Arquivo de January 2011

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A mudança do ex-presidente Lula

Descontado o azar, que até parece praga, da calamidade que destruiu Nova Friburgo e outras cidades serranas e que não pode ser debitada ao ex-presidente Lula, pois ele não é culpado de nada nos dois mandatos em que voou pelos quatro cantos do mundo e gozou a vida, salta a evidência de que ele é protegido pela sorte, pela sua simpatia e com a facilidade do seu diálogo com o povo.
Não sei se ficou rico nos oito anos em que não tirou a carteira para pagar um cafezinho. Lula foi sustentado por duas fontes de recursos abundantes: pelo governo, em despesas no exercício do cargo, ou pelo PT, a legenda mais rica da história deste país. O PT pagava as contas pessoais e da família, e o governo as despesas no exercício do cargo.

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A indignação necessária

Quando um homem de 93 anos, nascido na Alemanha, educado em Paris, membro da Resistência Francesa, e ex-embaixador da França, faz um apelo panfletário à juventude europeia, para que exerça a indignação, devemos levar a sério o chamado. Com seu livro, Indignez-vous, de apenas 32 páginas, e que custa menos de dez reais, Stéphane Hessel já foi lido por quase 1 milhão de leitores em poucas semanas.

O autor conviveu com o melhor da inteligência europeia em sua adolescência. Partiu para a Inglaterra, a fim de unir-se a De Gaulle, logo depois da capitulação de Pétain; retornou à França, para unir-se à Resistência sob o comando de Jean Moulin; delatado por um companheiro, foi preso, torturado e enviado a um campo de concentração. Depois da libertação de Paris, entrou para o serviço diplomático e foi – – juntamente com o brasileiro Austregésilo de Athayde – um dos redatores da Declaração Universal dos Direitos Humanos, grupo do qual é o último sobrevivente.

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O estado do mundo

Por Mauro Santayana

O discurso anual do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, em que dá conta do estado da União, tem sido acompanhado, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, como indicador dos rumos políticos do mundo. Para o conforto de muitos e o desencanto de tantos outros, a grande república do Norte tem ditado os movimentos da civilização ocidental, principalmente depois da vitoriosa e providencial ação militar contra as potências do Eixo, em resposta à agressão japonesa à base de Pearl Harbor, mas dentro de seu projeto imperialista de domínio do Pacífico, que se iniciara exatamente com a instalação daquela guarnição naval no arquipélago do Havaí, em 1887.

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A defesa como dever

Volta ao debate o problema da compra de caças para a Força Aérea Brasileira. Dizia Clemenceau que a guerra é assunto muito grave para ser deixado aos militares. O grande homem de Estado francês não estava desdenhando os soldados e seu heroísmo, mas apenas lembrando que as guerras – e mais ainda as guerras modernas – envolvem toda a nação em combate, e sua condução terá de ser, assim, política. O problema da modernização das nossas Forças Armadas é assunto nacional. Os povos criam, armam e sustentam seus militares a fim de que eles possam assegurar a inviolabilidade das fronteiras e a soberania política. Sendo assim, os militares estão a serviço da pátria, entendida como a comunidade brasileira como um todo. Como especialistas, eles podem apontar as vantagens técnicas da compra de um equipamento ou outro, mas não basta a avaliação do desempenho para determinar essa ou aquela aquisição. O Brasil vem tratando do assunto há algum tempo. Qualquer decisão a ser tomada nos trará desgastes com os governos preteridos. A avaliação dos riscos, diplomáticos, técnicos e financeiros, deverá ser cautelosa. O que parece melhor pode não nos convir, se considerados todos os aspectos do problema. Daí a necessidade de alianças estratégicas, no setor tecnológico, com países emergentes.

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Pagar pedágio mas voltar a pé

Ao se completar o primeiro mês com o ex-presidente Lula à espera de alguma coisa que não sabe se ocorrerá, mas que o persegue dia e noite, começa a ficar mais claro (para ele) que os fatos mantêm curso independente das expectativas, com vida própria e riscos exclusivos. Não cabe reclamação.

Não serão poucos os que já procuram impressão digital em indícios que precedem fatos e complicam personagens. Estão à espreita os azares das coincidências imprevisíveis na sequência que não se completará tão cedo. O ex-presidente já deve saber que os acontecimentos não esperam por ele, nem se dispõem a estar à disposição dele daqui a quatro anos. Os precedentes históricos são relativos por um lado e absolutos pelo outro. A diferença entre um ex-presidente e um presidente começa antes de se consumar a passagem do poder. E não termina enquanto um dos dois não desiste.

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Quedas e operações em Nova Friburgo

Por Villas-Bôas Corrêa

Nem só de boas lembranças são tecidas as minhas memórias de Nova Friburgo, que não me saem da cabeça, como uma obsessão teimosa. Mistura-se com meia dúzia de episódios em que a minha vida esteve por um fio.

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Polimento democrático e a âncora que faltava

Por Wilson Figueiredo

Desde que se tornou o foco de uma discussão interminável, antes e depois da passagem do século 19 para o 20, a social-democracia se complicou entre a ideia da revolução social e a da democracia política: a primeira produziu opiniões e teorias, mas deixou para trás a democracia, enquanto a outra se distanciava do viés marxista ortodoxo. Mais adiante, a social-democracia encontrou na classe média a âncora que lhe faltava. Mas não se livrou da maldição marxista e, comprometida com a classe média, sem boa reputação junto ao movimento revolucionário, o pensador alemão Eduard Bernstein não conseguiu sustentá-la como alternativa. E, com a tomada do poder pelos comunistas na Rússia, em 1917, ficou para trás por desvio de conduta revolucionária. O fascismo fermentaria com prioridade na Europa dos anos 20 e não haveria espaço para discussões teóricas.

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De Mussolini a Berlusconi

Por Mauro Santayana

Ao resumir a ditadura fascista de Mussolini, o filósofo Benedetto Croce desdenhou a importância do duce, a seu ver um pobre comediante, e culpou o rei Vittorio Emanuele III pelo regime trágico que levou a Itália à derrota bélica e moral de 1945. No juízo do solitário de Sorrento, Mussolini não passava de um “palhaço”, criado, promovido e mantido pela monarquia. Em razão disso, Croce se envolveu de corpo e alma na propaganda republicana e organizou seu Partido Liberal, participando ativamente do plebiscito que instituiu a República. Se, para Croce, Mussolini era um clown, o que ele diria de Berlusconi?

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A geometria do governo

O ministro Garibaldi Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, admite que haja problemas de convivência com o PT. Como é da linguagem política, ele diz acreditar que isso será resolvido com o tempo. O PMDB é um partido de dirigentes pragmáticos e de seguidores acomodados. Até a morte de Ulysses, o partido ainda guardava suas grandes ideias de centro-esquerda. A partir de então, iniciou-se o processo de hegemonia do grupo “pragmático”, com a marginalização de velhos e honrados homens de partido e de milhares de militantes. Pouco a pouco, deixou-se conduzir pelo projeto fisiológico, para recuperar vocábulo de nosso léxico político. O importante não é lutar mais pela chefia do Estado, meta inalcançável e dispensável, de acordo com seus atuais dirigentes. É melhor dividir parcela minoritária do poder em administrações ministeriais e manter os dirigentes partidários, menores ou maiores, fiéis à organização mediante cargos secundários, com as suas vantagens, diretas e indiretas, transparentes, ou não.

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O tiranete de volta ao Haiti

Por Mauro Santayana

O retorno do inexpressivo mas nem por isso menos sanguinário tirano, Jean Claude Duvalier, ao Haiti parece ser uma surpresa calculada. Segundo a imprensa internacional, Jean-Claude gastou, nestes anos, todo o dinheiro roubado do povo do Haiti. É difícil acreditar que o Baby Doc – como a imprensa o batizou, ao herdar, aos 19 anos, o governo do mais pobre e mais infeliz país do mundo – tenha assumido, sozinho, os riscos do retorno a Porto Príncipe, cidade de que foi expulso há 25 anos.

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Na sequência da insensatez

Por Wilson Figueiredo

A função inseparável do conceito de oposição é também insubstituível, porque é com a divergência que os dois lados – a oposição e a situação – se medem para manter ou conquistar o poder com o que consideram credenciais dadas pelos eleitores. Ainda está por ser levantado o prejuízo deixado ao longo do caminho da redemocratização brasileira pelo efeito perverso do AI-5 na representação política, e o mais que se seguiu na sequência da insensatez com que a Constituição de 88 admitiu a proliferação de partidos políticos que se reproduzem como se o número de legendas fosse sinal de qualidade.

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As favelas de Heródoto a Leonel Brizola

Por Villas-Bôas Corrêa

Lá se vão mais de 30 anos que tenho uma casa em Nova Friburgo (RJ), mais exatamente no distrito de Muri, só não sei se ainda está no mesmo lugar depois da calamidade que castiga o Rio e São Paulo, como uma maldição que se explica pela irresponsabilidade dos governos federal, estaduais e municipais.

Meu neto mais velho, Rafael, hoje com 31 anos, casado e com filho, completou um mês em Nova Friburgo. No ano passado, eu, o Marcos e Rafael participamos de um debate para a rádio local, com o prefeito Heródoto Bento Mello, mais uma vez reeleito, sobre os problemas ambientais do município, com os desmatamentos e a favelização dos morros.

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A classe média entra em cena

Por Wilson Figueiredo

Antes que as consequências toquem a campainha e apresentem a fatura, a oposição – melhor, o que dela tiver sobrado nos dois últimos mandatos presidenciais – terá de passar por uma reavaliação e se estruturar como deveria, mas não tem sido capaz. Oposição não é apenas estado de espírito para constar mas exercício de função política, indispensável e insubstituível em democracias. Ainda que clandestina, existe até em ditaduras, da maneira possível.

O PSDB já devia ter deixado de apenas parecer oposição e buscar a coerência de ideias e posições políticas, em respeito ao eleitorado que se identifica com a visão social-democrata e seu compromisso histórico. Manter posições críticas, com convicção e não apenas para inglês ver, e assumir a defesa dos interesses nacionais, por uma ótica coerente com posições de princípio e propostas que lhe garantam lastro.

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Ainda há esperança

Por Mauro Santayana

As duas tragédias desta semana, a de Tucson e a da Serra do Mar, trazem, em todo o seu horror, a centelha da esperança. Os fatos do Arizona, embora tenham custado muito menos vidas, conduziam presságios piores. Os desastres naturais, ainda que se devam, em parte, à imprevidência dos homens e dos estados, não podem ser imputados à vontade desse ou daquele agente.A vida é uma concessão fugaz de razões imperscrutáveis que fizeram surgir tempo e espaço e, neles, essa fantástica aventura da energia convertida em matéria e dotada da consciência de si mesma. As tempestades, os vulcões, terremotos, ciclones – e prováveis impactos de asteroides – escapam de nosso controle.

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Tragédia no paraíso

Por Mauro Santayana

A presidente Dilma Rousseff irá sobrevoar, hoje, as zonas serranas arrasadas pelas últimas cheias. Os mortos já chegam a 300, e é provável que seu número continue a aumentar, enquanto os escombros são removidos. Pelo menos quatro bombeiros pereceram enquanto trabalhavam na difícil missão de salvamento. A solidariedade é comovente: milhares de pessoas participam dos trabalhos de salvamento e de busca dos corpos. As cenas transmitidas pela televisão nos trazem, com a visão aterrorizante, a emoção: somos um povo que não se entrega diante dos sacrifícios.

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Uma doença americana

Por Mauro Santayana

Não há povos felizes, e poucas são as pessoas no mundo que se sentem em paz. Viver não é apenas perigoso: é uma aventura difícil. Sempre foi assim, mas como o passado pesa, e nos conduz, a cada época os homens se sentem mais impotentes diante das circunstâncias, que escapam de sua vontade e poder. Os Estados Unidos são o país mais poderoso, mais rico, mais adiantado do ponto de vista científico e cultural do mundo. Talvez em razão disso, a angústia de viver ali seja mais acentuada.

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Depois que tudo ficou permitido

Por Wilson Figueiredo

Certamente pelas mesmas razões das anteriores, a atual democracia brasileira não mostra interesse em discutir as dificuldades que amarram o impasse representativo na vida política nacional. Os partidos continuam arrastados para um fisiologismo já assimilado. E os governos não têm do que se queixar, pelo contrário.

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Lula mais presidente depois de ex

Por Villas-Bôas Corrêa

Depois de oito anos dos dois mandatos como presidente da República, embora não seja a regra, é compreensível que Lula custe a desencarnar. Mas, pegaria bem um pouco de cautela para não passar os limites da excentricidade.

Um ex-presidente merece o respeito do país e mais do que isso, Lula é o mais popular líder de todos os tempos. Mas, não domina a ânsia de continuar desfrutando do que o cargo tem de melhor. E, como os seus ministros que continuam ministros da presidente Dilma Rousseff também se consideram ministros de Lula, os quiproquós se sucedem enriquecendo o anedotário oficial.

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Erro de cálculo não volta atrás

Por Wilson Figueiredo

Por enquanto, não há como admitir que nos dois mandatos e, de modo contundente no segundo, exercido por Luiz Inácio Lula da Silva, possa ter sido semeada a ideia de uma época pela qual boa parte dos brasileiros espera em vão. A popularidade do ex-presidente Lula independe do cargo e da condição de ex, com o qual vai demorar a se acostumar. Ele está solto e sem pressa de encontrar o que fazer. Para passar tempo já tem o estilo à vontade que se firmou no segundo mandato e lhe facilitou enrolar o que estivesse à mão. Candidaturas têm prazo fixo, e erro de cálculo em política não volta atrás. Lula mira 2014 sem perder de vista o resto. Primeiro, não ser esquecido. Segundo, ser lembrado sem exagero. E, terceiro, não deixar passar oportunidades ocasionais. É encontrar o que fazer para passar o tempo, e boa sorte.

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Os dois lados da vida

Por Mauro Santayana

Muitos pensadores do passado, qualquer que fosse a cultura predominante, identificaram a divisão dos homens entre os poderosos e os débeis, entre os ricos e os pobres. Os dirigentes de todas as grandes igrejas sempre se associaram ao poder temporal – quando não o exerceram diretamente, como fizeram os papas, até a unificação da Itália e o estranho acordo com Mussolini. No entanto, sempre fizeram o discurso do perdão, da promessa da igualdade, não aqui, mas nas dimensões transcendentais do paraíso celestial.

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O general e a História

Por Mauro Santayana

Se o general José Elito Siqueira disse o que lhe foi atribuído, cometeu erro político irreparável e juízo equivocado sobre a História. O erro político foi tocar em assunto delicado e constrangedor, em qualquer governo democrático, e não só no de Dilma Rousseff: o dos desaparecidos durante o regime militar. Se assim pensava, não deveria ter aceitado o cargo.

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Em nome da serenidade

Por Mauro Santayana

O melhor que devemos fazer, diante de novas manifestações contra a decisão soberana do Brasil em negar a extradição de Batistti, é atender à recomendação dos velhos sábios: deixar que os protestos entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Quando a Itália concedeu boa acolhida a Salvatore Cacciola, o Brasil se manteve em silêncio, tendo em vista a sua condição de cidadão italiano. Esperou-se a boa oportunidade, e ela surgiu quando Cacciola foi passear sua impunidade no Principado de Mônaco.

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Presidente de todos, sob ênfase e emoção

Por Wilson Figueiredo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff precisou apenas dos 40 minutos necessários à leitura do discurso de posse para desanuviar as apreensões deixadas pela campanha eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pede vinte dias para se recompor aos próprios olhos. Avalia suficientes três semanas, em algum lugar de que não fará segredo, para definir sua participação na vida brasileira, certamente no vazio que não acredita ter deixado, mas que já está sendo reanimado pela lufada de democracia com que as circunstâncias reforçam o espaço de confiança, dilapidado por ele.

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Sobre relatividade da política e das nuvens

Por Wilson Figueiredo

Este Lula, já que não existe outro para lhe mover concorrência, parece que, daqui por diante, vai mesmo se recolher à discrição inerente a ex-presidentes, mas sem abdicar de oferecer-se a qualquer momento, dependendo menos do calendário esportivo para 2014 que das circunstâncias políticas que se juntam e se separam como as nuvens, sem dar satisfações. Agora parecem alguma coisa, daqui a pouco estarão muito diferente. Desde Aristófanes, portanto antes dos políticos mineiros, os gregos já sabiam lidar com a relatividade da política por intermédio das nuvens.

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O enterro dos ossos da ditadura militar

Por Villas-Bôas Corrêa

O presidente Lula não poderia sonhar com uma despedida dos dois mandatos e nem a presidente eleita, Dilma Rousseff, com a posse histórica, hoje, no Palácio do Planalto, como a que a se anuncia com os retoques finais nestes últimos dias.

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