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5 de janeiro de 1998: O assassinato do Bandido da Luz Vermelha

O assassinato do Bandido da Luz Vermelha. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 7 de janeiro de 1998.

Após apenas quatro meses e vinte dias em liberdade, João Acácio Pereira, 55 anos, o Bandido da Luz Vermelha, foi assassinado com um tiro de espingarda, durante uma briga com o pescador Nelson Pinzegher. O crime aconteceu dentro da casa em que João morava, no bairro humilde e populoso de Cubatão, na Zona Norte de Florianópolis, por volta das 22h. O corpo do primeiro brasileiro a cumprir 30 anos de prisão foi encontrado estirado no chão do cômodo que servia de quarto e sala. João tinha no pescoço várias fitas vermelhas, que usava como adorno, e um facão na mão esquerda. Segundo o pescador, assassino confesso, ele agiu em legítima defesa. Sete anos mais tarde, o réu foi absolvido do crime.

O enterro de João Acácio foi financiado pela Prefeitura de Joinville. Só um irmão compareceu, dizendo já esperar por este fim para João: "Ele gostava de dar uma de superior..." O irmão também condenou a libertação de João após cobrir a pena integralmente, alegando os riscos decorrentes de sua inadaptação à vida fora da prisão depois de tanto tempo em clausura.

Outras efemérides de 5 de janeiro
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1955: Brasil e Bolívia inauguram a ferrovia Corumbá-Santa Cruz
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Nascido em 24 de junho de 1942, o catarinense João Acácio passou mais tempo dentro de um presídio do que em liberdade. Ainda criança, foi detido diversas vezes por pequenos delitos, quase sempre assaltos. No final da adolescência, seguiu para o litoral paulista e estabeleceu residência na zona portuária de Santos, onde aprimorou-se no crime. A essa altura, já havia desenvolvido uma série de obsessões. A mais forte era com a cor vermelha, que ele associava à força demoníaca.

Embora, os relatos dos primeiros crimes de João Acácio não mencionem violência física, especula-se que a execução de Caryl Chessman (o temido Red Light Bandit) - criminoso norte-americano morto em 1960 numa câmara de gás de uma prisão na Califórnia pela prática de vários crimes sexuais - tenha promovido uma reviravolta em suas atitudes, pois é quando João passa a agir com uma identidade semelhante a do criminoso.

Em agosto de 1967, aos 25 anos, depois de se notabilizar como um dos principais assaltantes de mansões em São Paulo, tornando-se o personagem mais famoso da crônica policial brasileira na década de 60, João Acácio foi preso e condenado a 351 anos de prisão por um quadro formado por assassinatos, tentativas de homicídio e assaltos.
O Bandido da Luz Vermelha, preso em agosto de 1967. Reprodução

Abandonado à própria sorte, João Acácio foi visitado poucas vezes pelos familiares nas três décadas que permaneceu na prisão.

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Comentários


Comentários

Roberto enviou em 08/04/2013 as 03:14:

Lastimável uma pessoa passar pela vida dessa maneira, que Deus tenha piedade de sua alma.

Deise enviou em 14/04/2013 as 02:10:

Claro que fica evidente que um tratamento psiquiatrico tbm podrria fazrr parte da pena.E o Brasil poderia voltar a cumprir se 30anos em regime total fechado como antes.

jose luiz pereira enviou em 19/04/2013 as 21:38:

Era chamado carinhosamente de zinho "diminutivo de joão, estivemos juntos em 1997 na praia de Guaratuba, após a ausência de mais de 30, rodeado de amigos de infância sendo o comentário a seu respeito o dos melhores. acontece que além do irmão, Joaquim pereira, um ano mais velho, zinho, por infelicidade do destino ficou órfão da mãe que faleceu do seu próprio parto em seguida com apenas 8 anos, faleceu seu genitor, passou a ser cuidado, junto com o irmão, pelo seu tio-padrasto, sr. joão pereira, que foi omisso sob todos aspectos, escola, alimentação etc., as circunstância o obrigou a viver na rua, que passou a cometer pequenos furtos para suprir suas necessidades básicas, de menor infrator se especializou em praticar furtos noturnos nas residências classe média alta, que na gíria chama-se "ventanista", até então até os seus 25 anos, orientado pelo seu receptador Walter, adquiriu dois revólveres, calibres 32 e 38, comprou uma lanterna vermelha, migrando do furto, delito segundo o cp, de pequena gravidade para o roubo, latrocínio e homicídio, ou seja adentrava nas mações do jardim, desligava a energia elétrica, e protegendo-se do escuro, obrigava a abrir o cofre, para encurtar o texto, sua primeira vítima foi o estudante Bedram, nas perdizes, que ao escutar um barulho acordou e conseguiu dominar zinho, com uma espingarda winchesters, bedram encontrava-se na parte superior na sacada do sobrado e zinho, na parte inferior, a distância aproximada de 30m, sacou seu revolver 38 e desferiu um único tiro que atingiu sua cabeça. Esse é o comentário do jose luiz pereira advogado responsável pelo processo referente ao alvará de soltura em 26-09-1997.

apenas leitor enviou em 18/09/2013 as 21:17:

e o brasil cogita em legalizar a pena de morte com mais uma incompetência da justiça. Clarice Lispector no livro mineirinho já abordava a prepotência da justiça e da sociedade em matar


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