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16 de janeiro de 1979 – Xá do Irã deixa a capital Teerã




Em lágrimas, o Xá Reza Pahlavi e sua mulher, a Imperatriz Farah Diba, deixaram Teerã, após uma breve cerimônia no aeroporto da capital iraniana, para uma temporada de férias em Assuã, no Egito. A partida do Xá, que governou o país por 38 anos, ocorreu depois que a Câmara dos Deputados elegeu o primeiro-ministro Shahpour Bakhtiar – etapa culminante de um processo de revolta popular, que começou em janeiro de 1978, no qual manifestantes exigiam o fim da monarquia e a volta do Ayatollah (líder religioso xiita) Khomeiny, exilado em Paris.

“Convenci o soberano de que a sua partida era a única solução para acalmar a opinião publica, e ele concordou”, afirmou o recém-eleito primeiro-ministro. “Fiz com que ele soubesse que seria eu quem governaria o Irã e que ele [o Xá] ou o Conselho de Regência deveriam contentar-se em reinar. Não posso admitir a ingerência do soberano nos negócios do país”, acrescentou.

Assim que a rádio oficial do Irã anunciou a partida do Xá no noticiário das 14 horas do dia 16, milhares de pessoas saíram às ruas, jogando balas, cravos vermelhos e beijos aos soldados – numa campanha de “amor e reconciliação” entre o povo e os militares – gritando em coro: “O Xá partiu, viva Khomeiny!”. Em meio à multidão, os militares não fizeram qualquer esforço para conter os manifestantes e não houve notícia de violência. “Todo ato de agitação e operação contra o povo será duramente combatido e reprimido”, declarou o Governador militar da capital iraniana.

“A partida do Xá é o primeiro passo para por fim ao governo de cinquenta anos da dinastia Pahlavi. Não é a vitória final, mas seu prelúdio. Meus parabéns ao povo do Irã”, declarou Rubollah Khomeiny de sua casa em Paris. O líder religioso xiita deixou claro que o seu próximo objetivo seria derrubar o governo do premier Bakhtiar e o Conselho de Regência, ao qual o Xá confiou seus poderes constitucionais enquanto estivesse no exterior. Khomeiny ordenou que seus seguidores fizessem uma manifestação contra o atual governo e continuassem com a greve geral, que deixava o país paralisado.





O Trono do Pavão

Mohamed Reza Pahlavi nasceu em 1919, em Teerã. Seu pai era coronel do Exército e foi levado ao poder em 1925, quando o Parlamento iraniano acabou com o governo vigente e ofereceu a ele o posto de Xá, fazendo de seu filho o príncipe herdeiro.

O Xá Reza Pahlavi era um grande admirador dos paises ocidentais, e apoiou a concessão dos enormes campos petroliferos descobertos dursante o seu reinado a companhias britânicas e norte-americanas. Desde que assumiu o lugar do pai (em 1941), ele lançou-se em uma série de programas de industrialização, recebendo estímulo financeiro britânico e norte-americano para o plano de modernização do país.

Em 1975, acabou com os partidos políticos e estabeleceu um governo ditatorial com objetivo de tornar o Irã “uma grande civilização”. O plano repressor não deu certo, e em 1978 a crise econômica agravou-se, e a população revoltada, incentivada pelo Ayatollah Khomeiny, começou uma onda de protestos e greves , que só terminou quando o Xá deixou o país rumo ao Egito. Em fevereiro de 1979, Khomeiny assumiu o poder e governou o Irã até a sua morte, em 1989.

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