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Guerra ao Terror dá o primeiro prêmio a uma cineasta na história do Oscar.

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Quem assistiu a um filme de guerra, assistiu a todos? Talvez não. O olhar sobre esse tema pode enxergar nuances antes ignoradas. Guerra ao Terror de Kathryn Bigelow nos apresenta, com uma lente bem próxima, a tarefa de um soldado específico, o “especialista” em desarmar bombas. O que no primeiro momento nos dá a impressão de que a história se trata de paz. Engano. Guerra ao Terror poderia prestar um grande serviço a toda essa discussão que ronda o assunto dos militares americanos no Iraque, porém a diretora deixa bem claro que essa não é sua pretensão e a história se limita ao interior dos indivíduos fardados.

Alguns aspectos peculiares dessa guerra são apresentados para os que ainda os desconhecem. Os lugares inusitados de se encontrarem bombas. O caso de um homem bomba arrependido, pedindo ajuda. A convivência dos soldados com a comunidade local, ora hostil, ora amistosa. Todo esse contexto é absorvido pela câmera de Kathryn e desenhado numa ficção, que apesar de muito próxima da realidade, não quer se aprofundar nela.

O filme volta ao lugar comum, em uma história com essa temática, quando se preserva no íntimo do soldado, buscando em seus conflitos o caminho para a reflexão. Situações e questões já muito visitadas – não estou preparado para morrer, quero ter um filho, blá blá blá. Assim como o herói, ou anti-herói, que não vê sentido na vida e se põe em risco, contrariando todo seu senso destemido de salvar a vida de outros.

Guerra ao Terror travou uma batalha com Avatar, que por sua vez, com sua mega produção, também fala de outro tipo de guerra. Mas, James Camerom levou sua fantasia as últimas consequências e a academia premiou a realidade fictícia. Parabéns, nesse dia internacional da mulher, para Kathryn Bigelow que rompeu o tabu das diretoras no Oscar. Sua abordagem, ainda que deixasse a desejar, foi superior a toda extravagância e fraca história de Avatar.




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Amor Sem Escalas (Up in the Air, 2009) Mais uma boa adaptação de Jason Reitman - Oscar 2010

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O ser humano contemporâneo mora no filme Amor Sem Escalas, título em português totalmente equivocado. Mesmo que a idealização de suas personagens seja dentro de uma perspectiva norte americana, com suas mazelas existenciais, o tema ganha proporções universais, considerando o fato de que os problemas que afligem a sociedade atual são como uma peste, contaminando a raça humana.

A solidão, o individualismo, o consumismo, o descarte profissional, a falta de vínculo – uma série de posturas e atitudes que transformam o homem em um ser só e superficial. A construção de uma vida perfeita dentro de um mundo que espera do sujeito resultados positivos e rentáveis, construindo um novo ser. Sem residência, sem família, sem contatos mais profundos com o outro. Confinado em si mesmo, este herói moderno resiste e se mantém frio nos relacionamentos humanos.

George Clooney como Ryan Bingham percorre o caminho de quem parece ter total controle de sua vida. Exemplo disso é o relacionamento que mantém com a personagem de Vera Farmiga, onde ele parece sempre ser quem dá as cartas. Mas durante sua jornada, Bingham vai se dando conta que suas necessidades vão de encontro ao seu ideal de vida, durante tanto tempo perseguido.

A mala que Ryan vai esvaziando, em suas palestras de auto-ajuda, para não ter âncoras que o impeçam de voar, se torna leve demais, se torna vazia de memórias essenciais. O seu ponto de vista é sempre do alto, sem se ater aos detalhes, sobrevoando a vida.

As angústias atribuídas ao protagonista nos levam a acreditar que podemos viver uma vida inteira em vão. Não importa o que pensamos na juventude, mas o que precisamos na maturidade. Viver é um risco e esse risco é muito maior quando optamos por um ideal de estabilidade sentimental, profissional ou moral. Somos responsáveis pelo silêncio em nossas vidas.

Jason Reitman parece perseguir reflexões com seus filmes – Obrigado Por Fumar e Juno – com assuntos que residem no coletivo e que muitas vezes estão nas entranhas da sociedade sem serem tocados, mas nem por isso são menos dolorosos. Um roteiro inteligente sem firulas ou experimentos desnecessários. Um filme que tem qualidade suficiente para ganhar um prêmio com a badalação do Oscar. Mas não vamos entrar no mérito dessa premiação.




Amor sem Escalas (Up in the Air, 2009)
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner (Baseado no livro de Walter Kim)
Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, Danny McBride, Zach Galifianakis e J.K. Simmons

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Preciosa – Uma História de Esperança. Oscar 2010

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Preciosa é o tipo de filme que carrega muito mais discursos do que o narrado em seu enredo. O drama, adaptado do livro Push (Sapphire) para o cinema, mexe em questões delicadas e sempre muito chocantes, apesar de não ser uma abordagem nova. A vida de uma menina de dezesseis anos, vítima de maus tratos físicos e morais, é o tema central do segundo longa do diretor Lee Daniels.

A adolescente e sua mãe contemplam o ódio mútuo dentro do mesmo espaço físico, como dois animais que se repelem e rosnam em nome de uma guerra que se instalou dentro de ambas sem pedir licença. Amarguras e maldade ocupando o vazio deixado pela falta de amor – uma história muito mais comum do que se pode imaginar.

O filme aponta para uma proposta densa sobre as misérias humanas e sua construção ganha com a apatia premente que Gabourey Sidibe empresta à personagem Clareece Precious Jones. Só mesmo um total desligamento da vida, uma total falta de expressão diante de sua rotina de violência e desprezo poderia manter alguém “vivo”, em tais condições. É assim que Preciosa passa a maior parte do seu tempo, alheia, imaginando como poderia ser se estivesse “viva”. Em um certo momento do filme, Clareece fala pela primeira vez em uma sala de aula e, diante de seu relato, é questionada pela professora sobre como se sentia por estar falando, sua resposta é simples: “aqui”. A interação com o outro a torna presente, a situa no espaço e tempo de sua existência.

Mas são nos devaneios da personagem que o diretor pesa a mão. Não há dúvida que todo colorido e excesso de leveza tem a função de atenuar os acontecimentos pesados da vida da adolescente. Nesses momentos há uma espécie de ruptura nas seqüências e o espectador é levado a uma desconexão com a história, cortando o envolvimento construído no momento anterior.

Não consigo enxergar uma história de esperança como cita o título. Provavelmente, muitos irão discordar de mim. O filme discute entre muitos assuntos, mesmo de forma não explícita, uma sociedade cruel, onde o negro, o gordo, o pobre... serão vítimas dos desdobramentos que sua condição humana provoca no outro. Ah!! Mas o filme não trata de disso?! Não! O filme trata de violência doméstica, brutalidade, ignorância, falta de amor...

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Um Olhar do Paraíso

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Morrer é a única coisa da qual supomos ter certeza nessa vida. E o filme Um Olhar do Paraíso traz a morte como um simples detalhe na caminhada do ser humano. O medo que ronda a existência parece ser o elemento que rege a história que Peter Jackson leva ao cinema.

O diretor não cai na armadilha comum à narrativa de um drama como esse e propõe uma representação edificante da vida pós-morte com soluções simples dentro de um discurso complexo para além do roteiro. Símbolos permeiam a história e constroem no visual, identificação com o imaginário, remetendo o espectador ao seu canto mais remoto do sentimento de perda.

Talvez, Um Olhar do Paraíso não se transforme em um dramalhão porque a atenção se volta para o desfecho óbvio pelo qual esperamos, ou melhor, exigimos, e ele não vem. A sede de vingança pela qual somos acometidos nos torna parte de um círculo vicioso de sensações que cultivamos durante a vida.

Quando acabamos de assistir ao filme ficamos com a impressão de que a única frase que faz sentido é “morrer todo mundo morre...”, dita por uma das personagens. O belo e o feio contemplam o mesmo espaço e, apesar de muitos críticos torcerem o nariz pelas evidentes referências a alguns filmes com essa temática, elas não chegam a derrubar a história. O pecado maior do filme fica por conta da fraca atuação de Mark Wahlberg e Rachel Weisz, que fazem os pais da narradora morta. Enquanto, Saoirse Ronan faz com nobreza a alma da adolescente Susie e Susan Sarandon, no papel da avó doidona, não perde a chance de mostrar a excelente atriz que é.
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Sinopse: Susie Salmon tem 14 anos, mora num bairro do subúrbio da Pensilvânia e é assassinada por um vizinho. Do céu, ela narra a história e mostra como a vida dos que viviam ao seu redor mudou após sua morte, bem como a busca por seu corpo ainda desaparecido.

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Só Dez por cento é Mentira, finalmente Estreia

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Para alguns documentários o objeto de sua investigação por si só basta. E é exatamente a sensação que temos ao assistir Só dez por cento é mentira, que estreia hoje depois de longo tempo de espera desde sua exibição no Festival do Rio 2008. O filme de Pedro Cezar tem a difícil missão de documentar a vida e obra do poeta Sul-mato-grossense Manoel de Barros. Que apesar de ser um escritor muito premiado, raramente se deixou registrar.

Depois de muita insistência, narrada no próprio filme, com muitas negativas regadas a argumentações poéticas que só mesmo Manoel de Barros poderia fazer, e quando o diretor quase já se dava por vencido, encerrando o assunto: “Tudo bem, Manoel, era só um sonho!” Finalmente, o poeta permite.

Somos embebedados pelas invenções do poeta e o documentário se desenha a partir das palavras que vão surgindo de sua boca, escritas na tela ou testemunhadas por seus descobridores. Manoel sorri das perguntas, como muitas vezes sua poesia sorri do mundo. Desmistifica a sobriedade que ronda a poesia e brinca de ser poeta com suas respostas.

A presença do narrador em alguns momentos sufoca a espontaneidade do filme. Mas, aí volta o Manoel de Barros e ela é recuperada. As imagens produzidas no filme não só são feitas pela sua fotografia, elas nos vão surgindo com as idéias que vamos tendo da vida por conta da poesia que, ora inventiva, ora engraçada, vai nos guiando.

O mérito do documentário acaba por nos proporcionar o poeta, dizer o Próprio Manoel de Barros e provar que nem assim é possível dimensioná-lo. Então, descobrimos que Ele não se esconde. Ele só não quer aparecer. Um filme que deixa a gente com vontade de ler poesia. Poesia de Manoel de Barros.

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Testamento Kieslowski - O Decálogo Versus Trilogia das Cores

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Não há como se esconder numa sala escura quando um filme te arrebata. Sentia-me sempre desprevenida de uma armadura natural quando assistia a um filme de Krzysztof Kieslowski (1941-1996), diretor polonês que perseguia, incansável, a poesia com seus filmes.

Kieslowski iniciou seu diálogo com a imagem, documentando a sociedade polonesa. Com seus documentários, acreditava que era possível revelar a realidade em sua plena dimensão, quando descobriu que isso não cabia no cinema, que o documentário era um gênero falso, decidiu buscar na ficção o caminho para mostrar sua realidade.

O diretor polonês se tornou mundialmente conhecido com seus filmes em francês: A Dupla Vida de Véronique (1991), seu primeiro longa falado em francês e a Trilogia das Cores – A Liberdade é Azul (1993), A Igualdade é Branca (1994) e A Fraternidade é vermelha (1995) e foi, em parte seu, o mérito dos momentos interessantes do cinema da década 90.

Seus filmes relatavam o que há de mais profundo nas relações humanas. Apontava nos detalhes os sentimentos presentes no homem, buscava em cada enquadramento o transpirar da cena e isso só era possível quando a luz, obediente como a música, dava aos seus planos os desígnios de sua forma, tão suave e tão forte.

Assim como Kieslowski abordou as utopias com sua alusão à bandeira da França na Trilogia das cores, fez também em uma produção para tv, O Decálogo, fazendo uma referência aos dez mandamentos. Essas produções estão sendo exibidas no CCBB – RJ até o dia 24/01, na mostra Testamento Kieslowski, onde ainda é possível assistir a um documentário sobre o diretor.

Programação:
• 19 de janeiro | terça
Cinema 1
19h | Documentário (82 min)

• 20 de janeiro | quarta
Cinema 1
18h | Decálogo 1 (55 min)
20h | Decálogo 2 (55 min)

• 21 de janeiro | quinta
Cinema 1
18h | Decálogo 3 (55 min)
20h | Decálogo 4 (55 min)

• 22 de janeiro | sexta
Cinema 1
18h | Decálogo 5 (55 min)
20h | Decálogo 6 (55 min)

• 23 de janeiro | sábado
Cinema 1
18h | Decálogo 7 (55 min)
20h | Decálogo 8 (55 min)

• 24 de janeiro | domingo
Cinema 1
18h | Decálogo 9 (55 min)
20h | Decálogo 10 (55 min)

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