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Dawkings contra a religião

Na última mesa de ontem, Richard Dawkins foi aplaudido efusivamente pelo público ao defender Darwin e a teoria da evolução. O biólogo, que é ateu já debateu com fundamentalistas islâmicos, judeus e cristãos, disse que já encontrou muita resistência em seu país. Mas lembrou que, mesmo em lugares conhecidos por seu fanatismo teve boas recepções. Foi o caso de uma palestra para 3 mil pessoas em Oklahoma, zona conhecida como "cinturão da Bíblia" nos EUA, e onde ele esperava encontrar muita resistência.

- No final, todos aplaudiram olhando um para o outro, como se percebessem que não estão sozinhas. Com certeza, há muitos ateus "no armário", que nunca usaram sua voz.

Dawkings também recebeu muitos aplausos ao pedir para que não doutrinassem as crianças, obrigando-as a escolherem uma religião.

- As feministas ensinaram a não usar o termo "homem" para definir a humanidade. Da mesma forma, gostaria de pedir para que as pessoas protestassem ao ouvir que uma criança é católica, protestante ou muçulmana... Ela ainda não teve tempo suficiente para decidir. Uma criança católica, protestante ou muçulmana é na verdade uma criança cujos pais são católicos, protestantes ou muçulmanos.

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Um bicho-papão à espreita: a chuva

Foto: Daniel Ramalho

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Bouillier diz que está com medo de sua mesa

Cada vez mais aumenta a expectativa para a mesa Entre quatro paredes, que reunirá os escritores Gregoire Bouillier e Sophie Calle. Será a primeira vez que os dois falarão em público sobre a polêmica exposição de Calle, Prenez-soin de vous, inspirada no email de rompimento que o escritor mandou para a artista plástica.

Bouillier, que na FLIP estará lançando O convidado surpresa, que narra seu primeiro encontro com Calle, disse que está ansioso pelo debate.

- Vim aqui porque Sophie me convidou e porque não achei nenhuma boa razão para não aceitar - explicou. - É uma experiência arriscada e por isso mesmo divertida. Pensei que se não viesse seria por medo e isso não seria bom. Mas não preparamos nada. Não tenho ideia do que poderá acontecer.

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Coletiva de Gay Talese vira "aula"

Daniel Ramalho

Como sempre vestindo um terno extremamente elegante, Gay Talese chegou à coletiva de imprensa como se estivesse com pressa. Foi logo perguntando quem estava no comando e pediu logo para que fizessem a primeira pergunta. Mas foi logo avisando, para mostrar mais uma vez que não queria perder tempo:

- Por favor, só me perguntem aquilo que vocês achem que eu sou capaz de perguntar.

Assim que começou a primeira falar, porém, os relógios pararam. Ninguém se importou com as respostas quilométricas do autor, que se esqueceu completamente do tempo. Cada pergunta ganhou uma resposta de meia-hora, somando uma hora e meia de coletiva. Falando aos colegas, a impressão é que Talese dava um aula de jornalismo para os poucos privilegiados no local. Entre os ensinamentos, a premissa old school, que ele não cansou de repetir:

- Não adianta dar google nas coisas. É preciso estar presente nos lugares.

Falando sobre seus métodos de pesquisa, o autor se empolgou contando todo o processo inacabado para uma reportagem sobre a China antiga e moderna, que começou em sua casa, ao assistir uma partida entre de futebol feminino entre as seleções da China e dos EUA. Talese se interessou especificamente por uma jogadora chinesa que errou o pênalti decisivo para seu país, fazendo dela o leitmotiv para entender as mudanças sociais e culturais do país. Obcecado pela história - que acabou entrando em seu livro Vida de escritor, recém lançado no Brasil - foi até a China por conta própria para falar com ela, já que nenhum editor queria a reportagem.

Lá, trocou apenas algumas palavras com a jogadora, mas, assim como acontecera antes com Frank Sinatra e com Mohammed Ali, isso não foi problema. Talese persistiu, ficou seis meses no país, conversando com a mãe e a avó da jogadora, e analisando assim três gerações de uma mesma família.

- Muitas vezes visualizamos uma história, mas não se pode prever - explicou. - Tudo pode mudar no local, outros focos para a história podem aparecer. Mas isso só acontece quando temois paciência e perseverança, e vamos até onde tudo acontece. Eu poderia ter mandado um jornalista qualquer ter me mandado por e-mail um dossiê sobre a jogadora, mas não é assim que se faz. É preciso ir até lá. Não necessariamente para falar com o personagem em questão, mas com as pequenas pessoas ao seu redor.

Ele ainda explicou por que anda sempre elegante.

- Um repórter é como um vendedor - compara. - Bate na porta do personagem esperando um convite para entrar, e ouvir a sua história. O que decide se essa porta vai se abrir ou não é sua apresentação. Boas maneiras e boas roupas são essenciais para convencer.

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"Clarice Lispector é uma boa autora. Especialmente para senhoras"

O mexicano Mario Bellatin costuma dizer que não elogia escritores, mas sim livros. E contou ao Ideias que, entre os títulos brasileiros, gostou dos que leu de João Gilberto Noll e Rubem Fonseca. Quanto a Clarice Lispector, que faz um sucesso estrondoso no resto da América Latina, até tentou ser discreto, mas não conseguiu:

- Digamos que o filme [A hora da estrela, de Suzana Amaral] é interessante. Clarice é, em geral, uma boa autora. Especialmente para as senhoras.

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De Bloch para Bloch

Na mesa "Verdades inventadas", o jornalista Arnaldo Bloch explicou que decidiu escrever Os irmãos Karamabloch, a saga de sua família, como uma tentativa de sair definitivamente do "útero" que representa o seu sobrenome - uma tarefa difícil, quando se é um Bloch. Tanto que o escritor dá um exemplo:

- Aos 7 anos, meu pai me deu um porre de batida de pitanga.

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E se Hatoum tivesse virado o Chico?

Não é a primeira vez que os escritores Milton Hatoum e Chico Buarque se encontram em um festival. O amazonenese, aliás, já mediou o debate da Flip 2004 entre o autor de Leite derramado e o americano Paul Auster. Agora, na véspera de reencontrar Chico na mesa Sequências brasileiras, Hatoum enche de elogios o escritor-cantor. Mas admite uma frustração:

- Eu gosto muito do trabalho do Chico, que é um intelectual íntegro. Ele fez a cabeça de várias gerações como músico, e ainda deu certo como escritor. Eu, por minha vez, larguei a música, o que é uma das minhas grandes frustrações - admitiu ao Ideias. - Eu tinha uma banda durante a juventude em Manaus, onde eu cantava e tocava pandeiro. Tinha já uma coisa meio eletrônica, porque, por estarmos na Zona Franca, conseguimos guitarras Fender e caixas de som japonesas.

Foto: Ana Paula Amorim

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Um grande candidato a figuraça da Flip

Foto: Daniel Ramalho

No quesito desenvoltura para caminhadas difíceis, David Foenkinos é um fenômeno. O francês, que veio à Flip para fazer palestra na Casa da Cultura, pode ser visto andando em disparada pelas ruas em pé de moleque do centro histórico, o que tem representado um desafio à parte para os demais escritores.

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Banalidade? Onde?

Ainda na mesa "Separações", Domingos de Oliveira tratou de discordar do rumo mais leve que Rodrigo Lacerda dava à sua fala.

Lacerda comentava a construção de seu mais recente título, Outra vida:

- A ideia do livro é eternizar o que há de prazer, dor, comédia, essas coisas mais banais do cotidiano. Ele retrata situações corriqueiras. Mas 99% de nossa vida é gasta fazendo coisas banais.

Ao que o dramaturgo interrompeu:

- Eu acho o Rodrigo um cara modesto: não existe banalidade. Nenhum acontecimento é banal. É só uma questão de vê-lo mais de perto ou mais de longe. E observá-los é a função do escritor.

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O Antonioni das letras brasileiras

Injustiça colocar Domingos de Oliveira com Rodrigo Lacerda na mesma mesa na Flip. Não por Rodrigo, cujo último livro, Outra vida, tem recebido elogios da crítica. A questão é que Domingos é exímio em roubar a cena, e, dessa forma, quase não sobra tempo de fala para quem quer que divida o espaço com ele.

Foi o caso de "Separações", na manhã desta quinta-feira. O roteirista concentrou grande parte do tempo com suas tiradas, levando o público aos risos diversas vezes.

Por outro lado, também não poupou elogios ao trabalho de seu colega de Flip.

- Eu gosto muito do Outra vida. É um livro sentimental, tem um clima vago de Antonioni - descreveu.

Foto: Ana Paula Amorim

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"HQ não é literatura", dizem quadrinistas

Quatro quadrinistas da nova geração abriram a primeira mesa da FLIP, hoje, às 10h. Embora com estilos diferentes, o gaúcho Rafale Grampá e os paulistanos Rafael Coutinho, Flávio Moon e Gabriel Bá são os principais protagonistas da invasão brasileira no mercado americano da HQ. Com sua temática pulp e imagens sangrentas, Grampá ganhou o Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos com a graphic novel Mesmo Delivery, lançada primeiro nos Estados Unidos. Já os gêmeos Moon e Bá já construiram a mais tempo seu percurso no exterior, no início com trabalhos de encomenda de ilustração e agora lançando lá fora sua primeira graphic novel autoral. O reconhecimento chega num momento em que se estreitam as fronteiras entre a literatura e os quadrinhos. Mas, segundo os autores, o súbito status alcançado pelo gênero não influencia o trabalho.

- Quadrinho não é literatura, não pode ser - diz Grampá. - Vivem nos perguntando se o reconhecimento dos quadrinhos no mesmo nível da literatura nos traz mais status, mas não nos importamos com o status. Não importa se há uma aproximação entre quadrinhos e literatura, ou quadrinhos e cinema. Eu faço e pronto.

A julgar pelas manifestações dos artistas, se há algo que une o mundo da literatura e o mundo da HQ é a dificuldade de ganhar dinheiro com seu trabalho. Grampá, por exemplo, largou trabalhos bem-remunerados em agências de publicidade para se lançar como quadrinista. Já Moon e Bá alternam obras mais pessoais com participações em trabalhos mais comerciais, para HQ's do mainstream americano. Depois de colaborar na antologia Autobiographics, vencedora do Prêmio Eisner, chamaram a atenção do mercado americano.

- Muitos pensam que fomos direto para os EUA, mas não é verdade - diz Moon. - Publicamos muita coisa aqui antes de conseguir espaço lá. E foi aqui no Brasil que conseguimos um feedback maior, com a chance de mostrar para as pessoas tudo que queríamos.

Filho de Laerte, Rafael Coutinho é conhecido em São Paulo como "filho de Deus". Depois de experimentar várias profissões, trabalhando inclusive como barman, encontrou-se no ofício do pai. Lançará em breve uma graphic novel em colaboração com o escritor gaúcho Daniel Galera.

- O meu pai é uma pessoa muito boa no que faz - diz Cotinho. - Mas fora dos quadrinhos também é uma pessoa especial. Fiquei um pouco perdido depois da faculdade mas ele sempre me apoiou. Em casa sempre conheci o quadrinho autoral. Depois de passar muito tempo querendo me achar, descobri o caminho dos quadrinhos.

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Passeio chinês

Por Juliana Krapp

Os chineses Ma Jian e Xinran, que dividem hoje à tarde a mesa "China no divã", são inseparáveis. Amigos de longa data, estão aproveitando juntos a estada em Paraty. Hoje de manhã, fizeram uma caminhada pela cidade.

- O Ma Jian está impressionado com a beleza natural de Paraty - contou Xinran, ao Ideias. Como o companheiro fala mal inglês, é ela quem acabou se tornando uma espécie de intérprete informal.

Ana Paula Amorim

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Dawkins e a poesia

Por Juliana Krapp

Na primeira coletiva de imprensa da 7ª Flip, um Richard Dawkins bastante simpático e descontraído discorreu sobre algumas das principais teorias que norteiam seus livros - fazendo crer que as minuciosas discussões que preenchem os calhamaços que trazem seu nome podem se tornar um agradável papo de bar.

Como já era de se esperar, o darwinista se concentrou basicamente na discussão do método científico versus o método religioso. Reforçou a ideia de que A origem das espécies é a obra mais importante das bibliotecas, e explicou - mais uma vez - porque acredita importante entender o lado malévolo da religião.

- Dentro da bolha da cultura religiosa, as crianças não aprendem história. Não compreendem a história da evolução e da seleção natural que fez com que sejamos quem somos - comentou.

Apesar de toda a polêmica que envolve os seus estudos, o biólogo manteve a sisudez longe. E trouxe para perto, quem diria, a poesia.

- Não acho que a poesia explique alguma coisa, até mesmo porque eu sequer entendo o que ela é. Mas eu a amo, sou profundamente envolvido pela poesia. E acredito que é possível haver algo de poético na escrita científica. Como Carl Sagan, ao escrever sobre as estrelas. Como eu tento buscar, em alguns dos meus livros. Creio que há um campo rico para a poesia dentro da ciência, se abrirmos as nossas mentes.

Foto: Daniel Ramalho

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Dois tons para o tema da separação

Por Juliana Krapp

Rodrigo Lacerda, que daqui a pouquinho divide a mesa "Separações" com Domingos de Oliveira, conta ao Ideias que já há alguns anos acompanha tudo o que o dramaturgo produz.

- Desde que por acaso vi o Separações, não perco mais nada dele - diz. - Ele tem um jeito muito próprio de falar de coisas sérias, com um humor rápido. Apesar de trabalhar com temas dolorosos, não se entrega à dor. É um tom diferente do meu, embora eu acredite que, por estarmos trabalhando com um mesmo universo de temas (a separação, por exemplo), a diferença de tons, em vez de distanciar, vai criar mais caldo para a discussão na nossa mesa.

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A Casa Jornal do Brasil já está de portas abertas

Casa Jornal do Brasil na Flip/ Foto: Daniel Ramalho

Pelo segundo ano consecutivo, a Casa Jornal do Brasil está aberta ao público que visita a Flip. A programação gratuita inclui debates, palestras, exposições e lançamentos de livros, com enfoque especial no Ano da França no Brasil.

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