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50 anos de Beatles - Uma história de Cinema na Caixa Cultural RJ traz George Harrison de Scorsese



De toda a magia que envolve a relação beatlemaníaca, muito pode ser captada na abordagem simples e limpa do diretor Martin Scorsese sobre o beatle George Harrison. E se há o que comemorar, e é claro que há, desses 50 anos dos Beatles numa mostra de cinema, não poderia faltar George Harrison: Living in the World, do diretor Martin Scorsese, que será exibido dentre os doze filmes que versam sobre a banda. Para além da música, os Beatles fizeram da imagem sua outra voz e dentro dessa perspectiva opinaram, se posicionaram e fizeram um rock mais orgânico, se manifestando culturalmente.

Chega de blá, blá, blá e vamos ao filme. O que Scorsese quer com quase 3 horas de filme, documentário produzido com todo material feito pelo próprio Harrison, que parecia um apaixonado pelo cinema diante da atmosfera de suas imagens? O mais provável é que ao se deparar com o próprio beatle em cenas auto-declarativas, alinhavando discursos temporais numa narrativa de vida, arte e espiritualidade, o que restava para o diretor era organizar seu discurso e promover um encontro de Harrison com as palavras de seus entrevistados.



O material caseiro do beatle e sua imagem na tela a olhar diretamente para o espectador é razão forte o suficiente para o experiente Scorsese dar luz a uma obra que se apresenta esteticamente com uma simplicidade raramente alcançada por grandes produções. A relação entre o olhar de Harrison e o olhar de Scorsese sobre a vida do músico é quase de dependência na construção do filme.

A divisão em partes onde é possível enxergar o beatle, o homem e sua espiritualidade nos resguarda de um envolvimento superficial e estimula em nós uma atração maior pelo que virá, transformando as quase três horas em puro prazer. O diretor nos propõe um outro George Harrison, nos mostrando ele mesmo, inteiro e simples. Pode até parecer uma forma seca de apresentar alguém, mas diante do argumento deixado pelo artista não havia outra forma de (re)apresentá-lo ao mundo. Um filme para ouvir e ver, mesmo sem a euforia de fã.




Programação:

6 de junho (quinta-feira):
16h - "Febre de Juventude", de Robert Zemeckis (Inglaterra, 1978, 104 min, 12 anos)
18h - "What's happening! The Beatles in USA", de Albert Maysles e David Maysles (EUA, 1964, 81 min, 12 anos)
19h30 - Palestra: "Beatles através do cinema - 5 décadas de som e imagem cinema" - Palestrante: Fernando Ceylão (ator, autor, diretor e beatlemaníaco)

7 de junho (sexta-feira):
16h - "Estados Unidos X Lennon", de David Leaf e John Sheinfeld (EUA, 2006, 99 min, 14 anos)
18h - "Capítulo 27", de Jarrett Schaeffer (EUA, 2008, 84 min, ficção, 16 anos)

8 de junho (sábado):
14h - "Help!", de Richard Lester (Inglaterra,1965, 90 min, Livre)
16h - "Lennon NYC", de Michael Epstein (EUA, 2010, 114 min, 12 anos)

9 de junho (domingo):
14h - "George Harrison: Living in the Material World" (*), de Martin Scorcese (EUA, 2011, 208 min, 14 anos)
(*) Este filme será exibido em 2 partes, com intervalo de 10 minutos.

18h - "Across the Universe", de Julie Teymor (EUA, 2006, 133 min, 10 anos)

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Depois de Lúcia - todo sofrimento é pouco



Há no filme de Michel Franco uma atmosfera distante e seca, sugerindo um olhar de abandono aos seus personagens - uma câmera que observa enquanto eles perambulam sem rumo pela história. O que inicialmente pode parecer um certo realismo forçado é compreendido na medida que nos damos conta de que Roberto (Hernán Mendonza) e sua filha Alejandra (Tessa La) se encontram mesmo à deriva. A morte de Lúcia, esposa e mãe dos dois, é um obstáculo a ser superado e seus universos são contagiados pela falta de sentido que essa ruptura trouxe para ambos.

Ao querer dar novo rumo às suas vidas, pai e filha, mudam-se de cidade, de escola e de trabalho. A letargia com que se comportam em seus cotidianos vai sendo substituída por uma série de episódios que acontecem à revelia de seus sofrimentos. E o silêncio que antes parecia solução para seus problemas passa a ser o seu algoz.



Alejandra, 15 anos, no ato da admissão da escola de classe média alta, é submetida a um exame para saber se era usuária de drogas, uma exigência da escola. O exame dá positivo para maconha e seu pai é informado do fato e deve encaminhá-la a um programa de reabilitação, pai e filha conversam e ela explica que usou algumas poucas vezes recentemente e ponto. Esse episódio corriqueiro na vida de qualquer adolescente contemporâneo aponta no filme uma postura da escola, que se mantém no seu lugar de ditar crime e castigo para o que sua moral enxerga como inaceitável socialmente, enquanto a relação de seus alunos com o mundo, com as pessoas, com o sexo, com o álcool, com a vida não diz muito a respeito da escola.

Ao tratar do tema bullying entre adolescentes, o diretor Michel Franco, que também é o roteirista do filme leva o tema às últimas consequências. Em alguns momentos chega a beirar o exagero, tamanha é a frieza com que os acontecimentos se sucedem, deixando alguns vácuos que dentro de uma narrativa são facilmente preenchidos por causa, justificativa... No entanto, trata-se de crueldade e não existe nada que justifique isso, a necessidade de provocar a dor no outro.

O tema alcança universalidade diante das mazelas humanas modernas, meninos e meninas mergulhados num cinismo muito comum no comportamento atual, sem saber lidar com limites, reproduzindo posturas preconceituosas e machistas, as escolas com a batuta de uma moral particular e sua cegueira crônica, com muita tecnologia e pouca tolerância e respeito.

O drama mexicano é um drama de todos nós, a extremidade com que o filme trata pode ser uma ponte bem interessante para uma reflexão mais ampla. O cinema enquanto arte não precisa ser um prestador de serviço, mas pode trazer à tona muitas questões que a realidade cala ou transforma em modismo politicamente correto.

Alejandra e Roberto depois de Lúcia tiveram que entender que a perda, por mais dolorosa que ela seja, não nos tira da estrada, a estrada continua para os que estão vivos, apesar de à deriva. O filme não está interessado em partir das causas, mas em evidenciar as consequências.

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Mostra Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi: cineastas iranianos


O cinema Iraniano já foi muitas vezes motivo de piadas entre os moderninhos do humor brasileiro e mundial. Apontado como filme cult que por vezes não faz uso de trilha sonora ou de nenhum outro artifício que o torne mais apelativo para a plateia ávida por um cinema fast food. Uma cinematografia que olha pra dentro e grita pra fora seus espinhos e flores culturais.

Bobagens à parte, o cinema do Irã é uma bela forma de entretenimento, sem sacrificar seu perfil ensaístico no discurso e forma de filmar. Os cineastas Mohammad Rasoulof (Adeus - 2011) e Jafar Panahi (O Balão Branco - 1995) importantes representantes das produções iranianas dividem uma mostra durante esta semana no Rio.

Jafar Panahi é um dos mais prestigiados cineastas iranianos de todos os tempos. Começou a realizar seus próprios filmes na década de 1990 e foi assistente do diretor Abbas Kiarostami. O reconhecimento de seu trabalho foi imediato e seus filmes receberam prêmios nos festivais internacionais de Cannes, Locarno, Veneza e Berlim.

Mohammad Rasoulof foi colaborador de Panahi e realizou cinco longas-metragens entre os anos de 2002 e 2011, que também circularam em diversos festivais internacionais de cinema.
A partir desta semana, de 21 de maio a 2 junho, na Caixa Cultural RJ, na sequência a mostra segue para C.C. de Brasília, é possível assistir a doze filmes destes cineastas que fizeram do cinema uma boa maneira de discutir dureza com poesia. Paisagens, olhares e crianças refletindo uma cultura.

Programação:
21 de maio (terça-feira)
17h – “Fora de Jogo”, de Jafar Panahi (2006, 88 min, 14 anos, 35mm)
19h – “Adeus”, de Mohammad Rasoulof (2011, 104 min, 14 anos, digital)

22 de maio (quarta-feira)
17h – “A antena”, de Mohammad Rasoulof (2008, 65 min, 12 anos, digital)
19h – “A onda verde”, de Ali Samadi Ahadi (Alemanha, 2010, 80 min, 12 anos, digital)

23 de maio (quinta-feira)
15h30 – “Ilha de ferro”, de Mohammad Rasoulof (2005, 90 min, 10 anos, 35mm)
17h30 – “Isto não é um filme”, de Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb (Irã, 2010, 75 min, 12 anos, digital)
19h – Debate “Cinema e autoridade estatal, realidade e interditos: como filmar no Irã?”. Mediação: Tatiana Monassa

24 de maio (sexta-feira)
17h – “O Balão Branco”, de Jafar Panahi (1995, 85 min, livre, 35mm)
19h – “O Espelho”, de Jafar Panahi (1997, 90 min, 14 anos, 35mm)

25 de maio (sábado)
17h – “Ouro Carmim”, de Jafar Panahi (2003, 97 min, 12 anos, 35mm)
19h – “O crepúsculo”, de Mohammad Rasoulof (2002, 83 min, 12 anos, digital)

26 de maio (domingo)
17h – “O círculo”, de Jafar Panahi (Irã/Itália/Suíça, 2000, 90 min, 14 anos, 35mm)
19h – “Os campos brancos”, de Mohammad Rasoulof (2009, 93 min, 12 anos, digital)

28 de maio (terça-feira)
17h – “O crepúsculo”, de Mohammad Rasoulof (Irã, 2002, 83 min, 12 anos, digital)
19h – “Fora de jogo”, de Jafar Panahi (2006, 93min, 14 anos, 35mm)

29 de maio (quarta-feira)
17h – “O balão branco”, de Jafar Panahi (1995, 85 min, livre, 35mm)
19h – “Os campos brancos”, de Mohammad Rasoulof (2009, 92 min, 12 anos, digital)

30 de maio (quinta-feira)
17h – “A onda verde”, de Ali Samadi Ahadi (Alemanha, 2010, 80 min, 12 anos, digital)
19h – “Isto não é um filme”, de Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb (2010, 75 min, 12 anos, digital)

31 de maio (sexta-feira)
17h – “Ouro Carmim”, de Jafar Panahi (2003, 97 min, 12 anos, 35mm)
19h – “A antena”, de Mohammad Rasoulof (2008, 65 min, 12 anos, digital)

1º de junho (sábado)
17h – “O círculo”, de Jafar Panahi (Irã/Itália/Suíça, 2000, 90 min, 14 anos, 35mm)
19h – Adeus, de Mohammad Rasoulof (2011, 100 min, 14 anos, digital)

2 de junho (domingo)
17h – “O espelho”, de Jafar Panahi (1997, 95 min, 14 anos, 35mm)
19h – “Ilha de ferro”, de Mohammad Rasoulof ( 2005, 90 min, 10 anos, 35mm)



Informações e entrevistas:
Claudia Oliveira – (21) 2512-5742 – 8799-5742 – claudiaolive@terra.com.br

Serviço:
Mostra “Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi: cineastas iranianos”
Data: de 21 de maio a 2 de junho de 2013 (terça-feira a domingo)
Horários: Consultar a programação
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Ingressos: R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h

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O Sonho de Wadja – poderia ser somente uma bela fábula não fosse seu discurso altamente político e real.

Tradição e traição são duas palavras de escrita e fonética tão semelhantes em nossa língua quanto o são interligadas em seu significado mais profundo.
(Nilton Bonder)



O filme de Haifaa al Mansour, O Sonho de Wadja, tem razões suficientes para uma ida ao cinema. O fato de ser o primeiro filme de longa metragem totalmente filmado na Arábia Saudita, de ter como diretora uma mulher, num país complicado pra elas, e de seu conteúdo relatar uma história em que a opressão às mulheres sauditas convive, sem a menor cerimônia, com a evolução dos tempos.

Mas o filme tem seus méritos para além de sua função política. Sua narrativa é comovente sem se perder no dramalhão, suas bandeiras são sutis, apesar de contundentes, a tarefa dada à menina, a estreante Waad Mohammed é cumprida com muita leveza e sinceridade. A garota de doze anos para conseguir uma bicicleta, que até abril do ano passado era proibida para mulheres na região saudita, se dedica a aprender e decorar em boa entonação o alcorão, atividade pela qual Wadja não tinha o menor interesse.

Durante sua aventura pra realizar seu sonho, Wadja esbarra nos preconceitos e resistências que a levam a uma série de descobertas e encontros. É muito presente durante o filme a diferença de comportamento das mulheres dentro de casa e ao sair na rua. Wadja ofende com sua espontaneidade. Na escola, seus problemas pioram por se tornar uma ameaça à conduta das outras meninas que são severamente castigadas pela diretora.



O filme está repleto de citações, principalmente do cinema iraniano. O close nos pés, usando o sapato como forma de mostrar uma sina de transgressão, o olhar infantil como fio condutor de uma trama que tem como objetivo maior falar das mazelas socioculturais do país, mas nada que prejudique sua importância para o cinema Saudita e do mundo. Mais ainda, um filme vindo de um país que não tem uma sala de cinema oficial! Há que se trair tanta tradição! Inshalá

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Camille Claudel 1915 - ainda em tempo no Festival Varilux de Cinema Francês 2013



Kieslowski, Kiarostami,Cronenberg – homens de cinema que concretizaram suas histórias com o rosto e o olhar de Juliete Binoche de forma a atingir seus destinos mais subjetivos. Na produção francesa Camille Claudel 1915, Bruno Dumont prova e comprova que o caminho para transcender a imagem no cinema depende do quinhão do ator. Neste caso, a parte que cabe a Juliette é externalizar calada o que havia no mergulho dado por Camille Claudel. E é explorando de forma contundente o close do rosto de Binoche que Dumont realiza este sublime retrato.

Ao narrar uma época específica da vida da artista, Dumont faz um pacto com o espectador. Ele nos dá a imagem cálida, crua, muda e por vezes estática, e nós participamos com a ação. No entanto, esse movimento só se realiza com as setas que nos atingem. O feio, o débil, a opressão, o silêncio, a fragilidade, a contradição humana – são sinais que apontam para uma série de questões para além do fato de Camille ter sucumbido ao delírio de existir ou simplesmente ter se tornado vítima de um padrão de comportamento normativo socialmente suportável.

Falar de loucura em um contexto onde Deus ditava rigorasamente as regras parece redundante. Mas é exatamente nesse ponto que o diretor quer tocar quando propõe a paz de um manicômio e a compaixão divina para contar o ano de 1915 na internação de Mademoiselle Claudel. É assim que Camille é tratada pelos gentis médicos e freiras, que diante das outras internas e das enfermeiras religiosas paracia muito mais lúcida.


O filme, que tem como base as cartas entre Paul e Camille Claudel, faz um recorte emocionante da trajetória da artista. Enquanto aguarda a visita do irmão, Camille tenta se manter sã entre gemidos e risos insanos, uma comunicação alheia à sua compreensão, em meio às internas com o olhar perdido e de aparência esquecida. Juliette Binoche olha a tudo e pensa, sente e fala por meio desse olhar. Uma interpretação contida para dar vazão, nos momentos exatos, à loucura de Camille, que se manifesta diante do olhar do seu irmão que, por sua vez, para salvar-se da própria loucura, a mantém presa.


Ainda é possível assistir Camille Claudel 1915 no Fetival Varilux de Cinema Francês:

Odeon Petrobras - quarta 08/05 16h55m
Espaço Itau de Cinema - quarta 08/05 21h15m e quinta 09/05 16h35m
Estação Ipanema - quinta 09/05 14h30m
Cine- santa (Santa Teresa) quinta 09/05 21h50m

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Domingo é Dia de Cinema - Uma História de Amor e Fúria



DOMINGO É DIA DE CINEMA é um projeto cultural de complementação curricular onde são exibidos filmes para alunos de cursos pré-vestibulares comunitários do Rio de Janeiro, a fim de auxiliar na educação, socialização, valorização da cidadania e resgate da auto-estima.
Criado em 2000, compreende sessões especiais de cinema, seguidas de debates com especialistas e professores, de acordo com a obra apreciada. As sessões, com preços populares, ocorrem mensalmente pela manhã no Odeon Petrobras.
(http://www.grupoestacao.com.br/oce/domingo.htm)

O filme Uma História de Amor e Fúria (animação adulta), a ser exibido neste domingo 05/05, usa o tempo de um homem para contar a história de um Brasil de lutas. Este herói em busca de sua amada atravessa campos de batalhas comuns aos períodos vividos por parte dos brasileiros.

Sinopse:
Um homem (Selton Mello) com quase 600 anos de idade acompanha a história do Brasil, enquanto procura a ressurreição de sua amada Janaína (Camila Pitanga). Ele enfrenta as batalhas entre tupinambás e tupiniquins, antes dos portugueses chegarem ao país, e passa pela Balaiada e o movimento de resistência contra a ditadura militar, antes de enfrentar a guerra pela água em 2096.


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