André Diniz acaba de lançar pela editora
Conrad o álbum “
7 Vidas”, com desenhos de
Antonio Eder. A obra é fruto de três anos de terapias do autor, relatando suas experiências de regressão. Numa semana em que o blog coloca em discussão a religião, ninguém melhor que o próprio André para falar mais sobre o processo e o resultado final.
JBlog >> O livro não fecha questão a respeito da existência de vidas passadas e da veracidade das regressões. Além disso, a narrativa vai e volta, falando não só de reencarnação, mas também da violência no Rio de Janeiro, de inquietações. E, além disso, levou 3 anos pra ficar pronto. Esse livro é praticamente um dossiê da sua terapia, né?
André Diniz − Acho que foi mais simples que isso... Contei como foi minha experiência com a Terapia de Vidas Passadas, uma experiência que julguei muito rica e interessante, e contextualizei meu momento, passando ao leitor também um pouco da minha visão da vida. Após cada sessão, anotava tudo o que aconteceu lá, o que vi, o que senti, o que foi dito. Foi com base nessas anotações que o quadrinho foi feito.
JBlog >> Uma coisa que me apavorou um pouco é o quanto você expôe a sua intimidade, falando da vida particular. Ou seja, não é ficção, é realidade e trazendo sua vida num livro aberto. Por que esta decisão?
André − Uma surpresa pra mim tem sido como as pessoas vêm reagindo quanto a essa "exposição" da minha vida particular. Muita gente comenta exatamente isso, que ficou impressionado como eu me expus. O curioso é que eu sou um cara bem discreto, e em nenhum momento me ocorreu que eu estivesse me expondo tanto, ao menos, quando relato minha vida pessoal. Agora, se alguém for avaliar o que vi nas regressões como manifestações do meu inconsciente e for me avaliar por ali, aí sim, talvez eu esteja totalmente "desnudo" diante do leitor! Pode ser que o leitor descubra coisas sobre mim que nem eu mesmo sei, ao menos conscientemente...
JBlog >> A sua perna direita ainda dói?
André − Rapaz, eu jurei que não ia comentar com ninguém isso porque ia parecer "marketing", mas vamos lá... Ela nunca doeu, ela se manifestava e se contorcia direto durante as regressões, e por várias vidas vi cenas mais ou menos ligadas a ela. Mas o meu joelho direito começou a doer "nessa vida" justamente no dia em que chegaram os exemplares do "7 Vidas" que a editora me mandou. Vem doendo dias mais dias menos até hoje.
Pode ter uma explicação bem clara: andei fazendo bicicleta ergométrica por conta própria por esse período. Nunca tive hábito de me exercitar (o Antonio Eder, o desenhista, fez questão de colocar os meus quilos a mais nas páginas do livro...), mas já havia feito bicicleta em outras fases e nunca tive esse problema. Mas acho que quem vai dar jeito nisso é o fisioterapia, e não a terapia de regressão.
JBlog >> Você percebeu que acontecimentos de uma vida encontram desfecho e justificativa em outras épocas. É exatamente o que explica a doutrina espírita com as sucessivas reencarnações, a vida eterna. E algum momento você ou a editora ficaram com medo de alguma represália religiosa?
André - Não, de forma alguma. A minha postura foi apenas essa: foi o que eu vi, foi o que aconteceu, é o que eu vou contar. Não direcionei o livro para esse ou para aquele nicho, nem me preocupei como esse ou aquele grupo iriam receber a obra. A minha postura no livro todo, aliás, é justamente a de deixar o leitor tirar suas próprias conclusões. Não prego nem afirmo nada.
Pode parecer estranho dizer isso, mas esse livro sobre minhas vidas passadas é 100% verídico e real. Isso porque não afirmo que fui um padre ou que vivi na Itália em tal época. Apenas conto: fiz a regressão e vi e senti isso. O que significa de fato isso que eu vi e senti fica com cada leitor.
JBlog >> Apesar do caráter de AVENTURA que vocês deram a história, falar em vidas passadas é de certa forma algo espiritual. E em nenhum momento vocês falam em deus, espíritos, força sobre humana, etc. Mas nas regressões de verdade você sentiu presenças espirituais perto de você?
André − Não, não foi por aí. A forma como as imagens e informações me vinham não remetiam a nada que se possa chamar de um contato espiritual e também não se assemelhava à forma como me vêm os sonhos ou a imaginação. Eram de fato lembranças, sejam ou não lembranças reais. Sonhos e imaginação vão se construindo, são dados que vão se formando na sua mente, e o que está obscuro, você completa.
As imagens que vi realmente existiam de alguma forma, assim como as histórias de cada vida. Por várias vezes, vi cenas que me pareciam estranhas, com detalhes sem explicação, que desafiavam a minha curiosidade. Aí, só lá pra frente, umas duas ou três semanas depois, é que me vinha uma recordação que explicava aquilo tudo, e aí sim eu via como tudo se encaixava. Se deixo ao leitor decidir se o que vi são ou não são de fato vidas passadas, ao menos uma afirmação eu posso fazer: seja o que for que eu vi ali, era algo forte e consistente.
A espiritualidade do livro não está só na questão de vidas passadas, está também na filosofia de vida que eu e minha mulher buscamos seguir naquele período, longe da cidade grande, apreciando as coisas mais simples da vida. Está também na perspectiva da paternidade e na expectativa da vinda da minha filhota, a coisa mais linda que já me aconteceu.
JBlog >> E, por fim, este livro é uma homenagem a Lia?
André − É uma homenagem à minha filhota Lia, que faz 3 aninhos em breve. A chegada dela foi o que deu o tom da obra: graças a ela, o livro termina para cima, falando de vida. E a forma como se deu a perda da "nossa" gravidez anterior, e a forma como a Lia veio, foi algo bonito, que dá uma perfeita analogia para uma HQ que fala de vidas que vem, que vão, e que vem de novo.