15/01: Deus virou brasileiro?

Postado por: Jose Niemeyer
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8:26:32 PM

A última pesquisa realizada pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – aponta o Brasil como o único país, dentre os mais relevantes, realmente preparado para enfrentar a crise econômica que se alastra pelo sistema internacional.

O que houve? Será que nossa secular baixa estima nos fará deprimir e considerar esta afirmação uma ilusão dos que se dizem especialistas em economia e desenvolvimento internacional?

Não. Seria mesmo uma autopunição e uma pretensão com relação aos estudiosos do tema não aceitar que este País mudou para melhor.

Se as mudanças que ocorreram, ocorreram nos últimos anos ou nas últimas décadas, não teremos espaço suficiente para debater aqui.

Poderíamos dizer, por exemplo, que a instituição da aposentadoria rural para o trabalhador do campo, durante a ditadura militar, foi base para a modernização das relações entre capital e trabalho dentro da fazenda. E que o sucesso estrondoso do agro-negócio nos últimos anos também se relaciona a este fato.

Ou o que foi o controle da inflação instaurado durante os anos 90 e o maior planejamento das famílias que estimulou o mercado interno imenso que irá garantir uma parte da travessia sob o ‘mar de crise’.

Ou que o maior planejamento das famílias está intimamente relacionado com uma sociedade mais competitiva e inclusiva do ponto de vista institucional – leia-se sistema democrático -, que favorece a criatividade, o empreendendorismo e a solidariedade.

Ou que os vinte milhões de brasileiros voluntários – de dia ou pelas madrugadas - formam um exército informal para qualquer tipo de mobilização; inclusive para a ação da guerra que, Oxalá, não nos forjou como nação.

Ou que as pessoas podem, hoje, melhor se comunicarem para fazer solidariedade e para conviver. A revolução do uso da internet no Brasil e os seus desdobramentos fantásticos ainda não foram eficientemente mensurados como contribuição para o desenvolvimento da vida nacional.

Ou que o País já possui não ilhas, mas grandes centros de produção de serviços com alta tecnologia. E mais: o setor industrial no geral se adequou muito depressa às exigências de um mundo em transformação na perspectiva geo-estratégica.

Ou que, desconsiderando o título deste artigo, ser brasileiro é respeitar o Deus do outro nos domingos, e, na segunda feira, ‘tocar a vida para frente’.

Desconsiderar estes exemplos, entre centenas de outros, é uma mescla de conservadorismo com uma pitada de tendência maníaco-depressiva.

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09/01: O profissional graduado em Relações Internacionais e as Minas Gerais

Postado por: Jose Niemeyer
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4:17:47 PM
O estado de Minas é estratégico em gênero, número e grau.

É estratégico por ser centro produtivo de bens, serviços e cultura (s) para o País.

Minas Gerais não tem porto nem praia.

Todavia esta posição insulada dentro do território, em consonância com seu dinamismo econômico-social, confere a Minas uma emblemática posição de interdependência complexa com as regiões em torno do estado.

Como se a realidade mineira produzisse forças centrífugas e centrípetas que, mesmo contraditórias em certos momentos, criam desdobramentos muito singulares que terão de ser compreendidos e reelaborados pelas regiões e estados fronteiriços.

Esta Minas Gerais vista como um organismo vivo que ‘digere, processa e devolve’, acaba também se constituindo como um objeto das Relações Internacionais do Brasil.

Para a América do Sul a localização geo-estratégica das Minas Gerais é inconteste.

São vetores de logística, processos produtivo-industriais, geração de mão-de-obra qualificada e produção de tecnologia e valores culturais que influenciam a vida sul-americana.

Na perspectiva atlântica Minas Gerais é um dos centros irradiadores de progresso econômico e de projeção comercial do País.

Em uma visão local a cidade de BH cada vez mais se coloca como uma super-cidade e deve buscar sua inserção internacional a partir dos seus órgãos municipais.

O turismo e a produção de cultura são táticas centrais deste processo.

E qual seria a relação de Minas Gerais com a profissão de ‘Internacionalista’, aquele (a) jovem graduado em Relações Internacionais?

Desde a abertura comercial definitiva iniciada nas últimas décadas, em paralelo ao processo de internacionalização dos fluxos produtivos e financeiros, e, ainda, firmada a lógica inconteste da globalização, se pretende definir o campo de atuação dos chamados “Internacionalistas”.

Alguns serão diplomatas. Outros pesquisadores e professores; funcionários de organizações e agências internacionais; pessoas de governo; e assim por diante.

Mas, na sua maioria, os formados em Relações Internacionais irão atuar como conselheiros de alto nível nas organizações privadas e empresariais, nacionais ou multinacionais.

Estes serão analistas com um perfil multidisciplinar, muito denso, estando preparados para pensar a conjuntura externa sob a influência da situação doméstica. E vice-versa.

Na perspectiva da empresa brasileira-mineira, cada vez mais inserida no sistema-mundo, as oportunidades serão variadas.

Os internacionalistas do setor privado brasileiro-mineiro irão, por exemplo, auxiliar na tomada de decisão do parque industrial-minerador em assumir, ou não, novas parcerias e projetos com empresas estrangeiras; formatar informações para a definição das parcerias comerciais e de marketing que as redes varejistas mineiras buscarão implementar dentro do contexto do MERCOSUL; apresentar relatórios alternativos sobre os países nos quais as empresas de telecomunicações enxergam possibilidade de mercado a partir de Minas; analisar as muitas variáveis geoestratégicas das commodities agrícolas produzidas no estado de Minas Gerais; pensar o fornecimento de energia a partir dos centros de distribuição regionais que passam por Minas e prospectar sua repercussão continental...

Em suma, os ‘Internacionalistas’ mineiros trabalharão em empresas privadas, multinacionais ou ‘mineiras’, atuando como assessores esclarecidos e dotados de uma gama sofisticada de instrumentos de análise, tanto de conjuntura nacional e internacional, como de cenários prospectivos.


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01/01: A Defesa Nacional ‘abrangente’ e a América do Sul

Postado por: Jose Niemeyer
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3:36:23 PM
Quais são as características básicas do contexto sul-americano que encerram condições para a implantação de um sistema de defesa nacional com o perfil ‘abrangente’, quer dizer, não reduzido aos processos, estratégias, recursos e objetivos eminentemente militares?
Em primeiro lugar conta a questão histórica e geopolítica.
A América do Sul no contexto pós-Guerra Fria quase que ‘distendeu-se’. A indefinição e ao mesmo tempo a ‘paz americana’ trouxe ao continente a possibilidade de maior autonomia ao mesmo tempo que a necessidade de maior responsabilidade por parte dos países da região.
Com o Brasil não foi diferente. Mesmo o País sendo visto como um país-chave na região, a posição do Brasil no mundo pós-Guerra Fria, principalmente no continente sul-americano, pauta-se pelo autonomia com responsabilidade.
Uma postura de defesa nacional abrangente, não necessária e exclusivamente pautada pela utilização de recursos e por objetivos militares, acaba se configurando como uma estratégia eficiente para uma, digamos, ação ‘autônoma, porém mais cooperativa’.
Dentro deste enfoque qual é a ação de defesa nacional mais eficiente e eficaz, por exemplo, em se tratando de uma epidemia de determinada doença na região norte-amazônica? A utilização exclusiva de recursos militares ou a alocação de meios abrangentes ‘de defesa nacional’? A mobilização de recursos humanos e equipamentos militares exclusivos ou a organização de uma logística e mobilização de médicos de saúde, infra-estrutura hospitalar e a supervisão de técnicos do Ministério da Saúde e das Secretarias Municipais de Saúde envolvidas?
Do ponto de vista diplomático-institucional uma postura de ‘defesa nacional abrangente’ pode vir a evitar constrangimentos - bilaterais ou multilaterais -, com países vizinhos historicamente sensíveis à ação brasileira no campo da alta política.
Neste caso, uma Política de Defesa Nacional se calçaria mais em bases de cooperação e de ação política do que em processos sempre mais assertivos ou originalmente concebidos na ótica militar.
Ainda nesta abordagem, qual seriam ações de defesa mais eficazes se a ameaça fosse um potencial incêndio de proporções gigantescas na floresta amazônica? A utilização de informações estratégicas via um compartilhamento transnacional do Sistema Sivam/Sipam ou um posicionamento de força na fronteira norte?
Também o enfoque integracionista contemporâneo determina objetivos que podem ser muito melhor alcançados a partir de modelos e processos com base abrangente - conceitual e operacional -, de defesa nacional.
A integração regional (bi e multilateral) é o locus ideal para equacionarem-se os custos da autonomia e os ganhos da responsabilidade.
A ação de defesa nacional, neste caso, é variável determinante. Seus meios e objetivos (e valores implícitos) devem ser muito bem mensurados.
Sob a ótica do desenvolvimento regional, os resultados de projetos e processos de uma defesa nacional abrangente podem ser dimensionados pelas próprias dinâmicas envolvidas e seus resultados.
Por exemplo. Os investimentos em infra-estrutura nos chamados ‘espaços vazios’ (e vitais) do País ganham cada vez mais um caráter complementar às ações tradicionais de defesa nacional. Seriam aquelas parcerias entre o setor público e privado para a construção de: estradas interligando cidades estratégicas; portos multi-moldais; vilas agroindustriais de fronteira; entre outros. São processos que abrangeriam outros processos - e vice-versa -, de defesa nacional.
Por último, têm-se as questões mais tradicionais, originalmente condicionadas ao campo estratégico-militar. De uso da força.
Mas mesmo neste âmbito um posicionamento ‘abrangente’ de defesa nacional poderá aumentar a eficiência e a eficácia dos processos, seja com o melhor gerenciamento de objetivos e/ou alocação de recursos – sempre operando entre a exclusividade de um emprego militar e/ou via a complementaridade de processos ‘abrangentes’ -, seja com a projeção de uma concepção de defesa nacional mais cooperativa e institucional na perspectiva interestatal sul-americana.

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17/12: A campanha de 2010 começou.

Postado por: Jose Niemeyer
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1:36:55 PM
2010 chegou ontem.

O pacote de estímulo ao consumo apresentado no dia 11 de dezembro de 2008 pelo governo Lula abre a disputa eleitoral para a escolha do próximo Presidente da República.

Principalmente porque beneficia diretamente uma parte estratégica do eleitorado brasileiro: a classe média.

O raciocínio das lides petistas e lulistas é muito claro: garantido um apoio mínimo da classe média até outubro de 2010, o candidato do atual governo estaria no segundo turno. Mesmo sendo ele, hoje, um candidato (a) em processo de definição.

Contando com as já esperadas aparições midiáticas do Presidente Lula na campanha eleitoral de 2010, as chances de vitória seriam reais.

Nesse caso os estrategistas de campanha do governo talvez devessem deixar tais aparições reservadas para a campanha do segundo turno, principalmente porque o carisma do cabo eleitoral Luis Inácio da Silva deve ser preservado; este pode se encontrar mais desgastado pela gravidade da crise durante o biênio 2009/2010.

E quanto à oposição?

A variável-chave para a oposição é o tempo. Melhor: é administrar a perda de tempo.

O candidato das oposições para 2010 deve ser escolhido o mais rápido possível. Principalmente para conquistar a outra parte (e grande) da classe média que o PT e aliados talvez não consigam manter ou mesmo atingir.

Principalmente o PSDB não poderá perder tempo em construir um discurso muito claro e próprio para a classe média.

O tempo é fundamental nesse caso, sendo o País muito grande e complexo.

O discurso da oposição deverá alcançar todas as ‘classes médias’, e estas, não necessariamente, seguem um mesmo padrão de conduta na urna eletrônica.

Por exemplo. Conquistar, logo, a classe média nos estados do nordeste é fundamental para formar opinião nos grupos que influenciam, tradicionalmente, as classes D e E naquela região. Um eleitorado que até agora apoiaria com entusiasmo o candidato de Lula.

Desta feita, uma das certezas no processo eleitoral que se inicia é a torcida ‘de final de Copa do Mundo’, por parte dos integrantes do governo atual, para que Serra e Aécio disputem uma indicação no partido e, assim, percam um tempo imperdível...

Ainda sobre o PSDB, a questão poderia piorar antes de melhorar se os partidários de Geraldo Alckmin (sim, eles ainda vivem!) voltassem a atuar com força no partido.

Este cenário foi descartado com a vitória de Kassab, dizem aqueles que têm horror em perder tempo na vida.

Será?

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08/12: Obama e Hillary

Postado por: Jose Niemeyer
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5:46:21 PM
A escolha da Senadora Hillary Clinton como Secretaria de Estado finalizou um processo iniciado com as primárias para a escolha dos candidatos a Presidente dos EUA.

A iniciativa do Presidente eleito foi muito eficiente. Em primeiro lugar atrai a burocracia do Partido Democrata e o grupo político dos Clinton.

Num segundo plano coloca no comando da Secretaria de Estado alguém que conhece as questões internacionais e sua complexidade intrínseca.

Todavia a escolha de Hillary pode também representar algumas contradições com relação ao curso continuado (ou não!) da Política Externa norte-americana.

Como a nova auxiliar de Obama (ela será uma auxiliar ou não?) vai tratar a estratégia de combate ao terror principalmente com relação à fronteira Paquistão-Afeganistão, vide o desdobramento, novo e muito grave, da relação entre Índia e Paquistão?

Se continuar a estratégia de presença e de ocupação utilizada na administração Bush novos meios deverão se alocados para a fronteira ‘cavernosa’ paquistanês-afegã. Esta diretriz seria, inclusive, muito mais compreensível tendo em vista a manutenção do Sr. Gates como homem forte na pasta da Defesa.

Mas como convencer os deputados democratas menos ideológicos e mais progressistas sobre esta estratégia? Principalmente aqueles que misturam terrorismo com Direitos Humanos e desenvolvimento político-econômico? E, focando o argumento, como fazer com que eles não se posicionem sendo a Secretaria de Estado uma democrata de quatro – costados?

Não nos esqueçamos da forte maioria democrata no Congresso norte-americano e a possível tentativa dos republicanos mais moderados em misturar ao máximo o argumento do Governo Obama no que tange a equilibrar interesses de Política Externa e de Política de Defesa Nacional.

As negociações nas duas casas legislativas serão duras e fundamentais. A defesa de agendas no que se refere a estes interesses será organizada: 1) a partir da Secretaria de Estado, muito centrada na figura de Hillary e alguns assessores, 2) ou daquelas instâncias estatais ligadas à superestrutura do Pentágono e das agências de inteligência?

Nesse caso Hillary pode vir a ser um instrumento a favor daquilo que seria bom que fosse, mas que não é possível que seja.

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25/11: Meritocracia e Relações Internacionais.

Postado por: Jose Niemeyer
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1:30:07 PM
Com a internacionalização dos processos produtivos e culturais a posse e a sistematização da informação ganha um caráter definitivo.

O aprofundamento dos regimes democráticos é causa e conseqüência da participação da sociedade civil e de seus sub-níveis nos processos decisórios.
A partir destas duas premissas dadas, principalmente num mundo pós-Guerra Fria, marcado por aquilo que chamou Half Darendorf de ‘Sociedades Abertas’, a idéia de Meritocracia se apresenta como cada vez mais moderna e pertinente às estruturas sociais vigentes.

Assim, como pensar o processo irreversível da Globalização e o aprofundamento das práticas da participação e inclusão política sem considerar a Meritocracia como um meio estratégico visando uma boa convivência na ‘pólis’?

Para sobrepormos a idéia de ‘pólis’ grega na conjuntura atual de ‘cidades pós-modernas’, é pré-condição considerarmos o processo de formação de novos atores sociais e de aumento progressivo da mobilidade sócio-econômica, objetivos só alcançados a partir de políticas públicas que tenham como um dos seus principais valores a Meritocracia; seja entre os indivíduos e ou instituições.

A eficiência das práticas sociais locais, regionais ou internacionais irão, progressivamente, depender dos parâmetros de Meritocracia; mas sociedades dadas como meritocráticas não devem servir de modelos prontos e fechados.

Estas devem, sim, buscar uma articulação institucional com realidades sociais diversas que podem estar operando outros instrumentos e parâmetros de Meritocracia.
Ao mesmo tempo, sociedades menos desenvolvidas não devem aceitar um padrão de conduta e de percepção da realidade que nivele por baixo suas reais potencialidades.

A Meritocracia desfaz hierarquias; aproxima os indivíduos; diminui distâncias geográficas.
Enfim, é uma ferramenta importante para a construção de um contexto de relações internacionais mais aberto e equânime no que se refere às oportunidades.

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21/11: As Minas Gerais e as Relações Internacionais

Postado por: Jose Niemeyer
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5:41:50 PM
O estado de Minas é estratégico em gênero, número e grau.

É estratégico por ser centro produtivo de bens, serviços e cultura (s) para o País.

Na perspectiva política os eleitores mineiros ajudam a definir a eleição deste ou daquele Presidente da República. Os movimentos de competição e a inclusão política a partir de Belo Horizonte e das cidades importantes do interior são fundamentais para o curso do processo eleitoral brasileiro na ótica federativa.

Minas Gerais não tem porto nem praia. Todavia esta posição insulada dentro do território, em consonância com seu dinamismo econômico-social, confere a Minas uma emblemática posição de interdependência complexa com as regiões em torno do estado. Como se a realidade mineira produzisse forças centrífugas e centrípetas que, mesmo contraditórias em certos momentos, criam desdobramentos muito singulares que terão de ser compreendidos e reelaborados pelas regiões e estados fronteiriços.

O mineiro é o brasileiro típico. Síntese da nossa capacidade de solidariedade, de criatividade e de olhar para frente; mas sabendo de onde viemos. O ‘Homem Brasileiro’, que está em construção, é muito mineiro.

Esta Minas Gerais vista como um organismo vivo, que digere, processa e devolve, acaba também se constituindo como um objeto das Relações Internacionais do Brasil.

Para a América do Sul, a localização geo-estratégica das Minas Gerais é inconteste.

São vetores de logística, processos produtivo-industriais, geração de mão-de-obra qualificada e produção de tecnologia e valores culturais que influenciam a vida sul-americana.

Na perspectiva atlântica Minas Gerais é um dos centros irradiadores de progresso econômico e de projeção comercial do País. A cidade de Vitória é meio fundamental deste processo, vetor complementar disto que se origina lá em Minas.

Em uma visão local a cidade de BH cada vez mais se coloca como uma super-cidade e deve buscar sua inserção internacional a partir dos seus órgãos municipais.

Neste contexto, uma Secretaria de Relações Internacionais no organograma da prefeitura seria uma ação muito importante. A cidade deve começar a criar redes de articulação internacional com outras super-cidades, as chamadas ‘cidades-irmãs’.

O turismo e a produção de cultura, incluindo a maneira de viver do mineiro, são táticas centrais deste processo.

Na panorâmica mais sistêmica, Minas Gerais representativa na federação e no continente reforça o posicionamento do Brasil como ‘global trader’ e potência emergente num mundo em transformação.

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14/11: É a política, estúpido!

Postado por: Jose Niemeyer
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4:35:03 PM
A recente crise financeira revelou uma percepção geral já por si só muito alvissareira: a importância da política como meio para o encaminhamento e para a solução de crises e conflitos de interesse.

Aliás, a conjuntura imposta retomou a idéia da política também com um ‘valor’, um princípio, que define as possibilidades da convivência social e de construção do bem-estar dos indivíduos.

Com a ação política nacional e internacional assumindo novas e velhas assertivas, retomou-se com muito maior ênfase a idéia de consenso mínimo; de dissenso administrado; de negociação; de participação; de inclusão; de cooperação; de bem comum.

A beleza da percepção - e conseqüente ação - do que venha a ser a ‘política’ reside exatamente na pré-condição em não se compartimentar a própria política.

Mesmo indeterminada no que se refere a sua essência conceitual e filosófica - e Oxalá assim continue para a discussão sempre muito rica - o campo da ação política é fundamentado pela definição concreta de objetivos; de oportunidades; de incentivos e custos compartilhados; práticas informais; processos formais.

Esta boa dicotomia entre perspectivas conceituais (ciência) e vida real (prática) é que faz do campo da política um referencial atemporal de solução de controvérsias, conflitos, crises e mesmo guerras formais.

O enquadramento institucional de questões variadas da vida em sociedade se origina a partir das predisposições (conceituais e ideológicas) e das ações políticas concretas, quer em um âmbito local como em panorâmica internacional.

A ‘cidade’ se mantém e se processa a partir da “‘polis’tica”. Assim foi, é e será.

O indivíduo, o agente econômico, a empresa, a instituição estatal, o Estado, os regimes, os pactos de integração, as organizações internacionais, o sistema de Estados, e outras centenas de fatores e processos, se ajustam a um contexto conceitual e instrumental eminentemente político.

O restante são as questões passadas, atuais e futuras que se originam, amadurecem e apodrecem a partir de um enfoque perene e auto-emblemático da política.

Nesta abordagem, a crise financeira atual é apenas mais uma destas questões. Nada mais do que isto.

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14/11: O País depois da crise

Postado por: Jose Niemeyer
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4:25:05 PM
Fala-se da crise financeira, de seus desdobramentos econômico-estruturais, de suas causas e soluções de curto-prazo... Mas trata-se pouco do ambiente pós-crise, principalmente em um país com as características do Brasil.

O Brasil continuará a ser - como já colocado em artigo anterior - um ‘país da oferta’, ou todo o progresso irá se esvair na ‘vala comum’ da falta de crédito? Deixaremos de ser base de exportação importante para os mercados ocidentais e para países estratégicos do Oriente? Perderemos o ritmo fantástico da produtividade alcançado no setor da agro energia? Esqueceremos-nos das vantagens competitivas no que se refere à disponibilidade confortável de recursos naturais variados e que são diretamente proporcionais ao estoque de espaços potenciais para aumento da produção? Desprezaremos os avanços sócio-políticos no campo da participação popular e da organização de entidades que representam cada vez mais, de maneira capilar e profunda a sociedade brasileira? Faremos uma auto-emulação e preferiremos a prostração dos sentidos e das vontades, sentindo-nos fracos como sempre?

Ou continuaremos a acordar cedo e tomar o ônibus para o trabalho, dia após dia?

As oportunidades surgirão no momento pós-crise para aqueles países mais ‘arrumados’ na perspectiva político-institucional e macroeconômica. É o caso definitivo do Brasil.

Temos base industrial madura e em processo de transformação, inclusive na perspectiva das muitas regiões; mercado interno mais inclusivo em compasso com as exigências de um novo consumidor que vive em um País livre e plural; distância dos centros de ruptura, posicionando internacionalmente o Brasil como um ‘País pivô’ (CHASE et alii, 1999), mas em uma região menos afeita ao conflito; uma imagem de uma sociedade com mobilidade social e valores de solidariedade que fortalecem a idéia de cooperação, interna e externa. Entre outras dezenas de processos e procedimentos.

Pensemos, sim, a crise financeira e econômica. Mas pensemos também no médio e longo prazo, que nos será favorável.

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03/11: O PMDB ou Aécio?

Postado por: Jose Niemeyer
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10:42:00 AM
A eleição de 2010 implicará em fortalecer alianças ou em edificar novas parcerias eleitorais.

A posição fortalecida do PMDB no contexto pós-eleições municipais, principalmente no nordeste e no interior do País, classifica este partido como um agente-chave para 2010.

Ao mesmo tempo os processos internos de dispersão com relação aos prováveis candidatos do PSDB podem determinar um desejo de Aécio Neves em se candidatar por outro partido, apoiar o candidato de Lula ou não fazer nada.

Manter o apoio do PMDB é mais factível do que ter Aécio como aliado estratégico. Todavia a conjuntura política é mutável, principalmente quando a dinâmica partidária, no caso do PSDB, é muito centrada em lideranças fortes e que representam estados com grande peso eleitoral em uma mesma região. A divisão vem daí.

Em outras palavras: se houvesse uma forte liderança do PSDB no norte, sul ou nordeste seria mais fácil convencer Aécio acerca da candidatura de Serra.

Mas o PSDB é um partido de origem e ação muito voltada ao sudeste.

A esperança de FHC em uma chapa puro-sangue Serra-Aécio é uma forma de ajustar o dissenso ‘café com leite’. Neste lógica o apoio de Aécio à candidatura Alckmin para a prefeitura de São Paulo é mais do que óbvia.

Se Aécio ficar melindrado com a escolha de Serra para 2010 e ‘não fazer nada’ este ‘não fazer nada’ pode ser muito simbólico e passar a impressão de um apoio velado ao candidato de Lula.

É evidente que o apoio do PMDB ao candidato de Lula é mais provável que um apoio velado de Aécio.

Mas o apoio do PMDB pode ser mais caro que um ‘disfarçamento’ de Aécio com relação à candidatura Serra.

Agora, mude o título deste artigo para ‘O PMDB e Aécio’...


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