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4 de novembro de 1969 – Carlos Marighella é morto em emboscada



O ex-deputado comunista e guerrilheiro Carlos Marighella foi morto pela polícia com uma rajada de metralhadora, em São Paulo, quando tentava entrar num Volkswagem azul, na esquina das Alamedas Lorena e Casa Branca, onde se encontraria com dois padres presos que serviam de isca aos policiais. De acordo com a versão das autoridades, Carlos Marighella, que chegara ao local numa camioneta Willys, não atendeu à voz de prisão que lhe deu o delegado Fleury, do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), e foi atingido por uma rajada no peito e na cabeça, enquanto seus dois companheiros reagiram aos tiros, matando a investigadora Estela de Barros Borges, que participava da operação.

A polícia havia descoberto a maneira de encontrar Carlos Marighela quando, dias antes, havia prendido 11 padres, num convento do bairro do Paraíso, que seriam associados ao guerrilheiro. Dois deles colaboraram então com a polícia na prisão de Marighela, marcando um encontro com o guerrilheiro sob a justificativa de tratar de alguma ação subversiva, e agachando-se na parte de trás do Volkswagem quando o terrorista foi atingido pela rajada de metralhadora. O local do encontro era vigiado pelo DOPS e pela Polícia Federal, com seus agentes disfarçados de casais espalhados pela região.

Ao atravessar a rua, Marighella ouviu o delegado Fleury gritar: “Pare ou atiro”. O ex-deputado teria então corrido para o Volkswagen, e já tinha conseguido entrar quando foi atingido por vários tiros no tórax e um na cabeça, caindo deitado no assento traseiro do carro. Os dois companheiros do ex-deputado reagiram aos tiros, baleando uma investigadora e o delegado Rubens Tucunduva, do DOPS, que foi atingido de raspão. Ao entrar no carro, Marighella levava uma maleta preta com várias armas, mas não teve tempo de usá-las. O vidro da frente do carro foi perfurado por cinco tiros e a caminhoneta onde estavam os outros dois terroristas também ficou estilhaçada.

Inimigo do regime militar
Carlos Marighella nasceu no dia 5 de dezembro de 1911, em Salvador, Bahia, e foi um dos principais organizadores da luta armada para a criação de um estado socialista no Brasil. Em 1929, começou a cursar engenharia civil na Escola Politécnica da Bahia e a se interessar por política, entrando para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1936, abandonou o curso e passou a dedicar-se inteiramente ao ativismo político. Durante sua vida, Marighella foi preso e libertado várias vezes a medida que o PCB se tornava ilegal. Em 1967, começou a discordar com as teses de seus companheiros comunistas, aderindo às idéias de focos insurrecionais e de guerrilhas defendidas por Régis Debray e Che Guevara. Marighella foi então expulso do PCB e fundou o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), tornando-se um dos principais inimigos do regime militar brasileiro.

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