Arquivo de November 2010

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Balestreri vai à TV falar do Rio

jb


O secretário nacional de Segurança Pública, dr. Ricardo Balestreri, vinculado ao Ministério da Justiça, será o entrevistado hoje à noite no programa Tribuna Independente, da Rede Vida de Televisão, apresentado por este repórter.

O programa é ao vivo e em rede nacional, a partir das 22h15, direto de Brasília. Uma bancada composta por jornalistas da capital vai debater com Balestreri a situação do Rio de Janeiro, as ações da secretaria no estado e nas divisas com Minas e São Paulo, e as operações nas fronteiras do país em parceria com outros Estados.

O Tribuna também é interativo. À ocasião, os telespectadores poderão enviar perguntas por e-mail ( tribunadf@redevida.com.br ), telefone ( 0xx17 3355 8432 ), e twitter ( @leandromazzini ).

A Rede Vida tem cobertura nacional em UHF nas capitais e cidades do interior, além da NET, SKY e TVA. Transmissão também pela www.redevida.com.br

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Como a carruagem real expulsou os ladrões da rota

A coluna desta terça-feira
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jb

Há meses o setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do estado do Rio planejava para o início de dezembro a ocupação do complexo de favelas do Alemão. A maior e mais deslumbrante obra do PAC na cidade está na região, o teleférico que liga dezenas de favelas. E o presidente da República avisara que não deixaria o mandato sem passear na cabine. Para isso, portanto, era preciso expulsar o tráfico do local. Nada, nada fácil. Há décadas o complexo é a fortaleza do crime – como se viu pelas imagens de TV.

Quando vazou para a bandidagem a informação de que o BOPE e as Forças Armadas estavam prestes a invadir o local na surdina, os comandantes das facção que domina o local deram o sinal de contra-ataque prévio, de “tocar o terror” em vários pontos do Rio com incêndios e assaltos. As ações acabaram fortalecendo a força policial e antecipando a operação. Agora, Lula e o séquito podem passear no teleférico, sem medo de tiros e assaltos.


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Rio 16 x AK 47

O Informe JB Análise desta segunda

Como, sem querer, o presidente Lula acelerou a pacificação do Complexo do Alemão


O teor da conversa entre o governador do Rio, Sérgio Cabral, e do amigo e ex-ministro Geddel Vieira Lima, semana passada, revelado pela coluna, dá uma síntese do que é mais importante para o estado do Rio de Janeiro nestes tempos de combate concreto aos traficantes: “O que eu quero é dinheiro”, desabafou Cabral.

O tráfico de drogas é um câncer do Rio, contra o qual o estado, principalmente a capital, luta há décadas. Longe da demagogia de políticos, obviamente desdenhamos de uma verdade incômoda. Se há tráfico de drogas, jovens traficantes ganhando muito dinheiro e fuzis circulando livremente por favelas, é porque há consumo. E nisso, a sociedade tem a sua grande parcela de culpa. Mas o jogo está se invertendo, e toda a sociedade é testemunha disso nestes últimos dias.

Nunca uma operação de guerra envolvendo polícia e Exército foi tão eficaz, e com demasiado apoio da população – inclusive as comunidades sob a tutela dos moleques que impõem o terror aos moradores. Nada mais necessário, então, com este diagnóstico considerável de impureza nesse organismo que é o Rio, que o remédio seja letal para este tipo de doença: o combate frontal, a guerra inevitável, uma hora aconteceria. Simples. Ou combate-se o mal tal como ele massacra a cidade, ou morre o Rio.

É uma vergonha para um estado ver jovens, muitos até adolescentes ainda, carregarem uma arma potente e de tiro letal como o fuzil russo AK-47, que chega aos morros dos Rio,aos montes, só Deus sabe como. Enquanto policiais militares andam nas ruas com armas de pequeno calibre no coldre. É a guerra do Rio. O Rio dos jogos de 2016 contra os fuzis AK-47 dos jovens guerreiros do morro. Se o estado quer a paz e segurança necessárias para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, deve vencer essa disputa já.

Sérgio Cabral, como candidato, prometeu em 2006 contratar 10 mil policiais. Não conseguiu nestes quatro anos, embora concursos apontem para isso na próxima gestão. Evidente que o orçamento pesa, há o demorado treinamento - e necessário - para enviar para as ruas os soldados. O governador quer contratar agora mais 7 mil policiais em 2011, e o número tende a crescer. Precisará de milhares de policiais só para os complexos de favelas da Vila Cruzeiro e do Alemão, se ele quiser manter a ocupação militar e social.

Daí Cabral gritar por verbas. O orçamento está contado. E o Rio corre o risco de perder bilhões de reais, em repasses especiais e de royalties pela exploração de petróleo, se uma emenda constitucional no Senado for aprovada, como já foi na Câmara dos Deputados. É disso que Cabral fala. O Rio precisa do dinheiro dos royalties atuais e dos futuros para manter a política de segurança pública e contratar policiais, e comprar armas.

O câncer é assim: Combate-se, mas ele volta se não for eliminado de fato.

Nota do colunista – Os traficantes flagrados naquelas imagens de TV feitos baratas tontas sob o efeito de inseticida acabaram por cair na armadilha que a polícia mais queria, para o bem daquela parte do Rio: todos num lugar só. A PM já preparava a incursão ao Alemão, por um fato político. O teleférico do PAC, maior obra do Rio hoje, está pronto e será inaugurado em dezembro. O presidente da República quer passear nele. E não seria possível esse passeio sem pacificar a área. Pronto, agora Lula pode ir.

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O Rio Grande do Norte quebrou

A coluna deste domingo
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jb

Governadora eleita do Rio Grande do Norte, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) assumirá o estado em condições precárias. Ela informou à coluna que o estado só terá 1% de condição de investimento do Orçamento a partir de janeiro, com caixa em déficit e contas a pagar, principalmente o funcionalismo público. O atual governo, de Iberê Ferreira (PSB), vice de Vilma Magalhães (PSB) que assumiu, garantiu bons reajustes a pelo menos três categorias de servidores, em três parcelas – duas delas para pagamentos no primeiro semestre de 2011. Além disso, Rosalba, que é médica pediatra, descobriu que a Saúde tem um déficit de mais de R$ 200 milhões.

Mais destaques na coluna no Digital

- A dupla derrota de Wilma de Faria
- DEM perto do fim?
- O novo livro de Pedro Simon
- BH e Brasília ainda querem abrir a Copa
- As resoluções de João Almeida (PSDB) para 2011
- Boletim de TV - o segredo de Agaciel


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Jaques cobra Ministério da Integração

A coluna deste sábado
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O GOVERNADOR DA BAHIA, Jaques Wagner, cercou a presidente eleita Dilma Rousseff como pode esta semana. Reuniu-se com ela a sós por três vezes, e conversou muito também com José Eduardo Dutra, presidente do PT. Jaques quer emplacar o ministro da Integração Nacional. O governador baiano, que deu votação boa para Dilma na Bahia este ano – além de ter saído forte das urnas contra os Carlistas e contra Geddel Vieira (PMDB) – tem lembrando que a cota da pasta é do estado. E que foi ele quem apadrinhou o próprio Geddel Lima, com quem acabou rompendo há alguns anos por causa da pretensão do pemedebista de disputar o governo.

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Brasil em teste no meio ambiente na COP 16

A coluna desta sexta-feira
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O Brasil terá seu teste de fogo sobre o meio ambiente em Cancun, no México, de 29 de novembro a 10 de dezembro, quando o debate sobre o clima será retomado na 16ª Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas para Mudança do Clima, a COP 16. Na bagagem, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, leva dados sobre a redução das queimadas na região amazônica – alvo constante de monitoramento de todos os países – e a notícia de que já tem R$ 226 milhões para o Fundo do Clima no país. A ministra também vai detalhar os primeiros cinco planos setoriais da Política do Clima para redução das emissões e adaptações discutidos com a sociedade.

Mais destaques da coluna no Digital


- O bar de Temer e Jobim
- PT não decide candidato ao comando da Câmara
- Pais monstros em SP
- Filha monstro no DF


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Boletins de rádio e TV

Acompanhe os boletins de rádio e TV da coluna, de segunda a sexta, na Rádio Digital News durante o dia, e na Rede Vida, às 21h40, no Jornal da Vida.

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Cabral: “O que eu quero é dinheiro”

A coluna desta quinta-feira
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O PMDB não deixa os seus órfãos em momentos de crise. Acuado, mas combativo no Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral recebeu ligação de Brasília, do amigo e ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, que se dispôs a ajudar no que for necessário na capital federal. “O que eu quero é dinheiro”, respondeu amigável o governador carioca. O fato é que o Rio investe pesado na instalação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), programa de sucesso de ocupação policial e social sem precedentes em favelas da cidade. E o governo pretende contratar mais 7 mil policiais ainda em 2011.

O orçamento é contado, e Cabral anda preocupado com o repasse dos royalties do pré-sal e da atual exploração. A Emenda Ibsen, que tira dinheiro do Rio e redistribui a bolada de imediato para outros estados (se aprovada no Senado), ainda é um fantasma para o cofre fluminense.

Mais destaques no Digital

- O mistério de Manuela
- As entrevistas de Lula
- Rei da carne dá palestra em SP
- Triângulo amoroso na Câmara


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Boletins de rádio e TV

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Ação contra Yeda vira calhamaço político

A coluna desta quarta-feira
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Uma decisão monocrática recente do ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, abriu uma polêmica política. Ele foi favorável a recurso do MP Federal para definir que a Lei n. 8.429/92 é aplicável também aos agentes políticos e acertou em cheio a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), em fim de governo. Yeda é acusada de improbidade. O caso vai para o STF, mas com um calhamaço de problemas, porque abre um precedente perigoso. Segundo o advogado de Yeda, Fábio Medina Osório, a partir da decisão do ministro, agora até o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – alvo de dezenas de ações na Justiça do país – pode ser provocado por qualquer procurador ou juiz federal que atuam em primeira instância, porque eles ganham legitimidade para julgar atos de improbidade.

Mais destaques na coluna no Digital

- Suplicy no Sudão
- Vesgo indenizado por Netinho
- Eduardo Campos & Dilma
- Zé Eduardo Cardoso já blindado


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PT reúne bancada e evita encrenca para Dilma

A coluna desta terça-feira
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O PT reúne hoje em Brasília sua bancada federal a fim de resolver um assunto para que ele não seja a primeira dor de cabeça para Dilma Rousseff em janeiro, assim que tomar posse. O partido vai debater com seus 79 federais atuais e os 35 eleitos um nome de consenso para se candidatar à Presidência da Câmara dos Deputados para o biênio 2011/12.

A decisão será dura, e talvez não saia agora. Pelo menos três candidatos estão no páreo e dividem a legenda em grupos, o que sinaliza crise interna: Arlindo Chinaglia e João Paulo Cunha, ex-presidentes que desejam voltar, e Candido Vaccarezza. Todos paulistas, e todos reticentes em abrir mão da disputa.

Mais destaques no Digital

- A boate de Agaciel
- Unesco vai pesquisar domésticas no Brasil
- Gretchen no Congresso
- Barrado o bonde da PM na final do Mundial de Clubes
- Boletim de TV da coluna


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Todas a mulheres da presidente

O Informe JB Análise desta segunda-feira

jb

Em política, a demagogia é a melhor arma de contra-ataque para escapar de um problema diante dos holofotes, mas a pior solução quando as luzes se apagam e o desafio se concretiza.

A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) tem um grande desafio e problema pela frente. Num momento talvez de euforia, - “A mulher pode”, costuma repetir, para ilustrar a sua saga rumo ao poder - ela disse que quer um terço de mulheres à frente do seu time ministerial a partir de 2011. Levando-se em conta que existem atualmente 37 pastas com esse status, e que a futura chefe da nação não deve mexer nessa estrutura organizacional, Dilma terá de nomear pelo menos 13 mulheres para os cargos. Nomear é fácil. Há companheiras de sobra em partidos aliados. O difícil é encontrar os perfis para cada ministério. E gente competente e com experiência nas áreas.

A própria presidente eleita já avisou ao grupo de transição que não quer amigos como ministros. Em primeiro plano, deseja técnicos, políticos ou não, cujos perfis sejam condizentes com as áreas preteridas. O time da transição sofre para entender isso. Os pedidos são numerosos. Creia o leitor que cada partido aliado que já abocanha um naco da Esplanada quer praticamente dobrar sua cota. É o jogo da transição a cada quatro anos. Dobra-se a aposta para, no pior dos cenários, manter-se no lucro. Ou tudo como está.

Mas faltam mulheres. Esta é a verdade. Dilma é uma exceção alçada pelo poder de Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo mais importante do país. Talvez ela tenha se esquecido disso quando ditou que as mulheres teriam poder. E elas o têm, de fato. Mas não como a presidente eleita sonha. Não que mulheres não estejam preparadas para assumir grandes postos. Mas o tamanho do desafio imposto pela eleita é o tremendo problema: o país ainda carece na política de mulheres com o perfil da própria Dilma. Ela busca as que se espelham nela. Essa é a verdade. Ou incita que as companheiras busquem isso.

Os bingos e a saúde

Se há um lobby forte e bem feito hoje no Congresso Nacional, é o do grupo dos empresários donos de bingos que foram fechados, jogados na clandestinidade pelo atual governo. O setor rende tanto dinheiro que eles mantêm fechadas grandes casas nas capitais, com aluguéis a preços altos, na expectativa de que a atividade seja regulamentada pela lei que está prestes a ser votada em plenários.

Na semana passada, diante da grita popular que começou, principalmente na imprensa, da suposta volta da CPMF no futuro governo, os aliados de Dilma Rousseff começaram a soprar, sabiamente como escape para a solução, que o reforço de caixa para a saúde não venha mais do imposto e sim de parcela na arrecadação das atividades dos bingos, uma vez legalizados. Mais uma vez o lobby atuando junto a todas as bancadas.

Veja o que disse ao repórter, em entrevista no fim do ano passado, o relator do projeto de lei que legaliza os bingos, deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), sobre a arrecadação para a União:

“O projeto prevê que 17% da receita de arrecadação sejam destinados a: 1% ao Fundo de Apoio ao Esporte, o chamado FAE; 1% ao Fundo de Apoio à Cultura, o chamado FAC; e 15% a problemas de saúde – 30% desses 15% para a União, e os outros 70% para os estados”.

O parlamentar estima que o setor repasse em arrecadação para a União algo em torno de R$ 17 bilhões por ano.

Ou seja, pelos cálculos com base nos índices supracitados, estima-se que a saúde ganhe R$ 2,55 bilhões/ano, com repasses assim divididos: R$ 765 milhões para a União e R$ 1,78 bilhão para os estados.

Dilma que se cuide. Na ponta do lápis, é mais fácil ela reaver a CPMF em causa própria. Assim que governadores descobrirem o cálculo dos bingos, eles entrarão na jogatina.

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Senna - comentário

jb

Eu me lembro quando a cidade parava, e o domingo era um silêncio. Apenas o ronco longínquo dos motores dos carros, a emoção do narrador de TV, os sons que vazavam pelas frestas de portas e janelas de cada casa e ganhavam o coração. E o domingo naquele silêncio único.

O Ayrton era a nossa manhã dominical.

Para os jovens, adolescentes e crianças que não o viram, o meu lamento. Senna foi o maior piloto de todos os tempos da Fórmula 1, pelo que fez, e pelo que sonhamos que poderia fazer até poucos anos atrás. Ele teria agora 50.

Senna pilotou quando os carros eram duros, pesados, com câmbio manual no piso do cockpit. Ele é da era em que havia pilotos na F1, e não máquinas automatizadas como as de hoje que fabricam pilotos.

Quando as engenhocas eletrônicas começaram a ganhar os carros, Senna já era tricampeão. E reclamou. A tecnologia não poderia substituir nunca o talento de homens.

Senna foi único porque foi audaz, destemido. Não foi covarde como Rubinho e Felipe Massa, que abrem para seus parceiros passarem, fantoches dos volantes. Nunca fez isso, não se sabe até hoje se houve esse pedido, mas se houvesse, ele não deixaria. E não deixou, provou isso. Em Mônaco pediram para reduzir certa vez porque ele estava se distanciando de Alain Proust, em segundo. Senna acelerou, acelerou mais e tanto que bateu o carro. Mas nunca se deixou humilhar.

Senna foi ídolo porque parou o carro numa corrida no meio a pista, desceu e correu em meio às máquinas para socorrer um colega ferido. Senna, com suas virtudes e defeitos, nunca deixou de ser humano, nem deixou o estrelismo superar seu talento e seu caráter.

"A F1 é política", diz, no documentário. Desde aqueles tempos o circo já se queimava em dinheiro, armações e brigas. Mas ele sempre foi o piloto, não o jogador. Sempre buscou a vitória, mesmo que lhe custasse a saúde. E a vida.

O documentário sobre Senna é excelente. Cenas exclusivas dos boxes e de sua vida pessoal. Vale a pena relembrar a saga do herói.

Estava na fila de um cinema neste sábado quando ouvi um casal de jovens atrás conversar sobre Senna. "Ele era bom?", perguntou a menina ao namorado. "Dizem que sim", respondeu, seco. O casal assistiria a Harry Potter, como outras centenas na fila.

A essa turma, que não viu Senna, o que acho: "Menina, se desse uma vassoura voadora para Senna, ele daria duas voltas em cima de Harry Potter".

Pobre garotada. Acredita em heróis de cinema.

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Nove mortos em acampamento do Pará

A coluna deste domingo
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Nove lavradores foram assassinados apenas nos últimos 40 dias em acampamentos em Santana do Araguaia, no interior do Pará, onde trabalhadores rurais e suas famílias, organizados na área pelo Incra, esperam a regularização dos assentamentos. A denúncia é da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no estado. Há dois anos, pelo menos 700 famílias estão acampadas na região, sem proteção, e são alvo de pistoleiros de fazendeiros da região, de acordo com os dirigentes do acampamento. O último assassinato ocorreu dia 12. Ladilson de Souza. Outros três coordenadores das famílias - Pedro Alcântara de Souza, Osvaldo Pereira da Silva, Paulo Roberto Paim - também foram assassinados, todos pais de família, além de outros cinco lavradores não identificados.

Mais destaques no Digital

- A luta pela implantação Justiça Agrária no país
- Pólo de Audiovisual em Cataguases, terra de Humberto Mauro
- MT aumenta fiscalização na construção civil
- Prêmio Congresso em Foco
- Lula no Teleférico do PAC
- Vídeo - Canal aberto com o líder do PT


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E Brasília, aos 50 anos, foi parar no Egito

A coluna deste sábado
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Aos 50 anos neste 2010, não bastasse o trauma político que extirpou da administração um governador, seu vice, e uma quadrilha vinculada na Câmara Distrital, o governo do Distrito Federal chega aos seus dois últimos meses perdendo as estribeiras sob o comando de Rogério Rosso, que assumiu como solução paliativa.

A coluna denunciou ontem que a cunhada do ex-dono da Vasp Vagner Canhedo, Salete Froizer, que entrou há dois meses para o GDF como assessora especial da Secretaria de Turismo, tirou férias em Atlanta e voltou chefe da American Airlines em Brasília, onde acumula cargo.

Agora, a vice-governadora Ivelise Longhi viaja para Luxor (antiga Tebas), no Egito. O GDF a trata como cidade-irmã de Brasília, porque ambas são patrimônio da Humanidade pela Unesco. Mas não para aí. Ela leva na bagagem o documentário “Brasília Secreta” e a tese de que o ex-presidente Juscelino Kubtscheck, fundador da capital, foi a reencarnação Akhenaton, criador de Tebas. O que o DF ganha com isso é um mistério faraônico.

A administração local de Luxor é alvo de críticas da Unesco porque está expulsando os pobres da cidade. Além disso, escavou dois templos de forma desordenada, sem especialistas, atrás de sarcófagos.

Mais destaques no Digital

- OAB x Governo do Tocantins
- FPM tem nova redução
- Ministros da Cultura no Rio
- A bronca de Lula em deputado
- O boletim de TV


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Presidente cobra mudança na Lei de Licitações

A coluna desta sexta-feira
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O Congresso deve se mexer para mudar a Lei de Licitações. O pedido foi feito pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou a reclamar da burocracia no país e da fiscalização do Tribunal de Contas da União sobre obras federais. Lula disse que muitas obras já estariam avançadas ou prontas não fossem os embargos feitos pelo TCU. Em outras palavras, Lula lembrou que em muitos casos o tribunal embarga o repasse às obras, que ficam paralisadas por meses, e depois de tudo descobre-se que não há irregularidades.

Mais destaques no Digital

- Congresso tem 1015 PECs em tramitação
- Lula janta com Cabral
- Metade dos mineiros não prestaram contas ao TRE
- Orquestra Petrobras na Lapa
- Cunhada de Canhedo acumula cargo no DF


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Lula: não quero aventuras no Orçamento

A coluna desta quinta-feira
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Em reunião fechada ontem à tarde, no Palácio do Planalto, com líderes dos partidos na Câmara e no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do grupo empenho em não mexer no Orçamento de 2011 que ainda será analisado pelo Congresso. Lula disse que deseja “entregar o governo com chave de ouro” para Dilma Rousseff, a sucessora eleita, e lembrou que a administração não suporta “mais gastos” ou aventuras. O presidente disse que a prioridade é apenas o reajuste do salário mínimo. Foi um claro recado para que os parlamentares enterrem as propostas que tramitam sobre os aumentos reivindicados pelo Judiciário (56%), que elevariam gastos na área para R$ 7 bilhões; pelo Ministério Público (mais R$ 800 milhões); e pelos policiais (mais R$ 43 bilhões), através da PEC 300, que cria piso nacional para a categoria.

Mais destaques da coluna no Digital

- Veja mais bastidores da reunião de Lula
- O blocão derretido do PMDB
- Números da aviação decolam no país


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PDT negocia cotas com Dilma, cria do partido

A coluna desta quarta-feira
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O PDT vai cobrar também a sua fatura na cota ministerial do governo de Dilma Rousseff (PT). O partido aumentou a bancada federal de 23 para 28 deputados e terá quatro senadores. Com bons números de geração de emprego com carteira nos últimos semestres, levados ao presidente Lula, Carlos Lupi quer se manter no Ministério do Trabalho. Aliados não descartam que a legenda ganhe espaço. Egressa do PDT, seu primeiro ninho político, Dilma ainda tem no partido políticos de confiança. Uma reunião do PDT na sexta, em Brasília, começará a esboçar o futuro do partido dentro do governo nos próximos quatro anos.

Mais destaques

- Gerdau, o homem das cavernas em MG
- Alckmin aproxima-se de sindicatos
- Temer quer caça. Do ar
- Dilma, a 15ª
- PPS requer paternidade dos R$ 600 de mínimo


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Lula de volta aos sindicatos depois do Palácio

A coluna desta terça-feira
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jb

É boato as histórias divulgadas boca a boca de que Luiz Inácio Lula da Silva terá cargo na ONU ou no Banco Mundial logo que sair do Palácio do Planalto dia 1º de janeiro. Nos três primeiros meses, Lula quer mesmo é descanso. Em casa, em São Bernardo do Campo (SP), e numa praia, onde quer pescar – talvez no litoral sul da Bahia. Mas nesse período uma agenda já é certa para o futuro ex-presidente da República. Ele quer em janeiro um encontro com sindicalistas em São Paulo. Deseja fazer um discurso em megaevento que reúna todas as centrais sindicais, e já incumbiu o presidente da Força, Paulinho (PDT), de marcar a data. Lula não quer distância de suas origens.

Mais destaques

- Tiririca escolherá gabinete em Brasília
- Anac debate tarifas aeroportuárias e quer regulamentação
- O sonho de Garibaldi no Congresso
- IPEA lança novo índice
- Feira internacional de pesca em Itajaí (SC)
- Assista ao boletim de TV de hoje

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Sobre peixes e tubarões

O Informe JB Análise desta segunda-feira

Na arte de vislumbrar mares revoltos, Sarney e PMDB nadam sempre em maré mansa. O presidente do Congresso já articulou sua permanência no cargo para o próximo biênio


jb


Na política não existe bobo. Os que são, fingem bem. Na arte da política, há um grande teatro envolvente e enobrecedor, em que no palco montado pelos mandatários desfilam personagens distintos, bons homens e também, inevitavelmente, uma corja que faz o país lembrar o quanto é necessário uma reforma política – e, por que não, de caráter – seja em Brasília, a meca do poder brasileiro, seja numa cidadezinha bem afastada da capital. Nesse teatro, existem peixes e tubarões num mar peculiar criado por eles, os mandatários. Há momentos em que trocam de papéis, e os perigosos tubarões se passam por inofensivos lambaris para distrair as lanternas da midia e fazer suas pescarias. Não escapam, porém, à verdade. Todos trabalham pelo poder. Por eles, e pelos partidos.

A síntese acima resume o PMDB. Como todo grande, enorme partido, nele há divergências e convergências. Existe a ala do bom senso e a ala do fisiologismo – embora essas duas turmas convirjam quando se trata de poder. O Poder. O histórico da legenda nos últimos 20 anos é tão intenso no noticiário político que PMDB e Poder quase se tornam uma só palavra. A diferença é que a segunda está no dicionário; a primeira busca sua identidade.

Justamente essa identidade é a preocupação atual do partido. A ponto de o agora vice-presidente eleito, também comandante da legenda, deputado Michel Temer, há poucos meses ter declarado a este repórter que o partido enfim trabalhava para não transmitir à população a imagem de uma agremiação fisiológica (leia-se atrás só de cargos, ministérios, estatais, autarquias, indicações para agências reguladoras e outras mais). Nesse contexto, o PMDB luta contra ele mesmo. Contra seu histórico. Não há um ano sequer, nas duas últimas décadas, em que o partido tenha ficado longe do poder nacional em Brasília. Rachado ou não, o PMDB sempre teve um pé no Palácio do Planalto. Discretíssimo com Fernando Collor, mais liberado com Itamar Franco, evidente com Fernando Henrique e escancarado com Luiz Inácio, tanto na primeira gestão, só em parte, quanto na segunda, enfim todo ele. O PMDB.

Pode-se dizer que o PMDB é um grande cardume e seus tubarões, sempre à caça de iscas fáceis. Porque eles são maioria no Congresso, este mar (às vezes de lama), e sabem se impor em grupo.

E, dentro deste PMDB, se existe um nome que sabe deixar-se levar pela correnteza do poder, é José Sarney. Com exceção de um breve período, os dois anos de governo Collor (1990-92), Sarney entra e sai do gabinete presidencial do Palácio do Planalto desde 1986, em ritual no qual as portas se abrem sozinhas para ele, independentemente do popular inquilino do outro lado da mesa. Seria exagero dizer que Sarney é o PMDB, com sua fisiologia (hoje ele controla com apadrinhados pelo menos o Ministério de Minas e Energia e emplaca diretores em agências). O PMDB desde que criado foi um conglomerado de interesses – em ministérios, em emendas, em verbas. Mas seria injusto também apontar o PMDB como o único partido mestre nesse conceito, o que não tira da legenda um título de doutorado nesse esquema. E muitos militantes, deputados ou senadores, devem esse controle atual de poder a Sarney e seu trânsito; a Sarney e seu histórico de visitas a presidentes.

Muito tem se falado que José Sarney, hoje presidente do Congresso, vai desistir da reeleição. Balela. Ele vai continuar no cargo, já negocia sua permanência, no biênio 2011-12. Enquanto isso, os peixes, aqueles que se acham tubarões e apostam na sua queda, não percebem que já foram fisgados. Esquecem-se de que Sarney, além de tubarão, também sabe pescar. No aquário do Palácio.

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Ex-senador e deputado alvo de ação trabalhista

A coluna deste domingo
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jb
Palmares e Saturnino - o deputado ligou para o ex-senador, mas confusão prevalece


O ex-senador do Rio Saturnino Braga e o deputado estadual Gilberto Palmares, ambos do PT, mais uma assessora de Braga, são alvo de uma ação trabalhista numa ONG. Eles foram surpreendidos com a notificação nº 19/10, semana passada, emitida pela 66ª Vara do Trabalho, que cobra pagamento imediato de R$ 54.524,72 por serem sócios da SindCred, uma cooperativa de crédito a pequenas empresas ligada à CUT e associada ao Banco do Povo. Trata-se de uma ação de uma ex-funcionária que, demitida por justa causa há anos, conseguiu reverter a situação. Os advogados descobriram os dois políticos listados na sociedade e fecharam o cerco justo na dupla.

Mais destaques

- Onde fica a Dilmalândia
- O inferno astral de Jader
- Encontro de CEOs em Barueri
- Cine itinerante em favelas do Rio


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Os baianos também querem seu ministério

A coluna deste sábado
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jb

O governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), resolveu cobrar a fatura pela excelente votação que o consagrou e o bom resultado de Dilma Rousseff no estado. Reivindica um ministério para sua cota. Quer emplacar apadrinhado numa pasta de infraestrutura. Pede o Ministério das Cidades, hoje nas mãos do PP, para seu atual secretário de infraestrutura. Antes, Jaques indicou o federal Nelson Pellegrino para a Justiça, mas soube que a vaga é de outro deputado, José Eduardo Cardozo (PT-SP). Agora, já fala também em compor com o PP. Aceita apadrinhar o líder do PP na Câmara, Mario Negromonte (BA). Seria uma forma de o PT segurar o partido até 2014, para ele não se aliar ao PSDB.

Mais destaques

- Brasília vai atrás da FIFA por abertura da Copa
- A tribo sem oca
- Terra natal não vingou Alencar


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O novo trem pagador carrega R$ 20 bilhões

A coluna desta sexta-feira
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foto ilustrativa


No início, o projeto do trem-bala Rio-São Paulo seria totalmente bancado pelo setor privado. Meses depois, aventou-se colocar a União nos trilhos. Agora, com a edição da Medida Provisória 511/10, enviada ao Congresso, a locomotiva do BNDES entrou de vez na linha. O governo vai emprestar, com os devidos juros, R$ 20 bilhões ao consórcio que operar o trem. Mas o trem descarrila no papel no Artigo 4º da MP. Está ali o vagão da bondade, um cofre aberto. Em outras palavras, determina que o Ministério da Fazenda abata até R$ 20 bilhões, “parte do saldo devedor de operações de crédito firmadas” com o BNDES, “em contrapartida às provisões para crédito de liquidação duvidosa registradas”. Ou seja: se o trem for “assaltado” pelo próprio condutor, a conta sobra para o governo.

Mais destaques

- O descanso de Temer
- Ministro sem mandato não vale
- Deputado quer fim da assinatura de telefone
- MPF contra propaganda dos Correios


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Cidades, o ministério que todo mundo sonha ter

A coluna desta quinta-feira
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Marcio Fortes , que comanda o Ministério das Cidades, segundo maior orçamento do governo, posto ali pela cota de Severino Cavalcante (!), tinha tudo para dar errado a levar-se em conta o padrinho. Mas ganhou a confiança do presidente Lula e de Dilma Rousseff. Está no cargo há cinco anos, apesar de todo o assédio do PT, PSB e PMDB para a vaga. Os três partidos agora cobram a cadeira da eleita e criticam demoras em obras. O problema, no entanto, Dilma já sabe. Há um gargalo enorme na Caixa Econômica Federal, o cofre do orçamento do ministério, porque faltam técnicos para as medições de obras do PAC. E nesse ritmo, muita obra de saneamento e infraestrutura anda devagar. Fortes ainda cuida do Denatran e da Habitação. Seu futuro no cargo ainda é um mistério.

Mais destaques

- O chefe da Casa Civil
- Paulistas querem Alckmin para 2014
- Federais: só 35 eleitos com votos próprios
- Paulinho da Força líder do PDT
- Escritores brasileiros em Buenos Aires


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Tribo vai para banco de reservas no Maraca

A coluna desta quarta-feira
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No Maracanã, índio quer apito, quer casa, e quer ver jogo da Copa de 2014. Mas, extracampo, virou uma novela o futuro do prédio abandonado ao lado do estádio, na Tijuca, onde vivem hoje 20 nativos de várias etnias. Alifazem artesanato, estudam línguas indígenas e se sustentam.O prédio é do Ministério da Agricultura e já abrigou o Museu do Índio (hoje em Botafogo). Os remanescentes não querem sair. A Odebrechet e a Andrade Gutierrez, porém, já cercaram o local para destruí-lo e enviaram emissários a Brasília a fim de negociar uma saída pacífica da tribo lá dentro. O local será usado para estacionamento ou lojas.

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Os seis pontos da reforma política do (ex) presidente

A coluna desta terça-feira
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Luiz Inácio Lula da Silva diz que vai lutar pela reforma política ano que vem. A mesma que não fez em oito anos. Engana-se, porém, quem pensa que seja promíscuo o chefe da nação. Ele enviou ano passado para a Câmara uma PEC e cinco projetos de lei que versam sobre o assunto. Todos eles pararam em comissões e não houve vontade dos deputados em tocar. Nem do próprio Lula, porque não quis encrenca. É justamente esta “reforma” que Lula deve retomar – os seus projetos do Executivo parados. Entre eles há textos sobre cláusula de barreira (a PEC), financiamento público de campanhas, punição para compra de votos, fidelidade partidária, lista fechada e coligações.

Desde 1986, já são três PECs e 10 projetos de lei, todos parados, que pregam uma reforma política. Só na Câmara. Vale lembrar: além de consenso, falta vontade aos parlamentares.


Mais destaques

- DEM mingua e já pensa em fusão com PSDB
- ACM Neto perde poder até na família
- Teixeira confirma Fielzão para abertura da Copa
- O Plano Marshall Candango
- A musa do STF
- FHC e Eros Grau perto da ABL
- Indenização do estado para professora apanhou de aluno


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Entrevista - Mozart Vianna

O secretário-geral da Câmara dos Deputados avalia para a coluna quais os projetos de lei e PECs que poderão tomar a pauta da Casa em 2011 e as perspectivas para a relação do Congresso com o Executivo. Assista abaixo.

jb

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A insepulta, seus pais e herdeiros

O Informe JB Análise desta segunda-feira

Como a CPMF foi gerada por presidentes desde Collor. A curiosa revolta de bastidor que levou à criação do Coaf. A influência na eleição para o Senado deste ano. As mutações feitas pelo PT para que ela renasça como a CSS. E o parecer de um aliado que obriga um governador tucano a defendê-la


A famigerada CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - foi gestada no governo Fernando Collor de Mello sob o título de IPMF – Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira; ganhou forma na gestão de Fernando Henrique Cardoso, quando virou lei em 1996, sob título de Contribuição (nomenclatura que não a fez diferente de tributo). Sua musculatura foi realimentada por Luiz Inácio Lula da Silva, em cujo governo ela teve desvirtuada também sua função de repassar verbas só para a saúde (em 2007, só 40% da arrecadação era destinado à área), e enfim enterrada pelo Senado Federal em dezembro de 2007. Apesar disso, tornou-se insepulta.

Como filha de vários pais nestas décadas, todos eles afoitos para cobrir rombos no orçamento da saúde, a CPMF ganhou também o carinho dos herdeiros parlamentares e executivos desse itinerário do poder. Não é diferente com Dilma Rousseff. Nem tomou posse e, embora tenha dito que não pretende recriá-la, deixou a tarefa para os governadores aliados. E não só aliados. E todos franqueados ao Palácio do Planalto à espera da verba.

Não será surpresa para o cidadão se diferentes partidos se alinharem a essa demanda. Apesar de muitos da oposição hoje gritarem contra o imposto, alguns deles representaram os grupos outrora gestores do imposto. O primeiro esboço da CPMF, o IPMF, nasceu de texto de autoria do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PEC 48/1991) ainda no governo Collor. Hauly era do PMDB (logo depois migrou para o PST e hoje é do PSDB), aliado ao presidente, e propôs a Emenda Constitucional criando o tributo para fazer ajustes fiscais no governo (o índice não passaria de 0,25%, dizia o texto).

A proposta avançou na Câmara, mas ali parou. Veio a turbulência do impeachment do presidente em setembro de 1992, e o imposto passou também por suas mutações – virou Projeto de Lei Complementar 153/93 e, mais à frente, enfim no governo FHC, tomou forma na PEC 256/1995, de autoria do Executivo. Foi então que se abriu o caminho para a criação do imposto. Adib Jatene era o ministro da Saúde e, defensor eterno da boa administração, articulou por sua criação.

Houve, no entanto, um caso curioso que até hoje não veio à tona, e um atento remanescente daquele grupo de debates revelou à coluna. O então presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), viu-se diante de uma gritaria que não ganhou eco fora do Congresso, mas tornou-se forte nos bastidores. Em novembro de 1995 o texto foi lido em plenário. Mas só chegou às comissões da Casa para análise em abril de 1996. Ficou em tramitação nos corredores até julho, quando enfim foi levada a plenário e aprovado. A demora, apesar do regime de urgência, teve seus motivos: os deputados tinham medo de que a CPMF rastreasse suas movimentações financeiras, e dos grandes empresários financiadores de campanha.

O lobby contra foi intenso, falavam em “quebra de sigilo indireta”. FHC tinha a maioria na Câmara, e precisava do imposto. Foi uma dificílima negociação até aprovada no mesmo 1996. Esse episódio foi o que levou à criação do Coaf dois anos depois, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Lei 9.613, de 03/03/98). Depreende-se do caso, hoje, que, se a CPMF foi um mal para a conta do contribuinte, também foi e ainda é para os especuladores das transações mal explicadas, de certa forma.

Como era contribuição provisória, a CPMF passou por duas prorrogações – e na esteira das aprovações, o acréscimo de percentuais feitos por governos insaciáveis. Os iniciais 0,25% de cobrança sobre cada movimentação passaram para 0,38%. Foi demais. O Senado, embora com maioria simples a favor do presidente Lula, em dezembro de 2007 matou o imposto com a ajuda da oposição e principalmente de sete senadores da base contrários ao tributo. O presidente da República nunca esqueceu o episódio, vocifera até hoje. Foi o que o influenciou a trabalhar na eleição majoritária deste ano para fazer uma Casa Alta forte, com votos aliados de sobra, para a sucessora. Conseguiu.

E justamente por não ter engolido a derrota para o Senado, e a perda da receita com a CPMF que até 2007 lhe ajudava a segurar o cofre, o presidente Lula usou o PT para trabalhar pela recriação do imposto. Ele vislumbrou o problema que viria com a sucessão. Lula deixa para Dilma Rousseff, que toma posse em janeiro de 2011, nada menos que R$ 50 bilhões só de restos a pagar. O dinheiro da CPMF de volta seria bem vindo. Criou-se a camuflagem e o renascimento do tributo no texto de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), em ementa no Projeto de Lei Complementar 306/2008. A ementa cria no PL a CSS – Contribuição Social para a Saúde, com alíquota de cobrança mais branda – será 0,1% sobre movimentação financeira, três vezes menos que a antiga CPMF, mas também com porta aberta para que o índice cresça a galope.

O texto passou por três comissões na Câmara dos Deputados, pareceres positivos de Eduardo Cunha (PMDB), na CCJ, de Pepe Vargas (PT), na CFT, e, curiosamente, de Rafael Guerra, do PSDB mineiro, na CSSF. Daí o governador eleito de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), não ser contra a criação do imposto. O projeto foi aprovado em turno único em meados do ano passado. Falta apenas um destaque, pedido pelo DEM, para que retomem a votação em 2011 no Senado e renasça a CPMF na forma de CSS.

Esse, no entanto, é um dos cenários. Uma vez com passe livre na Câmara, a CSS corre para o Senado, mais forte pró-Dilma, poderá ser aprovada, e em poucos meses remetida à sanção presidencial. É o caminho mais curto para a volta do imposto. Mas, se os aliados do Planalto preferirem uma PEC, mais forte constitucionalmente e também optarem por alíquota maior, também poderão tentar. O tempo de tramitação será mais demorado. Mas, como Dilma Rousseff terá votos de sobra para aprovação de PEC tanto na Câmara quanto no Senado, não é descartado que o Executivo e o Legislativo aliados do Planalto sigam este atalho.

De qualquer forma, em qualquer cenário, prova esse tributo insepulto que seu histórico já amarrou oposição e base num círculo vicioso. O da receita fácil. Perde o contribuinte.

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Duelo de beldades

jb

Os deputados federais estão em polvorosa. Além de Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), a musa da Casa que se reelegeu, o plenário recebe em fevereiro uma novata, Bruna Furlan (PSDB-SP) (D), que vai rivalizar em beleza com a gaúcha pelos corredores e comissões.

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SP quer conceder o 3º aeroporto

A coluna deste domingo
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O governo do estado de São Paulo vai trabalhar, ano que vem, para que o governo federal autorize junto à Infraero a construção de um terceiro aeroporto que atenda às demandas de carga e passageiros da região metropolitana. A área já está definida e não será divulgada para evitar especulação imobiliária. O estado quer conceder o terminal a alguma empresa que banque a obra. Grandes empreiteiras já sinalizaram aceitar a proposta, só falta o aval das autoridades do setor aéreo vinculadas ao Planalto. Com a posse de Geraldo Alckmin, espera-se melhor entrosamento dele com a futura presidente Dilma Rousseff. Ambos já deram provas de que haverá reciprocidade nas gestões.

Parece piada, mas aconteceu. O estado de SP solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil autorização para plano de ampliação em 30 aeroportos do interior paulista. Só depois de dois anos de análise, a agência informou que o caso era com a Infraero.

Mais destaques

- Suplente de Temer assumirá por 1 mês
- PEC 300 dos policiais é engavetada
- A mão grande do Executivo sobre leis
- Caim e Abel 2.0
- Entrevista em vídeo com secretário-geral da Câmara


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CSS prestes a ser aprovada no Congresso

A coluna deste sábado
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Tão falada nos últimos dias, a famigerada CPMF, sepultada pelo Senado em dezembro de 2007, está prestes a voltar na forma da CSS – Constribuição Social para Saúde. Trata-se de tributar em 0,1% toda movimentação financeira no país (a CPMF atingia 0,38%). É o caminho mais fácil e rápido para o futuro governo Dilma Rousseff ressuscitar o imposto e encher os cofres. A CSS já foi aprovada na Câmara ano passado em turno único, em medida de urgência, e só está pendurada porque o DEM pediu votação de destaque sobre a base de cálculo. Tão logo assuma em fevereiro, a nova Legislatura, mais afinada com Dilma Rousseff, poderá se livrar disso e enviar o projeto de lei ao Senado.

Mais destaques

- Dilma quer reforço de caixa
- Dirceu pode se mudar para Brasília
- Poder à mesa goiana no Piantella
- Os dois nomes para o STF
- Boletim de TV


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Peluso nos EUA

O ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, chega a Washington na segunda-feira para uma visita oficial à Corte Suprema dos EUA, onde será recebido em almoço pelo Chief Justice John Roberts (o seu equivalente nos EUA).

Peluso terá agenda lotada até quarta-feira, incluindo encontro com brasilianistas. Na sexta-feira, em Nova York, faz palestra na Law School da Columbia University.

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O aluguel decola de foguete no aeroporto

A coluna desta sexta-feira
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A Infraero não pode reclamar de falta de verba. Estatal que administra 67 grandes aeroportos do país, tem em caixa boa perspectiva de receita de milhões por ano com aluguéis dos espaços nos terminais. Veja o caso só do Aeroporto JK, em Brasília. Conhecida grife gastronômica acaba de ganhar a licitação para operar no lugar do maior restaurante do terminal principal. Serão R$ 169 mil mensais de aluguel. Uma lanchonete no andar superior sai por R$ 128 mil. Já no terminal 2, novo, fonte da coluna diz que valor para a lanchonete chega a R$ 90 mil. Oficialmente, a Infraero informou que o aluguel ali é de R$ R$ 3.812,05.

A Infraero informou que “disponibiliza por meio de edital o valor mínimo para a concessão”, e usa como padrão comparações de valores com outros terminais, além da localização da área e previsão de faturamento da atividade fim.

Mais destaques

- Fica tudo como está no PMDB ministerial
- A carruagem do senador cearense
- A mocinha dos 28 assaltos
- Boletim de TV


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A segunda eleição

jb

Passadas as eleições no Brasil, deputados e senadores em Brasília agora disputam a tapas (nas costas) quem será escolhido para compor a patota do Parlamento do Mercosul, em Montevidéo, no Uruguai.

O Brasil passará de 19 para 37 vagas. Os integrantes tem direito a jato, motoristas, hotéis caros e um bom pro-labore. Além de status. Muitos aproveitam as reuniões mensais para esticar o passeio a Punta Del Este e Buenos Aires.

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Salário mínimo vira prioridade

A coluna desta quinta-feira
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O discurso do presidenciável tucano José Serra sobre o salário mínimo de R$ 600, se não teve efeito eleitoral no domingo, rendeu trabalho aos congressistas aliados do presidente Lula ontem, na retomada das atividades na Câmara e Senado. A avaliação dos governistas é que a base não poderá deixar o PSDB e DEM fazerem eco nos plenários sobre a proposta. Paulinho da Força (PDT-SP) vai se reunir hoje com o relator do Orçamento, senador Gim Argello (PTB-DF), e pedir ganho maior que os R$ 568 prometidos. Na Câmara, Flávio Dino (PCdoB) pediu ganho real diante das perdas inflacionadas geradas pelo baixo PIB de 2009.

Mais destaques

- Gerações (ou corporativismo familiar) duelam no STF
- Inep dá bolada de R$ 25 mi a Cesgranrio
- Carlistas neoaliados de Jaques na Bahia


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Pré-saudade do poder

jb


"É que nem contrato de aluguel. Eu, dia 31, tenho que dar o fora"

do presidente Lula, sobre sua saída da Presidência

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Começa movimento pela reforma política

A coluna desta quarta-feira
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jb
Foto extraída do portal Brasília Limpa


Ponto supérfluo por ora no programa de governo da presidenta eleita Dilma Rousseff apresentado à população, a reforma política tão reivindicada pela sociedade já encontra eco em seus representantes legais para pressionar a futura chefe da nação a encampá-la no Congresso. Deputado federal mais votado eleito pelo DF, o jovem José Antônio Reguffe foi alçado à Câmara com o discurso desta reforma. Elegeu cinco pontos básicos, entre eles o financiamento público total das campanhas e o voto distrital. Reguffe adiantou à coluna que vai criar a comissão especial da Reforma Política tão logo tome posse, e procurar seus pares afinados com a proposta. Gente não falta.

Mais destaques

- Boletim de TV
- OAB mandará carta a Dilma (Ref. Política)
- Gaúchos poderão ter destaque no ministério
- Forças Armadas vão reforçar segurança no Congresso
- DF sediará Congresso internacional contra a corrupção


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A foto da semana

É aquela máxima do jornalismo. Uma imagem diz tudo.

jb

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O esboço ministerial

A coluna desta terça-feira
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JB Digital - e assista vídeo do interior do Palácio do Planalto

jb
Palocci - ele voltará com quase todo o poder que tinha com Lula. Foto extraída do Tribuna do Maranhão


A partir de sexta-feira a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) começa a esboçar na transição o que poderá ser seu primeiro ministério. Ela deve manter alguns ministros nas pastas, mas já deu sinais de que fará um ministério com a sua cara, não a do padrinho político. Antonio Palocci deve ir para a Casa Civil ou Planejamento; Fernando Pimentel, amigo de vários anos, também mira a Casa Civil. Alexandre Padilha deverá ser mantido nas Relações Institucionais. José Eduardo Cardozo, que abriu mão de uma reeleição para a Câmara, é pule de dez para a Justiça. Há ainda a preocupação com o PMDB, que deve reivindicar maior fatia de pastas – das atuais seis para 10.

Mais destaques

- A estranha embaixada do Brasil
- Penetra da oposição na festa de Agnelo
- Começou briga na transição no DF
- PT encomendou reza brava por chuva


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Trio

Abaixo, uma das fotos da comemoração de Dilma Rousseff, presidente eleita, me deixa curioso. O que significam os três dedos? Ela, Lula e José Sarney? Um "terceiro mandato" de Lula? A palavra com vocês, leitores.

jb
Crédito: Presidência.

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O que esperar da presidente Dilma

A coluna deste segunda-feira
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No Digital, assista aos depoimentos em vídeos dos especialistas Emerson Mazulo e Flávio Britto sobre perspectivas para o governo de Dilma

jb


Eleita a primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff, do PT, terá pela frente quatro anos de mandato, sem contudo sabermos se ela pretende a reeleição – embora seja muito, muito cedo para o assunto, é inevitável tratá-lo como indispensável em se tratando de um projeto para o país, não somente para o partido. Nesse contexto, é fato uma verdade entre tantas incertezas: não é descartado que Luiz Inácio Lula da Silva retome uma candidatura presidencial em 2014. O poder é afrodisíaco? Sim. Mas esse cenário só depende da própria Dilma Rousseff. Se souber conduzir o país como fez Lula, abrirá naturalmente as portas para sua recondução. Caso contrário, o padrinho político estará à espreita – e sempre perto como conselheiro – para retomar as rédeas do país na tentativa de manter o PT no poder.

Não é surpresa. Luiz Inácio tem um projeto de país e de poder – para o PT. Dilma é a personificação deste plano. A amigos próximos, o presidente Lula disse recentemente que deixará a sucessora livre para escolher sua equipe e conduzir sua gestão, mas não se furtará a dar tutela quando requisitado. E ele será. Distante do palácio ou não.

Dilma já tem um plano imediato de impacto popular. A presidenta quer investir tudo no PAC 2 e com foco no Minha Casa, Minha Vida, programa elaborado por ela enquanto ministra da Casa Civil, que caiu no gosto do chefe. Ela quer zerar o déficit habitacional no país – é difícil, mas não impossível em quatro anos. Força de vontade tem. Basta também saber se cercar de uma boa equipe de gestores.

Neste cenário, encampam-se como ministeriáveis da gestão “Dilmista” alguns nomes já conhecidos das hostes petistas, os militantes executivos que terão lugar de destaque nas principais pastas não cedidas ao PMDB e outras legendas aliadas. Saltam aos olhos dela Antonio Palocci, para a Casa Civil; José Eduardo Cardozo, para a Justiça; Gilberto Carvalho (o chefe de Gabinete de Lula) para a Secretaria de Direitos Humanos; Paulo Bernardo mantido no Planejamento; Alexandre Padilha mantido na Secretaria de Relações Institucionais; e José Eduardo Dutra – em lugar ainda a ser definido. Não por acaso, esse sexteto foi o que largou tudo durante a ferrenha campanha e atuou fidedignamente ligado à agenda da candidata, e também como conselheiros. Anotem estes como os principais nomes da futura gestão.

Correm por fora nomes já famigerados do fisiológico PMDB. O grupo político de José Sarney poderá continuar a mandar na área de Minas e Energia, com a eventual volta de Edison Lobão para a pasta. Já o vice-presidente Michel Temer não se furtará também a almejar uma pasta para ele próprio (José Alencar, com Lula, foi convocado a assumir algumas funções extras).

Justamente esse apetite do PMDB por cargos no alto escalão – além de outros, como em comandos de estatais e diretores em agências reguladoras – poderá ser o maior desafio inicial de Dilma Rousseff já na transição de governo, até o fim de dezembro. E se ela não souber domar o leão aliado que é o partido, poderá ser engolido por ele. O primeiro desafio institucional já em fevereiro envolve o comando da poderosa Câmara dos Deputados. Onde Dilma tem a maioria, justo pelo apoio do PMDB. Temer passará o bastão, mas o PMDB reivindica a continuidade do posto, nas mãos de Henrique Eduardo Alves (RN).

Aí está o problema. Trato já feito com Temer, com quem é ligadíssimo, Alves não é bem visto no sexteto de Dilma. Obviamente pela sua estreita ligação com tucanos regionalmente, no Nordeste – ele quase foi alçado a vice de José Serra em 2002. O PT já trabalha com dois nomes para derrubar Alves e o grupo de Temer: Arlindo Chinaglia (SP) e Cândido Vaccarezza (SP). Resta saber se o próprio PT não vai brigar e abrir caminho para o PMDB. Já a presidência do Senado é um mistério. Poderá ficar com o PT pela primeira vez, mas falta nome de peso.

No âmbito internacional, sem Luiz Inácio a tiracolo, Dilma poderá jogar cartas diferentes à mesa. Não é certo que o chanceler Celso Amorim continue à frente do Itamaraty, e a sucessora poderá seguir agenda diferente de Lula. Apesar de manter a aproximação com Venezuela e Cuba, especula-se nas hostes petistas que ela se furtará a fotos aperto de mãos polêmicos com o presidente do Irã, da Coréia do Norte, e ditadores africanos. Será mais eficaz na diplomacia sul-americana, a exemplo do atual chefe, e à aproximação com o democrata Barack Obama – com quem o Brasil precisa melhorar as relações comerciais em vista aos conhecidos embargos dos democratas.

Dilma, enfim, encontrará uma maré mansa na economia internacional, na interna, e o país em ascensão, mas dois perigos imediatos economicamente que deve combater – e ambos gerados pelo próprio padrinho político. Os excessivos gastos internos devem ser derrubados para a maior estabilidade fiscal e um superávit primário mais amplo. E a voracidade do PMDB, o maior e mais poderoso partido do país que mantém a estabilidade política pró-PT. Lula sabe domá-lo. Dilma, ainda veremos. Caso contrário, essa legenda pode se tornar maior que a própria presidente, e devorá-la num primeiro sinal de crise interna.

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