Só Dez por cento é Mentira, finalmente Estreia

Para alguns documentários o objeto de sua investigação por si só basta. E é exatamente a sensação que temos ao assistir Só dez por cento é mentira, que estreia hoje depois de longo tempo de espera desde sua exibição no Festival do Rio 2008. O filme de Pedro Cezar tem a difícil missão de documentar a vida e obra do poeta Sul-mato-grossense Manoel de Barros. Que apesar de ser um escritor muito premiado, raramente se deixou registrar.
Depois de muita insistência, narrada no próprio filme, com muitas negativas regadas a argumentações poéticas que só mesmo Manoel de Barros poderia fazer, e quando o diretor quase já se dava por vencido, encerrando o assunto: “Tudo bem, Manoel, era só um sonho!” Finalmente, o poeta permite.
Somos embebedados pelas invenções do poeta e o documentário se desenha a partir das palavras que vão surgindo de sua boca, escritas na tela ou testemunhadas por seus descobridores. Manoel sorri das perguntas, como muitas vezes sua poesia sorri do mundo. Desmistifica a sobriedade que ronda a poesia e brinca de ser poeta com suas respostas.
A presença do narrador em alguns momentos sufoca a espontaneidade do filme. Mas, aí volta o Manoel de Barros e ela é recuperada. As imagens produzidas no filme não só são feitas pela sua fotografia, elas nos vão surgindo com as idéias que vamos tendo da vida por conta da poesia que, ora inventiva, ora engraçada, vai nos guiando.
O mérito do documentário acaba por nos proporcionar o poeta, dizer o Próprio Manoel de Barros e provar que nem assim é possível dimensioná-lo. Então, descobrimos que Ele não se esconde. Ele só não quer aparecer. Um filme que deixa a gente com vontade de ler poesia. Poesia de Manoel de Barros.


Assistir ao novo filme de Rebecca Miller não é só assistir a um discurso sobre as questões femininas de uma mulher de 50 anos. A vida íntima de Pippa Lee fala essencialmente do tempo, matéria prima de toda nossa existência, do que fazemos dele. Fala também dos caminhos que tomamos, e de nossas escolhas, muitas vezes motivadas pelo medo. 