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4 de junho de 1994 - A morte surpreendeu o paisagista Burle Marx

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 8 de junho de 1994

"A morte surpreendeu
o paisagista Burle Marx
no momento em que
vivia uma difícil
contradição.
Inventor de jardins
num país habituado
à prodigalidade
da natureza,
quanto mais sua obra
recebia homenagens
no exterior,
menos atenção
merecia dos brasileiros.


Talvez porque seu maior sonho remava na direção inversa a uma das mais persistentes tradições nacionais - a da cultura predatória, que se firmou, desde os tempos coloniais, como resposta à generosidade da natureza
". Jornal do Brasil

O paisagista e artista plástico brasileiro, Roberto Burle Marx, 84 anos, morreu no início da madrugada, de insuficiência cardíaca, no sítio em que morava em Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Alamandras, orquídeas e alpineas, flores de seus jardins, ornaram o ateliê onde foi velado.

Reunindo arte e natureza, suas duas grandes paixões, Burle Marx compôs com Oscar Niemeyer e Lúcio Costa o cerne da estética modernista, definindo o gênio da Arquitetura Moderna Brasileira. No lugar de paredes pesadas, a leveza da estrutura. Nos traços, em vez do caos urbano, a simplicidade funcional das largas avenidas. Ao invés da importação dos modelos de jardins europeus, a exaltação da beleza e da variedade da florística tropical. A concepção desconcertantemente simétrica de seus projetos abstratos era da mesma extração dos traços de Niemeyer e dos espaços de Lúcio Costa. Aspectos essenciais de suas incontáveis criações paisagísticas. Bastaria circular no Rio de Janeiro, onde o artista viveu a maior parte de sua vida, para conhecer a expressão de seu talento na orla da cidade ou na sublimidade ambiental dos Jardins do Aterro do Flamengo. A sua excelência conquistou o mundo, com a realização de projetos em todos os continentes.

Centenário de Burle Marx - Programa De lá pra cá, parceiro CPDoc JB:


A incansável busca da plenitude
Pintor, escultor, tapeceiro, desenhista, designer e ceramista, Burle Marx foi ainda escritor, cantor lírico e colecionador de arte. Incondicionalmente dedicado, acreditava que só poderia ser um artista em sua plenitude desenvolvendo suas habilidades em todas as áreas.

E assim construiu o seu legado, plantando a semente da consciência da preservação ecológica, do respeito ao meio ambiente no Brasil, proclamados vastamente no seu trabalho pioneiro e inventivo. Reconhecimento premiado pelas mais respeitadas agremiações internacionais, genialidade injustamente ao relento na valorização nacional.

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Comentários


Comentários

Luiz A M Madeira enviou em 06/08/2013 as 00:58:

Burle Marx, um gênio.


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