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13 de março de 1964 - João Goulart e o Comício das Reformas

Central do Brasil é palco do Comício das Reformas. Jornal do Brasil: Sábado, 14 de março de 1964.

Após assinar no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o decreto da SUPRA, que seria o passo inicial para a reforma agrária no Brasil, e o decreto da encampação das refinarias particulares de petróleo, o então presidente João Goulart anunciou o tabelamento dos aluguéis, e prometeu lutar pela reforma da Constituição, em um comício na Central do Brasil que ficou conhecido como Comício da Central.

– Nenhuma força será capaz de impedir que o governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E para isto poderemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das Forças Armadas – disse Jango no que seria seu último comício, assistido por uma multidão calculada em 130 mil pessoas.

Sobre a reforma da Constituição, Jango declarou ser uma das medidas mais urgentes a ser feitas no Brasil “porque é indispensável, e porque o seu objetivo único é abrir o caminho para a solução harmônica dos problemas que afligem o povo brasileiro”. Nesse ponto, o companheiro de palanque de Goulart, Leonel Brizola, o apoiou, propondo a convocação de uma assembléia constituinte, sugerindo a renovação do Congresso Nacional, devendo este ser constituído de operários e camponeses, oficiais nacionalistas e sargentos, “autênticos homens públicos para eliminar as velhas raposas do Legislativo”, segundo suas próprias palavras.

O Comício da Central marcou o começo de uma contagem regressiva. O discurso de Jango irritou os parlamentares, porque as propostas das Reformas de Base ainda não tinham sido enviadas ao Congresso. O projeto de Goulart abrangia as áreas de educação, onde visava combater o analfabetismo com o uso do Método Paulo Freire e a implantação da reforma universitária; a área da reforma agrária, cujo lema era desapropriar terras com mais de 600 hectares; a reforma tributária, que obrigava as empresas multinacionais aqui instaladas a reinvestirem os seus lucros no páís; fazer com que o pagamento do imposto de renda se tornasse proporcional à renda anual do cidadão: e a reforma eleitoral, que visava expandir o direito de votos a analfabetos e militares de baixa patente.

Além de ter irritado os congressitas, o Comício da Central incomodou a oposição, principalmente o governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e as mais altas camadas militares. Alguns dias depois, foi organizada no Rio de Janeiro uma passeata de oposição a Jango, denominada Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, a qual alegava que a política de Goulart estava caminhando para a implantação de um governo comunista no Brasil.

E n dia 1º de abril, um golpe de estado derrubou Jango, obrigando-o a seguir para o exílio. O governo militar implantado nessa ocasião durou até 1985, quando foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960.

Confira também:
1964 - Marcha da Família com Deus
1º de abril de 1964 - Jango desiste e sai de cena
6 de dezembro de 1976 – No exílio, morre João Goulart

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Comentários


Comentários

REGINA enviou em 30/10/2011 as 13:32:

BEM LEGOU ESSA PAGINA DA PARA SABER TUDO DA QUELA EPOCA.


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