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Mensalão do DEM renova judicialização

Por Cristian Klein

Seja qual for o resultado do mensalão do DEM do Distrito Federal, uma coisa é certa: o escândalo já produziu o mais novo capítulo dentro do tão polêmico fenômeno da judicialização da política no Brasil. Desta vez, a intervenção do Poder Judiciário em assuntos que deveriam ter provisão ou solução no campo político e legislativo veio com a decisão de um magistrado do Tribunal de Justiça do DF, na última quarta-feira. O juiz Vinicius Santos Silva proibiu que oito deputados distritais e dois suplentes participem de qualquer atividade legislativa relacionada ao processo de impeachment do governador José Roberto Arruda (ex-DEM).
A justificativa é a mais trivial possível: estes parlamentares são os mesmos que foram flagrados em vídeo recebendo e escondendo maços de dinheiro que denunciaram o suposto esquema de corrupção do governo Arruda. São políticos da base aliada do governador. São de sua tropa de choque. E passaram a ocupar funções da Câmara Legislativa nas quais eles mesmos investigariam e julgariam a causa em que têm total interesse. Ou seja, nada mais parcial e absurdo para as pretensas intenções de se fazer justiça por meio de instâncias especiais, como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Como se sabe, contudo, CPIs quase nunca se guiam pelos critérios de imparcialidade e impessoalidade, e raramente resultam em punição exemplar dos infratores. É um julgamento político e não técnico. Por mais que esteja errado, se o acusado pertencer ao grupo político que detém a maioria na casa legislativa, será mínima a probabilidade de sofrer castigo digno deste nome.
A decisão do juiz do DF é trivial para o senso comum. Mas, devido à complexidade das instituições democráticas, à divisão do trabalho e ao princípio de pesos e contrapesos que orienta a separação dos poderes – pela qual se espera que o Executivo governe, que o Legislativo legisle e que a Justiça julgue, cada poder respeitando os limites de suas atribuições – a decisão foi considerada inusitada, polêmica.
O fenômeno da judicialização da política tem sido um dos mais debatidos e controversos da agenda pública, não só no Brasil mas internacionalmente. No país, exemplos de intervenções do Poder Judiciário que refletiram uma ampliação de suas competências incluem o julgamento sobre a utilização de células-tronco embrionárias para fins de pesquisa, a demarcação de terras indígenas e a determinação dos limites legítimos de atuação das CPIs (como quebras de sigilos e decretação de prisão).
O assunto divide opiniões e produz visões diametralmente opostas. Há quem veja no fenômeno aspectos positivos, de compensação no arranjo entre os três poderes, e há quem defenda que o processo é negativo e se caracteriza por uma perniciosa invasão de competências. Este é o argumento, por exemplo, da cientista política e procuradora da Fazenda Nacional Maria Helena Urbano Ribemboim, que critica o fato de instituições não majoritárias, como o Judiciário, cuja legitimidade de seus ocupantes não provém das urnas, restringirem o poder de decreto do presidente e interferirem na agenda política, na criação de políticas públicas pelo governo e na sua capacidade decisória. No artigo Judicialização da política: concentração decisória e desequilíbrio entre os três poderes, Ribemboim afirma que o Judiciário leva considerável vantagem sobre o Executivo, na superposição de funções entre os poderes estatais, sem que disto resulte necessariamente um reforço à sedimentação da democracia brasileira.
Este argumento é exatamente o contrário do defendido pelo professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Luiz Werneck Vianna, uma das principais referências no assunto. Para o sociólogo, a judicialização no Brasil gera um resultado positivo, diferente do que ocorre em outros países. Funciona como uma reação e uma compensação ao déficit democrático de um Legislativo capturado pelo Executivo e insulado em relação à sociedade civil.
Qualquer semelhança com câmaras dominadas por poderosos chefões e seus mensaleiros não é mera coincidência.

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Comentários


Comentários

Rubens Freitas enviou em 26/01/2010 as 09:52:

Parabéns ao Sr. Luis Werneck! Chega de análise meramente "técnicas", como a da Sra. Ribemboim! Estas não consideram o contexto; são frias. Precisamos mudar! Está na hora de a Justiça avaliar com justiça!

mauro enviou em 26/01/2010 as 11:31:

Na medida em que se admite a judiciarização da política, torna-se necessário abrir a caixa preta do Poder Judiciário. É preciso rasgar o véu que encobre a hemonia da Maçonaria sobre referido Poder. Na medida em que a plebe invasiva ocupa espaços antes reservados apenas à elite, podendo eleger e até compor o Legislativo e o Executivo (pela primeira vez, com Lula), resta à Maçonaria manobrar seu braço mais forte e exclusivo, o Poder Judiciário. Só quem não convive com o Poder Judiciário diariamente tem a ilusão de que a Magistratura Nacional é mais ética ou melhor que nossa classe política. Achar um juiz independente e interessado em resolver bem os casos é tão raro quanto encontrar um Deputado ou Senador interessado em votar bons projetos voltados para o bem geral.

mauro enviou em 26/01/2010 as 11:31:

Na medida em que se admite a judiciarização da política, torna-se necessário abrir a caixa preta do Poder Judiciário. É preciso rasgar o véu que encobre a hemonia da Maçonaria sobre referido Poder. Na medida em que a plebe invasiva ocupa espaços antes reservados apenas à elite, podendo eleger e até compor o Legislativo e o Executivo (pela primeira vez, com Lula), resta à Maçonaria manobrar seu braço mais forte e exclusivo, o Poder Judiciário. Só quem não convive com o Poder Judiciário diariamente tem a ilusão de que a Magistratura Nacional é mais ética ou melhor que nossa classe política. Achar um juiz independente e interessado em resolver bem os casos é tão raro quanto encontrar um Deputado ou Senador interessado em votar bons projetos voltados para o bem geral.

Cássia enviou em 26/01/2010 as 13:35:

Creio que acima dessas tomadas de decisões pelo judiciário está a divulgação dos fatos e imagens feita pelos meios de comunicação. Foram as divulgações que impulsionaram o judiciário do Distrito Federal a agir. Da mesma forma ocorreu em Manaus, com o deputado Wallace ao terseus atos divulgados até pela imprensa internacional fazendo uso de um programa de televisão para mostrar as barbáries (prisões e homicídios) cometidas pelo seu grupo. Isso tudo é um achado para as oposições que tornam o fato ainda mais massificado para o público. Em ambos os casos, não há outra saída senão cassar seus mandatos e fazer com que respondam criminalmente pelas infrações. Ainda que criminalmente seus processos se arrastem pelo tempo, politicamente devem ser varridos do cenário político como forma de responder à opinião pública. Ao contrário do que afirmou nosso presidente: as imagens falam por sí só!

Clodomiro Abílio Pereira enviou em 26/01/2010 as 21:10:

A ORIGEM DO PROBLEMA... Todo esse episódio lamentável do mensalão do DEM-DF:onde estão envolvidos o Governador e muitos deputados Distritas tem um só endereço que aponta para a raiz do problema-o crescimento da política de livre nomeações, isto é,o toma( lá -dá -cá) que infelizmente norteia as ações dos políticos brasileiros da atualidade. O grande desafio dessa década, dos setores decentes desse país,é quebrar essa cadeia maldita dos "cargos de confiança" no âmbito dos poderes Legislativo e executivos tanto dos Municípios,dos Estados e do Distrito Federal e por que não também da União...

Clodomiro Abílio Pereira enviou em 26/01/2010 as 21:10:

A ORIGEM DO PROBLEMA... Todo esse episódio lamentável do mensalão do DEM-DF:onde estão envolvidos o Governador e muitos deputados Distritas tem um só endereço que aponta para a raiz do problema-o crescimento da política de livre nomeações, isto é,o toma( lá -dá -cá) que infelizmente norteia as ações dos políticos brasileiros da atualidade. O grande desafio dessa década, dos setores decentes desse país,é quebrar essa cadeia maldita dos "cargos de confiança" no âmbito dos poderes Legislativo e executivos tanto dos Municípios,dos Estados e do Distrito Federal e por que não também da União...

JOEL PALMA enviou em 26/01/2010 as 21:53:

A essência da Judicialização é a DEMORA da Justiça...por mais incrível que pareça...Se ao verificarmos um CASO ACINTOSO como este, a Justiça, sob provocação do Ministério Público, agisse em função de prender provisoriamente os acusados, e desse posse aos suplentes, em pouco tempo começariam a ser resolvidos os problemas...o que ocorre é que NO BRASIL, não se julga senão ao final, sob o argumento do LEGÍTIMO DIREITO DE DEFESA...que deve existir SIM...mas este DIREITO DE DEFESA se transforma em IMPUNIDADE pois a Justiça não julga AO TEMPO JUSTO...A JUSTIÇA BRASILEIRA é aparelhada para a IMPUNIDADE...que alguém discorde comigo...A FALTA DE CELIRIDADE DA JUSTIÇA BRASILEIRA é que garante a CORRUPÇÃO...pois só é CORRUPTO, e Arruda nos comprova isto, quem NÃO É PUNIDO...E deixemos de blábláblá, pois se queremos UM PAÍS LIMPO, PRECISAMOS DE UMA JUSTIÇA CÉLERE...simples assim...o resto é masturbação filosófica...um abraço aos amigos de São Paulo, a VERDADEIRA VENEZA BRASILEIRA...Recife que se cuide...hehehe

reli zumanus enviou em 27/01/2010 as 13:32:

Eu fico sempre meio grilado com esses tais " maiores especialistas do assunto" que voces elegem, mas, tudo bem. Que ele nos responda então como faremos para compensar o deficit democrático de um legislativo e de um executivo capturado pelo judiciário, este sim, historicamente insulado da sociedade .

José Jeronimo Barbosa enviou em 28/01/2010 as 13:40:

O povo de Brasília precisa despertar e fazer uma limpeza na política do DF. Eu mesmo, junto com 4 universitários de Fortaleza, gostaríamos de colocar o nosso ponto de vista via JB, não só sobre o DF, mas também, sobre uma mudança radical na política nacional. A política nacional necessita de uma revolução de ideias.


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