02/07: Passeio chinês

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Postado por: Juliana Krapp
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Os chineses Ma Jian e Xinran, que dividem hoje à tarde a mesa "China no divã", são inseparáveis. Amigos de longa data, estão aproveitando juntos a estada em Paraty. Hoje de manhã, fizeram uma caminhada pela cidade.

- O Ma Jian está impressionado com a beleza natural de Paraty - contou Xinran, ao Ideias. Como o companheiro fala mal inglês, é ela quem acabou se tornando uma espécie de intérprete informal.

Foto: Ana Paula Amorim

02/07: Dawkins e a poesia

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Postado por: Juliana Krapp
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Na primeira coletiva de imprensa da 7ª Flip, um Richard Dawkins bastante simpático e descontraído discorreu sobre algumas das principais teorias que norteiam seus livros - fazendo crer que as minuciosas discussões que preenchem os calhamaços que trazem seu nome podem se tornar um agradável papo de bar.

Como já era de se esperar, o darwinista se concentrou basicamente na discussão do método científico versus o método religioso. Reforçou a ideia de que A origem das espécies é a obra mais importante das bibliotecas, e explicou - mais uma vez - porque acredita importante entender o lado malévolo da religião.

- Dentro da bolha da cultura religiosa, as crianças não aprendem história. Não compreendem a história da evolução e da seleção natural que fez com que sejamos quem somos - comentou.

Apesar de toda a polêmica que envolve os seus estudos, o biólogo manteve a sisudez longe. E trouxe para perto, quem diria, a poesia.

- Não acho que a poesia explique alguma coisa, até mesmo porque eu sequer entendo o que ela é. Mas eu a amo, sou profundamente envolvido pela poesia. E acredito que é possível haver algo de poético na escrita científica. Como Carl Sagan, ao escrever sobre as estrelas. Como eu tento buscar, em alguns dos meus livros. Creio que há um campo rico para a poesia dentro da ciência, se abrirmos as nossas mentes.

02/07: Dois tons para o tema da separação

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Postado por: Juliana Krapp
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Rodrigo Lacerda, que daqui a pouquinho divide a mesa "Separações" com Domingos de Oliveira, conta ao Ideias que já há alguns anos acompanha tudo o que o dramaturgo produz.

- Desde que por acaso vi o Separações, não perco mais nada dele - diz. - Ele tem um jeito muito próprio de falar de coisas sérias, com um humor rápido. Apesar de trabalhar com temas dolorosos, não se entrega à dor. É um tom diferente do meu, embora eu acredite que, por estarmos trabalhando com um mesmo universo de temas (a separação, por exemplo), a diferença de tons, em vez de distanciar, vai criar mais caldo para a discussão na nossa mesa.

01/07: Casa do Jornal do Brasil já está de portas abertas

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Postado por: Juliana Krapp
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Foto: Daniel Ramalho

Pelo segundo ano consecutivo, a Casa Jornal do Brasil marca presença na Flip. Nesta segunda edição, o espaço apresenta debates, palestras, lançamentos de livros e exposições.

19/06: Duas vezes Montparnasse

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Duas visões de um mesmo livro: Os exilados de Montparnasse, de Jean-Paul Caracalla (Record, 288 páginas R$ 37), que aborda, entre outras, a geração perdida de Fitzgerald (foto acima), Hemingway e Gertrude Stein, que aprontaram na Paris entre-guerras.


PARIS ERA UMA FESTA LITERÁRIA
por Duílio Gomes
Jornalista e Escritor



Por esses acasos históricos, uma brilhante geração de escritores anglo-saxões se reuniu no início do século 20 em Paris – mais especificamente em Montparnasse - e fez dali o seu refúgio boêmio. De 1920 a 1940, após a Primeira Guerra Mundial e o início da Segunda, Hemingway, D. H. Lawrence, Henry Miller, Fitzgerald, James Joyce e Gertrude Stein, entre outras celebridades literárias em início de carreira, podiam ser vistos nos bares-cafés La Coupole, La Rotonde e na livraria americana Shakespeare and Company. O escritor John dos Passos, autor de Manhattan Transfer, era uma espécie de guru dos colegas, por ser o mais antigo residente na França.
O vantajoso câmbio de 50 francos por um dólar facilitava suas vidas na Europa e incentivava a produção de seus trabalhos literários.
É o que conta o escritor Jean-Paul Caracalla, ex-editor da Revue des Voyages, no livro Os exilados de Montparnasse, lançado pela editora Record, com tradução de Vera Lucia dos Reis.
Em seu livro Paris é uma Festa, Hemingway dá a sua versão pessoal do que acontecia naqueles anos loucos com uma geração – a sua – batizada de perdida. Os dois livros, o de Hemingway e o de Caracalla, têm pontos e virtudes em comum e repetem a frase evocativa do autor de O sol também se levanta: “Éramos muito pobres e muito felizes”.
Gertrude Stein, homossexual assumida, morava com uma amiga em um apartamento vizinho a de seu irmão. Dona de ideias avançadas nos terrenos da sexualidade e da literatura, ela se dizia uma expatriada feliz por estar longe de seu país, conservador e atormentado pelo puritanismo. Gertrude estava ali para escrever e investir em arte. Ela e o seu irmão, ambos com uma refinada intuição artística, compraram, a preços muito baixos, quadros de pintores então desconhecidos e que depois teriam uma altíssima valorização internacioanl: Picasso, Braque, Matisse, Juan Gris e Miró, entre outros.
Amigos inseparáveis, Scott Fitzagerald e Hemingway eram sempre vistos em bebedeiras memoráveis. O primeiro já tinha três livros publicodos ( entre eles, O grande Gatsby ) enquanto Hemingway, que preferia gastar o seu tempo assistindo intermináveis touradas, era autor de apenas alguns contos espalhados em revistas. Zelda, a mulher de Fitzagerald, mergulha em drogas, álcool, depressão, neuroses e afeta, com isso, a literatura do marido.
O compositor Cole Porter e Helena Rubinstein, um ícone dos cosméticos, acabam se misturando também, mesmo que indiretamente, à vida dos escritores da lost generation. Cole Porter, já um músico lendário, autor, entre outras obras-primas, de Night and day, compunha musicais em parceria com algumas cabeças coroadas da literatura. Helena Rubinstein, poderosa mulher de negócios, financiava uma livraria, uma editora e a revista This Quarter. Na verdade, quem fazia isso com o dinheiro dela era o seu marido, o intelectual e refinado Edward Titus. Ele brincava que sua mulher era “madame”, uma mecenas involuntária, enquanto Coco Chanel era apenas “mademoiselle”, indiferente às letras
Henry Miller acaba se tornando, no final do livro, em sua estrela maior, com cinco alentados capítulos sobre sua vida e trabalho literário. Caracalla desce a minúcias microscópicas sobre a vida miserável que ele e sua mulher June levavam em Paris, centrados em Saint-Germain-des-Prés, até o autor se tornar célebre com o romance Trópico de Câncer. Inconformismo e metafórica onda pornográfica marcam o livro que, mesmo censurado, explodiu literariamente em cópias pirateadas por soldados americanos na Franca, a exemplo de Lolita, de Vladimir Nabokov.
Com o sucesso literário, Henry Miller abandona a mulher e se junta à escritora Anaïs Nin, “femme de letras cosmopolita”, segundo Caracalla, filha de um compositor cubano e de uma dançarina franco-dinamarquesa.


ALGUMAS DOSES A MAIS
Por Rafael Rodrigues


"Como a maioria dos escritores, Scott Fitzgerald tem suas receitas para cativar a página em branco. Em Paris, ele se levanta às onze horas, mas só começa a trabalhar às cinco da tarde. Pretende escrever até as três da manhã. Mas passa a maior parte das noites fora, fazendo a ronda dos bares e dos botequins, e perde, ao longo das horas, todo o self-control. Chega uma noite ao New York Herald Tribune em avançado estado de embriaguez, precipita-se para o escritório dos redatores, joga fora o texto pronto para a composição, rasga-o, cantando aos berros, e exige que os jornalistas façam coro com ele, até o momento em que cai, desacordado."


É assim, com frases predominantemente curtas, rápidas, que Jean-Paul Caracalla narra, em Os exilados de Montparnasse, as peripécias e os dissabores de uma porção de escritores, pintores, editores, livreiros, músicos e intelectuais de diversos países que viveram em Paris entre 1920-1940.


A quantidade de gênios convivendo juntos era assustadora. Não raro ocorria algum desentendimento entre alguns deles; culpa, na maioria das vezes, dos egos inflados e de algumas doses de álcool a mais.


Um tanto diferente de outros livros sobre o mesmo assunto, Os exilados de Montparnasse tem uma série de detalhes e pormenores históricos que isentam o autor de tomar partido de certos artistas ou grupos. Além disso, ajudam o leitor a situar-se no tempo e no espaço. Certamente ninguém será capaz de escrever um livro que reúna todas as informações, fatos e personalidades que povoaram a Paris daqueles anos, mas com certeza “Os exilados de Montparnasse” tem seus méritos e peculiaridades, coisas que o tornam documento único e essencial para compreender melhor aquela época. Exemplo disso é a atenção que Caracalla dá a Robert McAlmon, escritor e editor norte-americano, nome pouco conhecido entre os literatos brasileiros que, entre outras coisas, publicou trabalhos de Gertrude Stein e Ernest Hemingway quando estes ainda não eram quem são hoje.


Naqueles anos, Paris era uma festa (para fazer um trocadilho com o título de Paris é uma festa, de Hemingway), mas não apenas isso. Muitos escritores – na verdade, a grande maioria deles – passavam dificuldades financeiras por lá, apesar do câmbio favorável (o dólar valia cinqüenta francos!). Essas agruras têm participação tanto na quantidade de obras escritas – havia muitas revistas para onde escrever e elas pagavam pelos escritos – quanto na qualidade – é óbvio e ululante que é nas crises que surgem as obras mais marcantes. Nas páginas de “Os exilados de Montparnasse” temos uma bela amostra de como sofreram e suaram escritores como Henry Miller, Scott Fitzgerald, a própria Gertrude Stein e também Hemingway, entre outros tantos. Alguns em maior, outros em menor intensidade, todos tiveram sua cota de pobreza e sofrimento nas ruas de Paris.


Mas engana-se quem pensa que dessas dificuldades originava-se a humildade, a modéstia. A verdade é que, pelas histórias contadas por Caracalla, quanto mais difícil era a vida do escritor, mais ele tinha seu ego inflado. Então, para quem não sabe, o grande Ernest Hemingway se revela um verdadeiro canalha, ao não creditar a Fitzgerald melhorias feitas em O sol também se levanta, para ficar com um “delito leve”; Fitzgerald é, na verdade, um pobre-diabo que tem de lidar com a fraqueza pela bebida e com uma esposa esquizofrênica; ficamos sabendo que James Joyce foi um oportunista sem-vergonha, que depois de ter seu Ulisses publicado pela misericórdia e graça de Sylvia Beach, fundadora da lendária livraria Shakespeare & Co., resolve “tirar” Sylvia do negócio, justo ela, que arriscou o próprio bolso para editar o livro e ainda por cima teve de aguentar todos os chiliques de Joyce no processo de edição e revisão da obra.


Havia naqueles anos um romantismo que foi sendo perdido, com o passar do tempo. É verdade que de vez em quando vemos alguns lampejos daquele idealismo, daquela vontade de fazer arte não pela arte ou por dinheiro, mas por amor e por diversão. Podemos até listar alguns exemplos recentes no Brasil, como a editora Amauta, que publicou e distribuiu gratuitamente a coleção Muro de Tordesilhas, com contos de autores latino-americanos; como a Edições K, um projeto que uniu escritores de várias partes do Brasil numa espécie de banda de rock literária; ou como a editora Livros do Mal, de Daniel Galera, Daniel Pellizzari e companhia. Mas nada se compara àquelas décadas em que livros como Ulisses e Trópico de Câncer eram censurados nos Estados Unidos e mesmo assim chegavam às mãos dos leitores norte-americanos, em operações de entrega dignas de agentes secretos. Ou às tantas editoras que eram criadas, mesmo com dinheiro parco, para publicar livros que certamente não dariam lucro nenhum.


É incrível como, apesar de tantas informações disponíveis gratuitamente na internet – o que, defendem alguns, eliminaria a função dos livros –, Caracalla consegue revelar fatos e acontecimentos desconhecidos pela maioria dos interessados pelo assunto. Os exilados de Montparnasse remonta a uma época que nos parece distante, mas que, na verdade, foi logo ali, há apenas algumas décadas de nós. E, mesmo para quem não esteve lá, a sensação ao terminar de ler o livro é uma só: saudade.

14/06: Entrevista com Reinaldo Moraes

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Postado por: alvarocosta
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Segue a íntegra da entrevista com o escritor Reinaldo Moraes, autor do romance Pornopopéia.



Pornopeia é a recuperação da escrita voltada para você mesmo?



Não: ali é a escrita voltada pra si mesma, como acontece com toda literatura, acho. Tem a mediação do jogo literário, antes de mais nada, sem o quê nenhum texto de ficção pára em pé, como até as poltronas de couro velho do Petit Trianon brélilien sabem muito bem. No Pornopopéia, ao sabor do dia-a-dia da escrita, acabou se armando um esqueminha narrativo que leva as experiências de vida de um cara, espécie de cineasta frustrado, a caírem no colo de outro, um escritor que entra à sua revelia na história, sem jamais dar as caras, embora esteja presente em cada linha que se lê do romance. Pra entender melhor isso, só mesmo lendo a bagaça. Quanto à escrita em si, optei pelo alegre convívio entre a norma culta e a mais deslavada putaria verbal, oscilando entre os extremos da linguagem verbal socialmente praticada por aí, das altas rodas uspianas ao baixo meretrício. Se isso não é, em sim, nenhuma novidade, além de carecer de elegância, paciência. Era assim que a história pedia pra ser ser escrita. A genitália e suas lendárias funções recreativas, por exemplo, são nomeadas segundo o léxico do perfeito maloqueiro que habita as catacumbas mentais do meu narrador bipolar. Ainda por cima, o maluco se crê a cavaleiro do próprio inconsciente, e vive alardeando sua pretensão de conhecer, dominar, usufruir e escarnecer de suas próprias pulsões, fobias, desejos, fantasias e o psicodiabo a quatro. O cara se gaba de não padecer por mais de cinco minutos de ciúme, depressão, culpa, medo ou remorso de nenhuma natureza, embora viva com os bagos frigindo na mais infernal ansiedade. Voltando à sua pergunta, eu diria que nenhum psicanalista que não estivesse inteiramente bêbado e drogado diria que o narrador do Pornoppéia sou eu mesmo, embora eu tenha conhecido um par de birutas desse naipe, amigos ou meros companheiros de balada de quem fui muito próximo em determinadas épocas de mi bida e que devem ter servido de algum modo de modelos literários nesse novo romance.


O sucesso de Tanto faz, reescrito para uma segunda edição em 2003, de certa forma atrapalhou ou inibiu você?


Pra começar, foi o sucesso literário mais inibido comercialmente de que se tem notícia. O primeiro crítico que me apareceu pela frente, neste mesmo JB, aliás, em 1981 (ou 82, não lembro), desceu a lenha no livro, e com tanta minúcia e empenho que, depois, encontrei muita gente que me confessou ter comprado o livro por causa dessa resenha. Mas fiquei arrasado, claro. O que salvou meu ego, além de muitos elogios de muitos leitores, foi que, logo em seguida, o Cacaso (o falecido poeta marginal-mimeográfico Antônio Carlos de Britto) levantou legal a bola do livro na revista Veja -- veja e reveja você como os tempos mudaram. De todo modo, não faltou quem fosse bater no ouvido do dono da editora, o já falecido Caio Prado, da Brasiliense, que o tal do Tanto Faz punha em risco a credibilidade artística e ideológica da coleção em que fôra encaixado, a "Cantadas Literárias", que vinha de um retumbante sucesso de vendas com o livro de estréia, "Porcos com asas", daquela dupla de italianos que eu esqueci os nomes. (A seguir sairia o "Feliz ano velho" do Marcelo Rubens Paiva, na mesma coleção, com o sucesso estrondoso e merecido que se conhece.) Em suma, quase arrependido de ter me editado, o Caio passou a achar a narrativa do TF incoerente, aleatória e, pior, alienante. Ele mesmo me disse isso uma vez, com toda a franca simpatia que o caracterizava. Sei é que o "Tanto Faz" esgotou em não muito mais que uma semana nas livrarias e teve de esperar 3 meses para ganhar segunda edição -- que também se esgotou rapidinho e só teve trepeteco uns 6 meses depois, na esteira de uma série dos elogios que o livro começou a ganhar na imprensa e dos veementes pedidos das livrarias. Essa terceira reimpressão também se evaporou em pouco tempo e ficou por aí mesmo. A editora parecia ter vergonha do livro, de sua estrutura fragmentada e do patife lírico e irresponsável que se arvorava em seu narrador. Além disso, tive de enfrentar graves rolos com a família por causa do livro. Meu pai, por exemplo, caiu em profunda depressão e morreu um ano depois, de câncer na cabeça. Barra pesadíssima. Mesmo assim, sempre encarei o Tanto Faz minha jubilosa estréia na literatura, ora bolas. Pode-se dizer que matei a família e fui parar nas livrarias e sebos do país. Pelo sim, pelo não, declarei à praça e a mim mesmo que tinha virado romancista. Como já disse alguém, romance é todo livro que traz debaixo do título a palavra romance.



E o Abacaxi, de que as pessoas falam menos?



O Abacaxi surgiu da perplexidade do editor gaúcho Ivan Pinheiro Machado, da L&PM, diante da inércia editorial da Brasiliense em relação ao Tanto Faz, do qual se declarou dã de primeira hora. Ele não entendia como o livro se esgotava em semanas e ficava meses sem ser republicado. Daí, me propôs um advance mensal durante 6 meses pra eu escrever outro romance, que acabou resultando numa espécie de continuação do Tanto Faz. Digo espécie de porque o Abacaxi, ao contrário da narrativa fragmentada do primeiro livro, me saiu com uma escrita escarradamente linear e vertiginosa, dando conta quase que minuto a minuto dos eventos ocorridos na vida do narrador num espaço de uns poucos dias. Lógico que eu fiquei aqueles 6 meses torrando despreocupadamente a grana da L&PM sem escrever uma linha, até decidir me encafuar numa pousada barata e vazia em Barão de Mauá, fora de temporada, com uma Olivetti 32 debaixo do braço. Voltei de lá 15 dias depois com a base do texto do "Abacaxi" na mochila. Com mais dois meses de remexidas, botei um ponto final na história. Foi um dos trabalhos mais rápidos e divertidos que já fiz. E não passou desapercebido na imprensa. A Veja, outra vez, e Isto É (numa resenha do meu finado amigo Caio Fernando de Abreu) foram bem simpáticas ao livro. Cheguei a ir em alguns programas de TV e rádio falar do "Abacaxi", e tudo mais. No entanto, na real, meu segundo livro se revelou um solene fracasso de vendas, para grande frustração do Ivan que tinha apostado tanto nele. Hoje a espinhenta fruta literária e suas páginas maculadas com suspeitas manchas amareladas pode ser encontrada em sebos, como o do Bactéria, na praça Roosevelt, por uns 20 paus. Bom, o que rolou em seguida foi que, diante do desinteresse geral pelas desventuras subcômicas do meu personagem inflamável, inauguradas no Tanto Faz e radicalizadas no Abacaxi, abri uma cerveja e comentei comigo mesmo: Fazer o quê? Nada, claro. Fiquei 17 anos sem publicar -- mas não sem escrever -- depois disso.



A novela A órbita dos caracóis e os contos de Umidade limparam o terreno para o Pornopopeia?


r. Acho que não exatamente. Claro que escrever um livro depois do outro ajuda a manter a mão adestrada e ansiosa por esmurrar o primeiro teclado alfanumérico que se encontrar pela frente. (E o primeiro crítico tambem.) Mas o Pornopopéia, de certa forma, dá um passo atrás no meu "projeto literário," se é que existe semelhante abantesma na minha vida mental. Nesse cartapácio, ora à disposição das traças e cupins das boas casas do ramo, retomo aquele famigerado narrador solipsista dos dois primeiros livros que tanto engulho provocou nas tripas bem-pensantes da intelectualidade ne-me-touches-pas da academia que costuma botar as manguinhas de fora nas páginas de cultura dos jornais cá da terrinha. O que mudou foi, digamos, o vetor existencial da matéria literária, pra falar do jeito empolado que essa gente gosta. Antes, o narrador folgazão, irreverente, hedonista e meio biruta se comprazia em mandar pras cucuias o mundo administrado e suas ideologias prêt-à-porter, instaurando o paraíso possível em sua cama e na mesa do bar da esquina. Agora, baixou no personagem desabrido a coisa fria também chamada noite. O cara vê claramente -- pra ficar no Drumond -- que perdeu seu dia, que as horas não voltam mais, que o instransponível muro no fim do beco já está ao alcance da mão ou da ponta do nariz. S'que ele dá uma solene banana pra isso, aproveitando o pouco espaço de manobra que lhe resta na vida, e enfia o pé no acelerador. Não perde a linha do caótico desalinho, mantém o escracho e sua famosa volúpia sexual de caminhoneiro, sem alimentar ilusões. A única coisa que ele alimenta, aliás, são seus bem cultivados vícios. Ele sabe perfeitamente que não tem muito pra onde ir. Não vou ter a pretensão de proclamar que a civilização toda está no mesmo barco que ele, mas se o leitor quiser pensar assim, têje a gosto.

Você traduziu muito. Bukowski, Burroughs, Cocteau e até Pynchon, por muitos considerado intraduzível. Em que medida o trabalho como tradutor ajudou o escritor?

É lógico que traduzir autores que você considera como membros distintos da sua confraria existencial e estética te ajudam muito a adestrar sua propria musculatura literária, digamos assim. Mas isso só rola se você leva a sério o trabalho de tradução, e não é um mero laudeiro que precisa fazer caixa no fim do mês a todo custo. Você tem que soldar a bunda na cadeira e lamber mil vezes cada página dos dicionários, mastigar e reescrever cada frase traduzida até que tudo soe bem em brasileiro, orgulhando-se do resultado do seu trabalho tanto quanto o autor estrangeiro se orgulhou da obra original. Às vezes, porém, você precisa de ajuda de um conterrâneo do autor para mergulhar a fundo nela, o que foi especialmente verdadeiro no medievo pré-internético, época em que traduzi os autores que você citou. No caso do "intraduzível" Thomas Pynchon, por exemplo, tive a fundamental assessoria do Matthew Shirts, um americano fissurado em igual medida tanto pela alta quanto pela baixíssima cultura de seu país, um cara que sabe de cor poemas do William Carlos Williams e falas inteiras da primeira temporada do Star Trek, pré-requisito essencial para se compreender a tessitura pop-erudita do Vineland, do Pynchon, o livro que traduzimos para a Companhias das Letras, em 1992. Hoje em dia só traduzo artigos para a National Geographic brasileira, editada justamente pelo Shirts. Nada a ver com o Pynchon, claro, mas não deixa de ser uma boa sessão de ginástica vernacular traduzir um artigão sobre a descoberta da tumba trimilenar de Hatshepsut, a única "faroa" da 18a. dinastia do Egito antigo, ou sobre as cavernas calcáreas de cristais gigantes do deserto de Chihuahua, no México. A verdade é que não teria mais saco ou saúde pra encarar 500 páginas da criptografia literária pynchoniana para ganhar menos do que a minha faxineira por hora de trabalho, com o devido respeito pelo inestimável trabalho da moça.



Você também escreveu roteiros para cinema e novelas para televisão. Ajudaram também?

r. Ajudaram na construção da trama, como é óbvio. Por incrível que pareça, tem uma trama bem urdida no Pornopopéia. Você vai lendo e a danada vai aparecendo. É como a vida humana: as décadas vão passando, os padrões vão se formando, a história individual de cada um vai se configurando diante do espelho deformado da consciência. Isso também é óbvio, mas não há nada mais óbvio que a vida de qualquer um de nós. A propósito, e aproveitando que você está me entrevistando por e-mail, cito uma frase do Cioran que em certos dias faz todo sentido pra mim. (Em outros dias nada faz sentido, nada.) Eis a frase: "Eu sou mais um dentre todos esses que se arrastam pela superfície do globo. Um deles, e mais nada. Essa banalidade justifica qualquer conclusão, qualquer comportamento ou ato: esbórnia, castidade, suicídio, trabalho, crime, preguiça ou rebelião." Quando você escreve uma novela de TV, todo dia cravando um capitulinho, todo dia empilhando cenas sobre cenas, todo dia fazendo cada personagem dar baixa em suas idiossincrasias, seus motivos torpes, suas banalidades chulepentas, seus desejos e ambições, seu humor, ironia ou sarcasmo, é isso mesmo que acontece: cada um deles se torna mais um entre todos nós, e a novela anda, mais uma entre todas em exibição na telinha, e a margarina escorre feliz, e o sabonete espuma com brio, e a indústria e o comércio faturam em júbilo, e Aristóteles sorri de satisfação na tumba dele, por constatar que está mais uma vez confirmada a inquebrantável unidade de tempo, lugar, ação & personagem.

Você acha que o humor na literatura não é levado a sério?


Olha, voticontá sobre o dia em que eu conheci pessoalmente o Paulo César Pereio, ator que eu curtia desde a adolescência, quando o vi n'Os fuzis, do Ruy Guerra. Foi no primeiro restaurante do Pasquale, em Pinheiros, tarde da noite, o salão meio vazio, só eu e o Pereio na mesa, depois de apresentados pelo sublime taverneiro. Eu, claro, já tava pra-lá, e o Pereio, sóbrio e rabugento, me diz a primeira coisa que eu ouvia da parte do grande ator endereçada à minha insignificante pessoa: "Você não vai me contar uma piada, vai?" Fiquei sem saber o que responder. Ei ia contar uma piada pra ele. Antes que eu pudesse ajambrar uma resposta, ele se explicou: "Todo paulista que eu acabo de conhecer me conta uma piada depois de três minuitos de papo comigo. Não agüento mais." Bom, se você narrar esse micro e insignificante episódio num conto, digamos, acho que até consegue extrair algum humor literário dele, não consegue? Eu acho que sim. Aquela conversa do Pereio, ao menos pra mim, daria mote prum episódio de literatura butequinesca, derivada da literatura burlesca, subgênero da picaresca, epitomizada pelo Lazarillo de Thormes e pelo Don Quixote, que vêm a dar, ach eu, no Machado do "Brás Cubas", no Oswald das "Memórias sentimentais de João Miramar" e do "Serafim Ponte Grande", no Mário de Andrade da primeira parte do "Macunaíma", no Nelson Rodrigues de "Viúva porém honesta" e de tantas de suas crônicas geniais e bem humoradas. E esses caras todos vêm a dar em qualquer escritor contemporâneo que não vire o nariz empinado aos aspectos anedóticos da vida-como-ela-é. (Só pra constar, aquela piada que eu pretendia contar pro Pereio lá no Pasquale era a seguinte: dois caras bebem num bar, como eu e o Pereio fazíamos naquela hora. Um diz pro outro: "Nunca transei com a minha mulher antes do casamento. E você?" O outro coça a cabeça e responde: "Não lembro. Como se chama mesmo, a sua mulher?")


Reinaldo Moraes é um escritor machadiano? Até que ponto o narrador em primeira pessoa, que se dirige ao leitor e faz pequenas ou longas digressões, é indissociável da sua literatura?

Parei de pagar minhas mensalidades e fui banido da Academia Machadiana de Letras. Mas fugi com as obras completas dele, que guardo no sótão, ao lado das minhas loucurinhas banais e bananais. A questã cidadã é que qualquer escritor brasileiro que ajambre um bem-bolado entre o coloquial e a norma culta, e ainda use e abuse de um narrador grilo-falante em primeira pessoa que se perde gostosamente em longas digressões, como costumam ser os meus narradores, acaba sendo tachado de machadiano. Uma vez, nos idos de 80, o extinto suplemento Folhetim, da Folha de São Paulo, pediu a um bando de autores -- entre eles eu e o Caio F. -- que inventassem falsos críticos para falarem de suas obras. Eu criei a dona Linda Boring, titular de teoria literária da Unicamp que me comparava a Machado de Assis, citando inclusive a opinião abalisada de Roberto Schwarz, ninguém menos. Muita gente que leu aquilo sem sacar a pegadinha ficou me olhando com mal-contida inveja por onde eu passava. Andei seriamente considerando a possibilidade de comprar um pince-nez e umas polainas.


Você resiste ao trocadilho? Ao palavrão?



Eu reexisto pelo trocadilho. Quanto ao palavrão, ah, meu, vá pa pu --
















Rei, fala um pouco aí da labuta em cima da bagaça. Sei que isso é
parte importante do seu "processo criativo" -- pardon my french -- e
não é à-toa que o livrão arranca com aquela frase. Quero saber quanto tempo levou, quando teve a primeira ideia, quantas capinadas e revisadas, esses troços.



Legal você sacar que o "livrão" começa com "aquela frase", que eu não vou citar agora, pois é justamente crivada de palavrões logo de cara. (Eita...) Mas trata-se de uma exortação ao trabalho -- "trabalha, trabalha, fiadapu..." --, nada menos. Tudo começou mais ou menos em 1996. Depois de assumir do meio pro fim a novela "O campeão," que passou na Bandeirantes, substituindo o titular Mário Prata, que tinha sucumbido a um fulminante e incapacitante ataque de pânico, eu queria voltar a escrever alguma coisa literária, sem a coisa frenética e atabalhoada da novela. Queria escrever um romance, uma narrativa polifônica, longa, sem pressa, prazos, pressão. Foi o que comecei a fazer. Mais uma vez, catei meu teclado -- agora um PC 386 -- e me encafuei na casa de um parente em Ubatuba. Começou a sair uma história que vinha se desenhando na minha cabeça de papel fazia algum tempo, narrada por um cinqüentão aposentado, um literato enrustido, mais um entre os milhares de escribas virtuais que tentam durante a vida inteira cravar sua obra inaugural e, em geral, morrem sem ter conseguido. Para levar seu plano adiante, o cara se aventura na internet forjando um site de ajuda psicológica. Ele não tem formação nenhuma na área psi, mas se faz de psicanalista virtual para angariar boas histórias que lhe sirvam de base pra escrever, já que a sua própria vida vivida lhe parece de uma mediocridade atroz, material imprestável para efeitos literários. Logo lhe aparece um "paciente" curioso, um junky metido a cineasta maluquete que se expressa numa linguagem totalmente dessublimada, e que acaba disputando com o falso psicanalista a primazia narrativa na história. Com o tempo, acabei deixando de lado esse falso psi, que, de todo modo, me rendeu umas 300 páginas a serem algum dia retrabalhadas em outro livro. Sobrou, portanto, só o malucão tagarela, assumindo a narração da história que, a partir de 2004, quando retomei pra valer o livro, virou o atual Pornopopéia.

E os topônimos? Por que é tão importante nomeá-los e situá-los? Viva a Rua do Ouvidor!R.


Rapaz, quando eu era moleque, lá nos neolíticos anos 60, eu era vidrado por um seriado policial fantástico que passava na TV, com dois charmosos detetives cercados de loiras, conversíveis e dry martinis, chamados Stu Bailey e Jeff Spencer. O QG deles ficava nos fundos de um imóvel situado no número 77 da Sunset Strip, uma das avenidas mais conhecidas de Los Angeles. A música-trilha do seriado tinha aquele famoso refrão que dizia justamente isso: Seventy seven, Sunset Strip, aliás, o nome do seriado. E onde morava o Bentinho do Machadão? Até os mais decrépitos postes da Light sabem que na rua de Matacavalos, atual rua do Riachuelo, aí na sua Cidade Maravilhosa. E o Sherlock Holmes? Na Baker Street, em Londres, lógico. E o Leopold Bloom, do Ulisses? Na rua Eccles, em Dublin. O Macunaíma morava num lugar qualquer no fundo da mata virgem, antes de vir pra São Paulo, mas o Mário de Andrade imortalizou poeticamente seu próprio endereço, que ficava na rua Lopes Chaves, na Barra Funda paulistana, onde, por sisnal, funcionou durante anos o consultório do meu falecido amigo Roberto Freire, escritor e psicoterapeuta. Adão e Eva, você sabe, podiam ser encontrados no Jardim do Éden, pelo menos até comerem aquela maçã com sildenafil e terem praticado o nobre esporte pela primeira vez. Já o meu modesto Zeca, anti-anti-herói do Pornopopéia, mantém seu mocó, misto de segunda casa, produtora cinematográfica e abatedouro, na rua Alagoas, no bairro de Higienópolis, São Paulo. Na segunda parte do romance, porém, ele se manda para uma praia do litoral norte paulista, já quase esbarrando em Paraty. Só que, aí, eu dei uma nome fictício ao lugar: Porangatuba. Seria um misto de Picinguaba com Almada, dois adoráveis redutos praianos daquele pedaço. Gosto de personagens de carne, osso e CEP, fazer o quê? Todo o poder aos topônimos!

29/05: "Fi-lo ganhar algum dinheiro"

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Postado por: alvarocosta
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A editora italiana Einaudi se recusou a publicar a tradução italiana de O caderno, do Prêmio Nobel José Saramago. O livro, que já saiu em Portugal e Espanha e reúne textos publicados entre setembro de 2008 e março de 2009 no blog do escritor, critica o primeiro-ministro e proprietário da Einaudi, Silvio Berlusconi. Entre outras estocadas, Saramago o compara a um líder mafioso.
O autor português contou que, ainda este ano, a tradução de O caderno será publicada sob a chancela da Bolatti Boringhieri, uma editora pouco conhecida. Com evidente ironia, o comunista Saramago comentou: "Uma vez que estou publicado na Itália pela Einaudi, que é propriedade de Berlusconi, fi-lo ganhar algum dinheiro. Na terra da Mafia e da Camorra, que importância pode ter o fato provado de que o primeiro-ministro seja um delinquente?".

08/05: Tobias Wolff na Flip

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Postado por: Juliana Krapp
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A organização da 7ª Festa Literária Internacional de Paraty anunciou hoje a vinda do americano Tobias Wolff para o evento, que acontece de 1º a 5 de julho. Ele dividirá a mesa com a irlandesa Anne Enright.

Considerado um contista de mão cheia, Wolff é também autor do livro de memórias O despertar de um homem, adaptado para o cinema em filme homônimo estrelado por Leonardo DiCaprio e Robert De Niro. Seu título Meus dias de escritor (2006) está sendo reeditado pela Ediouro.

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04/05: Fuentes não mais

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Postado por: alvarocosta
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Os organizadores da Flip informam que Carlos Fuentes cancelou sua vinda ao festival devido a "compromissos pessoais inadiáveis".

30/04: Rubem Fonseca deixa a Companhia das Letras

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Postado por: alvarocosta
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"A Companhia das Letras informa que, por decisão comum, deixará de editar as obras de Rubem Fonseca. No momento em que os livros do escritor se esgotarem, eles estarão disponíveis para publicação por editora da escolha do autor. Nenhum esclarecimento a respeito deste assunto será prestado pela Companhia das Letras".
Esta é integralmente a nota que a editora paulista mandou a algumas redações na tarde de ontem.
Alertado por este blog, um amigo de Rubem Fonseca lhe telefonou, e dele ouviu apenas: "Já está nos jornais?".
Chega ao fim portanto uma relação de 30 anos, inicada com a publicação da coletânea de contos O cobrador, e que rendeu sucessos editoriais como A grande arte, Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Agosto, entre outros títulos. Toda a obra do escritor, de 22 títulos, está em catálogo na Companhia das Letras.
Rumores indicam que Rubem Fonseca ultimamente estava insatisfeito com a divulgação de seus livros na editora, que promoveu estratégias especiais para o relançamento da obra completa de Jorge Amado e Lygia Fagundes Telles, e do mais recente romance de Chico Buarque, Leite derramado.

24/04: Mario Bellatin vem à Flip

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Postado por: Juliana Krapp
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No Informe Ideias de amanhã:

Um dos nomes mais importantes da nova literatura latino-americana, o mexicano Mario Bellatin estará na Flip. O próprio Bellatin confirmou ao Ideias sua participação, acrescentando que sua novela Flores, de 2000, será editada pela CosacNaify em julho, quando acontece a festa literária. Autor experimental, com mais de 15 obras publicadas, criou a Escola Dinâmica de Escritores, na Cidade do México. Em 2007, a Leitura XXI, pequena editora de Porto Alegre, publicou o primeiro livro de Bellatin no Brasil: Salão de beleza, que na ocasião infelizmente passou em branco. Agora não mais.

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14/04: Chico Buarque na Flip. De novo

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Postado por: Juliana Krapp
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Chico Buarque é o mais recente nome confirmado para a sétima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece de 1 a 5 de julho. O cantor, dramaturgo e escritor, que na ocasião fala sobre seu quarto romance, Leite derramado, já estivera na Flip em 2004, quando dividou uma mesa com o americano Paul Auster. Com isso, torna-se o primeiro grande nome a ter repeteco na festa.

Leite derramado consiste nas memórias de Eulálio d'Assumpção, moribundo centenário e aristocrata arruinado. Mas, nas palavras do escritor Reinaldo Moraes, que o resenhou para este Ideias, trata-se do "Brasil em forma de romance". Na edição do próximo sábado, dia 18, aliás, a história de Eulálio d'Assumpção ganha outra resenha, desta vez assinada pelo filósofo Leandro Konder, colunista do caderno.

10/04: Saramago está internado novamente

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Postado por: Juliana Krapp
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O escritor português José Saramago está internado em um hospital nas Canárias desde o início desta semana, noticiaram hoje os jornais locais. Segundo eles, o autor, que esteve à beira da morte devido a uma pneumonia, entre dezembro de 2007 e janeiro de 2008, está hospitalizado agora "apenas por precaução", e deve ter alta nos próximos dias.

Na última postagem em seu blog, feita no dia 8, o Prêmio Nobel anunciara que iria "mergulhar na prosa" (antes, fizera referência ao Padre António Vieira) e, assim, "desaparecer" por alguns dias.

Saramago, de 86 anos, está no Hospital Lanzarote, em Puerto del Carmen, próximo a sua casa, em Tías. A imprensa portuguesa tratou de tranquilizar os leitores: por enquanto, mantém-se de pé o encontro do escritor, na segunda-feira, com o ex-refém das Farc Sigifredo López Tobón, libertado em fevereiro depois de sete anos de sequestro. Os dois vão debater, num evento aberto ao público, a situação da guerrilha na Colômbia.

06/04: Gabo nega parada

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Postado por: awerneck
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Reportagem do jornal colombiano El Tiempo desmentiu, sem sombra de dúvida, o boato mais forte do mundo literário na semana passada: Gabriel García Márquez negou que vá parar de escrever.

Segundo o jornal, prêmio Nobel de Literatura (que tem 82 anos) disse textualmente, sobre a história, sugerida por sua agente, Carmen Balcells, em entrevista a um jornal chileno: "Não só não é certo, e sim a única coisa certa é que eu não faço outra coisa a não ser escrever".

Entretanto, a segunda declaração de Gabo ao jornal é bastante enigmática e pode ocultar um jogo de retórica de sua outra fala: "Meu ofício não é publicar, mas sim escrever".

Apesar de todo o disse-me-disse, outro boato circula sobre o escritor: ele estaria escrevendo um novo romance, a ser publicado ano que vem.

03/04: Imagem e semelhança

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Postado por: awerneck
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O choque acometeu as pessoas aqui na redação. A semelhança nunca havia sido notada e, a propósito da publicação de resenha sobre Tzvetan Todorov na edição deste sábado do Ideias a ficha caiu: não é a cara do Contardo Calligaris, o psicanalista-escritor? Repare (primeiro o Todorov, o lingüista búlgaro, depois o Calligaris):

Todorov

Contardo

Lembrou uma comparação feita dias atrás, quando da morte do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín. Para alguns espíritos de porco ele seria a cara do Carlos Heitor Cony, nosso mestre das letras, autor de O piano e a orquestra, um dos melhores romances brasileiros dos anos 1990.

O Ideias não abre mão da comparação mais perfeita de todas: Cony é a cara, sim, de Martin Heidegger, o filósofo alemão que o pensamento só vai até um ponto, após o qual, legisla o mistério.

Justiça seja feita aos dois grandes homens de Ideias (quem é quem?):

Heidegger

Cony

03/04: O horror! O horror

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Postado por: awerneck
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Fãs de suspense, tremei! Um dos projetos mais aguardados da história da literatura finalmente recebeu seu ponto final. Trata-se de Under the dome o épico de mais de mil páginas (segundo a divulgação oficial, são 1.120) escrito por ninguém menos que Stephen King!

O livro, que deve ser publicado em novembro nos Estados Unidos conta a história de uma força invisível que isola totalmente uma cidadezinha americana era prometido por King há nada menos do 25 anos. Sobre ele já circulou todo tipo de lenda, desde que era amaldiçoado até que era uma mentira ou pegadinha.

Segundo King, de 61 anos, que revelou a conclusão de seu romance em uma palestra na Biblioteca do Congresso, em Washington, ele não conseguiu concluir o livro antes por ser muito grande para ele. "Eu não era maduro o suficiente".

É, faz sentido.

01/04: Só cara a cara

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Postado por: alvarocosta
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Gay Talese -- o grande jornalista que, exatamente por ser grande, não faz entrevista por imeio ou telefone -- é mais uma atração da festa literária em Paraty. Em maio, a Companhia das Letras, que é quase sinônimo de Flip, lança Vida de escritor, que vai se juntar a outros livros de Talese na mesma editora, Fama e anonimato, A mulher do próximo. O reino e o poder.

31/03: A Flip toma corpo

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Postado por: alvarocosta
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Aos poucos, a lista de convidados para a Flip toma corpo. Os dois últimos nomes confirmados pela organização são Alex Ross, crítico de música da revista The New Yorker, e a francesa Sophie Calle, que é artista plástica, fotógrafa, performer e escritora. Ross acaba de ter traduzido entre nós O resto é ruído (Companhia das Letras), no qual tece relações entre a política e as músicas erudita e contemporânea do século 20.

Considerada a principal artista conceitual da França, Calle utiliza escrita, fotografia, vídeo e instalações para explorar questões como intimidade e identidade. Em seus projetos, é evidente o interesse em reduzir as distinções entre vida privada e pública, ficção e realidade.
Em Suite vénitienne , de 1979, por exemplo, seguiu um desconhecido de Paris a Veneza, fotografando-o como um detetive particular. Já em seu mais recente Prenez soin de vous , que apareceu na Bienal de Veneza em 2007, ela pediu a 107 mulheres que interpretassem, dissecassem, explorassem o e-mail de pé na bunda que havia recebido do namorado. Entre outras, as intérpretes foram as atrizes Maria de Medeiros e Jeanne Moureau, e a cantora e primeira-dama francesa Carla Bruni. Foi em Sophie Calle que Paul Auster baseou-se para criar a personagem Maria Turner, do romance Leviatã.

A 7ª Flip, de 1º e 5 de julho, também já confirmou as presenças de Anne Enright, Carlos Fuentes, Catherine Millet, Antõnio Lobo Antunes e Atiq Rahimi, escritor que ganhou o Goncourt ano passado.

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