20/06: Rumo ao pé-de-moleque

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Caros leitores: a partir de hoje, e até o fim da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece de 2 a 6 de julho, os posts do Idéias passam a ser publicados no Pé-de-moleque, nosso tradicional diário em Paraty.

13/06: Wisnik no país do futebol

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Na lista de José Miguel Wisnik, Pelé está está acima de todas as comparações, Garrincha está fora de qualquer comparação e Maradona é gloriosamente o segundo - levando em conta a intangibilidade do segundo. No Idéias deste sábado, resenha de Idelber Avelar analisa Veneno remédio, apontando-o como "a mais sofisticada reflexão sobre futebol já publicada no país".

A despeito de tamanha sofisticação, e como não poderia deixar de ser, o Idéias aproveitou o ensejo para fazer um bate-papo de arquibancada com o escritor. Que respondeu até se sabe ou não cobrar escanteio.

Mas o veneno de Wisnik não é o único a habitar o caderno. Mia Couto também fala ao Idéias, desta vez sobre seu Venenos de Deus, remédios do Diabo, enquanto Vitor Ramil explica Satolep e a Estética do Frio.

11/06: A patrulha de Peter James

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
1 Comentário
Um carro de polícia peculiar ganha as ruas de Brighton, nesta quinta. A berlina de cinco portas, novinha em folha, vai reforçar o policiamento da cidade britânica levando sobre a lataria o nome de Peter James, o "nº 1 dos livros de crime", como também impresso no automóvel.

A propaganda, óbvio, não é gratuita. Foi o próprio escritor quem deu o carro de presente à polícia local. Acontece que James, autor de um punhado de best-sellers, é conhecido também como uma espécie de sombra dos homens da lei da Inglaterra. Famoso pela minúcia com a qual narra a atuação de criminosos em seus livros, costuma percorrer cenas de crime a bordo de carros oficiais. Calcula-se que, a cada 10 dias, passe um acompanhando policiais em suas rondas.

A idéia do mimo foi de seu editor que, em uma conversa, comentou: "A polícia tem sido tão prestativa conosco, acho que deveríamos pensar em uma forma de retribuí-la". Quando às questões éticas envolvidas na ação, nem as autoridades de Brighton nem o escritor parecem preocupados.
Quem conta a história é o jornal The Guardian, onde podemos encontrar fotos do veículo.

06/06: Autran Dourado vence Prêmio Machado de Assis da ABL

Categoria: Todos
Postado por: mfilgueiras
Adicionar comentário
Romancista mineiro, Autran Dourado foi o vencedor da última edição do "Prêmio Machado de Assis" Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de obra. Autran é autor, entre outros livros, de O Risco do Bordado (1970), Os Sinos da Agonia (1974), As Imaginações Pecaminosas (Prêmio Goethe de Literatura 1981), A Serviço Del-Rei (1984), Opera dos
Fantoches (1995) e Confissões de Narciso (1997).
O prêmio, de R$ 100 mil, foi dado ano passado ao cientista social Roberto Cavalcanti de Albuquerque. Em anos anteriores, receberam o "Machado de Assis" Fernando Sabino, Antonio Torres, Wilson Martins, Ferreira Gullar, Gilka Machado, César Leal, entre outros.
A solenidade de entrega da premiação se dará no Petit Trianon, no dia 17 de julho, quando a ABL comemorará seu 111º aniversário de fundação (1897-2008).

30/05: Gertrude, Alice, marinados e Godard

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Gertrude Stein e Alice Toklas, as lésbicas judias mais charmosas da literatura moderna, ilustram o Idéias deste sábado. Matéria de Mariana Filgueiras sobre o livro Duas vidas mostra um pouco da personalidade das duas, que, apesar de todo perigo, resolveram permanecer na França ocupada pelos nazistas. E ainda tiveram a audácia deliciosa de manter seus requintados hábitos gastronômicos.

O caderno traz também um conto de Flávio Moreira da Costa, ambientado no frenesi intelectual de 1968. O protagonista? Godard e seu falatório sobre a arte contemporânea.

Nas resenhas, Bianca Tinoco analisa livro sobre a artista Anna Bella Geiser, e Fabiano Calixto explica por que Roberto Piva é o único sobrevivente da geração de 60.

23/05: "A caveira é um relógio morto"

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
"A lua nunca ficou bem de chapéu." "O apontador é eco antes que palavra." "A única coisa que realmente nos pertence para sempre é o esqueleto."

Estes são alguns exemplos de greguerías. Não sabe o que são greguerías? Não, não são aforismos. A capa do Idéias dessa semana fala exatamente sobre o gênero, criado pelo espanhol Ramón Gómez de la Serna - um escritor essencial, e tão raro entre nós.

Além dele, ilustram esta edição dois nomes também essenciais, e desta vez nacionalíssimos: Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes, em suas facetas de cronista. Confira.

22/05: Lobato racista?

Categoria: Todos
Postado por: alvarocosta
2 Comentários
A artigo de Alberto Mussa, publicado na edição de 17 de maio do Idéias, no qual o escritor aponta aspectos racistas na obra de Monteiro Lobato, entupiu de mensagens o endereço eletrônico do caderno. Contra e a favor dos argumentos. Seelecionamos para publicação uma carta do contra, seguida da resposta do própria Mussa.










Prezado Alberto Mussa,

sua opinião politicamente correta é uma impostura e um erro histórico. Porque insistir nele? Seria de todo modo impossível Monteiro Lobato ser diferente vivendo o tempo que viveu. É portanto rematada estupidez desconectar uma obra literária do seu tempo, pois é precisamente este o artifício que lhe retira toda a genialidade, quando ela existe. Se Monteiro Lobato foi um contista genial, mesmo não sendo um mainstream, isto deverá estar, entre outros lugares de sua obra, na nitidez e agudeza com que ele compreendeu as relações sociais e humanas de seu tempo, e conseguiu dar-lhes permanência. É nessa capacidade de transceder os próprios limites temporais e de lugar onde reside a relevância de uma obra de arte. Pecado, Mussa, é implicar pelo seu julgamento pessoal contemporâneo uma condenação sem possibilidade de referência ética ou moral ao tempo em que uma obra foi escrita. Para agradar a quem?



Como quase todos os brasileiros, também tive a infância povoada pelos personagens, casas e quintais lobatianos. Tenho-os nítidos na memória afetiva, e, mesmo de forma inconsciente, estas idéias e imagens certamente foram formativas de quem hoje eu sou e de quantos brasileiros foram alfabetizados lendo As Reinações de Narizinho e o Sítio do Picapau Amarelo. Mas vivo em um futuro impossível à imaginação de Monteiro Lobato, e a mim somente cabe a responsabilidade de atualizar-me frente às mudanças. Esta avaliação depende exclusivamente de minha capacidade de entender o tempo e o lugar onde vivo, de ser útil às pessoas e de ser solidário comelas. Repetindo Paul Feyerabend em sua análise sobre a Ilíada, de Homero, o que permite uma leitura atualizada de um escritor como Monteiro Lobato é o fato elementar de existirem conexões entre o “dentro” e o “fora” de uma língua no tempo e no espaço entre gerações, e a cegueira conceitual tem origem é na inércia, no dogmatismo, na desatenção ou na estupidez pura e simples.



Saudações

Antonio F. Fortes

Brasília, DF





Segue a resposta:



Prezado leitor, quero primeiro agradecer sua leitura atenta do meu artigo . Como respeito a opinião de todos, faço um pequeno esclarecimento: não julguei o homem Monteiro Lobato, critiquei seus livros, apenas. O fato de alguém ser um grande escritor não o faz necessariamente uma pessoa íntegra, e vice-versa. A literatura ensina isso muito bem: as pessoas não são blocos monolíticos de bem ou mal, são complexas, apresentam virtudes e defeitos. Não tenho pretensão de julgar pessoas, não fiz isso.
Lamento o tom ofensivo da sua mensagem, acho que não fica bem num debate intelectual. Mas fico feliz ao perceber que, no fundo, você concorda com o fundamento da minha crítica: a literatura infantil de Lobato é preconceituosa.
Nossa única divergência é que você supõe que crianças entenderão o contexto histórico do autor e saberão superar o problema. Acho isto até possível num adulto. Mas uma criança não faz abstrações desse tipo. Uma criança irá se identificar com a figura fascinante da boneca Emília e tenderá a compartilhar as opiniões da personagem. Uma criança negra certamente introjetará o preconceito ao ler expressões como "negra beiçuda" e outras semelhantes.
Isso é grave. Ainda que fosse admissível fazer concessões ao homem Monteiro Lobato (e isto também é questionável, num país que teve Castro Alves, por exemplo) a obra infantil está comprometida, irremediavelmente, para os tempos de hoje.
Um forte abraço do
Alberto Mussa

19/05: Para crianças diferentes

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Tatiana Belinky, russa radicada no Brasil, é um dos nomes mais importantes da literatura infanto-juvenil no país. Premiadíssima, foi ela quem escreveu Limeriques e A cesta de Dona Maricota, apenas para citar dois de seus mais de 120 livros. Também foi ela quem adaptou para a TV, pela primeira vez, O sítio do Picapau Amarelo.

Como uma homenagem aos 10 anos do Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens - que este ano acontece de 21 de maio a 1º de junho, no Museu de Arte Moderna (MAM) -, fizemos uma pergunta a Tatiana - que, beirando os 90 anos, é chamada de Tati pelos netos. Pois foi com sua jovialidade típica que nos respondeu. Afinal de contas, qual o segredo para penetrar com sucesso no universo infantil? Com a palavra, Tatiana Belinky:

"Quando um de meus filhos tinha 10 anos, me perguntou: 'você acha justo e democrático tratar de modo igual filhos que não são iguais'? Ele era muito pensador, e me deu uma grande aula naquele momento. Porque cada um lê de um jeito, cada um entende da sua maneira. O retorno de uma criança diante de uma história é diferente do de qualquer outra. E, se filhos de mesmos pais são diferentes, imagine crianças de pais, casas, bairros diferentes.

Cada história vira uma história única para aquele que a lê, ou seja, vira várias histórias. Um livro é tantos livros quanto o número de pessoas que o lê. E uma história é tantas histórias quanto as vezes que um leitor leu a história original. Criança ou adulto, as pessoas são diferentes a cada momento, como as histórias.

Por isso, não existe uma receita para entrar no universo das crianças, ou no universo da literatura. O que existe são algumas coisas básicas que uma boa história deve ter. Vou usar de novo um exemplo em família. Minha neta, um dia, me disse: 'sabe, Tati, livro que não dá para rir, não dá para chorar e nem para ter medo, não tem graça'. Criança não gosta de história chata ou óbvia, não quer ouvir que ivo viu a uva do vovô. A primeira condição para um bom livro é que tenha uma história emocionante, que prenda a atenção.

Ou seja, como mãe, educadora, escritora e leitora desde os 4 anos , acredito que a primeira condição para um bom livro é a estética. Mas não é a estética daquilo que é apenas bonitinho, e sim do que é bem escrito, feito para ser bem compreendido.

A segunda condição é a ética. E uma ética que não é sinônimo de moral, e sim de fazer com que o leitor possa refletir livremente sobre a história, sem o compromisso de uma lição no final. É uma ética que deve estar acompanhado de um senso de humor que pode ser alegre, crítico, triste. Humor é fundamental – qualquer um deles."

09/05: Saudáveis obsessões

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Além da literatura, qual outra paixão têm em comum o escritor João Ubaldo Ribeiro, o artista Cassio Loredano e o editor Luiz Eduardo Vasconcelos? Todos os três não apenas gostam, mas sim são viciados em... dicionários.

Que, é claro, não servem apenas à consulta: há quem os leia como um romance, quem os conheça pelo cheiro ou quem cultive o hábito de corrigí-los. Pois matéria do Idéias deste sábado mostra quem são esses amantes do pai-dos-burros. E conta, ainda, como fica a situação dos livrões com o acordo ortográfico.

Mas esta edição traz também outros obcecados. Afinal, só mesmo muita paixão para fazer alguém escrever uma obra equivalente, em tamanho, a 13 romances contemporâneos medianos - como o fez Marcel Proust em seu Em busca do tempo perdido. Para acrescentar então ao rol de saudáveis obsessões, damos algumas dicas para quem quer se aventurar na leitura do autor francês. Que, como revela matéria de capa, passou seus últimos oito anos de vida à base de café-com-leite e croissant - tudo por amor à arte.

Acha que acabou? Nada disso. Quem mais obcecado no universo literário que o capitão Ahab, de Moby Dick, que empreendeu, oceanos afora, uma das mais empenhadas perseguições já descritas? Pois, sabemos, obsessão e literatura dizem muito uma da outra.

09/05: Copromancia e literatura

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
O fio condutor do último romance de Patrícia Melo soa bastante peculiar. Um funcionário público dedica-se com afinco à arte de analisar o passado e adivinhar o futuro. Só que, para isso, Jonas usa as figuras formadas, no vaso, pelo bolo fecal. E isso lembra outra história: um conto de Rubem Fonseca do livro Secreções, excreções e desatinos, no qual o protagonista, além de decifrar, ainda fotografa seus excrementos.

A coincidência é proposital. Eis que Rubem Fonseca acaba virando personagem de Jonas, o copromanta, uma vez que o protagonista jura de pés juntos que o escritor roubou dele a idéia para seu conto. Passa, então, a perseguí-lo – inclusive em suas caminhadas matinais, quando o autor não abre mão de seu boné, “deixando à mostra apenas o narigão e a buca chupada”. Tem senso de humor, esse Jonas.

Vale dizer que ele tem, também, outro hábito bizarro: reescreve finais de livros. Lolita, por exemplo, acaba dopando e castrando o “pedófilo Humbert Humbert, tendo antes a inteligência de roubá-lo”. Acontece que, segundo Patrícia, este é um livro sobre a relação leitores-escritores, e não um livro sobre escatologias - embora, de uma forma ou de outra, elas estejam lá.


Como você concebeu o personagem Jonas?

É que eu já queria, há tempos, escrever um romance sobre fantasia, sobre literatura e, sobretudo, sobre essa relação complexa que existe entre os escritores e seus leitores. Queria falar sobre a projeção que os leitores fazem de si próprios sobre os personagens que lêem, e também aquela que imaginam que os escritores façam sobre seus personagens. Para isso, eu evidentemente quis usar um autor brasileiro, e que tivesse a ver com a minha literatura. Aproveitei então para fazer uma homenagem ao Rubem Fonseca, que é muito importante para a minha geração e até para os autores mais velhos do que eu.

O Fonseca de fato influenciou muito a sua obra, não?

Ele é o escritor que moldou a literatura urbana na forma como a gente a conhece hoje. Ele mostra esse homem solitário e invisível, em uma cidade repleta de patologias e de medos. Antes dele a literatura urbana já existia por aqui, mas de um jeito incipiente. Foi ele quem lhe deu força. Então, voltando ao Jonas: quando comecei a pensá-lo, era um personagem de vida miserável, em termos humanos. A idéia era que ele vivesse uma rotina sem viço, esvaziada de sentido, burocrática. Mas ele consegue criar, a partir da literatura, uma expectativa de futuro e de riqueza em termos de vivência. Criei-o como um personagem bizarro, que vive em uma realidade paralela, habita um mundo que ele mesmo constrói, descolado da realidade. Foi quando pensei no “Copromancia”, o conto do Rubem Fonseca. Achei emblemático: seu personagem também é alguém que, como o Jonas, vive uma vida esvaziada de sentido, e fica procurando no que há de mais desprezível no homem – o seu próprio excremento – uma possibilidade de futuro.

Com o Jonas já definido, como foi pensar o resto da história? Porque é um livro de muitas reviravoltas.

Jonas é um personagem muito forte, foi ele quem me deu algumas cartadas. Ele vai se afundando cada vez mais em seu mundo paralelo, e isso me deu a possibilidade de trabalhar o humor , que foi um recurso que eu usei bastante no livro. Mas ele mesmo, por ser um personagem tão forte e bizarro, acabou adquirindo uma voz hiperativa, e colocando as cartas na mesa.

Tanto que ele acaba virando praticamente um garanhão.

Não acho que ele seja exatamente um garanhão. Acontece que ele é um cara tão distante da realidade que acaba despertando o desejo feminino. As mulheres ficam com vontade de adotá-lo. Ele não é uma figura viril, sedutora, mas se torna uma espécie de vítima das mulheres, que são mais fortes que ele. É sempre arrastado para a cama. Em toda a minha galeria de personagens corriqueiros, ele é o mais bizarro, porque fica à vontade para expor os excrementos dele, as coisas mais íntimas, o mais desprezível e o mais frágil.

E como tratar de um tema tão escatológico sem resvalar para o mau-gosto?
Acontece que a escatologia não é o tema central do livro. Meu objetivo nunca foi chocar o leitor, e sim mostrar a relação entre leitores e escritores. A escatologia é só um elemento a mais, um instrumento de identificação do Jonas com o Rubem Fonseca, para que eu pudesse abordar essa relação que eu queria. Além disso, o Jonas trata seu hábito de uma maneira elegante. Ele acredita mesmo que é uma ciência, e a trata como tal.

Falando nisso: você teve que estudar algo de criptologia?

Sim, li um pouco sobre os princípios da criptologia, que é uma linguagem de codificação da língua de forma que ela seja restrita a um tipo escolhido de pessoas. O Edgar Allan Poe era completamente apaixonado pela criptologia. A literatura negra também. Aliás, há vários outros autores que a usam. Mas o Jonas usa essa ciência da mesma forma que usa as fezes. Ele traduz o bolo fecal de acordo com a criptologia, mas dentro de uma lógica dele. Isso não deixa então que a presença da escatologia vulgarize a história. Jonas tem uma linguagem pretensamente científica.

E o Jonas é bastante culto.

Não sei se eu diria “culto”. Ele gosta de literatura, tira dela sua riqueza da vida, tem a mania de recriar os clássicos, e trabalha na Biblioteca Nacional. Ou seja: a literatura é a moldura desse livro.

É verdade que só quando o livro estava no prelo você avisou ao Rubem Fonseca que ele havia virado personagem?

Sim, eu fiquei com medo de assustá-lo. Mas, quando acabei o livro, sabia que ele ia gostar de se ver retratado e que perceberia a homenagem que havia ali. Mas só telefonei avisando que havia enviado o livro e que gostaria que ele o lesse, sem alertar que ele estava ali como personagem. Ele descobriu ao ler a história, e me ligou dando risada. Achou divertido.

Aquela rotina dele descrita no livro é toda verídica? É verdade que ele cuida das árvores do Leblon?

Nem tudo ali é verdade, é claro. Mas, sim, ele cuida das árvores do Leblon.

02/05: Reportagens inesquecíveis

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Na Roma de 1845, o então repórter Charles Dickens, do Morning Herald, descreve uma decapitação em praça pública. E nada escapa ao olhar atento do ainda desconhecido romancista: o barulho de chocalho, os olhos do condenado virados para o céu. Pois esta é uma das 55 reportagens que compõem O grande livro do jornalismo, de Jon E. Lewis, tema da capa do Idéias deste sábado.

Dando continuidade ao debate sobre 1968, iniciado com a edição especial do último sábado, o caderno traz ainda uma entrevista com o sociólogo francês Michel Maffesoli, autor de conceitos gerados exatamente naquele ano explosivo. Já o escritor Fausto Wolff narra suas lembranças da época, que envolvem andanças, pé-sujos e o pontapé para o exílio.

Além disso, há espaço para temas mais, digamos, amenos. Como será que o poeta Fernando Pessoa descreveria sua Lisboa? Certamente de forma muito diferente do que qualquer roteiro turístico convencional. Confira no Idéias dessa semana.

29/04: Abaixo as bandeiras

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
O poeta Aníbal Cristobo nasceu na Argentina, mas viveu por cinco anos no Brasil e, atualmente, mora na Espanha. Pode-se dizer que é, mais do que um cidadão do mundo, um agente de integração; participa de conselhos editoriais de revistas de poesia em diferentes países e criou um blog no qual mapeia a produção poética brasileira, seguindo o exemplo de sites similares que já existem em outros pontos da América Latina.

Pois o Idéias fez a seguinte pergunta ao escritor: "O que acha do recente 'boom' de publicação de autores ibero-americanos (em especial argentinos) no Brasil?". A bela resposta de Aníbal é uma reflexão e tanto sobre a literatura que produzimos e a que consumimos:

"O problema, eu diria, é o de sempre: há uma compreensão um tanto mais difusa e mais sutil de tudo isso e que, não obstante, é uma compreensão que não serve aos fins publicitários ou jornalísticos. Eu não posso estabelecer um diálogo partindo da premissa de um 'boom' editorial, porque este é baseado em pressupostos que não compartilho, que são os pressupostos mercadológicos. Do mesmo modo, continuar discutindo e classificando as literaturas a partir dos limites geográficos que visualizam - 'argentinas', 'brasileiras' etc - parece uma redução só possível a partir de critérios extra-literários.

Talvez pudéssemos falar de uma tentativa de abertura, de uma consciência que indica que não há sentido circunscrevermos tanto a edição de uma literatura produzida nos limites territoriais de um Estado; mas essa quebra, essa greta está emparelhada com o trabalho dos escritores, que cada vez menos pretendem converter-se em bandeiras desses países nos quais, casualmente nasceram.

Dito de outro modo: a desterritorialização como política editorial só é um reflexo da desterritorialização que vem sendo produzida há bastante tempo na literatura. À medida em que um escritor 'brasileiro' deixa de tentar representar o que deveria ser uma essência nacional - porque entende a falácia absoluta do projeto, ou por qualquer outro motivo - sua 'desexotização' o iguala a um escritor nascido em qualquer outro território; e torna absurdo tentar privilegiar a publicação e circulação das obras dos 'escritores nacionais'.

De qualquer modo, privilegiar a circulação de uma literatura nacional nesse contexto é tão arbitrário quanto inclinar-se a uma abertura 'para o argentino', 'para o latino' ou para qualquer outra denominação geográfica. O que pensamos encontrar ali? O problema é que esses movimentos não são debatidos em espaços apropriados, e sim nos escritórios de marketing e nas editoras. Somente desse lugar tem sentido falar de um 'boom', provocá-lo.

Outra coisa que muitos autores e autoras no Brasil e na Argentina já decidiram é que os limites de suas auto-gestões (porque muitas vezes se trata de gente que participa ativamente na formação de um circuito editorial alternativo, de pequena escala) não teriam nem têm por que coincidir com os limites geográficos dos seus países. Intuio que parte disso pode ter encorajado algumas editoras a copiar esse movimento, uma vez que podemos perceber o ânimo do intercâmbio.

A mim não interessa que Saer, por exemplo, possa ser lido no Brasil porque é um autor nascido na Argentina; interessa-me que pode estar disponível no Brasil porque é um autor cuja escritura excede os limites do território - do mesmo modo que me interessa que, digamos, Faulkner possa ser lido no Brasil. A funcionalidade das nacionalidades só serve para organizar uma burocracia editorial e uma série de dispositivos de marketing dos quais todos - leitores, escritores, jornalistas, catedráticos - deveríamos desconfiar um pouco mais, a meu ver. Do contrário, o boom de uma literatura não estaria implicando no declínio de outra? Ou isso significa apenas que as pessoas lêem cada vez mais, para que todas as literaturas possam ser multi-consumidas?

Talvez esse seja o objetivo das corporações que cada vez mais ditam as pautas do que deve ser lido, e como, e de que modo. Como disse antes, se há algum motivo de celebração, não é o de um 'boom', e sim aqueles grupos que pouco a pouco vêm fazendo com quem se torne possível o debilitamento das fronteiras que nada dizem respeito à literatura."

25/04: O ano que acabou - e muito mal

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
1 Comentário
Para o antropólogo italiano Massimo Canevacci, foi o ano que aguçou a sensualidade, que gerou essa "eróptica" que vivemos hoje. Para o dramaturgo Augusto Boal, foi o "ano em que o fascismo aprisionou o Brasil". Já o historiador Daniel Aarão Reis acredita que suas propostas podem ser retomadas a qualquer momento e em qualquer lugar, basta exercitar o que o ano tinha de mais interessante: a imaginação.

Porém, ninguém duvida que 1968 é provocador, polêmico, contraditório e, até hoje, um enigma. Porque, 40 anos depois, ainda é impossível compreender plenamente todos os acontecimentos e mudanças atrelados aos seus perturbadores quatro dígitos. Pois a edição do Idéias deste sábado, especial, é toda dedicada a ele: o ano mais significativo do século passado. O que inclui entrevista com Zuenir Ventura (prestes a lançar novo livro sobre 68), artigo de Franklin Martins e depoimento de Sergio Paulo Rouanet.

****************


Para dar um gostinho, segue a entrevista que fizemos com o sociólogo Michel Misse - que não apenas estava lá, como viu e viveu tudo intensamente:

No seu depoimento para o livro do Evandro Teixeira (1968 Destinos 2000), você comenta que a Passeata dos 100 Mil foi o momento crucial para o seu envolvimento político. Você havia acabado de chegar de uma cidade do interior, e se deparava com aquilo tudo... O que foi 1968, aos olhos daquele garoto recém-chegado do interior?

Eu já participava do movimento estudantil em minha cidade (Cachoeiro de Itapemirim, ES), nos meus 14, 15 anos: tínhamos um jornalzinho, eu escrevia regularmente uma coluna no principal jornal da cidade, o Correio do Sul. No entanto, foi ao chegar ao Rio, em 1967, para fazer o “científico” (como era então chamado o último ciclo do curso secundário), que me deparei com a vigorosa retomada do movimento estudantil no Rio, com base na denúncia dos acordos MEC-Usaid para a reforma universitária no Brasil. Aos poucos, fui compreendendo a gravidade política da situação nacional e a necessidade de uma reação civil ao desmantelamento das instituições que resistiam ao regime. Aproximei-me cada vez mais da esquerda, lia a Revista Civilização Brasileira, o Correio da Manhã com seu magnífico Segundo Caderno, os livros editados (e vendidos a granel, quase a preço de custo, nas livrarias) por editoras como a Civilização Brasileira e a Paz e Terra, trincheiras intelectuais contra a ditadura. A passeata dos 100 mil foi o coroamento dessa minha formação política e, como no personagem de Flaubert, de minha “educação sentimental”. Companheirismo, idealismo, um sentido de autenticidade em nossas idéias, a mudança dos costumes - cabelos grandes, o vanguardismo nas artes, a liberação sexual, o Cinema Novo, os Mutantes, tudo o mais. 1968 não foi só a passeata dos 100 mil, embora esta tenha representado, do ponto de vista político, o auge da reação civil à ditadura. Em escala mundial, as manifestações de 1968 carregavam uma primeira consciência da importância da juventude na cultura e no processo político. Eu fazia uma revista no Instituto La-Fayette, na Tijuca, onde cursava o secundário, que se chamava Cultura Jovem. O escritor Arthur Poerner lançava seu livro O Poder Jovem, lido por toda a nossa geração. Antes não havia o “jovem”, havia o “moço”, a “mocidade”, inteiramente subordinada à valorização do modelo adulto maduro. Estava-se a criar, sem que percebêssemos, a hegemonia da “juventude” nos estilos de vida adulta, que permanece até hoje. O rock, a calça jeans, os cabelos longos, o corpo sensual, uma certa androginia, o fim da virgindade feminina como condição-tabu para o casamento, tudo isso associava-se à reação contra a caretice do regime, mesmo para quem não era politizado ou de esquerda. O mundo jamais voltou a ser o mesmo, nesse aspecto. Nenhum de nós – que vivemos essa mudança – pode subestimá-la quando comparamos os costumes de hoje com os da nossa infância, nos anos 50.

Agora preciso te pedir um exercício de imaginação. E se 1968 não tivesse acontecido? E se não tivesse acontecido a Passeata, o AI-5, aquilo tudo? Como seria o Brasil hoje?

É um difícil exercício de imaginação contra-factual. Max Weber, o grande sociólogo, dizia que se os gregos tivessem perdido a batalha de Maratona, a civilização helenística teria se antecipado em mais de um século. Eles a ganharam, mas algum tempo depois foi um macedônio, Alexandre, quem levou a Grécia ao Oriente – e o cruzamento civilizacional aconteceu de qualquer modo. Mas teria sido igual num caso e noutro? Acho que não. Sem a passeata dos 100 mil, haveria ainda assim ampliação da luta contra a ditadura, a Frente Ampla (com Jango, Juscelino e Lacerda) se consolidaria etc. O resultado é inimaginável, embora a linha dura já estivesse controlando o regime e dificilmente ela largaria o poder naquele momento em favor das tendências mais liberalizantes. O AI-5 não resultou da passeata dos 100 mil, ele já estava na manga da camisa dos militares desde o cancelamento das eleições de 1965. Buscava-se o pretexto, e ele poderia ser encontrado em outra parte – mas a história não é unilateral, os acontecimentos se relacionam, se provocam mutuamente, produzem afinidades de sentido que fortalecem identidades opostas e levam à luta. Foi o que aconteceu. Se é impensável um Brasil sem a passeata dos 100 mil e sem o AI-5, mais impensável ainda é o Brasil de hoje sem esse passado. Mas certamente estaríamos melhor, sem as duas décadas de ditadura militar. Nenhuma ditadura até hoje, em nenhuma parte, deixou herança mais positiva que negativa para as gerações que lhe sucederam.

A mobilização estudantil que 1968 representa seria possível hoje? Por quê?

Não pode mais ser a mesma coisa. Havia uma ditadura e havia uma reação democrática ao regime. Depois, nos estertores do regime, aconteceram mobilizações de massa ainda maiores, jamais vistas em nossa história, por ocasião da campanha pelas Diretas e pela Constituinte. Hoje vivemos numa democracia, são poucos os motivos políticos que podem mobilizar tanta gente num mesmo lugar, embora não seja impossível. O movimento pelo impedimento de Collor provou isso, mas o sentido já era outro. O mundo também mudou muito, a mobilização tem outros meios, como a internet. Mas é claro que a força pela mudança vai buscar sempre seus motivos: hoje talvez a grande manifestação de massas no Brasil seja a representada pelas Paradas de Orgulho Gay, que acontecem em muitas cidades, reunindo milhões de pessoas. É uma mistura de desfile, de festa e de luta por direitos, muito diferente na forma das passeatas de 1968, mas sua herdeira direta. Temos hoje uma multiplicidade de manifestações, com menos gente em cada caso, mas muito mais espalhada pelo país, em luta por direitos e contra arbitrariedades políticas e por reformas profundas na estrutura agrária, por exemplo. Há hoje mais manifestações que naquela época, evidentemente, pois vivemos num país democrático que não reprime a manifestação do pensamento. Mas tendem a ser mais pulverizadas, mais específicas em seus motivos, e também mais abrangentes em suas múltiplas localizações no território brasileiro.

25/04: Bolaño selvagem

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Cinco anos após sua morte, o escritor chileno Roberto Bolaño ganha enfim a primeira antologia crítica de sua obra, publicada pela editora Candaya. Bolaño Salvaje reúne 25 ensaios de escritores, amigos, familiares e acadêmicos da Europa e da América, e algumas surpresas preciosas, como o DVD inédito Bolaño cercano, do diretor holandês Erik Haasnoot, que mostra uma conversa entre sua família e seus amigos mais íntimos.

E o melhor: a antologia traz ainda textos inéditos do autor chileno, como um poema que ele teria escrito para seu amigo Enrique Vila-Matas. No depoimento para o DVD, sua viúva Carolina López revela que Bolaño deixou um romance inédito e incompleto: Los sinsabores de la verdadera policía.

Bolaño, como o Idéias tem destacado há tempos, é, além de um dos mais inventivos nomes da recente literatura latino-americana, um quase fenômeno pop ao redor do mundo. Merecido, repetimos. Basta ler o trecho de seu ensaio sobre fotografia, alguns posts abaixo. Ou Putas assassinas, seu último - e imperdível - livro lançado no Brasil.

Torcemos para que Bolaño Salvaje chegue logo logo às nossas prateleiras.

23/04: O caracol

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Para medir sua obra, Antônio Houaiss citou as "angústias afins" de Erasmo, Swift e Valéry; já Alfredo Bosi festejou: "Não é só o metro que agora se libera e espraia: a música toda se desata procurando seguir de perto as ondulações sutis dos estados de alma".

Ambos se referem a Jayro José Xavier, que é considerado por alguns um dos maiores poetas brasileiros vivos, ao lado de Manoel de Barros. Pois o autor acaba de lançar um livro feito por conta própria - mesmo. Recém-aposentado e sem editora, Xavier aproveitou seus conhecimentos de encadernação, uma prensa de madeira e papel reciclado de Itamonte, e tratou de confeccionar Poemas, onde reúne textos de 40 anos de carreira literária.

Uma pena que, no Brasil, uma obra tão preciosa fique relegada a uma tiragem de 250 exemplares (encomendados no e-mail jayroxavier@gmail.com). Ao mesmo tempo, é importante dizer: a edição caseira é um charme só. E, para dar um gostinho de seu conteúdo, segue o poema "O caracol":

"Mora entre as sombras eternas do fundo do pátio
e não canta. Antes inclina as antenas
e capta
a branda aspereza do dia

À noite sai,
tece uma seda líquida nos ladrilhos de cimento

Nem é um bicho, é
um silêncio
lentíssimo - mucosa e casa
movendo-se

Sábio molusco

No estio adverso encolhe-se feito feto
na valva em espiral. E adere
- úmido -
à dura pele da terra

(todo ele concha
e nostalgia
da unidade)"

18/04: Aniversário de Inimigo

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
1 Comentário
O trecho do post abaixo, de um ensaio de Roberto Bolaño sobre fotografia, está na Inimigo Rumor 20, que será lançada na manhã de sábado, dia 26, no sebo Berinjela.

Reparem bem: é um número 20, ou seja, aniversário de 10 anos. E é uma revista de poesia. POESIA. Isso mesmo, um feito raríssimo, intrigante e belo. Sobretudo porque, ao lado de Bolaño, este número 20, uma edição comemorativa, traz ainda poemas de Nathalie Quintane, Arnaldo Antunes, Marcos Siscar etc; e textos de Gertrude Stein, Mallarmé, Flora Süssekind; e uma entrevista com Adília Lopes; e um dossiê sobre fotografia, com ensaio até de Paul Valéry.

Pois a edição deste sábado do Idéias antecipa alguns trechos da revista, conta um pouco a sua história e ainda traz uma entrevista com o poeta Carlito Azevedo, que edita Inimigo ao lado de Augusto Massi.

Além disso, o Idéias publica uma matéria sobre Aracy, segunda mulher de Guimarães Rosa, conhecida também como Anjo de Hamburgo, e que completa 100 anos no domingo. Boa leitura.

18/04: Fotografia: os personagens fatais de Bolaño

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
"Em que consiste a lucidez na fotografia? Em ver o que se deve ver? Em ter os olhos sempre abertos e ver tudo? Em selecionar aquilo que se vê, em fazer falar aquilo que se vê? Em procurar, dentre um aluvião de imagens vazias, aquilo que o olho vislumbra como beleza? Em procurar em vão a beleza?

"O assassino dorme enquanto a vítima o fotografa. Esta frase, pronunciada quase que num sussuro, por uma voz resignada, tranqüila, me persegue ou persegue minha sombra há muitos anos. (...)"

Trecho do ensaio Os personagens fatais, de Roberto Bolaño, publicado na Revista Inimigo Rumor 20

11/04: Mais um argentino em Paraty

Categoria: Todos
Postado por: Juliana Krapp
Adicionar comentário
Na edição deste sábado, o argentino Martín Kohan, vencedor do Prêmio Herralde 2007 com seu Ciencias morales, anuncia ao Idéias que vem à Flip. E o melhor: que o romance premiado será lançado em breve no Brasil, pela Companhia das Letras. Por enquanto, apenas a novela Duas vezes junho, publicada pela Amauta Editorial, pode ser encontrada nas livrarias brasileiras.

Quem não conhece a obra do argentino, de 41 anos, está perdendo uma bela amostra do caráter renovador da literatura contemporânea de nossos hermanos. Kohan é dono de uma narrativa tão fina quanto surpreendente, como mostra a matéria de capa do caderno.

A edição, no entanto, também desvenda novidades preciosas no rol de pratas da casa. Afinal, duas obras importantes sobre a capital fluminense chegam esta semana às prateleiras: A imagem gravada (Casa da Palavra), de Renata Santos, e a reedição de Memórias da cidade do Rio de Janeiro, de Vivaldo Coaracy. Esta última, aliás, marca outra novidade: a inauguração da Livraria Arlequim, belo espaço no Paço Imperial, Centro do Rio.


Sidebar

Navegação
Hoje
Arquivos
Categorias
Todas
Todos
Powered by Nucleus CMS