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3 de maio de 1933 — A primeira deputada eleita

Jornal do Brasil: Eleições para a Constituinte

A médica Carlota Pereira de Queiroz foi a única mulher eleita para Assembléia Nacional Constituinte. A deputada destacou-se durante a Revolução Constitucionalista, movimento de contestação à Revolução de 1930 ocorrido em São Paulo em 1932, quando conseguir arregimentar 700 mulheres para dar assistência aos feridos no conflito.

Carlota integrou na Constituinte a Comissão de Saúde e Educação, na qual trabalhou em prol da alfabetização e assistência social. Foi autora do primeiro projeto de lei para a criação de serviços sociais no Brasil, assim como da emenda que fundou a Casa do Jornaleiro e o Laboratório de Biologia Infantil.

Depois da promulgação da Constituinte em 17 de julho de 1934, teve o seu mandato prorrogado até maio de 1935. Ainda em 1934, ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Carlota foi reeleita pelo Partido Constitucionalista de São Paulo nas eleições de outubro de 1934, e permaneceu na Câmara até 1937, quando Getúlio instaurou o Estado Novo (1937-1945). Sem mandato, lutou pela redemocratização do país, mas apoiou o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart em 1964.

Carlota foi membro da Academia Nacional de Medicina e fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas. Morreu em 1982.

O direito ao voto feminino e à candidatura de mulheres à Câmara e ao Senado foi instituído pelo Código Eleitoral promulgado pelo presidente Getúlio Vargas. Até então era também vetado às mulheres o acesso a cargos públicos por meio de concurso.

Mineira tira o título de eleitor aos 99 anos
O alistamento eleitoral feminino foi realizado no Brasil inteiro, mas o número de mulheres que se inscreveu foi muito pequeno. A inscrição para obter o título de eleitor que chamou mais atenção no país foi a de Virgínia Augusta de Andrade Lage, moradora de Itabira (MG), que tinha na época 99 anos.
A segunda deputada brasileira a tomar posse na Câmara Federal foi a bióloga e advogada Bertha Lutz, que assumiu a cadeira em julho de 1936 depois da morte de um deputado. Bertha Lutz e Nathércia da Cunha Silveira haviam sido nomeadas por Getúlio Vargas em 1932 para integrarem a comissão que elaborou o anteprojeto da nova Constituição Brasileira.

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Comentários


Comentários

Stella de Mendonça enviou em 03/06/2010 as 21:40:

Fiquei feliz em encontrar esse texto maravilhoso sobre esta grande mulher que poucos conhecem! Escrevo um livro sobre a artista modernista Annita Malfatti em que muito ajudou na campanha de Carlota em São Paulo, eram grandes amigas, saíam constantemente juntas. Mulheres que se destacaram na história de um Brasil puramente masculino. Onde a mulher se evidenciava apenas nos limites do lar envolvida com prendas domésticas. Obrigada Stella

julie enviou em 11/04/2013 as 21:15:

muito bom


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