi a revisão da arte. “Por vezes, o artista tem uma visão diferente daquilo que você imaginou na hora em que estava escrevendo. Em alguns casos, a sugestão dele é até melhor (é aquela hora que você diz: Por que eu não pensei nisso?); em outros, não. Esse tipo de "conflito" foi minimizado no caso de História do Brasil em Quadrinhos porque antes da arte final trabalhamos com esboços, mas sempre acontece”.

E ele completa: “A melhor sem dúvida é o momento de redigir o roteiro, de "praticar" a linguagem dos quadrinhos, determinando o ritmo da narrativa, o diálogo entre imagem e texto, as técnicas para prender a atenção do leitor. Trocar meu tradicional papel de leitor de quadrinhos pelo de criador foi muito gratificante”.

O livro custa R$ 19,90 em livrarias e está em promoção por R$ 11,94 R no site da editora.

E você, leitor, o que acha a respeito? Seria bom se essa moda pegasse? Deixe seu comentário lá em cima ao lado do título.

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Comentários


Comentários

Laisnara enviou em 02/06/2009 as 13:16:

Achei muito interessante isso de história em quadrinhos, mais já podiam ter uns aqui na internet, que ficaria mais fácil. Eu por exemplo, vim proucurar um jeito divertido de aprender, encontrei mas não posso usar porque não tem o tema que eu quero e porque não tem aqui na internet os quadrinhos... o resto está de boa!!


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