Arquivo de December 2011

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O novo livro de tiras de Fernando Gonsales

Niquel Nausea - Cadê o Ratinho do Titio

Fiel ao seu objetivo de lançar um livro de tiras por ano, o veterinário/cartunista Fernando Gonsales lança Níquel Náusea: Cadê o Ratinho do Titio?", novamente pela editora Devir. De rápida leitura - afinal, são 200 tirinhas, todas a cores - o livro diverte e tem momentos de grande inspiração, mas ainda fica atrás do excelente Níquel Náusea: Um Tigre, Dois Tigres, Três Tigres (2009) e de A vaca foi pro brejo atrás do carro na frente dos bois (2010).

Não dá pra saber se as tiras não foram a prioridade do ano ou se está cada vez mais difícil fazer piadas com animais, mas o fato é que dos três livros este é, na minha opinião, o menos inspirado. Ainda assim segue abaixo as tiras que eu curti mais:

niquel nausea - tira Tarzan
niquel nausea - tira Medium
niquel nausea - tira
Leia também:
Resenha do livro A vaca foi pro brejo atrás do carro na frente dos bois
Resenha do livro Níquel Náusea: Um Tigre, Dois Tigres, Três Tigres
Brincando de gato e rato. De novo.

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Macacos (não) me mordam

chimpanze Cheetah

Esta é em homenagem ao chimpanzé Cheetah, que protagonizou os filmes de ‘Tarzan’ nas décadas de 30 e 40, e morreu na véspera do natal aos 80 anos de idade.

Após o primeiro volume das histórias clássicas do rei dos macacos, a editora Devir lançou um segundo volume que também mantém a qualidade. A diferença é que "Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias" (208 páginas), também desenhado por Joe Kubert, apresenta a adaptação do segundo romance escrito por Edgar Rice Burroughs (1875-1950), criador do personagem, além de outras histórias inspiradas em seus contos.

capa de Tarzan 2

Ao contrário do livro de estréia, com todas as HQs ambientadas na selva africana, na segunda edição Tarzan vive suas aventuras em Paris e na Argélia, além de conhecer duas diferentes cidades proibidas, de civilizações muito antigas, escondidas no meio do matagal com muito ouro e pedras preciosas. E talvez o mais interessante seja justamente o encadeamento das histórias, que tem como link em comum o vilão Roskoff e a amada Jane Porter. Na última história, Tarzan não só encontra os dois personagens como também acha, por acaso, a cabana onde fora adotado pela macaca quando era um bebê.

Claro que estão lá as cenas de luta com piratas, guerreiros africanos, leões, jacarés, gorilas e homens brancos que matam filhotes de elefante sem dó nem piedade. Uma tônica constante nas histórias de Tarzan é o valor da liberdade e a coexistência pacífica entre homens e animais. Liberdade essa que John Clayton III, o Lorde de Greystoke, não encontra em nenhuma cidade, apenas na selva. Como bônus, o volume 2 traz uma reportagem sobre a trajetória do personagem no cinema, desde o primeiro filme, em 1918.

tarzan e o crocodilo

abertira de hq em tarzan 2

NOVO(S) FILME(S) DE TARZAN A CAMINHO
E por falar em cinema, o diretor Craig Brewer entregou à Warner o roteiro para um filme sobre Tarzan que será ambientado no Congo, na virada do século passado.
O estúdio também estaria cogitando outro filme sobre o personagem, com roteiro de Adam Cozad, narrando uma versão diferente da clássica história criada por Burroughs no romance "Tarzan of the Apes".
capa do livro Tarzan of the Apes

Leia também:
Como é o volume 1 do livro de Tarzan lançado pela Devir
Quem foi Frank Frazetta, desenhista de Tarzan

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Quadrinho impresso, digital ou os dois?

livros impressos ou digitais

Ao apagar das luzes de 2011, uma questão ainda gera debates acalorados, porém nenhuma conclusão definitiva. Afinal, o formato digital veio para ficar, inclusive nos quadrinhos? Para ao menos tentar acender uma vela no fim do túnel, conversei com autores, editores e estudiosos do tema. Leia e veja qual a sua conclusão. Se puder, compartilhe sua opinião ao final do post, no link de Comentários.

JBlog >> Para um autor novato, vale a pena ele lançar o livro simultaneamente em e-book e impresso, ou seja, em formato impresso e eletrônico ao mesmo tempo?

Na opinião de Bia Willcox (FOTO), diretora executiva da editora Faces e produtora de conteúdos da "Imagem e Conteúdo", vale e vale muito. “São públicos distintos. Quem lê e-book é um público mais jovem e formador de opinião. Mas ainda acho que os livros tem que estar nas estantes de algumas livrarias e, principalmente, nos principais canais de e-commerce”.
bia willcox

O quadrinista Laudo Ferreira concorda: “Sem problema algum, são mídias diferentes e acredito que com segmento de público e alcances diferentes”.

O doutorando Fabio Mourilhe lembra que “existem certos casos, onde os quadrinhos são dispostos on-line integralmente antes ou simultaneamente ao lançamento do livro impresso, como ocorreu com Rafael Sica, e em outros casos apenas uma amostra do trabalho é disposta on-line (como ocorreu com Koostella). O material disposto on-line com certeza serve de estímulo ao consumo do material impresso (e vice-versa)”.

Mais ponderado é Renato Lima: “Se você quer que algo impresso tenha valor, colocá-la disponível na web (por um preço bem menor ou até de graça) é um "tiro no pé" se o autor e/ou editor depende dessa renda para prosseguir. Se é uma iniciativa que, de alguma maneira (lei de incentivo, patrocínio etc), já está segura financeiramente, o e-book gratuito é um chamariz de alcance mundial para abrir portas e formar público”.

“Acho que nada substitui a mídia impressa porque sou um nostálgico incorrigível”, frisa Lima, “mas reconheço que o e-book é mais do que uma realidade e tem que estar inserido no planejamento de qualquer lançamento, obrigatoriamente”. No outro extremo da corda, Allan Sieber é enfático: “E-book é para idiotas. Quem lê livro em computador? Prefiro não conhecer esse "público"”.
herois quebrando ipad
JBlog >> Um autor sem editora e, logo, sem distribuidora, pode fazer venda direta ao leitor e deixar o livro em consignação em algumas livrarias menores. A seu ver, esta é uma boa solução ou a melhor forma de vender livros é criando eventos de lançamento constantemente?

Renato Lima dá uma resposta bem completa à questão:
“Na experiência que tive tanto com a Mosh! quanto a Jukebox, os eventos sempre serviram muito bem para levantar tanto o dinheiro quanto para propaganda da edição que estava sendo lançada naquele evento específico. Nunca abandonamos os pontos de venda tradicionais, as vendas pela internet (sites de lojas, diretamente com o leitor etc), os cartazes e outros. Mas sempre consideramos esse lado muito mais lento e burocrático para editores independentes...

Para que a revista circulasse bimestralmente, sem muitos anúncios, tínhamos que levantar $$$ de maneira mais imediata e, principalmente, indo onde o público está, agir com uma postura mais dinâmica e incisiva em relação às vendas. Por duas vezes conseguimos bancar todos os custos com a realização de apenas um evento de lançamento. Nas outras vezes, a soma de todas as opções (evento, anúncio, pontos de venda etc) tornou possível que o projeto continuasse, considerando que metade sempre coube aos eventos, no mínimo”.

Na opinião de Bia Willcox, “Self-publishing não é algo tão bem visto no mercado ainda. Nos EUA os livros publicados sem editora são tidos como de menor qualidade. Mas, sem dúvida, promover eventos que agreguem conteúdo ao livro é a melhor solução - debates, entrevistas, vídeos”. Menos sutil, Allan Sieber diz que “a missão de vender livro não é para o autor. A não ser que ele venda incenso também”.

Quem pensa completamente diferente é Laudo Ferreira (FOTO). “Já tive publicações independentes que coloquei à venda em livrarias menores e tiveram ótimo retorno de vendas, assim como a venda direta para o leitor, mesmo através de alguns sites especializados como o Bodega do Leo. Mas também, criando eventos e participando de eventos é um outro grande caminho para venda, criando um contato direto com o futuro e provável leitor. O FIQ em novembro último foi uma absoluta prova disso, pois o que mais se vendeu, acredito, foram as publicações independentes”.

Laudo Ferreira

JBlog >> Liberar o livro em PDF gratuitamente, funciona como uma isca para que o consumidor compre o livro impresso, físico, depois, ou cada vez mais o leitor está desprendido do produto material e mais ligado em assimilar aquele conhecimento e ponto final?

“Acredito que a liberação total do material - gratuitamente - deva esperar que a edição se esgote ou, pelo menos, que já tenha passado um ano de lançamento”, opina Renato Lima. “Isso contribui para que novos leitores (no caso das revistas) se interesse pelas novas edições sem ter que gastar para se atualizar sobre as histórias, personagens etc e não anula o valor da edição impressa original”.

Bia concorda. “Por princípios nunca acho que o livro em pdf liberado sem proteção e gratuitamente vai gerar pirataria ou atitudes de má-fé. Mas há que se ter cuidado pra quem se envia o arquivo do livro! Não acho que enviar o livro em pdf vai fazer o leitor comprar o impresso, mas talvez mandar um "tira-gosto" do livro seja uma boa isca”.

E faz uma provocação importante: “O mercado editorial é muito antigo, ele cheira naftalina. É preciso mudar os paradigmas. É preciso mudar as mentalidades. O livro não pode passar por tantas etapas e se tornar tão caro e, ao mesmo tempo, render tão pouco para o escritor. Temos que repensar esse mercado e fazer diferente - editores e escritores”.

“Não acho essa opção viável, porém, não recrimino quem faz isso. Cada um sabe o caminho que vai dar a seu trabalho”, diz Laudo. “Isca é para peixes”, detona Sieber.

No trabalho apresentado no HQ Sim, em Manaus, Fabio Mourilhe conclui que “quadrinhos on-line podem se manter financeiramente através da propaganda, merchandising, comercialização de edições das tiras em livros, comercialização de artes individuais, assinaturas de conteúdo on-line, doações ou combinações de todas estes procedimentos anteriores”.

ilustracao de ulises farina

E com a sabedoria de quem pesquisa HQs há anos, o professor Waldomiro Vergueiro faz um resumo de tudo: “Esta questão dos suportes (ou formatos) para livros ainda está muito nebulosa. Acredito que o futuro tem muito mais incertezas do que certezas. Ninguém tem condições de afirmar que os formatos de e-book terão tão larga aceitação a ponto de colocar em xeque a produção de livros em papel. Em termos técnicos, os livros eletrônicos estão avançando bastante e pode-se imaginar que ocuparão uma parte do mercado, provavelmente o espaço dos livros de consulta rápida e da pesquisa, mas ainda é cedo para afirmarmos que irão ter o mesmo efeito na leitura de literatura em geral”.

Na opinião do pesquisador da USP, “todas as opções que você citou representam alternativas válidas e acho que devem ser vistas em conjunto, não como excludentes. hoje em dia, quanto mais formas um autor tiver de chegar até o seu leitor, ainda que no primeiro momento não tenha uma retribuição financeira adequada, mais possibilidades ele terá de se firmar no futuro. Acredito que é prudente um autor distribuir suas fichas em várias possibilidades ao mesmo tempo, pois dessa forma amplia suas chances de sucesso”.

E aí, confundiu ou esclareceu ainda mais? O que você faria se lançasse seu livro?
Deixe um comentário aí embaixo.


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Feliz natal e muita PAZ em 2012

natal piada

Que você tenha um feliz natal e que 2012 seja de paz, amor, saúde, dinheiro no bolso e um mundo menos violento.

PS - Um blogueiro de HQs não podia perder a piada... ;-))

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Heroínas das HQs contra o câncer de mama

Através de uma agência de publicidade de Moçambique, a Associação da Luta Contra o Cancer (ALCC) lançou esta campanha de prevenção ao câncer de mama, utilizando quatro heroínas dos quadrinhos: Mulher-Maravilha, Mulher-Hulk, Mulher Gato e Tempestade. O texto da peça diz: "Ninguém está imune ao câncer de mama. Quando falamos sobre câncer de mama, não há mulheres ou supermulheres. Todo mundo tem que fazer o auto-exame mensal. Lute conosco contra o inimigo e, quando estiver em dúvida, converse com seu médico". Boa iniciativa!

heroinas contra o cancer de mama - mulher gato
heroinas contra o cancer de mama - mulher hulk
heroinas contra o cancer de mama - mulher maravilha
heroinas contra o cancer de mama - tempestade

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O dia em que Kardec conheceu os espíritos

livro KARDEC em quadrinhos

Os gaúchos Rodrigo Rosa (desenho) e Carlos Ferreira (roteiro), premiados pela adaptação de “Os Sertões” para os quadrinhos, assinam um dos mais novos lançamentos da editora Leya, através do selo Barba Negra: Kardec. O livro de 144 páginas mostra como o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail conheceu e transformou-se em Allan Kardec, codificador do espiritismo. Veja o papo que tive com eles por e-mail:

JBlog >> Quando vocês fizeram o livro, foi para o concurso da Barba Negra ou o projeto já estava em andamento há tempos?
Rodrigo - O projeto não tem nada a ver com o concurso da barba. É anterior. O Carlos tinha essa ideia, mas desenvolvemos um piloto de 16 páginas pra um concurso de quadrinhos na Espanha, em 2007. Não ganhamos e o projeto ficou estacionado. Em 2009, quando começou o "boom" de filmes espíritas, a Leya/Barba Negra nos convidou para tocar o projeto, e então tudo recomeçou.

Carlos - Sim, o projeto já estava em andamento há tempos. O meu interesse como criador e roteirista do Kardec sempre foi escrever sobre o século XIX, sobre uma história de transição de cultural e metafísica. No século XIX o homem mudou radicalmente a sua forma de ver e viver no mundo. Foram mudanças que culminaram na existência e consequências complexas do século XX e XXI.

Eu queria contar uma história que mostrasse que não somos os arquitetos do nosso destino, mas as nossas escolhas interligam o tecido do destino e também contar uma história que mostre o constante processo da evolução das ideias metafísicas e sua cadeia circular onde a humanidade atinge saltos em determinadas épocas que desde a origem do homem estão presente.

kardec - Paris em transformacao

JBlog >> Ambos são espíritas?
Rodrigo - Minha família tem uma forte ligação com o Espiritismo. Fazendo o livro, eu estudei principalmente o Livro dos Espíritos (1857), que tem muitas coisas que me cativam, mas outras me deixam dúvidas. Acho que uma das coisas mais interessantes do Espiritismo é que ele está aberto as dúvidas, seu viés científico o afasta da rigidez dos dogmas. Não sei se posso me dizer exatamente um "espírita praticante", mas acredito - até por algumas experiências pessoais - no poder do mundo espiritual.

Carlos - Eu não sou espírita. Sou agnóstico. E acredito que o fato de ser agnóstico e me manter agnóstico é super positivo ao livro por que o espiritismo é aberto ao diálogo e aqui esse diálogo acontece entre os autores e o tema. A ideia nunca foi fazer um livro doutrinário, mas contar narrar um fato histórico em ritmo de aventura. Kardec tinha todos esses elementos. E é pouco conhecida a origem do codificador. Poucos conhecem a verdade de como o professor Rivail e Allan Kardec.

concentracao antes da mesa girar

JBlog >> Fiquei confuso sobre o público alvo. Vocês escreveram para um público leigo ou direcionado para os adeptos da doutrina?
Rodrigo - Nossa ideia é atingir a ambos os públicos, pois, o que nos interessou nessa passagem da vida do professor Rivail, foi o fato de se tratar de uma
história muito interessante de ser contada. É isso o que realmente nos importa.

Carlos - O livro faz um diálogo com todos os públicos. Sempre foi essa a intenção. Criar um romance gráfico popular e aberto. Buscar um público que seja aberto ao tema e até aos quadrinhos. Existem às vezes, uma resistência ao tema religião, ou até a ler quadrinhos me parece, depois de ter conversado com alguns leitores do Kardec que essa barreira vai sendo quebrada. Há leitores que antes nunca tinham lido quadrinhos. E há leitores de quadrinhos que nunca tinham prestado maior atenção ao espiritismo.

mesa girando no ar

JBlog >> Outra coisa que não entendi direito foi o time do livro. Tem sequências de páginas com diálogos extensos e até mesmo com falas que soam bem em livros, mas que não necessariamente as pessoas falam daquela maneira. E logo depois entram sequências mudas, como storyboards, planos de cinema e tal. O livro alterna bastante esses momentos. Qual foi a intenção?
Rodrigo - A ideia é alternar o ritmo, intercalando as cenas de diálogos extensos (que sim, usam uma linguagem mais literária, mas também você tem que levar em conta que nossos personagens são homens cultos que viviam em meados do séc XIX) com sequências mudas onde a narrativa visual se sobressai e está repleta de signos visuais que remetem a história da França e a mística dos druidas. Por isso aconselhamos a leitura do glossário no fim do livro, onde essas citações visuais são explicitadas.

Carlos - Meu estilo como roteirista sempre foi narrar histórias em quadrinhos que, de certa forma são mais próximas nas narrativas cinematográficas e televisivas, como as séries de tevê. Onde a síntese e silêncio das cenas são pontos altos do conto ou narração.

JBlog >> Por que o recorte é apenas no primeiro contato do codificador com o espiritismo, sem mostrar o que acontece depois? Desde o início existe a ideia de fazer uma série?
Rodrigo - Porque nesse livro nos interessa contar (e criar) a história desse homem que vive uma transformação em meio a uma realidade em transformação. A gênese do Espiritismo. É uma história que se fecha por si, mas também permite uma continuação. É possível que ela venha, mas isso depende de uma série de fatores, onde o interesse do público é fundamental. Vamos ver...

Carlos - Eu fui fisgado pelas mesas girantes, foi o ponto de partida do texto. Acho que a história do cético que investiga o mundo espiritual e descobre a verdade de si mesmo. Uma verdade atemporal e universal que transformará o mundo foi o “clic” de da história que eu queria escrever. Não só tive um “clic” uma ideia de fazer um livro do Kardec. Escrevi o roteiro decupado de cenas até o Rodrigo entrar nessa aventura única de criar o quadrinho Kardec.

Eu quero escrever uma trilogia. Mas ainda é cedo de falar sobre o futuro. Vamos ver como o público se relaciona com o Kardec. Sim, há toda uma continuidade sobre o Espiritismo após o último quadro do livro. Mas é interessante de sentir, buscar e pesquisar a verdade dessa continuidade que é o espiritismo e também é o mundo.

kardec e as batidas na mesa

JBlog >> A opção pelo preto e branco foi estética ou financeira?
Rodrigo - Foi estética. A ideia foi dar um visual que remeta ao clima das fotografias que temos do século XIX: ou seja, em PeB.

Carlos - Ambos somos apaixonados pelo PeB dos quadrinhos e o cinema. Existe essa textura ali. E como é uma história de época acho PeB mais fiel. Uma janela, um túnel do tempo.

JBlog >> O traço muda bastante quando a HQ se desloca para tempos passados. O desenho é mais bonito ainda na parte do druida (página 94 em diante). Gostaria que falassem sobre as diferentes técnicas, a mudança de traço, qual a intenção disso tudo...
Rodrigo - A mudança no traço serve pra realçar a mudança da época. No caso da volta a Gália, a tentativa foi de criar uma estética mais próxima da gravura ou de desenhos medievais, onde o essencial é a linha. Essa é opção de mudar o estilo do desenho pra realçar a mudança de época dentro da narrativa é um clássico dentro dos quadrinhos.

Carlos – Isso mesmo. As mudanças do traço é para marcar as diferentes épocas. Com a presença de quadros nos tons cinzas estamos no século XIX. Com o traço que mais no clima “A espada selvagem de Conan do Alfredo Alcala” estamos na época do Druida.

mesa começa a girar

JBlog >> Por fim, vocês assistiram ao Filme dos Espíritos? O que acharam?
Rodrigo - Eu não assisti, pois estou morando em Barcelona, me mudei uma semana antes do filme estrear e de nosso livro sair. No momento, nem o nosso livro eu vi ainda. (risos)

Carlos – Também ainda não vi.
kardec e a psicografia

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Diego e Laura, dois peixes fora d´água

Peixe Fora D Agua - capa

marco oliveira

Laura Lannes e Diego Sanchez são corajosos. Ou seriam peixes fora d´água, como o título da sua primeira publicação? Ao contrário da maioria dos quadrinistas independentes, não só meteram as caras para editar seus trabalhos num livro simples e simpático, como também abriram suas páginas para outros colaboradores, como Pablo Carranza, Marco Oliveira e Pedro Zylbersztajn. O JBlog conversou um pouco com eles para entender o que pensa a nova geração.

JBlog >> A ideia é super bacana, mas me pareceu que a galera é mais ilustradora que quadrinista, como me pareceu o caso do Diego, que desenha bem. Houve uma curadoria ou rolou uma cotização com o pessoal rachando o custo, e aí quem pagou entrou?

Diego: Os trabalhos que eu tenho na revista são com certeza mais focados no desenho. Quando comecei a fazer quadrinhos eu tive como principal influência quadrinhos europeus (Moebius, Manara, Enki bilal), mas comecei a experimentar quadrinhos com roteiro mais "padrão" para a revista. Assim como eu, grande parte do elenco da revista curte mais esse tipo de coisa plástica e pode ficar com cara de ilustração, mas acho que é um dos caminhos do quadrinho, o quadrinho mais plástico.

Eu trabalho sim como ilustrador, mas atualmente eu junto com o Pedro Zylbverstajn, Murilo Souza, Laura e a Isabel Fancis Cloutier estamos preparando um segundo livro chamado "Divina Comédia Humana". Ele tem um trabalho mais sério mais o tipo de cosia que eu curto, menos piadinhas bobas e mais possibilidade de experimentar com o desenho, roteiros mais parecidos com, por exemplo, o Lorenzo Mattotti e o Mutarelli.

Esse primeiro trabalho (peixe fora d´água) era mais algo do tipo " vamos fazer alguma coisa para publicar". Não rolou uma curadoria nem uma cotização. Eu e a Laura pagamos sozinhos e aceitamos trabalhos bons de desconhecidos, ruins de amigos, médios de desconhecidos, bons de amigos , enfim todo tipo de coisa. Mas a gente tentou dar uma prioridade as coisas boas e de gente desconhecida.

Editorial - Laura e Diego


JBlog >> Achei a Laura muito inspirada pela Marjane Sartrapi, essa coisa do quadrinho biográfico, intimista, meio ranzinza até...

Laura - Eu admiro muito o trabalho da Marjane Satrapi, mas não sou inspirada por ela. Os quadrinhos autobiográficos eu roubei do Crumb, uma das minhas primeiras influências. Mas melhor que ele só o Laerte.

Eu gosto muito de desenhar, mas faço quadrinhos quase que só pela piada. Não sei se conseguiria fazer um trabalho sério como "Persépolis". Acho que tenho mais a ver com a Kate Beaton (ou pelo menos é o que eu gosto de pensar). Ela é fantástica! O desenho é lindo e ela é tão engraçada. Aliás, é exatamente isso o que eu também sempre admirei no Laerte: ele faz uma arte tão linda e cheia de classe, e ainda tem graça e é inteligente

pablo carranza


JBlog >> É legal ver Golden Shower, Beleléu, Tarja, e vocês, dando gás em HQ independente. Só que a maioria não passou dos primeiros números e/ou falta periodicidade. Quando sai a numero 2 do Peixe?

Laura - A Tarja Preta está no 7, a Beleléu não lançou um 2 mas lançou um "filhote" (a Aparecida Blues), a Golden Shower está no 2, a Samba está no 2, a Prego acho que está no 5 (ou será 7?), o Calendário Pindura não deixa de ser um tipo de quadrinho e também já está no 2 ou 3 (não sei). Fora as que eu não lembro!

Agora estamos trabalhando cada um em sua própria revista. Eu vou fazer um quadrinho solo e o Diego está organizando uma coletânea chamada "Divina Comédia Humana", que vai ter quadrinhos dele e de artistas que participaram da Peixe, como o Murilo Souza, além de outros quadrinistas mais conhecidos, como o Elcerdo. O blog da revista foi deletado, então é melhor referenciar a página no Facebook. E eu tenho um blog

pedro Zylbersztajn


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Mês dos Quadrinhos no SESC Ipiranga

O SESC Ipiranga preparou uma série de atividades relacionada aos quadrinhos neste mês de dezembro, confira a programação abaixo ou neste link.
  
BATE PAPO E LANÇAMENTO
A Cultura Literária dos Quadrinhos
Dia 17/12. Sábado às 19h.
Bate papo com autores de quadrinhos com o objetivo de dar um panorama sobre a atual produção de HQ´s no Brasil, elucidar as principais estéticas em torno dos quadrinhos, além do processo utilizado por eles na elaboração dos cenários e personagens criados.  Os autores apresentarão as  suas produções: “0telo” (adaptação de Shakespeare para quadrinhos ), de Jozz; “Contos e Cantos do Maraska”, de Marcelo Scaff; e “Overdose Homeopática”, de Marco Oliveira. Com Jozz (ilustrador e quadrinhista), Marcelo Scaff (ilustrador e compositor) e Marcos Oliveira (quadrinhista e ilustrador). Galpão. Grátis.
 
SHOW
Maraska
Dia 17/12. Sábado, às 21h.
A banda Maraska apresenta o show da trilha sonora do HQ “Contos e Cantos do Maraska – Pscircodelia” , trazendo uma proposta visual repleta de animações, desenhos e trechos do livro. Contam com um grupo de atores que exploram os personagens e cenários presentes na trama da história do quadrinho. Galpão. Grátis.
 
CINEMA
O HQ para o Cinema
De 04 a 15/12. Quintas, às 19h, e domingos, às 16h.
Exibição de vídeos originados de importantes  adaptações de HQ para o cinema, trazendo estéticas diferentes e enredos que fogem do padrão do super-herói. Ao final de cada sessão, haverá um bate papo com Luciano Nascimento Figueiredo (Mestre em Estética e Filosofia). Filmes: “Coraline” (direção de Henry Seçick / Indicação: 10 anos) – dia 04/12 (domingo), às 16h; “Scott Pilgrim Contra o Mundo” (direção de Edgar Wright / Indicação: 12 anos) - dia 11/12 (domingo), às 16h; “Watchmen – O Filme” (direção Zack Snyder / Indicação: 16 anos) - dia 08/12 (quinta), às 19h; “Sin City – A Cidade do Pecado” (direção de Frank Miller, Quentin Tarantino e Robert Rodriquez / Indicação: 16 anos) – dia 15/12 (quinta), às 19h. Galpão. Grátis.
  
OFICINAS
História em Quadrinhos
De 07, 08, 14 e 15 /12. Quartas e quintas, das 16h às 19h.
Com  Jozz (quadrinista e ilustrador).  A oficina começa apresentando os diversos segmentos da narrativa gráfica (adulto, infantil, autoral, tirinhas, etc.)e discute seu panorama atual. Após a introdução teórica, os inscritos irão criar uma história em quadrinho curta, partindo da observação e junção de recortes de jornal, trecho de música etc. Acima de 12 anos. 15 vagas. Sala 1. R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Inscrição na Central de Atendimento a partir do 01/12.
 
HQ e Cinema
Dias 03, 10, 17/12. Sábados, das 16h às 19h.
Com Marcelo Scaff (ilustrador e compositor). Tendo como ponto de partida o filme “Scott Pilgrim”, serão feitas comparações das cenas dos quadrinhos que foram utilizados como um storyboard do roteiro para a produção do filme, decodificando os quadrinhos para a linguagem cinematográfica. Acima de 12 anos. 15 vagas. Internet Livre. Inscrição no local da atividade, com 30min de antecedência. Grátis.
 
Tirinhas e Tirinhas
Dias 03, 04, 10 e 11/12. Sábados e domingos, das 14h às 17h.
Com Marco Olivieira (quadrinhista e ilustrador). Aulas abertas de interativas de elaboração de tiras, tanto da parte gráfica quanto do processo de criação. Serão apresentados esboços e cartuns do artista durante o processo. Galpão. Grátis.
 

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