O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.
Mario Quintana
Encontro com autores
Dia 07/09 - 18h
Participante: Anne Rice
Mediadora: Claudia Chaves
Anne Rice: A escritora americana publicou em 1976 o romance Entrevista com o vampiro, no qual rejuvenesceu e humanizou a figura clássica da criatura das trevas, se tornando referência para várias gerações de autores e leitores. A autora, que já esteve no Brasil a passeio e nunca escondeu a simpatia pelo país, pela primeira vez se reunirá com os brasileiros para debater sua obra e trajetória. Todos os livros da autora vêm sendo reeditados, com novo projeto gráfico, pela editora Rocco. Na Bienal, Anne Rice lançará o romance De amor e maldade, segundo volume da trilogia iniciada em novembro de 2010 com Tempo dos anjos.
Café Literário
Dia 11/09 - 15:30
Da letra à tela
Participantes: Marc Levy e Scott Turow
Mediador: Rodrigo Fonseca
Marc Levy: É o autor francês mais lido do mundo na atualidade, traduzido para 42 idiomas e com 23 milhões de livros vendidos. No Rio, o escritor lançará seu mais novo romance, Tudo aquilo que nunca foi dito (Objetiva), que fala da relação conturbada entre uma mulher e seu pai, que morre pouco antes da cerimônia de casamento da filha. Levy é autor de E se fosse verdade?, adaptado para o cinema nos Estados Unidos em produção estrelada por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo.
Scott Turow: Considerado um mestre dos suspenses de tribunal, é autor de Acima de qualquer suspeita, romance de 1987 que ganhou os cinemas com Harrison Ford no papel principal. Duas décadas e 25 milhões de exemplares mais tarde, ele lançará na Bienal O inocente (Record), continuação de seu maior sucesso. Formado em direito, exerce até hoje a profissão em Chicago, sua cidade natal.
Com a proposta de narrar a história do pai, a diretora Flavia Castro consegue, com seu documentário Diário de Uma Busca, contar sua própria história. Quando aponta sua câmera para uma idéia que existe, principalmente, em sua memória, parece percorrer de volta o labirinto de uma vida que, apesar de rica em acontecimentos estranhos para uma criança, é também a história triste de uma geração.
Diário de uma Busca é narrado em primeira pessoa, apesar da câmera se encontrar em terceira pessoa. Celso Castro, militante político na década 60, exilado no Chile, juntamente com sua mulher Sandra, também militante, percorre a Argentina, a França e a Venezuela, em nome de um ideal e leva junto os filhos Flavia e Joca, que são obrigados a crescer em meio às reuniões do Partido Comunista. O documentário segue os passos de Celso Castro através de suas cartas, fio condutor da história, até a volta ao Brasil, na Anistia, quando parece contabilizar as perdas e frustrações de uma época onde o ideal de um mundo melhor falava mais alto do que qualquer convenção familiar.
Flavia revisita esses países e usa sua geografia, arquitetura e antigas residências (aparelhos) como testemunhas mudas de um tempo em que o mundo buscava por transformações. A família e os amigos ajudam Flavia nessa busca e, em muitos momentos os depoimentos brotam realmente como surpreendentes descobertas para a diretora. Destaque para o momento em que sua mãe admite francamente que Flavia e seu irmão eram um estorvo.
O documentário pode soar fraco diante de seu argumento, mas torna-se tocante quando deixa de ser uma história pessoal e se transforma em um assunto que poderia ter acontecido com qualquer família nesses tempos difíceis, em que muitos deram seus melhores anos. A morte precoce de Celso e em situação suspeita, deixa o filme inacabado. Como o próprio Joca questiona, o filme não responde o que ele precisa saber: Por quê?
"(...) Uma linguagem, evidentemente, não se desenvolve em abstrato, mas em função de um projeto. O projeto mesmo que implícito, era contar estórias. O cinema tornava-se como que o herdeiro do folhetim do século XlX, que abastecia amplas camadas de leitores, e estava-se preparando para se tornar o grande contador de estória da primeira metade do século XX. A linguagem desenvolveu-se, portanto, para tornar o cinema apto a contar estórias; outras opções teriam sido possíveis, que o cinema desenvolvesse uma linguagem científica ou ensaística, mas foi a linguagem da ficção que predominou."(Bernardet, 1980, pp. 32-33)
Todos os dados que a história apresenta levam a um único caminho: o das estruturas narrativas. Como o cinema se origina na fotografia, inicialmente desconhece o poder narrativo e conta, ou melhor, mostra, suas "estórias" de forma estagnada, sem trabalhar com a continuidade relacionada a tempo e espaço. Os episódios ou imagens eram retratados de forma contínua e sem a liberdade da simultaneidade. Quadros eram apresentados um após o outro sem a possibilidade de sincronia temporal. "(...) Um salto qualitativo é dado quando o cinema deixa de relatar cenas que se sucedem no tempo e consegue dizer 'enquanto isto'"( BERNARDET, Jean-Claude, 1980)
Todo esse processo primitivo mostra que a criação da narrativa seria indispensável ao cinema – contar uma história com todos os seus ingredientes exige seqüências simultâneas e movimentação de câmara. Uma leitura da personagem pode ser feita apenas com um zoom, a aproximação pode evidenciar sua expressão – um dos detalhes narrativos-visuais, que dão ao expectador pistas para o seu envolvimento com a história.
Hoje, o cinema tem o que há de mais moderno no que diz respeito à imagem e ao som. O texto discursado pelo cinema utiliza-se dos mecanismos que a linguagem artística propõe e, através da narrativa visual, conta uma história. O cinema, uma obra que nasceu com o direito de se reinventar a cada filme, constrói com liberdade de estética uma dialética entre várias artes.
Antes do som, a linguagem cinematográfica já falava. Como na pintura e na fotografia, os signos estão presentes exprimindo o pensamento do artista. Uma manifestação do ser humano que se comunica com o outro pelo meio sensível. Uma leitura produzida com múltiplas possibilidades de significação. Em uma só película o universo de informação é vasto pois contar uma história com linguagem visual é traduzir o que um dia foi texto verbal/oral para imagem em movimento, reproduzir uma cena de um filme verbalmente é construir um novo filme, um novo texto. Os recursos utilizados pelo cineasta, independentemente da estética ou do estilo dos filmes, são elementos narrativos muito parecidos com os do romance. Uma seqüência de um filme tem a preocupação de informar ao expectador elementos importantes para que ele acompanhe a próxima seqüência deste filme com uma certa lógica.
A linguagem visual estimula o interesse da mente em relação a um determinado objeto. Os signos visuais induzem conceitos. As formas, cada vez mais presentes, de representação visual para informar vêm comprovar que a imagem tem grande destaque na atualidade.
A adaptação de obras literárias para o cinema não é um processo recente, é quase impossível separar a história desta, da história do cinema. Com o descobrimento do cinema e a possibilidade de retratar o mundo em movimento veio a necessidade de contar história através da imagem, e, onde mais poderiam se encontrar histórias prontas para filmar? O livro veio ao encontro do cinema, suas palavras vieram preencher o desenvolvimento narrativo do cinema. Já que, até então, o registro cinematográfico era apenas de cunho documental, com câmeras postas em alguns lugares movimentados da cidade, para captar imagens que aconteciam diante delas. A câmera era estática e sua visão limitada apenas registrava o que ocorria à sua frente.
A palavra ganha forma de imagem e o diálogo visual manifesta uma nova linguagem – a linguagem do cinema. O som, um grande aliado, reforça o conceito de narrativa, pois ajuda a manter o ritmo empregado à história, seja por meio da música, seja por meio de palavras que compõem os diálogos. Mesmo na época dos filmes mudos, por uma questão técnica e não estética, as projeções eram acompanhadas por instrumentos musicais, orquestras, legendas com diálogos e outros recursos que auxiliavam na decodificação das mensagens propostas pelos filmes
Em seu ensaio sobre a Visibilidade, Ítalo Calvino reflete sobre a relação da palavra e da imagem. Para o autor essa relação se realiza de duas maneiras: "O que parte da palavra para chegar à imagem visiva e o que parte de imagem visiva para chegar à expressão verbal."(Calvino, 1993, p. 99)
O primeiro processo corresponde, para ele, ao ato de leitura:
"Lemos, por exemplo, uma cena de romance ou reportagem de um acontecimento num jornal e, conforme a maior ou menor eficácia do texto, somos levados a ver a cena como se esta se desenrolasse diante dos nossos olhos, se não toda a cena, pelo menos fragmentos de detalhes que emergem do indistinto." (Calvino, 1993, p. 99)
A imagem, o movimento e o som são habitualmente considerados materiais inerentes ao cinema. Todavia, não se pode negar que, mesmo antes do surgimento dos meios tecnológicos que possibilitaram a existência do filme, tais elementos já integravam o fenômeno literário, graças à capacidade da linguagem em descrever e sugerir aspectos que tocam a sensibilidade e acionam os mecanismos de nossa imaginação. Conforme nos alerta o escritor italiano, "No cinema, a imagem que vemos na tela também passou por um texto escrito, foi primeiro ‘vista’ mentalmente por um diretor, em seguida reconstruída em sua corporeidade num set para ser finalmente fixada em fotogramas de um filme." (Calvino, 1993)
Na realidade, enquanto a linguagem escrita possibilita a projeção da imagem, do movimento e do som na mente do leitor, os meios tecnológicos facultam a plena exteriorização da linguagem visual, por meio da projeção de imagens em uma tela que se oferece à contemplação do olhar e à apreensão dos sentidos:
"Um filme, quando passa na tela, e um livro, no instante em que está sendo lido, não são apenas esses objetos que aparecem diante dos olhos. São também e principalmente o que começa a se criar no imaginário a partir do estímulo que vem da imagem e da letra." (Avellar, 1994, p.98)
RD
ADAPTAÇÃO: A LITERATURA NO CINEMA - Com curadoria e produção da atriz Leandra Leal, da jornalista Carolina Benjamin e dos roteiristas Rita Toledo e Lucas Paraizo, o festival é dedicado à relação da literatura com a cinematografia latino-americana reunindo produções do México, Argentina, Cuba e Brasil em sessões raras ou inéditas. As exibições dos filmes serão seguidas de debates com diretores, roteiristas e escritores nacionais e internacionais.
Programação:
Filmes:
23/08 terça-feira
Mostra Brasil – Retratos do Brasil
15h “Mutum” (Brasil, 2007) / 95”
Roteiro: Ana Luiza Martins Costa e Sandra Kogut, adaptado de João Guimarães Rosa.
Direção: Sandra Kogut. 35 mm. LIVRE
17h “ Vereda Tropical” (Brasil, 1977) / 18”
Roteiro e Direção: Joaquim Pedro de Andrade, adaptado de Pedro Maia Soares. 35 mm. 16 anos.
“Os Inconfidentes” (Brasil, 1972) / 100”
Roteiro e Direção: Joaquim Pedro de Andrade, adaptato a partir de trechos de Cecícia Meireles, Thomaz Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa e Inácio José de Alvarenga Peixoto. 35 mm. 16 anos.
19h30 “Menino de Engenho” (Brasil, 1965) / 81”
Roteiro e Direção: Walter Lima Jr., adaptado de José Lins do Rego. 35 mm. 12 anos.
24/08 quarta-feira
Mostra México – Olhares sobre Juan Rulfo I
17h “Pedro Páramo” (idem, México, 1966) / 105”
Roteiro: Carlos Fuentes, CarlosVelo e Manuel Barbachano, adaptado de Juan Rulfo.
Direção: Carlos Velo. DVD. 12 anos.
19h30 “Pedro Páramo” (idem, México, 1976) / 108”
Roteiro e Direção: José Bolaños, adaptado de Juan Rulfo. 35 mm. 12 anos.
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25/08 quinta-feira
Mostra Brasil – A Biblioteca de Walter Lima Jr.
14h30 “Inocência” (Brasil, 1983) / 118”
Roteiro: Walter Lima Jr. e Lima Barreto, adaptado de Visconde de Taunay.
Direção: Walter Lima Jr. DVD. 12 anos.
17h “A Ostra e o Vento” (Brasil, 1997) / 109″
Roteiro: Walter Lima Jr., adaptado de Moacir C. Lopes.
Direção: Walter Lima Jr. 35 mm. 14 anos.
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26/07 sexta-feira
Mostra Argentina – A Argentina de Marcelo Piñeyro
14h30 “O que você faria?” (“El Método”, Argentina, 2005) / 115”
Roteiro: Marcelo Piñeyro e Mateo Gil, adaptado de Jordi Galcerán.
Direção: Marcelo Piñeyro. 35 mm. 14 anos.
17h “Plata Quemada” (idem, Argentina, 2000) / 100”
Roteiro: Marcelo Piñeyro e Marcelo Figueras, adaptado de Ricardo Piglia.
Direção: Marcelo Piñeyro. 35 mm. 18 anos.
27/08 sábado
Mostra Brasil – Leituras de Marcelo Rubens Paiva
14h30 “Feliz Ano Velho” (Brasil, 1988) / 107”
Roteiro e Direção: Roberto Gervitz, adaptado de Marcelo Rubens Paiva. 35 mm. 16 anos.
17h “Malu de Bicicleta” (Brasil, 2010) / 90”
Roteiro: Marcelo Rubens Paiva, adaptado de livro próprio.
Direção: Flávio Tambellini. 35 mm. 14 anos.
28/08 domingo
Mostra Argentina – Argentina e os Clássicos Modernos
14h30 “Lugares Comuns” (“Lugares Comunes”, Argentina, 2002) / 110”
Roteiro: Adolfo Aristarain e Kathy Saavedra, adaptado de Lorenzo Aristarain.
Direção: Adolfo Aristarain. 35 mm. 12 anos.
17h “Mentiras Piedosas” (“Mentiras Piadosas”, Argentina, 2009) / 100”
Roteiro e Direção: Diego Sabanés, adaptado de Julio Cortázar. 35 mm. 14 anos.
19h “Circe” (idem, Argentina, 1963) / 90”
Roteiro e Direção: Manuel Antin, adaptado de Julio Cortázar. 35 mm. 16 anos.
30/08 terça-feira
Mostra Brasil – Encontros de Mestres
17h “São Bernardo” (Brasil, 1972) / 111”
Roteiro e Direção: Leon Hirszman, adaptado de Graciliano Ramos. DVD. 10 anos.
19h30 “Vidas Secas” (Brasil, 1963)/– 103”
Roteiro e Direção: Nelson Pereira dos Santos, adaptado de Graciliano Ramos. 35 mm. LIVRE.
31/08 quarta-feira
Mostra México – Olhares sobre Juan Rulfo II
17h “O Galo de Ouro” (“El Gallo de Oro”, México, 1964) / 103”
Roteiro: Roberto Gavaldón e Gabriel García-Márquez, adaptado de Juan Rulfo.
Direção: Roberto Gaváldon. DVD. 14 anos.
19h “O Império da Fortuna” (“El Imperio de La Fortuna”, México, 1985) / 130”
Roteiro: Paz Alicia Garciadiego, adaptado de Juan Rulfo.
Direção: Arturo Ripstein. 35 mm. 12 anos.
01/09 quinta-feira
Mostra Cuba – Literatura e Revolução: o Personagem Cubano
15h “Memórias do Subdesenvolvimento”
(“Memorias del Subdesarrollo”, Cuba, 1968) / 97”
Roteiro e Direção: Tomás Gutiérrez Alea, adaptado de Edmundo Desnoes. 35 mm. 14 anos.
17h “Memórias do Desenvolvimento”
(“Memorias del Desarrollo”, Cuba / USA, 2010) / 112”
Roteiro e Direção: Miguel Coyula, adaptado de Edmundo Desnoes. Blu Ray. 14 anos.
02/09 sexta-feira
Mostra Cuba – Autores Cubanos
15h “Morango e Chocolate” (“Fresa y Chocolate”, Cuba, 1993) / 110”
Roteiro: Senel Paz, adaptado de conto próprio.
Direção: Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabio. 35 mm. 18 anos.
17h30 “Lista de Espera” (idem, Cuba / Colômbia, 2000) / 102”
Roteiro: Arturo Arango e Senel Paz, adaptado de conto de Arturo Arango.
Direção: Juan Carlos Tabio. 35 min. 10 anos.
03/09 sábado
Mostra México – Sonhos Mexicanos
14h “Ninguém Escreve ao Coronel”
(“El Coronel no Tiene a Quien Escriba”, México, 1998) / 118”
Roteiro: Paz Alicia Garciadiego, adaptado de Gabriel García-Márquez.
Direção: Arturo Ripstein. 35 mm. 14 anos.
16h30 “Princípio e Fim” (“Principio y Fin”, México, 1993) / 165”
Roteiro: Paz Alicia Garciadiego, adaptado de Naguib Mahfouz.
Direção: Arturo Ripstein. 35 mm. 12 anos.
04/09 domingo
Mostra Brasil – Machado de Assis no Cinema
15h “Memórias Póstumas” (Brasil, 2001) / 101”
Roteiro: André Klotzel e José Roberto Torero, adaptado de Machado de Assis.
Direção: André Klotzel. 35 mm. 14 anos.
17h “Brás Cubas” (Brasil, 1985) / 90”
Roteiro: Julio Bressane e Antônio Medina, adaptado de Machado de Assis.
Direção: Julio Bressane. 35 mm. 12 anos.
19h “A Erva do Rato” (Brasil, 2008) / 80”
Roteiro: Julio Bressane e Rosa Dias, adaptado de Machado de Assis.
Direção: Julio Bressane. 35 mm. 16 anos.
Debates
24/08 quarta-feira
Espaço SESC Copacabana
18h Ciclo Cinema e Literatura na América Latina: estética, política e adaptações
Mesa Políticas da adaptação: cinema e literatura na América Latina
Maurício Bragança (Departamento de Cinema e Audiovisual / UFF)
Rafael Mauricio Méndez (Artes Plásticas e Visuais, Universidad Distrital de Bogotá, Colômbia)
Mediação de Paula Sibilia (Departamento de Estudos Culturais / UFF)
20h Ciclo Obras em Processo
Mesa ‘Amores Expressos’ e a multiplicidade estética
Rodrigo Teixeira (idealizador e produtor do projeto multimídia ‘Amores Expressos’)
Daniel Galera (escritor dos livros Cordilheira e Até o Dia em que o Cão Morreu, entre outros)
Mediação de Carolina Benjamin (jornalista e produtora cultural)
25/08 quinta-feira
CAIXA Cultural RJ l Sala de Cinema 2
Ciclo Realizadores Latino-Americanos
19h30 Mesa Do Livro ao Set de Filmagem
Walter Lima Jr. (diretor de cinema)
Leandra Leal (atriz, protagonista de “A Ostra e o Vento”)
Mediação de André Lavaquial (diretor e fotógrafo)
26/07 sexta-feira
CAIXA Cultural RJ l Sala de Cinema 2
Ciclo Realizadores Latino-Americanos
19h Mesa Cinema Argentino Contemporâneo
Marcelo Piñeyro (diretor e roteirista argentino)
Juan Pablo Lattanzi (cineasta, foi diretor da Cinemateca do Museo del Cine Pablo Ducrós Hicken, Buenos Aires)
27/08 sábado
CAIXA Cultural RJ l Sala de Cinema 2
Ciclo Realizadores Latino-Americanos
19h Mesa Memórias e Literatura
Flávio Tambellini (produtor e diretor de cinema, TV e teatro)
Marcelo Rubens Paiva (escritor, autor teatral e jornalista)
Mediação de João Paulo Cuenca (escritor)
30/08 terça-feira
Espaço SESC Copacabana
18h Ciclo Cinema e Literatura na América Latina: estética, política e adaptações
Mesa Narrativa e Fabulações: contornos atuais no cinema latino-americano
Tadeu Capistrano (Escola de Belas Artes / UFRJ)
Hernán Ulm (Estética e História da Arte, Universidade de Salta, Argentina)
Mediação de Rodrigo Labriola (Departamento Letras e Literaturas Hispânicas / UFF)
20h Ciclo Obras em Processo
Mesa Autores de Cinema: os roteiristas e o mercado hoje
David França Mendes (roteirista de Corações Sujos e presidente da AC)
Renê Belmonte (roteirista de Se Eu Fosse Você e Assalto ao Banco Central)
Mediação de Clara Meirelles (roteirista)
31/08 quarta-feira
Espaço SESC Copacabana
18h Ciclo Cinema e Literatura na América Latina: estética, política e adaptações
Mesa Vida na Tela: as escritas de si no cinema latino-americano
Beatriz Jaguaribe (Escola de Comunicação / UFRJ)
Paula Sibilia (Departamento de Estudos Culturais / UFF)
Mediação de Lígia Diogo (Doutoranda em Comunicação / UFF)
20h Ciclo Obras em Processo
Mesa Adaptação: obra em processo
Botika (escritor e músico, autor de Búfalo)
Lucas Paraizo (roteirista responsável pela adaptação de Búfalo para o cinema)
Walter Carvalho (fotógrafo e cineasta, diretor de Búfalo)
01/09 quinta-feira
CAIXA Cultural RJ l Sala de Cinema 2
Ciclo Realizadores Latino-Americanos
19h Mesa A Experiência Cubana na Escola de Cinema EICTV
Orlando Senna (presidente da TAL – Televisão América Latina, foi diretor da EICTV e Secretário do Audiovisual)
Marcelo Müller (diretor e roteirista de cinema formado pela EICTV)
Mediação de Fellipe Barbosa (cineasta)
02/09 sexta-feira
CAIXA Cultural RJ l Sala de Cinema 2
Ciclo Realizadores Latino-Americanos
19h30 Mesa Cinema Cubano Contemporâneo
Arturo Arango (escritor e roteirista cubano)
Senel Paz (escritor e roteirista cubano)
Mediação de Lucas Paraizo (roteirista)
03/09 sábado
CAIXA Cultural RJ l Sala de Cinema 2
Ciclo Realizadores Latino-Americanos
19h30 Mesa A Escrita para o Cinema
Paz Alicia Garciadiego (roteirista mexicana)
José Carlos Avellar (crítico de cinema)
Mediação de Rita Toledo (roteirista e produtora cultural)
A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 15 a 21 de agosto a mostra “O cinema mágico de Georges Méliès”, que vai trazer aos Cinemas 1 e 2 uma retrospectiva cinematográfica apresentando os trabalhos de um visionário dos primórdios do cinema, cuja grande parte de sua obra se encontra deteriorada.
Num tempo em que o cinema ultrapassa sua condição de produtor de magia, com efeitos que nos levam para além da ilusão visual, a mostra O Cinema Mágico de Georges Meliès, que visita a Caixa Cultural, faz uma viagem à origem da sétima arte.
Lumière ficou conhecido dentro da sua história no cinema por documentar a vida cotidiana, já Georges Méliès foi o precursor no uso do cinema como expressão dramática. Como era mágico e diretor de teatro se apropriou dos elementos a sua volta como atores, cenários e maquilagem. Experimentou, fazendo superposição de imagens, escurecimento e clareamento, mas seu forte mesmo foi o teatro filmado. Fez muito sucesso e foi logo copiado. O mágico cineasta criador do efeito especial revela o cinema em sua forma mais original: o encanto e o entusiasmo da fotografia em movimento.
“Méliès colocara a câmera na Praça da Ópera, em Paris, e filmava o que se passava diante da objetiva. O aparelho parou durante 2 segundos e ele não percebeu. Na projeção, algo surpreendente apareceu: durante o tempo em que a Câmera se deteve, carros e pessoas seguiram sua marcha, e resultou que de um fotograma a outro um coletivo se converteu num carro fúnebre. Méliès encontrara a forma de um truque cinematográfico.”
Estou seguro de que a revolução digital vai interferir na elaboração de imagens e dar aos cineastas a possibilidade de trabalhar como verdadeiros animadores. Quando se liberar da escravidão da fotografia o cinema entrará no domínio que lhe é próprio, o da invenção de imagens. O que costumo chamar de cinema Casablanca tende a desaparecer. Quando a geração Nintendo se apoderar dos meios de produção não irá se contentar em ficar sentada quieta numa sala escura com o olhar fixo numa tela plana, bidimensional, coberta de sombras. A imaginação humana vai querer algo mais. Estagnado há pelo menos duas décadas, o cinema se encontra diante de uma desesperada necessidade de reinvenção: Ele precisa se reinventar para sobreviver.
Peter Greenway, maio de 1996.
PROGRAMAÇÃO – DE 15 A 21 DE AGOSTO
Dia 15 de agosto, segunda-feira
Cinemas 1 e 2 18h
Sessão 1 – Os primeiros filmes (1896 a 1900)
60 min. Classificação livre
Após a sessão, coquetel de abertura
Dia 16 de agosto, terça feira
Cinema 1 17h
Sessão 2 – Filmes de 1900 e 1901
55 min. Classificação livre
Cinema 2 18h
Sessão 3 – Filmes de 1902 e 1903
58 min. Classificação livre
Cinema 1 19h
Sessão novas descobertas I (1896 a 1907)
55 min. Classificação 12 anos
Dia 17 de agosto, quarta feira
Cinema 1 17h
Sessão 4 – Filmes de 1903
60 min. Classificação livre
Cinema 2 18h
Sessão 5 – Filmes de 1903 e 1904
53 min. Classificação livre
Cinema 1 19h
Sessão 6 – Filmes de 1904 e 1905
53 min. Classificação livre
Dia 18 de agosto, quinta feira
Cinema 1 17h
Sessão 7 – Filmes de 1905 e 1906
56 min. Classificação livre
Cinema 2 18h
Sessão 8 – Filmes de 1906
56 min. Classificação livre
Cinema 1 19h
A conquista do pólo (filme em 35mm com acompanhamento musical de Cadu Pereira)
30 min. Classificação livre
Após a sessão, palestra “Méliès, um cineasta entre dois mundos”, por Hernani Heffner
Dia 19 de agosto, sexta feira
Cinema 1 17h
Sessão 9 – Filmes de 1907 e 1908
60 min. Classificação livre
Cinema 2 18h
Sessão 10 – Filmes de 1908 parte I
55 min. Classificação livre
Cinema 1 19h
Sessão 16mm (filmes em película 16mm, com acompanhamento musical de Cadu Pereira)
70 min. Classificação livre
Dia 20 de agosto, sábado
Cinema 1 17h
Sessão 11 – Filmes de 1908 parte II
53 min. Classificação livre
Cinema 2 18h
Sessão 12 – Filmes de 1908 a 1909
40 min. Classificação livre
Cinema 1 19h
Sessão novas descobertas II (1907 a 1911)
58 min. Classificação 12 anos
Dia 21 de agosto, domingo
Cinema 1 17h
Sessão 13 – Filmes de 1911 e 1912
40 min. Classificação livre
Cinema 2 18h
Sessão 14 – Os últimos filmes (1912 e 1913)
56 min. Classificação livre
Cinema 1 19h
Sessão Panorama
103 min. Classificação 12 anos
Oficina de stop-motion
20 vagas
Dias 20 e 21 de agosto
De 10h a 19h
Carga horária: 16h