06/07: A Flip comeu mosca: roteirista de Família Soprano, Lawrence Konner passou despercebido

Postado por: mfilgueiras
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7:48:52 PM

A Flip convidou os roteiristas de TV e cinema Richard Price, Neil Gaiman, Tom Stoppard, os diretores Luiz Fernando Carvalho e Lucrecia Martel, mas deixou ali na platéia, dando sopa, o roteirista da badaladíssima série americana Família Soprano (HBO), Lawrence Konner, que foi ao evento para acompanhar a mulher, a escritora convidada Zöe Heller, autora de Anotações sobre um escândalo, livro que deu origem ao filme Notas sobre um escândalo. Considerada a produção mais sofisticada da TV dos últimos tempos, Família Soprano deixou milhões de órfãos quando acabou, no ano passado, depois de oito anos de temporadas contínuas. Centrada no personagem de Tony Soprano, chefão de uma organização mafiosa de Nova Jersey, a série conta como Tony, um pai de família ausente, busca ajuda de uma psiquiatra para lidar com família e os negócios da máfia. Entre um passeio de barco e uma mesa de debates, Lawrence contou ao Jornal do Brasil que prepara uma nova série para 2009, sobre futebol americano.

Família Soprano acabou, mas com certeza o seu trabalho não. O que você escreve agora?

Estou escrevendo uma série de TV inspirada no futebol americano, que será produzida ainda em 2009.


Séries de sucesso, como Deadwood, Desperate Housewives e Sopranos celebrizam assumidamente o "mal" em seus temas. O mal conduz, de fato, as narrativas as séries de TV?
Eu posso dizer que o mal tem sido a idéia condutora por trás de toda boa literatura. Até mesmo a Bíblia. O que é novo no que as séries de Tv americanas estão fazendo é permitir uma visão mais complexa dos personagens, mostrando tanto o lado bom quanto o lado ruim deles.

A Flip é um encontro literário, mas muitos convidados tem uma relação próxima com o teatro, a TV e o cinema. Quão próxima é a escrita d eum roteiro e um romance?

Lembre-se que estou aqui apenas como convidado da Zoe! Ela, na verdade, é uma verdadeira romancista. Roteiros e romances dividem as mesmas necessidades de uma narrativa elegante, mas o romance é um gênero mais introspectivo, enquanto o roteiro avança a história muito mais em ações do que em palavras.

Como foi sua experiência no Brasil? O país inspirou boas histórias?
Antes deste festival, eu estive no Rio de Janeiro e gostei muito. Mas é o mesmo que dizer que foi a Nova Iorque e logo conheceu os Estados Unidos. Rio é apenas uma pequena parte do Brasil, da mesma maneira que Nova Iorque é uma pequena amostra da América. Brasil é um país enorme e eu gostaria imensamente de voltar e explorar o sul e a região amazônica.

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06/07: A bênção de Santa Rita

Postado por: Juliana Krapp
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6:57:50 PM
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Já virou tradição: todo ano, o hasteamento da imagem de Santa Rita marca o fim da Flip. Mas não da festa: que, afinal, ainda dura noite afora.

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06/07: A psicanálise de Machado

Postado por: Juliana Krapp
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6:55:35 PM
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O homenageado da 6ª Flip, Machado de Assis ganhou o centro do debate na mesa Papéis Avulsos, a última do festival. Mas Bentinho e Capitu acabaram roubando a cena.

Ana Maria Machado, Luiz Fernando Carvalho e Sergio Paulo Rouanet debruçaram-se sobre os enigmas de Dom Casmurro, deixando claro desde o princípio: a dúvida sobre a traição ou não de Capitu é apenas secundária.

- Eu não absolvo a Capitu, tampouco a condeno. Ela pertence ao mistério - concluiu Carvalho.

Ana Maria chamou atenção para a loucura de Bentinho, que ela relaciona à própria insistência do tema na obra de Machado. E Rouanet acrescentou falando sobre a ambivalência afetiva do personagem:

- Eu me pergunto se Bentinho é que não é o enigma.

Rouanet, aliás, fez uma das explanações mais didáticas da Flip, ao falar sobre as duas fases de Machado: a do Machadinho, um "moço saliente", alegre, "mulato pernóstico", e a do escritor genial, que começa com Memórias Póstumas de Brás Cubas. O estudioso baseia suas reflexões no trabalho de análise da correspondência do Bruxo. Para ele, algo aconteceu na vida do escritor para efetuar tal mudança: "a crise dos 40, a doença, o medo da morte ou de ficar cego".

- A psicanálise deveria ser convocada para explicar a obra de Machado - sugeriu, bem-humorado.

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06/07: A não-leitura

Postado por: Rachel Almeida
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12:46:31 PM
A primeira mesa deste domingo funcionou para aplacar a ansiedade daqueles que, diante de uma festa literária, lamentam incapacidade de ler tantos livros quanto gostariam. Autor de Como falar dos livros que não lemos, o psicanalista e professor de literatura da Universidade de Paris Pierre Bayard debateu, com o jornalista Marcelo Coelho e mediação de Contardo Calligaris, os hábitos de leitura. E de não-leitura.

- Existe uma sacralização do livro - opinou Bayard. - Existem diversas formas de se estabelecer um relacionamento com o livro que não é necessariamente o de pegá-lo e lê-lo até o fim. Você pode folhear apenas, voltar, ler o final primeiro. Acho que existem livros que devem ser lidos, mas isso é pessoal. Cada um tem que descobrir quais são os seus livros essenciais.

Diante do sistema de classificação de Bayrad, que divide os livros citados em sua obra, como lidos, não-lidos, esquecidos etc, Contardo sugeriu:

- Você devia adicionar o livro comprado! Mesmo quando eles não são lidos e ficam na estante, estabelecemos uma relação toda especial com eles.

Marcelo Coelho defende a idéia de que existem alguns livros que não precisam ser lidos para que se entenda sua idéia básica.

- Dom Quixote, de Cervantes, Madame Bovary, de Flaubert, e A metamorfose, de Kafka, são livros cuja idéia se apresentam claramente. Você pode falar deles sem precisar efetivamente ter lido cada um. Agora, outros, como O vermelho e o negro, de Stendhal, e Guerra e paz, de Tolstói cujas idéias não se resumem facilmente.

Bayard contou que é um grande leitor - e que o narrador do livro tem traços seus e outros ficcionais.

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06/07: Prata da casa

Postado por: Juliana Krapp
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12:26:22 PM
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Jonathan Rozemberg, de 22 anos, dá duro na Tenda dos Autores, usando a camisa vermelha com o "f" estampado que representa os trabalhadores da Flip 2008. O rapaz, porém, passa todo o seu turno de orelha em pé, sem perder palavra alguma do que dizem os autores.

Quer aprender com os grandes. É que Jonathan lança em agosto seu livro de estréia, Eu sempre soube me comunicar, mas nunca soube me expressar, pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. A obra reúne poemas de temáticas diversas.

- Escrevo sobre questões humanistas, relações familiares etc. Fiz um poema em homenagem a Paraty, e outro para Ariel Sharon - conta, animado. - Sou um dos poucos autores publicados em Paraty nos últimos anos.

O moço é tão empolgado com o ofício que já trabalha na pesquisa de seu segundo livro. Dessa vez um romance, que se passa em Paraty, no século 18. O protagonista é um garoto marrano, encrencado com a Igreja Católica. Para reconstituir o climão da época, Jonathan tem queimado as pestanas na biblioteca da cidade.

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05/07: Vocês são de direita também?

Postado por: Rachel Almeida
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9:32:08 PM
A filosofia da arte do dramaturgo inglês Tom Stoppard, estrela da Flip deste ano, abraça todos os gêneros. Durante a mesa Shakespeare, utopia e rock 'n' roll, comandada por Luis Fernando Veríssimo, revelou que prefere ver um bangue-bangue bem-feito a um filme de arte medíocre.

- Eu acredito em uma hierarquia de qualidade - explicou. - Gosto de qualquer gênero desde que a obra seja boa. Nós não damos notas a boas intenções. O que vale é o resultado.

Mr. Stoppard fez uma mesa incomum e espirituosa. Depois de ter sua biografia resumida por Veríssimo, decidiu apresentar a si mesmo. De pé. Começou falando por cinema, já que ele percebeu que seu trabalho como roteirista é mais conhecido dos brasileiros do que o de dramaturgo. Brincou que o melhor era deixar-nos na obscuridade. E comprovou que pode mesmo encontrar genialidade em qualquer gênero. Elegeu suas falas de cinema preferidas para comprovar a teoria de que as palavras mais banais usadas da maneira correta é que constrói uma grande obra.

- Em O terceiro homem, de Orson Welles, que eu acredito que muita gente aqui já viu, há um diálogo fantástico em cima da roda-gigante, em Viena, bastante conhecido: "Durante 30 anos, sob os Bórgia, a Itália conheceu a guerra e o terror, mas produziu Michalângelo, Da Vinci e a Renascença. Ao passo que a Suiça teve quinhentos anos de paz, amor e democracia e só produziu o relógio cuco. Eu não sei como ele soa em português, mas em inglês tem uma repetição de sílabas com o som 'cá, cá, cá', que é admirável. Não invejo, porque podería escrevê-lo. Qualquer escritor aqui na platéia saberá o que eu estou dizendo.

O roteirista de O império do sol, de Steven Spielberg, continuou sua apresentação pessoal citando outras cenas que estão na sua listinha de preferências cinematográficas.

- Em O fugitivo (filme de Andrew Davis) Harrison Ford é um homem acusado de matar e sua mulher e acaba fugindo. Ele é perseguido por Tommy Lee Jones e seu personagem só quer ter a chance de dizer que não matou sua mulher. Quando ele é cercado , na beira de um penhasco e diz a única coisa possível no momento: "eu não matei minha mulher!". E policial responde: "Eu não me importo!". Ali fica claro que o filme, que até então era sobre injustiça, lei, ordem, conceitos abstratos, vira um filme de perseguição pela perseguição em si. Eu queria ter escrito aquela fala!

Veríssimo debateu com Tom Stoppard seu posicionamento político. Tcheco radicado na Inglaterra, criticado por ser um homem de direita. "Existe uma teoria que diz que os ingleses que gostam de futebol são de esquerda, os que gostam de críquete são de direita. Você é conhecido pela predileção do críquete. Em sua peça A costa da utopia, o protagonista é o socialista Alexander Herzen. Estaria você começando a preferir o futebol?"

- Eu tenho o temperamento conservador - disse. - Acho que isso acontece principalmente quando você é um refugiado. Há uma espécie de gratidão ao país que te acolheu. Realmente, não me envolvi com os acontecimentos 68. Não me disse muita coisa.

Diante do aplauso da platéia, indagou:

- Vocês são de direita também?

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05/07: "Uma cadeira pro meu ego"

Postado por: Rachel Almeida
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8:39:15 PM
O gaúcho Luis Fernando Veríssimo vai dormir feliz hoje. Durante a (lotada) mesa Shakespeare, utopia e rock'n' roll, perguntou ao dramaturgo inglês Tom Stoppard quais são seus escritores preferidos.

- Os nomes que me ocorrem agora são os convivi nesses últimos três dias e eu não quero constrangê-los - respondeu o roteirista do filme Shakespeare apaixonado. - Na verdade, eu posso constranger você. Sua mulher me deu uma tradução do seu livro em inglês, ontem, e eu não conseguia parar de ler. Nem deu tempo de me preparar para esta mesa.

- Agora vou ter que pedir uma cadeira extra para o meu ego - rebateu Veríssimo.

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05/07: Memórias póstumas de Joaquim Maria

Postado por: alvarocosta
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8:06:45 PM
Grande destaque da programação de sábado, o holandês voador Cees Nooteboom, antes de encarar o público da Flip na mesa "Paraíso perdido", contou de sua aventura vivida há dois anos em busca do túmulo do Machado de Assis. Incógnito, ele viajou de ônibus durante dois dias por vários bairros do Rio. Em especial, visitou o cemitério Sâo Joâo Batista mas ninguém soube indicar onde estavam enterrados os restos mortais do Bruxo. Ouviu do encarrado: " É preciso saber o primeiro nome do defunto". O escritor teve que recorrer à embaixada holandesa e lá descobrir que Machado de Assis também era Joaquim Maria. Desde então, ele só trata o escritor pelos primeiros nomes.

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05/07: Espelho

Postado por: Juliana Krapp
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8:02:59 PM
Paraty, sob o olhar do fotógrafo Daniel Ramalho:

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05/07: Entre a poesia e o heavy metal

Postado por: Juliana Krapp
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7:58:28 PM
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Considerado o principal nome da nova geração de autores portugueses, ele mandou a compostura às favas e se infiltou em uma banda de heavy metal. Lançou um livro de poemas e um de prosa que têm os mesmos personagens e cenários. E, na contramão de seus contemporâneos, jura que ainda acredita em verdade - assumindo declaradamente o risco de ser ridículo.

O premiado escritor José Luís Peixoto contou tudo isso em visita à Casa Jornal do Brasil na Flip, ontem à tarde. Ainda leu poemas e fez sucesso com o público ao falar de sua "escrita orgânica", que acredita que "não existe inteligência sem sentimento".

- Um escritor precisa estar aberto ao paradoxo. Porque a natureza humana é assim - sentenciou. - Todos somos contraditórios. E um personagem ganha vida quando ultrapassa as duas dimensões.

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05/07: Duelo de titãs

Postado por: Juliana Krapp
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7:57:45 PM
A 6ª Festa Literária Internacional de Paraty teve ontem, finalmente, sua primeira queda de braços. E das boas. De um lado, o polêmico colombiano Fernando Vallejo, homem forte das frases de efeito; do outro, o holandês viajante Cees Nooteboom, dono de tiradas elegantes e de um bronzeado que diz um bocado sobre seu estado de espírito. Fazendo as vezes de juíz, o crítico mexicano Ángel Gurría-Quintana. Que, para desgosto de uma platéia ansiosa para ver o circo pegar fogo, insistia em falar sobre literatura.

O trio encenou a mesa Paraísos Perdidos, e fez bonito ao, apesar de tudo, manter o espírito esportivo. Vallejo bem que prometeu: desta vez, não iria falar mal de ninguém. E até abriu sua participação fazendo elogios a Paraty. Mas era, claro, uma de suas armadilhas.

- Vejam as criancinhas aqui na praça ao lado, todas felizes, participando da Flipinha. As crianças são lindas, não produzem lixo. - provocou. - Elas comem, é claro. Mas qual o problema, se só comem restos? O presidente Lula, acabou com a fome no mundo, certo?

O autor prosseguiu atacando o presidente brasileiro, que descreveu como um "gordinho feliz", ao contrário do chefe de Estado colombiano, que seria um "baixinho e magricela elétrico". Gurría-Quintana tentou interromper o bombardeio, com um pito. Nada feito: o colombiano pode até ser um polemista de causas duvidosas; mas é, também, deliciosamente rápido no gatilho: "eu estou falando dos meus livros, como você me pediu, ora".

Nooteboom acudiu o mediador. Porém, colocou mais lenha na fogueira:

- O Fernando é um doce. Mas é também um furioso. Eu acredito que, quando alguém adquire tanta fúria, é porque teve uma grande decepção amorosa.

Como em um jogo de futebol, a platéia foi ao delírio.

- O mundo pode ser um lugar muito feio. Já viajei pela América Latina, sei que a humanidade pode ser terrível - prosseguiu o holandês. - Mas isso não é motivo para que eu feche os olhos para a beleza do mundo. Não acho que a solução seja ter raiva todo dia.

Vallejo não titubeou:

- Pobre Cees, que nasceu na Holanda, um país tão chato, nada acontece... É por isso que precisa viajar tanto.

A caneta MontBlanc

Após algumas animadas seqüências do embate, ambos ensaiaram algumas palavras sobre literatura. Ainda mais memoráveis do que o elegante bate-boca. Falando sobre seu ritual de escrita, Nooteboom contou que só escreve a caneta MontBlanc, em cadernos espanhóis de determinada marca. Tem um estoque deles em casa. Além disso, tem uma superstição: só escreve 500 palavras por dia. Se acaba escrevendo mais que isso, desconfia.

Já Vallejo contou que se tornou escritor ao descobrir que "a língua não se inventa, se herda". E aproveitou para fazer uma reclamação ao tradutor brasileiro de seu último livro, que lhe deu o nome de O despenhadeiro: era para ser O desbarrancadeiro, disse ele.

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05/07: A literatura depois do cinema

Postado por: Rachel Almeida
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5:57:23 PM
Os conterrâneos Alessandro Baricco e Contardo Calligaris concordam que a literatura mudou depois da invenção do cinema. Esse foi um dos temas discutidos, hoje, durante a mesa Fábulas Italianas, que promoveu o encontro de um dos principais expoentes da literatura contemporânea italiana com o psicanalista e estreante na ficção, radicado no Brasil há mais de duas décadas. A mediação foi jornalista Manuel da Costa Pinto.

- O cinema se tornou a forma narrativa preferida, como foi o romance no século 19 e a ópera no século 18 - analisou Baricco, autor de sucessos como Seda (1996), A lenda do pianista do mar (1998) e Esta história (2005) - Isso mudou a forma como nós escrevemos e o autor que não se conscientizar disso, não vai fazer boa literatura, na minha opinião. Veja Balzac, por exemplo. Quando ele narra que duas pessoas conversam na cozinha, ele diz que as pessoas estavam sentadas em uma mesa grande, que uma das cadeiras estava reclinada, descreve o entorno, o vinho... Hoje, as pessoas têm um arquivo de imagens de cozinha muito mais amplo e isso não é mais necessário. Você só tem que dizer o que torna essa cozinha única, como um cheiro de cadáver.

Lançando o livro O conto do amor, Calligaris diz que se hoje relesse os romances de seu escritor preferido na juventude, o britânico de origem polonesa Joseph Conrad, certamente cortaria passagens descritivas.

- Eu não preciso hoje de uma descrição minuciosa, já vi Apocalypse now (filme de Francis Ford Coppola) - exemplificou. - Mas isso não significa uma perda de intensidade. Acredito que uma literatura mais enxuta, inclusive, pode ser potencialmente mais rica.

Os autores também debateram as diferenças em suas literaturas. Enquanto Baricco não tem o hábito de situar suas narrativas em lugares e tempos precisos, Calligaris fez questão de citar ruas, restaurantes e vinhos.

- Tem autores da minha geração, que foram criados na Toscana ou em Roma que se sentassem em uma rua por 20 minutos já saíam com um livro pronto. Eu sou de Turim. Lá isso não acontece! Você não vê nada, as pessoas se escondem muito. Então, você observa detalhes banais e começa a imaginar a partir dali.

Calligares, que nasceu na Itália, mas vive fora do país há mais de 40 anos, acredita que ele buscou essa determinação geográfica em seu romance justamente porque não se sente parte de lugar nenhum.

- Acho que justamente por essa minha vocação nômade, os lugares se tornaram importantes para mim na ficção - observou. - Em todo o lugar que chego, a primeira coisa que faço é comprar um mapa para tentar entender a cidade; Só não fui feliz em São Paulo, que ninguém consegue mesmo entender.

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05/07: Gustavo Franco visita a Casa do Jornal do Brasil

Postado por: Rachel Almeida
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5:14:54 PM
Daniel Ramalho

O economista Gustavo Franco comparou, hoje, em encontro na Casa Jornal do Brasil, os textos econômicos de Fernando Pessoa com os de Machado de Assis. Autor dos livros A economia em Pessoa, coletânea de textos do poeta português, e de A economia em Machado de Assis, com crônicas temáticas do maior escritor brasileiro, lançado no ano passado, o ex-presidente do Banco Central contou que são duas maneiras bem distintas de se tratar a questão.
- Fernando Pessoa era entendido no assunto. Teve uma revista sobre o assunto, e ensinava economia para o cidadão comum. Era extraordinário, um texto tecnicamente sólido. Machado fala como um cidadão comum. Tinha um personagem recorrente, o acionista que discutia temas como a inflação, impostos etc.
O economista, que falou para uma platéia atenta e interessada, disse que o recente ciclo do real se assemelha ao processo econômico entre o final do Império e os primórdios da República Velha, período em que Machado de Assis escreveu.
- Os ciclos se repetem. Com mudanças, vêm os momentos de euforia, de encantamento que dá uma sacudida na economia. Depois de cinco anos mais ou menos, a situação se desacelera e nos dá uma certa preguiça. Depois, tudo se repete.
Franco também discutiu a literatura machadiana e questionou a obrigatoriedade de se ler a obra do bruxo do Cosme Velho na época do vestibular.
- O adolescente que lê Machado de Assis tende a não gostar, o que é uma pena - opinou. - Corre o risco de se afastar do escritor pelo resto da vida.

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05/07: Machado de Assis expulso da Flip????!!!

Postado por: mfilgueiras
2 Comentários
4:50:19 PM
Foto: Daniel Ramalho
Grande homenageado desta edição da Flip, Machado de Assis foi expulso por um dos funcionários da organização da festa da ponte que dá acesso à Tenda dos Autores. Explica-se: morador de Paraty, o chileno Angelo Medino, 45 anos, artista e "homem-estátua", que desde quarta-feira veste-se como o escritor, recusou-se a deixar o banquinho em que estava acomodado para amealhar alguns trocados, depois que o funcionário da Flip alegou que ele estava "atrapalhando" a passagem dos escritores.

Houve confusão e a polícia foi chamada. Os transeuntes começaram a gritar, em coro, para que deixassem Machado livre na festa da literatura. A ponte parou e a polícia ameaçou prender o artista, que decidiu sair do local, mas foi prontamente acolhido por um grupo de moradores que almoçava em um restaurante em frente.

Com barba, pincenê e paletó de época, todo pintado de prata, Angelo prometeu que vai voltar:

- O homenageado da Flip foi expulso, mas amanhã ele volta - disse o artista, lembrando que o escritor que representa, Machado de Assis, é o grande homenageado desta edição da festa. - Eu lamento é a maneira com que fui tratado. Estou trabalhando e representando a festa.

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05/07: Uma mesa com o melhor da ressaca: as histórias por contar

Postado por: mfilgueiras
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2:40:10 PM
Gaiman, durante a mesa de debates
Richard Price parecia ter dormido pouco. Neil Gaiman, ter acordado tarde, sem tempo de pentear os cabelos. A Marcelo Tas, mediador da mesa, sobrou a tarefa de quebrar o gelo - e esconder a tietagem - com uma maneira perspicaz de aproximar dois autores que, em princípio, não pareciam ter muito em comum: Price é escritor e também roteirista de TV e cinema (foi indicado ao Oscar pelo roteiro de A cor do dinheiro), Gaiman, escritor e´quadrinista. O climão durou menos de cinco minutos, até Price surpreender, esclarecendo a aparência "amarrotada":
- Quero agradecer ao povo de Paraty por ter colocado a cachaça em minha vida - abriu o microfone, com aquele jeitão dos carrancudos irresistíveis. - Eu nunca imaginei que uma dor de cabeça pudesse ser tão rica, complexa e com uma duração tão longa.
A platéia veio abaixo. Price e Gaiman leram trechos de seus novos livros, Lush Life (a obra será lançada pela Companhia das Letras em 2009) e Coisas frágeis (Conrad), respectivamente. Depois, Tas provocou um link entre os dois: a arte de compor diálogos, nos quais são mestres reconhecidos.
- Não tenho técnicas próprias. Mas posso dizer que os diálogos reais são muito ruins. Diálogos bons são construídos - respondeu Price, ainda com olhos de ressaca.
Gaiman completou:
- Eu comecei como jornalista, então logo aprendi que não dá para anotar tudo o que o entrevistado fala sem que você perca sabor e textura. Falando, ninguém formula frases inteiras. Ao escrever, é preciso recriar as frases, mantendo o que a pessoa quer dizer. E, como em história em quadrinhos você só tem o espaço de 30 palavras por balão, é preciso dizer o que se quer com concisão - ensina o especialista na arte de enquadrar histórias.
Os dois fazem parte da lista de transdisciplinaridade da Flip: este ano, a festa inovou ao propor um diálogo entre literatura e outras artes e formas de escrita, como o teatro, cinema e os quadrinhos. Sobre a relação entre cinema e literatura, Price foi enfático:
- Eu faço cinema para criar meus gatos. É pelo dinheiro. Eu quero é escrever os meus romances - provocou o escritor. - Com o cinema, eu compro meu tempo. Com dinheiro, eu ganho mais tempo para escrever meus romances. Roteiro de cinema é um jogo para jovens. Há cada vez mais autores, e você acaba se tornando um negociador, de obras que muitas vezes nem são produzidas.
Sobre esta relação, Gaiman discordou:
- Eu tenho uma boa relação com Hollywood - declarou Gaiman, ganhador de 13 prêmios Eisner e autor de Stardust (1998), livro que foi adaptado para o cinema em 2007, em filme homônimo, estrelado por Robert De Niro. - Hollywood paga meu seguro saúde. Se faço um roteiro a cada 18 meses, minha família está garantida com um belo seguro de saúde.
Gaiman, que já dirigiu um curta-metragem - "para ver se gostava da coisa, e gostei" - promete dirigir um filme no ano que vem.
- Seria tolo e inútil dizer que não gostamos desta exposição - garantiu Gaiman. Ele contou que só se assustou uma vez com a idolatria, quando um de seus fãs, em uma fila de autógrafos em Los Angeles, mostrou a ele uma tatuagem no braço d eum de seus heróis dos quadrinhos.
- Até aí tudo bem. Mas ele pediu para que eu autografasse o desenho, no braço. Eu autografei. Meia hora depois ele voltou e me mostrou a assinatura, que ele tinha acabado de tatuar. Quando vi meu nome sangrando, pensei: agora já é demais.


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05/07: A fila de gaiman, o primeiro recorde desta Flip

Postado por: mfilgueiras
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2:19:05 PM
A fila para autografar um livro de Neil Gaiman já bateu todos os recordes da Flip, no quesito extensão. Sai da Tenda de Autógrafos, corre em volta da Tenda do Telão e, se continuar crescendo, chega em Trindade...
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05/07: Neil Gaiman por ele mesmo

Postado por: mfilgueiras
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1:42:28 PM
Neil Gaiman comenta tudo o que se passa com ele em Paraty, em seu blog www.neilgaiman.com. Gaiman parece ter adorado a cidade, "o passei de barco em que viu o sol nascer e dormiu sob as estrelas", ao lado da filha de 13 anos, Maddy, as edições em português d eseus livros, aliás, comenta que já comprou muitos livros. E, claro, fala de Tom Stoppard, novo amigo feito aqui na festa. O quadrinista autografa livros na Tenda dos Autógrafos até às 19h. "Paro porque quero ver a mesa do Stoppard", conta no blog.

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05/07: Desconfiança

Postado por: Rachel Almeida
1 Comentário
12:30:05 PM
As assessoras de imprensa de Neil Gaiman desconfiam que fãs do escritor e quadrinista inglês se fizeram passar por jornalistas, ontem, na entrevista coletiva mais cheia da Flip. Mais de 50 pesoas compareceram. No final da conversa, tinha gente com os olhos embargados tirando 10 livros da mochila para serem autografados pelo autor.

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05/07: Melhores amigos

Postado por: Rachel Almeida
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12:22:23 PM
Os ingleses Neil Gaiman e Tom Stoppard descobriram afinidades durante a Flip e não se desgrudam mais. Radicando nos Estados Unidos, o autor de Sandman presenteou o famoso dramaturgo com um exemplar de sua próxima obra autografada. Ontem, os dois batiam papo animadíssimos no jantar da editora Rocco.

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05/07: O corpo fechado de Pepetela

Postado por: Juliana Krapp
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12:19:50 PM
Recordando seus tempos de guerrilheiro, o angolano Pepetela comentou que, durante a luta armada, os soldados não tinham confiança nos comandantes que não tinham o "corpo blindado". Por isso, mesmo que fossem ateus e marxistas, os altos postos da guerrilha não podiam negar a "blindagem" na cerimônia religiosa.

- Então você tem o corpo fechado, Pepetela? - disparou Agualusa.

- Ah, aqui tem gente demais para eu revelar tal segredo - respondeu o palestrante.

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05/07: O paraíso de Agualusa 2

Postado por: Juliana Krapp
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12:15:25 PM
Apresentando a nigeriana Chimamanda Adichie, Agualusa disparou a falar sobre nossas heranças daquele país:

- Foi da Nigéria que vieram os deuses africanos do Brasil. Também foi de lá que veio o jeitinho brasileiro. E o culto à bunda.

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05/07: O paraíso de Agualusa

Postado por: Juliana Krapp
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12:11:38 PM
O angolano Agualusa - figurinha fácil no Brasil - não resistiu e, como de praxe, investiu em suas tiradas durante a mesa Guerra e Paz:

- Borges dizia que o paraíso era uma biblioteca. Eu acho essa idéia um tanto assutadora. Prefiro acreditar que o paraíso é Paraty durante a Flip. Um lugar de beleza arrebatadora, gente feliz e simpática e, principalmente, mulheres bonitas.

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05/07: As muitas verdades da guerra

Postado por: Juliana Krapp
1 Comentário
12:07:00 PM
O sábado começou bem em Paraty: a mesa Guerra e Paz, com o angolano Pepetela e a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, foi uma das melhores até agora. Sobretudo porque o mediador, desta vez, foi o também angolano José Eduardo Agualusa.

Os dois palestrantes trabalharam sobretudo no ataque aos estereótipos que envolvem a noção de "guerra". Extremamente desenvolta, Chimamanda explicou por que em seu último romance, Meio sol amarelo (Companhia das Letras), passado durante a Guerra de Biafra que assolou sua terra natal na década de 60, descreveu a influência do combate sobre os dramas diários de pessoas comuns:

- Estou menos interessada na parte sensacionalista sobre a guerra do que na forma como a humanidade se segura durante ela. Meu livro é mais sobre o amor do que sobre a guerra. Porque, durante um conflito, as pessoas continuam se casando, criando seus filhos. E um general, por dentro, é um menino assustado.

Pepetela, ao contrário de Chimamanda, sentiu na pele a presença da guerra. O escritor foi guerrilheiro na luta armada contra Portugal, pela libertação de seu país - que só ocorreu na década de 70. Perguntado se tem algum arrependimento por ter estado no centro de uma guerra, não titubeia:

- Não, tenho é muito orgulho de ter participado da independência de meu país. Vou falar algo que pode chocar muitos de vocês: aqueles que são capazes de fazer uma guerra são os mais dispostos a fazer a paz. É mais fácil convencer um militar a cessar fogo do que um político.

Ambos os autores também rejeitaram rótulos a respeito da literatura em seu continente.

- Não concordo com a idéia de que o escritor tem que ter um papel. Eu escrevo sobre o que eu quero, e não sobre o que acreditam que eu deva escrever - afirmou. - Quem pode definir o que é um tema africano? A minha geração tem um privilégio em relação à anterior: nos sentimos mais livres para exercer um multiplicidade de temas. Além disso, eu não me vejo como uma escritora, mas sim como uma contadora de histórias. E busco contá-las da melhor forma possível.

Pepetela tratou de colocar a própria noção de "verdade" em xeque:

- Normalmente o que se chama por verdade é apenas a história dos vencedores. Por isso, acredito mais na ficção do que na verdade.

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05/07: Um muso improvável

Postado por: Juliana Krapp
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11:31:34 AM
O americano Nathan Englander, que chegou a Paraty com alguns quilos de cabelo a menos, está fazendo enorme sucesso entre o público feminino da Flip. O novo corte, que substitui a antiga cabeleira, lhe deu ares de moço indefeso - aquela figura que as moças tanto adoram.

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04/07: "Acho muito injusto eu não ser Alan Bennett "

Postado por: Rachel Almeida
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9:21:19 PM
Possivelmente a mesa mais divertida da Flip, Veludo cotelê , que terminou às 20h, trouxe o americano David Sedaris a sua primeira visita ao Brasil. Entre suas impressões sobre o país, elogiou a tolerância e a maleabilidade do povo em comparação a necessidade dos americanos de pôr rótulos em cada indivíduo.

- No Brasil, você pode ser lésbica e ainda assim dormir com homens de vez em quando- exemplificou o autor. - Nos EUA, uma lésbica tem que ser masculina, raivosa e nem olhar para um ser do sexo masculino!

Sedaris satirizou ainda a rigidez com que os editores da revista New Yorker, para a qual escreve, em checar suas informações.

- Eles checam até as piadas! Uma vez eu contei que eu alimentava as aranhas com moscas e elas estavam ficando tão gordas que abriam buracos nas teias. E que suas coxas esfregavam uma na outra. Aí, vem o cara me me fala: "Isso não é possível. Aranhas não abrem buracos em teias". Isso é ridículo. Escrevi claramente uma piada e não espero que ninguém acredite.

Radicado na Europa, o escritor leu na mesa um trecho do livro Eu falar bonito um dia, recém-lançado pela Companhia das Letras. Diz que não escreve ficção, ms não-ficção com liberdades.

- 97% do que eu escrevo é real. Na primeira vez que escreve uma crônica, tenho realmente prazer. Depois, vem o trabalho braçal. Vejo que escrevi calçadas duas vezes em duas frases. Então, fico buscando uma palavra que sirva e não deixe o texto sem ritmo. Lá pela sétima versão, começo a ter prazer novamente.

Seu mais recente livro, When you are engulfed on flames (algo como Quando se está envolto em chamas), ainda não lançado no Brasil está na lista dos mais vendidos do New York Times. Mesmo com prestígio, o escritor se diz muito crítico consigo mesmo.

- Na verdade, eu não sou um grande fã do meu trabalho - confessou. - Queria mesmo era ser Alan Bennett (comediante inglês). Acho muito injusto que eu não seja ele!

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04/07: Vovô Borges

Postado por: Juliana Krapp
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8:28:30 PM
A pergunta (qual o papel de Borges em sua formação?) era para Vitor Ramil. Mas Kohan não resistiu. Assim que teve de novo o microfone para si, para responder a alguma questão que não tinha patavinas a ver com a vida do seu conterrâneo mais famoso, ele disparou:

- Vou responder a essa pergunta depois, porque também quero falar de Borges. Falam muito que nós vivemos com o peso de Borges sobre nós. Mas digo que, hoje, qualquer coisa que escrevamos é ANTERIOR a Borges. Porque ele é a própria História da literatura argentina.

Mas tranquilizou a todos:

- Isso não é mais um problema, sua figura não é mais tão opressiva quanto no passado. Quando ele morreu, eu tinha apenas 10 anos. E a gente tem ganas de matar o pai, mas não o avô, não é?

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04/07: Finalmente, polêmica na Flip!

Postado por: mfilgueiras
2 Comentários
8:23:54 PM
O terceiro dia da Flip, finalmente, inaugurou a polêmica. Depois de debates mornos e leituras arrastadas, a mesa Os fuzis - que seria composta pelo jornalista inglês Misha Glenny e pelo jornalista Caco Barcellos, que alegou problemas pessoais e foi substituído pelo jornalista Guilherme Fiúza - aqueceu as palmas da platéia sobre um tema inerente a qualquer debate no país: a formação do crime organizado, o avanço da violência e a relação com o consumo de drogas.

Misha, repórter da BBC especializado em Europa Central e Oriental, autor de McMáfia (Companhia das Letras), uma tratado sobre a história do crime organizado no mundo e sua relação com a globalização, contou o processo de investigação no Brasil.
- Vim duas vezes ao país para pesquisar e investigar o crime cibernético. Foi muito mais fácil do que imaginei, porque uma das características do povo é ser bastante comunicativo. Mas o que mais me impressionou aqui, comparando a outros lugares do mundo, foi como o crime é controlado por jovens. No Brasil, o crime cibernético, por exemplo, complicado porque a internet não é uma droga, e está legalizada, está inteiramente nas mãos de hackers absolutamente jovens - alertou Glenny. - Eu posso dizer que, sobre crimes de internet, os jovens estão a pelo menos 5 anos à frente da polícia.
O debate esquentou quando o convidado Guilherme Fiúza, autor do livro Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme homônimo, admitiu "a boca torta" de passar a mão na cabeça do usuário.
- O jovem que usa drogas sabe que o sistema está contra ele. Todos estão contra ele. Reproduzir um discurso de patrulha só afasta este jovem do controle - alfinetou o jornalista, sendo ovacionado por uma platéia inteira. - Muita gente se diverte. E até tem umas idéias.
Misha Glenny fez coro:
- Em termos de legalização das drogas, acho que devemos discutir seriamente. Está provado cientificamente que a maconha não faz o mesmo mal à sociedade que o álcool faz.
Fiúza lembrou que as drogas já estão legalizadas.
- Nunca encontrei alguém que quisesse se drogar e não tivesse conseguido - declarou, arranco aind amais aplausos.

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04/07: Casa Jornal do Brasil recebe Ivo Pitanguy, Maitê Proença, Luiz Antonio Aguiar e Ana Maria Bahiana

Postado por: mfilgueiras
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8:18:14 PM

"A beleza aqui é feita de várias camadas, a beleza aqui está por toda parte, mas ainda mais a fundo", filosofou o imortal Ivo Pitanguy, em bate-papo com o público na Casa Jornal do Brasil. A beleza a qual Pitanguy se referia, das mulheres, da cidade, estava ainda mais celebrada em uma festa de letras, diria.
- No meu trabalho, eu tenho que seguir uma anatomia rígida. Mas a busca da beleza, às vezes, é a busca d eum estereótipo. E não podemos querer nos transformar em um outro biotipo. Eu ajudo as pessoas a encontrarem a beleza que há nelas, mais do que isso: o direito de estar bem com a própria imagem - ensinou o professor, surpreendendo-se com uma aparição ilustre em meio ao público: a atriz e escritora Maitê Proença.
- Aqui está o exemplo do que estou falando - animou-se Pitanguy.
A casa recebeu ainda a escritora Ana Maria Bahiana e o escritor Luiz Antonio Aguiar, organizador do Almanaque Machado de Assis (Record), que deu uma aula ao público presente sobre o Bruxo do Cosme Velho, homenageado da Flip e da exposição Rio de Machado de Assis, da casa. Ao falar aos jovens por onde deveriam começar "a passear por Machado", deu uma dica preciosa:
- Comecem pelas crônicas. Ali já está contido o que há de melhor em Machado de Assis. Como qualquer clássico, não recusem ajuda. É preciso - pediu o escritor. - Que tal A causa secreta, Minhas férias ou A segunda vida?
Sobre seu romance preferido, Dom Casmurro, Aguiar não resistiu:
- Eu babo de inveja em um escritor que consegue manter a história no cume, do início ao fim. Há inúmeras leituras do livro. Uma delas, que me interesa muito, é sobre a dúvida a respeito da traição, que populariza tanto a obra. Manter essa questão 100 anos depois de sua morte é genial.

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04/07: Questão do dia

Postado por: Juliana Krapp
1 Comentário
8:16:38 PM
A pergunta que não quer calar: por que diabos colocaram Vitor Ramil na mesma mesa que Nathan Englander e Martín Kohan. Os dois últimos têm semelhanças prodigiosas em sua obra - e quase nenhuma com o trabalho de Ramil.

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04/07: Dobradinha contra a obediência

Postado por: Juliana Krapp
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