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4 de maio de 1933 — As negociações de paz na região do Chaco

Jornal do Brasil: A Guerra do Chaco

Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai, respectivamente José Carlos de Macedo Soares, Saavedra Lamas, Tomaz Manuel Elío e Luiz Riart, reuniram-se em Buenos Aires para discutir os termos do acordo de paz entre a Bolívia e o Paraguai para pôr fim à Guerra do Chaco.

O conflito teve origem na disputa pelo Gran Chaco, uma região próxima ao Rio Paraguai, que dá acesso ao Oceano Atlântico, e onde também acreditava-se existir reservas de petróleo. A guerra entre os dois países, que passavam por uma situação financeira difícil, começou em 1932 e terminou em 1935.

O Chaco pertenceu à Bolívia, no antigo Vice-Reinado do Rio da Prata, estabelecido em 1776. Os bolivianos já haviam perdido sua saída para o mar para o Chile, na Guerra do Pacífico, em 1879, não queriam perder o controle sobre o Rio Paraguai e o petróleo, que diziam haver descoberto no sopé da Cordilheira dos Andes.

O confronto provocou a morte de 60 mil bolivianos e 30 mil paraguaios. A Bolívia foi derrotada mesmo tendo um efetivo maior que o adversário.

O Paraguai iniciou a exploração do território na década de 20, com assentamentos agrícolas feitos por imigrantes alemães. Os colonos construíram uma ferrovia para levar a madeira até o Rio Paraguai e a praticavam o extrativismo do quebracho, planta nativa que produz o tanino, substância usada na indústria do couro.

O Paraguai obteve o apoio da Argentina graças a esse produto. Com um enorme rebanho, os argentinos compravam toda a produção de tanino dos paraguaios e não queriam que os bolivianos passassem a controlar a região e alterassem os preços e os contratos já em vigor.


Os esforços para resolver as divergências territoriais entre os dois países tiveram início em 1938, com o Tratado de Paz, Amizade e Limites, que previu a criação de uma comissão, que concluiu seu parecer só em 2007. O documento foi elaborado pela Comissão Mista Demarcadora de Limites, presidida pelo governo argentino, com a participação de Brasil, Chile, Peru, Uruguai e Estados Unidos.

A assinatura do acordo que pôs fim ao conflito, ainda em 1938, deu ao Paraguai o controle de uma área 120 mil quilômetros quadrados no norte do país.

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