Patrick 1.5

O filme Patrick 1.5, da diretora Ella Lemhagen, que nunca deixou um rastro muito marcante com suas produções, trata de um assunto cada vez mais comum no cinema sem ser repetitivo. Nesse novo projeto, nem tão novo, de 2008, que estreou por aqui esta semana, ela aposta numa comédia dramática onde um casal homossexual tenta formar sua família com a adoção de um filho. Um equívoco cometido pelo departamento de adoção em uma correspondência ao casal dá inicio a uma confusão que trará a tona problemas que ambos mantinham latentes.
O filme de Ella traz consigo o estigma de mais uma história de preconceitos com um discurso politicamente correto. No entanto, passados os primeiros dez minutos de projeção, nos despimos desse outro preconceito e nos deixamos envolver por uma narrativa que pesa muito mais pela humanidade nela contida. Três pessoas se cruzam e, precisando uma da outra, para de alguma forma se completarem, se estranham. Essa tensão criada entre Göran (Gustaf Skarsgård), Sven Skoogh (Torkel Petersson) e Patricki (Thomas Ljungman) faz emergir do trio, conflitos que delatam suas insatisfações com a vida. Os contratempos, responsáveis por boa parte do humor presente no filme, não sacrificam a história, muito menos ridicularizam o tema.
O fato da produção ser sueca traz uma perspectiva interessante, pois se tratando de um país mais tolerante em sua legislação com os direitos homossexuais e, que há pouco tempo teve aprovado o casamento gay dentro de sua principal congregação religiosa – a Luterana –, ainda assim padece com preconceitos e discriminação: já nas primeiras cenas do filme o casal Göran e Sven resolve morar em um condomínio familiar típico sueco e esbarram no constrangimento de uns e na homofobia extrema de outros.
Essa história, baseada numa peça de Michael Druker, realiza bem seu argumento no discurso cinematográfico. A busca terna de Göran por um filho para amar e ser família; a busca de Sven, de forma brusca, por segurança; ou a busca de ser amado, pelo intenso Patricki. Não importa como seja essa busca, a sensação no final da projeção é de que todas elas levam a um só lugar: ao aconchegante estado de felicidade.