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Sonho colorido e em francês

JB de 31-08-2010

Eduardo Pinto Barbier nasceu no Pará, mas em 1993 se mudou para a pequena cidade de Narbonne, no sul da França. Na bagagem levou sua revista em quadrinhos, com o sonho de continuar editando-a no velho continente. Rico Manhães também morou na França, porém quando criança. Hoje, aos 38 anos, reside com esposa e filha em Florianópolis (SC), mas seus principais clientes ainda são as editoras franco-belgas. Até hoje, Rico já vendeu mais de 190 mil livros no velho continente. Mas afinal, por que o sonho de consumo de tantos quadrinistas é trabalhar para lá?

Pra começo de conversa, na Europa o artista recebe adiantamentos financeiros enquanto desenha o álbum, num processo que leva até seis meses. A fluência na língua estrangeira é claro, ajuda na promoção através da internet. No caso de Rico Manhães, ao ser eleito “novo talento” pelo site BDParadisio.com ele começou a ter convites de trabalho naturalmente.

---- Já tenho 11 publicações lançadas na Europa e os mais vendidos são voltados para adolescentes e crianças, como a Gothic Girl (personagem gótica lançada pela Casterman em 2007) e o Le Guide Junior de L'école (O Guia Junior da Escola). Vou pra lá uma vez por ano participar de festivais ou de reuniões com editoras e amigos.

o quadrinista Rico Manhães

A estréia de Rico no mercado estrangeiro aconteceu em 2002. Segundo ele, outro trunfo é saber desenhar no chamado estilo franco-belga.

--- É o desenho finalizado em bico de pena ou pincel, com piadas de uma ou duas páginas. Alguns álbuns são de uma história inteira. A característica do estilo "nariz redondo" como também costumam chamar, e que se vê nos desenhos do Asterix.

Inspirado por franceses como André Franquin, Maurice Tillieux e Albert Uderzo, Rico diz que quando cria para a Europa as suas referências vêm da infância e pensa em francês. Quando o cliente é brasileiro, as suas referências vêm da fase adulta. Seu mais novo lançamento é um álbum sobre futebol, que a editora Joker distribuirá na Holanda, França, Bélgica e Suíça.

---- Eu desenho metade e a outra metade fica com o turco Gurcan Gursel, famoso pelas suas piadas de futebol.
livro de futebol rico manhães parte 1

livro de futebol rico manhães parte 2


DIVULGANDO OS BRASILEIROS
Ao contrário de Rico, o paraense Eduardo Barbier trabalha para divulgação de todos os quadrinistas brasileiros através da sua revista Bouche du Monde. Na verdade, ela começou como Boca do Mundo, em Belém, e mudou de nome quando o editor passou a publicá-la na França. Mas como ele foi parar lá?

---- Meus pais não queriam que eu seguisse o caminho do resto da família, que são quase todos jornalistas ou ligados a cultura, então me mandaram para a França. Bouche du Monde foi o primeiro fanzine franco-brasileiro. Aí veio a vontade de ir cada fez mais longe a procura de novos colaboradores estrangeiros, mas sempre priorizando o trabalho dos brasileiros, a começar pelas capas, de artistas como Luispê (PA), Paulo Emmanuel (PA), Irthumm (MG), Lourenço Mutarelli e Alberto Pessoa (SP).

A versão francesa está na 11ª edição, com 44 páginas, e periodicidade indefinida. Nenhum colaborador é remunerado e a impressão é mista, parte no Brasil e parte na França, com tiragem de 400 exemplares. Sem anunciantes, ela é custeada com a venda dela mesma. Eduardo lembra que existem muitas dificuldades, como o alto custo de postagem pelo correio, o tempo gasto na edição e o preço alto para venda no Brasil, através da distribuidora independente Quarto Mundo.

---- A distribuição é muito importante para nós, autores. Não é fácil ser editor no Brasil. Na maioria das vezes as gibiterias fazem um bicho de sete cabeças para vender as revistas independentes. Então nós conseguimos fazer um tipo de distribuição alternativa, pois o Quarto Mundo está presente em mais de 20 cidades no Brasil.
capa da Bouche du Monde numero 11

O feito mais importante na história da revista foi a seleção para o festival internacional de quadrinhos de Angoulême, em 2009, que proporcionou uma grande divulgação, já que o melhor lugar para se encontrar os editores de HQ são os festivais do gênero. Ele destaca ainda a exposição que ele co-produziu em Narbonne reagrupando mais de 60 autores do mundo inteiro.

---- Seria muito legal se a Bouche du Monde pudesse ser indicada nos prêmios de quadrinhos do Brasil. Um dia chega a hora dela. – suspira Barbier, sem medo de continuar sonhando.

Eduardo Barbier no festival de Argel em 2008

Leia também:
Como é a cena de quadrinhos na Argentina
Políticas públicas para as HQs no Brasil
A biografia de Nicolas Sarkozy em quadrinhos

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Adesivos divertidos para iPad, iPod, iTudo

A matéria sobre os quadrinhos no iPad agradou aos leitores aqui do JBlog. E como nos EUA, tudo que está na moda vira uma fábrica de dinheiro, já existem adesivos com personagens de quadrinhos e desenhos animados para colar nos iPads, iPods, notebooks, etc. Esses aí estão a venda que variam de R$ 7 a R$ 32, confira aqui.
adesivo south park

adesivos para iPad

adesivos para iPhone

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O quadrinho erótico em alta

capa caderno B 28-08-2010

Na origem da palavra, catecismo é uma instrução religiosa, o ensino oral da religião cristã. Porém, nos anos 50 e 60 os catecismos eram pequenas revistas que apresentavam o mundo erótico e do sexo para uma população de jovens que não tinham nenhuma informação a respeito. Durante a ditadura, sexo era considerado subversão, coisa de comunista. No entanto, editoras brasileiras lançaram revistas masculinas e peitaram os militares. O erotismo continua em alta nos dias de hoje, através de livros belamente desenhados por artistas como o italiano Milo Manara, e lançados continuamente e sem censura. Preferências a parte, o que não faltam são bons títulos.
Materia caderno B 28-08-2010


CATECISMO EM QUADRINHOS
O jornalista Worney Almeida de Souza é o autor da caixa Quadrinhos Sacanas (Editora Peixe Grande), editado por Toninho Mendes, que em seu primeiro volume traz quatro livrinhos de bolso de temas variados: animais, homossexuais, sexo espacial e defloramento. São histórias em quadrinhos originais dos anos 50 e 60 responsáveis pela iniciação sexual de muita gente. Ele explica que o critério de escolha foi temas inusitados e que pudessem apresentar autores com estilos diferentes e pouco conhecidos:

---- Serviram para que muita gente descobrisse o sexo, sem as limitações ou imposições da moral burguesa e da visão da Igreja Católica. Hoje a situação é muito diferente: o sexo é um produto de consumo que é enviado pela goela de todos, especialmente os jovens. O sexo é um assunto muito comum e banalizado, os sites pornôs são um veiculo de consumo muito eficiente, mas não cumprem o papel dos antigos catecismos.

Animado, ele já está dando os últimos retoques no segundo volume, intitulado Quadrinhos Sujos, que será dedicado às HQs americanas satirizando atores e atrizes do cinema e dos quadrinhos. Mas será que os leitores ficarão a vontade de ler qualquer um dos livrinhos em público?

--- Creio que mesmo com toda a liberalidade que permeia as publicações eróticas ou pornô, ainda existe uma predisposição sobre a leitura pública de HQ eróticas. Mas, francamente, existem lugares e lugares para se abrir uma revista pornô!

Caixa Quadrinhos Sacanas


QUADRINHOS E PORNOGRAFIA NA DITADURA MILITAR
O também jornalista Gonçalo Junior, autor de Guerra dos Gibis, acaba de lançar o segundo volume da série, também batizado de Maria Erótica e o clamor do sexo (Editora Peixe Grande). Novamente o foco é a história em quadrinhos como alvo de censura, porém, desta vez o livro fala sobre duas editoras de gibis que exploraram erotismo e foram vítimas do regime militar.

---- Não era possível desvincular a história da Edrel e da Grafipar do seu contexto político, uma vez que erotismo era apontado como arma dos comunistas para destruir a família brasileira. Foi preciso situar as duas editoras dentro da repressão da ditadura.

Entre os vários desafios do novo livro, Gonçalo destaca a entrevista com Paulo Fukue, desenhista da Edrel que foi preso e torturado, acusado de subversão.

---- Foram 15 anos entre o primeiro contato e a entrevista, realizada em 2006. Acho que amadureci em minha escrita, o que me permitiu um maior domínio na hora de fazer o texto final. O livro ficou com 750 mil caracteres, dez vezes menos que o esboço original. Tive de enxugar e cortar muita coisa. Mas o essencial está aí.

A ligação entre a HQ erótica e as revistas masculinas é enorme, como explica o autor:

-- Sexo era considerado subversão, arma de comunistas para acabar com o capitalismo. Ao mesmo tempo, as duas editoras estudadas publicaram muitas revistas masculinas, com fotos de mulheres seminuas. A mesma repressão que atingiu estas afetou os quadrinhos.
livro Maria Erotica

O que chama a atenção é que tanto Gonçalo Junior quanto Worney de Souza não temem que seus livros sejam censurados ou boicotados nas lojas. Pelo contrário. Worney diz que as grandes redes são os principais compradores da sua caixa de HQs de catecismo. Gonçalo concorda e acrescenta:

---- Está muito claro o seu propósito na capa, na contracapa e nas orelhas: é uma forma nova e inusitada de contar a história da ditadura militar pela censura às revistas de sexo. Tanto que brinco no verso, onde escrevi CENSURA LIVRE.

Mas nos dias de hoje as revistas masculinas ainda têm sua função catequizante em plena era digital?

--- Creio que não. Os mecanismos do sexo são muito escancarados e essa função educativa está diluída em muitos veículos diferentes. --- devolve Worney.

Na opinião de Gonçalo, o meio digital não tirou o espaço para a pornografia impressa.

--- Costumamos ver a internet de forma meio deturpada, pois é pequeno o percentual de brasileiros que acessam privativamente a rede e os sites de sexo. Quantos são eles? 5% ou 10% da população? A maioria que tem contato com computador o faz no trabalho e nas lan houses, sem qualquer privacidade. E a HQ erótica continua a ser feita porque ainda tem mercado.

QUADRINHOS ITALIANOS NO BRASIL
Milo Manara (1945-) é um dos principais nomes do quadrinho erótico mundial. Sua fama mundial veio com a série Clic, sobre uma recatada dama da alta sociedade que descobre o prazer num clique de uma máquina. A Conrad Editora já lançou três álbuns no Brasil e promete o quarto volume em breve.

A mesma editora também lançou os três primeiros volumes (de uma série de 4) de Bórgia, uma parceira de Milo Manara e o chileno Alejandro Jodorowsky, sobre a saga da família Bórgia, que ficou famosa no século XV por dar ao mundo dois papas de reputação duvidosa e se tornaram símbolo de decadência da Igreja no fim da Idade Média. Com um roteiro fluido e arte belíssima, o leitor ficará impressionado tanto com o sexo, que inclui cenas de incesto e estupro, quanto à violência explícita.

detalhe de Borgia numero 3 de Manara

Há ainda que destacar o álbum Giovanna, criado por Giovanna Casotto, a primeira quadrinista italiana a desenhar histórias eróticas. Inspiradas nas pin-ups dos anos 1950, a artista é famosa pelo realismo de suas ilustrações. Para aguçar ainda mais a imaginação do leitor, ela tira fotos de si própria nas mais variadas posições para depois utilizar como base de seus desenhos. E se uma mulher assim já seria capaz de levar a imaginação de qualquer pessoa longe, que tal dez diferentes? Neste livro, a autora escolhe suas personagens a dedo, entre empregadas, esposas e enfermeiras. Vale todos os centavos dos R$ 50 cobrados pela obra.
capa do livro de Giovanna Casotto

Leia também:
Resenha de "Encontro Fatal", de Milo Manara
Resenha de "Verão Índio", de Milo Manara
Tirinhas picantes de Aline, criada por Adão Iturrusgarai

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Agora a onda é o quadrinho no iPad

Primeiro os quadrinhos chegaram à internet tanto em forma de scans (páginas escaneadas) como em HQs criadas para ler na tela de um computador, inclusive com algumas animações em Flash e um ou outro recurso diferente. Depois, a HQ chegou ao telefone celular e aos games (como é o caso dos PSPs). Aliás, recentemente várias editoras como DC e Vertigo fecharam uma parceria para vendas de revistas exclusivas para PSP (abaixo) por US$ 2,99 através da Playstation Store.

quadrinhos no PSP


Sem a pretensão de esgotar a discussão sobre o tema, que é extensa e não teria fim aqui, o JBlog aproveita este momento em que o Jornal do Brasil se tornará 100% digital para iniciar um debate importante aqui neste espaço...

QUADRINHOS NO iPad
Senhoras e senhores, de um lado do ringue os entusiastas de livros digitais, os chamados e-books. Do outro, os leitores tradicionais, que não dispensam os quadrinhos impressos. E no meio, aqueles que acreditam na coexistência dos dois formatos. O debate esquenta enquanto o mercado editorial brasileiro não apresenta uma solução que agrade a gregos e troianos, inclusive os autores - que no caso de ilustradores, brigam para receber os direitos patrimoniais como seus companheiros de texto.

O tema do momento é o iPad, que já vendeu 300 mil unidades nos EUA e acaba de ganhar dois leitores de peso, criados pelas duas maiores editoras de HQ dos EUA: Marvel e DC Comics. Claro que a adaptação de histórias pro formato digital já acontecera antes com o iPhone e o iPod Touch, por exemplo, mas quem já teve a oportunidade de testar no Ipad diz que o formato maior de tela colabora muito quando o assunto é quadrinhos, uma vez que está próxima do tamanho real de uma página de livro impresso.

Tanto a DC quanto a Marvel oferecem seus leitores (readers) gratuitamente, com o objetivo de venderem seus títulos a US$ 1,99. No caso da Marvel, logo de início o leitor é cumprimentado pelo Hulk, Homem de Ferro e o Capitão América e transportado para a loja virtual, onde é possível fazer uma pesquisa por palavra, séries, gênero, autor ou arco da história. Para a leitura online é possível avançar páginas e aproximar. O leitor da DC é semelhante ao da Marvel, porém a maior parte da biblioteca do leitor é dedicado aos títulos mais recentes.

Marvel Reader

Marvel appstore para IPOD

dc comics para ipad, itouch e itudo


Leitores de quadrinhos são uma excelente forma de acompanhar um título favorito, uma vez que o fã pode ativar as notificações automáticas e saber logo dos lançamentos. A questão é saber se esta realidade já existe de fato no Brasil. Para isso, o JBlog perguntou a importantes profissionais do meio.

A OPINIÃO DE QUEM É DO RAMO
“Acho que num plano de negócio envolvendo quadrinhos ninguém deve ver o impresso e o digital como excludentes. A questão é a quantidade de recursos à disposição da obra e o nome do autor como chamariz pro produto. Se o autor é um desconhecido, por definição ele precisa ganhar prestígio pra receber uma oferta. Daí o quadrinho pra internet ser tão ou mais perfeito quanto qualquer fanzine.

Se o sujeito pode investir, o quadrinho digital poderia ser uma incrível força de promoção, liberando material inédito pra quem comprou o impresso. O login de acesso poderia ser o código de barra do produto junto com uma senha que venha dentro da revista. O que eu tento dizer é que cada plano negócio pode e deve encontrar uma fórmula que junte as duas plataformas, de acordo com o potencial comercial que o conteúdo criativo permita”.
Álvaro Campos – roteirista do Mundo OI

“Eu acho que o livro digital tem vantagens que vão estimular um consumo crescente.
Mas o livro em papel não vai desaparecer nem cair demais. Afinal, ainda temos um mercado leitor "deprimido", quer dizer, pode crescer muito no Brasil. Depende de outras coisas além de preço e distribuição. Depende do desenvolvimento da nossa cultura e educação.

Aposto num aumento do consumo geral. Mais interesse no digital e uma manutenção do interesse no papel.”
Miguel Mendes – Estúdio Megaterio

“Acho que ainda vai levar um bom tempo para a discussão sobre "o livro digital no lugar do livro impresso" tomar fôlego e se tornar realmente relevante. Acredito que quem está realmente com os anos contados são os grandes, desajeitados e sujos jornais impressos, que podem ser substituídos por esses aparelhos modernos. Em alguns casos específicos, como na cena independente, o livro digital pode começar a conseguir um espaço maior, já que não terá limite de tiragem nem custos gráficos.

Resta especular e esperar por uma grande novidade tecnológica no assunto, que pode baratear tudo. O suporte papel tem valor afetivo e histórico. Não é uma novidade como o cd ou dvd. Ele pode perder espaço a longo prazo como principal suporte para leitura, mas é improvável que desapareça”.
Rodrigo Febronio – Programa Banca de Quadrinhos

"Esta é uma questão difícil de responder, pois estamos vivendo momentos de grandes redefinições sobre valores, comportamentos e perspectivas num mundo extremamente complexo e diverso. Mas vamos à minha impressão:

O comportamento das pessoas e forma de ver o mundo está mudando muito nesta era de inovações tecnológicas... Muitas projeções de futuro que vemos em vídeos, estudos, pesquisas e mesmo propagandas, que influenciam nossos pareceres, nos mostram um uso cada vez mais constante de dispositivos tecnológicos, como é o exemplo do vídeo deste link.

Porém, não podemos nos furtar da análise das defasagens relativas ao acesso da população a estas inovações e qual o tempo necessário para uma democratização destas, apesar de vemos o alto índice de uso de internet e celulares por parte de jovens, inclusive de classes sociais menos favorecidas mesmo em países em desenvolvimento... mas não podemos negar esta grande defasagem.

Por um outro lado, vemos correntes e movimentos repensando valores contemporâneos e formas de atuar e conceber suas escolhas de vida numa relação mais próxima aos recursos da natureza e menos consumo, claro que em proporções bem menores, mas que numa sociedade conectada também provoca reflexões e arrebanha seguidores.

Nesse sentido, acredito que não irá haver substituição, mas convivências paralelas. Estamos achando os modelos de negócio mais sustentáveis para todos estes aspectos, mas acredito que a fórmula de digital cobrado e tiragens impressas por demanda após estoque esgotado fazer sentido. Afinal, ainda temos muitos apreciadores de CDs com fichas técnicas e encartes completos e livros “folheáveis” também!"
Opinião pessoal de Tela Fonseca, diretora de Comunicação e Relações Institucionais da Vivo

"No médio prazo o ebook nao representará parcela importante no faturamento das editoras brasileiras. Muitas definições sobre o modelo de negócios, contratos de direitos autorais e acesso às tecnologias ainda estão em formação. De qualquer forma, agora é a hora para preparar os acervos digitais e seus metadados.

Quanto ao acervo digital, a principal oportunidade no curto prazo é a impressao sob demanda. Muitos livros estao esgotados ou nao sao economicamente viaveis para grandes tiragens. Vender o livro com impressão sob demanda é uma maneira de rentabilizar os arquivos digitais já".
Newton Neto, Singular Digital

E você leitor, o que pensa disso? Deixe sua opinião comentando aí embaixo!

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Dia Internacional de Ler Quadrinhos em Público

Dia Internacional de Ler Quadrinhos em Público

Nos Estados Unidos já existe o Dia do Quadrinho Gratuito. Mas não bastava.
Agora existe também o Dia Internacional de Ler Quadrinhos em Público. Isso mesmo, e será "comemorado" neste domingo, dia 28.

A proposta é bem objetiva: que neste dia cada pessoa leia uma HQ durante uma ou duas horas num banco de praça, num parque, numa praça, num ônibus ou onde quiser, desde que todo mundo possa ver.

No site oficial da mobilização há dois modelos de posteres como esse abaixo, para a pessoa fazer o download, imprimir e colar. Há também a orientação de que o leitor peça para um amigo fotografá-lo e depois enviar esta foto para o tal site. Será que uma iniciativa como esta pegaria no Brasil?
poster Dia Internacional de Ler Quadrinhos em Público


Leia também:
Políticas públicas para os quadrinhos no Brasil
Livro conta a história da HQ na Argentina
O Dia do Quadrinho Gratuito

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Coletânea do Relatório Ota custará R$ 12,90

OTA 2010

Otacílio Assunção
é, definitivamente, uma figura. Ou melhor, um personagem. Apesar de sua imagem ser fortemente ligada a revista Mad, onde trabalhou por 34 anos, sua carreira começou na editora Ebal. Depois de inúmeras experiências, entre elas uma candidatura a vereador, lá vem ele com o Relatório Ota do Sexo. “A única coisa que eu to me candidatando é a viver de direitos autorais. Ajude a divulgar o livro e esse sonho estará mais próximo”, brinca. Para promover o lançamento no próximo dia 31, o cara enviou uma entrevista pré-fabricada. É mole?

Quando exatamente começou a sair o Relatório Ota?
R - A maioria pensa que foi na Mad mas na verdade foi em outra revista, a Careta, em 1983, era uma paródia de um livro famoso na época, o Relatório Hite. Saiu como Relatório Hota, e nem repercutiu muito. Naquela época a Mad tinha parado de sair na Vecchi e ainda não tinha ido pra Record. Na Mad saiu por acaso, fiz um Relatório Ota sobre drogas para tapar um buraco no início de 1987 e surpreendentemente a edição praticamente esgotou. Aí fiz outros nas edições seguintes e acabou se tornado uma das seções mais lidas da revista.

Quantos Relatórios você fez ao todo?
R - Boa pergunta. Foram dezenas, mas nem sei mais o número exato. Não era todo mês que saía. E nem tudo saía com a chancela "Relatório Ota", era basicamente a mesma coisa mas saía com outros nomes. Pra complicar mais ainda, a revista tinha muitas edições especiais e alguns sairam nessas. Mas acredito que eu tenha produzido perto de 300 páginas que possam ser classificadas como "relatórios". Ou mais, sei lá.

É verdade que você teve que redesenhar tudo pra essa coleção atual porque tinha leiloado a sua coleção de Mad e os originais quando saiu da revista?
R - Rárárá. Eu de fato fiz um leilão depois que saí. Mas só vendi os objetos de memorabilia (bonecos, brinquedos) e as duplicatas. Fiquei com uma coleção para mim. O leilão foi uma coisa simbólica, mais como que pra enterrar o passado.
Mas sim, eu praticamente redesenhei tudo o que saiu na edição atual.

Por quê?
R - Republicar do jeito que saiu não dava, muita coisa era datada e não iria funcionar, e ainda tinha que ter uma padronização no padrão atual. Agora eu faço tudo colorido. Botei tudo num liquidificador misturando com elementos mais modernos. Pode ser que um dia saia o "Todo o Relatório Ota" republicando tudo tal qual saiu, mas no momento a ideia é agrupar tudo por temas e lançar volumes individuais nessa coleção de pockets. O primeiro é O Relatório Ota do Sexo, e vão vir outros mais. Quando fechei o negócio com a Barbanegra já foi um pacote. Até o final do ano deve sair mais um. Não sei direito ainda qual é o tema, estamos decidindo. Algumas coisas ficam na moda de uma hora pra outra e a gente vai aproveitar as tendências.

Por que nunca nesses anos todos tinha saído uma coletânea do Relatório Ota?
R - Recebi algumas ofertas mas eram ridículas. Houve até uma editora que se ofereceu para pagar em exemplares. O único que veio como uma proposta realmente interessante foi o Lobo, da editora Barbanegra. Não só financeiramente como fazer os livros exatamente no formato que eu queria, e com controle absoluto sobre tudo. Inclusive o preço. Foi exigência minha que custasse bem barato. Atualmente os livros de quadrinhos não vendem muito porque custam os olhos da cara. Por isso os leitores acabam pirateando. A esse preço (R$12,90) compensa mais ter uma edição física caprichada do que ficar baixando na internet sabe-se lá onde.

Seu livro nem chega a ser propriamente quadrinhos...
R - Tecnicamente não, né? Ele usa linguagem de quadrinhos mas tem mais da metade de texto e nem usa tanto linguagem sequencial própria das HQs. É um misto de cartum com quadrinhos e literatura.

É verdade que você montou todo esse livro em apenas quinze dias?
R - Sim! Inicialmente o primeiro da coleção iria sair mais para o fim do ano, mas o Lobo me ligou dizendo que o lançamento tinha sido antecipado para a Bienal do Livro e precisava dele em duas semanas. Isso em julho. Por isso o livro tem coisas tão atuais. Eu já tinha feito uns testes antes no novo formato, mas recomecei do zero. Algumas coisas que saíram eu nem sabia direito onde estavam as revistas, e redesenhei de memória. Aquele lance ensinando a usar camisinhas por exemplo. Acho que foi uma das coisas que fiz de maior sucesso, mas eu não achava essa revista de jeito nenhum. Tive que refazer todos aqueles cálculos complicados de memória.

Da outra vez os personagens éramos eu e outros desenhistas e as meninas as apresentadoras de programas infantis da época, agora mudou pra jogadores de futebol e modelos. Eu reescrevi o texto todo e fiz novos desenhos. As ideias são novas ou reciclagem de algo parecido que necessariamente nem saiu nos Relatórios Ota originais. Na verdade é um livro inédito. Ou quase. E realmente tudo isso foi feito em duas semanas.

E os formatos eletrônicos, o que você acha?
R- Eu já fiz os livros desse jeito para caber em qualquer formato eletrônico. Eles cabem em iPod, iPad ou qualquer outro "i" que apareça. Desse jeito que está não precisam ser remontados nem ficam miudinhos demais para ler. O mundo está mudando tão rápido que daqui a alguns anos nem sei se ainda existirá papel impresso. Mas eu estou preparado pra tudo.

convite lançamento do livro do ota

Leia também:
Entrevista (não pré-fabricada) exclusiva com Ota

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Quadrinistas lançam revista virtual em SP

revista Picles numero zero

A AQC-ESP (Associação dos Quadrinhistas e Caracaturistas do Estado de São Paulo) disponibilizou para download gratuito em seu blog a edição nº 0 da revista PICLES, em formato PDF, que conta com a participação de 27 cartunistas.

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Vende-se Batman número 01 por US$ 40 mil

batman numero 1 de 1940

Um antigo fã de quadrinhos do Alaska está vendendo uma das gemas em sua vasta coleção, um raro exemplar do Batman # 01, publicado há 70 anos atrás. O gibi foi descoberto por Mike Trigo, de Fairbanks, quando ele abriu a gaveta de uma cômoda antiga e achou a revista editada em 1940. O sortudo pôs o gibi a leilão, onde espera conseguir mais de US$ 40 mil. Além da primeira revista do Batman, o sortudo também encontrou uma do Superman # 17.

Conforme noticiei aqui em fevereiro, a revista onde o Batman apareceu pela primeira vez (Detective Comics nº 27, de 1939) foi vendida por US$ 1.075,500 durante um leilão no Texas.

Leia também:
O lucrativo negócio do leilão de quadrinhos
Supermoney: US$ 1,5 milhão por um gibi

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Dando orelhas a imaginação

jb 24-08-2010 dumbo 70 anos

O filme animado Dumbo completará 70 anos em 2011, mas a Disney já lançou o DVD.

A colaboração de Walt Disney para o desenvolvimento do cinema de animação foi e é imensa. Dos primeiros filmes em curta metragem em preto e branco até o seu primeiro longa metragem, Branca de Neve, que foi um grande sucesso de bilheteria, o artista apresentou uma evolução incrível. No entanto, as duas produções seguintes, Pinóquio e Fantasia, ambas de 1940, consumiram anos de trabalho e milhões de dólares, dando prejuízo ao estúdio.

Para complicar ainda mais, a segunda guerra mundial fazia estragos no orçamento de Disney, que via seu lucro internacional despencar. Foi quando o visionário homem de negócios adquiriu os direitos de um livro infantil de apenas oito páginas e resolveu adaptá-lo para o cinema.

Walt reuniu seus melhores funcionários, entre eles o diretor Ben Sharpsteen e os roteiristas Joe Grant e Dick Huemer, e entregou a eles um desafio: fazer um filme extremamente emocional, com um protagonista que não falasse uma palavra sequer, com apenas R$ 0,95 milhões – um terço do custo de Pinóquio.

dumbo e sua mãe

Trabalhando com foco no roteiro, a equipe conseguiu realizar um excelente filme, de maneira rápida e, principalmente, enxuta. Afinal, a crise batia a porta dos grandes estúdios americanos. Em maio de 1941 uma parte dos funcionários dos estúdios Disney realizou uma greve. Seis meses depois, no dia 23 de outubro, foi lançado um filme de apenas 64 minutos sobre um elefante de orelhas grandes que é motivo de chacota no circo. A curta duração, entretanto, não impede que o espectador verta lágrimas e sinta pena do pequeno elefante que é separado de sua mãe ainda bebê.

Com uma estética simples e bastante colorida, Dumbo chama a atenção pelos cenários pintados com aquarela e principalmente os momentos musicais. Num momento genial, os palhaços do circo comemoram o sucesso da apresentação com a participação de Dumbo, que acaba bebendo champanhe misturado numa tina d´água. A sequência “Pink Elephants on Parade” mostra os delírios surreais do elefantinho e do rato Timóteo enquanto embriagados.

Na época, Disney tinha por hábito filmar pessoas reais dançando para, depois, desenhar a animação. Foi assim que ele contratou uma dupla de dançarinos negros para servir de inspiração na cena dos corvos. O uso de canções tema até hoje é uma marca dos desenhos animados da companhia, e no caso de Dumbo não é diferente.

O filme do elefante de orelhas grandes que dá a volta por cima arrecadou menos que seus antecessores (lucro de U$ 0,65 milhões), no entanto o saldo final foi positivo, já que sua produção foi bem mais barata. Além disso, Dumbo foi o primeiro desenho animado da Disney exibido na TV.

No recém-lançado DVD comemorativo pelos 70 anos do personagem há cenas excluídas, bastidores e os trailers originais de cinema e TV. Sem falar, claro, na recuperação digital do filme, com cores realçadas, para assistir com toda a família.

dumbo e suas orelhas enormes

capa dvd Dumbo 70 anos

Leia também:
Príncipe da Persia ganha versão em quadrinhos
O Estranho Mundo de Jack para colecionadores
Alice no País das Maravilhas em quadrinhos

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O lado irônico da violência urbana

Guarda municipal carioca transpõe para nos quadrinhos as histórias do cotidiano.
Leia a matéria publicada sábado no Caderno B em seu texto original e na íntegra.

jb 21-08-2010 marcos paz e fusco

Armando Pó tem um nariz de platina de tanto cheirar cocaína. Mas o bandido sempre esbarra em Raimundo Fosco, um Guarda Municipal que combate a violência no Rio de Janeiro. Toda história de ação tem um vilão e um mocinho, é o caso destes dois personagens criados pelo cearense Marcos Antonio Paz, 40 anos. Poderia ser só mais um quadrinista em busca de um lugar ao sol se não fosse por um detalhe interessante. O autor também é um GM na vida real e traz para o papel inspirações do dia-a-dia.

--- Ironicamente, meu nome de guerra na Guarda Municipal é Paz. – brinca Marcos.

Mas vamos do início. Antes de ser guarda, o artista era ilustrador free lancer e trabalhava para agências de publicidade e jornais criando histórias em quadrinhos institucionais, caricaturas, cartazes e criação de personagens. Tanto pra agências como para empresas e jornais. Apesar disso, a instabilidade financeira colaborou para o seu ingresso na GM-Rio, com um emprego formal. No novo trabalho, o morador da baixada fluminense começou a se inspirar em algumas ocorrências reais.

----- Me baseio muito nos acontecimentos da cidade. O episódio "O Aprendiz de bombeiro" teve como base o fato de eu ter me deparado durante um patrulhamento com o incêndio de um ônibus praticado por bandidos. Já no episódio "A queda" eu fiz uma alusão clara a derrubada do helicóptero da polícia por criminosos, ocorrida aqui no Rio. Enfim, muitas HQs têm como referências fatos ocorridos no nosso cotidiano. Acho isso importante, pois cristaliza esses momentos, por mais duros que sejam, para gerações futuras, servindo quase como documento de uma época.
hq aprendiz de bombeiro FUSCO

De fato, Marcos pega pesado em suas críticas ao "sistema" e, claro, ao comportamento de alguns PMs e delegados (corruptos, largados, violentos, etc). Ele não tem medo de que a corporação leve a mal que um guarda faça críticas a ela publicamente?

---- Não, não vejo problema. Nas HQs existe a crítica como existe o elogio, o reconhecimento. Coisas que a mídia e o povo dificilmente fazem, afinal, notícias ruins sempre têm mais destaque, seja nos meios de comunicação, seja na roda de amigos no botequim da esquina. --- explica o desenhista. --- Procuro ser imparcial,colocando nas histórias pessoas de carne e osso, com suas verdades e suas razões.

Outra característica marcante é que tanto o Fosco quanto toda a galeria de personagens são explicitamente cariocas. E o autor não vê o menor problema.

---- Fiz questão disso por gostar muito da cidade e pela sua riqueza tão diversificada de lugares, pessoas e costumes. Mas creio não haver o risco da falta de sintonia com leitores de outros estados apesar de alguns elementos das histórias serem típicos do Rio, como as gírias. Acho que essas particularidades não atrapalham, são até mais um elemento enriquecedor da HQ.
Armando pó querendo queimar fusco

Por mais incrível que possa parecer, ele jura que não assistiu ao filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, que poderia ser apontado como uma inspiração. Mas elogia o longa-metragem Tropa de Elite, de José Padilha.

--- O filme mais corajoso que já vi por apontar o dedo pra muitas direções que antes ninguém apontava publicamente. Apesar disso não foi referência, pois o Fosco já vinha nessa linha há muitos anos. Mas ajuda como referência, claro.

Da mesma forma que ele não conhece o personagem Anjo da Noite, do niteroiense Sandro Araújo que, como ele, também está do lado bom da lei. Agente da Polícia Federal, ele criou um personagem que é seu alterego e lançou em livro. Isso sem falar no blog, onde ele comenta assuntos diversos relacionados à PF.

Claro que a intenção de Marcos Paz também é publicar as histórias do Fosco em livro, já que suas aventuras são produzidas nas horas vagas como um hobby. Da mesma forma, ele as divulga na internet e aguarda uma oportunidade maior.

---- Talvez seja cedo ainda, pois o site entrou no ar em dezembro último. O que busco inicialmente é o reconhecimento do Fosco diante dos leitores. É muito bom chegar em casa e ver a caixa de mensagens dele com algum comentário de alguém que você nem conhece.
fusco pegando armando por pela gola

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Histórias clássicas e divertidas de Luluzinha

Luluzinha um dia de cao - capa

A Devir está mandando muito bem. Este mês, a editora de São Paulo publicou o oitavo livro da série de histórias clássicas da Luluzinha e sua turma. Este em especial está acima da média. Em Luluzinha – Um dia de cão (96 págs, PB, R$ 21,50 Roteiro e arte de John Stanley), a menina de cabelos cacheados criada em 1935 por uma cartunista estrela duas excelentes histórias com o pestinha do Alvinho, uma engraçadíssima sobre uma máscara hilária e uma sobre como seria se ela fosse uma garota pobre, entre outras. Já o Bolinha se destaca em O Gourmet, mostrando que convidar o menino para jantar num restaurante caro é prejuízo na certa.

luluzinha e as mascaras iguais

A melhor HQ do álbum, Ali Alvinho e os Quarenta Ladrões, chega a ser politicamente incorreta. No fragmento abaixo, o menino já se imagina rico e fazendo a "bondade" de dar emprego aos mais pobres. Porém, no final da história contada por Lulu, ao invés de pegar os sacos de ouro e prata, eles trancam os bandidos na caverna, para decepção de Alvinho - que, como sempre, dá um chute de raiva.

ali alvinho e os 40 ladroes

Leia também:
Os 75 anos da personagem Luluzinha
Nova Luluzinha perde a inocência
Os 60 anos do Gasparzinho, o fantasminha camarada

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Eles ganharam o kit Luluzinha Teen!

promo luluzinha teen julho 2010

Muita gente participou da promoção respondendo a pergunta “Quem você gostaria de ver na revista da Luluzinha Teen?”. Teve gente pedindo Selena Gomez, a banda Restart, o Jacob –(do Crepúsculo), Zé do Caixão, Puro Osso, Kelly Key, Antonio Bandeiras, Selton Melo, Justin Biber, o rei Roberto Carlos, Luciano Huck, Bon Jovi e até mesmo a banda Kid Abelha numa história sobre gerações (a mãe da Lulu foi fã do Kid Abelha quando jovem).

Os sortudos que receberão em casa o kit são: Karina Passos (Cabo Frio – RJ), Eduardo S. Duarte (Rio de Janeiro, RJ), Amanda Almeida (João Pessoa, PB), Mauruzan Abner Rodrigues Viturino (Recife, PE), Anderson Estevam Lopes (Itabirito, MG) e Nicolle Matos (São José, SC). Parabéns!

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Estátua enorme do Homem de Ferro em SP

estatua do homem de ferro na bienal de sp

Uma estátua de 2,20 metros do Homem de Ferro é a atração do estande da Panini na Bienal do Livro de São Paulo até o dia 22 (domingo). O modelo oficial (MarkIII) feito pelo estúdio alemão Muckle Mannequins retrata o herói em uma de suas poses mais conhecidas e pesa 26 quilos. A editora pagou em torno de 12 mil reais para trazer ao Brasil o “action figure life sized” que este ano passou pela Comic Con, em San Diego. Quem não tiver como ir ao evento, pode ver um vídeo no YouTube.

Leia também:
Estátua do Recruta Zero
Estátua da Mafalda, de Quino
Estátua do Bob Esponja

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Animação de horror ganha festival próprio

Chain Saw no Animaldiçoados 2010

Imagine um festival internacional totalmente dedicado a animação de horror. Pois é, esta é a primeira edição do Animaldiçoados, criado pelo animador e produtor Leandro Morais e o produtor e cineasta Alex Mello. “A idéia surgiu da necessidade de um espaço dedicado a exibição do grande número de produções de animação de horror para adultos no Brasil e no exterior”, explica Alex.

Baseados nesta premissa, a dupla criou um evento para exibir 69 filmes de animação, brasileiros e estrangeiros, de longa, média, curta e micro metragem. O sangue de Takena Nagao está derramado no programa especial dedicado à filmografia do animador japonês. A suspeita de terrorismo biológico do filme Resident Evil: Degeneração e as seis visões aterrorizantes de Dante´s Inferno: Uma Animação Épica são os longas do Programs Especiais Susto, que tem entrada franca mediante convite. O longa sombrio norte-americano From Inside e a história do assassino em série do longa francês Le Tueur de Montmartre fazem parte do Programa Pavor. O média metragem Kanibal Seijin, sobre alienígenas canibais que tomaram conta do planeta Terra é o filme do Programa Espanto.

Resident Evil na mostra Animaldiçoados 2010

A competição oficial de curtas acontece no Grito. O Programa Grito 5, em especial, traz curtas do primeiro pesadelo que faz muita criança cair da cama. As animações renascidas do inferno estão na retrospectiva de curtas - Programa Mortos-vivos. Além da exibição dos programas de filmes, votação e premiação, haverá uma palestra de cinema de animação com inscrições gratuitas.

O festival acontecerá no Rio de Janeiro, no CCFJ - Centro Cultural Justiça Federal (08 a 12 de Setembro de 2010), e em São Paulo, no Reserva Cultural (17 a 23 de Setembro de 2010). Os ingressos custarão R$ 15 e R$ 7,50 (meia). Mais informações no site

From Inside - destaque do Animaldiçoados 2010

E aí, você vai no Animaldiçoados? Melhor ou pior que o Anima Mundi? Comenta aí!

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Discutindo as graphic novels com profundidade

O Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UNB) está organizando um evento muito interessante no dia 02 de setembro que discutirá obras configuradas como graphic novels ou "romances gráficos", sob a ótica da crítica literária contemporânea.
O evento é aberto ao público em geral e tem entrada franca, basta inscrever-se até dia 31/08 pelo e-mail jornadaromancesgraficos@gmail.com

jornada de estudos da graphic novel Brasilia 2010

NOVELA GRÁFICA
O termo graphic novel cunhado por Richard Kyle, em um manifesto de 1964, surgiu da insatisfação de alguns artistas com as limitações que o termo comics impunha, já que este era associado com frequência a tiras de humor ou revistas para crianças, inviabilizando novos formatos e, principalmente, novos conteúdos.

Foi Will Eisner o pioneiro na utilização concreta do termo, impresso na capa de sua obra Um contrato com Deus, publicada em 1976. Iniciava-se assim, dentro de uma concepção de arte sequencial desenvolvida por Eisner, o romance gráfico, visto atualmente como um livro que conta uma história em imagens e textos e apresenta um enredo completo e temática adulta, recebendo tratamento gráfico de qualidade. Algo assim como uma obra ficcional de contornos de prosa em formato de quadrinhos.

Apesar dessa concepção de romance gráfico ter seus problemas e não ser totalmente aceita nem pelos artistas, nem pela crítica literária, ela revela o surgimento de uma nova forma de narrativa que tem se aperfeiçoado e, hoje, representa um mercado editorial de grandes proporções.

PROGRAMAÇÃO - 02 de setembro de 2010

9h às 12h
O passado no futuro: opressão de gênero e resistência em Persépolis, de Marjani Satrapi e Aya de Yopoung, de Marguerite Abouet e Clément Oubrerie - Vania M. F. Vasconcelos

Para além do diagnóstico: traçados de subversão em Epiléptico, de David B. - Ludimila Moreira Menezes

O discurso autobiográfico nos romances gráficos Retalhos, de Craig Thompson, e Epiléptico, de David B. - Maria Clara Dunck Santos

A poética do detalhe: retratos da resistência em Maus e Persépolis - Larissa Silva Nascimento

Valsa com Bashir: experiência, memória e guerra - Pablo Gonçalo Pires de Campos Martins

14h às 15h45
O silêncio dos imigrantes: de Rawet a Shaun Tan - Gabriel Antunes

A construção de um país em Crônicas Birmanesas, de Guy Delisle - Humberto Brauler Rodrigues Pereira

Identidade e migração: uma leitura de O chinês americano, de Gene Yang - Stella Montalvão

16h às 18h
O que realmente importa? Memória e subjetivação da arte em Le combat ordinaire - Laeticia Jensen Eble

A identidade em quadrinhos: a construção de si em Persépolis, de Marjane Satrapi, e Fun Home, de Alison Bechdel - Ligia Diniz

Memórias fraturadas: passado, identidade e imaginação em Borges e Mutarelli - Pedro Galas Araújo

Local: Auditório Agostinho da Silva – Departamento de Teoria Literária e Literaturas – Universidade de Brasília
Coordenação: Ludimila Moreira Menezes e Stella Montalvão.

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Como carregar 90 livros no bolso

Caderno B 14-08-2010 90 livros classiscos

Já que vivemos na era da avalanche de informações, “time is (cada vez mais) Money”. Pensando nisso, o roteirista americano Thomas Wengelewski e o ilustrador sueco Henrik Lange criaram um livro que resume telegraficamente obras da literatura mundial, cada um em apenas três quadrinhos (por que um é do título). De forma objetiva, simples e irônica, “90 livros clássicos para apressadinhos” (Record, 192 págs, R$ 26,90) tem feito sucesso pelas mãos por onde passa.

Com o livro em mãos, existem duas possibilidades: ou você já leu a obra original e aí vai concordar ou não com a sinopse bem humorada, ou não conhece e em apenas um minuto já saberá do que se trata. Outra coisa a ser observada é que o livro não obriga a uma leitura linear, ou seja, pode abrir em qualquer página e se divertir. Entre os “homenageados” estão desde Dom Quixote (Miguel de Cervantes) e Moby Dick a O processo (Franz Kafka) e O alquimista (do brasileiro Paulo Coelho).

Para se ter uma ideia, eu li este livro em dois breves percursos, indo e voltando do trabalho. Divertido, é ainda um ótimo presente, daqueles que você pode ler rapidinho antes de embrulhar. De olho no filão, Wengelewski e Lange criaram também “90 Filmes Clássicos Para Apressadinhos’, no mesmo estilo, que a editora brasileira promete lançar em breve. Confira abaixo algumas páginas do divertido livro.

90 livros classicos 01

90 livros classicos 02

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Um encontro divertido no Rio de Janeiro

palavrinha ou palavrao

Karin Sá Rego (texto) e Daniel Kondo (ilustrador) lançaram um livro infanto-juvenil muito interessante que brinca com as onomatopéias (os recursos gráficos usados nos quadrinhos para representar os sons). O lançamento de "Palavrinha ou Palavrão?" (Cia. das Letras) no Rio de Janeiro acontecerá neste domingo, 15, às 16 hs, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Compareça!

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Ministério comprará 700 mil HQs para 2011

gibiteca da Casa Grande no ceará

Saiu no Diário Oficial a lista de livros que o Ministério da Educação distribuirá em 2011 para alunos do ensino fundamental e do ensino médio, através do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola). A boa notícia é que quase 10% do total (sete milhões) são álbuns de histórias em quadrinhos. Ou seja, quase 700.000 exemplares. Taí um bom incentivo pro mercado, sobretudo as editoras, que faturam com uma encomenda boa como essa. Abaixo, a lista completa das HQs selecionadas:

* "Retalhos" (Companhia das Letras)
* "Os brasileiros" (Conrad)
* "O guarani" (Cortez Editora)
* "Palmares - A luta pela liberdade" (Cortez Editora)
* "Marcelino Pedregulho" (CosacNaify)
* "O curioso caso de Benjamin Button" (Ediouro)
* "O cortiço" (Editora Atica)
* "O guarani" (Editora Atica)
* "25 anos do Menino Maluquinho" (Editora Globo)
* "Diário da Julieta: As histórias mais secretas da menina maluquinha" (Editora Globo)
* "Maluquinho por futebol: As histórias mais malucas sobre a maior paixão do Brasil" (Editora Globo)
* "Memórias de um sargento de milícias" (Editora Novo Continente)
* "O aniversário de Asterix e Obelix - O livro de ouro" (Editora Record)
* "A busca" (Companhia das Letras)
* "Persépolis" (Companhia das Letras)
* "Necronauta - Volume 1: O soldado assombrado e outras histórias" (HQM Editora)
* "Zoo" (HQM Editora)
* "Peanuts Completo: 1950 a 1952" (L&PM)
* "Bidu 50 anos" (Panini)
* "Demolidor: O homem sem medo" (Panini)
* "MSP50: Mauricio de Sousa por 50 artistas" (Panini)
* "Frankestein" (Salamandra)
* "Robinson Crusoé" (Salamandra)
* "O triste fim de Policarpo Quaresma" (Ediouro)
* "Quilombo Orum Aiê" (Galera Record)

No entanto, a iniciativa não substitui a necessidade se criar gibitecas, como esta da foto, na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, criada em 2006 e a primeira do estado do Ceará.

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Crumb recebe troféu pelo álbum Genesis

Crumb e Sonia Luyten na entrega do HQ Mix 2009

Aproveitando a visita de Robert Crumb ao Brasil, o Troféu de Edição Especial Estrangeira do prêmio HQ MIX foi entregue em mãos ao artista mais celebrado do underground mundial.

O americano, que mora no interior da França, foi um dos destaques da Flip, em Paraty, e recebeu o troféu do Astronauta por conta do livro Genesis, da Editora Conrad. O prêmio foi entregue por Sonia Luyten, que teve o prazer de traduzir os quadrinhos de Crumb para a Revista Grilo, primeira a publicar no Brasil histórias do famoso artista, entre 1971 e 1972.

HOMENAGEM A ZETTI
Nesse ano, em especial, o HQ Mix prestará uma homenagem a Maria Ivete Araújo - a Zetti, que trabalhou durante 30 anos na organização do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, inclusive como diretora, e que foi exonerada do cargo sem sequer uma homenagem no próprio Salão. Este fato foi noticiado aqui.

Coloque na agenda:
22 Trofeú HQMIX
06 de outubro, ás 20h00
Teatro do SESC Pompéia - Rua Clélia, 93 - Lapa - São Paulo
Apresentação de Serginho Groisman e banda do programa Altas Horas

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Quadrinista alemão conversa com o público

Os fãs de histórias em quadrinhos podem colocar dois eventos na agenda. Nesta quinta-feira o quadrinista alemão Felix Görmann, mais conhecido como Flix, participará de um bate-papo na Mediateca da Maison de France, no centro do Rio, a partir das 18h30, com entrada franca. Já em setembro, acontecerá a 4ª Semana de Quadrinhos da UFRJ, dividida em três locais diferentes.

Flix no caderno B de 11-08-2010

Nascido em 1976, Flix estudou design de comunicação em Saarbrücken e Barcelona, mas atualmente vive em Berlim. Vencedor de vários salões de humor, ele ficou conhecido após criar um diário em quadrinhos chamado Heldentage (Diário de um herói, em português). A ideia surgiu a partir de uma aposta com amigos, e desde então ele desenha diariamente uma tira sobre a sua vida.

Em sua primeira visita ao Brasil, o artista alemão aterrissou primeiro em Curitiba, onde inaugurou a exposição Da war mal was, participou de um debate e ministrou uma oficina para professores de alemão batizada "História em Quadrinhos na Alemanha - artistas, locais, temáticas".

Se no Paraná as atividades se dividiram entre a gibiteca e o Goethe-Institut, aqui no Rio tanto a oficina, com inscrições esgotadas, quanto a palestra acontecerão numa casa da língua francesa. “Como nosso evento HQ na Maison já é conhecido da galera dos quadrinhos, o pessoal do Goethe resolveu fazer sua oficina e bate-papo conosco”, explica Alessandra Santos, da Mediateca. “Sem contar o fato de que o Flix carrega na bagagem uma grande influência de quadrinistas franceses como Lewis Trondheim, André Franquin, Albert Uderzo, Manu Larcenet e Christophe Blain. Daí o título do encontro ser A influência de quadrinistas franceses na obra de Flix".

No encontro carioca, haverá também a participação do chargista Eduardo Filipe, o Sama, vencedor da categoria Melhor Charge no XV Salão Carioca de Humor, em 2004, e prestes a lançar o seu primeiro livro solo, A Balada de Johnny Furacão. Por sua vez a exposição Da war mal was (Quanto tinha o muro) ficará em cartaz no Goethe até o dia 04 de setembro, de segunda a sexta, das 09h às 20h, e sábado de 9h às 14h, com entrada franca. O endereço é Rua do Passeio 62/1º andar.

Flix em frente ao muro de Berlim

ilustracao de Flix vencedora de salao de humor na alemanha

IV SEMANA DE HQ DA UFRJ
No mês que vem o destaque fica por conta da IV Semana de Quadrinhos da UFRJ, que se dividirá entre a Escola de Belas Artes da UFRJ (dia 27), o SESC Madureira (dias 28, 29 e 30) e a Escola de Comunicação da UFRJ (01 de outubro). EU participarei da mesa de debate "100 anos Sem Angelo Agostini". O convite partiu dos organizadores, como explica Diego Novaes: “É importante termos um jornalista de um dos jornais mais antigos do Brasil, pesquisador e especializado em quadrinhos na mesa”. Anotou aí?

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Tiras de Maitena adaptadas para o teatro

livros da Maitena Burundarena

atrizes da peça Mulheres Alteradas de Maitena

Já que ontem falamos de quadrinhos argentinos, vale lembrar que as tiras da argentina Maitena Burundarena obre o universo feminino foram adaptadas para o teatro. Na peça Mulheres Alteradas, fiel ao espírito da desenhista, Luiza Tomé, Mel Lisboa e Daniele Valente interpretam três personagens: Norma (Luiza), uma executiva mãe de adolescentes que volta a engravidar. Lisa (vivida por Mel), que sofre ao descobrir um nódulo no seio, e a alienada Alice (Daniele), que sonha com um grande amor. A montagem segue em cartaz até o dia 26 de setembro no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo.

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Neste campo não existe rivalidade

materia HQ argentina CAPA do B

materia pag dupla no caderno B sobre HQ argentina

Matéria de capa hoje no Caderno B, a seguir o texto original.

No ano do bicentenário, a Argentina não ganhou a Copa do Mundo de Futebol, mas foi contemplada com o livro Bienvenido, do jornalista Paulo Ramos, lançado pela editora Zarabatana. Em 176 páginas, o leitor pode ter uma boa noção da evolução do mercado, dos autores, editoras e da importância que eles dão aos seus personagens. A menina Mafalda, por exemplo, virou estátua no bairro de San Telmo, em frente ao prédio onde seu criador, Quino, morou durante anos.

Quando se analisa os quadrinhos argentinos, a primeira coisa que chama a atenção é o processo de nacionalização das tiras e o destaque dado a elas. Desde 2007, 100% das tirinhas publicadas nos principais periódicos do país são de artistas locais.

----- De fato, as tiras na Argentina têm tido um destaque e uma ligação com a sociedade do país muito maior do que aqui no Brasil. Quando dizemos "destaque" fazemos menção ao espaço físico ocupado por elas. No caso do Clarin, o principal diário de lá, elas tomam quase toda a página final. Funciona como uma contracapa do jornal. ---- explica Paulo Ramos. --- Há quem defenda que a nacionalização das tiras em todos os periódicos de Buenos Aires tenha ocorrido por motivos financeiros. Hoje, sai mais barato pagar a um autor local do que importar histórias dos Estados Unidos, já que um dólar equivale a quase quatro pesos argentinos. Pode até ser, mas não exclui o fato de que sejam nacionais, todas elas.

Sobre o envolvimento da população, o autor lembra o caso do pássaro Clemente, criado pelo cartunista Caloi, que aparecia no placar dos estádios durante a Copa do Mundo de Futebol de 1978:

----- O personagem se tornou uma espécie de foco de resistência ao período militar de então durante as partidas da Copa.

De tão popular, Clemente teve centenas de votos na eleição para o Senado. Fato parecido com o que aconteceu em 1988 no Rio de Janeiro, quando um chimpanzé do zoológico, chamado Macaco Tião, teve 400 mil votos.

---- O brasileiro também dialoga fortemente com a realidade em muitas de suas histórias, inclusive nas tiras. O que há de diferente é que não ecoa de forma tão eloquente com a sociedade como alguns trabalhos de lá.

Outro exemplo de envolvimento aconteceu quando Carlos Trillo e Ernesto Sejas decidiram encerrar as histórias do jornalista mulherengo El Loco Chávez. Nos estádios de futebol os torcedores cantavam “El Loco no se va, El Loco no se va”. O quadrinista Roberto Fontanarossa, que criou o personagem Boogie, El Aceitoso - cujo longa-metragem foi exibido no festival Anima Mundi 2010 – faleceu em 2009 e sua morte foi notícia em todo o país.

o quadrinho se reflete na reacao dos torcedores de futebol

revista de 1978 resistencia contra a ditadura

O DESAFIO DE SOBREVIVER DOS QUADRINHOS
Tanto lá quanto cá, os desenhistas e roteiristas também cortam um dobrado para conseguir pagar as contas apenas com histórias em quadrinhos. No livro, Lucas Nine chega a dizer que “a maior parte da historieta argentina se consome fora da Argentina”. O que acontece de fato é que, assim como o Brasil, nossos vizinhos também trabalham para o mercado estrangeiro, onde a remuneração é melhor.

----- Não creio que o caminho da comparação de autores que atuam no exterior seja de ordem qualitativa ou quantitativa. --- explica Ramos. ---- O que há, no entanto, é uma tradição maior de roteiristas de narrativas mais longas. Muitos desses profissionais escrevem para o mercado europeu desde meados da década de 1970, bem antes dos brasileiros. Após serem publicadas na França, Itália ou Espanha, essas histórias costumam retornar à Argentina na forma de álbuns ou seriadas em revistas específicas.

Outra constatação feita no livro é que a mídia reconhece os artistas, há várias editoras, mas o artista ainda é muito mal pago. Igual ao Brasil.

---- Muitos desenhistas precisam fazer outros trabalhos para viverem, como ilustrações e projetos para a área publicitária. Mas produzem e procuram se manter no meio, como cá. Quem se sai melhor são aqueles que têm projetos feitos para o mercado externo, em particular o francês, que permite um fôlego financeiro um pouco maior.

É o caso do publicitário Ricardo Liniers, que ilustrou a capa de Bienvenido. Levado para o jornal La Nacion pela quadrinista Maitena, autora da série Mulheres Alteradas, ele criou sua própria editora (Editorial Común) e se tornou um fenômeno editorial.

---- A sexta coletânea de Macanudo, a primeira pela editora dele, esgotou em questão de dias no final de 2008. A primeira tiragem foi de 5 mil exemplares.

O pulo do gato foi personalizar todas as capas da primeira edição, desenhando a mão cada uma. No ano passado, Liniers levou o Prêmio HQ Mix de melhor desenhista estrangeiro e começou a publicar num grande periódico de São Paulo.

capa personalizada de Macanudo por Liniers

Apesar do “faz-me-rir” no final do mês, os artistas consideram os veículos impressos um importante veículo de divulgação. “Te chamam para trabalhos por que é o desenhista do jornal”, diz Max Aguirre, que também aceitou o convite do La Nacion pela visibilidade oferecida. É também o caso de Salvador Sanz, que complementa sua renda fazendo storyboards para publicidade e TV.

O CASO DA FIERRO
Nos jornais, há quase que uma predominância do humor político, já que a Argentina sofreu várias trocas de comando por meio de golpes militares e, claro, censura. Um caso interessante é o da revista Fierro, que teve sua primeira encarnação editorial entre 1984 e 1992.

Catorze anos depois, ela voltou com periodicidade mensal, 64 páginas e tiragem de 15 mil exemplares, encartada no jornal Pagina/12 – que arca com os custos de impressão, o salário dos editores e o pagamento dos autores. Em troca, fica com o dinheiro das vendas e das propagandas veiculadas. Na opinião do chefe de redação, Lautaro Ortiz, a boa aceitação se deve ao perfil do leitor do jornal, mais intelectualizado e afinado com a esquerda, que tende a gostar de quadrinhos. Há pouco mais de um mês, o próprio Paulo Ramos noticiou que a Fierro ganharia uma versão brasileira em breve.

---- Naquela ocasião, apuramos que o projeto da editora Zarabatana, que banca a idéia, é publicar o primeiro número já neste segundo semestre. O objetivo inicial é mesclar material de lá com o de autores brasileiros.

duas capas da Fierro argentina

Aliás, editora é um assunto polêmico entre os hermanos. Na opinião de Javier Doey, que já teve alguns selos de quadrinhos, “as HQs não são Best Sellers na Argentina por que as editoras não relançam em livrarias os projetos bem sucedidos”. Daí ele vender mais seus trabalhos para a França. O roteirista Carlos Trillo, que também já teve sua própria editora, diz que o mercado se reduziu.

Num país onde existe o hábito da leitura, existem várias comiquerías, ou seja, lojas especializadas que vendem HQs de heróis, europeus, mangás e locais. A distribuição é melhor, mesmo para os independentes, porém o patrocínio do governo não é tão substancial. Então por que os argentinos, tão politizados, ainda não se envolveram politicamente para construir um programa de políticas públicas como já existe, por exemplo, no cinema de lá?

---- Boa pergunta. Mas não sei dizer. ---- devolve Paulo Ramos.

Em 2004, o governo federal declarou como sendo de interesse cultural a obra literária de Héctor Oesterheld, por ele ter elevado a historieta a literatura desenhada. O escritor de quadrinhos é um dos milhares de desaparecidos políticos do regime autoritário iniciado em 1976. Ele e suas quatro filhas. Na última parte de Bienvenido, Paulo publicou uma emocionante entrevista com a viúva de Oesterheld.
cartaz donde esta oesterheld

INTERCÂMBIO SUL-AMERICANO
Apesar da proximidade geográfica, o intercâmbio entre quadrinhos brasileiros e argentinos é mínimo se comparado a EUA e Japão. O gaúcho Adão Iturrasgarai se mudou para a Patagônia em 2007 e começou a publicar por lá no ano seguinte. No ano passado, alguns brasileiros estiveram no festival Viñetas Sueltas. Por sua vez, Pablo Holmberg, mais conhecido como Kioskerman, começou a enviar suas tiras por e-mail para 2.000 pessoas e algumas saíram na primeira edição da revista carioca Beleléu, no início deste ano. Mas ainda é pouco. O que falta para estreitar esta relação?

----- Muitos colegas jornalistas têm me feito a mesma pergunta, o que tem me levado a pensar mais a fundo sobre o tema. Minha hipótese é que tivemos uma tradição quase cega de importação de conteúdo norte-americano, o que ofuscou obras do mercado latino-americano, com raras exceções. Mesmo quadrinhos europeus chegaram ao Brasil sombreados pelos personagens norte-americanos. Para que tal relação fique mais estreita, faltam iniciativas como as das editoras Zarabatana e Martins Fontes, que publicarão obras importantes da Argentina, inéditas aqui no país.

Paulo confessa conhecer pouco os quadrinhos de outros países como Chile, Uruguai, Peru, Bolívia e Venezuela, mas faz um paralelo entre a produção argentina e a brasileira:

----- Nesse ponto, coincidimos muito no humor, tanto nas tiras quanto nas charges e cartuns. Nos separamos no terror e no erotismo, gêneros muito explorados no Brasil. E estamos bem distantes deles no tocante a narrativas maiores, de aventura ou ficção científica, área em que eles têm um histórico de décadas com produções ímpares, a maioria desconhecida do leitor brasileiro.

comiquerias como essa existem aos montes - foto Paulo Ramos


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Políticas públicas para os quadrinhos brasileiros

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Prévia da HQ biográfica de Anita Garibaldi

capa Anita Garibaldi em quadrinhos

Neste dia 04 de agosto completam 161 anos da morte de Anita Garibaldi. Em sua homenagem, o cartunista Custódio criou uma inédita biografia em quadrinhos sobre a juventude de Ana Maria de Jesus Ribeiro (seu verdaeiro nome), companheira do revolucionário Giuseppe Garibaldi. O artista paulistano publicará quatro páginas do álbum no blog destinado ao projeto a partir desta quarta-feira, às 10h. Para quem não sabe, Anita foi uma catarinense que, além de fazer parte da luta pela liberdade no Brasil, combateu tanto em em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul quanto no Uruguai e na Itália, porém esta é a primeira vez que sua história é contada em HQ.

Viabilizado com recursos do ProAc SP, Anita Garibaldi, o Nascimento de uma Heroína (68 páginas) foi finalizado após três anos, divididos entre pesquisa, roteiro e desenhos, com viagens entre RS, SC e SP. O livro pode ser adquirido através do email anita@custodio.net diretamente com o artista de 42 anos, a R$ 25.

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Políticas Públicas para os quadrinhos brasileiros
A História do Brasil em quadrinhos
Mulheres modernas sim, inclusive nas HQs

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