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Estremecimento e soberania

A qualificação dada pelo ministro Celso Amorim como “infantil”, à ideia de um estremecimento nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos é a percepção do diplomata. Quem lida no intrincado meandro desse jogo, no qual aparências muitas vezes significam mais que palavras, estremecimento é algo muito pior e mais complicado. Na estável ligação entre governos americanos outras rusgas dessa natureza já ocorreram. Esta, no entanto, é mais profunda, como uma discussão que azeda a conversa por algum tempo, embora os dois lados saibam que a amizade não foi quebrada. Assim, se por um lado a diplomacia crê que é infantilidade acreditar em um arranhão, a sociedade brasileira acaba tendo uma visão mais realista desse choque. O poder de liderança americano, nesse caso, não só foi posto em xeque pelo Brasil, como desmoralizado não por um eventual resultado favorável do acordo, mas pelo fato de ter sido a diplomacia de um país do BRIC a responsável pela fresta de diálogo em um ambiente opaco e refratário a mais conversas – ideal para aventuras belicistas com início definido e encerramento imprevisível.

A reação de soberba da secretária de estado Hillary Clinton, e a própria irritação de Amorim ao sair da última reunião com ela antes da ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã mostram que não é de todo incoerente crer que, daqui para a frente, a conversa entre Washington e Brasília será em outro tom. Para começar, não se pode chancelar como infantilidade a atitude diante do fato de que o presidente dos EUA, Barack Obama, chancelara o acordo e o texto obtido por Lula e Tayyip Erdogan junto ao instável Mahmoud Ahmadinejad contemplava essas sugestões.

Pensando assim, percebe-se que o clube das potências criou para si um modelo de gerenciamento das crises que não considera o direito ao uso da energia nuclear para fins pacíficos. E que ao exigir para si o monopólio dessa matriz como uma concessão aos outros países nada mais faz do que reapresentar o velho padrão colonialista vestido com um figurino mais digital e disfarçado de ambientalismo responsável. A promessa de Obama de lutar por um mundo sem armas nucleares virou um sofisma. Faltou, na frase, usar a palavra “outras”.

O Brasil não precisa, na realidade, de um assento no Conselho de Segurança da ONU. Luta por isso sabendo que tem direito de criticar o modelo do pós-guerra embolorado por rearranjos internacionais e pelo pragmatismo econômico que esgarçou as blindagens ideológicas. Tem plena noção que os EUA e as outras potências vão bloquear esse caminho por terem influência a perder. Não importa que jamais aconteça, o desgaste para manter o privilégio relativiza o poder de influência desses atores. O Brasil já tem o seu lugar garantido.

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Comentários


Comentários

E.T. Região dos Lagos enviou em 31/05/2010 as 12:57:

Um absurdo ! Como um analfabeto nordestino, da mais pobre e ridicula origem, pode se intrometer em um assunto que só diz respeito a MARAVILHOSA nação Norte Americana. Todos nós gostariamos de termos nascido nos EUA, de morarmos em Nova YorK, sermos parte daquele povo e daquela gente maravilhosa : O maravilhoso Povo Norte Americano ! Por mais que a nossa querida REDE GLOBO, trabalhe em seus jornais e telejornais para DESMERECER o que foi feito por LULA e CELSO AMORIM, não adianta, até o nosso povo, o povo do qual fazemos parte, este POVO que o GRANDE CIENTISTA Alemão JOSEF MENGUELE (Carrasco Nazista) denominou como sendo "... MEIO QUE MACACOS ...", sim, até o povo brasileiro que são "...MEIO QUE MACACOS..." perceberam o constrangimento que esses 02 (dois) irresponsaveis e inconsequentes colocaram a maravilhosa/idolatrada/salve-salve Nação Norte Americana. Se o Lula e o Amorim ainda vivessem na época de Jesus Cristo, a nossa querida REDE GLOBO entregaria os dois para Roma (que seria hoje a GLORIOSA Nação Norte Americana) para serem CRUCIFICADOS em razão na HERESIA que cometeram. Gente, no mais, acreditem na GLOBO : "O QUE É BOM PARA OS ESTADOS UNIDOS É MARAVILHOSO PARA O BRASIL" ! ! ! ! !

Marcelo da D. I. L. M. A. enviou em 31/05/2010 as 16:49:

Achei perfeito o comentario anterior. Gostaria de acrescentar que o sr. Barak Obama está sendo a maior decepção. Está demonstrada que não haverá presidente que contrarie a política das armas, imposta ao mundo por este país. Quem não sabe que estão interessados, na verdade, no poder sobre o petróleo do Irã, como no do Iraque e Afeganistão. Será que Deus enviou como castigo aos americanos, este vazamento que não cessa, através de uma empresa do seu maior aliado, a britânica BP? Gostaria de ver esta disposição americana, esta mobilização em prol da resolução das guerras e da miséria na Africa. Conseguiram cooptar todos os países, menos Brasil, Turquia e Irã; será que todos estão de olho em uma parte do petróleo iraniano? Outra questão deve ser levantada: Será que, mesmo após às sanções " rasteiramente " aprovadas e implementadas evitarão que o Irã obtenha uma ou várias bombas atômicas? Finalizando: Vamos botar A GLOBO, O SERRA e OS EUA no PAREDÃO DO BBB?

Roberto enviou em 31/05/2010 as 23:00:

"Peace in our times".Assim Chamberlain desceu do aviao retornando de Munique em 1938. Esse documento incluia assinatura de Hitler, Mussolini, Chamberlain e Daladier (esse assinou a contragosto) prometendo que em troca da Tchecoslovaquia, o chanceler alemao prometia que nao invadiria a Polonia ou qualquer outro pais europeu. O proprio assinou, um ano mais tarde um "tratado de nao agressao" com Uniao Sovietica, que incluia, num protocolo secreto, a divisao da Polonia entre os dois regimes socialistas e totalitarios. O resto e historia. Agora e vez do Brasil e Turquia. Esse acordo com Ira impede o mesmo de enriquecer uranio ate 90%? Nao. Ira tem de entregar TODO seu uranio enriquecido ate 20%. Nao. Ira abre suas intalacoes para inspecoes de TODAS as instalacoes nucleares sem aviso, como exige o tratado de nao proliferacao? Nao. Ou seja, "peace in our times" novamente. E os ET, da Dil,a e Ambrosios nesse blog querem convencer os que sabem dos detalhes (porque leram o acordo) do seu conteudo real. Entendo que blogueiros o tentem, mas jornalista tem que investigar, nao repetir o que outros dizem e repetir que nem papagaio. mas, ideologia e ideologia, verdade e verdade. Afinal de contas, "os fins justificam os meios". COMENTARIO DO MODERADOR - Os fins realmente tem justificado os meios, principalmente para Israel. Os 10 ativistas mortos no barco que o digam.

Leonardo Meireles Câmara enviou em 31/05/2010 as 23:31:

Texto muito lúcido.

marly rocha enviou em 01/06/2010 as 12:02:

excelente !!!!!!!!!!!

Roberto enviou em 01/06/2010 as 14:15:

Comentario do moderador a minha analise do acordo Ira-Brasil-Turquia e decpcionante. nao diz se certa ou errada, se faz sentido, se algum erro historico ou sobre minhas conclusoes. Confirma o que eu disse, moderador e um ideologo, nao um investigador. Obvio que somos todos 'tendenciosos", mas minhas perguntas sobre o acordo foram diretas. Qual a resposta do moderador? Ou e irrelevante o que diz o tratado de nao proliferacao? E irrelevante que Ira, assinando o tratado voluntariamente, nao obedeca os protocolos? Hoje, por coincidencia a IEAE reporta que Ira tem duas tonelads de uranio enriquecido nao divulgado antes. Alem de nao responder a minha nalise,moderador inclui Israel na conversa. Israel faz parte do tal acordo ? nao que me lembre.Ou seja, evasivo, alem de condenar antes de investigar. Um ideologo primeiro, como disse antes, jornalista bem depois. Afinal, "os fins justificam os meios".

Marcelo da D. I. L. M. A. enviou em 01/06/2010 as 14:57:

A verdade é que, foi aberta uma janela para a negociação. Se este acordo não tivesse significado, não estaria incluso na negociação fracassada anteriormente. Por mais certezas que temos, quanto às intenções do Irã em obter a bomba atômica, ficou claro que lançamos uma pedra no caminho de quem pretende partir para a opressão. Porque os americanos, agora de posse do apoio dos russos, chineses e etc, não colocaram o Iran novamente no centro da roda? Só então, após nova negociação, implementar a aprovação das referidas sanções? Porque esta reação exagerada contra o Brasil e Turquia? O nosso caro Leo jornalista, rsrsr, não percebeu que os americanos são guiados por sua indústria bélica e petrolífera? As referidas sanções só irão gerar apoio ao débil presidente do Irã, maior transformação do petróleo iraniano em armas do mercado negro e aumento da pobreza e do ódio do povo iraniano ao ocidente. Mudando o foco para a Rede Globo, vejam as manchetes de 'O globo' e do 'Jornal do Brasil’, dos dias após o acordo. Verão a diferença de quem joga contra e à favor do patrimônio. O povo não é bobo. Está vendo a TV e os jornais. Está vendo quem morre de vontade de voltar ao poder e que invejam as conquistas do Lula para o Brasil. Vamos colocar no fundo do Golfo do México, os EUA, a Rede Globo, o PSDB, o Serra e o DEM? Se um papagaio consegue enxergar, um blogueiro bem esclarecido (dito jornalista) deveria entender!....

Marcelo da D. I. L. M. A. enviou em 01/06/2010 as 15:11:

O senhor está sendo infeliz hoje em seus comentários. Sabe muito e não sabe nada.... Os americanos reagiram ao Tratado Brasil / Turquia / Irã, como reagiram contra o ataque de Israel? Estou começando a concordar que respeito só se consegue na base da força.... Tendo milhares de bombas atômicas como os EUA...

Sima enviou em 02/06/2010 as 14:52:

O que Gaza precisa nao e comboio humanitario. Eles precisam de lideres honestos que nao sejem corruptos e terroristas. Eles precisam de lideres interessados em reconstruir e alimentar o seu povo. Hamas esconde atiradores in ambulancia e escola. Nao da pra confiar. Se permitir "comboio" humanitario, eles so vao trazer armas e drogas. Israel esta se protegendo porque sabe com quem esta lidando! O Egito construiu um muro enorme no seu lado da fronteira porque tambem nao quer ter que lidar com o Hamas. Ou sera que eles e que deveriam ajudar os seus irmaos muculmanos!!!!!

Roberto enviou em 02/06/2010 as 16:55:

O da Dilma ja concorda que Ira quer construir armas nucleares. Como tal nao segue o tratado de nao proliferacao, que abriu as portas para receber tecnologia que nao podia alcancar antes. Agora nao precisa mais. O tal chamado "acordo" com Brasil e Turquia vale o mesmo papel no qual foi escrito o de Munique em 1938. Ira tera a bomba, a nao ser que Israel destrua as instalacoes principais, um feito dificil de alcancar e com consequencias imprevisiveis. Objetivo do Ira e evitar sancoes, ja que sua economia esta um desastre e a populacao,principalmente os jovens, estao agitados com a pessima qualidade de vida, corrupcao e estrangulamento social. Lula caiu de otario.

cleyde enviou em 02/06/2010 as 20:16:

Oi M.Ambrosio, Gostei do texto pricipalmente do ultimo paragrafo. Continue com seus textos eles sao diretos e nao puxam o saco de ninguem..gde abraco.

paulo fernando enviou em 09/06/2010 as 22:47:

Concordo com o artigo em gênero, numero e grau. O BABACA OBAMA que tantos achavam que seria diferente, veio mostrar que americano independente da cor é tudo igual. Que democracia é essa que obriga outros paises a pensar e agir conforme os interesses americanos?


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