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1909 - Primavera de Sangue

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 23 de setembro de 1909
Foi num dia claro com Sol de primavera que se desenrolou a cena bárbara, selvagem, inacreditável e desumana nesta capital. No deplorável acontecimento, que veio patentear a inaptidão da força armada, atentou-se contra as vidas de pessoas indefesas. No final, dois acadêmicos morreram assassinados pela força pública.

Os acadêmicos das escolas superiores vinham fazendo manifestações contrarias a diversas autoridades e pessoas de alta posição social, mas nunca tinha havido intervenções das forças policiais para reprimir distúrbios. Obedecendo à praxe dos anos anteriores, os estudantes da Faculdade de Medicina levavam a efeito a festança, à qual que se associaram alguns colegas de outros cursos superiores. Quando os estudantes seguiam pela rua Senador Dantas, surgiu, em sentido contrário, uma carroça da Força Policial, transportando uma banda de música. Os estudantes gritaram para o cocheiro que se detivesse, no que não foram atendidos. A carroça foi atirada brutalmente contra os acadêmicos que, indignados, protestaram em altas vozes.

Valeu-lhes isto serem chicoteados pelo cocheiro da carroça. Em face desta agressão, resolveram os estudantes ir ao Quartel da Força Policial. Recebido pelo General Souza Aguiar, que sabia que a queixa era contra um de seu subordinado, declarou aos acadêmicos que o incidente não tinha valor algum, e que se houvesse algum culpado no caso, ele estaria entre os estudantes que costumavam fazer impunemente as suas desordens. Tendo em vista a maneira que foram recebidos, resolveram os estudantes fazer o "enterro" do General Souza Aguiar. A Força Policial recebeu avisos que os estudantes pretendiam ridicularizar o comandante daquela corporação.

Uma manifestação de desagrado

Estudante morto Francisco Pedro Ribeiro Junqueira
Saiu da Faculdade de Medicina o cortejo dos estudantes. Eles levavam um grande caixão de pano negro, com diversos emblemas e dizeres. Em cima do caixão foi colocado uma coroa roxa com uma faixa com a frase "Ao General Souza Aguiar - recordação dos estudantes".
Estudante morto José de Araujo Guimaraes
No largo de São Francisco, quando chegou o cortejo, alguns indivíduos mal-encarados saltaram à frente de um estudante, agredindo-o à torto e a direito. Os atacantes estavam como fúria. Ouvia-se de todos os lados as exclamações: "É soldado à paisana! É soldado!" Neste episódio morrem dois estudantes.



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