Uma avó, seus netos e um fusca vermelho

Karin Sá Rego (texto) e Daniel Kondo (ilustrador) lançaram um livro infanto-juvenil muito interessante que brinca com as onomatopéias (os recursos gráficos usados nos quadrinhos para representar os sons). O JBlog conversou com eles sobre Palavrinhas e Palavrões (Editora Cia das Letrinhas, 48 páginas).
JBlog >> Como surgiu a idéia de fazer um livro que falasse de onomatopéias?
Dani e Karin - Surgiu como consequência de uma ideia, que há muito conversávamos, sobre unir conhecimento e diversão através da literatura e da poesia. Faz parte de um conceito que criamos chamado "poesia na sala de aula", e que tem a proposta de falar sobre conteúdos da nossa língua - como as figuras de linguagem - sempre através de uma história divertida, rimada e com elementos do dia a dia dos nossos pequenos leitores.
JBlog >> Vocês cresceram lendo Histórias em Quadrinhos? Ainda lêem?
Dani - Sim, eu lia de tudo. A Turma da Mônica, Superaventuras Marvel (eu sempre queria ser o Cíclope), Tex e Zagor, e os quadrinho da Ebal, como Sargento Rock, Conan e o que se produzia no Brasil em quadrinhos nessa época. Hoje em dia leio menos, sou mais seletivo. Gosto muito dos quadrinhos do Art Spiegelman, tanto Maus (adulto) quanto o Little Lit (crianças).
Karin - Sim, eu devorava gibis! Turma da Mônica, Pato Donald, Tio Patinhas & cia e todas os outros gibis bem "menininhas": Luluzinha, Brotoeja, Bolota, Riquinho... Nossa, sessão nostalgia total!!! Também adorava Recruta Zero e Charlie Brown. Eu tinha uma tia que gostava da Mafalda e eu acabava lendo "por tabela", apesar de não ser propriamente infantil. Hoje, continuo no universo Turma da Mônica, por ter filhos pequenos, que adoram essa turminha. Sou fã no.1 do Calvin e do Hagar.
JBlog >> A minha impressão é que o livro é baseado em rimas do roteiro (o dia a dia das crianças na ida pra escola) primeiramente, e que não necessariamente a onomatopéia é quem define a ilustração. Está correto?
Karin e Dani - Na verdade, quando pensamos um livro, procuramos fazer o mais integrado possível. Trabalhamos juntos mesmo! Tanto o roteiro, quanto as rimas e as ilustrações, dão uma forma mais coesa à própria história, de maneira que ela se desenvolva de maneira natural, com todos esses elementos.
Nosso objetivo é sempre dar o nosso recado, da melhor maneira: do modo mais direto, mais claro e mais bonito possível. Se, numa página, achamos que uma mega ilustração, linda, ocupando toda a página, será suficiente para passar a nossa mensagem, ótimo! Ou se, numa outra página, ao contrário: precisamos de mais texto e a ilustração entrará como informação complementar, maravilha também! O importante é que nós sempre criamos e pensamos o livro de forma harmoniosa, equilibrada e adequada ao público infanto-juvenil.
JBlog >> No final do livro, vocês propõem ler o livro com o filho (ou aluno), a partir somente das onomatopeias...
Dani e Karin - Desta interação podem surgir outras possibilidades que os pais (ou professores) têm condições de criar. Estamos trabalhando em um conteúdo voltado para professores e pais curiosos (como nós), que ainda está em estudo na editora sobre qual será a melhor maneira de distribuí-lo.

JBlog >> No caso da ilustração, quais técnicas e referências foram utilizadas?
Dani - Ilustração digital, com a referência de uma ilustração mais infantil, vintage, com inspiração nas ilustrações dos anos 60.
JBlog >> Por fim, as crianças e a avó (dona do fusca) que inspiraram o livro aprovaram o produto final?
Dani - Sim, os personagens têm os nomes dos filhos da Karin (Théo e Nina). Com certeza adoraram o resultado final. Meu filho Felipe, de 6 anos, sabe o texto inteiro já de memória. Ouvi dizer que, depois dessa história o fusca vermelho da avó (mãe da Karin) virou a sensação da escola.
Karin - Imagina o que a minha mãe não deve estar falando nesse livrinho com as amigas! Nina e Théo estão muito orgulhosos pelo livro, sim! Mas, principalmente, por saberem que eles são a minha maior inspiração sempre: em cada palavra, linha ou página da minha vida. Coisa mais fofa era o Felipe (o pequeno do Dani) dando opinião e muitas vezes nos trazendo desenhos e sugestões, enquanto trabalhávamos, no estúdio. É isso que vale! Eles são a nossa energia, o nosso oxigênio. São a nossa tinta e o nosso papel. Tinta verde, de esperança, num papel bem branquinho, da paz.
Que tal? UAU! Que Deus e os livrinhos nos ajudem!








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