01/07: Local, a HQ da vida de Megan McKeenan

Postado por: Pedro de Luna
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2:34:06 PM
local 1 - capa

A idéia destes dois americanos foi excelente: criar uma série de 12 capítulos onde cada um deles representasse um ano da vida da personagem Megan McKeenan em suas viagens pelas cidades do interior dos EUA. Nestes seis primeiros capítulos, a garota começa sua jornada com apenas 16 anos pela cidade de Portland, no Oregon, e segue por Minneapolis (com a louca história do namoro através de fotos Polaroids), Richmond, Missoula, Halifax e Park Slope, no Brooklyn.

Interessante notar que nem sempre a protagonista aparece, de fato, no papel principal. No capítulo 3, por exemplo, ela fica em segundo plano e o foco está na crise existencial dos quatro músicos da banda Theories and Defenses, que acaba de encerrar a carreira.

Apesar de distintas, todas as histórias são interligadas. No capítulo 6, o boné do personagem assassinado no capítulo anterior está pendurado na cadeira do quarto de Megan. Aliás, este é um dos roteiros mais bacanas, mostrando o sofrimento da jovem ao dividir um apartamento em Nova Iorque com a metódica Gloria, que lhe impõe inúmeras regras e condições, inclusive a de não estar em casa nos seus dias de folga no hospital.

Escrito por Brian Wood, um dos mais importantes autores independentes de HQ, com o ótimo traço de Ryan Kelly (sobretudo em cenários e rostos), o livro também contempla ilustrações de Megan enviadas por leitores e conta com layouts originais das páginas antes de serem arte-finalizadas.

Ao fim do primeiro livro, Local – Ponto de Partida (Devir Livraria), com os seis primeiros capítulos, Megan já está com 21 anos. O que ainda está por vir? Saberemos quando a Devir lançar o segundo livro.

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Local 1 - pag interna

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24/06: Grosseria Refinada mistura contos e quadrinhos

Postado por: Pedro de Luna
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6:16:38 PM
GrosseriaRefinada CAPA

Roqueiro desde criancinha, Evandro Vieira acaba de lançar o seu segundo livro, Grosseria Refinada, o sucessor de Esfolando Ouvidos – Memórias do Hardcore em Brasília. Desta vez inspirado por filmes policiais, violência gratuita e pornografia suave, o vocalista da banda Quebraqueixo melhorou sua escrita e compilou 11 contos curtos e grossos, permeados com ilustrações e quadrinhos de sua autoria. Num contexto geral, leitura barata, rápida e fácil.

No conto Alma de Estrela, em parte autobiográfico, Evandro mostra a ascensão meteórica de uma banda de rock, onde o roadie toma o lugar do vocalista, que faz as vezes de narrador da história. Trata-se de uma saga de amor, ódio e trapaças, como no primeiro show com cachê: “Os outros três acharam que deveriam ganhar mais, pois teriam de comprar baquetas, cordas e gasolina”. Após um acidente grave, o personagem principal tenta dar a volta por cima. “Montei outras bandas. Nunca deram em nada. É por que eu não queria fazer música, eu queria fazer sucesso”. O fracasso foi tanto que nem mesmo o diabo apareceu de novo para lhe fazer uma nova proposta.

GrosseriaRefinada - contrato devil
GrosseriaRefinada - terno preto
Outro conto que merece destaque é Troféu de Bronze, onde os dois bandidos são batizados simplesmente de Terno Preto e Terno Cinza. Rola um suspense interessante enquanto ambos “fazem hora” para cometer um crime. O conto seguinte, Ela Está No Meio de Nós, pode ser lido como uma continuidade de Troféu, um recurso antigo porém interessante.

Em Corujão, Evandro narra as aventuras de um travesti que recebeu de pagamento um walk man e tenta voltar pra casa de ônibus no meio da madrugada. Divertido e nostálgico, sobretudo para quem viveu a época da fita k7. Perfume de Vigarice, sobre um casal falido que vive de aparências e vai a um evento da alta sociedade em busca de ajuda, e O Trabalho do Galinha Preta (do mesmo, pois é o nome de um dos bandidos) também merecem atenção especial.

Para quem gosta de cultura underground, o caminho para adquirir o livro, lançado com recursos do Fundo da Arte e da Cultura do Distrito Federal, é o e-mail evandro.esfolando@hotmail.com

GrosseriaRefinada - vigaristas

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19/06: O barato das tiras seqüenciais - parte 2

Postado por: Pedro de Luna
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11:39:00 AM
Dando prosseguimento prático ao texto anterior, confira três das cinco tirinhas desta semana sobre a experiência nada agradável do agora motorista Bzão em lidar com "flanelinhas" (guardador autônomo informal de carro). Foram publicadas no Caderno B em sequência, de segunda a quarta:
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Bzao flanelinha 2 web
Bzao flanelinha 3 web

E na semana que vem, não perca: o Arraiá do Bzão. Cinco dias de rock junino, quentão e pé de moleque.
Bzao e o primo caipira

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18/06: O barato das tiras seqüenciais

Postado por: Pedro de Luna
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3:16:18 PM
Uma das grandes vantagens de se publicar tirinhas diariamente é justamente trabalhar a seqüência delas. No caso do JB, que é um jornal com muitos assinantes, o leitor pode acompanhar dia após dia o desenrolar de uma aventura. O desafio para o quadrinista está justamente em fazer cada tira ser auto-suficiente, se encerrar nela própria, mas também funcionar se conectar com a anterior e a posterior. Veja a seguir uma seqüência publicada no Caderno B mostrando o drama do Bzão na compra do seu primeiro automóvel.
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Bzao compra carro 2
bzao compra carro 2
bzao compra carro 3
Bzao compra carro 4

Como você pode ter observado, quando colocadas seqüencialmente as tiras formam uma única e completa história em quadrinhos. No caso do nosso querido personagem, o desenrolar de suas experiências com o carro foram bem divertidas. Confira:
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bzao e seu carro 2
bzao e seu carro 3
bzao e seu carro 4
bzao e seu carro 5
bzao e seu carro 6
bzao e seu carro 7
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bzao e seu carro 8

Enfim, este é só um dos recursos possíveis para explorar criativamente a mídia jornal. Taí uma boa idéia para agências, montadorsa de automóvel e concessionárias. Idéias, para nós quadrinistas, é o que não faltam.

Quem desejar enviar uma sugestão de tirinha pro Bzão ou para este blog deve escrever para bzaobzao@gmail.com

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11/06: Melius Bongo fala ao Blog de Quadrinhos

Postado por: Pedro de Luna
4 Comentários
3:14:42 PM
Melius Bongo é o blasé editor do fanzine Bongolê Bongoró, recheado de bons quadrinhos. Morando em Brasília, o ilustre senhor de bigodes finos acaba de lançar a segunda edição, com um pouco menos de páginas que a primeira, porém com duas cores na capa. Diz ele que "até agora, tudo foi bancado do próprio bolso". Seria o caso de uma CPI para investigação? O blog Quadrinhos entrou em contato para esclarecer se tudo isso se trata de uma piada de mal ou de bom gosto. E com sua fina ironia de sempre, ele nos respondeu.
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Senhor Melius, qual é a tiragem e como é realizada a distribuição dele?
A tiragem é de 500 exemplares, distribuídos em pequenas quantidades para lojas interessadas do país, por venda individual direta pelos correios, de mão em mão em eventos, e como moeda de troca. O primeiro número está esgotado, e pretendo disponibilizá-lo na íntegra em .pdf, assim que tiver um tempo.

Parece que houve bem mais espaço para textos, poesias e pirações gráficas nesta edição que na anterior. Esta é uma tendência para as edições futuras?
Isso se chama encher lingüiça, uma técnica refinada de improvisação. Rá rá! A tendência para a próxima estação é o preto voltar a ser preto e o branco voltar a ser branco.

Bongole Bongoro 2 CAPA


Partindo da premissa que o zine é uma coletânea de bons autores como Gomez, Guabiras e Gabriel Renner, sua função é apenas a de editor ou também tem desenhos seus na parada?
Sendo não apenas um editor e empresário de sucesso, mas um mecenas, abro espaço para esses pobres artistas divulgarem suas obras, sem ofuscá-los com as minhas próprias. Caso contrário, pode ser manteiga demais para um pão só.

Qual o critério para poder participar das próximas edições?
Se houver uma próxima edição, deverá ser algo diferente das outras duas. Mas tudo será explicado no edital.

Do que Melius Bongo sobrevive na vida real?
Meus advogados me aconselharam a não responder essa pergunta.

Quando sairá a terceira edição?
Isto depende do alinhamento dos astros e do preço do barril de petróleo, mas o ideal seria no fim do ano.

Você já pensou em fazer exposições com trabalhos do zine?
Sim, mas uma das dificuldades é que grande parte dos trabalhos é finalizada em computador. Porém, isto não deixaria de ser interessante para o público, perceber o processo de cada autor... Talvez uma exposição comemorativa especial com os segredos da primeira edição possa vir a ser realizada algum dia.

Quais outros fanzines você recomenda para os leitores que estiverem atrás de publicações como o Bongolê Bongoró?
O Pif-Paf do Millôr e o Almanhaque do Barão de Itararé. Zap Comix e Chiclete com Banana. Depois disso, faça o seu próprio.

N.E.: Em tempo: eu não vendo o meu número 1 de jeito nenhum.
Bongole numero 2 pagina 7
Bongole 2 pag 57
Bongole 2 pag 65

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09/06: Entrevista com o quadrinista José Aguiar

Postado por: Pedro de Luna
1 Comentário
11:52:52 AM
Ele mora em Curitiba e recentemente completou 33 anos. Porém não é de hoje que José Aguiar briga por um espaço ao sol desenhando quadrinhos. Uma de suas bandeiras é justamente pelo reconhecimento ao termo "quadrinista", que é diferente de cartunista, chargista e caricaturista. Prestes a vir ao Rio e a Niterói para lançar seu segundo livro, o JBlog Quadrinhos conversou com o artista.

1. José, esse é o seu 2o livro solo após 10 anos de carreira. Você poderia ter lançado antes de forma independente, certo? Por que optou por esperar uma editora se interessar e como foi o processo com a HQM?
Ano passado lancei Folheteen pela Devir. Foi o primeiro álbum nacional publicado em 2007 e estou preparando uma seqüência. Na verdade, eu nunca esperei por uma editora. É que as oportunidades foram surgindo nos momentos corretos. Até 2004 meu foco principal era o trabalho de ilustrador. Aquele foi o ano em que decidi investir seriamente na carreira de autor de HQs. Para publicar independente eu teria que ter recursos. Não é o meu caso pois tiro meu sustento de meu trabaho como quadrinista, ilustrador e professor. Não disponho de tempo para cuidar de vendas e distribuição. Trabalhar só na promoção dos livros já dá muito trabalho. Por isso busco editores. Em especial desde que publiquei na França passei a chamar mais a atenção deles.

Quando ganhei o I Concurso internacional de Quadrinhos em 2005 a Devir me abriu a porta. Então não havia porque ser independente no sentido de me autopublicar. Se bem que, na minha opinião, quase todos os autores nacionais são independentes de um forma ou de outra.

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2.Existiu cessão de direitos autorais? Você recebeu um adiantamento por vendas ou apenas alguns exemplares para dar / vender aos parentes e amigos?

Claro, ha a cessão. Sou bem rígido nesse aspecto contratual. É experiência que trago dos meus anos como ilustrador editorial e publicitário. Se eu quero ser profissional, tenho que trabalhar com quem seja também. Cada editora tem seu método. Mas eu costumo receber meu adiantamento de direitos, mais a prestação de contas e, claro, alguns exemplares. Se uma editora não lhe der nada disso em troca de seu trabalho, fuja dela. Tanto o autor quanto a editora tem que ser profissionais um com o outro.

3. Em "Quadrinhofilia" você mostra-se eclético em temas e estilos, quase como se fosse um portfolio, mostrando suas várias possibilidades. Esta foi a intenção?

De certa forma sim, é meu portfólio quadrinístico. Pois eu sempre me interessei por fazer coisas diferentes. Me adequar ao desafio. Acho que há traços e narrativas coerentes com cada roteiro. Mas há algo em comum sob a maquiagem de cada HQ. São as soluções típicas do meu trabalho. Não quero ser rotulado facilmente. Mas a intenção principal de Quadrinhofilia sempre foi desenterrar os trabalhos que nunca encontraram meios de serem impressos.

4. Afinal, o termo "quadrinhofilia" é a busca de um boa história ou serve para designar HQs que estavam enterradas numa gaveta?

Pode ser ambos. Mas o princípio do nome veio mesmo da idéia de desenterrar o arquivo-morto em busca do que valia a pena mostrar para dar cabo da sensação de eterno início de carreira. Enquanto não publicasse esse material eu estaria muito insatisfeito comigo mesmo. Creio que agora, com este livro, finalmente deixei de ser um talento promissor.

5. Nota-se mudanças na sua técnica, como se antes você preferisse aquarela e nanquin e hoje utilizasse mais o traço vetorial e o photoshop. Gostaria que você comentasse isso, como decide qual técnica utilizar e se você acha um conservadorismo restringir a arte ao que é feito de forma artesanal e não eletrônica (mouse sobre tela, etc).

Não tenho conservadorismo algum. Artesanal e digital podem coexistir juntos ou separados. Usar o Photoshop nada mais é que uma questão de praticidade. Por exemplo, o ilustrador Orlando Azevedo certa vez disse numa palestra que um dia ele se flagrou não mais desenhando em escala grande, como era acostumado. Ele desenhava só no formato A4 por causa da praticidade do scanner. Hoje os prazos para criar, comercialmente falando, estão longe do ideal. Antigamente eu usava mais a aquarela. Até por que os recursos do Photoshop eram mais limitados. Mas não por isso sou viciado nesse programa. Hoje, até brinco mais com o lápis de cor, coisa que não fazia por receio. Esse é um material que não está em Quadrinhofilia, mas há amostras dessa técnica em ilustrações em meu site.

HQ bebediabo Jose Aguiar

6. Como é o seu processo de criação, de inspiração?

Não é algo esquematizado. Gosto de pesquisar, ler e assistir coisas relacionadas aos temas que vou desenvolver. Na verdade, ultimamente tenho montado meu "banco de idéias". Foi uma coisa meio óbvia, mas que só me pareceu lógica depois que tive o prazer de ouvir do Quino (o autor da Mafalda) que ele costuma deixar idéias até anos guardadas, esperando a hora certa de finalizá-las. Eu fico assim, fermentando, quando o projeto é algo pessoal. Quando é uma encomenda, já não tenho esse luxo. Tenho que me valer do meu repertório e experiência para fazer o melhor trabalho possível dentro das condições impostas. Mas uma coisa que gosto é de caminhar ao ar livre para soltar a mente. Ficar na frente do monitor me esgota as vezes...

7. Quantos % do seu dia são ocupados com o autoral e quantos % com os trabalhos que pagam as contas?

Felizmente eu não faço nada fora da minha profissão. Meu primeiro dinheiro eu ganhei publicando tiras de jornal, aos 16 anos. Se eu não fazia quadrinhos, ilustrava. Se os quadrinhos não eram autorias, eram institucionais. E, como professor, dou aulas de quadrinhos. Então, por mais que o foco não seja apenas a produção, meu sustento vem da minha arte.

Pode-se dizer que 40% é autoral e 60% é para as despesas. Mas sem essa rigidez. Há dias que paro completamente alguns trabalhos para aproveitar as idéias e resolver meus projetos pessoais. É uma questão de tentar fazer render melhor o tempo.

8. É possível sobreviver de HQs no Brasil ou dá pra viver e bem?

Sim é possível. Mas aí depende do que se considera "viver bem". Cada um tem o seu ideal. Mas para viver de quadrinhos é preciso ralar muito. Ser autor significa trabalhar muito. Maurício de Sousa é a prova de que é possível. Ele tem uma equipe grande de artistas de quadrinhos que vivem desse ofício. Antonio Cedraz com a turma do Xaxado também é outro exemplo. Cito-os para falar de estúdios que produzem HQs nacionalmente. Mas há também os que exportam. Mas ter um império não faz parte de minhas ambições, então creio que o meu ideal é mais palpável. Eu trabalho para viver acima de tudo de meus quadrinhos. Mas não me importo de fazer outras coisas relacionadas. Elas são um refresco para as idéias. Gosto de lidar também com teatro, de escrever. Claro que não é fácil, mas não troco por nada a opção que fiz que é a de viver da minha arte.
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9. Você é professor de quadrinhos na Gibiteca de Curitiba, certo? Gostaria que você falasse sobre a importância da gibiteca no desenvolvimento de público e mercado local. E também sobre o perfil dos seus alunos e sua metodologia. O curso tem um final, por exemplo, ou é contínuo?

E também já fui aluno lá. Inclusive, o Cláudio Seto, o homenageado no HQMIX deste ano foi meu professor lá. Acho que só isso já atesta uma das razões pelas quais a Gibiteca importante. Ela é um referencial, um lugar onde pode ser fomentada a continuidade de nossa arte. Ela é um espaço pioneiro no mundo, criado ha 25 anos e que se tornou uma espécie de centro cultural , que agrega os amantes e autores de HQ com outras manifestações culturais afins como o RPG, os fãs clubes de ficção científica e até mágicos que usufruem de seu espaço.

O meu curso tem dois módulos um básico ( desenho, criação de personagens e linguagem de HQ) e um avançado ( Fanzine: do roteiro ao xerox). Cada módulo dura 04 meses. Na maioria os meus alunos estão entre os adolescentes e jovens adultos ( 16/30 anos). Mas há excessões: já tive também vários alunos acima de 60 anos que sempre quiseram fazer HQ mas tinham vergonha. Hoje, devido a maior exposição da HQ na mídia venceram essa barreira.

Outro fenômeno interessante é que nos últimos anos tem se intensificado o numero de estudantes de design, publicidade ( as vezes até algum diretor de agência aparece) em busca de formação na área. Desses alunos, alguns realmente enveredam pela coisa e iniciam carreira. Tenho diversos alunos que se tornaram ilustradores, animadores e, claro, quadrinistas graças ao incentivo do meu curso. Algo de que me orgulho muito.

10. O lançamento do livro no Rio e Niterói incluirá exposição ou apenas venda e autógrafos?

Em ambos estarei vendendo e autografando Quadrinhofilia e Folheteen. A exposição acontece apenas em Niterói, pois o espaço foi cedido pelo Instituto Cultural Germânico. A exposição tem o mesmo nome do meu novo livro, pois é a que concorreu a troféu HQMIX ano passado. Foi desse balanço de carreira que surgiu o livro que estou lançando. Quem for na sexta ( dia 13 de junho) verá os originais do mesmo e mais algumas surpresas. Eu estarei autografando a partir das 17h e a abertura da exposição será 19h.

Na segunda (dia 16 de junho) o livro será lançado na Livraria Dona Laura, na Casa de Cultura Laura Alvim. Lá eu estarei autografando a partir das 19h30. Ano passado estive em Niterói, com a exposição Viajando em Quadrinhos pela França e Alemanha, indicada este ano ao mesmo troféu HQMIX, no Centro de Cultura França-Alemanha.

11.Na sua ótima HQ sobre a viagem para a Alemanha, você trata da invasão do mangá e da proteção ao autor nacional. Como você compara a realidade alemã com a brasileira?

Obrigado pelo elogio! Na verdade, a aceitação dessa HQ tem me surpreendido muito! A realidade alemã dos quadrinhos é muito próxima da nossa. Pouca produção local, muito material traduzido. Com a diferença de que lá o mercado francês tem mais penetração e o mangá me parece ter ainda mais força que aqui.

12. Ainda neste relato autobiográfico você comenta que na França existe o público mais velho e os jovens, que existe uma renovação do publico leitor e que cerca de 300 títulos são lançados por mês no mercado francês.

São dados que me foram passados pelos donos das Comic Shops onde lancei Ernie Adams em 2006 e pelos editores com quem conversei no festival de Angouleme este ano. São tantos títulos que é difícil lançar novos autores. Devido a falta de espaço, se o titulo não vender bem pode correr o risco de ficar apenas uma semana em exposição. Ter um público jovem convivendo com o de mais idade é reflexo do hábito pela leitura de HQs que é passado pela família. Aqui, o que me assusta é que o público está envelhecendo e pouco se faz para cativar diferentes faixas etárias de leitores.

13. Se você tivesse a oportunidade de sugerir políticas publicas para incentivo a HQ nacional, quais seriam suas sugestões?

Precisamos de editais de fomento a produção: para a produção, pesquisa e resgate histórico de nossos quadrinhos. Leis que incentivem a difusão cultural através de publicações, festivais e do ensino. O preparo de professores para a utilização de HQs em sala de aula é fundamental. Quadrinhos são muito mais versáteis para se trabalhar e muito mais baratos de produzir que a maioria dos programas educativos que se vê por aí.

Também acho importante que haja uma reserva de mercado para a HQ nacional, contanto que hajam mecanismos para que esses produtos cheguem a público por um preço acessível e competitivo com o que vem de fora.

14. Num mercado profissional e muito concorrido, quais são os seus conselhos para um quadrinista se destacar?

Ser persistente e, acima de tudo, realmente profissional. O discurso de "sou artista" muitas vezes é desculpa para fazer um trabalho relapso que não dialoga com ninguém. Quadrinhos são sim uma forma de arte, mas também um meio de comunicação. Se você não levar a sério o que você faz, você presta um deserviço a sua arte. Você precisa receber dignamente por seu trabalho, pois ele não é um "hobby" é uma profissão também.

15.Por fim, você usa a seguinte frase no livro: "cada país tem a crise das HQs que merece. Qual é a nossa?". A ser ver, José Aguiar, qual é a nossa?

A nossa é uma mistura de várias: a falta de um mercado estabelecido, a falta de profissionalismo de quem edita e a de quem faz também. Mas o que mais me preocupa é o comodismo de quem só reclama e nada faz para mudar o cenário. Felizmente muitas pessoas pensam como eu e estão agitando a cena e mudando as regras do jogo.

HQ Piratas Jose Aguiar


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04/06:

Postado por: Pedro de Luna
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12:14:51 PM
Entrevista com Alexandre Clemente, coordenador do Salão de Humor de Volta Redonda desde a sua 1a edição, em 1985:

Alexandre, como vocês conseguiram "blindar" o salão, garantindo sua realização mesmo com as sucessivas trocas de comando na prefeitura e na secretaria de cultura? Ele sempre foi realizado sem uso das leis de incentivo a cultura?

R: O Salão de Humor de Volta Redonda foi criado nos moldes do Salão de Humor de Piracicaba. Na época, em 1985, para a divulgação do nosso primeiro Salão utilizamos a mala-direta (listagem) dos Salão de Piracicaba e do extinto Salão de Juiz de Fora (organizado pelo Talarico). Inicialmente a garantia da realização do evento dependia da situação política da época, e, a cada troca de governo, a coordenação Salão tinha que “vender o peixe” para o novo prefeito. Com o tempo o Salão se tornou tradicional e foi respeitado pelos novos governantes. O Salão sempre foi realizado sem o apoio das leis de incentivo a cultura. A Prefeitura sempre bancou o Salão.

Você acha bom ou ruim que só existam dois salões no Estado do Rio, o de Volta Redonda e o Carioca (na Laura Alvim)? Apoiaria a criação de mais um, em Niterói, por exemplo?

R: O Salão de Volta Redonda nasceu com o apoio de outros Salões. Então temos que apoiar a criação de novos Salões. Criar um Salão é muito fácil, com uma boa “mala-direta” é sucesso garantido. Muita atenção para a escolha da comissão julgadora, qualquer deslize a vaca vai pro brejo. Cidades como Niterói, Resende, Valença, Petrópolis e Nova Friburgo, entre outras, tranqüilamente poderiam realizar os seus Salões de Humor, preferencialmente coordenados pela Secretarias de Cultura das cidades, para manter as realizações futuras.

Muitos artistas alegam que pararam de participar dos salões por que o critério deixou de ser o humor para ser a arte mais bonita. Há até quem diga que existe "panela" no julgamento. Apesar de não ser jurado, na sua opinião os salões ainda premiam os trabalhos de fato mais engraçados, em detrimento do acabamento estético?

R: Historicamente, as comissões julgadoras convidadas para os Salões de Humor de Volta Redonda sempre foram compostas por cartunistas e chargistas, ligados ao humor gráfico. São orientados para selecionar os trabalhos mais engraçados e com um bom acabamento estético. Sempre prevalecendo o HUMOR. Obrigatoriamente as comissões julgadores deverão ser compostas por humoristas gráficos.

Do 1o Salão em 1985 para o 19o Salão no ano passado, vocês tiveram um crescimento no número de trabalhos inscritos de 68 para 600. A que você atribui este aumento?

R: A cada ano o número de trabalhos inscritos aumenta. Devesse a seriedade que os concorrentes enxergam no Salão de Volta Redonda, começando pela divulgação do evento, pela seleção dos trabalhos, pela divulgação dos selecionados, pela exposição dos trabalhos e, principalmente, pela devolução garantida dos trabalhos. O valor da premiação não pesa, o que pesa mais é a organização do Salão. Quando o cartunista vê o seu trabalho exposto na Galeria ele fica satisfeito, porque a obra passou por diversas etapas e está lá na parede, pendurada.

Você considera boa a premiação do Salão de Volta Redonda? De quanto será este ano?

R: A premiação para este ano é a seguinte:

- 1º lugar – 4 prêmios no valor de R$2.500,00 para cada modalidade
- 2º lugar – 4 prêmios no valor de R$1.500,00 para cada modalidade.
- 1 Prêmio Especial no valor de R$1.500,00 – “Desmatamento da Amazônia”
- 1 Prêmio Especial no valor de R$1.500,00 – “Melhor de Volta Redonda”
- TOTAL: R$19.000,00 (dezenove mil reais)

Em relação a categoria Quadrinhos, alguma coisa em especial vem lhe chamando a atenção? Há, por exemplo, uma evolução na qualidade dos trabalhos?

R: A modalidade “quadrinhos”, que antes não se destacava na quantidade de inscrições, agora quase se iguala com as outras modalidades tradicionais (cartum, charge e caricatura). São apresentadas em “tiras” ou em “histórias completas”, no formato 30 x 40. Realmente, existe uma evolução nos trabalhos apresentados nos Salões e quase que diariamente nos jornais em circulação.

Falemos sobre o recém-criado Espaço das Artes Zélia Arbex. O que é exatamente?

R: O Espaço das Artes Zélia Arbex, inaugurado recentemente, é uma Galeria de Arte. Localizada no centro da cidade, recebe cerca de 12 exposições por ano, entre elas o Salão de Humor de Volta Redonda, que originalmente não tinha um local fixo para a sua realização. O Salão era realizado anualmente em diversos locais, não tinha casa própria. Identificar um local para a realização do Salão era muito complicado.

A partir de 2005 vocês criaram uma categoria específica para artistas residentes em Volta Redonda, que será repetida em 2008. Esta inovação impulsionou, de fato, o desenvolvimento do mercado local ou projetou os vencedores Brasil afora?

R: A nova modalidade, “trabalho inscrito por Volta Redonda”, foi muito bem recebida aqui na terrinha. Não é bairrismo e sim investir nos nossos artistas em ascensão. Os frutos já estão sendo colhidos, com artistas de Volta Redonda disputando com as velhas e conhecidas feras de Salão. Em 2007 o cartunista Flávio Leite, de Volta Redonda, conquistou o primeiro lugar na modalidade cartum. A idéia deveria ser adotada por todos os Salões.

Outra marca do salão é a categoria especial. Desde 2005 o tema foi desarmamento, Copa do Mundo e Aquecimento Global. Por que a escolha do tema "O Desmatamento da Amazônia" para 2008?

R: Amigo Pedro, o “Desmatamento da Amazônia” esta na capa de todos os jornais e revistas. É o assunto do momento. Agora então com a ida do (Carlos) Minc para o Ministério do Meio-Ambiente, o assunto esquentou.

UM ABRAÇÃO. ESTAMOS AGUARDANDO A SUA INSCRIÇÃO.

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03/06: Coquetel de lançamento do livro MALVADOS

Postado por: Pedro de Luna
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1:41:17 PM

Não espere pelo riso fácil e confortável ao ler as tiras de André Dahmer. Após grande repercussão no mundo virtual com a webcomic (http://www.malvados.com.br) de os “Malvados”, Dahmer passou a publicar em importantes jornais do Rio de Janeiro e São Paulo, tornou-se colaborador em revistas e portais de grande acesso. Já considerado um clássico do humor em tiras, “Malvados” chega agora às páginas do livro homônimo lançado pela Desiderata, selo da Editora Agir, em uma coletânea selecionada pelo autor entre as mais de 700 tirinhas criadas para a Internet. O lançamento será no dia 4 de junho, às 19h30, na Livraria da Travessa, em Ipanema.

Em seu segundo lançamento pela Desiderata, as tiras em preto e branco de Dahmer apostam num humor inteligente, ácido e sarcástico. Seus personagens, conhecidos como “cabeças de girassóis” ou “flores do mal”, viraram febre na Internet. O número de acessos a sua webcomic chega a 10 mil em um único dia. O sucesso é tamanho que é fácil encontrar na rede virtual e mesmo fora dela um grupo de aficionados pela criatividade do traço do autor e pelos temas por ele desenvolvidos.

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29/05: 4º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista

Postado por: Pedro de Luna
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2:52:57 PM
Impressionante a quantidade de salões acontecendo simultaneamente. Na quarta edição deste aqui, a categoria Cartum Temático fará homenagem aos passeios com o "Trem Moita Bonita". Operando todos os finais de semana, a Maria Fumaça será palco de atividades do Salão e uma nova atração turística do município. Além do tema "TREM", haverá uma categoria em homenagem ao Centenário da Imigração Japonesa: Mangá. No total são seis categorias: Caricatura, Charge, Tira, Cartum Livre, Cartum Temático e Mangá. As inscrições vão até 18 de julho.

Mais informações em www.salaodehumordeparaguacu.com.br

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25/05: Quadrinhos infantis a mil por hora

Postado por: Pedro de Luna
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4:05:29 PM
Ao contrário do que se acredita, o mercado de histórias em quadrinhos para crianças vai de vento em popa. Ou seria de zero a cem em poucos segundos? Dois lançamentos para o público infantil comprovam que a garotada gosta mesmo é de emoção em alta velocidade.

SENNINHA NAS BANCAS
O personagem Senninha estacionou nas bancas com um gibi mensal, numa parceria entre o Instituto Ayrton Senna e a editora HQ Maniacs. Os roteiros estão muito bacanas e trabalham o conceito de competição entre duas turminhas: a do piloto mirim versus a do seu rival Braço Duro. Uma das brincadeiras favoritas de ambos é, claro, apostar corrida. Ao todo são mais de 15 personagens se alternando nas aventuras do garoto de oito anos, que tem o tricampeão de Fórmula 1 como ídolo.

Cada revista custa R$ 2,90 e toda a renda com a venda da mesma será revertida para os projetos educacionais da instituição. Atualmente o personagem Senninha está licenciado para utilização em cerca de 250 produtos diferentes, entre brinquedos, alimentos, vestuário e artigos de papelaria.

Senninha numero 01

MALUQUINHO RADICAL
No sentido contrário, o Menino Maluquinho vai deixando as bancas para investir mais nas livrarias. O lançamento do Almanaque Maluquinho (Editora Globo) é uma prova de que a tendência será investir mais em livros e publicações temáticas neste formato. Recebi um exemplar do almanaque sobre esportes radicais e assino embaixo. Ou melhor, dentro, já que eu escrevi o roteiro da HQ sobre skate.

Mais que apenas entreter, houve a preocupação dos editores em trazer o leitor mais pra perto de cada esporte, ensinando gírias, manobras, o nome de cada peça e acessório e sua respectiva função. Para mim, que com uma turma também maluquinha, criei no ano 2000 um site específico sobre skate – o www.sk8.com.br- é um grande prazer ver Maluquinho e sua turma mandando, por exemplo, um ollie flip e um noseslide!

O livro de 66 páginas totalmente a cores traz histórias de rafting, surf, bicicross, escalada, montanhismo, asa delta e (acredite) parkour, um esporte urbano e totalmente atual que consiste em saltar obstáculos naturais como bancos de praça, muros, escadas e portões. Você encontra o almanaque em livrarias e a venda através da internet. Um presente irado para filhos, sobrinhos e netos maluquinhos.

Almanaque Maluquinho Radical
Almanaque Maluquinho Skate

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