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19 de fevereiro de 1972 – Primeira transmissão pública de TV a cores no Brasil

Jornal do Brasil, 20 de fevereiro de 1972


A Festa da Uva, evento popular do Rio Grande do Sul, foi a escolhida para estrear a transmissão pública de TV a cores no Brasil. O então Presidente Médici inaugurou o evento, cuja transmissão foi comandada pela TV Difusora de Porto Alegre, e difundida pela Embratel para todo o país. A visita do presidente Médici à Festa da Uva durou uma hora, o tempo de exibição do evento a cores. O desfile de carros alegóricos, cuja realização esteve ameaçada até o último momento, contou toda a história da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Foram ao todo 42 carros.

No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se reuniram em frente a lojas de eletrodomésticos nas quais televisores a cores estavam ligados, para assistir à Festa da Uva. No estado, havia apenas 200 televisores particulares capazes de receber o sinal colorido no dia da estréia, o que fez com que as lojas de eletrodomésticos aproveitassem a ocasião para fazer propaganda do novo produto e assim aumentar as vendas. O que mais surpreendeu quem nunca tinha visto o novo aparelho, foi que, em alguns modelos, as antenas captadoras de sinal tinham sumido. Alguns dos novos televisores já possuíam antena interna. Em outras cidades, o mesmo fenômeno aconteceu. Em certos municípios alguns prefeitos chegaram a comprar aparelhos e colocá-los em praça pública para que a população tivesse acesso à novidade.

Na Embratel, os técnicos tiveram que enfrentar uma delicada situação: explicar para dezenas de pessoas que telefonaram, que não era possível receber imagens a cores num aparelho convencional, que exibia as imagens em preto e branco. As ligações telefônicas ocorreram porque a empresa divulgou um número de telefone durante a festa para que telespectadores comentassem a qualidade do sinal recebido em suas casas, tendo informado que os comentários, nesse sentido, foram em sua maioria positivos.

A transmissão da Festa da Uva foi o marco inicial da TV a cores no Brasil. Depois disso, as emissoras de televisão correram para se ajustar ao novo padrão e, em março do mesmo ano, inauguraram oficialmente suas programações coloridas.

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7 de fevereiro de 1984 – Homem voa livre no espaço

Bruce McCandless voa livre no espaço. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 8 de fevereiro de 1984.


O astronauta Bruce McCandless tornou-se o primeiro homem a voar livremente pelo espaço, com uma mochila propulsora nas costas que o levou até 100 metros de distância da nave espacial Challenger. O fato histórico foi televisionado ao vivo para a Terra, tendo sido visto por milhões de norte-americanos, que se emocionaram ao ver o homem vestido de branco com uma grande mochila nas costas sair do compartimento de cargas da nave, aparentemente de cabeça para baixo, e flutuar na imensidão vazia do espaço.

“Pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas podem estar certos de que foi um grande passo para mim”, afirmou McCandless, numa alusão às palavras de Neil Armstrong ao posar na Lua em 1969, quando ele disse que o pequeno passo que dava na superfície lunar representava um grande passo para a humanidade.

Nos seus dezoito anos como astronauta, McCandless ajudou a NASA a desenvolver as as mochilas espaciais propulsoras que usou no dia da aventura espacial, batizadas de Unidade Tripulada de Manobra (MMU – Manned Maneuvering Unit), mas popularmente chamadas de mochilas Buck Rogers. Enquanto se movia no vácuo, seu colega Robert Stewart permanecia fora da nave atado ao compartimento de carga com uma segunda mochila ao alcance da mão, pronto para socorrer o companheiro em caso de necessidade. Outra alternativa de socorro seria tentar resgatar o astronauta eventualmente extraviado com um braço mecânico ou aproximar a nave até que ele entrasse no compartimento de carga, onde poderia se agarrar.

O vôo começou quando a nave estava sobre o Havaí e, embora o astronauta estivesse se movendo apenas a 0,3 km/h em relação à Challenger, McCandless dava voltas à Terra a uma velocidade de mais de 28 mil km/h. “Olha lá a Flórida”, gritou ele a certa altura da missão, após ter voado sobre todo o território dos Estados Unidos. Segundo um dos seus colegas ouvidos pela TV, no espaço não se tem noção de distância.

Durante o período de cinco horas de Atividade Extraveicular (EVA), os astronautas realizaram alguns exercícios simulados de reparos como parte do treinamento para a próxima missão da Challenger, que seria realizada em abril. Nela, os astronautas usariam suas MMUs para recuperar o satélite de pesquisas solares Solar Maximum, danificado havia três anos, para repará-lo no compartimento de carga e colocá-lo de volta à órbita.

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6 de julho de 1997 - Robô passeia em Marte

Jornal do Brasil: 7 de julho de 1997
O robô explorador Sojourner realizou sua primeira operação em solo marciano. Sojourner obteve imagens em três dimensões da superfície do planeta vermelho. As fotos ajudaram os técnicos a montar a simulação de um passeio na planície de Ares Vallis, no hemisfério norte de Marte, nas imediações onde a sonda tinha pousado dois dias antes.

O robô integrava a missão americana Mars Pathfinder, e era parte de um sistema que envolvia outros componentes como a nave mãe e o módulo de pouso, e foi lançado em meados de 1996. "Isso abre uma nova era na exploração planetária", explicou Jake Matijevic, responsável pelo robô, do Laboratório de Propulsão a Jato, em Passadena.

O local do pouso foi batizado de Memorial Carl Sagan, em homenagem ao cientista e divulgador da astronomia Carl Sagan (1934-1996).

A nave entrou diretamente na atmosfera de Marte, sem entrar na órbita do planeta, usando um método inovador. A blindagem protegeu a nave do aquecimento provocado pelo aumento da velocidade para 1.440 km/h, em cerca de 2,5 minutos. Em seguida, com a ajuda de um paraquedas de 12,5 metros, reduziram a velocidade para aproximadamente 252 km/h. O aquecimento da blindagem cessou 20 segundos depois da abertura do paraquedas. Dez segundos antes de alcançar o chão, quatro air bags se abriram, formando um círculo protetor de 5,2 metros de diâmetro. Quatro segundos depois, a uma altitude de 98 metros, os três foguetes montados na parte de fora da Mars Pathfinder foram ligados para diminuir ainda mais a velocidade. A Mars Pathfinder tocou o solo marciano a 61 km/h, quicou e rolou até parar. Depois de a Mars Pathfinder parar, os airbags se esvaziaram e se recolheram. Em seguida, três painéis triangulares metálicos se abriram. Após algumas manobras para retirar um airbag que não se recolheu, as rampas desceram e o pequeno robô, alojado em uma das pétalas, andou sobre a superfície de Marte.

O robô Sojourner tinha seis rodas, com uma placa de captação de energia solar e instrumentos de análise química para determinar a composição das rochas e solos de Marte. A combinação de imagens da área de pouso com a composição das rochas colhidas pelo robô ofereceram uma identificação precisa das rochas. O Sojourner era controlado por uma base de comandos da Terra, que usava imagens obtidas do robô e da Sagan Memorial Station.

Comunicação foi interrompida
A Sagan Memorial Station. era formada por baterias solares nas suas pétalas, baterias recarregáveis e um computador. O retardamento na chegada das imagens enviadas para a Terra era de cerca de 10 minutos. A estação tinha três antenas de longa distância no centro dos três painéis solares e uma câmera. O robô recolheu informações durante mais de um mês terrestre. No total foram obtidas 16.500 fotos a partir do módulo de pouso e 550 imagens do Sojourner. As imagens foram recebidas até o dia 27 de setembro de 1997, quando a comunicação foi interrompida por razões desconhecidas.

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