Uma aula com os gêmeos quadrinistas
Você sabe quem é quem?

Os gêmeos paulistas Fabio Moon & Gabriel Bá são bastante conhecidos no Brasil e, sobretudo nos Estados Unidos, para onde costumam enviar boa parte dos seus trabalhos. Começaram a carreira publicando fanzines, ilustrando para revistas e enviando amostra de HQs por correio para editoras americanas. Hoje ambos vivem dos quadrinhos. A dupla esteve no Rio de Janeiro na última quarta-feira, 27, para ministrar um workshop de roteiro dentro do Ilustrando em Revista, evento super bacana que acontece no Centro Cultural da Justiça Federal e que já foi noticiado aqui (confira rolando o mouse para baixo). Esse blogueiro estava lá.
"O maior trunfo do nosso zine era ser semanal, editar 15 edições semanais, cada uma com quatro páginas" explicou Moon sobre o início da carreira. "Então bancamos nossas passagens e fomos pra Comicon, em San Diego, onde vendemos 300 revistinhas em cinco dias". A Comicon é um das maiores convenções anuais do planeta. "Também levamos a RNR, uma HQ de rock sem falas, muda, pra mostrar na gringa".
Bá completa: "Naquela época a gente fazia ilustrações para poder fazer quadrinhos. Ilustramos muito para publicidade, por que era rápido e pagava bem, mas também para revistas infantis como a Recreio. Só importava que fosse fofo e colorido. Mas as ilustrações que fazíamos qualquer um poderia fazer". Foi uma fase de muita ralação. "Na vida de um ilustrador free lancer todos os dias são iguais, seja final de semana ou feriado, não tem horário". Moon retoma a palavra: "Normal, no início você tem que fazer o que aparece mesmo. Com o tempo passamos a filtrar mais. Hoje a gente escolhe os quadrinhos que queremos fazer. Acho importante que seu quadrinho tenha a sua cara, o seu estilo, a sua marca".

Quando o assunto é mercado nacional, os gêmeos mostram uma opinião bem definida. "O mercado só vai se expandir se tiver material. Precisa ter gibi em todas as bancas, facilitar o acesso. O investimento no mangá, por exemplo, é pequeno por aqui ele é um subproduto, já vem pronto do Japão". Então por que esta tendência de se investir no quadrinho como livro, para venda em livraria? "Pra dar cara de que quadrinho é mais sério, é leitura de adulto" responde Moon. "Mas não dá pra viver disso no Brasil. As tiragens são pequenas e você ganha só 10% do preço de capa. Ou seja, vai levar dois, três anos para vender todos os dois mil exemplares e você receber R$ 4.000", completa.
Polêmica mesmo só quando o assunto é internet. Minutos depois de criticar um dos trabalhos desenvolvidos por um dos alunos do workshop, que usara "blz" ao invés de "beleza", por que é assim que se tecla na web, Gabriel Bá lembrou que "internet é ótimo para tiras, humor, coisas rápidas. A HQ impressa é para histórias longas, em capítulos, que exigem aprofundamento. Mas em ambas é importante escrever corretamente em português".
Se você ainda não foi conferir de perto a exposição Ilustrando em Revista, corra. O evento vai só até domingo, 31 de agosto. Aproveite e adquira o belíssimo catálogo.

Alunos assistem a explicação antes de desenhar

Avaliação dos quadrinhos no workshop gratuito que lotou o CCJF
Fotos: Bebel Abreu / Editora Abril

Os gêmeos paulistas Fabio Moon & Gabriel Bá são bastante conhecidos no Brasil e, sobretudo nos Estados Unidos, para onde costumam enviar boa parte dos seus trabalhos. Começaram a carreira publicando fanzines, ilustrando para revistas e enviando amostra de HQs por correio para editoras americanas. Hoje ambos vivem dos quadrinhos. A dupla esteve no Rio de Janeiro na última quarta-feira, 27, para ministrar um workshop de roteiro dentro do Ilustrando em Revista, evento super bacana que acontece no Centro Cultural da Justiça Federal e que já foi noticiado aqui (confira rolando o mouse para baixo). Esse blogueiro estava lá.
"O maior trunfo do nosso zine era ser semanal, editar 15 edições semanais, cada uma com quatro páginas" explicou Moon sobre o início da carreira. "Então bancamos nossas passagens e fomos pra Comicon, em San Diego, onde vendemos 300 revistinhas em cinco dias". A Comicon é um das maiores convenções anuais do planeta. "Também levamos a RNR, uma HQ de rock sem falas, muda, pra mostrar na gringa".
Bá completa: "Naquela época a gente fazia ilustrações para poder fazer quadrinhos. Ilustramos muito para publicidade, por que era rápido e pagava bem, mas também para revistas infantis como a Recreio. Só importava que fosse fofo e colorido. Mas as ilustrações que fazíamos qualquer um poderia fazer". Foi uma fase de muita ralação. "Na vida de um ilustrador free lancer todos os dias são iguais, seja final de semana ou feriado, não tem horário". Moon retoma a palavra: "Normal, no início você tem que fazer o que aparece mesmo. Com o tempo passamos a filtrar mais. Hoje a gente escolhe os quadrinhos que queremos fazer. Acho importante que seu quadrinho tenha a sua cara, o seu estilo, a sua marca".

Quando o assunto é mercado nacional, os gêmeos mostram uma opinião bem definida. "O mercado só vai se expandir se tiver material. Precisa ter gibi em todas as bancas, facilitar o acesso. O investimento no mangá, por exemplo, é pequeno por aqui ele é um subproduto, já vem pronto do Japão". Então por que esta tendência de se investir no quadrinho como livro, para venda em livraria? "Pra dar cara de que quadrinho é mais sério, é leitura de adulto" responde Moon. "Mas não dá pra viver disso no Brasil. As tiragens são pequenas e você ganha só 10% do preço de capa. Ou seja, vai levar dois, três anos para vender todos os dois mil exemplares e você receber R$ 4.000", completa.
Polêmica mesmo só quando o assunto é internet. Minutos depois de criticar um dos trabalhos desenvolvidos por um dos alunos do workshop, que usara "blz" ao invés de "beleza", por que é assim que se tecla na web, Gabriel Bá lembrou que "internet é ótimo para tiras, humor, coisas rápidas. A HQ impressa é para histórias longas, em capítulos, que exigem aprofundamento. Mas em ambas é importante escrever corretamente em português".
Se você ainda não foi conferir de perto a exposição Ilustrando em Revista, corra. O evento vai só até domingo, 31 de agosto. Aproveite e adquira o belíssimo catálogo.

Alunos assistem a explicação antes de desenhar

Avaliação dos quadrinhos no workshop gratuito que lotou o CCJF
Fotos: Bebel Abreu / Editora Abril









