Tulípio é o nome do personagem criado por
Eduardo Rodrigues e
Paulo Stocker (o desenhista), cujos cartuns são publicados uma vez por semana na revista
Programa do
Jornal do Brasil. As piadas giram em torno da cultura de boteco. O material publicado foi reunido em livro, lançado em dezembro do ano passado pela editora
Devir. Além dos cartuns dos autores, há cartuns de convidados e uma coleção de frases do tipo
“É melhor um frango a passarinho na mão que duas calabresas voando”. Tudo conspira para que Tulípio caia na boca da galera como aquela cerveja geladinha.
JBlog >> Quando e como surgiu o personagem Tulípio? Ele pertence a vocês dois?
Eduardo: Frequento botequins quase que diariamente há mais de vinte anos e de uns seis pra cá comecei a anotar, em guardanapos, minhas impressões sobre a vida boêmia, a bebida, mulheres, futebol, petiscos, samba... Ou seja, tudo que realmente interessa. Chegava do bar e jogava um monte de guardanapos escritos sobre uma mesa.
Um belo dia percebi que havia um pilha enorme deles. Resolvi, então, passá-los a limpo, já que em alguns nem eu entendia o que estava escrito. Somaram mais de setecentas frases. Mostrei pra alguns amigos que me incentivaram a divulgar esse material. Pensei em criar um personagem e o nome Tulípio (referência clara à tulipa de chope) logo me veio à cabeça. Como eu não desenho nada, precisava de alguém que materializasse o personagem. Um grande amigo meu (Ademir Assunção) me apresentou o Stocker. Contei o que pretendia fazer e ele saiu logo traçando (no bom sentido) o personagem.
Paulo: Depois que o Edu me convidou, eu criei a arte conceitual do personagem. Na verdade, eu havia desenhado esse personagem outras vezes, uma hora era um jornalista, em outra um ogro... Quando o Edu me apresentou as frases do Tulípio, eu só adaptei o personagem e virou o que virou.
JBlog >> Tulípio é um paulista? Por que ele usa camiseta de botão e calça, num calor desses?
Eduardo: É engraçado: onde quer que a gente vá as pessoas pensam que o Tulípio é de lá. Em minas já ouvi muito que o Tulípio é mineiro. Temos amigos no Maranhão que garantem que ele é de lá. No Rio, então, rola muita afinidade com o personagem. Aliás, é muito comum, mesmo aqui em São Paulo, a gente ouvir que ele é um personagem carioca. Sei lá, acho que quem gosta de boteco e de boemia, independente de onde mora, se identifica com o Tulípio e vê nele características de sua própria localidade.
Paulo: Uns amigos cineastas mineiros chegaram a me falar que um conhecido deles lá de minas é o próprio Tulípio.
JBlog >> Tulípio foi direto pras páginas da revista de bolso? Foi um projeto encomendado por algum patrocinador?
Eduardo: Sim, foi direto pra revista. Um amigo nosso publicou uma notinha na versão digital do Meio & Mensagem dizendo que a gente tava querendo lançar uma revista com cartuns sobre boemia. O Fernando (Costa Neto), que é um dos donos do CineBoteco (canal de IPTV exclusivo para bares e restaurantes), viu a matéria e nos ligou perguntando se a gente não poderia fazer umas animações pra esse canal. Pouca conversa depois e estava tudo arranjado. A gente faria as animações pra ele e ele viabilizaria a revista.
Hoje, já no número 10, a revista é custeada por patrocínios e inserções publicitárias que permitem que a revista possa ser distribuída gratuitamente. São 20 mil exemplares, distribuídos em aproximadamente 40 bares de São Paulo. A distribuição é feita por nós mesmos.
JBlog >> Como é a reação do público ao Cineboteco?
Eduardo: O público recebe muito bem as animações. Acho que acontece uma identificação direta. O cara ta lá no bar e, de repente, pinta uma animação que versa justamente sobre a vida dentro de um bar. São mais de 200 animações em mais de 170 bares.
JBlog >> A publicação dos cartuns na revista Programa tem dado um bom retorno?
Eduardo: O retorno é excelente, a gente vive recebendo e-mails do pessoal do Rio querendo saber mais sobre o personagem e, principalmente, onde podem conseguir exemplares da revista.
Paulo: Eu acho legal é que as mulheres curtem o Tulípio, pelo menos as gostosas.
Acho que Boteco é algo que nunca sai de moda. A moda é que se adapta ao boteco.
JBlog >> Além dos impressos existe a camiseta. Vende bem?
Eduardo: Sim, vende bastante bem. Foi o Vicente, um cara que a gente nem conhecia e que gosta muito do Tulípio, que nos pediu autorização para produzir as camisetas. E assim foi feito. É ele que cuida da produção e distribuição das camisetas. As que mais vendem são: “Beber é uma arte. Ficar bêbado, uma obra prima” e “Já que a vida começa aos quarenta, me traz uma mamadeira de uísque”... Mas são mais de 50 modelos. Tem pra todo o gosto.
JBlog >> Sobre o livro, as participações especiais foram surgindo ao longo do tempo ou vocês procuraram alguns beberrões conhecidos e pediram na cara de pau?
Eduardo: Em cada edição um escritor e um cartunista participam da revista. A gente só juntou todos eles no livro. Mas, sim, foi tudo na cara dura. A gente não conhecia ninguém. Descolávamos um contato do cara e ligávamos ou mandávamos e-mail. Todos foram muito receptivos e aceitaram o convite logo que tomaram contato com a revista. Pra gente é uma enorme satisfação ter alguns de nossos grandes mestres participando na nossa revista. Ainda tem muita gente que gostaríamos que participasse.
Paulo: Além dos mestres, tem muitos amigos cartunistas que mandam desenhos, pelo simples fato de curtirem a idéia. Foi o caso do Orlandeli, Bira e Rico.
JBlog >> No livro há muitas frases de efeito. De onde elas vêm?
Eduardo: Todas as frases são de minha própria lavra. Não é nada ouvido nem recebido de outras pessoas. Eu fico lá no botequim, sentado, só tomando, pensando bobagem e anotando em guardanapos. Deve ser uma tara, sei lá...
JBlog >> Como estão as vendas?
Eduardo: Acima das nossas expectativas! Tanto que a Devir já nos encomendou outra publicação pro final desse ano.
JBlog >> E a última pergunta: qual é sua bebida e seu petisco de boteco favorito?
Eduardo: Chope e moela.
Paulo: Todas e todas.
Para saber mais, conheça o
site do personagem.