RSS Feeds

Uma Longa viagem



"(...) Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda (...)”
(Cecília Meireles)



Em uma via de mão dupla, Lúcia Murat, em um misto de confissão e dramatização, desvela uma árdua história de ser livre como antídoto e de ser livre como veneno. No documentário Uma longa viagem, a diretora visita novamente o tema dos anos da ditadura militar no Brasil, como fez em Que bom te ver viva. Desta vez, Lúcia acompanha as memórias de seu irmão mais novo, Heitor, em uma viagem que não se distingue durante o filme, entre a real e a entorpecente.

Com um processo de narrativa inusitado, busca, dentro, o que mais a atingiu fora, num contexto de atrocidades em relação ao seu corpo e à sua memória. Lúcia fala de um aniquilamento que provoca a sua prisão e de uma certa forma, de maneira contundente, a prisão do mais livre de sua família, Heitor. E relata, delata, invisíveis grades que se estendem diante da consciência, diferentes, mas tão igualmente nocivas, como as de ferro que se erguiam diante dela.

A leitura das cartas que Heitor trocava com a família se materializa e retira da subjetividade os anos em que os irmãos seguem por caminhos distintos, buscando o mesmo ponto de chegada: a transgressão, auxílio luxuoso dos que pensavam e almejavam ser livres. Enquanto Lúcia se encontrava imobilizada em nome da liberdade, Heitor, seu irmão, em movimento, se desconstroi e não abre mão do seu direito de ir e vir imposto. Ela, livre, dentro de sua mente subvesiva, pronta para transgredir. Ele, prisioneiro, solto no mundo, refém de seus delírios, encarcerado dentro de si. Ambos na construção de um caminho que os levassem ao encontro.

« anterior próximo »

Comentários


Não há comentários

Comentar

:

:
: