Premiado no país de origem quando do lançamento, "
Lucille" é mais um bom lançamento no Brasil da editora portuguesa Leya, através da parceria com o selo Barba Negra. A primeira vista o tijolo pode assustar, pois são 544 páginas. No entanto a obra possibilita uma leitura leve e objetiva, assim como os traços do francês
Ludovic Debeurm. O livro conta a história de uma adolescente insegura, sem namorado, filha única e que sofre de anorexia. Lá pras tantas Lucille cruza (ironicamente) em sua casa com Vladimir, o jovem entregador da farmácia que carrega nas costas o peso de ser o homem da família após a morte do pai.
Com um traço fino, sem a preocupação da ilustração perfeita, a história chama a atenção justamente pela informalidade, sem os quadros que delimitam cenas e páginas, aproximando bastante essa HQ de um
storyboard de cinema. Os diálogos são breves e muitas vezes o autor se apropria da máxima "uma imagem vale por mil palavras". A impressão é em apenas uma cor, mas é impossível não imaginar os sons, as cores e os ambientes descritos sobretudo quando o casal protagonista viaja pela Itália.
É mais uma história de amor? É, mas bastante atual nesses tempos onde uma geração conectada parece desorientada e órfã de valores importantes, e a família vai deixando de ser a instituição de referência. Vale a pena conferir.
COLETÂNEA SEM NADA A DIZER
Em compensação, a primeira edição do projeto 1000 é, literalmente, para gringo ver. Com o argumento de ser "quadrinho experimental", reuniram seis quadrinistas atuantes, cada um com uma história mais doida que a outra, daquelas onde não há final, conclusão e muito menos piadas. São apenas HQs sem fala, só com imagens, que cheira a quadrinho para exportação. Com tantos títulos bacanas, "1000-1" será apenas um no excelente catálogo que a dupla
Leya/
Barba Negra está formando.
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