03/03: PAU NA CULTURA!
Dizem que foi por causa da crise. Ano passado o Governo Federal reuniu alguns cardeais para descobrir de onde – ou de quem – tirar dinheiro para fazer frente a marolinha que atingiria o país. Mal se sentaram à mesa um dos participantes lançou sua idéia, bastante original:
- Por que não elevamos os impostos?
- Perfeito! Boa idéia! Maravilha! – gritaram todos – Que solução fantástica!
Posto que estavam todos de acordo, passou-se para a etapa seguinte: quem vai levar a mordida?
- Sou a favor de ir em cima dos fabricantes de cigarros e bebidas – sugeriu um abstêmio antitabagista
- Eles não agüentam mais tanta tributação. Vão nos pedir dinheiro para não falir!
- Que tal então criarmos um novo imposto para as montadoras?
- Quem vai pagar somos nós! Elas vão botar o preço dos carros nas alturas.
- E quanto aos bancos? Já viram seus lucros nos últimos balanços?
- Deixa os banqueiros em paz. Eles estão muito sensíveis com as dificuldades do Citibank – gemeu o representante da Casa Civil.
É publico e notório que não há mais espaço para elevar impostos nesse país que detem uma das mais altas cargas tributárias do mundo.O coordenador dos trabalhos reconheceu que estava difícil saber onde o Governo Federal poderia arranjar dinheiro.
- Já percorremos toda a lista. Só faltou o Ministério da Cultura – lamentou
- A Cultura!Claro! Por que não? – reagiu um participante que não ia a teatro – Vamos pegar a grana desses artistas, compositores, produtores que ganham um dinheirão com arte. A crise não está interessada em Cultura!
Diante da concordância geral ficou estabelecido que a tabela do Supersimples – programa que reduz os percentuais de micros e pequenas empresas – seria aumentada para atividades culturais, pulando de 4,5% a 16% para 16% a 22%. Uma mordida considerável! Um participante mais cauteloso sugeriu que antes de mexer nos percentuais a classe artística fosse convocada para debater tal aumento.
- Nem pensar! Esses caras são muito chatos! Nunca entendo o que eles falam. Vamos mandar pro pau!
- Mas...Mas isso não é democrático.
- E daí? As grandes democracias estão sucumbindo à crise!
- Vamos ao menos divulgar a proposta para que o pessoal da cultura não seja apanhado de surpresa.
- Negativo. A intenção é pegá-los de surpresa!Você parece que não conhece esses caras. Vão ficar mandando comissões de artistas a Brasília, os jornais vão divulgar e esse aumento de impostos não vai sair nunca!
Assim foi feito. Nos últimos dias de 2008, aproveitando que estava todo mundo distraído, fazendo compras de Natal nos shoppings, o Governo Federal editou a lei 128/2008 que elevou os impostos na área da produção cultural. A classe artística só tomou conhecimento da mordida às vésperas do Ano Novo. Pergunta como foi o reveillon dessa gente? Já o Ministro da Cultura deve estar muito feliz por saber que essa grana vai permitir ao país surfar nas marolas da crise. Ou não?
- Por que não elevamos os impostos?
- Perfeito! Boa idéia! Maravilha! – gritaram todos – Que solução fantástica!
Posto que estavam todos de acordo, passou-se para a etapa seguinte: quem vai levar a mordida?
- Sou a favor de ir em cima dos fabricantes de cigarros e bebidas – sugeriu um abstêmio antitabagista
- Eles não agüentam mais tanta tributação. Vão nos pedir dinheiro para não falir!
- Que tal então criarmos um novo imposto para as montadoras?
- Quem vai pagar somos nós! Elas vão botar o preço dos carros nas alturas.
- E quanto aos bancos? Já viram seus lucros nos últimos balanços?
- Deixa os banqueiros em paz. Eles estão muito sensíveis com as dificuldades do Citibank – gemeu o representante da Casa Civil.
É publico e notório que não há mais espaço para elevar impostos nesse país que detem uma das mais altas cargas tributárias do mundo.O coordenador dos trabalhos reconheceu que estava difícil saber onde o Governo Federal poderia arranjar dinheiro.
- Já percorremos toda a lista. Só faltou o Ministério da Cultura – lamentou
- A Cultura!Claro! Por que não? – reagiu um participante que não ia a teatro – Vamos pegar a grana desses artistas, compositores, produtores que ganham um dinheirão com arte. A crise não está interessada em Cultura!
Diante da concordância geral ficou estabelecido que a tabela do Supersimples – programa que reduz os percentuais de micros e pequenas empresas – seria aumentada para atividades culturais, pulando de 4,5% a 16% para 16% a 22%. Uma mordida considerável! Um participante mais cauteloso sugeriu que antes de mexer nos percentuais a classe artística fosse convocada para debater tal aumento.
- Nem pensar! Esses caras são muito chatos! Nunca entendo o que eles falam. Vamos mandar pro pau!
- Mas...Mas isso não é democrático.
- E daí? As grandes democracias estão sucumbindo à crise!
- Vamos ao menos divulgar a proposta para que o pessoal da cultura não seja apanhado de surpresa.
- Negativo. A intenção é pegá-los de surpresa!Você parece que não conhece esses caras. Vão ficar mandando comissões de artistas a Brasília, os jornais vão divulgar e esse aumento de impostos não vai sair nunca!
Assim foi feito. Nos últimos dias de 2008, aproveitando que estava todo mundo distraído, fazendo compras de Natal nos shoppings, o Governo Federal editou a lei 128/2008 que elevou os impostos na área da produção cultural. A classe artística só tomou conhecimento da mordida às vésperas do Ano Novo. Pergunta como foi o reveillon dessa gente? Já o Ministro da Cultura deve estar muito feliz por saber que essa grana vai permitir ao país surfar nas marolas da crise. Ou não?
10/02: O FILHO DO CARTEIRO
Não sei por que todo esse alvoroço diante da afirmação do deputado Edmar Moreira de que “nós (parlamentares) temos o vicio insanável da amizade”. Ele deveria ser elogiado, isso sim, por ter sido mais sincero e corajoso do que seus pares. Espelho meu, existe algum poder mais corporativo do que o Legislativo? Existe, o Judiciário, mas isso é outra história.
Quem vem de longe pode contar nos dedos – e vai precisar usar os dos pés – a quantidade de situações em que os parlamentares empurraram para debaixo do tapete as transgressões de seus coleguinhas. Sabem por quê? Porque o telhado do Parlamento brasileiro é de vidro fumé. Lembra dos anões do Orçamento (só para citar um exemplo escandaloso)? É como se um dissesse para o outro: “Livra minha cara hoje porque eu posso ser você amanhã”.
Em minha opinião o deputado escorregou na escolha das palavras. No lugar de “vicio” poderia ter usado “habito”. Ao invés de “amizade”, “corporativismo”. Se bem que a palavra amizade não está de todo inadequada. Muita gente afirma que o poder no Brasil não passa de ação entre amigos. Vai mais alto quem faz mais amizades (ou dá mais tapinhas nas costas). Veja o caso do Sarney, por exemplo, um político com o dom insuperável de formar novas amizades. Foi amigo do peito dos generais da ditadura e hoje é amigo de infância do Lula.
Não me surpreende o currículo do deputado, nem que seja dono de um monte de imóveis não declarados. Devem existir muitos iguais a ele no anonimato do baixo clero do Congresso. O que me intriga de fato é como um jovem de família pobre, que fez carreira na Policia Militar, iniciou a construção de sua propriedade medieval aos 44 anos de idade (em 1982)!!! Ou é um gênio das finanças, ou ganhou na Loteria ou cedo incorporou aquele monte de gratificações que os oficiais da PM acrescentam ao seu salariozinho. Filho de um carteiro, Edmar não construiu um castelo de cartas.
Agora que “renunciou” aos cargos, ficou sem partido e voltou ao bem-bom do Congresso, ele bem que poderia escrever um livro nos contando como em tão pouco tempo um plebeu chega à nobreza. Aproveita e conta também sobre suas eleições para a Câmara. Apesar de ter enriquecido em São Paulo – como diz – se elege por Minas. Tenho a maior curiosidade para saber onde um cidadão detestado pelos moradores da sua região – e que detem um recorde de ações trabalhistas nas costas – vai buscar seus votos. Com certeza na mesma fonte do fisiologismo onde bebem muitos de seus colegas. Fizéssemos uma investigação nos moldes americanos e iria sobrar muito pouca gente no Congresso. Fala sério, democracia não é só depositar um votinho na urna. Ainda temos um longo caminho a percorrer. Quem sabe o castelo não simboliza uma política da Idade Média?
03/02: RENOVAÇÃO DO CONGRESSO
As eleições de José Sarney e Michel Temer é o que se pode chamar de renovação do Congresso.Se recuarmos mais um pouco vamos cair na ditadura!!
06/01: Lula e o Acordo
Louve-se o desprendimento do Presidente Lula que mesmo sem muita intimidade com o idioma pátrio incentivou (e ratificou) a padronização do vernáculo entre os povos de língua portuguesa. Sabe-se que sua maior preocupação era que as novas regras para os hífens, hiatos, ditongos etc pudessem afetar seu discurso.
- Fique tranqüilo, Presidente – disse-lhe o secretário Dulci – o senhor vai poder continuar falando do mesmo jeito. Essas mudanças não alteram a pronuncia.
Na reunião do Planalto para tratar dos prazos de tais alterações Dulci fez um breve resumo do novo Acordo Ortográfico para o Presidente.
- O hiato “oo” não terá mais acento no primeiro “o”
- Nem sabia que hiato se escrevia com dois “os”. É hiatoo?
- Hiato é o encontro de duas vogais, Presidente.
- Quando eu era torneiro mecânico encontrei duas vogais na Justiça do Trabalho. Qual era mesmo o acento do “o”?
- Circunflexo!
- Ah! Aquele chapeuzinho! – sorriu triunfal ao ver que havia acertado.
- É bom o senhor saber, caso alguém lhe pergunte nas suas andanças, que a passagem de um hiato a ditongo no interior da palavra chama-se sinérese. Já a transformação de um ditongo em hiato tem o nome de diérese.
- Parece dupla caipira: Diérese e Sinérese! Isso tá no Acordo Ortopédico? Não? Então não interessa. Vamos em frente! Não tem um tal de trema?
- São aqueles pingos dos “us”!
- Só conheço pingos nos “is”!
- São dois pinguinhos sempre juntos, mas isso não tem importância, Presidente. O Acordou eliminou o trema. Pelo menos até o próximo Acordo. Em 1945 já houve um Acordo Ortográfico em que os portugueses impuseram a consoante muda!
- Só mesmo português para se interessar por consoantes mudas -Lula sorriu desafiador – Mas isso foi no tempo em que Portugal era maior que o Brasil. Agora os papeis se inverteram. Eles vão ter que deixar de falar “óptimo”!
- Também não haverá mais acentos para diferenciar palavras homógrafas!
- Homógrafas? Dá um tempo, Dulci! Se soubesse o que é palavra homógrafa não seria presidente da Republica! Isso é coisa pro FHC!
- Também não haverá mais acento nas paroxítonas com ditongos abertos.
Só nas oxítonas!
- E como é que eu vou saber quando é uma e quando é outra? Peraí Dulci! Não quero saber de mais nada! Faz o seguinte: fica perto de mim quando eu tiver que escrever alguma coisa. Tá?
- Nem sempre será possível, Presidente! Agora precisamos estabelecer um prazo oficial para que os brasileiros se adaptem às mudanças.
- Dentro desse prazo os brasileiros poderão continuar escrevendo errado?
- É isso! Que tal dois anos?
- Dois anos? – Lula fez as contas - Eu ainda vou estar no Governo!
- No finalzinho...
- Negativo! Esse Acordo só vai entrar em vigor depois que eu deixar a Presidência. Vai que me pedem para escrever de improviso!
- Fique tranqüilo, Presidente – disse-lhe o secretário Dulci – o senhor vai poder continuar falando do mesmo jeito. Essas mudanças não alteram a pronuncia.
Na reunião do Planalto para tratar dos prazos de tais alterações Dulci fez um breve resumo do novo Acordo Ortográfico para o Presidente.
- O hiato “oo” não terá mais acento no primeiro “o”
- Nem sabia que hiato se escrevia com dois “os”. É hiatoo?
- Hiato é o encontro de duas vogais, Presidente.
- Quando eu era torneiro mecânico encontrei duas vogais na Justiça do Trabalho. Qual era mesmo o acento do “o”?
- Circunflexo!
- Ah! Aquele chapeuzinho! – sorriu triunfal ao ver que havia acertado.
- É bom o senhor saber, caso alguém lhe pergunte nas suas andanças, que a passagem de um hiato a ditongo no interior da palavra chama-se sinérese. Já a transformação de um ditongo em hiato tem o nome de diérese.
- Parece dupla caipira: Diérese e Sinérese! Isso tá no Acordo Ortopédico? Não? Então não interessa. Vamos em frente! Não tem um tal de trema?
- São aqueles pingos dos “us”!
- Só conheço pingos nos “is”!
- São dois pinguinhos sempre juntos, mas isso não tem importância, Presidente. O Acordou eliminou o trema. Pelo menos até o próximo Acordo. Em 1945 já houve um Acordo Ortográfico em que os portugueses impuseram a consoante muda!
- Só mesmo português para se interessar por consoantes mudas -Lula sorriu desafiador – Mas isso foi no tempo em que Portugal era maior que o Brasil. Agora os papeis se inverteram. Eles vão ter que deixar de falar “óptimo”!
- Também não haverá mais acentos para diferenciar palavras homógrafas!
- Homógrafas? Dá um tempo, Dulci! Se soubesse o que é palavra homógrafa não seria presidente da Republica! Isso é coisa pro FHC!
- Também não haverá mais acento nas paroxítonas com ditongos abertos.
Só nas oxítonas!
- E como é que eu vou saber quando é uma e quando é outra? Peraí Dulci! Não quero saber de mais nada! Faz o seguinte: fica perto de mim quando eu tiver que escrever alguma coisa. Tá?
- Nem sempre será possível, Presidente! Agora precisamos estabelecer um prazo oficial para que os brasileiros se adaptem às mudanças.
- Dentro desse prazo os brasileiros poderão continuar escrevendo errado?
- É isso! Que tal dois anos?
- Dois anos? – Lula fez as contas - Eu ainda vou estar no Governo!
- No finalzinho...
- Negativo! Esse Acordo só vai entrar em vigor depois que eu deixar a Presidência. Vai que me pedem para escrever de improviso!




