RSS Feeds

Vôo 1907 - memórias da Amazônia

Fiz essa reportagem para a edição de domingo do jornal. Porém, com as notícias sobre o assassinato de Anna Politkovskaya - jornalista e maior desafeto de Vladimir Putin - e o câncer terminal de Fidel, a página teve de ser cedida. Reproduzo aqui até para que os leitores compreendam de onde vem meu conhecimento sobre aviação.

Num momento em que o controle aéreo do Brasil está sob os holofotes, depois da tragédia do vôo 1907 da Gol, é importante lembrar como era a Amazônia antes dos radares. Conheci bem essa realidade, voando por quase um ano no interior do Amapá como geólogo a serviço de uma mineradora japonesa. A região de Lourenço, no contraforte do Tumucumaque, era tão remota que só pilotos de garimpo com coragem atuavam lá. Em pleno ciclo do ouro nos anos 80, cada vôo era uma loteria. Baixa visibilidade quase o ano todo, rádio intermitente, pistas curtas, cercadas de morros e barrancos e aviões que desafiavam as leis da física e da Aeronáutica. O preço era alto: não foram poucos os que a selva tragou para sempre.

Com o céu pelo menos oito meses por ano cheio dos temíveis Cumulus Nimbus, ou CBs, encontrar pistas, várias delas clandestinas, encravadas na selva sem ajuda de equipamento de terra, no interior do Amapá, era coisa para olhos treinados. O piloto avisou no embarque que o vôo seria só por instrumentos. Era um eufemismo: uma folha de caderno escolar comum, com uma linha desenhada e pontos numa rota demarcados por tempo.
Passada a decolagem em Macapá com o Piper Seneca, um bimotor de seis lugares, a navegação começou. A mão direita do piloto segurava o manche e a esquerda um cronômetro comum. A aeronave seguiu rumo Norte por 25 minutos. Nesse momento, ele consultou na folha de caderno a perna seguinte. Seria a 240° daquele ponto, mais 23 minutos. Não se via nada. O procedimento se repetiu mais quatro vezes, até chegar ao X na folha.

– Agora é com a sorte – disse o piloto, iniciando um mergulho cego e suicida em busca da pista, oculta em algum lugar sob as nuvens.

A chegada ao garimpo era algo de prender a respiração. Pousar demandava às vezes mais tempo do que a hora gasta até aquele ponto. Uma vez sobre a pista de Lourenço, alguns pilotos preferiam voar em um círculo até vislumbar uma referência. A tática, como tudo, era arriscada: a cabeceira era ladeada por dois morros e um barranco. Em uma das viagens, já na segunda tentativa, o piloto fez o círculo olhando para baixo. Dentro da nuvem, não percebeu que o altímetro indicava perda acentuada de altitude. Isso só foi notado quando, adiante, as copas das árvores surgiram em meio à névoa. Íamos bater de frente.

– Soooooobe!!!!!!!!

O grito, felizmente, assustou o piloto o suficiente para que ele puxasse o manche, erguendo o avião. O cálculo mais otimista indica que a arremetida foi feita a uns 100 metros da copa mais próxima. Quem voa no garimpo chama esse tipo de passagem de “espantar macaco”. Passado o susto, o piloto, lívido, desistiu e voltou ao ponto de partida.

– Já queimei uma vida hoje.


Depois de três meses no mato, a espera para a folga era tensa. Muitas vezes o Piper (PT- KZU, ou Kilo Zulu Uniforme como era conhecido) sobrevoava a pista e ia embora. Houve alívio quando se ouviu a aproximação, mas a sensação deu lugar à angústia quando o bimotor taxiou com o motor esquerdo embandeirado (parado) e queimando.

O piloto confirmou a partida. Pediu que se providenciasse uma lata qualquer de pêssegos em calda (os garimpeiros crêem que comer doces protege o fígado contra a malária). Enquanto os passageiros a procuravam, foi ao garimpo e comprou duas braçadeiras de metal.

O passo seguinte foi desmontar a carenagem do motor. O escapamento tinha quebrado e as chamas queimaram o revestimento e ameaçavam o tubo de combustível. A emenda foi concluída a mão, com a lata cortada servindo de luva afixada pelas braçadeiras. Duas horas depois, quase sem luz, o avião decolou com todos de olhos fixos na asa esquerda. Mas o conserto funcionou até o pouso em Macapá.

O dono do Piper chamava-se Ival Alves. Conhecia a região e voava em condições de tempo e carga inacreditáveis. Nos vôos não-fretados, o avião era como van de lotada. A sete gramas de ouro por passageiro. Na proporção, não era caro: uma lata de óleo, um quilo de açúcar ou uma prostituta – dependendo do cliente – custavam um grama.

O check-in era rápido. Só o dinheiro, sem identidade ou plano de vôo. Três passageiros sentaram no terceiro banco, que era para dois. Idem no segundo. Na porta traseira, caixas de peças de motores Agrale e, sobre elas, mais um passageiro. Éramos nove num projeto para levar apenas seis.

– Todo mundo com o joelho no peito para baixar o centro de gravidade na decolagem – ordenou Ival.

A pista, de 700 metros, tornou-se interminável. O avião correu, correu, correu. Decolou quando já estava no fim da pista e voou sem ganhar altitude, com enorme esforço. Depois do pouso, três garimpeiros saltaram do avião, antes de chegarmos ao terminal.

Tanto desapego à segurança trazia custos em vidas humanas. A selva esconde um avião pequeno em três dias. Voando em ziguezague, Ival pediu que olhássemos abaixo, ajudando a FAB na busca a um colega sumido em Calçoene. O Cessa levava o piloto, um garimpeiro e um tonel de 200 litros de diesel. No último rádio, reclamou do motor “pipocando” e avisou que voaria em direção ao mar. Jamais foi encontrado.

« anterior próximo »

Comentários


Comentários

Henrique Alvarenga enviou em 10/10/2006 as 10:16:

Um conhecido meu caiu num garimpo da vida. Eles haviam tirado todos os bancos do avião, inclusive do co-piloto, sacando junto o segundo manche, para poder "socar" o maximo de passageiros possiveis (peões de garimpo), sentados no chão, e assim transporta-los para o meio da selva.

Para quem não sabe, glissada é uma manobra em que, para se perder altitude sem ganhar velocidade, com o leme, colocam o avião de lado, como se fosse um carro derrapando. Assim o avião desce rapido (cai), sem ganhar velocidade.

Já o caixote é a pista curta no meio da selva, cercada de grandes arvores, onde só dá para entrar se for glissando.

Então, na hora de "glissar", para entrar no "caixote", o piloto perdeu o controle do avião e caiu nas arvores, antes da pista. Sofreu algumas fraturas, alguns morreram.

Porém, depois descobriu que perdeu o controle por que um dos peões amontoados, para se apoiar durante o pouso, se agarrou no tubo de onde havia sido retirado o segundo manche, travando assim os comandos do piloto.

São muitos os "causos", alguns até de humor negro. Tem a estoria do cavalo que pulou do avião, os voos por "barbantímetro" e etc.

Porém, essa teoria não se aplica na avião de rapida e de grande porte, que voa em grande altidude, que usam aerovias. A aviação de garimpo é outra estória, é de pequeno porte, de baixa altitude, e isso não tem nada haver com o caso do Legacy x Gol.

Portanto, Mr Sharkey não pode misturar esse tipo de folclore amazonico, da aviação de garimpo, como parametro para descrever o espaço aereo em que voava. As aerovias estão be acima desse submundo.

Ambrosio enviou em 10/10/2006 as 13:35:

Felizmente nas pistas em que pousei não havia necessidade da glissada porque as cabeceiras ficavam em pontos mais altos. Mas havia uma pista clandestina no norte do Amapá que fez história. Além de curta, com uns 400 metros no máximo, no final haviam feito uma rampa acentuada com tratores e que funcionava como catapulta.

Alguns garimpeiros contavam que os pilotos tinham o hábito de amarrar a bequilha dos Cessnas (eram os únicos que pousavam ali) com uma corda grossa, passada em uma árvore enorme atrás da cabeceira e presa com uma espécie de trinco de pressão - como aqueles que pilotos de caça usam.

Na hora da decolagem, carregado, o piloto dava motor e quando a corda estava bem retesada, quem estava fora marretava o trinco, liberando a aeronave.

Nunca vi isso e creio que a geringonça podia fazer o avião capotar para a frente quando fosse liberado. Mas três pessoas que estiveram no garimpo e não se conheciam contaram exatamente a mesma cena.

Essas histórias são saborosas, mas mostram um país que não existe mais. Com a cobertura dos radares do Sivam e dos jatos R99 da FAB, baseados em Anápolis, tudo que voa e não é pássaro passou a ser rastreado.

Henrique Alvarenga enviou em 10/10/2006 as 14:10:

Pois é Ambrosio, concordo contigo.

Já que voce gosta dessas estorias, vou contar a lenda do "barbantimetro".

Segundo consta, haviam pilotos malucos que voavam guiados pelo "barbantímetro".

Para os aviões que não tinham horizonte articifial nem mesmo climb, os caboclos peduravam um pedaço de barbante no teto da cabine, proximo ao painel. O "barbantímetro"

Acontece que, ao entrar no meio de uma nuvem, sem climb nem horizonte articial, a pessoa pode perder o senso espacial. Então, é possivel sair da nuvem de cabeça para baixo, ou caindo de bico, enquanto se pensa que está nivelado e numa boa.

Então, esse barbante no painel funcionava como climb e horizonte artificial. Quando o cabloco entrava na nuvem, ele olhava para o barbante pendurado. Se o barbante criasse uma barriga, ele saberia que estava em descida. Se o barbante fizesse um angulo para o lado, para frente ou para tras, saberia que estava virando, imbicando ou "cabrando".

Esse era o "barbantímetro". Alguns chegavam a desenvolver "barbantimetros" mais sofisticados, feito de fio de lã, que eram mais leves, mais sensiveis e precisos.

marceloambrosio enviou em 10/10/2006 as 15:14:

Sensacional...

Bruno C. enviou em 10/10/2006 as 16:32:

Muito boa a história, gostei.
Mas isso foi antes do SIVAM ,(o SINDACTA eu acho q já existia)..Os pilotos do Legacy tavam é fazendo merda mesmo.

Henrique Alvarenga enviou em 11/10/2006 as 07:17:

O "barbantímetro" é muito comum em planadores. Quase todos tem

Ricardo Tavares enviou em 11/10/2006 as 07:36:

Ambrosio,

O Harkey agora partiu para o ataque agressivo. Está usando os nossos argumentos para acusar. Chamou o governo brasileiro de "regime". Disse que a nossa situação politica é instavel. Faz chacota contra o nosso ministro da defesa e ainda diz que os pilotos estão sob "custodia". Enfim apela para o patriotismo dizendo que já é hora de trazer os americanos de volta da casa.

Tambem diz que os fatos que levam a crer que os americanos fizeram merda é uma mera "teoria". Afirma categoricamente que foi o Boeing que colidiu neleses.

Leia na integra no post seguinte:

Ricardo Tavares enviou em 11/10/2006 as 07:37:

http://www.joesharkey.com/

Brazil V -- Flippant

The latest is that Brazil's defense minister, one Waldir Pires, said it was "flippant" of our captain, Joe Lepore, to maintain that he was flying at 37,000 feet with authorization.

How dare Joe -- in custody -- contradict the worthy Minister Pires's theory!

Flippant! Have you heard a word like that since Sister Mary Joseph uttered it in the 6th grade?

This is indicative of the kind of rhetoric coming from Brazil police and political authorities as they scramble to cover their butts amidst growing suspicion that faulty Brazilian air traffic control was part of, if not entirely, the cause of the mid-air collision at 37,000 feet on Sept. 29 that tragically killed 154 people on a Brazilian 737, while 7 passengers on a Legacy 600 -- me among them -- managed a harrowing landing in the jungle, in a severely damaged aircraft.

Anti-Americanism coupled with unstable Brazilian poltics are driving this story.

In some Brazilian media, I was widely referred to as being "impertinent" because in an interview in CNN last week I alluded to the poor reputation of Brazilian air traffic control over some parts of the Amazon, despite vaunted attemnpts by the current regime to fix it. U.S. pilots who ply the Amazon skies are e-mailing me to support this contention, by the way.

Impertinent!

But hang on a minute. Impertinent as I may sound, there is an unfortunate problem. I was actually there.

I was there when Joe and Jan physically wrestled that damaged aircraft to the ground in a jungle after 30 awful minutes when we all thought we were going to die. I saw every moment of their grief and anguish once we landed and learned, 3 hours later, that a Brazilian 737 airliner had gone down in the jungle apparently after clipping us at 37,000 feet.

In two days of detention and anguished speculation about what possibly could have accounted for the horrible accident, I couldn't even get Mr. Lepore and his co-pilot, Jan Paladino, to call me "Joe," rather than "Mr. Sharkey."

"Flippant" just ain't in these guys' natures. What I saw was two straight arrows, two decent family guys from Long Island who were bewildered and grief-stricken for the strangers who died in that instant of contact while we, inexplicably, lived.

Today, I wrote in a newsaper column what I thought was a fairly innocuous report about how dumb I was for traveling internationally without an internationally enabled cell phone that would have helped me through days of captivity.

I was promptly accused in some of the Brazilian media of being contemptuous of Brazil's cell phone service.

This is crazy land. Yet I can see the headlines tomorrow, for this obscure litle blog is now monitored and quoted widely in Brazil: "American Assassin Calls Brazil 'Crazy Land'"

Many of my e mails from Brazil routinely address me as "Assassin." Some attach grisly pictures of the bodies as they were found in the jungle.

My heart grieves for the dead. We grieve for the dead.

But two decent American men remain in the rabbit hole, and we need to pay attention now.

Their names are Joe Lepore and Jan Paladino, and it is time to bring them home.

Ricardo Tavares enviou em 11/10/2006 as 07:38:

mais

http://www.joesharkey.com/

BRAZIL IV: Black Holes

This from NPR today on the continuing questioning of two American pilots who flew the Legacy 600 business jet that survived a mid-air crash with a 737 over the Amazon Sept. 29, while all aboard the 737 died tragically and horribly.

"...Brazilian aviation authorities are annoyed by the pilots' representations [that they were unable to maintain contact with air trafrfic control). The director general of the Brazilian Airspace Control Center, Lt. Gen. Paulo Roberto Vilharinho, is quoted as saying that radio coverage over the jungle is complete. 'There are no black holes.'"

"But a 36 year veteran pilot with the Brazilian airline Varig says there are faults within the country's vast network of radars and aviation communications. Elnio Borges disputes Brazilian authorities' claim that Brazil has no 'blind spots' -- areas unreachable by radar communication.

"Despite a $121 million upgrade on the infrastructure, Borges says, 'Everybody that flies in that region knows that they should expect to be out of two-way communication for at least some time during their flights.'"

Incidentally, several veteran American pilots who fly over the Amazon have e-mailed me with essentially the same information.

This is playing out with huge elements of anti-Americanism in a wildly emotional political environment in Brazil, where many elements of the news media are condemning the pilots. The vitriol (you should see my e mail inbox) is stunning.

The investigation is continuing, and our pilots remain in Brazil.

Ricardo Tavares enviou em 11/10/2006 as 08:37:

Faz igual o Bush. Usa os argumentos contrarios a ele, como uma especie de espelho, e acusa o outro de fazer aquilo que ele faz.

Quem está de "vitriol" é o Sharkey. A imprensa brasileira está baseada nas evidencias. Não é o Sharkey que vai julgar e ter a ultima palavra, para assim soltar "our pilots".

Além de impor a palavra dele, que não vale nada, pois é um jornalista baba ovo pago pela propria ExcelAire, Sharkey apela, claramente, para mitos amazonicos, sentimento nacionalista americanos, preconceitos contra os latinos e etc.

Usou elementos como "regime", "terra maluca", "base secreta na selva","our pilots", "bring them home"...

Ora, é ele que está de retórica. E esse tipo de retórica nós conhecemos muito bem.

Ambrosio enviou em 11/10/2006 as 14:07:

Entrei no blog do Sharkey. É impressionante. Ele está obcecado em acusar a imprensa brasileira de forjar a acusação contra os pobres pilotos. Mas é um sujeito covarde: fala essas coisas sem deixar espaço para que se possa contradizê-lo. Queria dizer a ele que os dois pilotos mentiram ao delegado de polícia e isso é crime. Queria dizer que o plano de vôo deles mandava que estivessem em outra altitude diferente da que estavam. Queria dizer que o plano que apresentaram à polícia era um documemto sem qualquer valor e tinham ciência disso. Queria contar que alguns dos corpos encontrados no Boeing que eles abateram tinham expressão crispada e os dedos cruzados na agonia da morte naqueles 1 minuto e 45 segundos entre o choque e a queda na selva desse crazy land, como Sharkey denomina.

Walter Amaral enviou em 11/10/2006 as 15:55:

1- zomba do ministro da defesa
2- acusa o controle de trafico
3- suspeita da investigação policial
4- chama o Brasil de terra maluca
5- diz que os pilotos estão num cativeiro, num buraco de coelho.
6- chama o governo de "regime" (ditadura)
7- acusa a imprensa brasileira de sensacionalismo
8- insiste em dizer que foi o Boeing que bateu neles.
Só faltou chamar a mãe de careca e o pai de "raspadinha".

Se eu fosse a autoridade brasileira, só porque o Sharkey ficou escrevendo essas bobagens, caso as investigações realmente comprovem a culpa desses americanos, eu indiciaria esse jornalista por perjurio, calunia e difamação, e ainda dava pena maxima para o pilotos.

Bruno C. enviou em 11/10/2006 as 19:48:

Esse Sharkey..é só um exemplo da quantidade de bosta q a imprensa americana é capaz de produzir..e ainda tem gente e acredita cegamente..só pq é dos "EUA" ...fazer o q..

LEONARDO enviou em 06/12/2006 as 22:01:

Prezados Amigos que escrevem acima. Eu seria mais cauteloso ao "derramar todo este veneno em cima dos pilotos americanos". Hoje 6/12/2006, os jornais publicam as seguintes manchetes:
1- Aeronáutica confirma existência de buraco negro no local do acidente
2- Policia Federal afirma que os dois pilotos americanos são os que MENOS culpa tem no acidente. Tanto que já os liberam para retorno para os US.
3- Aeronáutica suspeita de falha dos controladores, que não tinham supervisão, não falavam inglês e o acidente ocorreu durante uma troca de turno, e ocorreu uma falha no sistema que indicava a altitude dos aviões.
Acho engraçado que tem gente que mete o páu nos EUA ou nos americanos, mas nas férias vão gastar seu dinheirinho em Orlando, New York, Miami. PODE?

Izidro Simões enviou em 21/08/2007 as 01:47:

Permitam-me: tenho 42 anos de aviação, 31 dos quais na Amazônia. Sempre em avião de pequeno porte. Fiz aviação agrícola e de garimpo. Com SIVAM e tudo, continuamos a voar como antes, porque o SIVAM NÃO FUNCIONA!Nós, que voamos nesse mundão é que sabemos. As palavras do jornalista americano ficarão valendo, porque lá nem se imagina o que seja a região amazônica, que até mesmo os brasileiros conhecem muito pouco, mal mesmo e cheio de lendas. Já dizem os políticos mineiros que mais vale a VERSÃO do que o FATO. Contando histórias da aviação de garimpo, já aprendi que é preciso ter fotos, DVD ou filmes para provar que é verdade. Passei vergonha na Venezuela, contando da nossa aviação garimpeira para os pilotos de garimpo de lá. Não acreditaram, porque eu não tinha fotos nem nada. Os garimpos de lá, para nós, são aeroportos, inclusive porque a região não é muito acidentada. Fica mais fácil fazer pista. No Brasil, dizemos que aviação de garimpo se aprende em Mato Grosso, a universidade é no Pará e a pós-graduação é em Roraima, onde houve a maior corrida de ouro do planeta. A história de amarrar a cauda do avião, para poder decolar, é uma brincadeira que a gente fazia, só para virar notícia nos garimpos. A mesma coisa de dizer que a bateria descarregou e que é preciso EMPURRAR o avião para o motor pegar.Tem gozação de todo tipo, e há pilotos "especialistas" em pregar peças. Um deles, é o "COMOVAC", de MT, divisa com Goiás, lá pelas barrancas do Araguaia. Comovac quer dizer: comandante, motorista e vaqueiro, coisa que o piloto de fazendeiro acaba virando. Comovac voou garimpos em MT e Roraima. Pregava peças em todo mundo, inclusive nos seus colegas. Fiz muito disso, com Cessna 180: dá-se 10 graus de flap, pica um pouco no estabilizador, mete manete no fundo, segura no freio, e empurra o manche com vontade. O avião levanta a cauda e fica alinhado. Aí, solta-se devagar UM LADO DO FREIO, o aviaõ avança nesse lado, solta-se o outro lado e o avião avança nesse lado. Assim, freiando bem de levinho, soltando um e outro em seguida, vai-se ganhando velocidade, no princípio, rebolando de um lado para outro, mas com a velocidade aumentando êle fica firme. Aí a gente trás o estabilizador para o meio. Dando velocidade de pouso, é só puxar o manche e decolar. Não é difícil. Para pilotos experientes é bem fácil. Realmente admiro os mecânicos de chapa, que nós chamamos de chapeadores (mecânicos de estrutura). Êles literalmente fazem "milagres" com aviões quase "moídos" em acidentes em garimpos.Com chapas, parafusos, vigas de ferro, fazem a emergência lá no local do acidente para que saia voando, e . . . voam mesmo. A regra manda que o piloto que "lenhou" leve o avião, se não estiver lenhado também. Já tirei avião nessas condições, e incrível que possa parecer, não tinha nenhuma tendência, isto é - para quem não entende muito de aviação - não puxava para lado nenhum e voava perfeitamente equilibrado. Há muitos bons chapeadores (mecânicos de estrutura) e lembro-me com respeito e admiração para a EQUIPE RACHA, de Roraima. No meio de tanta gente especial, êles são especialíssimos. A aviação de garimpo merece uma história bem contada, verídica. Não é aviação de loucos, mas de gente que SABE como desfrutar da aerodinâmica até o último filete de ar que passa pela asa. Lembrem-se: o mais difícil, Santos Dumont fez: inventou o avião e aprendeu a voar NA MARRA. Não teve instrutor e nem sabia o que aconteceria, se voasse mesmo.Honra e glória para êsse aviador espetacular! COMENTARIO DO MODERADOR . Espetacular é o seu comentário Izidro.

mauricio de queiroz enviou em 05/11/2007 as 21:03:

Voei Aerocommander A520 e A560A no sul do Pará em 1980, bem na época do nascimento do garimpão Serra Pelada e vi de tudo na aviação garimpeira: fila de monotores para decolagem em Santarém, avião pousado em árvore, piloto assassino que jogou garimpeiro bamburrado pela porta do avião em vôo (é mole?), pouso noturno em pista de garimpo iluminada com faróis de caminhão, monomotor decolando com o dobro do peso recomendado, e até mesmo um Cessna 185 armado com duas metralhadoras para caçar aeronaves carregadas com ouro e, tenho certeza que, se não fosse tudo isto, o garimpo não existiria. Cobrávamos tudo na base de gramas de ouro com exceção, no meu caso, do transporte de enfermos e compra de remédio para doentes, atividades que, pelo menos no meu caso, fazia de forma humanitária. Saudades daqueles bons tempos!

Izidro Simões enviou em 19/11/2007 as 02:26:

Maurício de Queiroz, voei Aerocommander A 520 e por isso pergunto: vc voou NO GARIMPO com esse avião? Em quais pistas, cara? E que história é essa de 185 armado com duas metralhadoras para tentar roubar avião de transporte de ouro? E pista iluminada com faróis de caminhão, para o pouso noturno? Como é que esse caminhão chegou lá, se garimpo justamente é isso porque não tem estrada, pois se tivesse, chegariam tratores e patrol para fazer aeroporto? Cara, conta essa história direito!

Izidro Simões enviou em 19/11/2007 as 03:45:

Sobre o "barbantímetro" é apenas uma das muitas lendas que se criaram na história da aviação de garimpo.O passageiro, em geral leigo, não sabia que havia um HORIZONTE ARTIFICIAL no painel do avião. Mesmo que soubesse, não atinaria com a utilidade sem lhe ser explicado.Voar só pelo limbo graduado da bússola, sendo mantido na horizontal, nem mesmo em céu de brigadeiro dá para fazer, porque um ínfimo balanço também balança o limbo; imagine voar assim, com ar turbulento. Para quem não tinha HORIZONTE ARTIFICIAL e era "das antigas", sabia voar IFR como os alemães inventaram em 1927: olho no velocímetro para manter a velocidade estável( se diminuia, estava subindo; se aumentava, estava descendo) olho no altímetro, olho no variômetro (depois chamado climb pelos americanos)para confirmar se subia ou descia quantos pés, olho no pau e bola (bolinha de nível, igual ao nível que pedreio usa e o ponteiro indicador de guinada/lado para onde o avião está virando)para saber se estava bem nivelado na horizontal, e olho na bússola. Foram os alemães que inventaram a aglomeração dos instrumentos em certas partes do painel, justamente para poder facilitar poder olhar todos eles de relance e voar. No Pantanal, nos idos de 60/70 quase todos sabiam fazerisso, e faziam. Hoje, com todo avião tendo horizonte e GPS, não sabem mais voar assim.Aliás, nem há essa necessidade. a gente fazia aquilo por não ter outra coisa.Só vi um horizonte artificial pela primeira vez, com 10 anos de aviação. Foi no Campo de Marte-SP, quando comprei meu primeiro avião, que tinha rádio, mas que eu não sabia usar, porque em MT não havia com quem falar. Em Corumbá-MS (minha terra natal)destacavam-se o ANTENOR VIEIRA, o TONICO COSTA MARQUES e WILSON DE ALMEIDA, inclusive noturno para fazendas e delas para Corumbá. O balizamento era com fogueirinhas ou farol de trator.Em Poconé-MT (perto de Cuiabá)nós faziamos noturno dessa maneira, exceção para o INÁCIO BORÓRO, cujo avião não tinha farol.Só por isso, porque sabia fazer. Cito um caso especial lá de Poconé-MT, onde me casei, vivi e voei por muitos anos: JARI VAZ GUIMARÃES, ainda SEM BREVÊ, decolava às 3 da matina num Cessna 172, voava no pau e bola e ia amanhecer às 6, na porta da oficina HAR 3, do Arlindo, no antigo Aero Rural, em Campo Grande-MS, depois de atravessar o Pantanal de um lado prá outro. Eram TRES horas noturnas e bem esticadas.Hoje, Jari está brevetado e tem filho aviador e possui um Cessana 206.Um dos que fez esse vôo com ele foi o BRIGADEIRO PIRES, que na ocasião era o Comandante Geral dos Transportes Aéreos Militares e gostava de caçar onças lá no Pantanal de Poconé. Quem balizava a pista para todos nós eram os taxistas Dito Chinfrim e o Niltinho. Eles ficavam PERPENDICULAR com a metade da pista de 1.200 metros (tinha naquela ocasião)só para assinalar que até ali a gente tinha de decolar. O resto era com a gente.Muitas vezes, Agamenon, Ganchão (João Batista de Carvalho) e eu (Izidro)iamos acordar os fazendeiros na fazenda, bem no clarear do dia, porque tinhamos muitos vôos para fazer e era preciso começar bem cedo.Hoje é difícil conceber isso, mas aqueles eram outros tempos, com pouca burocracia, mais destemor, quase nenhuma fiscalização. Dos antigos aviadores de Poconé, uma excelente praça para taxi aéreo (Lili, Amaury Furquim, Walter Rondon, Neco Rondon,Vicente de Ató, Inácio Boróro,Izidro, Arlindo, Mauro, Jari, Ganchão e mais 2 falecidos, só Jari e Ganchão estão na lida. Ganchão está com 70 anos.Há mais 3 aviadores novos, filhos do antigos. A Aviação Naval no Brasil, já na década de 30 já operava noturno com as pistas balizadas por potentes holofotes.O comandante ALDO PEREIRA DA COSTA, comandante de JUNKER trimotor para a CONDOR, depois CRUZEIRO DO SUL, e que tinha sido SARGENTO AVIADOR NAVAL, voando BOEING biplano, contou-me isso em carta com desenhos, na década de 90. COMENTARIO DO MODERADOR: . Genial o seu relato Izidro. Sei bem o que são esses vôos de Cessna no Pantanal. Minha família é de Cáceres (sou neto de Leopoldo Ambrosio, o Dr. Nito. Quem é da antiga naquela região deve lembrar dele). Havia muitos Rondon em Cáceres quando eu frequentava a cidade - a última vez foi há doze anos.

Izidro Simões enviou em 20/11/2007 as 00:03:

Marcelo Ambrósio, como conhece a região do Pantanal, tem noção das distâncias entre Corumbá e Cáceres e entre Poconé e Cáceres. Fui à Cáceres muitas vezes, mas quase sempre de passagem. Uma única vez, trabalhei para a CATAL - Cáceres Taxi Aéreo, do Nelson Dantas, durante pouco mais de um mês, porque ele súbitamente ficou sem piloto. Não tenho lembrança do Dr. Nito e minha mulher também não, porque Poconé-Cáceres é distante e naquele tempo a estrada era de terra e muito ruím. Rodei pela Amazônia toda e morei na fronteira com o Perú, no Acre, na Fazenda Califórnia, de onde voava tanto para Rio Branco, quanto para outras cidade acreanas e o Sul do Amazonas.A fazenda era do Grupo Atalla, donos da antiga COOPERSUCAR, no tempo em que patrocinavam o Emerson Fittipaldi, década de 70. Hoje,a fazenda tem outros donos. Em BOCA DO ACRE, cidade do Amazonas, no encontro do Rio Acre com o Purus, a gente pousava NA ÚNICA RUA que havia. Passávamos razante, todos saiam da rua e a gente pousava. Na decolagem, assim que se funcionava o motor, também saiam todos, até os cachorros, porque cachorro é danado para correr na frente de avião e causar acidentes (mais que alguns). A gente TAXIAVA até o final da rua ( rodava o avião até lá), e decolava.Em muitos lugares no Brasil - MT, Goiás, Pará, Rondônia, a gente pousava NA RUA, por não haver pista.Ninguém se considerava herói, mesmo porque não eramos. Fazíamos assim porque não tinha outro jeito. Na prática, sendo realista, rua e estrada são pistas; só não tem esse nome.Como se costuma dizer: fazia parte do show. COMENTARIO DO MODERADOR . Conheci o Nelson Dantas, ele frequentava a casa dos meus avós lá em Cáceres. Tenho a idade do filho dele, Nelsinho, que também é piloto. A estrada era muito ruim mesmo... Uma vez saímos para ir a um casamento em Poconé e eu lembro que foram mais de 12 horas na caçamba de uma C-10 comendo poeira. Suas histórias são fenomenais. Grande abraço

Izidro Simões enviou em 21/11/2007 as 03:12:

Não querendo abusar, mas já abusando, esse colega do Pantanal de Poconé-MT, apelidado GANCHÃO (João Batista de Carvalho) é uma figura especial, um caso à parte, tanto porque é e sempre foi de uma calma impressionante, quanto por ser DALTÔNICO e . . .GAGO! Como se vê, isso nunca impediu que voasse, e vôa até hoje; são 48 anos de profissão!Uma vida!

Mauricio de Queiroz enviou em 22/11/2007 as 22:01:

Amigão Izidro Simôes: acho que o amigo tem que trocar imediatamente seus óculos pois, em momento algum, eu escrevi que vooei AC520 "NO GARIMPO", como passou pela sua imaginação. Para seu govêrno, eu trabalhava em uma das centenas de empresas de mineração que existiam na região Sul do Pará na época, OK? Segundo, se vc. não soube do Cesnna armado que tentou voar na região naquela época, é por que vc. não estava lá, entendido? Só para ciência dos demais, as empresas de mineração, que trabalhavam com vários tipos de minério, encaravam o ouro como subproduto, visto não ter produtividade para ser explorado comercialmente. A cada quinze dias, este subproduto era transportado para Santarém pois, em Serra Pelada, não existia agência da Caixa Federal para a devida compra do produto. Isto ocorria com várias empresas mineradoras e daí o fato ocorrido. Outra coisa: se passa pela cabeça do amigo, que Serra Pelada ou qualquer outro garimpo razoável da região, estavam completamente isoladdos do resto do mundo à época, lamento informar ao amigo que tenho vários fotos do garimpão, que mostram toda a sorte de veículos de suporte: caminhões, kombis, e até Rural Willis, chegados diretamente, por via rodoviária, de Curionópolis, bem pertinho dali, além de vários outros veículos, chegados, em quase todos os garimpos da região, por via fluvial,tá? Aproveito a oportunidade e recomendo ao amigo Izidro um pouco menos de exaltação com relação ao assunto, para que não comprometa sua saúde. Ninguém aqui quer inventar ou contar mentira. Cada um conta sua experiência, não é? Um pedaço da minha história na Amazônia está aí. Se o amigo quizer sabê-la por inteiro, terei o maior prazer em contar-lhe, inclusive pessoalmente, caso tenhamos uma oportunidade, ok? Grande abraço

izidrosimões enviou em 23/11/2007 as 17:22:

Marcelo Ambrósio, como faço para remeter via email, fotos de garimpo para vc? O Maurício Queiroz, se estrepou. Tentou entrar em seara que não conhece, e só restou remendar mal e canhestramente as bobagens que disse. Gente que fala de OUVIR DIZER e propaga lendas de garimpo, tem aos montes. COMENTARIO DO MODERADOR . Caro Izidro, cada artigo no blog tem o e-mail para o caso de enviar alguma coisa direto. É só mandar por ali. Abs

izidro simões enviou em 23/11/2007 as 17:57:

Maurício Queiroz, GARIMPO e MINEIRAÇÃO só guardam semelhanças na busca do ouro. Garimpo e pista de garimpo, nunca foram a mesma coisa que mineiração e pista de mineiração. Da próxima vez, sugiro que seja bem claro, objetivo e específico, para seu próprio benefício. VC escreveu mal, fez-se entender mal e por via de consequencia, foi mal entendido. Sugiro - apenas como colaboração - que fale sempre de sua pessoal experiência, na primeira pessoa do singular. Assim, não haverá erros. Não precisa me dar nenhuma explicação. A comunidade garimpeira é muito conhecida entre si, e troca informações. Se vc ainda voa, tenha bons vôos, bons ventos e bom céu.

izidro simões enviou em 23/11/2007 as 18:26:

Só para registrar, anoto um fato que é histórico e grato à minha lembrança: voei o primeiro Minuano da EMBRAER (asa grossa)que saiu da linha de montagem, número de série 001, PT - EAC. Por todo o Acre e Sul do Amazonas, para o Grupo Atalla, da Coopersucar, (76/77) donos da fazenda Califórnia, no rio Embiras,fronteira com o Peru. Nele transportamos em VÁRIOS VÔOS, de Sena Madureira para a fazenda, (pouco mais de uma hora de vôo cada perna), cerca de 50 carneiros e cabritos de raça, dopados, mas assim mesmo bem amarrados nas patas e entre si, e com uma pessoa sentada neles com um pau, para alguma emergência. Depois, fui fazer o Curso de Aviação Agrícola - 2a.Turma do 11 CAVAG

Izidro Simões enviou em 24/11/2007 as 05:37:

Maurício Queiroz, minha mulher ficou muito aborrecida comigo, pela rudeza das palavras que lhe dirigi. Como sempre, ela tem razão. Ocorre que fico irritadíssimo quando ouço, leio ou vejo coisas de garimpo, que não condizem com a realidade. Você realmente não foi claro no texto, e deixou SUBENTENDIDO que estava dizendo que tinha voado em GARIMPO e inclusive com Aerocomander A 520, que sei bem que não se presta para essa operação, porque tenho razoável experiência nele e uma pequena no Caravan. Mesmo assim sendo, não deveria eu, de maneira nenhuma, ter tratado você com tanta desconsideração, ainda que se tenha equivocado ao contar a sua história. Desse modo, como tudo o que está aqui é colocado em público, para os que já leram e para os que lerão, faço o meu PEDIDO PÚBLICO DE DESCULPAS pelas palavras ásperas e mal educadas com que me referi a você. Entretanto, à guiza de evitar mal entendidos futuros, torno à sugerir não deixar subentendidos, e falar da própria experiência. Não só é mais seguro, como dará clareza ao que contar. Renovo meu pedido de DESCULPAS pela minha má educação. Peço que aceite e me acuse o recebimento desta.

mauricio de queiroz enviou em 24/11/2007 as 19:32:

Acho que sua resposta, por si só, nos mostra que o senhor parece meio confuso. Eu não misturei garimpo com mineração porque conheço, de sobra, os dois e também, neste blog, jamais fiz quaisquer comentários que não fossem na primeira pessoa. O senhor, com certeza, demonstra ter experiência nos assuntos relacionados ao tema de nossa conversa e isto eu respeito muitíssimo. Também entendo que o senhor não é nenhuma autoridade policial para questionar-me da forma com que o fez. Posso e darei quaisquer explicações ao senhor e aos amigos e colegas que participam deste blog, de forma amigável, sem agressividades gratuitas, entende? Mas, com a intenção de acabar com hostilidades desnecessárias e deixar espaço para que outros repartam suas experiências conosco, sugiro que, se necessário achar, continuemos este diálogo, através de nossos emails, não é mesmo? Aproveito a ocasião e informo aos que acompanham este relato, que em toda a minha permanência no sul do estado do Pará, proximidades de São Felix do Xingú, as únicas pistas de garimpo que utilizei foram as do Creporizão, em Jun 1990 (com AC520) e a do garimpo do Baiano,no Mato Grosso (com Cessna 182 Skl). Saúde e sucesso à todos!

mauricio de queiroz enviou em 26/11/2007 as 08:08:

Senhor Izidro: é óbvio que minha resposta acima, foi publicada DEPOIS do seu pedido de desculpas, razão pela qual o entendimento desta última, pode ser compreendido de forma truncada, ok? Agradeço a gentileza da sra. sua esposa e também a sua, por terem observado alguma distorção no tom de nossa conversa. Aceito duas desculpas e reconheço, com a mesma serenidade e humildade, que também agi, embora de forma defensiva, intempestivamente, e desculpo-me. Coloco-me à sua inteira disposição em meu email pessoal. Grande abraço e bons vôos!!

Izidro Simões enviou em 04/12/2007 as 19:46:

Que bom, Maurício de Queiroz. Ficamos de bem. Agradeço. Não é bom nem para o coração, cultivar inimizades. Chegamos ontem da Venezuela, para onde fomos com um casal de amigos, para Margarita, grande ilha venezuelana no Caribe, quase metade de Marajó. Há 20 anos resido em Roraima, e as férias dos brasileiros aqui do Norte, geralmente é lá na Venezuela. Fica MUITÍSSIMO mais barato que viajar pelo Brasil. Só para comparar, encher um tanque de 60 litros, com gasolina puríssima, custa apenas R 6,00 -seis reais! Dez centavos por litro! Ida e volta de Margarita, incluido os passeios por lá, não dá nem R$ 40,00 totais. Fomos não apenas para passear, quanto para assitir a votação do "SI" ou "NO". Cháves pensava mesmo que ganharia de lavada. Foi um susto nos chavistas, terem perdido, ainda que por pequeníssima margem. Agora Cháves sabe que só manda 50%. Foi uma festa dos anti-chavistas, que amanheceu, porque os do "SI" recolheram as bandeiras vermelhas e SUMIRAM. Não se via uma camisa vermelha na rua, nem para fazer remédio. Fomos ver de perto, quer dizer, não MUITO de perto, mas lá de Margarita, que fica bem distante de Caracas. Os venezuelanos (os do "NO" ao Chavez) estão felizes; algo parecido com o nosso tempo das DIRETAS JÁ! Vibramos todos por lá. Antes que me esqueça: a ilha é MARGARITA mesmo. Palavra latina, que quer dizer PÉROLA. Fica em frente da pequena ISLA DE COCHE, primeiro lugar onde Cristóvão construiu povoação, mas que foi arrasada por um tsunami naquelas épocas. Aí então, ele foi fazer pousada em outra parte mais distante. Alguns dos sobreviventes preferiram partir para essa grande ilha Margarita, que fica em frente de Coche. Depois, os espanhóis aumentaram a povoação e construiram duas fortalezas, que ainda existem intactas, inclusive com as masmorras, por onde o mar entra na maré alta, e que quase afogava os prisioneiros. Era mais um castigo, além da prisão. Os espanhóis eram mesmo malvados.

Izidro Simões enviou em 04/12/2007 as 20:57:

Marcelo Ambrósio, não entendi como remeter fotos para você. Pedi ajuda e a pessoa também não entendeu. Você disse que em cada ARTIGO no blog tem e-mail, mas, onde? Não achamos e nem entendemos. Tenho fotos de garimpo já selecionadas. COMENTÁRIO DO MODERADOR . Desculpe a confusão Izidro: o email está disponível no blog dedicado à aviação que tenho também no JBOnline. Procure o blog SLOT e você terá um espaço totalmente dedicado a tudo sobre aviões, aeroportos, pilotos, passageiros, companhias, histórias e dicas. O seu material é excepcional, garanto que se vc enviar a repercussão será bem grande. Abs

Izidro Simões enviou em 05/12/2007 as 06:21:

Marcelo, agradeço os esclarecimentos; tentarei por lá. Nas histórias dos pilotos de Poconé, errei ao escrever MAURO; é LAURO, que faleceu num acidente em 71, se não me engano. Estava como passageiro do INÁCIO BORÓRO, que também tinha a esposa NEUZA a bordo. O avião do Inácio era um PA 20 (tela)que estava fazendo pequena revisão na oficina do ORIDES FERNANDES em SANTO ANTONIO DO LEVERGER, pertinho de Cuiabá. Inácio me havia oferecido carona para Poconé (100 Km distante)porque meu avião também estava nessa oficina, mas preferi ficar mais um dia por lá, esperando aprontar o avião. LAURO, cujo avião também estava na revisão, aceitou a carona. Em Mato Grosso, na época da queimada, voa-se a 500 pés (150 metros)sem ver quase nada na vertical, isto é, olhando prá baixo. O aeroporto de Cuiabá fecha muitas vezes IFR (vôo por instrumentos, o tal popular "vôo cego", mas que não é cego) por falta quase total de visibilidade. Quem já foi ao Pantanal nessa época, conhece o fato. Na rota, uns 10 minutos de vôo depois da decolagem, cairam em espiral, por colisão com um tuiuiu (jaburú - ave símbolo do Pantanal). O passarão é grandão mesmo. Tem mais de 2 metros de asas abertas e voa desde perto do chão até uns 10 mil pés (3.000 metros) sobre a região pantaneira, onde quem voa alto no bom tempo, pode encontrar e ver uns poucos aqui ou ali, dispersos ou voando em dupla. O avião caiu uns 100 metros perto de alguns "cerqueiros" ( fazedores de cercas)numa fazenda, que ouviram o som do motor e o estrondo. Deduz-se da colisão com o pássaro, por causa de algumas penas cravadas no montante do avião, o que fez com a asa fechasse. Montante, para quem não tem intimidade com avião, é aquela vara de metal que fica presa no corpo do avião e que mantém as asas levantadas. Se alguma coisa bate ali com força, quebra a vara ou flamba (enverga). Com isso, a asa desce, do mesmo modo como um animal "murcha" a orelha. Sem asa . . . Lauro era bem jovem,casado, ia ser pai dali uns meses. Distintíssimo.

Izidro Simões enviou em 05/12/2007 as 06:36:

Para quem queira conhecer Poconé, existe um site chamado POCONEONLINE (sem acento na letra E) Basta entrar no Google e na parte de PESQUISA, colocar aspas e escrever Poconé). Vão aparecer várias coisas sobre a cidade, sobre o Pabntanal, pousadas e o site POCONEONLINE. Em Poconé é que está o hotel do SESC dentro do Pantanal. Tem pista asfaltada, estação de passageiros e recebe aviões até o porte de um Brasília. Ali perto está a ILHA CAMARGO. Há uns 30 anos é propriedade particular da empreiteira CAMARGO CORREA, e que também tem pista asfaltada. Não longe daí, na parte do Pantanal de Rondonópolis, é que fica a fazenda TRES MARIAS, que foi antiga propriedade de JANGO GOULART.

Izidro Simões enviou em 06/12/2007 as 12:18:

Marcelo Ambrósio, meu filho convenceu-me de que as fotos estão mal editadas e que é preciso modificar, colocando textos bem explicativos. Como não sou bom nisso, vou mandar fazer. Assim que estiverem prontas, envio para o SLOT.

mauricio de queiroz enviou em 08/02/2008 as 21:12:

Prezado Marcelo e amigos que frequentam este blog: Tenho estranhado muito, a interrupção dos diálogos neste blog. Vejam que o último comentário ocorreu dia 06 de Dezembro do ano passado. De lá para cá, ninguém mais opinou, comentou, discutiu e isto me deixa preocupado em razão de achar que os problemas (perfeitamente e muito bem resolvidos), entre eu e o Sr. Izidro Simões, possam ter interferido na frequencia de outros participantes. Esclareço que, de forma alguma pretendi criar tensões desnecessárias, à ponto de prejudicar a publicação do Blog. Meu entendimento com o Sr. Izidro, ocorreu de forma equilibrada e correta, próprias de pessoas adultas e educadas e tenham certeza que não restaram quaisquer mágoas de minha parte e com certeza da parte do sr. Izidro também. Acho que este é o local ideal para discussões avançadas da atual situação da aviação no Brasil, para que os problemas atuais sejam discutidos e analizados pelas autoridades, como forma de contribuição da principal classe envolvida: os PLAs de nosso Brasil. Abraços a todos e bons vôos COMENTARIO DO MODERADOR .Fique tranquilo, caro Maurício. Você não está encontrando comentários nesse blog sobre aviação porque o pessoal prefere postar no outro blog que mantenho, específico sobre esse tema (SLOT). Na mesma página do JBOnline que hospeda esse de análise internacional você encontrará o outro espaço, que tem tudo sobre o tema. Abs

Valéria Wolf enviou em 29/02/2008 as 21:53:

Olá Sr MArcelo. Gostaria de saber se o sr. lembra de ter voado outras vezes com o piloto IVAL ALVES ou até mesmo de alguma conversa que tenha tido com ele. Sei que já se passaram muitos anos e que esse tipo de informação já pode ter sido esquecida, mas isso é de grande importancia para mim. Aguardarei uma resposta obrigada COMENTARIO DO MODERADOR Olá Valéria. Voei com o Ival durante o período em que trabalhei com a mineração Yukio Yoshidome, no garimpo de Lourenço, no Norte do Amapá. Esse período foi entre abril de 1985 e fim de fevereiro de 1986. Conversávamos pouco durante o vôo, até porque o barulho dentro do avião impede isso - não havia intercomunicadores, ele era um sujeito muito reservado, mas um excelente piloto. Nem sempre ele pilotava para nós, às vezes quem fazia a rota era um piloto contratado por ele. Depois disso não tive mais qualquer contato com o Ival. Espero que isso ajude.

Valéria Wolf enviou em 02/03/2008 as 20:39:

Olá sr. Marcelo obrigada por me responder, fiquei muito surpresa quando encontrei essa reportagem que citava o nome do meu PAI. Sou a filha mais nova, nasci em julho de 1985, periodo em que conheceu meu pai. Tenho uma irmã 2 anos mais velha chamada Luciana. Infelizmente meu pai faleceu no dia 21 de março de 2005... tenho certeza que ficaria feliz de ler o que o você escreveu. Obrigada por sua atenção. COMENTARIO DO MODERADOR - Lamento pelo seu pai, Valéria. Eu o conheci pouco mas sei que, como piloto, poucos o superaram. Tinha um sangue-frio inacreditável para voar nas condições em que voávamos naquela época. Quando você nasceu eu estava na Yukio Yoshidome, no garimpo de Lourenço. Ver o avião do Ival passando em cima do alojamento era uma sensação muito boa, era sinal de que tinha correspondência chegando e, eventualmente, de que eu ia sair dali por uns tempos. Fico feliz de saber que vocês gostaram do que escrevi

Ildefonso de Souza Magalhães Neto enviou em 08/06/2008 as 10:48:

Olá, Marcelo Ambrósio. Tenho 45 anos, sou piloto privado e me interesso muito pelas estórias da aviação de garimpo. Há dois anos, comprei um livro de um "piloto das antigas" - Sr. Luiz Mendonça, há anos radicado em Cuibá/Vársea Grande - que voou por muitos anos para madeireiros do Paraná, e nos garimpos também. Navegando pela Net, via Google, chegei ao seu blog. Muito interessante as estórias contadas por pilotos de garimpo. Gostaria que eles me enviassem fotos daquela época. Como faço para recebê-las? O senhor poderia me ajudar a divulgar meu e-mail? Por ora, muito oabrigado.

francisco caprio enviou em 19/01/2010 as 17:55:

ola pessoal..meu nome é Francisco Caprio começei a voar com meu pai em 1972 ,tinha apenas 13 anos ,ele tinha um cessna 172 o famoso pt-bam, depois comprou um cessna 182 , e assim foi ate ter 210 sertanejo . minuano . Voamos muito na amazonia , principalmente em garimpos e tbém qdo esta sendo colonizada e fundada, Alta floresta , Sinop, Juara,NOVO HORIZONTE , Rolin de Moura CACOAU, e outras cidades, não sou brevetado tenho 50 anos hj , mas tenho 5000 hs de voo todas na amazonia . e oq me deixa mais chateado e qdo um piloto cheio de carteiras, q so sabem voar com gps , criticar a aviação de garimpo , falar q , hj e outro mundo , é com certeza , mas, muitos q criticam nos pilotos umildes , sem breve , não tem coragem de pousar em uma pista de garimpo nem de passageiro , q dira como piloto . então não fomos nem somos inresponsaveis , fizemos o nosso trabalho, acidentes acontecem e vão acontecer, ate q pelas condiçôes não acnteceram muitos acidentes .obrigado e desculpem se pisei no calo de alguns

Armando de Britto Loureiro enviou em 08/02/2010 as 00:41:

Izidro de Arruda Simões, uma grande alegria em ver que o nobre colega ainda esta voando, eu que o conheço das carteiras do ginasio Dom Bosco de Corumbá e mais tarde das firmas de taxi aéreo de Cuiaba, dos garimpos, de pista de 200 metros feitos a FACÃO, da Escola de Aviação Agricola, na qual foi Xerife da nossa turma é com grande alegria que vi seu comentário.Abraços Loureiro

ARMANDO DE BRITTO LOUREIRO enviou em 08/02/2010 as 00:50:

GOSTARIA DE MANTER CONTATO COM IZIDRO DE ARRUDA SIMÕES, FOI MEU COLEGA DE GINASIO,DE AVIAÇÃO.

Alex Nogueira enviou em 11/08/2010 as 21:48:

Fica por aqui minha admiração pelos pilotos que voaram nos garimpos da amazonia. Tive a oportunidade de voar por lá na região de itaitubata-PA ainda quando criança com mais ou menos de oito anos de idade com meu PAI Miguel Nogueira, conhecido como INDIO. Dentre as aeronaves que voo as que me recordo são, C206 PT-CCB e o C210 PT-KOJ. Infelismente veio a falecer um grave acidente no dia seis de setembro de 1985. Um grande abraço a todos que participam e fazem deste BLOG uma continuidade da historia da aviação brasileira.


Comentar

:

:
: