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Só Dez por cento é Mentira, finalmente Estreia

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Para alguns documentários o objeto de sua investigação por si só basta. E é exatamente a sensação que temos ao assistir Só dez por cento é mentira, que estreia hoje depois de longo tempo de espera desde sua exibição no Festival do Rio 2008. O filme de Pedro Cezar tem a difícil missão de documentar a vida e obra do poeta Sul-mato-grossense Manoel de Barros. Que apesar de ser um escritor muito premiado, raramente se deixou registrar.

Depois de muita insistência, narrada no próprio filme, com muitas negativas regadas a argumentações poéticas que só mesmo Manoel de Barros poderia fazer, e quando o diretor quase já se dava por vencido, encerrando o assunto: “Tudo bem, Manoel, era só um sonho!” Finalmente, o poeta permite.

Somos embebedados pelas invenções do poeta e o documentário se desenha a partir das palavras que vão surgindo de sua boca, escritas na tela ou testemunhadas por seus descobridores. Manoel sorri das perguntas, como muitas vezes sua poesia sorri do mundo. Desmistifica a sobriedade que ronda a poesia e brinca de ser poeta com suas respostas.

A presença do narrador em alguns momentos sufoca a espontaneidade do filme. Mas, aí volta o Manoel de Barros e ela é recuperada. As imagens produzidas no filme não só são feitas pela sua fotografia, elas nos vão surgindo com as idéias que vamos tendo da vida por conta da poesia que, ora inventiva, ora engraçada, vai nos guiando.

O mérito do documentário acaba por nos proporcionar o poeta, dizer o Próprio Manoel de Barros e provar que nem assim é possível dimensioná-lo. Então, descobrimos que Ele não se esconde. Ele só não quer aparecer. Um filme que deixa a gente com vontade de ler poesia. Poesia de Manoel de Barros.

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Testamento Kieslowski - O Decálogo Versus Trilogia das Cores

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Não há como se esconder numa sala escura quando um filme te arrebata. Sentia-me sempre desprevenida de uma armadura natural quando assistia a um filme de Krzysztof Kieslowski (1941-1996), diretor polonês que perseguia, incansável, a poesia com seus filmes.

Kieslowski iniciou seu diálogo com a imagem, documentando a sociedade polonesa. Com seus documentários, acreditava que era possível revelar a realidade em sua plena dimensão, quando descobriu que isso não cabia no cinema, que o documentário era um gênero falso, decidiu buscar na ficção o caminho para mostrar sua realidade.

O diretor polonês se tornou mundialmente conhecido com seus filmes em francês: A Dupla Vida de Véronique (1991), seu primeiro longa falado em francês e a Trilogia das Cores – A Liberdade é Azul (1993), A Igualdade é Branca (1994) e A Fraternidade é vermelha (1995) e foi, em parte seu, o mérito dos momentos interessantes do cinema da década 90.

Seus filmes relatavam o que há de mais profundo nas relações humanas. Apontava nos detalhes os sentimentos presentes no homem, buscava em cada enquadramento o transpirar da cena e isso só era possível quando a luz, obediente como a música, dava aos seus planos os desígnios de sua forma, tão suave e tão forte.

Assim como Kieslowski abordou as utopias com sua alusão à bandeira da França na Trilogia das cores, fez também em uma produção para tv, O Decálogo, fazendo uma referência aos dez mandamentos. Essas produções estão sendo exibidas no CCBB – RJ até o dia 24/01, na mostra Testamento Kieslowski, onde ainda é possível assistir a um documentário sobre o diretor.

Programação:
• 19 de janeiro | terça
Cinema 1
19h | Documentário (82 min)

• 20 de janeiro | quarta
Cinema 1
18h | Decálogo 1 (55 min)
20h | Decálogo 2 (55 min)

• 21 de janeiro | quinta
Cinema 1
18h | Decálogo 3 (55 min)
20h | Decálogo 4 (55 min)

• 22 de janeiro | sexta
Cinema 1
18h | Decálogo 5 (55 min)
20h | Decálogo 6 (55 min)

• 23 de janeiro | sábado
Cinema 1
18h | Decálogo 7 (55 min)
20h | Decálogo 8 (55 min)

• 24 de janeiro | domingo
Cinema 1
18h | Decálogo 9 (55 min)
20h | Decálogo 10 (55 min)

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O globo de Ouro foi para:

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Nem Tarantino (Bastardos Inglórios), nem Jason Reitman (Amor Sem Escalas). Quem levou o Globo de Ouro foi James Cameron e seu Avatar. O ano de dois mil e nove se despediu com a estréia de Avatar, um filme que trouxe na bagagem uma expectativa muito além do que foi apresentado, pelo menos no que diz respeito ao roteiro e à apresentação dos personagens, ritmo óbvio e situações previsíveis. O mérito do filme reside mesmo nas inovações tecnológicas e nos belos efeitos visuais, o que poderia ter sido muito mais explorado pelo diretor, que optou por seqüências de soluções pueris com mensagens clichês e resultado um tanto morno para o peso da produção.

Talvez o mundo esteja mesmo precisando dos velhos conselhos, desbotadas placas de indicações de que o universo precisa de cuidados. Sustentabilidade, harmonia, solidariedade e muitas outras sinalizações estão presentes no discurso do filme e são muito bem vindas. No entanto, a retórica banaliza o assunto que pode ser de grande utilidade para a garotada que carece desse tipo de informação.

Os seres azuis do mundo de Pandora continuam elevando a bilheteria em busca do record de Titanic.

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Lula o Filho do Brasil

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Difícil assistir ao filme Lula o Filho do Brasil sem o pé no breque emocional, pois há nessa experiência o temor de que caiamos em uma armadilha cheia de apelos dramáticos que possam nos levar a crer no mito e esqueçamos o político e suas responsabilidades. Ainda que Lula, o filme, não tenha intenção de panfletar com o eleitorado, o perfil retratado no cinema nos inclina ao injustiçado, ao justo, ao honesto, ao predestinado. Há no filme uma desconstrução do herói idealista e o desenho de um pacato trabalhador que almejava, apenas, seu salário justo e honesto e que de repente é levado a lutar por sua classe.

Luis Inácio da Silva, personagem do filme Lula o filho do Brasil de Fábio Barreto, seria mais um brasileiro, não fosse ele se tornar o que é. A história conta um lado da vida do presidente que o enobrece e o humaniza. O olhar sobre a mãe Lindu é o ponto de partida dramático da história. A trajetória de Lula, já conhecida de todos, não provoca nenhuma surpresa, no entanto, comove como realidade de vários brasileiros que chegaram a São Paulo em cima de um pau-de-arara.

O cunho fabulesco dado ao drama simplifica a narrativa, ainda que não impetre no decorrer da história a mesmice comum aos filmes baseados numa realidade próxima de seu espectador. O roteiro, que tem como base o livro homônimo de Denise Paraná, conta a vida de Lula, desde seu nascimento em 1945, até 1980, quando se encontra no auge de sua popularidade como líder sindical.

As atuações nos permitem envolvimento. A evolução do ator Rui Ricardo Dias, no papel de Lula, nos faz acreditar no personagem, tamanha a qualidade de sua caracterização. O elenco presta grande favor ao filme.

Gostaria que o filme se rendesse mais à personagem de dona Lindu, mãe de Lula, explorasse sua força com tomadas mais contemplativas. No inicio tudo leva a crer que dona Lindu é o fio condutor da história, porém ela assume a condição de pano de fundo. Contudo a vida contada é a de Lula e como toda boa narrativa romanceada tem muito mais aspectos positivos.




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A Vida Intima de Pippa Lee

nullAssistir ao novo filme de Rebecca Miller não é só assistir a um discurso sobre as questões femininas de uma mulher de 50 anos. A vida íntima de Pippa Lee fala essencialmente do tempo, matéria prima de toda nossa existência, do que fazemos dele. Fala também dos caminhos que tomamos, e de nossas escolhas, muitas vezes motivadas pelo medo.

Robin Wright Penn, mesmo fazendo Pippa mais velha, é quem dá o corpo à personagem, já que a história fala exatamente do conflito temporal entre Pippa Lee e seu cotidiano com um homem 30 anos mais velho. Seus anseios e frustrações vão se manifestando e dando sinais em seu comportamento. Mas a personagem não sofre de angustias basicamente femininas, sua sensação de tempo perdido, suas dores camufladas por sonambulismo, seus desejos congelados, suas dúvidas e a quase desistência de si são questões humanas. O vazio que acompanha a protagonista, ainda que ela tenha uma vida confortável e aparentemente boa, é muito mais comum do que se imagina.

O filme tem um ritmo lento e tenta quebrar isso com o vai e vem do tempo na vida de Pippa Lee. Em alguns momentos seu passado é retratado de forma um tanto fantástica e quebra a monotonia cinza do presente da mulher que leva a vida para servir e cumprir suas tarefas diárias por gratidão ao homem que trouxe “lucidez” para sua vida.

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Pedro Almdóvar estreia esse mês Abraços Partidos nos cinemas e ganha uma retrospectiva de sua obra no CCBB RJ.

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O novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar, que estreia este mês, faz um mergulho inusitado no universo masculino. Um cineasta que dissecou com propriedade as complexidades femininas encontra refugio na dor da perda de um homem. Refugio da ameaça que rondava limitar sua obra. Se é que isso é possível! Pois, por mais similares que seus filmes sejam em tema, o resultado é sempre inovador, tenso, vivo e quente.

A narrativa de Abraços Partidos recupera um caminho que o experimento, contemporâneo, do cinema gosta de chamar de démodé. No entanto, é exatamente por esse viés que Almodóvar surpreende. Até aonde um contar clássico pode ser comum? Não nas mãos de Pedro Almodóvar.

Penélope Cruz está lá. E seu contorno é, apenas, o de musa. Assim como foi na vida do cineasta. Muitas vezes a mulher que carregou as mulheres vasculhadas pelo diretor. O assunto de sua atenção e injeção de mistério é um homem. Os sentidos e a escuridão guiam esse homem para criação de si mesmo. Mateo Blanco (Lluís Homar) na perda – do amor e da visão – destroços de um ser dolorido numa perspectiva masculina nunca antes filmada por Almodóvar.

O cinema falando do cinema, uma atriz fazendo uma aspirante a atriz, um diretor em busca de sua personagem à metalinguagem, banhando a história do cineasta que, com cores intensas, filma as complexidades humanas.



E para quem ainda não conhece as mulheres de Almodóvar, o CCBB faz uma retrospectiva de sua obra.

Primeira edição do programa CCBB Em Cine, no qual, com foco na formação de público, o CCBB apresenta retrospectivas de caráter formativo, sempre com entrada franca.

Pedro Almodóvar, o cineasta espanhol de maior expressão desde Luis Buñuel criou, com inconfundível marca autoral, uma galeria única de personagens irreverentes, exagerados, apaixonados, neuróticos, dramáticos, obsessivos que cometem excessos de todos os tipos, vivendo situações inusitadas entre o drama e a comédia.

SERVIÇO

Data: 24 de novembro a 6 de dezembro
Local: Cinema 2 | Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
Bilheteria/Informações: Terça a domingo, das 10h às 21h | Telefone: (21) 3808-2007
Entrada Franca | Senhas distribuídas na bilheteria do teatro
Classificação: 16 anos

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