Troquei o Rock in Rio por um homem-banda
Entre carrinhos e sacolas, barganhas de floristas e ofertas de brócolis e cebolas, reconheci um som diferente. Na manhã daquele sábado, a feira me trouxe uma surpresa. O arranjo era inusitado, mas aquela melodia... Inconfundível. Ainda mais para quem havia acabado de enfrentar um dia pesado na redação do jornal.
"Tarararam, tarararam, tarara rock-in-riôô", reproduzia aquele personagem que era, sozinho, uma orquestra: nas mãos, uma sanfona; amarrado no antebraço, uma corda que puxava o prato, preso às costas; nos dois pés, cordas com as quais fazia funcionar um bumbo. Uma gaita ainda ficava ao alcance da boca, graças a um suporte no pescoço. Na cintura, uma sacola onde quem gostasse poderia deixar um agrado. E ele ainda tinha braço para agradecer por cada moeda, acionando uma espécie de buzina de bicicleta amarrada à cintura.
Que Katy Perry nada! Rihanna? Red Hot? Sensação mesmo foi Millor que, enquanto se apresentava, distribuía seu cartãozinho de homem-banda.
Na minha frente se materializava a música naïff.


"Confraternizações! Rua/Congressos! Mídia ecologicamente correta", está escrito no cartão.
Sim, o bumbo é feito de material reciclável, conta Millor, que tem pouco tempo e espaço para ensaiar.
"Divido apartamento com amigos. Não dá pra ficar fazendo muito barulho em casa..."
E ele segue. Virou a atração da feira, arrancando sorrisos fáceis e genuínos. Baião, MPB, funk e até Bob Dylan desfilam na sua orquestra.
Millor é de Itabira, terra de Drummond.
E faz poesia como um equilibrista das notas musicais.
Ganhei meu show do dia.
"Tarararam, tarararam, tarara rock-in-riôô", reproduzia aquele personagem que era, sozinho, uma orquestra: nas mãos, uma sanfona; amarrado no antebraço, uma corda que puxava o prato, preso às costas; nos dois pés, cordas com as quais fazia funcionar um bumbo. Uma gaita ainda ficava ao alcance da boca, graças a um suporte no pescoço. Na cintura, uma sacola onde quem gostasse poderia deixar um agrado. E ele ainda tinha braço para agradecer por cada moeda, acionando uma espécie de buzina de bicicleta amarrada à cintura.
Que Katy Perry nada! Rihanna? Red Hot? Sensação mesmo foi Millor que, enquanto se apresentava, distribuía seu cartãozinho de homem-banda.
Na minha frente se materializava a música naïff.


"Confraternizações! Rua/Congressos! Mídia ecologicamente correta", está escrito no cartão.
Sim, o bumbo é feito de material reciclável, conta Millor, que tem pouco tempo e espaço para ensaiar.
"Divido apartamento com amigos. Não dá pra ficar fazendo muito barulho em casa..."
E ele segue. Virou a atração da feira, arrancando sorrisos fáceis e genuínos. Baião, MPB, funk e até Bob Dylan desfilam na sua orquestra.
Millor é de Itabira, terra de Drummond.
E faz poesia como um equilibrista das notas musicais.
Ganhei meu show do dia.
