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Para Roma, com Amor (com raiva, com ironia, com sarcasmo, com...)



Qualquer discurso sobre a dúvida que paira sobre uma remota possibilidade de Woody Allen estar deveras repetitivo se tornaria, antes de terminar o primeiro parágrafo, uma enorme falácia. Pois, o mestre Allen não está nem um pouco interessado em inovar, às custas de perder o sabor do seu bom e velho cinema de palavras e gestos.
Em Para Roma, com amor somos novamente brindados por aquela luz maravilhosa que tem acompanhado Woody Allen nesta sua fase guia turístico europeu. A Europa do diretor anda muito mais bela que a outra, a da crise econômica. E quem tem um pouco de amor ao cinema, tem obrigação de visitar esta exposição de citação cinematográfica. Woody Allen faz cinema com a matéria prima mais eficaz para tal: cinema.
Nesta última produção, a deixa é estar em Roma e isto é suficiente para as histórias do filme transpirarem Fellini e cia. Quando fala dos relacionamentos e seus paradoxais sentimentos, o diretor fala de cinema, quando critica, daquela forma mordaz com um riso no canto da boca, a efemeridade e a hipocrisia dessa sociedade, ele também está falando de cinema. Reinventa, cita, se apropria, parafraseia. Eu não sei qual nome ou termo dar a isso, só sei que Woody Allen sopra a poeira do senso crítico do espectador e nos faz descobrir o prazer de rir, sem nos acertar na cabeça, com uma piada mofada numa pegadinha, que de tão apelativa (“O que é tesão? Eu quero ter tesão!!!”) não nos dá outra alternativa a não ser he he he, e aí comeu?
A dedicatória amorosa a Roma traz a cidade que Allen enxerga, que de tão bela e viva é explicitamente assumida como personagem culpada ou responsável pelo o que acontece em seu território. Mas a declaração de amor a Roma nos alcança com tamanha força, pelo respeito quase natural de quem faz cinema pelo exercício de amar, sobretudo à vida, e de se rebelar contra a prática do fim em nome de novos modelos que se apresentam como revolucionários, mas que “na real” estacionam em um confortável e deprimente sofá vermelho, mortos. De sede. De fome. De frigidez.
Woody Allen foi para Europa para fazer cinema pro mundo e neste percurso perdeu o calendário e o mapa geográfico e, a língua variou, mesmo quando optou somente pelo inglês. E isso Mr. Allen fez em Para Roma, disse, pessoalmente, em seu bom inglês americano, ao dar corpo a um personagem demasiado humano, vestido em sua arrogância, enrustindo uma certa pequenez, que a “parada” é universal, transcedental, e coisa e tal.

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