
Esta semana, em São Paulo, estreou o último filme de Bressane, A Erva do Rato, até então exibido somente nos festivais do Rio e de São Paulo em 2008 e, diga-se de passagem, muito bem recebido no Festival de Veneza do mesmo ano.
Julio Bressane continua fidelíssimo ao seu estilo, um cinema livre das tentações conformadas na qual se transformou a palavra narrativa. A Bressane não interessam as expectativas do espectador. A ele interessa vislumbrar a palavra em sua forma mais profunda de ser imagem e vice versa.
O filme A Erva do Rato, um roteiro livremente inspirado em dois contos de Machado de Assis, Um Esqueleto (1875) e A Causa Secreta (1885), traz, do escritor-Machado, apenas a atmosfera do seu discurso e, sendo redundante, o seu tom irônico de desenhar suas personagens – um traço perseguido pelo diretor e encaixado perfeitamente aos seus anseios áudio visuais.
Selton Mello e Alessandra Negrini nem em seus sonhos mais bizarros se imaginariam em tal situação: um casal denominado pelos pronomes Ele e Ela em uma relação onde o desejo e a obsessão sexual são abordados por uma ótica voyer, sem toques, onde um Rato faz as honras, realiza o que falta ao homem, devorando o nu de Ela fotografado por Ele.
Bressane não economiza nos símbolos e nas “esquisitices” comuns em suas produções. O que torna seus filmes uma experiência à parte. O seu cinema quer ser possibilidades infindas de se ter uma história. A estética respeita o plano, e a fotografia de Walter Carvalho contribui positivamente com a viagem.
No filme Ele dita, Ela redige e o Rato rói e corrói, e esse triângulo, à espreita do ato de se relacionar, constrói um novo encontro.
Uma dica e uma lembrança.

O Festival de Cinema Feminino que cresce a cada ano no Rio de Janeiro não veio para separar ou criar uma guerra dos sexos. Muito pelo contrário, o Femina só somou em seus cinco anos de existência, levando o cinema de olhar feminino, nem por isso menos forte, ao caminho da igualdade e da identidade cinematográfica.
O festival exibirá em sua abertura no Cinemaison, hoje 01/06, o premiado longa-metragem STELLA, da diretora francesa Sylvie Verheyde. Sorte de quem é sócio do CINEMAISON – Cineclube francês do Rio de Janeiro.
O FEMINA - Festival Internacional de Cinema Feminino é o primeiro evento do gênero no Brasil e foi criado com o objetivo de destacar o trabalho das mulheres no cenário cultural e cinematográfico brasileiro e mundial, e promover a igualdade de gênero. O FEMINA começa para o público no dia 2 de junho e segue até dia 7 de junho, com entrada franca para o público, nos cinemas do Caixa Cultural (Largo da Carioca , RJ).

O Festival de Cinema Feminino que cresce a cada ano no Rio de Janeiro não veio para separar ou criar uma guerra dos sexos. Muito pelo contrário, o Femina só somou em seus cinco anos de existência, levando o cinema de olhar feminino, nem por isso menos forte, ao caminho da igualdade e da identidade cinematográfica.
O festival exibirá em sua abertura no Cinemaison, hoje 01/06, o premiado longa-metragem STELLA, da diretora francesa Sylvie Verheyde. Sorte de quem é sócio do CINEMAISON – Cineclube francês do Rio de Janeiro.
O FEMINA - Festival Internacional de Cinema Feminino é o primeiro evento do gênero no Brasil e foi criado com o objetivo de destacar o trabalho das mulheres no cenário cultural e cinematográfico brasileiro e mundial, e promover a igualdade de gênero. O FEMINA começa para o público no dia 2 de junho e segue até dia 7 de junho, com entrada franca para o público, nos cinemas do Caixa Cultural (Largo da Carioca , RJ).
22/05: Dhalia em Cannes

Sem rumo, ao sabor dos acontecimentos - condição que nos propõe uma maior exposição e fragilidade aos ventos da vida. È assim que se encontra a personagem (Laura Neiva – atriz encontrada no orkut) de À Deriva, novo longa de Heitor Dhalia. À deriva - sensação, estado pelo qual todo mundo já passou ou vai passar ao menos uma vez na vida. E foi Búzios - Rio de Janeiro o cenário escolhido por Dhalia para contar a história de uma pré-adolescente e suas primeiras rupturas, seu ponto de vista do fim do casamento de seus pais e a dissolução da família, a descoberta do sexo e o ritual de passagem para vida adulta.
O nome de Dhalia não deixa de estar associado a um cinema de humor sarcástico, de conflitos latentes, vertigens características que marcaram suas duas últimas produções - Nina e Cheiro do Ralo, onde suas personagens eram taciturnas e esquisitas. Na contramão vem À Deriva, que se empenha em ser um drama com mais luz e mais calor humano, uma proposta nascida de um roteiro, dito pelo próprio diretor, bem pessoal, em que Dhalia relata, por meio da ficção, também acontecimentos de sua memória afetiva-familiar, inovando na forma e no conteúdo.
O filme que tem data de estréia, no Brasil, para 30 de julho, aportou hoje na mostra paralela Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2009, juntamente com outras produções estrangeiras com destaque e atenção especial do público e da imprensa para a película do austríaco Michael Haneke, Das Weisse Band. Vamos aguardar o nosso brazuca, pernambucano, Heitor Dhalia mostrar sua promessa de emoção e poesia visual aqui logo-logo.
Próximo ao dia em que se comemora a Abolição da Escravatura estréia nesta sexta, 15/05/09, o documentário Simonal, Ninguém Sabe o Duro que Dei. Com uma série de depoimentos dispostos emocionalmente dentro de uma montagem dinâmica e interessante, os diretores Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal jogam luz na sombra que tirou Wilson Simonal de cena.
O filme, para quem não conhece Simonal, mostra a importante trajetória de um artista negro que conquista o inusitado lugar de destaque na música brasileira em uma época que isso era quase impossível. Se aos jovens, o documentário apresenta o cantor de origem humilde que, com seu domínio de palco, seu swing e ritmo, fez do sucesso companheiro íntimo, aos veteranos, cientes da jornada do cantor, o filme remexe no assunto, pivô de seu ostracismo. De dedo-duro – apontado e escrachado pelo Pasquim da época – ao ingênuo – julgado e condenado por “um mal entendido”.
Os depoimentos, que exaltam as qualidades musicais e performáticas de Wilson Simonal, desferem também as nuances egocêntricas do homem autocentrado. Em alguns momentos é possível perceber que Simonal incomodava com sua popularidade. As imagens concentram uma força cabal em seus momentos de shows, suas apresentações sempre lotadas, até que Simonal sucumbiu à invisibilidade.
Wilson Simonal, taxado de X9 da ditadura, tentou muitas vezes, em vão, durante a vida, desfazer o mal entendido, se explicar sobre o que o levara para um anonimato póstumo (de uma carreira intensamente viva). Seu envolvimento com o DOPS, a surra encomendada por Simonal a um ex-funcionário acusado de roubo e as suspeitas de estar cooperando com o regime militar foram suficientes para quase o apagar da memória musical do Brasil. Mesmo não sendo o grande vilão dos anos de chumbo, Simonal não chega a ser nenhum anjo de candura.
O documentário deixa o julgamento para o público, mas aponta caminhos e emociona. Passa pelo tributo e busca a redenção de Simonal com discursos que sublinham adjetivos. O filme seria mais completo se pudesse contar com participações de músicos de expressão da época. Liberdade ao artista Wilson Simonal e perdão ao homem não perfeito!
O filme, para quem não conhece Simonal, mostra a importante trajetória de um artista negro que conquista o inusitado lugar de destaque na música brasileira em uma época que isso era quase impossível. Se aos jovens, o documentário apresenta o cantor de origem humilde que, com seu domínio de palco, seu swing e ritmo, fez do sucesso companheiro íntimo, aos veteranos, cientes da jornada do cantor, o filme remexe no assunto, pivô de seu ostracismo. De dedo-duro – apontado e escrachado pelo Pasquim da época – ao ingênuo – julgado e condenado por “um mal entendido”.
Os depoimentos, que exaltam as qualidades musicais e performáticas de Wilson Simonal, desferem também as nuances egocêntricas do homem autocentrado. Em alguns momentos é possível perceber que Simonal incomodava com sua popularidade. As imagens concentram uma força cabal em seus momentos de shows, suas apresentações sempre lotadas, até que Simonal sucumbiu à invisibilidade.
Wilson Simonal, taxado de X9 da ditadura, tentou muitas vezes, em vão, durante a vida, desfazer o mal entendido, se explicar sobre o que o levara para um anonimato póstumo (de uma carreira intensamente viva). Seu envolvimento com o DOPS, a surra encomendada por Simonal a um ex-funcionário acusado de roubo e as suspeitas de estar cooperando com o regime militar foram suficientes para quase o apagar da memória musical do Brasil. Mesmo não sendo o grande vilão dos anos de chumbo, Simonal não chega a ser nenhum anjo de candura.
O documentário deixa o julgamento para o público, mas aponta caminhos e emociona. Passa pelo tributo e busca a redenção de Simonal com discursos que sublinham adjetivos. O filme seria mais completo se pudesse contar com participações de músicos de expressão da época. Liberdade ao artista Wilson Simonal e perdão ao homem não perfeito!
Não é a primeira vez que menciono em meu blog o documentário Mataram Irmã Dorothy, do norte americano Daniel Jungue. Em 2008 foi a propósito do Festival do Rio e hoje por conta de sua estreia nacional.

Diante dos últimos acontecimentos acerca da anulação do julgamento que absolveu um dos acusados de mandar eliminar a freira, o documentário ganha força em sua função principal, que é de tornar o mais público possível a patética, e por que não dizer criminosa, atuação da “justiça” brasileira.
O documentário do diretor norte americano Daniel Jungue, Mataram Irmã Dorothy mostra um interessante relato sobre o julgamento dos acusados de assassinar a missionária que atuava no Pará a favor da floresta amazônica e dos agricultores sem terra. Envolvida com o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) no município de Anapu, a freira tornou-se figura importante na luta contra o desmatamento e a grilagem de terras.
Daniel resolve vir para o Brasil depois de ouvir no noticiário sobre o assassinato. Chega com o irmão de Dorothy e passa a acompanhar os acontecimentos e bastidores que cercam o julgamento. Os registros e depoimentos vão construindo uma real indignação em quem o assiste.
O diretor focaliza para além do assassinato de uma irmã religiosa que morreu defendendo pessoas e floresta. A discussão se aprofunda muito mais quando D. Jungue deixa que todos os olhares se manifestem e todas as bocas falem sobre o que estava acontecendo ali - uma visão tenebrosa do descaso das autoridades em um território sem lei. Sem falar na nojenta atuação dos advogados de defesa dos fazendeiros, rindo, quase escrachadamente, da Justiça.
Um filme que cumpre seu papel e, mesmo que haja o risco de ser uma leitura estrangeira do caso, o espetáculo de circo apresentado no julgamento e em todo seu processo nos mostra há quantas andam as questões do direito em nosso país. O documentário, narrado por Wagner Moura, alcança uma complexidade rara em abordagem com esse tipo de apelo.
Infelizmente, o assassinato de irmã Dorothy não é um caso isolado no estado do Pará. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ocorreram mais de 800 assassinatos de lideranças sindicais, trabalhadores rurais, ambientalistas e religiosos no Estado nos últimos 40 anos. Desse total de assassinatos, houve o julgamento de apenas sete mandantes de crime, nenhum está preso cumprindo pena.
Hoje no Estado do Pará há centenas de trabalhadores e lideranças rurais ameaçados de morte. (Qui, 09/04/09por joannagreenpeace )

Diante dos últimos acontecimentos acerca da anulação do julgamento que absolveu um dos acusados de mandar eliminar a freira, o documentário ganha força em sua função principal, que é de tornar o mais público possível a patética, e por que não dizer criminosa, atuação da “justiça” brasileira.
O documentário do diretor norte americano Daniel Jungue, Mataram Irmã Dorothy mostra um interessante relato sobre o julgamento dos acusados de assassinar a missionária que atuava no Pará a favor da floresta amazônica e dos agricultores sem terra. Envolvida com o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) no município de Anapu, a freira tornou-se figura importante na luta contra o desmatamento e a grilagem de terras.
Daniel resolve vir para o Brasil depois de ouvir no noticiário sobre o assassinato. Chega com o irmão de Dorothy e passa a acompanhar os acontecimentos e bastidores que cercam o julgamento. Os registros e depoimentos vão construindo uma real indignação em quem o assiste.
O diretor focaliza para além do assassinato de uma irmã religiosa que morreu defendendo pessoas e floresta. A discussão se aprofunda muito mais quando D. Jungue deixa que todos os olhares se manifestem e todas as bocas falem sobre o que estava acontecendo ali - uma visão tenebrosa do descaso das autoridades em um território sem lei. Sem falar na nojenta atuação dos advogados de defesa dos fazendeiros, rindo, quase escrachadamente, da Justiça.
Um filme que cumpre seu papel e, mesmo que haja o risco de ser uma leitura estrangeira do caso, o espetáculo de circo apresentado no julgamento e em todo seu processo nos mostra há quantas andam as questões do direito em nosso país. O documentário, narrado por Wagner Moura, alcança uma complexidade rara em abordagem com esse tipo de apelo.
Infelizmente, o assassinato de irmã Dorothy não é um caso isolado no estado do Pará. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ocorreram mais de 800 assassinatos de lideranças sindicais, trabalhadores rurais, ambientalistas e religiosos no Estado nos últimos 40 anos. Desse total de assassinatos, houve o julgamento de apenas sete mandantes de crime, nenhum está preso cumprindo pena.
Hoje no Estado do Pará há centenas de trabalhadores e lideranças rurais ameaçados de morte. (Qui, 09/04/09por joannagreenpeace )
“A mais completa filmografia da escritora e diretora francesa Marguerite Duras (1914 a 1996). O evento, com curadoria e organização editorial de Maurício Ayer, propõe ao público uma experiência intensa e singular do olhar e do ouvir. De 14 a 26 de abril – Caixa Cultural. RJ.”

Certo dia, já na minha velhice, um homem se aproximou de mim no saguão de um lugar público. Apresentou-se e disse: “Eu a conheço há muito, muito tempo. Todos dizem que era bela quando jovem, vim dizer-lhe que para mim é mais bela hoje do que em sua juventude, que eu gostava menos de seu rosto de moça do que desse de hoje, devastado”.
(O Amante – Marguerite Duras)
Neste trecho do mais biográfico dos livros de Marguerite Duras, O Amante, a autora inicia pensando a questão do tempo e de seu rastro. Segue descrevendo a imagem que tem de “si” e a imagem que existe em constante processo de transformação ou a devastação com marcas, sulcos, expressões emolduradas, desenhos do tempo.
Marguerite Duras, escritora, dramaturga e cineasta fez de sua vida um espaço de contar a vida. Os filmes da autora serão mostrados durante toda essa semana na Caixa Cultural RJ. O evento que trará 15 títulos de sua “intensa” incursão pela arte cinematográfica é uma oportunidade de fazer contato com um cinema que experimenta suas diversas possibilidades com o mínimo de recursos técnicos. Duras quer a imagem, quer o som, quer escrever em seus filmes com a entonação discursiva construída quase artesanalmente.
A programação de debates durante a mostra:
14/04 – terça-feira - abertura
19h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35 mm, cor, 11 minutos) + As Mãos Negativas (Les Mains Négatives, 1979, 35 mm, cor, 18 minutos) Sessão seguida de debate com Dominique Fingermann, Fernando Passos e Mauricio Ayer.
23/04 - quinta-feira
19h00 – Debate com Ismail Xavier e Stella Senra, mediação de Mauricio Ayer. Após a exibição de Hiroxima Meu Amor.
Os debates acontecerão na Caixa Cultural e sessões especiais serão exibidas no Cinemaison nos dias 20 e 27, encerramento da mostra principal.
A mostra Marguerite Duras: Escrever imagens foi aprovada pelo edital 2008 da CAIXA Cultural e é parte do quadro de atividades do “Ano da França no Brasil” que começa em abril. Após a temporada no Rio de Janeiro, o Consulado Geral da França no Brasil promoverá a itinerância de sete dos filmes desta mostra pelas capitais de Salvador, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo.
Serviço
Mostra Cinematográfica: Marguerite Duras: Escrever imagens
Local: CAIXA Cultural RJ – Cinema 1
End.: Av. Almirante Barroso, 25, Centro - Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2544 4080/7666
Temporada: De 14 a 26 de abril de 2009
Ingressos para os filmes: R$ 4,00 (inteira), R$ 2,00 (meia) e R$ 6,00 (passaporte para 08 sessões). – Toda renda arrecadada será destinada para o programa Fome Zero.
Programação da CAIXA Cultural: www.caixa.gov.br/caixacultural
Leia também: O cinema exilado de Marguerite Duras no Terceiro Mundo europeizado - Por Joel Pizzini, cineasta, diretor de 'Anabazys'. http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/04/14/e140419488.asp

Certo dia, já na minha velhice, um homem se aproximou de mim no saguão de um lugar público. Apresentou-se e disse: “Eu a conheço há muito, muito tempo. Todos dizem que era bela quando jovem, vim dizer-lhe que para mim é mais bela hoje do que em sua juventude, que eu gostava menos de seu rosto de moça do que desse de hoje, devastado”.
(O Amante – Marguerite Duras)
Neste trecho do mais biográfico dos livros de Marguerite Duras, O Amante, a autora inicia pensando a questão do tempo e de seu rastro. Segue descrevendo a imagem que tem de “si” e a imagem que existe em constante processo de transformação ou a devastação com marcas, sulcos, expressões emolduradas, desenhos do tempo.
Marguerite Duras, escritora, dramaturga e cineasta fez de sua vida um espaço de contar a vida. Os filmes da autora serão mostrados durante toda essa semana na Caixa Cultural RJ. O evento que trará 15 títulos de sua “intensa” incursão pela arte cinematográfica é uma oportunidade de fazer contato com um cinema que experimenta suas diversas possibilidades com o mínimo de recursos técnicos. Duras quer a imagem, quer o som, quer escrever em seus filmes com a entonação discursiva construída quase artesanalmente.
A programação de debates durante a mostra:
14/04 – terça-feira - abertura
19h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35 mm, cor, 11 minutos) + As Mãos Negativas (Les Mains Négatives, 1979, 35 mm, cor, 18 minutos) Sessão seguida de debate com Dominique Fingermann, Fernando Passos e Mauricio Ayer.
23/04 - quinta-feira
19h00 – Debate com Ismail Xavier e Stella Senra, mediação de Mauricio Ayer. Após a exibição de Hiroxima Meu Amor.
Os debates acontecerão na Caixa Cultural e sessões especiais serão exibidas no Cinemaison nos dias 20 e 27, encerramento da mostra principal.
A mostra Marguerite Duras: Escrever imagens foi aprovada pelo edital 2008 da CAIXA Cultural e é parte do quadro de atividades do “Ano da França no Brasil” que começa em abril. Após a temporada no Rio de Janeiro, o Consulado Geral da França no Brasil promoverá a itinerância de sete dos filmes desta mostra pelas capitais de Salvador, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo.
Serviço
Mostra Cinematográfica: Marguerite Duras: Escrever imagens
Local: CAIXA Cultural RJ – Cinema 1
End.: Av. Almirante Barroso, 25, Centro - Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2544 4080/7666
Temporada: De 14 a 26 de abril de 2009
Ingressos para os filmes: R$ 4,00 (inteira), R$ 2,00 (meia) e R$ 6,00 (passaporte para 08 sessões). – Toda renda arrecadada será destinada para o programa Fome Zero.
Programação da CAIXA Cultural: www.caixa.gov.br/caixacultural
Leia também: O cinema exilado de Marguerite Duras no Terceiro Mundo europeizado - Por Joel Pizzini, cineasta, diretor de 'Anabazys'. http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/04/14/e140419488.asp

Em tempos que sugerem que toda dificuldade do mundo atual seja consequência do comportamento do homem diante dos acontecimentos da vida, o otimismo e o pessimismo passam a ser ingredientes básicos para a tal felicidade? Ou ser feliz ou infeliz é um elemento fundamental para desencadear o otimismo e o pessimismo do ser humano?
Mike Leigh, um diretor que já falou da relação familiar e do preconceito dentro de um universo agridoce em Segredos e Mentiras, e da inocência moral em uma personagem que praticava o aborto como forma de ajudar as mães inexperientes no pesado O Segredo de Vera Drake, chega aos cinemas com seu novo Simplesmente Feliz, onde Poppy (Sally Hawkins), a protagonista, ri, ri, ri e ri. Leigh aposta na ideia de que o mundo a sua volta pode estar acabando, mas se você é feliz nada tira isso de você.
Simplesmente Feliz, no início, assusta com as intensas sequências de esfuziante alegria da personagem Poppy. No entanto, o filme segue seu rumo e Mike Leigh confessa aos espectadores que sua personagem é simplesmente feliz. Sua vida tem os problemas e dificuldades normais de uma mulher de 30, mas ela, ainda assim, quer sorrir, quer ver o lado bom das coisas e mesmo quando se defronta com Scott (Edie Marsan) o seu oposto, seu instrutor de direção, não perde a alegria de viver.
É necessária uma boa dose de passividade para assistir aos excessos de alegria de Poppy sem se constranger. O diretor não quer que ninguém fique aprisionado à realidade, deixa que decidamos por qual caminho seguir, apesar de nos dar algumas pistas.
Exageros à parte, o filme de Leigh nos coloca em meio a uma questão, talvez estejamos tão sisudos a ponto de achar a personagem uma retardada e devamos acreditar em Frejat quando ele diz em Amor Pra Recomeçar: Que rir é bom / Mas rir de tudo / É desespero...?
Um dos eventos cinematográficos mais interessantes no Brasil atualmente – É tudo Verdade – inicia seus trabalhos nesta quinta, dia 26/03. E a abertura fica por conta do documentário Domingos de Maria Ribeiro. O filme terá sua projeção em outros dias e locais durante o Festival – uma novidade da edição 2009: não restringir os documentários à apresentação única.
Ter como objeto de documentário o cineasta Domingos de Oliveira sugere especulações espontâneas ao tema verdade. Sua visão inventiva sobre a vida, sua busca constante em seus diálogos por meio da arte e do pensamento, de forma sempre inovadora, permeia de inusitados e por que não dizer, também, previsíveis, em alguns aspectos, questionamentos filosóficos sobre as grandes verdades que nos são impostas.
Sua trajetória profissional e vital, professada e criticada por sua própria voz, evoca um balanço e uma nova possibilidade de ser. Seus 72 anos resistindo à ideia de sê-lo. Domingos se permite documentar, mas não se encerra em si. Inquieto e um doce provocador das próprias verdades no seu mundo de ficção. Sua arma secreta contra a teimosia das rugas é a palavra, a poesia – sinônimas em seu discurso.
Domingos
MARIA RIBEIRO
BRASIL - RJ / BRAZIL - RJ
72', cor, Mini-DV, 2008
Diálogos: FALADO EM PORTUGUÊS / PORTUGUESE DIALOGUES
Legenda: LEGENDAS ELETRÔNICAS EM INGLÊS / ELETRONIC ENGLISH SUBTITLES
Autor de mais de 20 peças de teatro e 13 filmes, de “Todas as Mulheres do Mundo" (66) ao recente “Juventude” (08), Domingos de Oliveira, 72 anos, vive como um menino que estivesse apenas começando a viver. “Não tenho 70 anos, tenho 7”, costuma brincar. Um artista inquieto, que resiste a rótulos e que não para de escrever nem de pensar coisas novas, ele percorre os dias com uma rotina simples, à qual não podem faltar nem o amor, nem a liberdade. Neste documentário, ele fala sobre os cineastas que mais o influenciaram – Truffaut, Godard, Chaplin e Fellini -, enquanto ensaia mais uma peça e reflete sobre o mundo, o Cinema Novo, a esquerda, o movimento hippie e sua negação da morte. Não falta nem mesmo a própria autocrítica: “Minha obra é medíocre, a minha visão de mundo é que é linda”.
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 26/03 - Sessão de Abertura –
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 28/03 - 18H00
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (RIO DE JANEIRO - RJ) - 31/03 - 16H30
Ter como objeto de documentário o cineasta Domingos de Oliveira sugere especulações espontâneas ao tema verdade. Sua visão inventiva sobre a vida, sua busca constante em seus diálogos por meio da arte e do pensamento, de forma sempre inovadora, permeia de inusitados e por que não dizer, também, previsíveis, em alguns aspectos, questionamentos filosóficos sobre as grandes verdades que nos são impostas.
Sua trajetória profissional e vital, professada e criticada por sua própria voz, evoca um balanço e uma nova possibilidade de ser. Seus 72 anos resistindo à ideia de sê-lo. Domingos se permite documentar, mas não se encerra em si. Inquieto e um doce provocador das próprias verdades no seu mundo de ficção. Sua arma secreta contra a teimosia das rugas é a palavra, a poesia – sinônimas em seu discurso.
Domingos
MARIA RIBEIRO
BRASIL - RJ / BRAZIL - RJ
72', cor, Mini-DV, 2008
Diálogos: FALADO EM PORTUGUÊS / PORTUGUESE DIALOGUES
Legenda: LEGENDAS ELETRÔNICAS EM INGLÊS / ELETRONIC ENGLISH SUBTITLES
Autor de mais de 20 peças de teatro e 13 filmes, de “Todas as Mulheres do Mundo" (66) ao recente “Juventude” (08), Domingos de Oliveira, 72 anos, vive como um menino que estivesse apenas começando a viver. “Não tenho 70 anos, tenho 7”, costuma brincar. Um artista inquieto, que resiste a rótulos e que não para de escrever nem de pensar coisas novas, ele percorre os dias com uma rotina simples, à qual não podem faltar nem o amor, nem a liberdade. Neste documentário, ele fala sobre os cineastas que mais o influenciaram – Truffaut, Godard, Chaplin e Fellini -, enquanto ensaia mais uma peça e reflete sobre o mundo, o Cinema Novo, a esquerda, o movimento hippie e sua negação da morte. Não falta nem mesmo a própria autocrítica: “Minha obra é medíocre, a minha visão de mundo é que é linda”.
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 26/03 - Sessão de Abertura –
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 28/03 - 18H00
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (RIO DE JANEIRO - RJ) - 31/03 - 16H30
28/02: Milk, A voz da Igualdade
Certas escolhas nos levam à solidão. Ter uma postura de honestidade consigo mesmo nem sempre é interpretado como algo positivo. Reconhecer uma verdade como apenas uma das maneiras de se enxergar a vida quase sempre atinge direto o fígado do dono da verdade absoluta.
Milk, A Voz da Igualdade do diretor Gus Van Sant narra a biografia de um ativista homossexual que sai do armário e usa sua verve política para lutar pelos direitos das minorias. Após anos de insistente candidatura, Milk é eleito. É o primeiro caso de um gay assumido tomar posse em um cargo público. A década de setenta, quando Milk finalmente conquista o primeiro degrau de seu objetivo, é também a década de seu assassinato.
Homem de personalidade irreverente, um típico anti-herói que, com alegria e esperteza, procura dizer ao mundo, pelo menos ao de São Francisco, que liberdade só é possível com tolerância. O ideal de Milk vai tomando uma proporção muito maior do que a sua própria vida e, em muitos momentos, o filme mostra que vida privada e ideal político se misturam.
Gus Van Sant não exercita muito seu jeito particular de filmar nesta história, usando pouco de seus habituais recursos narrativos. Ainda assim, ele mexe na questão temporal para fugir do comum. Gus faz de Sean Penn o próprio filme. Deixa todo mais em segundo plano, destaca o ator no máximo sentido e, cada gesto, cada sorriso de Penn se torna a frase maior do filme. Habilidades recíprocas entre ator e diretor dão total dignidade à história da personagem narrada.
Milk, A voz da Igualdade diz em alto e bom tom que a felicidade vem de dentro pra fora. Você pode até lutar para melhorar o mundo, mas não pode esperar que ele te faça feliz.
Milk, A Voz da Igualdade do diretor Gus Van Sant narra a biografia de um ativista homossexual que sai do armário e usa sua verve política para lutar pelos direitos das minorias. Após anos de insistente candidatura, Milk é eleito. É o primeiro caso de um gay assumido tomar posse em um cargo público. A década de setenta, quando Milk finalmente conquista o primeiro degrau de seu objetivo, é também a década de seu assassinato.
Homem de personalidade irreverente, um típico anti-herói que, com alegria e esperteza, procura dizer ao mundo, pelo menos ao de São Francisco, que liberdade só é possível com tolerância. O ideal de Milk vai tomando uma proporção muito maior do que a sua própria vida e, em muitos momentos, o filme mostra que vida privada e ideal político se misturam.
Gus Van Sant não exercita muito seu jeito particular de filmar nesta história, usando pouco de seus habituais recursos narrativos. Ainda assim, ele mexe na questão temporal para fugir do comum. Gus faz de Sean Penn o próprio filme. Deixa todo mais em segundo plano, destaca o ator no máximo sentido e, cada gesto, cada sorriso de Penn se torna a frase maior do filme. Habilidades recíprocas entre ator e diretor dão total dignidade à história da personagem narrada.
Milk, A voz da Igualdade diz em alto e bom tom que a felicidade vem de dentro pra fora. Você pode até lutar para melhorar o mundo, mas não pode esperar que ele te faça feliz.
O Oscar 2009 só me comprovou definitivamente o tédio que é essa premiação.
Qual é o mérito do filme grande vencedor do Oscar? O baixo custo, a Índia e os indianos, as mensagens (segundo um correspondente da Rede Globo), o já exploradíssimo discurso do oprimido ou o manjado uso do clichê e do apelo comercial?
Desculpem-me os especialistas ou quem tenha gostado muito deste melodrama, mas tanta badalação em cima de Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle) soa, na minha opinião, um retrocesso cinematográfico - ainda mais se pensarmos que o diretor é o mesmo de Trainspotting - Sem Limites (1996). O filme transcorre e até diverte na sua primeira fase, mas não inova e muito menos comove. Suas seqüências apelativas e corriqueiras não surpreendem, a não ser a algum desavisado que ainda se sensibiliza com pieguice em busca de tola platéia.
Uma adaptação conveniente à bilheteria fácil e com intenso discurso novelesco. Atores indianos, miséria indiana e um sujo e colorido visual. Tudo isso sob um oportuno olhar hollywoodiano, ganhando prêmio com matéria prima de “Bollywood”.
Assistindo Quem Quer Ser um Milionário? tive orgulho das adaptações Cidade de Deus (2002) e Ensaio Sobre a Cegueira (2008), ambas dirigidas por Fernando Meirelles.
Qual é o mérito do filme grande vencedor do Oscar? O baixo custo, a Índia e os indianos, as mensagens (segundo um correspondente da Rede Globo), o já exploradíssimo discurso do oprimido ou o manjado uso do clichê e do apelo comercial?
Desculpem-me os especialistas ou quem tenha gostado muito deste melodrama, mas tanta badalação em cima de Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle) soa, na minha opinião, um retrocesso cinematográfico - ainda mais se pensarmos que o diretor é o mesmo de Trainspotting - Sem Limites (1996). O filme transcorre e até diverte na sua primeira fase, mas não inova e muito menos comove. Suas seqüências apelativas e corriqueiras não surpreendem, a não ser a algum desavisado que ainda se sensibiliza com pieguice em busca de tola platéia.
Uma adaptação conveniente à bilheteria fácil e com intenso discurso novelesco. Atores indianos, miséria indiana e um sujo e colorido visual. Tudo isso sob um oportuno olhar hollywoodiano, ganhando prêmio com matéria prima de “Bollywood”.
Assistindo Quem Quer Ser um Milionário? tive orgulho das adaptações Cidade de Deus (2002) e Ensaio Sobre a Cegueira (2008), ambas dirigidas por Fernando Meirelles.




