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Tomboy- Um Ensaio delicado sobre uma questão delicada



No ano passado muitas discussões aconteceram por conta do kit anti-homofobia que o MEC preparava para distribuir nas escolas. Diante do protesto da bancada evangélica a presidenta Dilma Rousseff suspendeu a distribuição com a justificativa de que qualquer material relacionado a “costumes” deve, antes de ser publicada e distribuída, passar por consulta aos setores interessados da sociedade. Alegando ainda que o material era inadequado para o fim desejado.
(fonte Folha)

Tal tema é de extrema delicadeza. Mas, há tempos que o assunto homofobia precisa de mais atenção e de uma discussão séria, principalmente dentro das escolas. A forma é um problema a ser resolvido, ainda mais em se tratando do público infatojuvenil. Temer o embate com a questão é a construção de uma população ignorante e preconceituosa, o que facilmente resultará em uma sociedade sem respeito e violenta.



Deixando a realidade de lado, voltemos ao mundo do cinema, já que muitas vezes é pela verve da arte e sob o desenho da ficção que se prestam grandes serviços ao mundo real. Tomboy da diretora Céline Sciamma esbanja delicadeza para abordar um tema espinhoso na sociedade contemporânea/conservadora: a homossexualidade numa perspectiva infantil.

A história fala de Laura uma menina de dez anos que se comporta e se faz passar, entre os colegas, por um menino. Sua condição nada tem a ver com maus tratos familiares ou experiências sexuais precoces. Laura, que durante boa parte do filme é chamada de Mikael, se sente um menino, apenas, e a partir de um mau entendido, quando é confundida com um garoto, deixa fluir, vivendo aquela mentira como uma válvula de escape para toda sua necessidade.

Céline opta por uma história doce dentro de um ambiente familiar harmonioso. Toda a carga de tensão reside no interior de Laura, onde o ponto de vista fica concentrado e uma situação densa vai se instalando com o decorrer dos acontecimentos. O espectador recebe todo peso, como se a direção fizesse com que nos coloquemos no lugar da personagem. Com isso, somos postos diante de nossos preconceitos e nossa resistência ao diferente do padrão. Sem levar o filme para o canto escuro do mundo, a diretora nos fala de amor, medo e tolerância. Não grita, fala baixinho aos nossos ouvidos uma história bem delicada.

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Comentários


Comentários

Marcos Lúcio enviou em 27/01/2012 as 21:48:

Perfeito seu comentário...parabéns! Tive o prifilégio de assistir, meio incrédulo... por tamanha verdade e naturalidade que o filme brilhantemente transmite, inclusive no ambiente onde é filmada a maioria das belas e sensíveis cenas: em um bosque, enfim, na natureza, para demonstrar o óbvio para quem conhece sua própria sexualidade, ou seja, que ela é , naturalmente um dado pu uma condição ou uma imposição da naureza, portanto, inegociável. Jamais conheci um ser humano que tenha podido escolher, espontaneamente, o seu desejo erótico e sei que não existiu e nem existe..Acrescento o magnífico trabalho dos atores mirins, especialmente da persona central do enredo _linda e talentosíssima menina_ que é de cair o queixo.Imperdível e inesquecível, pelo menso para quem tem ou conhece seus desejos afetivos e eróticos, sejam eles quais forem... Advertência aos robotizados ou automatizados: passem longe do cinema, ok?

Loi Bueno enviou em 01/02/2012 as 08:13:

Os seres vivos são DIVIDIDOS em macho e Femea. Concavo e convexo. Anatômicamente se completam. O planeta é assim! Mulher brincando de jogar bola ou menino brincando de boneca, normal! Porque tem que ser menina rosa, homem azul? Pod ser Homem de rosa e Mulher de azul. Nem por isto este tem a obrigação de por gostar do azul/rosa mudar a trajetória da espécie. Da sua especie. Esta cobrança de ter que mudar por ter saído do padrão: "Você é mulher gosta de jogar bola então você é menido!" E Você é homem e gosta de boneca? Você é mulherzinha! Acho que é neste ponto que começa a discriminação.


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