RSS Feeds

27 de julho de 1980: A morte do Xá Reza Pahlevi

Morre Reza Pahlevi. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 28 de jukho de 1980.
Aos 60 anos, depois de um reinado de quase quatro décadas, exílio de um ano e meio e agonia de um mês, um dos mais ricos e autocráticos soberanos da História, o Xá do Irã, Mohammed Reza Pahlevi, 60 anos, morreu pela manhã no Hospital Militar de Maedi, no Cairo, onde estava internado, em decorrência de um choque circulatório, surgido da deteriorização geral de seu estado de saúde.

A morte do Xá repercutiu em todo o mundo. Reflexo da instabilidade permanente vivida em seu país, as manifestações internacionais também oscilaram entre lamentos e festejos.

Outras efemérides de 27 de julho
1976: O xadrez por trás da Guerra Fria
1981: Morre William Wyler, o último contador de histórias
1988: Aprovada a nova Constituição brasileira
1996: Explosão e morte durante Jogos de Atlanta

"A raça humana é ingrata. As pessoas não são tolerantes. Mues compatriotas não sabem absolutamente, agora, em que aventura se lançam". Essas foram as palavras do Xá em sua primeira entrevista, poucos dias após deixar o Irã.

Sua Majestade Imperial Mohammed Reza Pahlevi, a Sombra de Deus, Aryamehr (a Luz dos Arianos), Xainxá ( o Rei dos reis), era, na verdade, o filho plebeu de um coronel de origem humilde, que, através de um golpe de estado, em 1921, derrubou o Xá Ahmed, último soberano da dinastia Savañda, e, cinco anos mais tarde, por decisão unânime de uma Assembléia Constituinte, subiu ao Trono do Pavão, recebendo a coroa-símbolo do reino milenar de Dario, Xerxes e Ciro. O coronel Reza Xá escolheu uma antiga palavra persa, Pahlavi, para seu sobrenome dinástico, e designou como herdeiro primogênito, Mohammed Reza, nascido no Teerã, a 26 de outubro de 1919.

De formação militar, Reza Pahlevi assumiu o trono em 1941, quando os Aliados, acreditando que o Irã colaborava com os nazistas, forçam a abdicação de seu pai.

Sua ascensão no poder iraniano ganhou força quando o primeiro-ministro Mohammad Mussadeq apoiado pela União Soviética, rompe relações com o Reino Unido, nacionaliza as companhias petrolíferas estrangeiras (quase todas britânicas) e acaba deposto por um golpe militar conduzido com a ajuda dos serviços secretos do Reino Unido e dos Estados Unidos (EUA), dando início a era ditatorial de Pahlevi.

Tendo a repressão brutal como marca de seu governo, o xá implementou um programa de desenvolvimento que, entre outras ações, estimulou a reforma agrária e concedeu o direito de voto às mulheres. Orquestrou as decisões no país, fortalecendo-se conforme aumentava a importância mundial do petróleo, o que fez o Irã despontar estrategicamente como uma grande força militar norte-americana no Oriente Médio na década de 70.

Os novos horizontes desenhados por Reza Pahlevi, contudo, não foram suficientes para conter a insatisfação da parte conservadora da população iraniana. Acusado de promover a ocidentalização do país, o xá passou a sofrer intensa oposição dos xiitas, liderados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Uma onda de protestos eclodiu no país, levando em dezembro de 1978, mais de um milhão de pessoas às ruas, pedindo sua saída do poder. Sem alternativa, já demonstrando sinais do seu frágil estado de saúde, Reza Pahlevi se viu obrigado a exilar-se com a família e deixou o país em janeiro de 1979. Após peregrinar por diversos países, inclusive os EUA, seguiu para o Cairo, onde viveu seus últimos dias.
Pode interessar também
Xá do Irã deixa a capital Teerã
A revolução do Irã
A morte do aitatolá Khomeini

« anterior próximo »

Comentários


Não há comentários

Comentar

:

:
:



Hoje na História - Siga no Twitter!