Guerra ao Terror dá o primeiro prêmio a uma cineasta na história do Oscar.

Quem assistiu a um filme de guerra, assistiu a todos? Talvez não. O olhar sobre esse tema pode enxergar nuances antes ignoradas. Guerra ao Terror de Kathryn Bigelow nos apresenta, com uma lente bem próxima, a tarefa de um soldado específico, o “especialista” em desarmar bombas. O que no primeiro momento nos dá a impressão de que a história se trata de paz. Engano. Guerra ao Terror poderia prestar um grande serviço a toda essa discussão que ronda o assunto dos militares americanos no Iraque, porém a diretora deixa bem claro que essa não é sua pretensão e a história se limita ao interior dos indivíduos fardados.
Alguns aspectos peculiares dessa guerra são apresentados para os que ainda os desconhecem. Os lugares inusitados de se encontrarem bombas. O caso de um homem bomba arrependido, pedindo ajuda. A convivência dos soldados com a comunidade local, ora hostil, ora amistosa. Todo esse contexto é absorvido pela câmera de Kathryn e desenhado numa ficção, que apesar de muito próxima da realidade, não quer se aprofundar nela.
O filme volta ao lugar comum, em uma história com essa temática, quando se preserva no íntimo do soldado, buscando em seus conflitos o caminho para a reflexão. Situações e questões já muito visitadas – não estou preparado para morrer, quero ter um filho, blá blá blá. Assim como o herói, ou anti-herói, que não vê sentido na vida e se põe em risco, contrariando todo seu senso destemido de salvar a vida de outros.
Guerra ao Terror travou uma batalha com Avatar, que por sua vez, com sua mega produção, também fala de outro tipo de guerra. Mas, James Camerom levou sua fantasia as últimas consequências e a academia premiou a realidade fictícia. Parabéns, nesse dia internacional da mulher, para Kathryn Bigelow que rompeu o tabu das diretoras no Oscar. Sua abordagem, ainda que deixasse a desejar, foi superior a toda extravagância e fraca história de Avatar.





