O filme Show de Bola, recém lançado em dvd, não faz feio em meio a tantos que falam sobre os temas futebol, favela e violência. O clichê mora no próprio assunto, tamanha é a sua exploração. Portanto, o olhar crítico sobre essas obras fica cada vez mais complicado, pelas inúmeras referências já existentes.Com elenco do Nós do Morro e direção do alemão Alexander Pickl, Show de Bola é uma co-produção Brasil-Alemanha. Confesso ter me surpreendido, tão grande era minha má vontade depois de ter lido na internet, por ocasião do lançamento do filme em agosto de 2008, fragmentos de entrevistas do diretor, comentando bizarrices sobre sua experiência nas filmagens, onde relatava, com um certo exagero, um Brasil, mais precisamente, um Rio de Janeiro, nojento e apocalíptico.
O filme não se rende à previsibilidade oriunda do tema. O elenco, puxado pelo bom trabalho de Thiago Martins, se impõe e mantém o nível da história. O drama se realiza sem grandes problemas e arrebata o espectador apesar da insistência do assunto – entrave social. A fotografia lembra muitas vezes as imagens das favelas cariocas citadas em outras produções. A música, apesar de um recurso fácil, serve bem às cenas, delineando a atmosfera.
Não dá pra dizer que o olhar estrangeiro de Pickl estraga o filme, apesar de suas opiniões pessoais. O roteiro do brasileiro René Belmonte mostra o caminho e o diretor não desliza ao seguí-lo, explorando positivamente na movimentação.
15/11: Rec – Vale a pena o susto.

No último Festival de cinema do Rio tive uma grata surpresa ao assistir a produção espanhola Rec, um terror dirigido pela dupla Jaume Balagueró e Paco Plaza. Para este gênero espero sempre muito pouco, já que as recentes produções a respeito do tema medo não andam muito bem das pernas.
Não há nenhuma pretensão explícita no filme, nem suas referências se preocupam com uma linha do cinema de terror. A única preocupação é assustar. E como os primeiros minutos do filme são importantes na captura do espectador! Pois, foi assim que me senti, capturada e presa em um prédio onde tudo podia acontecer. Sem saber de onde ou de quem viria a ação, mesmo que esta estivesse explícita de forma inacreditável. A informação, matéria prima do terror é bem distribuída, doada e sonegada na medida certa, na construção que leva o jorrar da adrenalina - o medo.
O humor passeia por toda trama presente no comportamento das personagens e, ao invés de ridicularizar, mantém a relação do filme com o público. Absurda, mas com grandes possibilidades de verossimilhança, a história diverte e assusta como propõe Rec. Muitos o estão comparando com As Bruxas de Blair, mas eu diria que o roteiro, muito mais consistente e, com certeza, mais barato, faz do filme um terror superior.
Se você gosta do gênero vale a pena assistir e se não, vale pela experiência ingrata de se assustar... mas, uma dica, não queiram saber da história antes de assistí-la.
A vantagem de se entregar a uma narrativa cinematográfica está na possibilidade de, em pouco tempo, você estabelecer um contato com um novo universo de valores e culturas, diferente do que você já conhece ou vive. A experiência do cinema nos mantém ligados e próximos a realidades que muitas vezes nos são idênticas e outras muitas, experimentais.

Desde terça, dia 11/11, o CCBB/RJ começou a apresentar a Mostra Nouvelle Vague Indiana. Uma mostra que apresenta filmes do cinema autoral indiano. Produções da década de 1950 até hoje, diretores que vão na contramão do falado produto de Bollywood – Said Akhtar Mirza, Satyajit Ray e Shiam Benegal. Um cinema chamado de Art Movies, original em sua forma de ser, transgressor em seu jeito de filmar e retratar a própria realidade – a Índia, sem os artifícios melodramáticos do cinema indiano contemporâneo. Exibições até o dia 23.

Na seqüência, dia 25/11, se inicia “Cinema Português: Homenagem a Manoel de Oliveira”. Uma oportunidade de dar uma olhada em parte da extensa obra desse antigo diretor ainda em atividade em Portugal. Os filmes de Manoel serão mostrados em paralelo a um curso, ministrado pelos professores Jorge Cruz (UERJ) e Leandro Mendonça (UFF) e debates, o que tornará a leitura dos filmes de Manoel muito mais interessante. Até o dia 27.

Os três últimos dias do mês, de 27 a 30 de novembro, ficam por conta do Cinema Espanhol atual. A produção contemporânea vai para além de Pedro Almodóvar, sem interferir na qualidade. Filmes como Azul Escuro Quase Preto, de Daniel Sáncchez Arévalo, que está na mostra, prova que a originalidade do cinema espanhol não se restringe a um só diretor. Estarão presentes na mostra filmes de diretores como Roser Aguilar, Bigas Luna, Carlos Iglesias, entre outros.
Em algumas idas ao CCBB RJ, este mês, será possível encontrar discursos de contrastes culturais, onde realidades, ideologias e sonhos, pontos de vista plurais, ajudam a construir o ponto de vista individual ...

Desde terça, dia 11/11, o CCBB/RJ começou a apresentar a Mostra Nouvelle Vague Indiana. Uma mostra que apresenta filmes do cinema autoral indiano. Produções da década de 1950 até hoje, diretores que vão na contramão do falado produto de Bollywood – Said Akhtar Mirza, Satyajit Ray e Shiam Benegal. Um cinema chamado de Art Movies, original em sua forma de ser, transgressor em seu jeito de filmar e retratar a própria realidade – a Índia, sem os artifícios melodramáticos do cinema indiano contemporâneo. Exibições até o dia 23.

Na seqüência, dia 25/11, se inicia “Cinema Português: Homenagem a Manoel de Oliveira”. Uma oportunidade de dar uma olhada em parte da extensa obra desse antigo diretor ainda em atividade em Portugal. Os filmes de Manoel serão mostrados em paralelo a um curso, ministrado pelos professores Jorge Cruz (UERJ) e Leandro Mendonça (UFF) e debates, o que tornará a leitura dos filmes de Manoel muito mais interessante. Até o dia 27.

Os três últimos dias do mês, de 27 a 30 de novembro, ficam por conta do Cinema Espanhol atual. A produção contemporânea vai para além de Pedro Almodóvar, sem interferir na qualidade. Filmes como Azul Escuro Quase Preto, de Daniel Sáncchez Arévalo, que está na mostra, prova que a originalidade do cinema espanhol não se restringe a um só diretor. Estarão presentes na mostra filmes de diretores como Roser Aguilar, Bigas Luna, Carlos Iglesias, entre outros.
Em algumas idas ao CCBB RJ, este mês, será possível encontrar discursos de contrastes culturais, onde realidades, ideologias e sonhos, pontos de vista plurais, ajudam a construir o ponto de vista individual ...

Música, drama, injustiça e conflito – elementos muito importantes para a produção de um bom filme. Infelizmente isso não acontece em Orquestra dos Meninos de Paulo Thiago. Entre as últimas estréias nacionais está o filme que conta uma história real sobre um maestro, Mozart Vieira, que formou, em São Caetano, à 160km do Recife, uma orquestra de meninos pobres – seu êxito incomodou e levou o poder local a perseguí-lo.
O diretor de Orquestra dos Meninos não tira proveito da história, tem apenas como objetivo contá-la com um roteiro precário. Sua direção burocrática faz da esforçada atuação de Murilo Rosa parecer exagerada e fora do tom, carência, de direção, que também afeta o resto do elenco. A dramaticidade em demasia prejudica o ritmo do filme, pois se tratando de um material que por si só já carrega um peso dramático, qualquer intensidade na atuação pode, facilmente, transformar-se em dramalhão.
Para o cinema, ao contrário da literatura, o importante é a habilidade de, em pouco tempo, o espectador se envolver com a trama. Paulo Thiago não se preocupa muito com isso. As personagens vão surgindo e seu desenvolvimento vai se dando à revelia do espectador. Sem envolvimento, o filme passa e não deixa marca. Não encanta. O cinema brasileiro já deu provas de que precisa mais do que uma boa história e atores conhecidos para um filme dar certo.

O Rio tem mais uns dias de cinema. Em cartaz desde sexta feira, 31/10, o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, Curta Cinema 2008, traz para os cariocas o que há de novidade nesse formato. Participantes do mundo todo mostram suas experiências em película ou digital.
O filme em curta metragem é o caminho que os cineastas fazem, geralmente, para apresentar seus primeiros trabalhos. O Brasil, durante muito tempo, fez do curta sua única fonte cinematográfica, principalmente por conta do baixo custo e do cunho experimental que este tipo de filme proporciona. Produções foram possíveis quando, fazer cinema no país era impossível. Em nome disso, o cinema brasileiro produziu um considerável material nesse “gênero”.
O Curta Cinema 2008 ainda ganha mais importância pelo fato de ser um dos dois festivais Latino-Americanos em que seus vencedores têm o direto de participar da disputa por uma vaga a uma indicação ao Oscar.
Além das vantagens para os profissionais da área, o público também é beneficiado com a oportunidade de assistir, em doses homeopáticas, às diversas possibilidades de filmar, experimentar e fazer cinema.
O Festival vai até o dia 09/11, no Odeon Petrobras, Caixa Cultural e outros.
Entrada franca.
Programação:
www.curtacinema.com.br
31/10: Les Chansons D’Amour
Quando li as críticas e comentários sobre o filme Canções de Amor, de Christophe Honoré, estreando em Cannes, pensei logo que esse filme não estaria na minha lista de prioridades. Como não esteve. Porque o que li a respeito de Les Chansons D’Amour não dizia o filme em sua plena condição de sê-lo, tamanha era a ojeriza com que trataram o tema abordado – a liberdade.
Como nem todo crítico é preconceituoso ou pelo menos tenta separar seus grilos na hora de comentar um filme, há o que se aproveitar sobre o que se disse de Canções... Apesar das influências que sofremos por parte dessa galera que fala de cinema na hora de nossas escolhas, muitas vezes o filme por si só nos conduz até o cinema. Foi assim que resolvi assistir à nova produção de Honoré - um musical sobre amor e liberdade e, em francês.
A língua de Truffaut me encanta pela musicalidade em um tom sensual e triste, o que se concretiza no filme de Christophe Honoré. O musical, sem pudor às referências aos grandes mestres do cinema francês, não cria meio termo para cantar e fazer o amor livre, paradoxo criado na própria história, onde o amor resiste à posse e tenta resistir à morte. Não há um recado. Sem grilhões, os acontecimentos vão sendo desenhados como na vida. Mesmo que muitos acontecimentos ali sejam inverossímeis em relação ao pensamento da sociedade contemporânea.
O filme não é um dos melhores que assisti este ano, mas está longe de se resumir aos beijos e amassos que Louis Garrel troca com seus colegas de cena, como muitos comentários evidenciaram.
Canções de Amor fala essencialmente de amor - a complexidade de amar sem possuir, o sentir desobrigado de ser. A perda e a idéia de continuar sem o objeto de seu amor. As canções que transportam o discurso do filme, nas bocas das personagens, suavizam a narrativa. Ainda que, em alguns momentos, as letras exagerem e sejam referenciais demais.
Há uma beleza no filme expressada em tom cinza. Uma Paris sóbria, contrariando a lógica, para o amor livre sem a preocupação que este seja transgressor.
O cinema é e sempre será uma porta ao experimento de sensações, descobertas ou constatações. Nem tudo que sentimos ao vermos um filme, faz desse filme bom ou ruim.

Em pré-estréia no Rio.
Novamente o diretor italiano Nanni Moretti aborda a ruptura interna que acontece quando se perde alguém. A morte e sua estranha imposição surgem em sua nova obra mais uma vez para mostrar o caos dos que ficam. O tema apesar de parecer com um outro filme seu O Quarto do Filho (2001), nada tem de repetitivo.
Nanni faz um cinema introspectivo, por isso em seus filmes a ação está quase sempre contida nos olhos de suas personagens. Suas imagens são uma longa espera, com uma certa tensão, que a qualquer momento pode estancar. E daí pra frente, tudo pode acontecer ou simplesmente nada acontece. Talvez seja na dor dessa espera que resida a verossimilhança de suas histórias.
Em Caos Calmo, Pietro, interpretado pelo próprio Moretti, encontra sua esposa morta pouco tempo depois de ter salvado a vida de uma outra mulher que morria afogada. Desconsertado com o acontecimento e com a estranha sensação de não estar sentindo a perda, a personagem começa a viver, de forma lenta, sua bagunça interna. Então, a atenção de Pietro se fixa na filha de dez anos e todo o resto já não mais absorve a prioridade de seu tempo. Na verdade, o próprio tempo passa ser a única coisa que a personagem quer se apoderar. Não quer mais surpresa, quer prever para não perder. Quanto à cena de sexo, tão polemizada, não causa nada além do que uma sutil desandada na história.
Também comum nos filmes de Nanni Moretti é o fato dele dirigir, escrever e atuar como se aquela verdade lhe pertencesse. No entanto, dessa vez seu nome só está no roteiro e atuação, a direção é de Antonio Luigi Grimaldi. Ainda assim, Nanni é onipresente. O filme é uma bela espera de que o homem chore. O mérito da história está no fato de como filmar dentro de alguém, as implosões e suas conseqüências no mundo externo – lugar de onde a câmera aguarda envolvida.


Na exibição do filme da diretora Argentina Lucrecia Martel, no Espaço de Cinema, presenciei uma discussão calorosa entre um senhor e uma senhora, ainda dentro cinema, após a projeção. O senhor, mais indignado do que a senhora, esbravejava: - Eu não entendo mais nada de cinema, tanta indicação para esse filme... o Pântano é muito melhor! Referindo-se a um outro filme de Martel. A senhora ponderava mais discretamente: - É... todos estão comentando que A Mulher sem cabeça é bom, mas que Pântano é superior. Enquanto isso, ele, com sua voz rouca, saiu do cinema dizendo pra quem quisesse e não quisesse ouvir: - Esse filme não devia se chamar A Mulher sem cabeça, mas sim Sem pé, nem cabeça...
Fiquei pensando na indignação daquele cinéfilo, pois é assim que eu o considero, um cinéfilo, porque no meio de sua berradeira dizia que ano passado assistiu a noventa e nove filmes no Festival do Rio. E como eu ainda estava digerindo A mulher sem cabeça, que em mim causou uma outra sensação, quis me deixar influenciar por aquele comentário indignado. Essa situação me fez perceber de fato o cinema intenso da cineasta Lucrecia Martel. Confirmei que minha referência também vinha de Pântano e isso me fez descobrir que Lucrecia tem uma maneira muito sincera de abordar os dilemas éticos humanos, o comportamento externo e interno de uma pessoa, após um trauma, nos momentos mais prosaicos do seu dia-a-dia.
Nos filmes O Pântano, 2001, A Menina Santa, 2004, e A Mulher Sem Cabeça, 2008, Martel desvenda em suas personagens seus medos mais profundos. A câmera oculta testemunha um gatilho que, disparado na vida desses indivíduos, desencadeia uma sucessão de acontecimentos e sensações até então latentes, quase inexistentes até para as próprias personagens.
A mulher sem cabeça é literalmente a idéia do filme. Um atropelamento que deixa dúvidas sobre sua vítima, se um cão ou uma pessoa, transforma a vida tranqüila de uma mulher em algo angustiante. Fazendo de Verônica uma mulher ausente, distante, dolorida e anestesiada ao mesmo tempo, perdida a perambular pelo filme sem que seus próximos sequer percebessem. O filme, além de mostrar o universo íntimo do ser, aborda a distante comunicação entra as pessoas.
O Sr. Cinéfilo do Espaço de Cinema que me desculpe, mas os filmes de Lucrecia Martel vão alem das narrativas visuais, eu diria que eles são extra-sensoriais.

O drama E Buda Desabou de Vergonha traz as questões políticas e sociais do oriente dinamizadas pelos pequenos moradores de Bamian, Cidade que teve o seu tesouro cultural destruído pelos Talibãns.
Usar o olhar infantil para narrar conflitos desse tipo não é mais novidade. Chega quase a ser uma referência do cinema do Irã ou de suas co-produções. Mesmo quem já muitas vezes assistiu a projeções como: Filhos do Paraíso, Tempo de Embebedar cavalos e Balão Branco, não fica cansado da sutileza de sua narrativa.
Entretanto, por mais evidências que esse assunto possa ter, a possibilidade do discurso do olhar infantil parece não ter se esgotado ainda. Não há menos poesia. A crueza do assunto parece necessitar dessa forma para não banalizar a violência de uma sociedade tão precária.
Não há no filme uma intenção que o espectador vá às lagrimas. Isso fica por conta do grau de fragilidade, veja bem que eu não estou falando de sensibilidade de cada um. As ações vão acontecendo naturalmente no decorrer de um dia na vida de Baktay, uma menina de seis anos, que procura, obstinadamente, uma maneira de estudar. E nesta jornada a realidade se manifesta, dialogando com a menina e se apresentando como um entrave.
Outra temática bem constante nos filmes iranianos é a procura, a angústia da busca por algo. Talvez resida aí a peculiaridade das produções do Irã, a eterna procura, a busca e o por quê.
Exibição:
Est Barra Point 2: 14h15 e 18h

O documentário do diretor norte americano Daniel Jungue, Mataram Irmã Dorothy mostra um interessante relato sobre o julgamento dos acusados de assassinar a missionária que atuava no Pará a favor da floresta amazônica e dos agricultores sem terra. Envolvida com o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) no município de Anapu, a freira tornou-se figura importante na luta contra o desmatamento e a grilagem de terras.
Daniel resolve vir para o Brasil depois de ouvir no noticiário sobre o assassinato. Chega com o irmão de Dorothy e passa a acompanhar os acontecimentos e bastidores que cercam o julgamento. Os registros e depoimentos vão construindo uma real indignação em quem o assiste.
O diretor focaliza para além do assassinato de uma irmã religiosa que morreu defendendo pessoas e floresta. A discussão se aprofunda muito mais quando D. Jungue deixa que todos os olhares se manifestem e todas as bocas falem sobre o que estava acontecendo ali - uma visão tenebrosa do descaso das autoridades em um território sem lei. Sem falar na nojenta atuação dos advogados de defesa dos fazendeiros, rindo, quase escrachadamente, da Justiça.
Um filme que cumpre seu papel e, mesmo que haja o risco de ser uma leitura estrangeira do caso, o espetáculo de circo apresentado no julgamento e em todo seu processo nos mostra há quantas andam as questões do direito em nosso país. O documentário, narrado por Wagner Moura, alcança uma complexidade rara em abordagem com esse tipo de apelo.
Exibição:
Qua, 1: Cine Glória: 16h30
Qui, 2: Cine Glória: 18h30
Seg, 6: Est Barra Point 2: 22h15




